quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Será o Celibato uma vida de repressão sexual?

Recentemente, um "ex-Padre" Católico apareceu no programa da Oprah para defender a sua escolha de deixar o seu ministério para se casar. Este padre combateu o seu desejo por esta mulher durante vários anos e finalmente decidiu que as suas únicas opções eram casar-se com ela ou reprimir os seus desejos sexuais. De facto, como anunciou à audiência internacional, a “repressão” é a única escolha para quem permanece celibatário.

Será isto verdade? Será que as nossas únicas opções no que diz respeito ao desejo sexual são “ceder” ou “reprimir”? De certeza que para um mundo dominado pela luxúria sexual, o celibato vitalício parece absurdo. A atitude geral do mundo em relação ao celibato Cristão pode resumir-se a isto: “Olhem, o casamento é a única hipótese “legítima” que vocês, os Cristãos, têm de satisfazer os vossos desejos sexuais. Porque diabo haviam de desperdiçar isso? Iriam condenar-se a uma vida de repressão sem esperança.”

A diferença entre casamento e celibato, no entanto, nunca deve ser entendida como a diferença entre ter uma saída legítima para o desejo sexual por um lado e ter de o reprimir por outro. Cristo chama todos – independentemente da sua vocação particular – à experiência da redenção pelo domínio da concupiscência. Apenas nesta perspectiva é que as vocações cristãs (casamento e celibato) fazem sentido. Ambas as vocações – se forem vividas como Cristo pretende – decorrem da mesma experiência da redenção da sexualidade.

Em primeiro lugar, o casamento não é uma saída legítima para satisfazer os desejos sexuais. Como o Papa João Paulo II uma vez realçou, os esposos podem cometer “adultério no coração” um com o outro se se tratam um ao outro apenas como um escape para a auto-gratificação. Sei que é um cliché mas porque é que tantas mulheres se queixam de dores de cabeça quando os seus maridos querem sexo? Será porque se sentem usadas em vez de amadas? É a isto que a luxúria conduz: à utilização das pessoas, não a amá-las.

A libertação do domínio da concupiscência – essa desordem dos afectos causada pelo pecado original – é essencial, ensina-nos João Paulo II, se queremos viver as nossas vidas “na verdade” e experimentar o plano divino para o amor humano. De facto, o ethos sexual cristão “está sempre associado… com a libertação do coração do domínio da concupiscência”. E essa libertação é igualmente essencial para os que vivem o celibato consagrado, os solteiros ou os casados. 

É precisamente essa liberdade que nos permite descobrir o que João Paulo II chamou a “pureza amadurecida”. Na pureza amadurecida “O homem apercebe-se dos frutos da vitória sobre a concupiscência”. Esta vitória é gradual e certamente permanece frágil aqui na terra, mas não deixa de ser real. Para os que são agraciados com os seus frutos, um mundo novo abre-se – uma nova forma de ver, pensar, viver, falar, amar, rezar. 

O acto conjugal torna-se uma experiência de contacto com o sagrado, impregnada de graça, em vez de uma grosseira satisfação do instinto. E o celibato cristão torna-se uma forma libertadora de viver a sexualidade como “um dom total de si” por Cristo e pela Sua Igreja.

João Paulo II observou que o celibatário tem de submeter “a tendência para o pecado da sua humanidade aos poderes que fluem do mistério da redenção do corpo… tal como qualquer outra pessoa faz”. É por esta razão, indica ele, que a vocação ao celibato não é apenas uma questão de formação, mas de transformação. A pessoa que vive esta transformação não está dominada pela necessidade de ceder aos seus desejos. Está livre com o que João Paulo II chamou a “liberdade do dom”. Isto significa que os desejos não controlam a pessoa; mas é a pessoa que controla os seus desejos.

Resumindo, a verdadeira liberdade sexual não é a liberdade de ceder às compulsões, mas liberdade da compulsão de ceder. Apenas uma pessoa com essa liberdade é capaz de fazer de si um dom livre no amor… tanto no casamento, como numa vida de devoção consagrada a Cristo e à Igreja. Porque a pessoa que é livre desta forma, sacrificando a expressão genital da sua sexualidade por um bem tão grande como as Núpcias Eternas de Cristo com a Igreja, não só se torna uma possibilidade, mas até bastante atraente.

Christopher West


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A vida e martírio de Santa Cecília, padroeira dos músicos



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terça-feira, 21 de novembro de 2017

Nossa Senhora de Fátima pediu o Terço todos os dias mas...e a Missa diária?

A Irmã Lúcia responde a uma pergunta que lhe foi feita muitas vezes desde que Nossa Senhora lhe apareceu em Fátima: 

Qual terá sido o motivo por que Nossa Senhora nos mandou rezar o Terço todos os dias, e não mandou ir todos os dias assistir e tomar parte na Santa Missa?

Trata-se de uma pergunta que me tem sido feita muitas vezes, e à qual gostava de dar resposta agora. Certeza absoluta do porquê não a tenho, porque Nossa Senhora não o explicou e a mim também não me ocorreu de Lho perguntar. Digo, por isso, simplesmente o que me parece e me é dado compreender a este respeito. Na verdade, a interpretação do sentido da Mensagem deixo-a inteiramente livre à Santa Igreja, porque é a Ela que pertence e compete; por isso, humildemente e de boa vontade me submeto a tudo o que Ela disser e quiser corrigir, emendar ou declarar.

