domingo, 28 de maio de 2017

A ditadura do Estado moderno e a liberdade religiosa

O Estado [moderno], que nasceu na Europa para pôr fim às guerras de religião, foi fundado sobre a tolerância, desinteressado do bem e do mal e, por isso mesmo, neutro em relação à religião e à consciência privada. 

Mas, com o tempo, ao tornar a espada do poder [político] independente da autoridade espiritual, foi assentando as bases de uma 'moralidade' estritamente estatal. Daí resulta a política estatal como a única ordem possível e o único modo de viver humanamente, isto é, com segurança. Repare-se que enquanto a ordenação pressupõe liberdade política, a organização cria segurança em detrimento de liberdade: o Estado, como artifício, tende a afirmar-se pela força, despersonalizando as relações de poder e afastando a Igreja e a sua moralidade de base religiosa.

Isto tem sido visto com clareza com o correr dos séculos e, em especial, no hodierno, quando os paradigmas modernos se dissolvem no niilismo. O Estado, convertido em Estado liberal, descristianiza precisamente através da liberdade religiosa, que conduz, afinal, a considerar o Estado como a fonte única da moralidade. O Papa Leão XIII insistiu que vem a ser ateísmo que o Estado conceda os mesmos direitos a todas as religiões.


Miguel Ayuso Torres. ''Estado, Ley y Conciencia''. Edit. Marcial Pons Ediciones Jurídicas y Sociales, Madrid, 2010, pp., 20-21


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sábado, 27 de maio de 2017

Cristãos no Egipto, exemplos de Fé: "Não estou triste, sou a esposa de um mártir"

Mariam e Sameh Salah eram marido e mulher, ambos cristãos coptas no Egipto. Sameh foi brutalmente assassinado pelo Estado Islâmico. A sua mulher dá um testemunho comovente de confiança em Deus e orgulho na coragem do seu marido, que preferiu perder a vida do que negar a Fé em Jesus Cristo.

Que Nosso Senhor proteja os cristãos perseguidos no Médio Oriente e o seu exemplo nos faça acordar da nossa apatia.


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A maior das intolerâncias é calar a verdade

"Incomoda-te ferir, criar divisões, demonstrar intolerância... e vais transigindo em posições e pontos (não são graves, garantes-me!) que têm consequências nefastas para muitos.

Desculpa a minha sinceridade: com esse modo de actuar, tu, a quem tanto incomoda a intolerância, cais na intolerância mais néscia e prejudicial - a de impedir que a verdade seja proclamada."


S. Josemaria Escrivá in Sulco, 600


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sexta-feira, 26 de maio de 2017

Um Bispo escreve aos jovens de Manchester: "Pobres filhos da sociedade que não reconhece o Mal"

Caríssimos filhos – sinto-me inclinado a chamar-vos assim, ainda que não vos conheça, pois nas longas horas de insónia depois de saber deste terrível atentado em que muitos de vós perderam a vida e muitos outros ficaram feridos, senti-me ligado a vós de uma maneira especial.

Viestes a este mundo - muitas vezes sem ser sequer desejados - e ninguém vos deu as “razões adequadas para viver”, como nos dizia o grande Bernanos à sua geração de adultos. Puseram-vos na sociedade dando-vos dois grandes princípios: que podem fazer aquilo que quiserem porque todo o vosso desejo é um direito e que é importante ter o maior número de bens de consumo.
  
Crescestes assim, assumindo como óbvio que tínheis tudo, e quando tínheis algum problema existencial – antes dizia-se assim – e o dizíeis aos vossos pais - aos vossos adultos – estava já pronta a sessão de psicanálise para resolver esse problema. Eles esqueceram-se só de dizer-vos que existe o Mal. E o Mal é uma pessoa, não é uma série de forças ou de energias. É uma pessoa. Esta pessoa escondeu-se ali, durante o vosso concerto, e a asa terrível da morte, que traz consigo, apanhou-vos.
  
Meus filhos, vós morrestes assim, quase sem razões, da mesma maneira que vivestes. Não vos preocupeis, não vos ajudaram a viver mas far-vos-ão um “óptimo” funeral, no qual se exprimirá ao máximo este pacote retórico laicista e onde estarão todas as autoridades presentes – infelizmente também as religiosas – de pé, silenciosas. É claro que os vossos funerais serão ao ar livre, também para os crentes, porque agora o único templo é a natureza.

Robespierre com certeza que iria rir, porque nem ele chegou a fantasiar isto. Aliás, nas igrejas já não se fazem mais funerais porque, como diz nos dias de hoje o Cardeal Sarah, nas igrejas católicas já se celebram os funerais de Deus. Não se esquecerão de colocar os vossos peluches, as vossas memórias de infância e dos primeiros anos da vossa juventude. Depois, tudo acabará com a retórica de quem não tem nada a dizer perante as tragédias, porque nada tem a dizer sobre a vida.

Espero que ao menos um destes gurus – culturais, políticos e religiosos – guarde a sua língua e não nos venha com os habituais discursos a dizer que “não é uma guerra de religiões” e que “a religião é por sua natureza aberta ao diálogo e à compreensão”. Alegrar-me-ei com isso, se houver simplesmente um momento silencioso e de respeito, sobretudo pelas vossas vidas mutiladas do ódio do demónio, mas também pela verdade. Isto porque os adultos deviam de ter, antes de mais, respeito pela verdade. Até podem não a servir, mas devem-lhe respeito.
  
Eu, no entanto, que sou um bispo velho que ainda acredita em Deus, em Cristo e na Igreja, celebrarei a Missa por todos vós no dia do vosso funeral, para que do outro lado – qualquer que sejam as vossas práticas religiosas – encontreis o querido rosto de Nossa Senhora que, mantendo-vos abraçados, vos consolará desta vida desperdiçada, fugida não por vossa culpa mas por culpa dos vossos adultos.

Mons. Luigi Negri, Arcebispo de Ferrara-Comacchio in La Nuova Bussola Quotidiana

Tradução: Senza Pagare


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São Filipe Néri, o santo que dizia "Prefiro o Paraíso"

Poucos são os santos da Igreja privilegiados como São Filipe Néri. Filho de pai nobres e piedosos, Filipe nasceu em 1515, na cidade de Florença. De boa índole, de modos afáveis e inclinação à oração mereceram ao menino de 5 anos o apelido de "o bom Filipe". 

Um incêndio destruiu grande parte da fortuna dos pais e Filipe passou a morar com um primo que era negociante riquíssimo em São Germano. Este primo prometeu estabelecê-lo como herdeiro de todos os seus bens, se quisesse tomar-lhe a gerência dos negócios. O bom Filipe, porém, pouca inclinação sentia para ser negociante; o que queria, era ser santo e apesar das repetidas insistências do primo, resolveu dedicar-se ao serviço de Deus. Fez os estudos de Filosofia e Teologia em Roma e começou desde logo a observar a regra de vida austeríssima, que o acompanhou até o fim da vida. Alimentava-se de pão, água e legumes; para o sono reservava poucas horas, para a adoração, porém, muitas. 

No grande desejo de dedicar-se à vida contemplativa, vendeu a biblioteca, deu os bens aos pobres e aprofundou o espírito na meditação da Sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo. Todo o tempo disponível passava-o nas igrejas ou de preferência catacumbas. A graça de Deus tocou-lhe o coração com tanta violência que, prostrado por terra, exclamou muitas vezes: "Basta, Senhor, basta! Suspendei a torrente de vossas consolações, porque não tenho forças para receber tantas delícias. Ó meu Deus tão amável, por que não me destes um coração capaz de amar-Vos condignamente?" Foi nas catacumbas de São Sebastião, no ano de 1545, que recebeu o Espírito Santo, em forma de bola de fogo. Naquela ocasião sentia em si um ardor tão forte do amor de Deus que, devido às palpitações fortíssimas do coração, foram deslocadas a segunda e a quarta costelas. 

Com o amor de Deus, grande era-lhe também o amor do próximo. Filipe, possuía o dom de atrair todos a si, circunstância para a qual concorriam muito sua afabilidade, cortesia e modéstia. Recorria a mil estratagemas, para ganhar os jovens das ruas e nas oficinas de Roma. Era amigo de todos e uma vez adquirida a confiança preparava-os para a recepção dos Sacramentos e encaminhava-os para o bem. As noites passava-as nos hospitais, tratando os doentes como uma mãe. O monumento mais belo de sua caridade é a Irmandade da Santíssima Trindade, cujo fim principal era receber os romeiros e tratar dos doentes. 

