terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

9 coisas para saber sobre a Quarta-Feira de Cinzas

1. O que é a Quarta-feira de Cinzas?
É o primeiro dia da Quaresma, ou seja, dos 40 dias nos quais a Igreja chama os fiéis a converter-se e a preparar-se verdadeiramente para viver os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo durante a Semana Santa.
2. Como apareceu a tradição da imposição das cinzas?
A tradição de impor as cinzas vem da Igreja primitiva. Naquela época, as pessoas colocavam as cinzas na cabeça e apresentavam-se diante da comunidade com um “hábito penitencial” para receber o Sacramento da Reconciliação na Quinta-feira Santa.
A Quaresma adquiriu um sentido penitencial para todos os cristãos a partir do séc.V, e a partir do século XI começou a impor-se as cinzas no início desse tempo litúrgico.
3. Por que se impõem as cinzas?
A cinza é um símbolo. A sua função está descrita em um importante documento da Igreja, mais precisamente no artigo 125 do Directório sobre a piedade popular e a liturgia:
“O começo dos quarenta dias de penitência, no Rito romano, caracteriza-se pelo austero símbolo das Cinzas, que caracteriza a Liturgia da Quarta-feira de Cinzas. Próprio dos antigos ritos nos quais os pecadores convertidos se submetiam à penitência canónica, o gesto de cobrir-se com cinza tem o sentido de reconhecer a própria fragilidade e mortalidade, que precisa ser redimida pela misericórdia de Deus. Este não era um gesto puramente exterior, a Igreja o conservou como sinal da atitude do coração penitente que cada baptizado é chamado a assumir no itinerário quaresmal. Devem ajudar aos fiéis, que vão receber as Cinzas, para que aprendam o significado interior que este gesto tem, que abre a cada pessoa a conversão e ao esforço da renovação pascal."
4. O que simbolizam as cinzas?
A palavra cinza, que provém do latim "cinis", representa o produto da combustão de algo pelo fogo. Sempre teve um sentido simbólico de morte, expiração, mas também de humildade e penitência.
A cinza, como sinal de humildade, recorda ao cristão a sua origem e o seu fim: “O Senhor Deus formou o homem do pó da terra” (Gn 2, 7); “até que voltes à terra de onde foste tirado; porque tu és pó e ao pó voltarás” (Gn 3, 19). 
5. Onde se encontram as cinzas?
Para a cerimónia devem ser queimados os restos dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior. Estes são benzidos com água benta e aromatizados com incenso.
6. Como se impõem as cinzas?
A imposição acontece durante a Missa, depois da homilia. As cinzas são impostas na testa, em forma de cruz, enquanto o ministro pronuncia as palavras bíblicas: “lembra-te que és pó e ao pó hás-de voltar” ou “converte-te e acredita no Evangelho”.
7. A imposição das cinzas é obrigatória?
A Quarta-feira de Cinzas não é dia de preceito e, portanto, não é obrigatória. Não obstante, nesse dia muitas pessoas costumam participar da Santa Missa, o que sempre é recomendável.
8. Quanto tempo é necessário permanecer com a cinza na fronte?
Quanto tempo a pessoa quiser. Não existe um tempo determinado.
9. O jejum e a abstinência são necessários?
O jejum é obrigatório na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, para as pessoas maiores de 18 (inclusive) e menores de 60 anos. Fora desses limites, é opcional. Em dia de jejum, os fiéis podem apenas tomar ter uma refeição “principal” (almoço ou jantar) e no máximo duas refeições "menores" (que juntas não cheguem a uma refeição principal).
A abstinência (não comer carne) é obrigatória também na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, para os maiores de 14 anos (inclusive). Todas as Sextas-Feiras da Quaresma também são também de abstinência obrigatória, não se pode comer carne. As outras Sextas-Feiras do ano também, embora hoje em dia poucos conheçam este preceito.
adaptado de acidigital


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4 anos depois: o adeus de Bento XVI



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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Cardeal Sarah: Fátima, um Evangelho sem compromissos com o espírito mundano

A editora francesa 'Traditions Monastiques' publicou um belo livro ilustrado para crianças, chamado “Fátima, Maria confia-te o segredo do seu Coração”. Por autorização especial da editora, aqui fica o prefácio escrito pelo Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino:

 “Se ao menos pudesse por no coração de alguém o fogo que tenho no meu coração e que me faz amar tanto o Coração de Maria!”. Assim exclamava a beata Jacinta.

2017 é o ano do centenário das aparições da Virgem Maria em Fátima. Por esta ocasião fazemos o ponto de situação sobre como acolhemos a mensagem que Deus nos entregou, no meio da tempestade que abalava a Europa no início do século XX: uma guerra mundial cujas atrocidades superam a nossa capacidade de compreensão (de tal modo que, apenas no dia 22 de Agosto de 1914, contaram-se 27 mil mortos entre os soldados franceses, tornando-se o dia mais sangrento na história de França!), a revolução comunista na Rússia com o seu ornamento de massacres… de 1914 a 1918 a Europa estava coberta de cadáveres de milhões de soldados e de civis inocentes: homens, mulheres e crianças…

Falemos precisamente de crianças: é a três pequenos que Nossa Senhora decidiu falar, entre Maio e Outubro de 1917. Três crianças pobres de uma zona perdida num país num extremo do continente europeu, à margem dos eventos sanguinários que ocorriam: Fátima, em Portugal.