A respeito da pergunta acima feita, penso que Deus é Pai; e como Pai acomoda-se às necessidades e possibilidades dos Seus filhos. Ora, se Deus, por meio de Nossa Senhora, nos tivesse pedido para irmos todos os dias participar e comungar na Santa Missa, por certo haveria muitos a dizerem, com justo motivo, que não lhes era possível. Uns, por causa da distância que os separa da igreja mais próxima onde se celebra a Eucaristia; outros, porque não lho permitem as suas ocupações, os seus deveres de estado, o emprego, o seu estado de saúde, etc. Ao contrário, a oração do Terço é acessível a todos, pobres e ricos, sábios e ignorantes, grandes e pequenos.

Todas as pessoas de boa vontade podem e devem, diariamente, rezar o seu Terço. E para quê? Para nos pormos em contacto com Deus, agradecer os Seus benefícios e pedir-Lhe as graças de que temos necessidade. É a oração que nos leva ao encontro familiar com Deus, como o filho que vai ter com o seu pai para lhe agradecer os benefícios recebidos, tratar com ele os seus assuntos particulares, receber a sua orientação, a sua ajuda, o seu apoio e a sua bênção.

Dado que todos temos necessidade de orar, Deus pede-nos, digamos como medida diária, uma oração que está ao nosso alcance: a oração do Terço, que tanto se pode fazer em comum como em particular, tanto na igreja diante do Santíssimo como no lar em família ou a sós, tanto pelo caminho quando de viagem como num tranqüilo passeio pelos campos. A mãe de família pode rezar enquanto embala o berço do filho pequenino ou trata do arranjo de casa. O nosso dia tem vinte e quatro horas...não será muito se reservarmos um quarto de hora para a vida espiritual, para o nosso trato íntimo e familiar com Deus!

Por outro lado, eu creio que, depois da oração litúrgica do Santo Sacrifício da Missa, a oração do santo Rosário ou Terço, pela origem e sublimidade das orações que o compõem e pelos mistérios da Redenção que recordamos e meditamos em cada dezena, é a oração mais agradável que podemos oferecer a Deus e de maior proveito para as nossas almas. Se assim não fosse, Nossa Senhora não o teria recomendado com tanta insistência.

Ao dizer Rosário ou Terço, não quero significar que Deus necessite que contemos as vezes que Lhe dirigimos as nossas súplicas, os nossos louvores ou agradecimentos. Certamente Deus não precisa que os contemos: n''Ele tudo está presente! Mas nós precisamos de os contar, para termos a consciência viva e certa dos nossos actos e sabermos com clareza se temos ou não cumprido o que nos propusemos oferecer a Deus cada dia, para preservarmos e aumentar o nosso trato de directa convivência com Deus, e, por esse meio, conservarmos e aumentarmos em nós a fé, a esperança e a caridade.

Direi ainda que, mesmo aquelas pessoas que têm possibilidade de tomar parte diariamente na Santa Missa, não devem, por isso, descuidar-se de rezar diariamente o seu Terço. Bem entendido que o tempo apropriado para a oração do Terço não é aquele em que toma parte na Santa Missa. Para estas pessoas, a oração do Terço pode considerar-se uma preparação para melhor participarem da Eucaristia, ou então como uma ação de graças pelo dia afora.

Não sei bem, mas do pouco conhecimento que tenho do trato directo com as pessoas em geral, vejo que é muito limitado o número das almas verdadeiramente contemplativas que mantêm e conservam um trato de íntima familiaridade com Deus que as prepare dignamente para a recepção de Cristo, na Eucaristia. Assim, também para estas, se torna necessária a oração vocal, o mais possível meditada, ponderada e reflectida, como o deve ser o Terço.

Há muitas e belas orações que bem podem servir de preparação para receber Cristo na Eucaristia e para manter o nosso trato familiar de íntima união com Deus. Mas não me parece que encontremos alguma mais que se possa indicar e que melhor sirva para todos em geral, como a oração do Terço ou Rosário. Por exemplo, a oração da Liturgia das Horas é maravilhosa, mas não creio que possa ser acessível a todos, nem que alguns dos salmos recitados possam ser bem compreendidos por todos em geral. É que requer uma certa instrução e preparação que a muitos não se pode pedir.

Talvez por todos estes motivos e outros que nós não conhecemos, Deus, que é Pai e compreende melhor do que nós as necessidades dos Seus filhos, quis pedir a reza diária do Terço condescendendo até ao nível simples e comum de todos nós para nos facilitar o caminho do acesso a Ele.

Enfim, tendo presente o que nos tem dito, sobre a oração do Rosário ou Terço, o Magistério da Igreja ao longo dos anos - alguma coisa vos recordarei mais adiante -, e o que Deus, por meio da Sua Mensagem, tanto nos recomenda, podemos pensar que aquela é a fórmula de oração vocal que a todos, em geral, mais nos convém, e da qual devemos ter sumo apreço e na qual devemos pôr o melhor empenho para nunca a deixar. Porque melhor do que ninguém, sabem Deus e Nossa Senhora aquilo que mais nos convém e de que temos mais necessidade. E será um meio poderoso para nos ajudar a conservar a fé, a esperança e a caridade.

Mesmo para as pessoas que não sabem ou não são capazes de recolher o espírito a meditar, o simples ato de tomar as contas na mão para rezar é já um lembrar-se de Deus, e o mencionar em cada dezena um mistério da vida de Cristo é já recordá-los, e esta recordação deixará acesa nas almas a terna luz da fé que sustenta a mecha que ainda fumega, não permitindo assim que se extinga de todo.

Pelo contrário, os que abandonam a oração do Terço e não tomam diariamente parte no Santo Sacrifício da Missa, nada têm que os sustente, acabando por se perderem no materialismo da vida terrena.