No início de cada mês convidava o povo para adoração ao SS. Sacramento e nesta ocasiões, embora leigo, fazia admiráveis alocuções aos fiéis. A piedosa ideia achou eco entre o povo que, abundantes esmolas deitavam para a nova instituição. Cardeais, Bispos, Reis, Ministros, Generais e Princesas viam grande honra em poderem pertencer a esta irmandade. 

Seguindo o conselho do seu confessor, Filipe recebeu o santo Sacramento da Ordem , tendo a idade de 36 anos. Tinha a vontade de trabalhar nas índias e de morrer mártir pela religião de Cristo. Pela vontade de Deus, porém, sua Índia havia de ser Roma, e lá ficou. 

Deixando-se guiar pela Providência Divina, tornou-se Apóstolo da capital da cristandade, sendo sua obra principal a fundação da Congregação da Oração para a qual chamou homens igualmente distintos pelo saber e piedade. As conferências espirituais tinham grande concorrência entre cardeais, bispos, sacerdotes e leigos, os quais confiavam-se à direcção de São Filipe, a quem veneravam como um pai. 

Grande Parte do dia passava no confessionário e só Deus sabe o número das almas que a seus pés acharam a paz, o perdão e a salvação. Todos nele depositavam uma confiança ilimitada. Ilimitada também era a inveja e o ódio de Satanás e seus sequazes. Os confrades tiveram que saborear muitas vezes o escárnio, a calúnia e perseguição. O ódio dos inimigos chegou a tal ponto, que levaram uma acusação falsa à autoridade eclesiástica, de que resultou para Filipe a suspensão de ordens. Privado da celebração da Santa Missa, da pregação e da administração do SS. Sacramento, o Santo não perdeu a calma e só dizia: "Como Deus é bom, que me humilha!" A suspensão foi retirada e o inimigo principal do Santo, caindo em si, fez reparação pública e tornou-se seu discípulo. 

Pelo fim da vida já não lhe era possível dizer a Santa Missa em público, tanta era a comoção que lhe sobrevinha, na celebração dos santos mistérios. Estando no púlpito, as lágrimas lhe embargavam a voz quando falava do amor de Deus e da Paixão de Cristo. Quando celebrava a Missa, chegando à santa Comunhão, pelo espaço de duas a três horas ficava arrebatado em êxtase enquanto o corpo se lhe elevava à altura de dois palmos. Não é para admirar que o Papa o consultasse nos negócios mais importantes e quisesse beijar-lhe as mãos e a batina. 

À sua prudência e clarividência deve a França a felicidade de ter permanecido país católico. Henrique IV, calvinista, tinha abjurado a heresia e entrado na Religião Católica. No ardor das guerras civis, tornou a voltar ao calvinismo, para depois outra vez se agregar à Igreja. O Papa Clemente VIII com o apoio dos cardeais, negou ao rei a absolvição e opôs-se-lhe à reconciliação. Filipe, prevendo a apostasia da França, no caso de o Papa persistir nesta resolução, fez jejuns e orações extraordinárias e pediu a Barónio, que era confessor do Papa, que o acompanhasse nestes exercícios, para alcançar a luz do Divino Espírito Santo. Posteriormente, Henrique IV obteve a absolvição do Papa e foi solenemente recebido no seio da Igreja. 

Fatigado e exausto de trabalhos e alquebrado pela idade, Filipe foi acometido de grave doença, tendo os médicos o examinado e saindo do quarto desanimados, ouviram o doente exclamar: "Ó minha Senhora, ó dulcíssima e bendita Virgem!" Voltaram para ver o que tinha acontecido e encontraram o Santo elevado sobre o leito e, em êxtase exclamou: "Não sou digno, não sou digno de vós, ó dulcíssima Senhora, que venhais visitar-me!"Os médicos, respeitosos, indagaram ao doente o que sentia. Este, voltando a si e tomando a posição costumeira no leito, perguntou: "Não a vistes, a Santíssima Virgem, que me livrou das dores?" A verdade é que se levantou, completamente curado, e viveu mais um ano. 

Tendo predito a hora da morte, Filipe fechou os olhos para este mundo no dia 2 de Maio de 1595. O túmulo tornou-se glorioso e poucos anos depois da morte, Filipe foi beatificado pelo Papa Paulo V, em 1622, e canonizado por Gregório XV. 

in paginaoriente.com


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quinta-feira, 25 de maio de 2017

Começa hoje a Novena ao Espírito Santo (Pentecostes)

A novena do Espírito Santo é a mais antiga de todas, porque foi celebrada por Maria Santíssima e pelos Santos Apóstolos no Cenáculo, entre muitos prodígios, já que, afinal, foi exactamente 10 dias após a Ascensão do Senhor que o Espírito Santo desceu. 

Lembremos de que ao Divino Paráclito é atribuído especialmente o dom do amor. Convém, portanto, que nesta novena consideremos o grande valor do amor divino. Em primeiro lugar, o amor é aquele fogo que inflamou todos os santos a fazerem grandes coisas por Deus. Se quisermos também ficar abrasados, apliquemo-nos sempre, mas em particular nestes dias, à oração, que é a fornalha onde o fogo do amor divino se acende.

Nesta novena rezaremos as meditações de S. Afonso Maria de Ligório.
Oração Preparatória para todos os dias:
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis, e acendei neles o fogo do vosso amor.
V. Enviai, Senhor, o vosso Espírito e tudo será criado.
R. E renovareis a face da terra.


Oremos: Ó Deus, que instruís os corações de Vossos fiéis com a Luz do Espírito Santo, fazei que saibamos apreciar rectamente todas as coisas, segundo o mesmo Espírito, e possamos gozar sempre da sua consolação. Por Cristo, Senhor Nosso.
R. Ámen.


Meditação de cada dia (ver abaixo)

Pai Nosso, Avé Maria, Glória 

Antífona final:
V. A graça do Espírito Santo ilumine os nossos sentidos e o nosso coração.
R. Ámen.

1º Dia
Et apparuerunt illis dispertitae liguae, tanquam ignis 

“E apareceram sobre eles repartidos como que línguas de fogo” (At 2, 3)

I – Deus ordenou na antiga Lei que o fogo ardesse continuamente no seu altar. Diz São Gregório que os altares de Deus são nossos corações, onde Ele quer que o fogo de seu santo amor arda sem cessar. Por isso o Eterno Pai, não satisfeito em ter-nos dado Jesus Cristo, seu Filho, para nos salvar por sua Morte, quis dar-nos ainda o Espírito Santo, para que habitasse em nossas almas, e as conservasse continuamente abrasadas de amor.

Jesus mesmo declarou que descera à Terra exactamente para inflamar com este fogo sagrado nossos corações, e que seu único desejo era vê-lo acesso: “Vim lançar fogo à Terra e que coisa Eu quero senão que se acenda?” (Lc 12, 49). Eis aqui porque, esquecendo as injúrias e ingratidões dos homens, logo que subiu ao Céu, nos enviou o Espírito Santo. – Assim, ó Redentor amadíssimo, na vossa glória, como nos vossos sofrimentos e humilhações, nos amais sempre?

Pela mesma razão o Espírito Santo quis aparecer no Cenáculo sob forma de línguas de fogo: “E apareceram sobre eles repartidos como que línguas de fogo.” (At 2,3). Por isso também a Igreja nos faz rezar com estas palavras: “O Senhor, fazei que o vosso divino Espírito nos inflame com o fogo que Jesus Cristo veio trazer sobre a terra, e que desejou tão ardentemente ver brilhar nela.” – Foi este amor o fogo que inflamou os santos a fazerem grandes coisas por Deus: amar os inimigos, a desejar os desprezos, a despojar-se de todos os bens terrenos e a abraçar com alegria os tormentos e a morte. O amor não pode ficar ocioso e nunca diz: Basta. A alma que ama a Deus, quanto mais faz por seu amado, mais quer fazer ainda para mais lhe agradar e ganhar mais e mais a sua afeição.

II – O Espírito Santo acende o fogo do amor divino por meio da meditação: “Na minha meditação se acenderá o fogo.” (Sl 38,4). Se então, desejamos arder em amor para com Deus, amemos a oração; ela é a feliz fornalha em que o coração se abrasa neste ardor celeste.

