segunda-feira, 24 de abril de 2017

Será racional acreditar sem ver?

São Tomé duvidou que Jesus tivesse ressuscitado e aparecido aos apóstolos. Quando Jesus voltou a aparecer, desta vez estando presente Tomé, repreende a sua falta de fé: "Porque me viste, acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto".

Muitos prosélitos do anti-cristianismo, citam habitualmente esta frase como prova que o 'Jesus dos evangelhos' pede que os homens abdiquem da sua racionalidade, e do seu sentido crítico. Neste caso, Tomé é visto como o verdadeiro homem racional, já que exige ver para acreditar.

Mas pensando um bocado melhor sobre este caso, lembramo-nos que, sendo Tomé um dos 12 apóstolos, tinha seguido Jesus, e testemunhado muitos dos episódios presentes nos evangelhos. O próprio Jesus profetizou o Seu próprio "destino" e disse por várias vezes que o Messias teria que morrer e ressuscitar. Por muito que os apóstolos não percebessem o que Ele estava para ali a dizer, alguma coisa deste estranho discurso deve ter ficado na memória.

Por outro lado, Jesus ressuscitado aparece aos apóstolos todos, com a excepção de Tomé que andava a passear. Eles contam-lhe o que aconteceu. Os seus amigos, os seus melhores amigos, com quem passou a parte mais importante da sua vida, com quem partilhava tudo, asseguram-lhe que estiveram com o Mestre ressuscitado, mas Tomé exige ver para crer.

Esta exigência é racional? Não, muito pelo contrário. A razão é abertura à realidade na totalidade dos seus factores, e Tomé, assim como tanta gente, quer reduzir a razão à verificação na primeira pessoa, quer estreitar a razão conforme as suas exigências. Neste caso, assim como em tantos, não é racional desprezar os testemunhos de pessoas credíveis, é antes uma exigência de honestidade connosco próprios que levemos a sério o que pessoas sérias nos dizem. 

Ainda mais, ele sabia bem que Jesus não era um homem igual aos outros, apesar de o ser fisicamente. Ele tinha visto os milagres, sabia bem que Pedro tinha feito a profissão de Fé dos apóstolos, dizendo: "Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo". Se Tomé estivesse atento à realidade, com o máximo amor que essa atenção exige, quando lhe contaram que estiveram com Jesus ressuscitado, tudo deveria ter feito sentido para ele, tudo se deveria ter encaixado como um puzzle, mas escolheu ficar agarrado à sua incerteza, à sua falta de confiança, quando a razão exigia que confiasse.

A razão não é castradora, não elimina partes da realidade que não dão jeito serem tidas em conta. É antes uma visão alargada, que abarca toda a realidade. Tomé não fez uso da sua razão, o que, por um lado, foi uma coisa boa porque nos ensinou uma das maiores profissões de Fé da história da Igreja, dirigindo-se a Jesus como: "Meu Senhor e Meu Deus".

João Silveira


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domingo, 23 de abril de 2017

A calma tempestade da Divina Misericórdia

No Domingo da Divina Misericórdia, os Céus abrem-se e a misericórdia de Deus chove sobre toda a humanidade. É a chuva calma e serena do amor de Deus por nós. Não há relâmpagos. Oiçam as palavras de Cristo a Santa Faustina:

«Na Antiga Aliança enviei profetas com relâmpagos ao Meu povo. Hoje envio a Minha misericórdia às pessoas do mundo inteiro. Não quero castigar a humanidade sofredora, mas quero curá-la, empurrando-a para o Meu coração misericordioso. Uso o castigo quando eles me forçam a Mim a fazê-lo; a Minha mão está relutante em pegar na espada da justiça. Antes do Dia da Justiça, envio o Dia da Misericórdia.» (n. 1588)
Jesus Cristo quer curar a "humanidade sofredora". Ainda tenho dificuldade em compreender a Divina Misericórdia de Deus. Como é que um Deus tão santo deseja empurrar os pecadores para o Seu coração misericordioso? No entanto Ele fá-lo e isto revela o quão pouco conhecemos a Deus.

Se leram alguma coisa do Diário de Santa Faustina e das mensagens que Cristo lhe dá, uma coisa se destaca: O Inferno é real e Cristo não quer que nós vamos para lá.