Assim, o Rosário ou Terço é a oração que Deus, por meio da Sua Igreja e de Nossa Senhora, nos tem recomendado com maior insistência para todos em geral, como caminho e porta de salvação: «Rezem o Terço todos os dias» (Nossa Senhora, 13 de Maio de 1917).

Irmã Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado in 'Apelos da Mensagem de Fátima' (Edição: Secretariado dos Pastorinhos, Fátima - Portugal - 2000, págs. 115-124


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Apresentação de Nossa Senhora no Templo

Bendita a Vossa Pureza!
Eternamente bendita!
Que até Deus Se delicia
Com tão graciosa beleza!
A Vós, celeste Princesa
Sagrada Virgem Maria
Vos ofereço neste dia
Alma, vida e coração!
Olhai-me com compaixão!
Não me deixeis, ó Maria!


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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Ordenações Sacerdotais na Fraternidade de São Pedro

A Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP), um Instituto que celebra exclusivamente o Rito Tradicional, pode contar com novos sacerdotes nas suas fileiras. A ordenação foi feita na Alemanha pelo Arcebispo de Vaduz (Liechtenstein), Mons. Wolfgang Haas. Louvado seja Deus!










Para ver o resto das fotografias: Ordenações FSSP


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Director da Faculdade de Teologia chama "Espectáculo Tartufiano" à Missa celebrada pelo Cardeal Burke em Fátima

O Reitor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica, o franciscano Pe. João Lourenço, resolveu insultar o Cardeal Burke e a Missa que celebrou em Fátima chamando-lhe "Espectáculo Tartufiano", um termo bastante ofensivo (pelo menos para quem sabe o que significa). Isto aconteceu no programa televisivo da Agência Ecclesia, órgão de comunicação da Conferência Episcopal Portuguesa.

O Pe. João Lourenço junta-se à lista de sacerdotes portugueses que se deram ao trabalho de atacar o Cardeal Burke depois da sua recente visita a Portugal. A Missa Tradicional celebrada pelo Cardeal no Santuário de Fátima (Basílica da Santíssima Trindade) criou várias reacções negativas, especialmente por parte do clero, apesar de estar consagrada na Lei da Igreja.

Resta saber onde estavam todos estes críticos quando o altar da Capelinha do Santuário de Fátima foi profanado com um ritual hindu. Ou por que não denunciam também os escandalosos abusos litúrgicos que acontecem todos os Domingos (para não dizer diariamente) em tantas paróquias portuguesas. Seria interessante saber que adjectivo poderia ser usado para esses tristes espectáculos. Tartufiano já não dá...


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domingo, 19 de novembro de 2017

9 citações do Papa João XXIII em defesa do Latim

1 - "Não sem a disposição da Divina Providência, aconteceu que a língua (latina), que por muitos séculos unira tantos povos sob o Império Romano, se tornasse a própria língua da Sé Apostólica e, preservada para a posteridade, reuniu num estreito vínculo, uns com os outros, os povos cristãos da Europa."

2 - "De facto, pela sua própria natureza, a língua latina está apta a promover junto a qualquer povo toda a forma de cultura; pois que ela não suscita invejas, apresenta-se imparcial a todos os povos, não se constitui em privilégio de ninguém, em fim é totalmente aceita e amiga."

3 -"Não podemos esquecer que a língua latina tem nobreza de estrutura léxica, visto que oferece a possibilidade de «um estilo conciso, rico, harmonioso, cheio de majestade e de dignidade» (Pio XI, Epist. Ap. Officiorum omnium, 01/08/1922: A.A .S. 14), que de modo especial consegue clareza e gravidade."

4 - "Por estes motivos a Santa Sé tem cuidadosamente zelado na conservação e progresso da língua latina e a considera digna de ser utilizada como « magnífica vestimenta da doutrina celeste e das santíssimas leis» (Pio XI, Motu Proprio Litterarum Latinarum, 20/10/1924), no exercício do seu magistério, e quer ainda que seus ministros a utilizem."

5 - «O pleno conhecimento e uso dessa língua, tão ligada à vida da Igreja, não interessa tanto à cultura e às letras quanto à Religião» (Pio XI, Epist. Ap. Officiorum omnium, 01/08/1922), "como disse nosso Predecessor...; o qual, ocupando-se cientificamente do assunto, reuniu três dons desta língua, de modo admirável conforme a própria natureza da Igreja: «De fato, a Igreja, como mantém unidos na sua amplitude todos os povos e durará até a consumação dos séculos... requer, pela sua natureza, uma língua universal, imutável, não vulgar» (Ibidem).

6 - "É necessário que a Igreja utilize uma língua não só universal, mas também imutável. Se, de facto, a verdade da Igreja Católica fosse confiada a algumas ou a muitas das línguas modernas, sujeitas a uma contínua mudança, as quais nenhuma tem maior autoridade e prestígio sobre as outras, resultaria sem dúvida que, devido à sua variedade, não ficaria manifesto para muitos com suficiente precisão e clareza o sentido de tais verdades, nem, por outro lado, se disporia de alguma língua comum e estável, para confrontar o sentido das outras."

7 - "Enfim, visto que a Igreja Católica, por ter sido fundada por Cristo Nosso Senhor, excede sem medida em dignidade sobre todas as sociedades humanas, é sumamente conveniente que ela use uma língua não popular, mas rica de majestade e de nobreza."

8 - "Além disso, a língua latina, que «justamente podemos chamar de católica» (ibidem), pois que é própria da Sede Apostólica, mãe e mestra de todas as Igrejas, e consagrada pelo uso perene, deve ser mantida como « tesouro de incomparável valor» (Pio XII, Alloc. Magis quam, 23/11/1951) e como porta pela qual se abre a todos o acesso às mesmas verdades cristãs, vindas dos tempos antigos, para interpretar o testemunho da doutrina da Igreja (Leão XIII, Epist. Encicl. Depuis le jour, 08/09/1899) e, finalmente, como vínculo mais que idóneo, mediante o qual a época actual da Igreja se mantém unida com os tempos passados e com os tempos futuros de modo admirável».