Meu Deus, até aqui nada tenho feito por Vós, que tão grandes coisas fizeste por mim. Ah! Quanto a minha frieza deve mover-Vos a rejeitar-me! Peço-Vos, ó Espírito Santo: Aquecei o que está frio. Livrai-me de minha frieza e inspirai-me um grande desejo de Vos agradar. Renuncio a todas as minhas satisfações, e antes quero morrer do que Vos dar o menor desgosto. – Aparecestes sob a forma de línguas de fogo; consagro-Vos minha língua, para que não Vos ofenda mais. Ó Deus, Vós me destes a língua para Vos louvar, e dela tenho me servido para Vos ultrajar e levar os outros também a Vos ofender! Arrependo-me de toda minha alma.

Ah! Pelo amor de Jesus Cristo, que na sua vida Vos honrou tanto com a língua, faça com que de agora em diante não cesse de Vos honrar, celebrando Vossos louvores, invocando-Vos muitas vezes, falando da Vossa bondade e do amor infinito que mereceis. Amo-Vos meu soberano bem; amo-Vos Deus de amor. – Ó Maria Santíssima, sois Vós a Esposa fidelíssima do Espírito Santo; obtende este fogo divino.

2º Dia
Ilumina oculos meos, me unquam obdormiam in morte 

“Ilumina os meus olhos, para que eu não durma jamais na morte” (Ps 12, 4)

I – Um dos maiores danos que nos causou o pecado de Adão, é o obscurecimento da nossa razão pelo efeito das paixões que nos ofuscam o espírito. Mui desgraçada é a alma que se deixa dominar por alguma paixão! A paixão é uma nuvem, um véu, que nos impede de ver a verdade. Como pode fugir do mal aquele que não o conhece? E este obscurecimento da nossa razão aumenta em proporção ao número dos nossos pecados.

Mas o Espírito Santo é também chamado Lux Beatissima, com seus esplendores divinos, não só abrasa o nosso coração em seu santo amor, como também dissipa as nossas trevas e nos faz conhecer a vaidade dos bens terrenos, o valor dos eternos, a importância da salvação, o preço da graça, a bondade de Deus, o amor infinito que Ele merece e o imenso amor que nos tem.

“O homem animal não percebe as coisas que são do Espírito de Deus.” (1Cor 2, 14). O homem chafurdado no lamaçal dos prazeres mundanos pouco percebe as verdades da fé. Eis por que o infeliz tem amor ao que devia odiar, e odeia ao que devia amar. Santa Maria Madalena de Pazzi exclamava: O amor não é conhecido! O amor não é amado! Santa Teresa dizia igualmente que Deus não é amado porque não é conhecido. Os santos pediam a Deus sem cessar luz e mais luz: enviai Vossa luz; dissipai minhas trevas; abri meus olhos, porque sem sermos esclarecidos não podemos evitar o abismo, nem encontrar a Deus.

II – Como fruto desta meditação tomemos a resolução de invocar várias vezes o Espírito Santo nas dificuldades que encontramos não somente nos negócios espirituais da alma, mas também nas corporais, especialmente nos de mais graves consequências. Lembremo-nos, porém, que Deus não nos comunicará as suas luzes sempre imediatamente; as mais das vezes se servirá, para tal fim, dos nossos superiores e pais espirituais que ele deixou como seus representantes na Terra: “Quem vos ouve a mim ouve. Quem vos despreza, a mim despreza.” (Lc 10,16).

Santo e divino Espírito, creio que sois verdadeiramente Deus, com o Pai e o Filho. Adoro-Vos e reconheço-Vos como autor de todas as luzes com as quais me fizeste conhecer o mal que fiz ofendendo-Vos, e quanto sou obrigado a amar-Vos. Dou-vos graças e me arrependo sumamente de Vos ter ofendido. Merecia que me abandonasses nas minhas trevas, mas vejo que ainda não me abandonaste.

Ó Espírito eterno, continuai a esclarecer-me e fazei-me conhecer sempre melhor Vossa bondade infinita e dê-me força para Vos amar no futuro de todo meu coração. Ajuntai graça a graça, para que eu fique docemente unido a Vós e obrigado a amar se não a Vós. Eu Vo-lo suplico pelos merecimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Amo-Vos ó meu soberano bem, amo-Vos mais que a mim mesmo. Quero ser todo Vosso; recebei-me e não permitais que me separe de Vós. – Ó Maria, minha Mãe, assisti-me sempre com Vossa intercessão.


3º Dia
Qui biberit ex aqua, quam ego dabo ei, non sitiet in aeternum 
“Aquele que beber da água que eu lhe der, não terá jamais sede” (Jo 4, 13)

I – O amor é também chamado fonte de água viva. O nosso Redentor disse à mulher samaritana: “Aquele que beber da água que Eu lhe der jamais terá sede.” (Jo 4, 13). O amor é, pois, uma água que mata a sede; aquele que ama Deus sinceramente, não busca nem deseja coisa alguma fora de Deus; porque em Deus encontra todos os bens. Assim, contente em possuir Deus, repete sempre na alegria de seu coração: “Meu Deus e meu tudo!” Ó meu Deus! Vós sois meu único bem. Mas Deus queixa-se de muitas almas que vão mendigar junto das criaturas alguns miseráveis e curtos prazeres, e O abandonam, Bem infinito e fonte de todas as alegrias: “Eles abandonaram a mim que sou fonte de água viva, e cavaram para si cisternas que não podem reter água.” (Jr 2, 13).

Ai está, porque o Senhor que nos ama, e deseja ver-nos contentes, nos clama a todos: “Se alguém tem sede, venha a Mim.” (Jo 7, 37). Quem deseja a verdadeira felicidade, venha a Mim, dar-lhe-ei o Espírito Santo, que o fará feliz, nesta vida e na outra: sentirá correr do seu seio rios de água viva, como os profetas anunciaram.

Aquele, pois, que crê em Jesus Cristo, e o ama, será enriquecido de tantas graças, que do seu coração, ou da sua vontade, que é como seio da alma, fluirão fontes de santas virtudes, que o ajudarão não apenas a conservar a própria vida, mas ainda a comunica-las a outros. A água misteriosa, de que nos fala Nosso Senhor, é precisamente o Espírito Santo, o amor substancial que Jesus nos prometeu enviar após a sua Ascensão: “Isto lhes disse a respeito do Espírito Santo, que haviam de receber os que cressem Nele; porque ainda o Espírito não fora dado, por não ter sido ainda Jesus glorificado.” (Jo 7, 39).


II – A chave que nos abre os canais dessa água desejável é a oração, pela qual obtemos todos os bens em virtude da divina promessa: “Pedi e recebereis.” (Jo 16, 24). Somos cegos, pobres e fracos, mas a oração nos consegue a luz, a riqueza e a força da graça. Com a oração podemos tudo, dizia São Teodoreto. Aquele que ora recebe tudo que deseja. Deus quer dar-nos as suas graças, mas quer que as peçamos.

“Senhor, dai-me desta água.” (Jo 4,15). Meu Jesus, dir-Vos-ei como a Samaritana, dai-me desta água do Vosso santo amor, que me faça esquecer a terra e viver só para Vós, ó Amável infinito. Regai o que é seco. Minha alma é terra seca, que não produz senão abrolhos e espinhos do pecado; Ah! Inundai-me com as águas da vossa graça, para que produza algum fruto para Vossa glória, antes que a morte me arrebate deste mundo. Ó fonte de água viva! Ó Bem supremo! Quantas vezes Vos deixei pelas águas lodosas desta terra, que me privaram de Vosso amor! Ah! Quisera eu ter morrido antes de Vos ofender! Mas no futuro, não quero buscar nada senão Vós somente. Ó meu Deus, socorrei e fazei que Vos seja fiel. Maria Santíssima, minha esperança, cobri-me sempre com Vosso manto.

4º Dia
Fluat ut ros eloquium meum, quasi imber super herbam 

“Distilem como orvalho as minhas palavras, como chuva sobre a erva” (Dt 32, 2)

I – Por duas razões o amor é chamado orvalho. Primeiro, porque torna a alma fecunda em bons desejos e boas obras; segundo, porque tempera o ardor das más inclinações e tentações. Se queremos receber este orvalho celestial, apliquemo-nos à oração mental e nunca deixemos de a fazer, ao menos uma vez por dia. Um quarto de hora de meditação basta para apagar o fogo do ódio ou do amor desordenado, por ardente que seja. Ao contrário, a quem não ama a oração, é moralmente impossível vencer as paixões.