O que disse Nossa Senhora aos Beatos Francisco e Jacinta Marto e à sua prima Lúcia dos Santos, futura irmã carmelita em Coimbra? O livro que tenho a alegria de apresentar explica-o às crianças deste novo milénio, mostrando uma notável capacidade pedagógica: cada capítolo apresenta um aspeto da mensagem de Fátima (“o ouvir”) seguido da sua atualização para as crianças (“o perceber”) e de resoluções pessoais daí derivadas (“também eu…”).

A leitura deste magnífico e bem ilustrado livro faz-nos perceber que os nossos contemporâneos, cuja mentalidade está imbuída de relativismo e hedonismo, têm necessidade de converter o seu coração se quiserem perceber o significado mais profundo da mensagem de Fátima. Os autores apostam que as crianças são capazes de aderir espontaneamente aos aspectos que nos podem parecer mais duros ou austeros na mensagem de Fátima – sem dúvida mais que os adultos – e têm razão em assim crer. A nossa Mãe do Céu, tanto em Fátima como em Lourdes, Pontmain ou em La Salette – isto para citar apenas as aparições mais conhecidas –não terá escolhido crianças, e crianças pobres, para nos revelar o segredo do seu Coração Imaculado? E qual é este segredo? 

Nada mais que o Evangelho, mas o Evangelho sem adornos, sem acomodamentos ou compromissos com o espírito de um mundo que quer abrir-se para todos os lados, tolerante, a-religioso e amoral, pois esta Boa Nova do Evangelho é o anúncio da salvação! Nós sabemos que os beatos Francisco e Jacinta levaram com tal seriedade a salvação das almas que todos os dias ofereciam sacrifícios que muitas vezes eram difíceis para pequenas crianças “pela conversão dos pecadores”, até ao oferecimento total da sua vida jovem, que a doença levou quando tinham dez anos de idade.

Não é verdade que o beato Francisco, que percebia o sentido das palavras “sacrifício” e “oferecimento”, dizia: “A Virgem Maria e o próprio Deus estão infinitamente tristes. Temos de os consolar”? Também este mundo, aparentemente invejoso, inundado por luzes de todas as cores e bêbado de felicidade é um mundo infinitamente triste, porque está contaminado pelo pecado e da violência cega. Só resta a pureza e os sacrifícios das crianças que podem voltar a dar ao mundo a verdadeira alegria, aquela que vem do Céu. Quanto a Lúcia, assim como Bernadette de Soubirous retira-se em silêncio e em oração na sombra de um claustro até à sua morte, que acontece em 2005. Efectivamente, a Virgem Maria tinha-lhe dito que viveria muitos anos para difundir a devoção ao seu Imaculado Coração, através de uma vida oferecida em holocausto de amor.

Sacrifício, penitência, reparação pelas ofensas, consagração de si mesmo: estaremos portanto prontos a acolher estas palavras, que quase proibimos ou rejeitámos do nosso vocabulário? Na verdade estas palavras correspondem a realidades espirituais que são essenciais, porque estão presentes e assumidas na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Sou muito sensível à preocupação de todos os pais que desejam que a educação cristã dos seus filhos seja embebida destas realidades inalienáveis, favorecedoras de alegria nesta terra e de felicidade eterna na pátria definitiva, para a qual todos estamos a caminho.

Estas são as vias de santificação que as autoras Tollet e Storez nos oferecem com este livro, são os meios do cristão que é consciente do facto de que, como disse o Senhor à beata Ângela de Foligno (uma grande mística italiana do século XIII): “Não é para te fazer rir que te amei”. Sim, aquilo que pode salvar os pecadores do desespero e logo do inferno – que os três pastorinhos de Fátima puderam ver – é unicamente Jesus, e Jesus crucificado.  

Assim como os pastorinhos de Fátima nos mostraram com a sua vida, trata-se de deixarmo-nos transformar pelo Amor de Deus, pela sua Misericórdia que nos é totalmente revelada na Cruz de Cristo. Contemplando as chagas do Senhor Jesus, em particular o seu coração trespassado, que está intimamente unido ao Coração Imaculado e doloroso de Maria, também nós somos chamados a deixar-nos formar por Aquele que é o Cordeiro sem mancha, para que nos tornemos uma só coisa com Ele.

in lanuovabq.it


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O que são vidas indignas de serem vividas?

Teorias recentes da evolução sugerem que a antiga ideia social-darwinista da “sobrevivência dos mais fortes” não podia estar mais enganada. O que fez do homo sapiens a espécie dominante, segundo muitos biólogos actuais, é precisamente a nossa capacidade de cooperar, agir de forma altruísta e de proteger os membros mais fracos da tribo.

Esta teoria torna ainda mais incompreensíveis os actuais esforços da comunidade médica no sentido de purificar a “piscina” genética através da eugenia. Actualmente, por exemplo, 90% dos bebés por nascer diagnosticados com Síndrome de Down são abortados. De facto, há forças poderosas que já anunciaram repetidamente a sua intenção de erradicar as crianças com Síndrome de Down nos próximos anos. Não se referem ao tratamento da condição, querem erradicar as crianças, abortando-as depois de as diagnosticarem.