9 - "Nos nossos dias, o uso do latim é objecto de controvérsia em muitos lugares e, consequentemente, muitos perguntam qual é o pensamento da Sé apostólica sobre este ponto. Por isso nós decidimos tomar medidas oportunas, enunciadas neste solene documento, para que o uso antigo e ininterrupto do latim seja plenamente mantido e restabelecido onde ele quase caiu em desuso."

Todas as citações foram retiradas da Constituição Apostólica 'Veterum Sapientiae' (sobre o uso do latim) e escolhidas pelo site Monfort


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"Pedro está aqui"

Fui rezar a um cemitério. Demorei-me junto do lugar onde estão sepultados alguns amigos e recordei muitos outros. Percorrendo aqueles caminhos, reparei nos jazigos, alinhados como numa cidade, pequenos ou grandes, piedosos ou indiferentes, e rezei por uma imensa multidão que só Deus conhece. Quanto sofrimento, quanto amor generoso, quanta alegria, quantos sonhos, quantos fracassos, quantas surpresas... assim é a vida humana.

Há cemitérios curiosos. Recordo ter visitado um cemitério em Edimburgo (os autóctones pronunciam «Edimbôrao») com apelidos invulgares que passaram para os personagens do «Harry Potter»: lá está a origem do Prof. Aberforth Dumbledore e de um cortejo de outros. Curiosidades!...

Ontem mesmo, num cemitério de Lisboa, li inscrições profundas e frases superficiais. Por exemplo, uns pais declararam-se «inconsoláveis» e, ao fim de muitas décadas, já mortos os pais, os filhos e os netos, a inscrição, em letras exuberantes, ligeiramente gastas pelos anos, continua a gritar aquela «dor inconsolável». Chamou-me a atenção um jazigo desprovido de referências a Deus, de um barão – não reparei no nome –, cuja legenda era «trabalha ainda que morras». Doeu-me a inconsistência da frase, própria de uma vida sem sentido, e rezei por ele. Pode ter sido bom homem, quem sabe o drama que o levou a gravar na pedra uma ideia tão absurda?

Por todo o mundo há cemitérios, mas há uns, em Roma, absolutamente únicos. O costume das civilizações pagãs era cremar os corpos e por isso só guardavam cinzas. A excepção eram os judeus, e depois os cristãos, que preferiam sepultar o corpo, como manifestação de fé na ressurreição. 

Em Roma, o cruzamento desta devoção com a singularidade da geologia local produziu as catacumbas. O terreno de Roma é um tufo, homogéneo, consistente, fácil de escavar. Por isso, à falta de espaço disponível à superfície, os cristãos enterraram os seus mortos escavando. Cada enterro alongava um pouco mais a galeria e assim se formaram quilómetros de corredores subterrâneos, com tumbas de ambos os lados. A oração pelos mortos habitou de vida aquela rede enorme, por baixo da cidade. Ao chegar junto de mártires, o corredor alargava-se para acolher uma assembleia maior na Eucaristia. Quem for a Roma não perca a oportunidade de mergulhar no subsolo e percorrer uns quilómetros nestas galerias de oração.

No entanto, o mais extraordinário cemitério romano começou ao ar livre. Começou como um cemitério pagão, na colina vaticana, perto de um parque de jogos. No ano 64 depois de Cristo, um incêndio devastou Roma, um temporal no Adriático afundou toda a esquadra e ocorreram outras desgraças. Perante o descontentamento geral, o imperador Nero arranjou uma solução: os culpados eram os cristãos! Não que eles ateassem fogos, ou soprassem ventos ciclónicos, o mal eram eles mesmos, eles eram o mau-olhado que atraía desgraças; se fossem mortos, acabavam-se as epidemias e os cataclismos. 

A matança que devia limpar Roma do mau-olhado ocorreu no aniversário do próprio Nero, no ano 67. As corridas de cavalos, os banquetes, a variedade dos jogos, atingiram um luxo e um sadismo fora do comum. À noite, as alamedas iluminaram-se com os corpos de cristãos a arderem como tochas. Foi nesta festa que S. Pedro, o primeiro Papa, foi crucificado de cabeça para baixo e depois sepultado na vertente da colina. Nos dias seguintes, continuaram a morrer cristãos, à medida que os apanhavam. S. Paulo morreu decapitado nesse mesmo ano.

Entretanto, o pequeno túmulo de Pedro, foi sendo cuidado. Um pequeno muro, para conter a terra, depois, um alpendre apoiado em duas colunas... Passados dois séculos e meio, o imperador Constantino converteu-se e decidiu erguer uma basílica sobre a pequena sepultura. Fechou o cemitério e fez um aterro na vertente da colina, para criar uma plataforma em que pudesse assentar o edifício. O local era muito inclinado, mas Constantino queria a igreja ali, com o altar por cima da sepultura de Pedro. 

Os séculos trouxerem inovações, mas todos os altares posteriores se mantiveram fiéis àquela linha vertical, uns por cima dos outros. Chegaram ao século XX notícias detalhadas das construções que estavam por baixo, mas ninguém as via. Decidiu-se, assim, escavar um túnel a partir da base da antiga colina, para descobrir o que estava por baixo do aterro de Constantino e de todas as construções edificadas sobre ele. 