A Igreja manda-nos pedir ao Espírito Santo, que purifique nossos corações e os torne fecundos por seu salutar orvalho: Sancti Spiritus corda nostra mundet infusio, et sui roris intima aspersione foecundet. O amor faz a alma fecunda em bons desejos, santas resoluções e boas obras: tais são as flores e os frutos da graça do Espírito Santo. – O amor é chamado também orvalho, porque tempera o ardor das más inclinações e tentações. Por isso se diz do Espírito Santo que Ele modera o ardor e refrigera – “In aestu temperies, dulce refrigerium”.

Este salutar orvalho desce sobre nossos corações durante a oração. Um quarto de hora de meditação basta para apagar o fogo do ódio ou do amor desordenado, por ardente que seja. A santa meditação é a adega misteriosa de que fala a Esposa dos Cantares: Introduxit me rex in cellam vinariam, ordinavit in me caritatem (!) – “O rei me introduziu na sua adega, ordenou em mim a caridade”. Aí é que nos enchemos da caridade bem ordenada, pela qual amamos ao próximo como a nós mesmos, e a Deus sobre todas as coisas. Quem ama a Deus, ama a oração, e a quem não ama a oração, é moralmente impossível vencer as próprias paixões.

II – Para que não sejamos oprimidos pelos ardores das más inclinações, e afim de que o Espírito Santo possa fertilizar as nossas almas com o orvalho dos seus dons, tomemos hoje a forte resolução de fazer cada dia ao menos uma meia hora de oração mental. São João Crisóstomo compara a oração mental a uma fonte no meio de um jardim; porque sem ela todas as virtudes murcham, ao passo que com ela se conservam frescas e amenas, e se aperfeiçoam constantemente.

Assim como quem sai de um jardim faz um ramalhete das flores que mais o encantam, assim, segundo o aviso de São Francisco de Sales, devemos ao sair da meditação compor um como que ramalhete dos pensamentos que mais nos impressionaram, e durante o dia avivá-los de tempos a tempos, mesmo durante as nossas ocupações.

Ó santo e divino Espírito, não quero mais viver para mim mesmo; em Vos amar e agradar quero empregar tudo que me resta da vida. Com este fim Vos peço que me concedais o dom da oração mental. Vinde a meu coração, e ensinai-me Vós mesmo a praticá-la como se deve. Dai-me a força de não deixá-la por tédio no tempo da aridez; dai-me o espírito de oração, isto é, a graça de sempre orar e de fazer aquelas orações que sejam mais agradáveis ao vosso divino Coração. – Por meus pecados me havia perdido; mas por tantos sinais de vossa ternura, reconheço que quereis a minha salvação e santificação. Quero santificar-me para Vos agradar e amar mais a vossa infinita bondade. Amo-Vos, ó meu soberano Bem, meu amor, meu tudo, e porque Vos amo, dou-me todo a Vós. – Ó Maria, minha esperança, protegei-me.

5º Dia
In pace in idipsum dormiam et requiescam 

“Em paz dormirei nele mesmo e repousarei” (Ps 4, 9)

I – O efeito principal do amor é unir a vontade da pessoa que ama, à do objecto amado, tanto na prosperidade como na adversidade. Para uma alma que ama a Deus, consolar-se nas humilhações, dores e perdas que sofre, basta saber que o Senhor quer vê-la suportar tal pena. Dizendo somente: Assim o quer meu Deus, acharemos a paz e o contentamento no meio das tribulações e sob o peso da cruz.

O amor se chama: In labore requies, in fletu solatium – “Alívio nas penas, consolação nas lágrimas”. O amor é um repouso que recreia, porque o ofício principal do amor é unir a vontade da pessoa que ama, à do ser amado. Para consolar-se de todas as humilhações que recebe, dores que sofre, perdas que padece, uma alma que ama a Deus, só precisa conhecer a vontade de seu amado que deseja vê-la suportar tal pena.

Dizendo somente: Assim o quer meu Deus, ela acha paz e contentamento no meio de todas as tribulações. Esta é a paz divina que transcende todos os prazeres dos sentidos: Pax Dei, quae exsuperat omnem sensum. Santa Maria Madalena de Pazzi sentia-se inundada de alegria só com o pronunciar das palavras: vontade de Deus.

II – Nesta vida cada um deve levar sua cruz; mas, diz Santa Teresa: A cruz é dura para quem a arrasta, não, porém, para aquele que a abraça. Assim é que o Senhor sabe ao mesmo tempo ferir e curar, segundo a expressão de Jó: Vulnerat et medetur. Por sua doce unção, o Espírito Santo torna suave e amável até os opróbrios e tormentos. – Ita, Pater, quoniam sic fuit placitum ante te – “Sim, meu Pai, seja, feita a vossa vontade”. Assim orou Jesus Cristo e nós também devemos repetir estas palavras do Salvador todas as vezes que a adversidade nos visitar: Sim meu Pai, assim seja, porque é vossa vontade. Quando trememos sob ameaça de alguma desgraça temporal, repitamos sempre: “Fazei, ó meu Deus: aceito desde já tudo que fizerdes. Protesto que quero viver onde Vós quiserdes, sofrer tudo o que quiserdes e morrer quando quiserdes”. É também utilíssimo oferecer-se muitas vezes a Deus no decurso do dia, como o fazia Santa Teresa.

Ah! meu Deus, quantas vezes, para fazer a minha própria vontade, contrariei a vossa e cheguei a desprezá-la. Disto me aflijo mais que de todos os males. De aqui em diante quero de todo o coração amar-vos e obedecer-vos. Loquere, Domine, quia audit servus tuus – “Falai, Senhor, vosso servo vos escuta”. Dizei o que quereis de mim; quero fazer em tudo a vossa santa vontade. Este será para sempre o meu santo desejo, pois sois o meu único amor. Ajudai a minha fraqueza, ó Espírito Santo. Vós sois a mesma bondade; como, portanto, posso amar outro tesouro senão a vós? Conjuro-vos, atraí para vós, pela doçura de vosso amor, todos os afectos do meu coração. Renuncio a tudo para dar-me a vós sem reserva.

“Recebei, Senhor, toda a minha liberdade. Aceitai a minha memória, a minha inteligência e toda a minha vontade. Tudo o que tenho e possuo fostes vós que me destes; venho vo-Lo restituir e tudo entregar ao vosso beneplácito. Dai-me somente o vosso amor E a vossa graça e rico serei, nada mais vos peço”. – Faço o mesmo pedido a vós, ó Mãe do Belo Amor, Maria, e espero que mo obtenhais pela vossa poderosa intercessão.

6º Dia
Fortis est ut mors dilectio 

“O amor é forte como a morte” (Cant 8, 6)

I – Quanto se trata de agradar ao objecto amado, o amor vence tudo; não há dificuldade que resista ao amor; porque, aquele que ama, não sente o sofrimento, ou se o sente, o ama. O sinal, pois, mais certo para conhecer se uma pessoa ama deveras a Deus é a sua fidelidade na adversidade como na prosperidade. Dizemos que amamos a Deus, mas até agora que fizemos por ele? Como suportamos as cruzes que nos manda para nosso bem?

Assim como não há força criada que resista à morte, assim não há dificuldades que não ceda ao ardor de uma alma amante. Quando se trata de agradar ao objecto amado, o amor vence tudo, perdas, desprezos, dores. Nada é bastante duro para resistir ao fogo do amor, diz Santo Agostinho: Nihil tam durum, quod non amoris igne vincatur. O sinal mais certo, pois, para conhecer se uma pessoa ama deveras a Deus, é sua fidelidade em amar na adversidade como na prosperidade.

Dizia São Francisco de Sales que Deus é tão amável quando nos aflige, como quando nos consola, porque faz tudo por amor e até quando mais nos aflige nesta vida é que nos testemunha mais o seu amor. São João Crisóstomo julgava São Paulo mais feliz nos ferros que arrebatado ao terceiro céu.

II – Também os santos mártires se regozijavam no meio dos tormentos e agradeciam ao Senhor como um grande favor que lhes dispensava o terem que sofrer por seu amor. E os outros santos, que não acharam tiranos para os atormentar, tornaram-se carrascos de si mesmos pelas penitências com que se castigaram, afim de se fazerem agradáveis a Deus. Aquele que ama, diz Santo Agostinho, não sente sofrimento, ou se o sente, o ama: In eo quod amatur, aut non laboratur, aut ipse labor amatur.

