quinta-feira, 1 de junho de 2017

A Excelência do Rosário - Pe. Duarte Sousa Lara

Ontem, em Lisboa, na paróquia de Nossa Senhora da Encarnação no Chiado, o Padre Duarte Sousa Lara deu uma conferência sobre "A Excelência do Rosário", inserida num curso sobre o Rosário.

O Padre Duarte Sousa Lara é exorcista da diocese de Lamego desde 2008, tendo sido antes discípulo do Pe. Gabriel Amorth, conhecido exorcista da diocese de Roma que morreu há poucos meses, licenciado em teologia pela Pontifícia Universidade da Santa Cruz em Roma, e fã de desportos radicais. É o exorcista português mais conhecido e uma autoridade na matéria.
O blogue Senza marcou presença e apresenta aqui um resumo da conferência do Pe. Duarte:

O Padre Duarte começou por explicar a importância da virtude da perseverança na nossa vida e como o Rosário é também uma oração de perseverança. Depois prosseguiu contando como surgiu o Rosário, com S. Domingos de Gusmão, contando como as pregações do Santo não pareciam dar frutos, por melhor preparadas que fossem. Ora, certo dia Nossa Senhora aparece a S. Domingos, entrega-lhe o Rosário juntamente com 15 promessas para aqueles que o rezarem e diz a Domingos: "vai e prega o rosário". A partir de então, assim fez o santo e os frutos começaram a aparecer duma maneira impressionante. Diz então o Padre Duarte que "o segredo para o apostolado é obedecer ao céu", fazer a vontade divina.

De seguida o Pe. Duarte referiu outros momentos importantes na história nos quais o Rosário foi protagonista. O primeiro exemplo foi a batalha de Muret, na qual pouco mais de mil cruzados liderados por Simão de Monfort derrotaram o exército albigense que apenas nesse dia (12-IX-1213) perdeu entre 10 e 15 mil homens. Depois falou na batalha de Lepanto, em que o Império Otomano (islâmico), contando com 230 navios, foi derrotado por uma armada cristã menor, que apenas perdeu 12 navios contra os 190 navios turcos capturados/destruídos, libertando assim 12 mil cristãos captivos. A armada cristã fora reunida pelo Papa S. Pio V que era dominicano. E sabendo da perniciosidade da sua posição militar, o Papa ordenou que todos os mosteiros e conventos romanos intensificassem a recitação do Rosário pela batalha que aí viria. Estando em Roma no momento em que a batalha terminou, sem possibilidade de o saber, S. Pio V anunciou que tinham vencido e desde então consagrou o dia da batalha (7-X-1571) a Nossa Senhora do Rosário.

Então, o Padre Sousa Lara prosseguiu a conferência destacando a importância do Rosário em todas as aparições de Nossa Senhora. Referiu como em todas as aparições de Lourdes, Nossa Senhora rezou o terço com Santa Bernardette Soubirous e como nas últimas rezou, inclusivamente os três terços que compõem o Rosário. Falou também da história do Beato Bartolo Longo, "o verdadeiro apóstolo do Rosário", um sacerdote satânico que se converteu, entrou para a ordem terceira dos dominicanos, e em reparação dos seus pecados propagou a devoção do Rosário, fundando o Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia.

O Padre Duarte continuou, falando nas aparições de Fátima, cujo centenário celebramos, referindo como em todas as aparições há um pedido comum: "rezem o terço todos os dias!" Referindo como, quando Lúcia perguntou a Nossa Senhora se o Francisco ia para o céu esta respondeu que sim, mas que antes teria de rezar muitos terços, e como, em Julho de 1917, Nossa Senhora disse que apenas a Senhora do Rosário lhes poderia valer. Antes, para demonstrar como Fátima é essencial no nosso apostolado contou como quando pergunta a alguém se gosta de Nossa Senhora de Fátima e respondem que sim, ele diz: «então e já pensou, que um dia vai morrer, vai ver Nossa Senhora e ela lhe vai dizer: "então o terço, meu filho?"»

Pomos a nossa esperança noutros remédios não tão eficazes. O terço resolve!

Após esta história do Rosário, o sacerdote falou da importância do Rosário na vida de três santos modernos. Contou como o Padre Pio, um dos maiores místicos da história da Igreja, escreveu no seu diário em 1929 que prometia a partir daquele dia rezar diariamente 5 Rosários (15 terços!). A lógica tinha sido simples: Nossa Senhora mostrou-nos do céu qual é a melhor maneira de lá chegar, quando ao longo da história nos veio mandando rezar o terço. Portanto não é preciso fazer muita coisa. Só é preciso rezar muitos terços. Certo dia uma senhora disse ao Padre Pio que lhe fazia impressão como é que ele conseguia rezar tantos terços, ao que ele respondeu: "e a mim faz-me impressão como a senhora consegue rezar tão poucos." - Ups!, diz o Padre Duarte, entre gargalhadas da audiência. O Padre Pio era tudo à bruta! (...) Eu gosto muito do Padre Pio.

Depois, o Senhor Padre frisou duas frases da Irmã Lúcia, vidente de Fátima:
"A seguir à Missa, o terço é a oração que mais agrada a Deus."
"Não há nenhum problema, espiritual ou temporal, que não possa ser resolvido com o terço."