Os trabalhos coincidiram com a segunda guerra mundial e prolongaram-se até 1965. Encontrou-se tudo conforme diziam os documentos antigos e, no sítio preciso, num jazigo muito pobre, mas envoltos em púrpura dourada, os ossos de um homem robusto, de idade avançada. Por cima, em grego, «Pedro está aqui» e louvores a Cristo, à Santíssima Trindade, a Nossa Senhora. Garanto: o percurso por baixo de terra, através do antigo cemitério romano, até à tumba de Pedro, é uma experiência inesquecível. 

José Maria C.S. André in Correio dos Açores


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sábado, 18 de novembro de 2017

Não é possível ver estas imagens e ser a favor do aborto livre

Estas imagens espantosas foram registradas pelo fotógrafo Lennart Nilsson em 1965. Convém relembrar que em 1965 o aborto era ilegal em quase todos os países do Mundo. Não obstante estas evidências que a vida humana começa na concepção os governantes iníquos legalizaram, e continuam a legalizar, o maior genocídio de todos os tempos: o aborto.

Uma semana depois da concepção, o embrião viaja pelas trompas em direcção ao útero

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Depois de mais uma semana, o embrião fixa-se nas paredes do útero

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O embrião com 22 dias. A área cinzenta será o cérebro da criança

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No 18º dia, o coração começa a bater.

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28 dias após a fecundação

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Com 5 semanas, o feto tem 9 milímetros. A boca e os olhos começam a ser formados.

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Feto com 40 dias. A placenta começa a tomar forma.

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Feto com 8 semanas.

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Agora o feto tem 10 semanas. As pálpebras estão quase formadas.

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Com dez semanas, o feto já mexe as mãos para testar os movimentos

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Feto com 16 semanas.

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As veias são visíveis através da pele

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Com 18 semanas, o feto já é capaz de ouvir sons externos.

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Unhas surgem às 19 semanas

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20 semanas. O feto agora tem 20 centímetros. Os cabelos começam a crescer.

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24 semanas

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6 meses

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36 semanas. Daqui a um mês, o bebê irá nascer.

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adaptado de Awebic


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Começa hoje a Novena de Nossa Senhora das Graças (Medalha Milagrosa)

Quando Nossa Senhora das Graças apareceu a Santa Catarina Labouré pediu-lhe que fizesse uma medalha, através da qual teria muitas graças para dar a quem a usasse com devoção. Foram tantos os milagres que hoje em dia é conhecida como "Medalha Milagrosa".

Quem quiser fazer a Novena de Nossa Senhora da Graças e da Medalha Milagrosa deverá rezar em cada um dos 9 dias da Novena: 

1 Pai Nosso, 10 Avé Marias e 1 Glória ao Pai. De seguida fazer a seguinte oração:

Ó Maria concebida sem pecado
Sobre Ti desceu o Espírito Santo 
E Tu nos deste o Teu filho.

Ó Maria, confidente de Santa Catarina
Ensina-nos a sentar ao pé do Senhor
Para escutar a Sua palavra e guardá-la no nosso coração.

Ó Maria, de pé junto da cruz
Conduz-nos ao pé do altar 
Para que nos tornemos uma oferenda agradável ao Pai.

Ó Maria, Mãe da Igreja
Tu que transportas o mundo e o ofereces a Deus
Roga por nós que recorremos a Ti.

Ó Maria, cumulada de Graças
Derrama os teus raios de luz
Sobre cada um de nós que tos pedimos

Ó Maria, ícone da humildade
Faz que usemos a medalha Santa
Como sinal do nosso amor aos corações de Jesus e Maria

Ó Maria, Serva do Senhor
Ajuda-nos a viver na Caridade como Santa Catarina
Que não cessa de interceder em nosso favor.

Ámen.

Depois desta oração, pedir a intenção pela qual se reza a Novena. Por fim, repetir 3 vezes a invocação ensinada por Nossa Senhora a Santa Catarina Labouré:

"Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós."


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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Comungar na mão não é um direito, é um indulto



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Padre Kentenich sobre o sacrifício da Missa

[O Cristão] consagra um amor especial ao Santíssimo Sacramento do altar, porque ali Jesus nos manifesta palpavelmente o seu amor e no-lo recorda com evidência a cada instante. A sagrada Eucaristia significa para ele a "vingança de um Deus moribundo!" Enquanto os homens se propõem matar o Filho de Deus, ele instituiu o sacramento do amor, a fim de permanecer sempre com eles, como sacrifício, como manjar e como amigo.

Vida e amor do cristão giram, principalmente, em torno do altar do sacrifício. A Santa Missa é o centro, o ponto de partida e convergência de toda a sua jornada diária. Para ele, a Santa Missa é o maior acontecimento do dia e o seu desejo mais ardente é converter a missa diária numa missa vivida. Não descansa até que a sua tarefa quotidiana se transforme numa continuação e acabamento da Santa Missa, com o seu ofertório, consagração e comunhão que se renovam sem cessar. Com grande intensidade ressoa nos seus ouvidos a palavra de São Paulo: "Mortem Domine annunciabitis..." Sempre que celebrardes ou comungardes anunciareis a morte do Senhor! 

Durante a Missa, ele é misteriosamente pregado, com Cristo, na sua cruz. E durante o dia aproveita todas as ocasiões para mostrar-se digno desta graça. Compreende as palavras que com frequência ouvimos dos primeiros cristãos: "Do altar à arena!" A sua arena é o trabalho quotidiano que procura realizar com a máxima perfeição. Não conhece angústias e cuidados desnecessários em relação ao passado e ao futuro. O passado já está sepultado no seio da misericórdia divina. 