Ó Deus da minha alma, digo que vos amo; mas que faço por vosso amor? Nada. É então um sinal de que não vos amo, ou vos amo muito pouco. Meu Jesus, enviai-me o Espírito Santo, que me venha dar a força de sofrer e fazer alguma coisa por vosso amor antes de minha morte. Ah! Meu amado Redentor, não permitais que eu morra neste estado de frieza e ingratidão em que eu tenho vivido até hoje. Concedei-me a graça de amar os sofrimentos, depois de tantos pecados que me tornaram digno do inferno.

Ó meu Deus, todo bondade e todo amor, desejais habitar em minha alma onde tantas vezes vos expulsei; vinde, estabelecei nesta vossa morada, dominai nela e fazei-a toda vossa. Amo-vos, ó meu Senhor, e já que vos amo, comigo estais, como São João afirma: Qui manet in caritate, in Deo manet, et Deus in eo – “Aquele que mora no amor permanece em Deus e Deus nele”. Se, pois, estais comigo, aumentai em mim as chamas de vosso amor, fortificai as cadeias que me prendem a vós, afim de que eu suspire somente por vós, busque somente a vós, e assim unido convosco, não me separe jamais do vosso amor. Ó meu Jesus, quero ser vosso, todo vosso. – Ó minha Advogada e Rainha, Maria, alcançai-me o santo amor e a perseverança.

7º Dia
Ego rogabo Patrem, et alium Paraclitum dabit vobis, ut maneat vobiscum in aeternum 

 “Rogarei a meu Pai, e ele vos enviará outro Consolador, afim de que more sempre convosco” (Jo 14, 16)

I – É esta a magnífica promessa de Jesus Cristo em favor daquele que O ama: Se me amais, rogarei ao Pai, e ele vos enviará o Espírito Santo, afim de que more sempre convosco. Deus, portanto, habita na alma que O ama. Lembremo-nos, porém, de que Deus é cheio de zelos. Quer habitar só na alma, e não está contente, se não o amamos de todo o coração e queremos dividir o nosso amor entre ele e as criaturas.

O Espírito Santo é chamado Hóspede das almas: “Dulcis hospes animae”. É o efeito da magnífica promessa de Jesus Cristo em favor daquele que O ama: “Se me amais, guardai os meus mandamentos; e rogarei ao Meu Pai, e Ele vos enviará outro consolador, o Espírito Santo, afim de que more sempre convosco: “Ut maneat vobiscum in aeternum”. Sim, sempre, porque o Espírito Santo não desampara nunca uma alma, a não ser que seja expulso por ela: “Non deserit, nisi deseratur”.

Deus portanto, habita em toda a alma de que é amado; mas declara não ficar satisfeito, se não o amamos de todo o nosso coração. Escreve Santo Agostinho, que o senado romano se recusou a admitir Jesus Cristo no número dos deuses, dizendo que Ele é um Deus soberbo que quer ser adorado com exclusividade. Isto é verdade: Nosso Senhor não aceita rival num coração que O ama; quer habitar nele só e ser amado mais que todos. Se Ele não se vê amado acima só, tem, por assim dizer, segundo a expressão de São Tiago, zelos das criaturas com que é dividido esse coração, que ele deseja só para si: “Ad invidiam concupiscit vos Spiritus qui habitat in vobis”. Numa palavra, como diz São Jerónimo: Jesus é um Deus cheio de zelos: Zelotypus est Iesus.

II – É este o motivo porque o Esposo celeste louva a alma que, semelhante à rola, vive na solidão escondida do mundo: “Pulchrae sunt genae tuae, sicut turturis”. Não quer que o mundo tenha parte no amor desta alma, deseja-a toda inteira para si. Se ele ainda louva a sua Esposa, chamando-a jardim fechado – Hortus conclusus, soror mea sponsa – , é porque ela não deixa entrar em seu coração nenhum afecto terreno. Ah! Jesus não merece todo o nosso amor? “Totum tibi dedit, nihil sibi reliquit”, diz São João Crisóstomo: Ele nos deu tudo, o seu sangue e a sua vida; mais do que isto não podia nos dar.

Se queremos que Deus habite em nossa alma com a plenitude de sua graça, consagremo-la hoje de novo toda inteira e sem reserva a seu serviço e repitamos esta nossa consagração muitas vezes durante o dia, especialmente na oração mental, na santa comunhão e na visita ao Santíssimo Sacramento.

Lembremo-nos de que há três meios principais pelos quais uma alma se pode dar toda a Deus. Primeiro, evitar todas as faltas deliberadas, ainda que pequenas, e para este fim reprima o mais insignificante desejo desordenado e mortifique a satisfação dos sentidos. Segundo, escolher, entre as coisas boas, a melhor, que mais agrade a Deus. Terceiro, aceitar com paz e gratidão, das mãos do Senhor, tudo o que mortifica o nosso amor próprio e em particular os desprezos. Lembremo-nos de que tem mais valor aos olhos de Deus um desprezo sofrido em paz e por amor a Ele, do que mil mortificações e mil práticas.

Ó meu Deus, bem vejo que me quereis todo para Vós. Tanta vezes Vos expulsei da minha alma. Mesmo assim não Vos dedignais de nela entrar e unir-Vos a mim. Ah! Tomai agora posse de todo o meu ser; dou-me inteiramente a vós. Aceitai-me, ó meu Jesus, e não permitais que eu viva de agora em diante um instante sequer sem vosso amor. Vós me buscais, e eu não busco senão a Vós. Quereis minha alma, e ela só Vos quer a Vós. Vós me amais, e eu também vos amo; e já que me amais, prendei-me tão perfeitamente convosco, que não me aparte mais de vós. – Ó Rainha do céu e minha querida Mãe, Maria, em vós ponho minha confiança.

8º Dia
Super omnia autem caritatem habete, quod est vinculum perfectionis 

“Acima de tudo, tende e caridade, que é o vínculo da perfeição” (Col 3, 14)

I – Antes da vinda de Jesus Cristo, os homens afastavam-se de Deus, e aferrados à terra, recusavam unir-se ao seu Criador. Mas nosso amável Senhor enviou-nos o Espírito Santo, afim de que, assim como Ele é o vínculo indissolúvel que une o Pai ao Verbo Eterno, assim una nossas almas a Deus pelo amor. Procuremos, pois, estar fortemente ligados por este vínculo de perfeição, e não correremos mais risco de nos afastar de Deus. Antes de tudo, porém, é necessário que livremos nosso coração de todos os laços que o prendem ao mundo.

Assim como o Espírito Santo, amor incriado, é o laço indissolúvel que une o Pai e o Verbo Eterno, assim é este mesmo Espírito que une nossas almas a Deus. A caridade, diz Santo Agostinho, é uma virtude que nos une a Deus: Caritas est virtus coniungens nos Deo. Daí este grito de alegria de São Lourenço Justiniano: Ó Amor, tu és então um vínculo de tal maneira forte, que pudeste encadear um Deus e uni-Lo a nossas almas! O caritas, quam magnum est vinculum tuum, quo Deus ligari potuit! – Os laços do mundo são laços de morte, mas os de Deus são laços de vida e salvação: Vincula illius alligatura salutares. Porquanto são vínculos de amor, e o amor nos une a Deus, nossa única e verdadeira vida.

Antes da vinda de Jesus Cristo os homens separavam-se de Deus; aferrados à terra, recusavam unir-se ao seu Criador; mas o Senhor, cheio de ternura, os atraiu a si pelos laços de amor, como tinha prometido por Oséas: In funiculis Adam traham eos, in vinculis caritatis – “Eu os atrairei com cordas de Adão, com os vínculos da caridade”. Estes laços são os seus benefícios: luzes, apelos ao seu amor, promessas do paraíso; mais é sobretudo o dom que nos fez de Jesus Cristo no sacrifício da cruz e no Sacramento do altar, e enfim, o dom de Espírito Santo. Por isso exclama o Profeta: Solve vincula colli tui, captiva filia Sion – “Rompe as cadeias de teu pescoço, filha cativa de Sião”. Ó alma, criada para o céu, desfaz-te dos laços da terra para te unires a Deus pelos laços do santo amor.