Aqui estão as palavras de Santa Faustina sobre este assunto:
«Mas eu reparei numa coisa: que a maior parte das almas que lá estão são aquelas que não acreditavam que havia inferno. Quando voltei a mim, dificilmente me conseguia recuperar do pavor. Quão terrivelmente sofrem lá as almas! Consequentemente rezo com ainda mais fervor pela conversão dos pecadores. Incessantemente peço a misericórdia de Deus sobre eles. Ó meu Jesus, preferia estar em agonia até ao fim do mundo, entre os maiores sofrimentos, do que ofender-Te pelo menor pecado.» (n. 741)
Ao contrário de versões doces e sentimentais do Cristianismo, o seu Diário não ensina que Deus tolera o mal e vai receber todos no Céu, independentemente de se morreram com fé, esperança e caridade para com Deus e o próximo. Não, o Inferno é uma possibilidade para todos aqueles que vivem na Terra. No entanto, a Divina Misericórdia de Cristo está sempre pronta a salvar e a redimir almas. Pode-se portanto dizer que a Divina Misericórdia está relacionada com a poderosa mediação de Cristo - e não com o universalismo.

Se alguém não acredita no Inferno, então a Divina Misericórdia não significa nada para essa pessoa. No entanto, se acreditarem nos fogos da Geena e nos fogos do Purgatório, a promessa da Divina Misericórdia é a maior consolação. Em particular, a festa de hoje da Oitava Pascal, é especialmente consoladora.

A chuva da misericórdia de Deus cai abundantemente sobre a Terra. Como crianças, brinquemos à chuva e a bebamos dela. Toda a vida espiritual vem da realidade que glorificamos neste Domingo

Aprendam a rezar o Terço da Divina Misericórdia clicando aqui: Terço da Misericórdia

Taylor Marshall


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sábado, 22 de abril de 2017

Páscoa em Nova Iorque: 3 cruzes nos aranha-céus

Em 1956 a Páscoa foi celebrada na zona financeira de Manhattan com 3 arranha-céus iluminados, representando as 3 cruzes do Calvário. Foi apenas há 60 anos, mas hoje em dia isto seria impensável, graças à perseguição que está a ser feita no Ocidente aos símbolos cristãos.


Rezemos pelos que consideram ofensiva a imagem de Deus que morre numa cruz para salvar os homens.



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Pais de Bento XVI conheceram-se através de um anúncio de jornal

Os pais do Papa Bento XVI conheceram-se em 1920 através de um anúncio no jornal católico 'Altoettinger Liebfrauenbote' (Correio de Nossa Senhora de Altotting).

Era já a segunda tentativa de Joseph Ratzinger para encontrar a mulher da sua vida através de um anúncio naquele jornal. O texto, publicado no dia 7 de Março de 1920, foi o seguinte:

"Modesto funcionário do Estado, solteiro, católico, de 43 anos, com direito a reforma, pretende celebrar casamento com uma rapariga católica, que saiba cozinhar e se possível costurar, com património."

Joseph Ratzinger, que era polícia, recebeu a resposta positiva de Maria Peitner, cozinheira.

O casamento deu-se ainda nesse mesmo ano de 1920. Desse casamento nasceram 3 filhos: Maria, que nasceu em 1921 e morreu em 1991; Georg, sacerdote que conta agora com 93 anos e Joseph, futuro Papa Bento XVI, que completou 90 anos há poucos dias.


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sexta-feira, 21 de abril de 2017

Prefácio Pascal cantado pelo Papa Pio XII


Uma rara gravação da voz do Papa Pio XII enquanto canta o prefácio da Missa de Páscoa.

V. Dóminus vobíscum.
R. Et cum spíritu tuo.
V. Sursum corda.
R. Habémus ad Dóminum.
V. Grátias agámus Dómino, Deo nostro.
R. Dignum et justum est.