As mulheres perguntam-me frequentemente se é verdade que a lei as obriga a fazer uma amniocentese, porque os médicos disseram que sim. A resposta a esta pergunta é, (por ora), não. Mas as pessoas insistem que sim por duas razões: primeiro porque se querem defender – isto é, não querem ser processadas se vier ao mundo uma criança que a mãe preferia ter abortado (o termo para isto é “vida injustificada”). Em segundo lugar, talvez queiram juntar-se ao movimento eugenista que está actualmente a tentar erradicar aqueles que considera terem “vidas indignas de serem vividas”.

Este termo, “vidas indignas de serem vividas” (Lebensunwertes Leben), era usado pelos médicos alemães para descrever crianças com atrasos mentais nos anos 30, enquanto desenvolviam métodos de “eutanásia” que seriam o primeiro passo na erradicação de todos estes “indesejáveis”, a caminho da “Solução Final”.

O que é que torna estas crianças tão ameaçadoras que alguns querem que sejam totalmente erradicadas? Porque é que nos incomodam tanto? Permitam-me um pequeno impulso freudiano: Eu acho que é porque nos revemos neles. Isto é, revemos os momentos mais embaraços das nossas vidas: Quando deixámos cair o tabuleiro na cantina e toda a gente se riu e bateu palmas, quando não sabíamos a resposta que toda a gente sabia, quando nos comportámos da mesma maneira de sempre, acabando por descobrir que era muito “pouco fixe” e todos os miúdos fixes reviraram os olhos em desprezo.

Estas crianças somos nós no nosso estado mais fraco, mais vulnerável, mais envergonhado. E ninguém quer parecer ou sentir-se assim. De facto, o medo de passar vergonhas é talvez uma das razões pelas quais, em estudo após estudo, o medo de falar em público ultrapassa em muito o medo da morte nas prioridades dos inquiridos. “Aqueles a quem os deuses pretendem destruir, primeiro envergonham”. Estas crianças ferem-nos no nosso ponto mais fraco e preferimos não olhar para essa parte do nosso ser.

É precisamente por isso que elas são dos maiores dons de Deus para a humanidade. Recordemos Paulo: “Quando sou fraco, então é que sou forte.” Assim é connosco também. Quando conseguimos olhar aquela parte de nós que é fraca, vulnerável e socialmente desajustada e dizer: “Sim, também isto é amado por Deus, também isto é santificado por Deus”, então estaremos finalmente no caminho da saúde e do desabrochar da nossa humanidade.

Eu temo uma cultura que queira erradicar as crianças com Síndrome de Down e os deficientes mentais, e todos os que não são fortes, activos e produtivos. Temo-a porque os promotores de uma tal cultura estão a tentar matar aquilo que é mais humano em nós. Cuidar e viver com crianças com Síndrome de Down humaniza-nos: ensina-nos a amar desinteressadamente, como Cristo nos amou. Ensina-nos a amar-nos a nós mesmos, mesmo aquelas parte de nós que preferíamos que os outros não vissem, que nós mesmos preferimos não ver.

Precisamos destas crianças entre nós. Precisamos delas mais do que precisamos do mais recente iPad ou “smart” phone. Daqui a cem anos ninguém vai querer saber da nossa tecnologia, como os meus alunos se estão a marimbar para a tecnologia francesa do século XVIII ou alemã do século XIX. O que vai mesmo fazer diferença é a forma como tratámos os mais fracos e vulneráveis de entre os nossos.

Se cumprirmos fielmente esse chamamento, então a nossa será uma cultura que merece ser recordada. Se valorizarmos a nossa capacidade tecnológica acima de tudo o resto, e tivermos tal sucesso nesse campo que não deixamos espaço nas nossas vidas para os mais desfavorecidos, seremos recordados da forma como recordamos a Alemanha dos anos 30: puseram os comboios a andar a horas – depois usaram-nos para transportar seis milhões de judeus e outros “indesejáveis” para os campos de concentração.

No fim de contas Deus é o nosso único verdadeiro espectador e comparado com ele, o Criador do Universo, temos a capacidade intelectual de uma minhoca. Mas Ele consegue amar-nos apesar disso. Nunca estamos mais próximos dele, do que quando abraçamos aquela parte de nós que podemos ver nas crianças com Síndrome de Down: Simples, cheio de alegria, vulnerável.

Estas crianças precisam da nossa ajuda, mas nós precisamos mais delas. Elas tornam-nos humanos. O maior presente que Deus dá àqueles que estão cheios de presunção é o dom da humildade. Como disse, e bem, o poeta T.S. Elliot: “A única sabedoria que podemos esperar alcançar é a humildade: a humildade é infinita.”

Randall Smith in 'The Catholic Thing'


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domingo, 26 de fevereiro de 2017

Coisas que Jesus nunca disse sobre o adultério




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Do ateísmo e luxúria ao catolicismo e castidade

Conheceram-se nas Caldas da Rainha. Ele era fisioterapeuta, ela ceramista. Oriundo de Oeiras, filho de mãe católica e de pai ateu, foi baptizado em pequeno e tinha levado umas breves pinceladas de catequese. Ela nascida numa aldeia da Beira Baixa tinha estrutura cristã mas não praticava. Ele era convictamente anti-católico, ela indiferente. Viveram a sua paixão com as intimidades próprias dos casados, sem o serem, durante três anos.