II – Caritatem habete, quod est vinculum perfectionis – “Tende a caridade, que é o vínculo da perfeição”. O amor é um laço que reúne todas as virtudes, e torna a alma perfeita. Daí a seguinte palavra de Santo Agostinho: Ama, et fac quod vis – Ama a Deus e faze o que queres, porque quem ama a Deus tem cuidado de evitar tudo que causa desgosto ao objecto do seu amor e procura agradar-lhe em tudo.

Dulcíssimo Jesus, muito me haveis obrigado a amar-Vos; muito Vos custou obter o meu amor. Ingratíssimo seria eu, se Vos amasse pouco, ou dividisse o meu coração entre Vós e as criaturas, depois que por mim derramastes vosso sangue e sacrificastes vossa vida! Quero desapegar-me de tudo, e por em Vós só todos os meus afectos. Muito fraco sou para executar esta resolução; Vós, que me a inspirais, dai-me a força de a cumprir.

Amadíssimo Jesus meu, feri meu pobre coração com a suave seta do vosso amor, para que não cesse de arder no desejo de Vos possuir e consumir-me de amor para convosco. A Vós procure sempre, a Vós só deseje, a Vós ache sempre. Ó meu Jesus, só a Vós quero e nada mais. Fazei com que eu repita sempre durante a minha vida, e sobretudo na hora da minha morte: Meu Jesus, só a Vós quero e nada mais. – Ó Maria, minha Mãe, fazei com que de hoje em diante eu não queira senão a Deus.

9º Dia
Infinitus thesaurus est hominibus; quo qui usi sunt, participes facti sunt amicitiae Dei 

“Ela é um tesouro infinito para os homens; do qual os que usaram têm sido feitos participantes da amizade de Deus” (Sap 7, 14)

I – O coração humano está sempre procurando bens capazes de torná-lo feliz. Enquanto se dirige às criaturas para os obter, nunca se satisfaz, por mais que receba. Ao contrário, um coração que só quer a Deus, acha logo a felicidade, porque o Senhor lhe satisfará todos os desejos e o fará contente mesmo no meio das maiores tribulações. Felizes de nós, se conhecemos o grande tesouro do amor divino e procuramos obtê-lo a todo custo, desapegando-nos das coisas criadas!

O amor é o tesouro de que fala o Evangelho, o qual nos cumpre adquirir a custo de tudo mais. A razão é porque ele é realmente aquele bem infinito que nos faz participante da amizade de Deus. Aquele que acha Deus, acha tudo que pode desejar: Delectare in Domino, et dabit tibi petitiones cordis tui – “Deleita-te no Senhor, e Ele te concederá as petições do teu coração”. O coração humano está sempre procurando bens capazes de torná-lo feliz. Enquanto se dirige às criaturas para os obter, nunca se satisfaz, por mais que receba. Ao contrário, um coração que só quer a Deus, Deus lhe satisfará todos os desejos. Quais são com efeito os homens mais felizes da terra, senão os santos? E porque? Porque só querem e buscam a Deus.

Estando um príncipe a caçar, vi um solitário percorrendo a floresta, e perguntou-lhe o que fazia nesse deserto. Mas vós, Senhor, retorquiu logo o anacoreta, que vindes buscar aqui? – Eu, acudiu o príncipe, ando em busca de caças – E eu, tornou o solitário, busco a Deus.

O tirano que martirizou São Clemente de Ancira, ofereceu-lhe ouro e pedras preciosas para conseguir que ele renegasse a Jesus Cristo; mas o santo, dando um profundo suspiro, exclamou: Pois que! Um Deus posto em paralelo com um pouco de lama! – Feliz de quem conhece o tesouro do divino amor e procura obtê-lo! Quem o conseguir, despojar-se-á por si mesmo de tudo, para não possuir senão a Deus. “Quando o fogo pega na casa”, dizia São Francisco de Sales, “lançam-se todos os utensílios pela janela”. E o Padre Segneri, o moço, grande servo de Deus, tinha costume de dizer: “O amor divino é um roubador que nos tira todos os afectos terrenos ao ponto de exclamarmos então: Senhor, que desejo senão a vós?” Deus cordis mei, et pars mea Deus in aeternum – “Deus de meu coração, e a minha porção, Deus, para sempre”.

II – Ó mundanos insensatos, exclama Santo Agostinho, ó homens, aonde ides para contentar o vosso coração? Bonum quod quaeritis, ab ipso est. Aproximai-vos de Deus, recuperai a sua graça, buscai o seu amor, porque só Ele pode dar-vos a felicidade que andais procurando – Nós ao menos não sejamos tão insensatos, e como nos exorta o mesmo santo Doutor, de hoje em diante, busquemos unicamente o amor de Deus, busquemos o único bem, no qual estão encerrados todos os outros: Quaere unum bonum, in quo sunt omnia bona. Mas não podemos achar este bem, sem renunciar a todo o afecto pelas coisas da terra, como o ensina Santa Teresa: Desapega o teu coração das criaturas e acharás a Deus.

Meu Deus, no passado não foi a Vós que busquei, mas busquei a mim mesmo e às minhas satisfações; e por elas me apartei de Vós, que sois o Bem supremo. Mas Jeremias me consola, assegurando-me que sois só bondade para os que Vos buscam – Bonus est Dominus animae quaerenti illum. Amadíssimo Senhor meu, compreendo o mal que fiz deixando-Vos, e arrependo-me de todo o coração. Vejo que sois um tesouro de valor infinito; não querendo deixar inútil esta luz, renuncio a tudo, e escolho-Vos para único bem dos meus afectos.

Ó meu Deus, meu amor, meu tudo, por vós suspiro. Vinde, ó Espírito Divino, e com o santo fogo do vosso amor, consumi em mim todo o afecto de que não sois o objecto. Fazei-me todo vosso, e que tudo vença para Vos agradar. Ó Maria, minha advogada e Mãe, ajudai-me com as vossas orações.


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Festa da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo

"Dominus Iesus, postquam locutus est eis, assumptus est in Coelum, et sedet a dextris Dei"
"O Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi arrebatado ao Céu e sentou-se à direita de Deus"
Mc 16, 19

I. O lugar que competia a Jesus ressuscitado, era o Céu, que é a morada das almas e dos corpos bem-aventurados. Quis Jesus, todavia, permanecer quarenta dias sobre a terra e aparecer repetidas vezes a seus discípulos para os certificar da sua ressurreição e instruí-los nas coisas relativas à sua Igreja: Loquens de regno Dei (1) – “Falando do reino de Deus”. 

Tendo desempenhado esta nobre missão, quis o Senhor, antes de deixar a terra, mostrar-se mais uma vez aos apóstolos em Jerusalém; e depois de lhes exprobrar suavemente a sua dureza, por não acreditarem na sua ressurreição, ordenou-lhes que fossem para o Monte das Oliveiras, o lugar onde tinha começado a sua Paixão, afim de que compreendessem que o verdadeiro caminho para ir ao Céu é o dos sofrimentos. Depois, cercado de cento e vinte pessoas, repetiu-lhes mais uma vez o que já lhes havia ordenado, especialmente que fossem pregar o Evangelho pelo mundo inteiro; feito o que o divino Redentor levantou as mãos e os abençoou.

Em seguida, como medita São Boaventura (2), Jesus abraça a sua santíssima Mãe e aperta-a contra o coração, anima e conforta os seus discípulos, que, entre lágrimas, Lhe beijam os pés e com as mãos levantadas e o semblante extraordinariamente majestoso e amável, coroado e vestido como rei, se eleva lentamente ao Céu, levando em sua companhia as numerosíssimas almas justas, livradas do limbo. – A esta vista todos os presentes ajoelham novamente e Jesus mais uma vez os abençoa. Afinal uma nuvem subtrai o divino Triunfador à sua vista, e Jesus vai sentar-se à direita do Pai, onde não cessa de ser nosso medianeiro e advogado.

Avivemos a nossa fé, e contemplemos o júbilo que a entrada triunfal de Jesus causou no paraíso: alegremo-nos com o nosso divino Chefe e unamos os nossos afectos aos de Maria Santíssima e dos santos discípulos.

II. Como a águia ensina os seus filhos a voarem, assim, no mistério de hoje, Jesus Cristo nos exorta a elevar o nosso vôo e acompanhá-Lo ao Céu, senão com o corpo, ao menos com os afectos. Desprendamos os nossos corações da terra, e suspiremos pela pátria celeste, onde se acha a nossa felicidade: esperando, como diz o Apóstolo, a adopção de filhos de Deus, a redenção de nosso corpo (3). 