Todos os seus cuidados e actividades são consagrados somente às vinte e quatro horas presentes, coroadas pela participação na Santa Missa. "De sacrificio in sacrificium" - De sacrifício em sacrifício! - é o lema. Pensa e vive somente de uma Missa a outra Missa. Bastam-lhe as preocupações e dificuldades de um dia, mas também as graças que lhe são concedidas diariamente com o sacrifício da Missa. 

Carrega a sua cruz apenas por um dia. Cumpre fielmente os seus deveres e procura ser forte, corajoso e alegre, somente no espaço de um dia. Amanhã recolherá novas graças no manancial que brota ao pé do altar. Nenhuma preocupação angustiosa o perturba, já que o seu pensamento e a sua vontade giram constantemente em Cristo e com Cristo, em torno do Pai. Não o molestam inquietudes e aflições por sua própria insuficiência, pois o Pai o contempla com grande amor, por causa de Jesus a quem está intimamente unido.

As ondas de pessimismo não o deprimem tanto, pois todos os dias é novamente incorporado, não só em Cristo padecente e agonizante, mas também em Cristo transfigurado que, com os seus anjos e santos, passa triunfalmente, vencendo as misérias deste mundo, louvando e glorificando ao Pai. Nesta perspectiva ele aprende a ver e a julgar com os olhos de Cristo os acontecimentos do tempo e do mundo.

A Santa Missa para ele não consiste apenas no Ofertório e Consagração, mas igualmente, na sagrada Comunhão. Por isso mantém-se firme no princípio: nenhuma Missa sem comunhão!

Também durante o dia procura visitar o seu Amigo divino presente no tabernáculo. Sente-se perfeitamente compreendido por Ele. Este Amigo ocupa-se com os seus interesses e o conduz mais seguramente ao Pai.

in Espiritualidade Laical de Schoenstatt


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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Uma bênção papal à antiga



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Oração de Santa Gertrudes pelas Almas do Purgatório

Eterno Pai, ofereço o Preciosíssimo Sangue de Vosso Divino Filho Jesus, em união com todas as Missas que hoje são celebradas em todo o Mundo, por todas as santas Almas do Purgatório, pelos pecadores, em todos os lugares, pelos pecadores, na Igreja Universal, pelos da minha casa e meus vizinhos. Ámen.


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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Um Padre desabafa: "Querem-nos casar à força!"

Querem-nos casar à força! Graças a Deus, a hipótese que se pode vir a pôr em cima da mesa é a de aceitar homens casados para a Ordenação e não o que muitos pensam (e até, sei lá porquê, queriam!) de permitir que os Padres se casem.

Também eu desejei casar e ter filhos. Mas Deus concedeu-me este dom que é o celibato. Insisto: é um DOM. O celibato não é fruto de um esforço inumano, desumano ou super-humano. É um dom de Deus a acolher, a cuidar e a rezar!

A Igreja (especialmente a latina) ao longo dos tempos tem percebido que este dom é de grande ajuda para que os seus Padres sejam mais claramente sinal da realidade do Céu, para a qual todos somos chamados a caminhar. Mas se se perde o horizonte, perde-se a razão. Se o Padre deixa de ser sinal da vida futura e é apenas uma profissão como qualquer outra neste mundo, então porque não podem ser casados? A pergunta é claramente pertinente.

Com a contínua perda do conceito sagrado de vocação (de modo especial da vocação sacerdotal), perdeu-se a noção do plano de Deus. Hoje tudo se escolhe segundo critérios que, por vezes, de divinos nada têm.

Vivemos um tempo de crise familiar (acima de tudo conjugal), porque se deixou de ver a vida como vocação, o Matrimónio como vocação (e também o Sacerdócio). Vocação entendida como um chamamento de Deus a uma vida de amor que é o seu próprio Amor (Caridade) a caminho do Céu e da plena comunhão na Caridade.

Ao perder-se isto, perde-se noção de toda a vida cristã e, então, já nada nos distingue do resto do mundo. Ao esquecer-se a Caridade (que é o maior fruto do Espírito Santo, e, por isso, sinal de uma vida espiritual incarnada), resta apenas a moralidade, ou, pior, o moralismo.

Com a crise familiar em que estamos e com a crise de espiritualidade que vivemos, será um risco enorme para as pessoas envolvidas (marido, mulher e filhos) e para a Igreja (latina e ocidental) permitir a ordenação a homens casados.

Na experiência recente de conferir o diaconado permanente a homens casados, têm-se assistido a problemas familiares, que seria bom serem bem avaliados antes de se dar esse passo. Infelizmente, não estou a falar de cor!

À imitação de S. Paulo, permiti que fale como um louco ao terminar este texto. Olhando para a realidade da Igreja como está, se eu amasse verdadeiramente a minha hipotética mulher e os meus hipotéticos filhos, nunca pediria o sacerdócio. Coitados deles! O povo de Deus sabe ser cruel. Como seria eu capaz de ouvir falar mal ou ver tratar mal aqueles que amasse assim? Eu nunca seria capaz de deixar que a minha hipotética mulher e os meus hipotéticos filhos fossem sujeitos aos impropérios, calúnias, maledicências a que eu estou sujeito!

Querem-nos casar à força! Mas eu, querendo ser Padre, por força do amor, nunca casaria!

Dominus nos benedicat, et ab omni malo defendat, et ad vitam perducat aeternam. Amen.

Um Padre


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A Igreja Católica inventou a Universidade




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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Entrevista do Cardeal Burke sobre os "dubia" um ano depois da sua publicação

O Cardeal Raymond Burke dirige um último pedido ao Papa Francisco para que esclareça as dúvidas, dizendo que a situação está cada vez pior, e afirmando a urgência que o Papa confirme os seus irmãos na Fé.