Um dia encontrou um amigo que o persuadiu a passar um fim-de-semana especial com um grupo de gente nova, uns padres, um casal e uma freira! Quando perguntou que gente era essa o amigo respondeu-lhe que era informal, que não tinha nome mas que alguns denominavam-no K. Como confiava no conhecido achou graça ao enigma. Entrou ateu numa Sexta-feira à tarde, saiu católico no Domingo seguinte. Tinha encontrado Jesus Cristo, vivo e ressuscitado, e a Sua Igreja. 

A transformação foi tal que quando encontrou a amásia (i.e. amante) a deixou totalmente perplexa. Causa de tal assombro senão mesmo despeito foi a determinação com que ele decidiu viver castamente, renunciando aos actos próprios dos cônjuges. Algum tempo depois também ela participou num retiro semelhante. Reencontrando a Fé da infância, mas agora de um modo maduro, compreendeu muito bem o namorado. Viveram então numa grande sintonia com Cristo e um com o outro.

Testemunharam, em público, anos mais tarde, já casados e com filhos, por diversas vezes, que o facto de terem vivido a castidade perfeita naqueles dois anos, que decorreram entra a sua decisão e o matrimónio, tinham sido de uma importância fulcral para a sua relação e para a vivência enquanto casados. Tivemos grandes tentações, confidenciavam, mas pela graça de Deus resistimos e aprendemos a evitar as ocasiões de queda. Nisto pôde muito o jejum, a oração, a confissão sacramental frequente e a participação quotidiana na Santa Missa. Lamentavam não terem conhecido o Senhor desde sempre porque só teriam ganho em terem acolhido sempre a Sua vontade, que era afinal o bem deles, o amor verdadeiro.

Ele, entretanto, por inspiração Divina, e alguns empurrões do seu assistente espiritual, licenciou-se em Teologia com uma cuidada tese sobre os leigos na Igreja.

Vivem actualmente no Norte e têm cinco filhos. Ele lecciona Religião e Moral num colégio particular, ela realiza admiravelmente a sua vocação de mãe e de esposa. Quem tem ouvidos para ouvir que oiça. À honra de Cristo. Ámen.

Pe. Nuno Serras Pereira


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sábado, 25 de fevereiro de 2017

D. Athanasius Schneider ordenou 7 sub-diáconos da FSSP

O seminário da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro, que se encontra em Wigratzbad (Alemanha), está em festa. D. Athanasius Schneider conferiu as ordens menores a 16 seminaristas e ordenou 7 sub-diáconos de vários países: França, Brasil, Itália e Polónia.












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Beleza na Liturgia: para glória de Deus e salvação das almas



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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

4 anos do último Angelus com o Papa Bento XVI

Há 4 anos, o Papa Bento XVI rezava o último Angelus na Praça de São Pedro.



Amados irmãos e irmãs, sinto de modo particular dirigida a mim esta Palavra de Deus, neste momento da minha vida. Obrigado! O Senhor chama-me a «subir ao monte», a dedicar-me ainda mais à oração e à meditação. Mas isto não significa abandonar a Igreja, aliás, se Deus me pede isto é precisamente para que eu possa continuar a servi-la com a mesma dedicação e com o mesmo amor com que procurei fazê-lo até agora, mas de uma forma mais adequada à minha idade e às minhas forças.


Papa Bento XVI,
Angelus na Praça de São Pedro
Domingo, 24 de Fevereiro de 2013




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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O Papa não disse que é preferível ser ateu do que cristão hipócrita

Fomos invadidos por uma torrente de notícias sobre umas (supostas) declarações do Papa Francisco. Os títulos gritaram em uníssono: "Papa diz que mais vale ser um ateu do que um cristão hipócrita / cristão com vida dupla". 

Desconfiando do que noticiavam os nossos amigos jornalistas - como aliás recomendo a toda a gente - fui ler a homilia da Missa hoje de manhã no Vaticano, na qual o Papa teria proferido essa afirmação.

Em primeiro lugar a palavra 'hipócrita' ou 'hipocrisia' não consta. É um insulto bastante repetido por parte dos que não acreditam em Deus ou dos que até acreditam mas não lhes apetece ir à Missa: "Esses que vão à Missa são todos uns hipócritas, andam ali a bater com a mão no peito e depois vêm cá para fora e são os piores!" Isto mostra que, mesmo os que não acreditam, associam o ir à Missa a uma maior responsabilidade moral que não atribuem a outras actividades: "Pois, vais ao cinema e depois nem sequer pões a mesa!" Simplesmente não tem o mesmo impacto. 

A relação entre ir à Missa e ter uma vida perfeita existe na mentalidade das pessoas, mesmo na nossa sociedade, que de cristã já não tem muito. E perante comportamentos menos bons, erros, cobardias, egoísmos, enfim todas as diferentes 'caras' que pode ter o pecado, por parte dos tais que vão à Missa, está o caldo entornado: "Hipócritas!" 

O erro nesta crítica está no pressuposto que quem vai à Missa já é perfeito, o que não é de todo verdade. Alguém que vai à Missa tem o direito a ser visto como alguém que está a tentar ser perfeito, embora possa ainda estar muito longe de o ser. Ao mesmo tempo, essa pessoa tem o dever de realmente tentar ser perfeita (ser santa) mesmo que sabendo que poderá cair e terá de voltar a levantar-se, se necessário for recorrendo à Confissão. 