O Padre Duarte falou ainda sobre S. João Paulo II, como aquele que lhe mostrou que é possível ser santo e que ser santo é sinónimo de ser feliz. Reforçou que tudo o que é honesto é ocasião de amar a Deus e que o pecado desumaniza. Destrói o homem! Depois contou como S. João Paulo II tinha um grande sentido de humor. Certo dia, ainda Cardeal Wojtyla, chocou um outro cardeal dizendo-lhe: "Sabe? Na Polónia, 50% dos cardeais fazem ski." O outro cardeal, impressionado, não fazia ideia que apenas havia dois cardeais polacos. Quando foi eleito mandou construir uma piscina em Castel Gandolfo e quando um Monsenhor da cúria lhe disse que a obra era muito cara ele respondeu: "é mais caro eleger outro Papa." Tudo isto vindo do homem que disse: "O Rosário é a minha oração preferida. Uma oração maravilhosa pela sua simplicidade e profundidade." - Um Papa muito mariano.

O exorcista, de seguida, referiu três grandes objecções típicas à oração do terço:
1. "O terço não é uma oração litúrgica." - E então? - responde o Padre - Deus quis dar ao terço uma eficácia sublime. É ver todos os exemplos já deixados.
2. "O terço é repetitivo." - O amor é repetitivo! Vejam os namorados. Todos os dias: "estás muito bonita hoje" - algum dia ela se queixa?
3. "O terço é uma devoção a Nossa Senhora, mas nós somos cristãos." - Uma ideia protestante que entrou na Igreja. - diz o Padre Duarte. Olhar para Maria aproxima-nos de Jesus! Ele veio a nós por ela. No terço rezamos a oração que Jesus nos ensinou, no centro da Ave Maria está Jesus: "bendito o fruto do vosso ventre...", meditamos os mistérios da vida de Jesus. O terço não podia ser mais cristocêntrico.

A seguir, o Padre Duarte Sousa Lara falou do Pai Nosso como uma das orações que compõe o Rosário: O Pai Nosso é a oração mais perfeita. Devíamos meditar mais nele. Primeiro indica a quem pedimos e depois fazemos 7 petições.

Contou, posteriormente, como o Papa João Paulo I dizia, com graça, que já tinha feito o funeral ao seu amor próprio desordenado. (À sua soberba. Ao que lhe impede de amar mais a Deus.) Só que ele ressuscita...

Em seguida, falando sobre si, afirmou que até aos 20 anos não rezou o terço. Que em casa não rezava e apenas os avós maternos o faziam diariamente. Que foi muito importante para ele ler as Memórias da Irmã Lúcia. E que certo ano animou um campo de férias de Sairef e que todas as noites, às tantas da manhã, depois de mil actividades, os animadores se juntavam para rezar o terço e lá ia ele. No último dia, numa partilha reforçou como Nossa Senhora tinha dito em Fátima para rezar o terço todos os dias. O ambiente ficou pesado... Tentanto desanuviar o ambiente disse o Padre Nuno Serras Pereira, que os acompanhava: "e tu rezas?" - ao que ele respondeu que não. Aí percebeu que não podia apregoar uma coisa e viver outra e desde então reza o terço todos os dias, rezando hoje mais do que um. Começou a rezar o terço e acabou hoje com "esta bonita fatiota", referindo-se à batina. O Padre Duarte explica como isto é como as mudanças (caixa de velocidades) do carro: ia em primeira, começou a rezar o terço - segunda! - depois a fazer a devoção dos Primeiros Sábados - terceira! - e só pára quando quisermos que pare. A nossa relação com Deus só pára quando quisermos. Quanto mais rezarmos mais nos aproximamos de Deus (apesar de não ser matemático). Há uma relação entre a oração e a caridade.

Nossa Senhora prepara-nos para tempos difíceis que já começámos a viver. Nossa Senhora aparece e diz: "muitas almas se perdem..." Vivemos uma crise tremenda. Tempos dramáticos espiritualmente: paganismo; escândalo que incita as crianças ao pecado; aborto. Estamos a bater no fundo. Mas não podemos ser como alguém que tem um cancro e não aceita isso. Temos de fazer a quimioterapia, para termos uma chance. A humanidade vive um cancro espiritual. E não estamos a tomar o remédio. Mas há esperança: conversão! A palavra que resume Fátima.

Há palavras que assustam, na Igreja: não se pode falar de pecado. - "Senhor Padre, não diga isso!"
E depois na catequese: "Jesus é meu amigo!" - E é verdade. Catecismo, volume 2: "Jesus é muito meu amigo!" Catecismo, volume 3: "Jesus é mesmo mesmo mesmo meu amigo." Crisma: "Jesus é o melhor amigo do mundo." - Então e os 10 Mandamentos? "Não sei." E fingimos que está tudo bem.

"Senhor Padre, o senhor é um bocado negativo..." - Paciência. Não se importa de ser negativo. Quer é ajudar as pessoas a ir para o céu. Quer fazer o que o céu pede. Resumindo e concluindo: Rosário! Rosário! Rosário! Recomenda vivamente, já que experimenta todos os dias. Uma penitência para ele seria: "amanhã não podes rezar o Rosário." - não sabe como geriria isso. Uma pessoa quando gosta nunca mais larga. Portanto, quem tiver coragem experimente: não tem contra-indicações.

Para terminar, o blogue Senza perguntou ao Padre Duarte, na sua experiência como exorcista, qual a reacção do demónio ao Rosário. Se alguma vez tinha dito alguma coisa ou reagido de alguma maneira.

O Pe. Duarte respondeu que o demónio detesta o terço, quer a oração, quer o objecto. Que nos 311 casos graves que assistiu insistiu sempre na obrigação de se rezar o terço todos os dias. Que nos casos graves as pessoas nem são capazes de o fazer. Parece que desmaiam, estrebucham, gritam... Muitas vezes os terços partem-se ou perdem-se. O próprio objecto, durante os exorcismos, causa incómodo ao demónio. É uma das orações que o demónio menos gosta!


Reportagem Senza Pagare


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