Vere dignum et justum est, æquum et salutáre: Te quidem, Dómine, omni témpore, sed in hac potíssimum die gloriósius prædicáre, cum Pascha nostrum immolátus est Christus. Ipse enim verus est Agnus, qui ábstulit peccáta mundi. Qui mortem nostram moriéndo destrúxit et vitam resurgéndo reparávit. Et ídeo cum Angelis et Archángelis, cum Thronis et Dominatiónibus cumque omni milítia coeléstis exércitus hymnum glóriæ tuæ cánimus, sine fine dicéntes


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A teoria do Jesus lendário

Num anedotário que ainda está por inventar, encontraremos um pedaço de literatura apócrifa que narra de forma pouco ortodoxa o episódio em que Jesus pergunta aos discípulos «Quem dizem os homens que eu sou?». Um dos discípulos responde «És João Baptista»; um outro diz «És Elias»; Pedro confessa a fé da Igreja proclamando «És o Cristo, o Filho do Deus vivo»; e um quarto elemento, um teólogo liberal, estranho à literatura canónica, toma palavra e declara: «És uma lenda». Este poderia muito bem ser um trecho de um evangelho dos modernos.

Uma lenda é uma narrativa de proporções épicas, com dotes de encantar ou de atemorizar, mas declaradamente falsa. É um produto da imaginação humana, que encontra prazer em transpor os limiares da realidade para se aventurar no mundo dos possíveis. Na raiz da lenda pode estar um facto, um acontecimento real, narrado por sucessivas gerações que o embelezaram e engrandeceram até assumir dimensões mitológicas. Estas lendas são a seiva de muitas religiões – há mesmo quem afirme que são a fonte de toda a religião. A religião do ocidente, o cristianismo, é para esses uma mitologia não diferente das mitologias orientais, e a sua lenda é a lenda de Jesus, o Homem-Deus.

Este ponto de vista, popularizado por documentários como Zeitgeist e apresentada de vez em quando por certos apologetas do ateísmo como a explicação mais razoável da origem do fenómeno cristão[1], começou a ser elaborado com alguma seriedade no último quartel do século dezanove nas fileiras dos historiadores e teólogos protestantes, por aquela que é designada como escola da História das Religiões[2]. A tese principal desta escola consiste em negar que o cristianismo tenha alguma coisa de único ou original, porque é antes uma amálgama de elementos originários de mitologias da Babilónia, do Egipto e da Pérsia.

Um académico representativo desta linha de pensamento é o alemão Otto Pfleiderer. O argumento de Pfleiderer é de que existem muitas similitudes entre o relato evangélico e os mitos de várias religiões antigas. Ele encontra, por exemplo, similaridades entre os milagres de Jesus e lendas taumatúrgicas contidas em outras fontes antigas[3] ou entre a história da ressurreição de Jesus e os mitos de deuses ressuscitados[4]. O verdadeiro Jesus, pois, se se dignou a existir, está envolto por um véu de sombras que a ciência histórica não consegue levantar.

O teólogo Rudolf Bultmann tem a mesma opinião. O Novo Testamento é essencialmente mitológico, devedor dos mitos da escatalogia judaica e dos mitos de redenção gnósticos[5]. Os relatos de milagres de Jesus, diz Bultmann, têm significativos paralelos em textos da mitologia antiga[6]. A história da ressurreição é para ele definitivamente lendária, inspirada em uma certa interpretação de alguns versículos proféticos das escrituras judaicas[7] e – a julgar pelo que dela Paulo escreve – em doutrinas gnósticas[8]. A opinião de Bultmann em relação aos evangelhos e particularmente a respeito dos eventos sobrenaturais aí inscritos é a de que na idade da luz eléctrica e da telegrafia sem fios já não podemos conferir crédito algum a essas fantasias do mundo antigo[9].
Se entrarmos no exame das narrativas da ressurreição de Cristo, parece que as semelhanças com as mitologias pagãs se multiplicam. Citemos de modo breve algumas dessas narrativas das religiões antigas.

A antiga deidade suméria Dumuzi, conhecida na Mesopotâmia como Tamuz, segundo as antigas religiões destes lugares, depois de ter descido ao submundo, revive seis meses em cada ano[10].

Na mitologia egípcia, o rei Osíris é trazido de novo à vida por Ísis, sua irmã e sua mulher, depois de ter sido assassinado pelo irmão Set[11]. O mito conta ainda que Osíris morre e ressuscita em cada ano[12].

Na mitologia helénica, são muitas as divindades que têm uma história semelhante à de Jesus de Nazaré. Vejamos algumas. O mito diz do deus Dionísio que teve uma morte violenta e ressuscitou[13]. O escritor da Antiguidade, Macrobius, dá uma versão da história em que Dionísio terá ressuscitado e ascendido aos céus[14].