Entretanto, tenhamos sempre diante dos olhos os exemplos da vida mortal do Senhor; imitando a sua humildade e mansidão, o seu espírito de mortificação, a sua caridade e o seu zelo pela glória divina. – Numa palavra, despojamo-nos do homem velho, revestindo-nos das virtudes de Jesus Cristo, que são como que o manto, que, à imitação de Elias, ele deixou para seus discípulos, quando subiu ao Céu.

Para vencermos todas as dificuldades que se encontram no caminho do Senhor, recordemos muitas vezes a grande verdade que os anjos ensinaram hoje aos discípulos, que, arrebatados, olhavam o Céu, para o qual acabava de subir o seu amado mestre: Jesus Cristo voltará um dia à terra com a mesma majestade e glória, como Juiz dos vivos e dos mortos: Sic veniet, quemadmodum vidistis eum euntem in coelum (4).

Meu querido Redentor Jesus, regozijo-me pelo vosso triunfo glorioso e rogo-vos que arranqueis de meu coração todo o afecto aos bens miseráveis desta terra, para não suspirar senão pelos do paraíso, que vós merecestes para mim pela vossa paixão. – A mesma graça peço de Vós, ó Pai Eterno. “Concedei-me que, assim como creio firmemente que vosso Filho unigénito e nosso Redentor subiu hoje ao Céu, assim possa continuamente morar ali com o meu espírito e os meus desejos.” (5) – Fazei-o pelo amor do mesmo Jesus Cristo e pela intercessão de Maria Santíssima. (*VIII 643.)

Santo Afonso Maria de Ligório in 'Meditações para todos os dias do ano'
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(1) Act. 1, 3.
(2) Med. vit. Chr.
(3) Rom. 8, 23.
(4) Act. 1, 11.
(5) Or. festi. curr.


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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Qual é a relação entre a Primeira Dama dos Estados Unidos e Nossa Senhora?

Durante a visita ao Vaticano, Melania Trump teve alguns gestos de piedade mariana: no Palácio Apostólico pediu ao Papa Francisco para abençoar o seu Terço; depois, quando visitava crianças doentes no Hospital 'Bambino Gesù', foi vista em oração junto a esta imagem de Nossa Senhora das Graças. 



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Maria Auxiladora, os Papas e D. Bosco

Nossa Senhora Auxiliadora é uma das formas de devoção da Virgem Maria, que remonta à vitória da Armada Cristã em 1571, comandada por Dom João da Áustria, que, invocando o auxílio da Virgem, afastou o perigo maometano da Europa. Em agradecimento, o Papa Pio V incluiu na ladainha o título de "Auxiliadora dos Cristãos".

A festa de Nossa Senhora Auxiliadora foi promulgada por Pio VII, no ano de 1816, logo que foi libertado do cativeiro a ele imposto por Napoleão Bonaparte.  

A DEVOÇÃO A MARIA AUXILIADORA

A devoção a Nossa Senhora Auxiliadora, começou em datas muito remotas, nascida no coração de pessoas piedosas que espalharam ao seu redor a devoção mariana. Assim, a Mãe de Deus foi sempre conhecida como condutora da felicidade de todo o ser humano. E Maria, sempre esteve junto ao povo, sobretudo do povo simples que não sofre as complicações que contornam e desfazem, muitas vezes, a vida humana, mas que é levado pelas emoções e certezas apontadas pela simplicidade do coração.

Em 1476, o Papa Sisto IV deu o nome de “Nossa Senhora do Bom Auxílio” a uma imagem do século XIV-XV, que havia sido colocada numa Capelinha, onde ele se refugiou, surpreendido durante o caminho, com um perigoso temporal. A imagem tem um aspecto muito sereno, e o símbolo do ‘auxílio’ é representado pela meiguice do Menino segurando o manto da Mãe.

Com o correr dos anos, entre 1612 e 1620, a devoção mariana cresceu, graças aos Barnabitas, em torno de uma pequena tela de autoria de Scipione Pulzone, representando aspectos de doçura, de abandono confiante, de segurança entre o Menino e a sua santa Mãe. A imagem ficou conhecida como “Mãe da Divina Providência”. Esta imagem tornou-se como que meta para as peregrinações de muitos devotos e também para muitos Papas e até mesmo para João Paulo II. Devido ao movimento cristão em busca dos favores e bênçãos de Nossa Senhora e de seu Filho, o Papa Gregório XVI, em 1837, deu-lhe o nome de “AUXILIADORA DOS CRISTÃOS”. O Papa Pio IX, pouco depois de ter sido eleito, também se inscreveu no movimento e, diante desta bela imagem, celebrou a Missa de agradecimento pela seu regresso do exílio de Gaeta. 

Mais tarde também foi criada a ‘Pia União de Maria Auxiliadora’, com raízes num bonito quadro alemão.

E chega o ano de 1815: Nasce aquele que será o grande admirador, grande filho, grande devoto da Mãe de Deus e propagador da devoção a Maria Auxiliadora, o Santo dos jovens: SÃO JOÃO BOSCO. Neste ano era também celebrado o Congresso de Viena e foi a época em que, com a queda do Império Napoleónico, começa a Reestruturação Europeia com restabelecimento dos reinos nacionais e das suas monarquias dinásticas 

Em 1817, o Papa Pio VII benzeu uma tela de Santa Maria e conferiu-lhe o título de “MARIA AUXILIUM CHRISTIANORUM”.

Os anos passaram e o rei Carlo Alberto foi a cabeça do movimento em prol da unificação da Itália, e ao mesmo tempo, os atritos entre Igreja e Estado, deram lugar a uma forte sensibilização política, com atitudes suspeitas para com a Igreja. E como não podia deixar de ser, D. Bosco, lutador e defensor insigne da Igreja de Cristo, ficou sendo mira forte do governo e foi até obrigado a fugir de alguns atentados. Sim, tinha de fato inimigos que não viam bem sua postura positiva a favor da Igreja e nem tão pouco a emancipação da classe pobre, defendida tenazmente pelo Santo.

Pio IX, então cabeça da Igreja, manifestou-se logo a favor de uma devoção pessoal para com a Auxiliadora e quando este sofrido Pontífice esteve no exílio, o nosso Santo lhe enviou 35 francos, recolhidos entre os seus jovens do oratório. O Papa ficou profundamente comovido com esta atitude e conservou uma grande lembrança deste gesto de afecto de D. Bosco e da generosidade dos rapazes pobres.

E continuam muitas lutas políticas, desavenças, lutas e rixas entre Igreja e Estado. Mas a 24 de Maio, em Roma, o Papa Pio IX preside uma grandiosa celebração em honra de Maria Auxiliadora, na Igreja de Santa Maria. E em 1862, houve uma grandiosa organização especificamente para obter da Auxiliadora, a protecção para o Papa diante das perseguições políticas que ferviam cada vez mais, em detrimento para a Igreja de Jesus Cristo.

Nestes momentos particularmente críticos, entre 1860-1862 para a Igreja, vemos que D. Bosco toma uma opção definitiva pela AUXILIADORA, título este que decide concentrar a devoção mariana por ele oferecida ao povo. E justamente em 1862, D. Bosco tem o “Sonho das Duas Colunas” e no ano seguinte seus primeiros acenos para a construção do célebre e grandioso Santuário de Maria Auxiliadora. E esta devoção à Mãe de Deus, desde então se expandiu imediata e amplamente. 

D. Bosco ensinou aos membros da família Salesiana a amarem Nossa Senhora, invocando-a com o título de AUXILIADORA. Pode-se afirmar que a invocação de Maria como título de Auxiliadora teve um impulso enorme com D. Bosco. Ficou tão conhecido o amor do Santo pela Virgem Auxiliadora a ponto de Ela ser conhecida também como a "Virgem de Dom Bosco".