P. – Vossa Eminência, em que ponto estamos desde que, faz esta semana um ano, os “dubia” foram tornados públicos por Vossa Eminência, pelo Cardeal Walter Brandmüller, e pelos dois Cardeais recentemente falecidos, Carlo Caffarra e Joachim Meisner?

R. – Um ano depois da publicação dos “dubia” a respeito de “Amoris Laetitia”, que não receberam qualquer resposta por parte do Santo Padre, observamos que é cada vez maior a confusão acerca da interpretação da Exortação Apostólica. Torna-se por isso mais urgente ainda a minha preocupação pela situação da Igreja e pela sua missão no mundo. Naturalmente, continuo em contacto regular com o Cardeal Walter Brandmüller acerca destes assuntos de extrema gravidade. Ambos permanecemos em profunda unidade com os saudosos Cardeais Joachim Meisner e Carlo Cafarra, que nos deixaram nos últimos meses. É assim que de novo reitero a gravidade desta situação que se tem vindo a agravar continuamente.

P. – Muito se tem dito acerca dos perigos inerentes à natureza ambígua do Capítulo 8 de “Amoris Laetitia”, sublinhando-se como dá azo a interpretações diversas. Porque é que a clareza é tão importante?

R. – A clareza no ensinamento não implica de todo qualquer rigidez que pudesse impedir as pessoas de caminhar; bem pelo contrário, já que é precisamente essa clareza que vem trazer a luz necessária para se poder acompanhar as famílias a seguirem o caminho próprio dos discípulos de Cristo. É ao invés a obscuridade, e ela somente, que, impedindo que se enxergue o caminho, vem prejudicar a acção evangelizadora da Igreja, como nos diz Jesus: “Vem a noite, quando ninguém pode trabalhar” (Jo 9, 4).

P. – Poderia explicar algo mais, à luz dos “dubia”, acerca do que se está a acontecer na presente situação?

R. – A presente situação, longe de diminuir a importância dos “dubia” ou perguntas, torna-os ainda mais prementes. Não se trata de todo, como houve quem dissesse, de uma “ignorantia affectata”, que levanta dúvidas por não se querer aceitar um determinado ensinamento. Do que se trata nos dubia é sim, em vez disso, de determinar com precisão o que o Papa quis ensinar como sucessor de Pedro. 

Assim, as perguntas nascem precisamente do próprio reconhecimento daquele ofício petrino que o Papa Francisco recebeu de Nosso Senhor para confirmar na fé os seus irmãos, que é a sua finalidade. O Magistério é um dom de Deus à Igreja, para que faça clareza sobre pontos relativos ao depósito da fé. Afirmações em que falte essa mesma clareza, pela sua própria natureza, não podem ser qualificadas como expressões do Magistério.

P. – Do ponto de vista de Vossa Eminência, porque é que se torna tão perigoso que haja interpretações divergentes de “Amoris Laetitia”, em especial no que toca ao tratamento pastoral a dispensar a quantos vivam numa união irregular, e mais particularmente, no que diz respeito aos divorciados civilmente “recasados” que não vivem em perfeita continência e à questão de estes poderem ou não receber a Sagrada Eucaristia?

R. – É hoje evidente que foram sendo propostas várias interpretações, divergentes e até mesmo incompatíveis entre si, para certas indicações contidas em “Amoris Laetitia” e relativas a aspectos essenciais da fé e da prática da vida cristã. Este facto incontestável confirma que tais indicações aí contidas são ambivalentes e permitem diversas leituras, muitas das quais em contraposição com a doutrina católica. 

Assim sendo, as questões que nós Cardeais levantámos dizem respeito a saber o que foi exactamente que o Santo Padre ensinou e de que modo o seu ensinamento se harmoniza com o depósito da fé, dado que o magistério “não está acima da palavra de Deus, mas sim ao seu serviço, ensinando apenas o que foi transmitido, enquanto, por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, a ouve piamente, a guarda religiosamente e a expõe fielmente, haurindo deste depósito único da fé tudo quanto propõe à fé como divinamente revelado” (Concílio Vaticano II, Constituição dogmática “Dei Verbum”, n. 10).

P. – Não será que o Papa já não deixou claro qual seja a sua posição por meio da carta que endereçou a alguns bispos argentinos, na qual afirmou que “não há outra interpretação” senão a das linhas directrizes promulgadas por esses bispos – linhas directrizes essas que deixaram aberta a possibilidade de conviventes sexualmente activos não casados receberem a comunhão?

R. – Ao contrário do que foi dito entretanto, não podemos considerar como resposta adequada às questões levantadas a carta escrita pelo Papa pouco antes de receber os “dubia”, dirigida aos bispos da região de Buenos Aires e versando sobre as linhas directrizes estabelecidas por estes prelados. Por um lado, tais linhas directrizes podem elas próprias ser interpretadas de maneiras diferentes; e, por outro, não fica claro que a carta em questão seja um texto magisterial, mediante o qual o Papa tenha querido falar à Igreja universal enquanto sucessor de Pedro. 

O facto de que essa carta se tenha tornado conhecida porque houve uma fuga de informação para a imprensa – só depois tendo sido tornada pública pela Santa Sé – levanta uma dúvida razoável sobre se o Santo Padre teria a intenção de a dirigir à Igreja universal. Além do mais, seria bastante estranho – e contrário ao desejo manifestado explicitamente pelo Papa Francisco de deixar aos bispos de cada país a aplicação concreta de “Amoris Laetitia” (cf. AL, n. 3) – que agora o Papa viesse impor a toda a Igreja universal aquelas que são apenas as directivas concretas de uma pequena região. 