O que não pode fazer é ter comportamentos escandalosos, como se não se soubesse filha de Deus, templo do Espírito Santo, sal da Terra e luz do Mundo. Foi isto que o Papa criticou na sua homilia de hoje: os escândalos criados pelos cristãos junto dos outros, que os podem afastar ainda mais de Deus.

Em segundo lugar, a palavra 'ateu' aparece apenas uma vez na homilia, e a frase é esta: «Quantas vezes já ouvimos na rua ou em outros locais alguém dizer: "Para ser católico como aquele é melhor ser ateu!" É isto o escândalo, que destrói, que manda abaixo.»

Expliquem-me, meus senhores, onde é que o Papa disse aquilo que vocês dizem que o Papa disse. Na única vez que fala do 'ateu' o Papa está a citar uma frase, bastante comum, não a afirmá-la. As verdadeiras 'fake news' são os 'media'. Não precisamos de mais.

João Silveira


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Cardeal Burke explica que missão no Guam não é punição do Papa

Entrevista ao Cardeal Raymond Leo Burke, Patrono da Ordem de Malta. Nos últimos dias, o prelado americano, de 68 anos, foi enviado à ilha de Guam - a 12.000 km de Roma - para investigar um caso de abusos sexuais que remonta aos anos 70. De acordo com alguns teria sido um castigo do Papa, mas, na realidade, quando o Papa foi informado já o Cardeal já estava na ilha do Pacífico.

Cardeal Burke, como surgiu esta missão na ilha de Guam?

A missão nasceu de um pedido da Congregação para a Doutrina da Fé para que eu servisse como presidente do seu Tribunal Apostólico. Vou ter que lidar com um caso delicado de direito eclesiástico penal.

Por que razão foi escolhido?

O Papa confiou o caso à Congregação, e a Congregação procedeu de acordo com as normas para a constituição dos membros do Tribunal. Seja como for, penso ter sido escolhido com base nos meus estudos de direito canónico e a minha longa experiência com processos eclesiásticos.

Então não foi o Papa a pedir-lhe para ir?

O Papa nunca falou comigo sobre esta missão. Eu lidei exclusivamente com os superiores da Congregação para a Doutrina da Fé, que é o procedimento habitual nestes casos.

Quanto tempo irá durar essa tarefa na ilha de Guam?

A parte da minha missão que deve ter lugar em Guam será concluída brevemente. Não se sabe quanto tempo será necessário para completar toda a instrução da causa, mas espero terminar o trabalho antes do Verão.

Muitos têm dito que seria uma "punição" do Papa, porque o Cardeal Burke seria um opositor. É verdade?

Não, não vejo esta missão como uma punição do Papa e certamente não a estou vivendo como um castigo! É normal que um Cardeal, de acordo com a sua preparação e disponibilidade, possa receber atribuições especiais para o bem da Igreja. Eu não fiquei surpreendido com o pedido da Congregação para a Doutrina da Fé e aceitei, consciente da grande responsabilidade que implicava, mas sem pensar em outras motivações por parte do Papa Francisco ou da Congregação.

in stanzevaticane.tgcom24.it


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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

13 imagens da coroação de Nossa Senhora de Fátima em Londres

Nossa Senhora de Fátima foi coroada pelo Cardeal Nichols na Catedral de Westminster, em Londres. O arcebispo de Westminster também re-consagrou a Inglaterra e o País de Gales ao Coração Imaculado de Maria. Esta cerimónia teve também como finalidade comemorar o centenário das aparições de Fátima.















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Dia da Cátedra de São Pedro




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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Os namorados devem viver juntos? Não é boa ideia, dizem os especialistas

Devem ir morar com o vosso namorado? Parece uma boa ideia porque querem conhecer mesmo bem a pessoa antes de lhe entregar a vossa vida. A maior parte dos namorados que vivem juntos e pensam casar vêem este esquema como uma boa maneira de experimentar, uma forma de terem a certeza de que são compatíveis antes de darem o nó. Afinal de contas, quem é que quer passar por um divórcio?

Pondo de parte todos os factores espirituais relacionados com o sexo antes do casamento, devíamos dar uma olhadela ao que os investigadores descobriram sobre viver juntos antes do casamento. Dois investigadores resumiram os seus resultados de muitos estudos ao dizer que "a expectativa de uma relação positiva entre a união de facto e a estabilidade do matrimónio foi destruída nos últimos anos por estudos feitos em vários países do Ocidente."[1] O que os estudos descobriram é isto: se não se querem divorciar, não vivam juntos até se casarem.

Porque é que é assim? Pensem nos seguintes factos sobre viver juntos antes do casamento: a maior parte dos casais que vivem juntos acabam por nunca se casar, mas os que realmente se casam têm uma taxa de divórcio de quase 80% mais alta do que os que esperaram até ao casamento para viverem juntos.[2] 

Os casais que viveram juntos antes do casamento também têm mais conflitos no matrimónio e pior comunicação, e vão mais frequentemente aos conselheiros de matrimónios.[3] 

As mulheres que viveram com outra pessoa antes do casamento têm uma probabilidade três vezes maior para enganar os seus maridos dentro do casamento.[4] O Departamento de Justiça dos EUA descobriu que as mulheres que vivem com o namorado antes do casamento têm sessenta e duas vezes mais probabilidade de serem agredidas pelo namorado-lá-de-casa do que por um marido.[5] 

Além disso têm três vezes mais probabilidade de ficarem deprimidas do que as mulheres casadas,[6] e os casais têm menor satisfação sexual do que os que esperaram por casar.[7]

Do ponto de vista da duração do matrimónio, paz no matrimónio, fidelidade no matrimónio, segurança física, bem-estar emocional e satisfação sexual, a união de facto não é bem a receita para a felicidade. Até o USA Today diz: "Poderá isto ser verdadeiro amor? Façam o teste no namoro, não a viver juntos antes do casamento."[8] Mesmo que não pensem que o vosso namorado vai ser um abusador ou que vão ficar deprimidas, as taxas de divórcio falam por si mesmas.