Escreveu o Santo: “A festa de Maria Auxiliadora deve ser o prelúdio da festa eterna que deveremos celebrar todos juntos um dia no Paraíso".

in farfalline.blogspot.pt


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Bispo de Porto-Novo emite decreto obrigando todos os clérigos a usar a batina


O Bispo de Porto-Novo no Benin, Msgr. Aristide Gonsallo, emitiu um decreto obrigando todos os clérigos a usar a batina como traje eclesiástico normal.
Decreto para a regulamentação vestuária do uso da batina na diocese de Porto-Novo:

No documento lê-se, entre outras coisas, que como um precioso dom de Deus aos homens, a fé é a melhor maneira de conhecer a Deus e amá-Lo e que o grau de maturidade e solidez da fé duma Igreja se mede a partir da sua capacidade de comunicar a fé professada mas também se manifesta pela qualidade das suas obras de caridade, como diz o Apóstolo São Tiago em Ti, II, 18.

Diz ainda o bispo que a realização das obras de Evangelização da diocese de Porto-Novo começou pelos pioneiros de ontem e continua pela devoção dos pastores de hoje que deve ser apoiada não só pela fé, mas também pela caridade de todos os seus filhos.


Em virtude destas considerações,

Em conformidade com as disposições dos cânones 284 e 669 do vigente Código de Direito Canónico,

Eu decreto:
1. O traje eclesiástico normal de qualquer clérigo (diocesano, religioso, membro de uma sociedade clerical de vida apostólica) na diocese de Porto-Novo é apenas a batina;
2. O uso de batina é obrigatório,
- para a celebração ou administração de todos os sacramentos, especialmente a Eucaristia;
- para a celebração de qualquer para-liturgia;

- em qualquer reunião de clérigos e em qualquer reunião com a participação do clero quer ao nível diocesano quer paroquial, como por exemplo as concelebrações da Missa, reuniões de presbíteros;
- em lugares onde os fiéis solicitam o clérigo para o exercício do ministério sacerdotal;
- nas visitas ao bispo, independentemente do momento e do motivo da visita;
- em qualquer lugar onde a identidade do sacerdote possa levantar dúvidas


Com o desejo de que o uso da batina seja uma evidência no seio da comunidade cristã do testemunho publico que todos os padres devem dar da sua própria identidade e da sua pertença especial a Deus, eu vos asseguro da minha comunhão orante em Jesus por Maria.

Dado em Porto-Novo, a 09 de Maio de 2017


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terça-feira, 23 de maio de 2017

Procissão em honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres - Açores

No passado dia 21 de Maio, quinto domingo depois da Páscoa, viveu-se a tradicional procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres, na ilha de S. Miguel (Açores). A imagem renascentista representa o momento do Ecce Homo da Paixão de Nosso Senhor e está em capela própria no Convento da Esperança, em Ponta Delgada. À procissão - a mais antiga do País - acorrem milhares de pessoas com grande devoção. O chão das ruas por onde passa é adornado de flores e a fachada do seu santuário de flores e de luzes. O andor percorre o itinerário original passando por antigos conventos e igrejas paroquiais, num percurso de kilometros que dura aproximadamente 7horas.

Neste ano de 2017 contou com a presença do Sr. Presidente da República.


 A multidão à espera da saída do andor do Senhor Santo Cristo.


A Imagem acompanhada pela Irmandade do Senhor Santo Cristo dos Milagres


As ruas de Ponta Delgada


 A fachada do Convento de noite.



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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Cardeal Burke pede ao Papa que consagre a Rússia ao Imaculado Coração de Maria

O Cardeal Burke incitou os fiéis católicos a "trabalhar para a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria" em fidelidade ao pedido de Nossa Senhora de Fátima. Falando no Rome Life Forum no passado dia 19 de Maio, o Cardeal explicou:

"Certamente, o Papa São João Paulo II consagrou o mundo, incluindo a Rússia, ao Imaculado Coração de Maria a 25 de Março de 1984. Mas hoje [cem anos depois], mais uma vez, ouvimos o chamamento de Nossa Senhora de Fátima para consagrar a Rússia ao Seu Imaculado Coração, de acordo com a sua instrução explícita."

Uma consagração que nomeie a Rússia, continuou Burke, "é de uma vez por todas o reconhecimento da importância que a Rússia continua a ter no plano de Deus para a paz e um sinal de profundo amor pelos nossos irmãos na Rússia."
Como tal, Sua Eminência iniciou uma petição ao Papa Francisco para que consagre a Rússia ao Imaculado Coração de Maria.

Aqui está disponível a petição:

De seguida apresentamos, exclusivamente, em português o texto da súplica ao Santo Padre:

"Ao Papa Francisco:

Unimos as nossas vozes à de Sua Eminência Reverendíssima o Cardeal Raymond Burke, no seu pedido para a Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria.

Neste centenário das aparições de Nossa Senhora de Fátima às três crianças de Fátima, e confrontados com as calamidades de que a Rainha do Céu nos avisou, comprometemo-nos a redobrar os nossos esforços para responder aos Seus pedidos e encorajar todos os Católicos a fazê-lo também.

Comprometemo-nos:

-Primeiro, à oração, particularmente ao Santíssimo Rosário, e à devoção ao Escapulário do Carmo.

- Segundo, à reparação, principalmente através da prática da devoção dos Cinco Primeiros Sábados, pelos pecados e ultrajes cometidos contra a Graça de Deus e pelas blasfémias contra os Santíssimos Corações de Jesus e Maria.

- Terceiro, consagrarmo-nos pessoalmente ao Imaculado Coração de Maria e unirmo-nos ao apelo à consagração pública da Rússia pelo Papa e todos os Bispos do mundo.

Instamos todos os Católicos a que se unam ao Cardeal Burke neste apelo, e a que peçam a Nossa Senhora que obtenha do Seu Filho paz para o mundo e para a Igreja, como Ela prometeu caso os Seus pedidos fossem atendidos.

Os signatários incluem:

Sua Excelência Reverendíssima o Senhor Dom Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar de Astana, Cazaquistão;

Sua Alteza o Duque Paul von Oldenburg;

Dama Colleen Bayer, Directora Nacional da Family Life International."



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Como fazer um pedido a Santa Rita de Cássia

Santa Rita é conhecida como a santa das causas impossíveis, graças aos inúmeros milagres que acontecem por sua intercessão

Ó poderosa e gloriosa Santa Rita chamada Santa das causas impossíveis, advogada dos casos desesperados, auxiliadora da última hora, refúgio e abrigo da dor que arrasta para o abismo do pecado e da desesperança, com toda a confiança em Vosso poder junto ao Coração Sagrado de Jesus, a Vós recorro no caso difícil e imprevisto, que dolorosamente oprime o meu coração.

(Fazer o pedido)

Obtende a graça que desejo, pois sendo-me necessária, eu a quero. Apresentada por Vós a minha oração, o meu pedido, por Vós que sois tão amada por Deus, certamente será atendido. Dizei a Nosso Senhor que me valerei da graça para melhorar a minha vida e os meus costumes e para cantar na Terra e no Céu a Divina Misericórdia.

Pai-Nosso, Avé-Maria, Glória

Santa Rita das causas impossíveis, intercedei por nós! Ámen


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domingo, 21 de maio de 2017

Nossa Senhora de Fátima foi coroada em Roma



Igreja: Santissima Trinità dei Pellegrini (FSSP)


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Pe. Américo explica que a sua obra não seria nada sem a Missa

Quando às vezes acabo de celebrar e me ajoelho para agradecer o imerecido, ali, frente ao altar de pedra, quedo-me a perguntar a mim mesmo do que seria tudo isto, sem isto. Sim. 

O que seria da Obra da Rua (obra criada pelo Pe. Américo para ajudar rapazes abandonados), sem os Altares, onde os Padres da Rua, falam da rua, rezam pela rua e pedem para a rua o que a rua desprezou? O que seria da Obra da Rua sem o Altar? Seria coisa morta porque no Altar é que mora a Vida. A Vida que fez a Vida e que deu a Vida.

Seria um peito sem coração a palpitar. E corpo sem coração é cadáver. Cheira mal, causa espanto, afugenta as crianças. Cristo atrai as crianças e não as repele. A vida está no Altar.

Seria uma árvore estéril, sem semente. Não haveria continuidade. Morreria. Sem Altar, a Obra era vasia, cana ôca que o mundo pisa e esmaga. O Altar é que enche. O Altar é que irradia. O Altar é sempre o grande segredo. E que seria de mim, fraco, opróbrio e confusão, sem o Altar? Seria como os mais que constroem sem alicerce e morrem sufocados debaixo das pedras que levantam aos ares. Construía sobre areia e dava de comer as vendavais.

in 'O pai Américo era assim' (Coimbra, 1958)


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