A morte de Adónis era celebrada em Biblos, no Egipto, e, no dia seguinte, a sua ressurreição e ascensão aos céus[15]. A celebração da morte e ressurreição de Adónis era realizada na Síria já no século V antes de Cristo[16].

Na Frígia, o deus Átis era celebrado, ano a ano, no Equinócio da Primavera, durante quatro dias[17]. No primeiro dia, era lamentada a sua morte[18]. No quarto dia, na «Festa da Alegria», era celebrada a sua ressurreição[19].

Estes são apenas alguns dos exemplos de mitos de deuses mortos e ressuscitados nas culturas circundantes da Palestina daqueles tempos. Da semelhança da narrativa evangélica da vida de Jesus, e, em particular, do relato da sua morte e ressurreição, com os mitos das religiões antigas, os autores mencionados, e outros que aderem à mesma hipótese, concluem uma relação de causa e efeito entre estas e aquela, ou, pelo menos, a atribuição à história tradicional de Jesus do mesmo carácter mitológico.

Exposta com a síntese necessária e oportuna a hipótese do Jesus lendário, acompanhada pelo breve sumário dos argumentos que a suportam, passamos ao exame da mesma.

É conveniente referir que a teoria do Jesus lendário só será verdadeira na presença de alguns requisitos. Estes seriam: i) que a narrativa da vida de Jesus não correspondesse aos relatos das eventuais testemunhas presentes no tempo e no local em que Cristo terá vivido; ii) que haja um real paralelo e uma real influência das mitologias antigas na história de Jesus. Ora, há algumas razões pelas quais a hipótese do Jesus lendário não é credível.

A primeira razão é que a narrativa da vida de Jesus corresponde à crença dos primeiros cristãos. O testemunho escrito mais precoce dos principais factos da vida de Jesus é dado pelo Apóstolo Paulo na primeira carta que escreveu à igreja de Corinto (15, 3-8). É consensual entre os historiadores que Paulo está a citar uma tradição muito mais antiga[20]. Há duas razões para acreditar que esta tradição tem uma origem temporal muito próxima à das aparições de Jesus ressuscitado[21]. A primeira razão é que Paulo quando escreve, referindo-se à tradição que cita, «eu recebi»[22], está a recorrer a jargão próprio do costume judaico para a transmissão de tradições antigas[23]. A segunda é que a formulação empregada não aparenta ser paulina, o que indica a transcrição de uma tradição previamente formulada por outro[24].

É provável que Paulo tenha recebido esta tradição quando visitou Pedro e Tiago em Jerusalém depois da sua conversão (1Gal 1, 18-19), o que é confirmado pela menção às aparições particulares do ressuscitado a Pedro e Tiago (1Cor 15, 5,7)[25]. Isto significa, portanto, que Paulo terá ouvido o testemunho da vida, morte e ressurreição de Jesus dentro dos primeiros anos após os eventos, quando fez aquela visita. Alguns apontam um limite de tempo de cinco anos[26], outros de seis a oito anos[27]. Contudo, estas são datas de limite e a formulação do testemunho pode ter cristalizado ainda antes.

A conclusão a tirar de tudo isto é que a pregação dos principais factos sobre a vida, morte e ressurreição de Jesus foi feita desde o princípio pelos discípulos cristãos. Além disso, confirmando esta conclusão, Paulo dá a entender claramente que esta pregação se baseia no testemunho ocular de grupos de primeiros discípulos de Jesus e não em qualquer lenda formada posteriormente.

A segunda razão é a existência de pessoas que foram reputadas como testemunhas oculares dos eventos descritos nos Evangelhos. Paulo, no mesmo trecho da carta aos coríntios, afirma que a pregação da vida, morte e ressurreição de Jesus que ele apresenta era também testemunhado pelos demais apóstolos (1Cor 15, 11). Isto é, aqueles que terão convivido com Cristo antes e depois da sua morte e ressurreição atestavam o mesmo relato. Paulo lembra ainda que a maior parte de um grupo de quinhentas pessoas que viram Jesus vivo depois da sua crucificação e morte ainda está viva (1Cor 15, 6).