Como todos nós, vocês sonham com um amor que dura. Se querem mesmo fazer essa relação durar, salvem o vosso casamento antes dele começar e não vão viver com o vosso namorado antes do casamento.

in ChastityProject.com

[1]. William G. Axinn and Arland Thornton, “The Relation Between Cohabitation and Divorce: Selectivity or Casual Influence?” Demography 29 (1992), 357–374.
[2]. Cf. Bennett, et al., “Commitment and the Modern Union: Assessing the Link Between Premarital Cohabitation and Subsequent Marital Stability,” American Sociological Review 53:1 (February 1988), 127–138.
[3]. Elizabeth Thompson and Ugo Colella, “Cohabitation and Marital Stability: Quality or Commitment?” Journal of Marriage and the Family 54 (1992), 263; John D. Cunningham and John K. Antill, “Cohabitation and Marriage: Retrospective and Predictive Consequences,” Journal of Social and Personal Relationships 11 (1994), 90.
[4]. Koray Tanfer and Renata Forste, “Sexual Exclusivity Among Dating, Cohabiting, and Married Women,” Journal of Marriage and Family (February 1996), 33–47.
[5]. Chuck Colson, “Trial Marriages on Trial: Why They Don’t Work,” Breakpoint, March 20, 1995.
[6]. Lee Robins and Darrell Regier, Psychiatric Disorders in America: The Epidemiologic Catchment Area Study (New York: Free Press, 1991), 64.
[7]. Marianne K. Hering, “Believe Well, Live Well,” Focus on the Family, September 1994, 4.
[8]. William Mattox, Jr., “Could This be True Love? Test It with Courtship, Not Cohabitation,” USA Today, February 10, 2000, 15A (usatoday.com).


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Nossa Senhora de Fátima coroada em Londres

No passado Domingo, 19 de Fevereiro, Nossa Senhora de Fátima foi coroada pelo Cardeal Nichols em Londres. Neste vídeo os fiéis cantam o 'Avé de Fátima', na despedida da Santíssima Virgem.




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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Centenário de Fátima: A enorme Fé do beato Francisco Marto

No 13 de Junho de 1917 Nossa Senhora disse que viria buscar em breve para o Céu o Francisco e a Jacinta. Antes, a 13 de Maio, dissera que o Francisco, antes de ir para o Céu, teria de rezar muitos terços.

Sabendo que seria chamado em pouco tempo ao Paraíso, o Francisco mostrou pouco interesse em assistir às aulas. Várias vezes, chegando perto da escola, dizia à Lúcia e à Jacinta: "Vão vocês. Eu vou à igreja a fazer companhia ao Jesus escondido" (uma expressão que se refere ao Santíssimo Sacramento). Muitas testemunhas contemporâneas afirmam terem recebido favores depois de terem pedido a Francisco que rezasse por elas. 

Em Outubro de 1918, Francisco adoeceu gravemente. Aos membros de sua família que lhe asseguravam que ele iria curar-se da sua doença, ele respondia firmemente: "É escusado. Nossa Senhora quer que eu esteja com Ela no Céu!" No decurso da sua doença, continuou a oferecer sacrifícios constantes para consolar Jesus ofendido por tantos pecados. "Já falta pouco tempo para ir eu para o Céu", disse à Lúcia um dia. "Lá encima, vou consolar muito Nosso Senhor e Nossa Senhora; a Jacinta vai rezar muito pelos pecadores, pelo Santo Padre e por ti. Vais ficar aqui porque Nossa Senhora assim deseja. Escuta, faz tudo o que Ela te disser."

À medida que a sua doença piorou e quebrou o que era uma saúde robusta, Francisco já não tinha as forças para recitar o Rosário. "Mamã, já não consigo dizer o Rosário", disse em voz alta um dia, "parece que a minha cabeça está nas nuvens…" Ainda quando a força do seu corpo se perdia, a sua mente permanecia atenta à eternidade. Chamando o seu pai, pediu para receber Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento (ainda não tinha recebido a sua Primeira Comunhão nessa altura). 