A ser assim, não deveriam porventura passar a considerar-se inválidas as diversas disposições promulgadas por vários bispos para as suas dioceses, desde Filadélfia até Malta? Um ensinamento que não é suficientemente determinado, seja quanto à respectiva autoridade como quanto ao seu efectivo conteúdo, não pode pôr em dúvida a clareza do ensinamento constante da Igreja, que, aliás, qualquer que seja o caso, permanece sempre normativo.

P. – Também está preocupado pelo facto de que certas conferências episcopais, ao permitirem que alguns divorciados “recasados” e que vivam “more uxorio” (isto é, que continuem a manter relações sexuais) possam receber a Sagrada Eucaristia sem um firme propósito de emenda, elas estejam com isso a contradizer o precedente ensinamento papal, em particular o contido na exortação apostólica  “Familiaris consortio”, do Papa São João Paulo II?

R. – Sim, os “dubia”, as nossas questões continuam em aberto. Quantos afirmam que disciplina ensinada por “Familiaris consortio” n. 84 mudou, mostram-se em oposição entre si logo que se trata de explicar as razões e as consequências. Alguns há que chegam ao ponto de defender que os divorciados com uma nova união e que continuam a viver “more uxorio” não se encontrariam num estado objectivo de pecado mortal (citando em seu apoio AL n. 303); outros negam esta interpretação (citando em seu apoio AL n. 305), e no entanto, deixam depois completamente entregue ao juízo da consciência a determinação dos critérios de acesso aos sacramentos. Parece pois que o objectivo dos intérpretes seja aquele de se chegar a todo o custo a uma mudança da disciplina, sem importar os argumentos que para tal fim se aduzam, e sem ter em consideração o quanto põem em perigo pontos essenciais do depósito da fé.

P. – Que efeito tangível tem tido esta mistura de interpretações?

R. – Tamanha confusão hermenêutica já produziu, de facto, um triste resultado. Verificamos que a ambiguidade a respeito de um ponto concreto da pastoral familiar conduziu alguns a propor uma mudança de paradigma acerca de toda a prática moral da Igreja, cujos fundamentos foram ensinados com autoridade por São João Paulo II na encíclica “Veritatis splendor”.

A verdade é que se activou um processo de subversão de partes essenciais da Tradição. No que toca à moral cristã, alguns sustentam que é necessário relativizar as normas morais absolutas e que se deve dar à consciência subjectiva, a uma consciência auto-referencial, um primado – em última análise equívoco –  em matéria de moral. Por conseguinte, o que aqui está em jogo não é um elemento tão-só secundário do “kerygma”, da mensagem fundamental do Evangelho. 

Do que estamos a falar é de saber se sim ou não, o encontro de uma pessoa com Cristo pode, por meio da graça de Deus, configurar o caminho da vida cristã, de modo a que este possa estar de acordo com o plano sapiente do Criador. Para melhor se compreender o alcance das mudanças que assim se propõem, basta pensar no que aconteceria se esse raciocínio viesse a ser aplicado a outros casos, como o do médico que pratica abortos, o do político que está ligado a uma rede de corrupção ou o de alguém que, estando em sofrimento, decida recorrer a uma modalidade de suicídio assistido…

P. – Alguns disseram que o efeito mais pernicioso é que tudo isto representa não só um ataque ao ensinamento moral da Igreja, mas também aos Sacramentos. De que modo?

R. – Para além do debate em torno da moral, está a provocar-se na Igreja uma erosão cada vez mais evidente do significado da sua prática sacramental, especialmente no que toca à Penitência e à Eucaristia. O critério decisivo para a admissão aos sacramentos sempre foi o da coerência do modo como uma pessoa vive com os ensinamentos de Jesus. Se agora, em vez disso, o critério decisivo passasse a ser a ausência de culpabilidade subjectiva das pessoas – como o fazem alguns dos intérpretes de “Amoris Laetitia” – não se estaria com isso a mudar também a própria natureza dos sacramentos? 

De facto, estes não são encontros privados com Deus nem meios sociológicos de integração comunitária. São sim sinais visíveis e eficazes da nossa incorporação em Cristo e na Sua Igreja, pelos quais e nos quais a Igreja professa publicamente a sua fé e a realiza. Assim, em se assumindo a culpabilidade subjectiva diminuída de uma pessoa ou a ausência de tal culpabilidade como critério decisivo para a admissão aos sacramentos, estar-se-ia a pôr em perigo a própria “regula fidei”, a regra da fé, que os sacramentos proclamam e realizam, não somente por meio de palavras mas também com gestos visíveis. Mais: como poderia a Igreja continuar a ser sacramento universal de salvação, se se esvaziasse de conteúdo o significado próprio dos sacramentos?

P. – Apesar de Vossa Eminência e muitos outros, incluindo mais de 250 académicos e sacerdotes que emitiram uma “correcção filial”, terem claramente sérias apreensões e reservas acerca dos efeitos destas passagens de Amoris Laetitia, e porque, até ao presente, não obteve ainda qualquer resposta por parte do Santo Padre, pode-se dizer que está aqui a dirigir-lhe um último apelo?

R. – Sim, por estas graves razões, um ano depois de se ter tornado públicos os “dubia”, de novo me dirijo ao Santo Padre e a toda a Igreja, sublinhando vigorosamente o quanto é urgente que o Papa, exercendo o ministério que recebeu do Senhor, confirme os seus irmãos na fé, com uma manifestação clara da doutrina atinente tanto à moral cristã como ao significado da prática sacramental da Igreja.

Sandro Magister in Settimo Cielo


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