Por outro lado, ainda que não se admita que os autores dos quatro evangelhos canónicos tenham testemunhado por si mesmos os eventos que narram, a maior parte dos académicos concorda que o conteúdo da sua pregação mergulha as suas raízes no relato daqueles primeiros cristãos reputados como testemunhas oculares[28]. Bultmann admite que os primeiros discípulos de Jesus acreditavam verdadeiramente nos factos respeitantes à sua vida, morte e ressurreição[29].

A terceira razão é que, ao contrário dos protagonistas dos mitos antigos que já referimos, a vida de Jesus é descrita num tempo e lugar determinados e aqueles que com ele terão convivido são pessoas históricas[30]. Também em sentido contrário ao daqueles mitos, a história da vida, morte e ressurreição de Jesus foi divulgada desde o início com a pretensão de exprimir a verdade histórica. Em particular, a crença na ressurreição de Cristo surgiu num mundo que não estava predisposto a acreditar numa ressurreição real do corpo[31]. Quando Paulo subiu a colina do Aerópago para anunciar a boa-nova da Ressurreição, os gregos que a ouviram zombaram da ideia de que um morto pudesse voltar à vida, porque, para os gregos, os mortos eram skiai (sombras), psychai (espíritos), eidola (fantasmas) que habitavam o Hades, mas que jamais poderiam esperar um retorno à vida do corpo.[32]

A quarta razão é que não existe um verdadeiro paralelo entre a narrativa evangélica da Ressurreição e as lendas das religiões antigas. Em primeiro lugar, na Palestina do primeiro século não há vestígios significativos da influência dos cultos antigos a deuses ressuscitados[33]. Em segundo lugar, há que notar que os vários mitos dos deuses mortos e revividos são, na verdade, metáforas para o ciclo anual de vida e morte da vegetação[34]. Estes deuses morriam e reviviam em cada ano no mesmo ritmo dos ciclos naturais, conforme atestam as celebrações em sua honra[35]. Incluem-se neste padrão de morte e renascimento os já citados Dumuzi, Tamuz, Osíris, Dionísio, Adónis e Átis. Ora, este padrão está totalmente ausente da história de Jesus. Em terceiro lugar, há dúvidas que alguma espécie de reanimação tenha existido no mito original destes deuses. Os manuscritos conhecidos sobre o mito de Dumuzi não contêm qualquer relato de uma ressurreição; nos manuscritos sobre Tamuz não há qualquer menção específica à ressurreição; de Adónis só é dito que ressuscitou em manuscritos do segundo século depois de Cristo e a ressurreição de Átis só é descrita depois da segunda metade do segundo século depois de Cristo[36]. Osíris é expressamente tido como revivido, mas não para a vida terrena e sim para o submundo[37]. A ressurreição corpórea não tem sentido no sistema de crenças egípcio[38].

Ora, de tudo o que dissemos, podemos concluir que o evangelho dos modernos é falso. E, se a verdade avança a passos, este é já um passo importante. A teoria do Jesus lendário pertence ela mesma aos mitos e à pior classe dos mitos, que são aqueles que se quer fazer passar por ciência. O estudo diuturno da história revelará que, afinal, não passa de pseudociência.