Preparando-se para a confissão, pediu a Lúcia e a Jacinta que lhe lembrassem os pecados que ele tinha cometido. Ouvindo algumas travessuras que tinha cometido, o Francisco começou a chorar, dizendo, "Já confessei estes pecados, mas vou confessá-los outra vez. Talvez seja por causa destes que Jesus está tão triste. Peçam vocês também a Jesus que perdoe todos os meus pecados." Seguiu-se a sua primeira (e também a última) Sagrada Comunhão no quarto pequeno em que ele estava morrendo. Já sem forças para rezar, pediu a Lúcia e a Jacinta que recitassem o Rosário em voz alta para que pudesse seguir com o seu coração.
Foi vitimado pela pneumónica, que durante 5 meses não o largou. A sua morte aconteceu a 4 de Abril de 1919. Eis o relato da Irmã Lúcia:

"Com a chegada da noite, o seu estado de saúde agravou-se. No entanto, quando a mãe lhe perguntou como se sentia, respondia que não estava pior e que não lhe doía nada. Talvez não quisesse fazer sofrer a mãe, ou Nossa Senhora quisesse privilegiá-lo com uma agonia sem dores. No seu último dia passado na Terra, Sexta-Feira, a irmã e a prima passaram todo o tempo no quarto dele. Só os três sabiam que se aproximava a hora da partida para o Céu. Como já não tinha forças para rezar orações vocais, pediu-lhes que rezassem o Terço por ele.”

Pensava no Paraíso, como todos nós, de acordo com as experiências desta vida. Dizia que certamente, iria ter saudades da Lúcia no Céu e desejava que Nossa Senhora a levasse também. Quanto à irmã, já sabia que pouco tempo estaria sem ela no Céu. Quando se fez noite a Lúcia despediu-se dele. Com voz embargada pela comoção, disse-lhe:

- Queres mais alguma coisa? – perguntei-lhe com as lágrimas a correr-me também já pelas faces.
Foi a custo que respondeu:
- Não – me respondeu com voz sumida.
Como a cena se estava a tornar demasiado comovedora, minha tia mandou-me sair do quarto.
Então adeus, Francisco! Até ao Céu!
- Adeus, até ao Céu”.

Francisco estava apenas à esperava desta despedida. Nessa mesma noite, pelas dez horas, faleceu. Tinha completado dez anos, nove meses e quatro dias de idade, pois nascera a 11 de Junho de 1908, às dez horas da noite.

As suas últimas palavras foram para a madrinha, a quem pediu, alguns instantes antes de soltar o derradeiro suspiro, quando a viu assomar à porta, que o abençoasse e perdoasse os desgostos que lhe tivesse dado.

A suavidade da morte do Francisco impressionou as pessoas presentes em especial os seus pais que afirmam que, "sorriu para os mesmos", na hora da partida.
Conta-se que no último momento disse que via “uma luz muito bonita”.


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domingo, 19 de fevereiro de 2017

Morreu a responsável pela legalização do aborto nos Estados Unidos, que depois se arrependeu

Norma McCorvey foi 'Jane Roe'. Em 1970, persuadida por uma jovem advogada, alegou em tribunal (Estado do Texas) que a sua gravidez resultara de um estupro e exigia o direito ao aborto. Depois de sucessivos recursos o processo chegou ao Supremo Tribunal dos Estados Unidos. Este decidiu, há 44 anos, que a lei do Texas que impedia que Jane Roe acabasse com a vida da sua filha por nascer era inconstitucional . Mas em 1973, quando foi emitida a decisão, aquela criança já havia nascido e adoptada por uma família do Texas, sem ter consciência que tinha corrido sério risco de vida.

Existe uma mulher de 47 anos, nascida no Texas, que deveria estar morta; que jamais deveria ter nascido. Felizmente o processo que tinha como intento a sua morte demorou 3 anos e, assim, ela pôde nascer. E hoje, algures, talvez ainda no Texas, vive essa mulher de 47 anos. Talvez com um marido e uma família que não podem imaginar a vida sem ela. Talvez com belos filhos que muito ama e que muito a amam. Talvez com amigos para os quais a sua amizade foi fundamental nas suas vidas.

A Mãe dessa mulher, Norma McCorvey, arrependeu-se da sua luta a favor do aborto. Admitiu que nunca tinha sido estuprada e que tudo tinha sido combinado pela sua advogada de modo a ganharem o caso. Em 1998 converteu-se ao catolicismo. Passou os últimos 20 anos da sua vida a lutar contra o aborto, que tinha ajudado a legalizar. Morreu ontem, aos 69 anos. Que descanse em paz.

João Silveira


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sábado, 18 de fevereiro de 2017

Unidade na diversidade




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A doce morte de Santa Bernadette, vidente de Lourdes

Uma superiora visitou-a no leito das dores: 

- Que faz aqui, minha preguiçosa? disse sorrindo, amável. 
- Minha Madre, eu estou no meu ofício.
- E que ofício é o seu, minha filha?
- O meu ofício é sofrer e estar doente.

Mandaram-lhe um crucifixo para a cabeceira da cama.

- Sou mais feliz, - disse Bernadette - com o meu Cristo no leito de dores do que uma rainha no seu trono.

Às crises de asma, dolorosas e terríveis, juntaram-se os vómitos de sangue, a opressão do peito e dores intoleráveis causadas por um abcesso que se formou no joelho direito. Mais um tumor e uma aquilose. Os sofrimentos eram horríveis, e a vítima tinha já a face cadavérica. Não dormia um só instante. Às vezes, a natureza deixava escapar um grito de dor, mas a Irmã Maria Bernarda (Bernadette) humilhava-se e sorria heroicamente, repetindo:

- Perdão, meu Jesus! Meu Deus, eu vos ofereço o meu sofrimento! Meu Deus, eu vos amo!

O capelão do mosteiro disse-lhe que pensasse no Céu e que iria contemplar a beleza da Imaculada.

- Oh, respondeu ela, como este pensamento me faz bem!

Às vezes, murmurava com uma nostalgia do Céu:

- Oh Céu! Dizem que muitas almas não foram directamente para o Céu, porque não o desejaram bastante aqui no mundo. Isto não acontece comigo! Ah! Vamos para o Céu, trabalhemos, soframos pelo Céu, o resto nada vale.

A moléstia agravava-se cada vez mais. Ela sempre resignada. Disse, então:

- Ó cruz, vós sois o altar no qual eu me quero sacrificar com Jesus agonizante. O coração de Jesus é o meu tesouro. No coração de Jesus viverei e morrerei em paz no meio dos sofrimentos.

Despojou-se de tudo que possuía, isto é, algumas imagens e santinhos. Só conservou um crucifixo.

- Só tenho necessidade dele. Só ele me basta.

Depois da festa de São José, disse:

- Eu pedi a São José uma só graça: a graça de uma boa morte.

No dia 28 de Março, a superiora perguntou-lhe se desejava receber a extrema-unção. Aceitou-a com alegria! Às duas horas da tarde, o capelão administrava-lhe o sacramento dos enfermos. Recebeu-o com edificante fervor em presença de uma boa parte da comunidade.

- Minhas irmãs, peço-vos perdão por todos os aborrecimentos e trabalhos que vos dei, das minhas infidelidades na vida religiosa e do mau exemplo que dei às minhas companheiras, sobretudo pelo meu orgulho.

O olhar de Bernadette, durante toda a doença, conservou-se belo, vivo, impressionante. Era aquele olhar da visão de Massabielle.

O demónio tentava-a, Nosso Senhor permitia, a fim de purificar ainda mais aquela almazinha privilegiada. Ela ficava num estado de agonia dolorosa e horrível, com a face em expressão de espanto, e repetia:

- Vai-te, Satanás! Vai-te, Satanás!

O capelão disse-lhe:

- Ofereça a Jesus o sacrifício da vida, minha filha.
- Que sacrifício, meu padre? Não é sacrifício deixar esta pobre terra, onde se encontra tanta dificuldade para servir a Deus!

Perguntaram-lhe:

- Sofre muito, minha irmã?
- Sim, mas tudo é bom para o Céu, respondeu com doce resignação.
- Eu vou pedir à boa Mãe do Céu que lhe dê alguma consolação, minha Irmã Maria Bernarda.
- Não, não, - repetiu ela, - não peça consolações. Peça a Nossa Senhora força e paciência para mim. Só isto...

Quarta-Feira Santa, o capelão foi chamado às pressas para a Irmã Maria Bernarda. Ela estava na poltrona, sentada, sem poder respirar, num martírio cruel. Confessou-se pela última vez. 

- Minha filhinha - disse-lhe a Madre superiora - agora está na cruz, não é?

Bernadette abriu os braços em forma de cruz e murmurou:

- Meu Jesus! Meu Jesus! Oh! Como vos amo!

Para não perder o crucifixo, pediu que lho pregassem ao peito. Recitaram a oração dos agonizantes. Repetia todas as jaculatórias que lhe diziam ao ouvido.

Uma hora antes da morte, ficou tranquila, fitou um ponto do alto. Depois exclamou, feliz:

- Oh! Oh! Oh!

E alguns segundos depois:

-- Meu Deus, eu vos amo de todo o meu coração, de toda a minha alma, com todas as minhas forças.

Tomou o crucifixo, beijou-o, pediu perdão à comunidade e disse:

- Eu tenho sede!

Deram-lhe água. Apenas molhou os lábios.

Fez o sinal da cruz, aquele admirável sinal da cruz que só ela sabia fazer.

Murmurou alguns instantes depois:

- Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por mim, pobre pecadora... pobre pecadora...

E expirou suavemente.

Eram três horas e um quarto de tarde de Quinta-Feira Santa, 16 de Abril de 1879.

Mons. Ascânio Brandão in 'Santa Bernadete, a confidente de Lourdes', Ed. Vozes, 1956, 3ª. Edição


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O destino dos mornos, segundo Dante

Logo que entrei ouvi gritos terríveis, suspiros e prantos que ecoavam pela escuridão sem estrelas. Os lamentos eram tão intensos que não me contive e chorei. Gritos de mágoa, lutas, queixas iradas em diversas línguas formavam um tumulto que tinha o som de uma ventania. Eu, com a cabeça já tomada de horror, perguntei:

- Mestre, quem são essas pessoas que sofrem tanto?

- Este é o destino daquelas almas que não procuraram fazer o bem divino, mas também não procuraram fazer o mal. - respondeu o Mestre. - Misturam-se com aquele coro de anjos que não foram nem fiéis nem infiéis ao seu Deus. Tanto o Céu como o inferno os rejeitam.

- Mestre - continuei -, a que pena tão terrível estão esses coitados submetidos para que se lamentem tanto?

- Em poucas palavras: Estes espíritos não têm esperança de morte nem de salvação. O mundo não se lembrará deles, a misericórdia e a justiça ignoram-nos. Deixa-os. Olha, e passa.

E então olhei e vi que as almas formavam uma grande multidão, correndo atrás de uma bandeira que nunca parava. Estavam todas nuas, expostas a picadas de enxames de vespas que as feriam em todo o corpo. O sangue escorria, junto com as lágrimas até os pés, onde vermes doentes ainda os roíam.

Dante Alighieri in Divina Comédia, Canto III


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