Hugo Monteiro Dantas



[1] Dou o exemplo recente, revelado no sítio Patheos, do contra-apologeta Bob Seidensticker, que pode ser lido em http://www.patheos.com/blogs/crossexamined/2012/11/jesus-a-legend-a-dozen-reasons/.
[2] Religionsgeschichtliche Schule. A Universidade de Gottingën, na Alemanha, foi a sede desta corrente historiográfica. Para mais desenvolvimentos sobre esta linha de pensamento, cf. HABERMAS, pág. 146.
[3] Cf. PFLEIDERER, Otto, The Early Christian Conception of Christ, Londres, Williams and Norgate, 1905, págs. 63-83, em que o autor enumera as semelhanças existentes entre os milagres de Cristo e as narrativas originadas em outras religiões antigas.
[4] Cf., e.g., PFLEIDERER, Primitive Christianity, vol.I, Londres, Williams and Norgate, 1906, págs. 4-5, muito explicitamente.
[5] BULTMANN, Rudolf, Kerigma and Myth – A Theological Debate, Nova Iorque, Harper and Row Publishers, pág. 15.
[6] BULTMANN, apud HABERMAS, idem, pág. 150.
[7] BULTMANN, apud HABERMAS, pág. 151.
[8] Idem.
[9] BULTMANN, Kerygma and Myth, págs. 4-5.
[10] Cf. o verbete Tammuz da Enciclopédia Britânica que pode ser lido em http://www.britannica.com/EBchecked/topic/582039/Tammuz. PFLEIDERER, pág. 99.
[11] Cf., para síntese do mito de Ísis e Osíris, Osiris na Enciclopédia Britânica, verbete que pode ser lido em http://www.britannica.com/EBchecked/topic/433922/Osiris. Cf. ainda FRAZER, ...;. Cf. PFLEIDERER pág. 93-94, sobre as semelhanças da ressurreição de Osíris com a ressurreição de Cristo.
[12] FRAZER, idem, pág.
[13] Idem, pág. 322.
[14] Idem.
[15] PFLEIDERER, idem, pág. 94; FRAZER, idem, págs. 278 a 281.
[16] FRAZER, idem.
[17] PFLEIDERER, pág. 94 e segs.
[18] Idem.
[19] Idem.
[20] HABERMAS, op.cit., pág. 154.
[21] Idem.
[22] 1Cor 15:3.
[23] HABERMAS, op.cit., pág. 155; cf. nota de rodapé 148 na mesma página.
[24] FULLER, Reginald, citado em HABERMAS, ibid.
[25] HABERMAS, ibid., 156.
[26] FULLER, citado por HABERMAS, ibid.
[27] PANNENBERG, citado por HABERMAS, ibid.
[28] HABERMAS, op. cit., pág. 159.
[29] BULTMANN, op.cit., pág. 42.
[30] HABERMAS, op.cit., pág. 161.
[31] WRIGHT, N.T., The Ressurrection of the Son of God, 2003, Minneapolis, Fortress Press, pág. 35.
[32] WRIGHT, op.cit., págs. 43-44.
[33] PANNENBERG, Wholfhart, citado em HABERMAS, pág. 163.
[34] WRIGHT, op.cit., pág. 80; FRAZER também admite isto, nos vários capítulos que dedica ao estudo das deidades antigas, op.cit., pág. 278 e segs.
[35] FRAZER, idem.
[36] Cf. HABERMAS, op. cit., págs. 164-165.
[37] Idem. WRIGHT, op.cit., pág. 80-81.
[38] WRIGHT, op. cit., pág. 47.


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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Altares do Santíssimo Sacramento em Roma

Uma das coisas mais bonitas da Semana Santa em Roma é o costume popular de longa data de visitar os Altares do Santíssimo Sacramento (muitas vezes chamados sepúlcros ou monumentos) de sete igrejas na tarde de Quinta-feira Santa, prática à qual está atribuida uma indulgência plenária. Aqui ficam algumas fotografias de alguns dos melhores altares.


Santissima Trinità dei Pellegrini (FSSP)
 Santa Maria dell’ Orto
Sant’Agata in Trastevere
Sant’Eustachio
Santa Cecilia in Trastevere
San Carlo al Corso
 San Lorenzo in Damaso
San Giovanni Battista dei Fiorentini
Santa Lucia del Gonfalone
San Lorenzo in Lucina
Gesù e Maria
Sant’ Agostino
Santa Maria del Popolo
Santa Maria dell’Anima
Chiesa Nuova
Santa Maria in Monserrato
San Girolamo della Carità
San Rocco all’ Augusteo


in New Liturgical Movement


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Canonização dos Beatos Francisco e Jacinta Marto

Foi hoje confirmada a canonização dos pastorinhos Francisco e Jacinta no próximo 13 de Maio, no centenário das Aparições. Beatos Francisco e Jacinta, rogai por nós!





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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Como rezar o Regina Caeli?

Durante o tempo pascal, que vai do Domingo de Páscoa até ao Pentecostes, em vez da Oração do Anjo (Angelus) reza-se o Regina Caeli, para sublinhar a alegria cristã pela ressurreição de Nosso Senhor.

Português:

V. Rainha do Céu, alegrai-vos, Aleluia!
R. Porque Aquele que merecestes trazer em Vosso ventre, Aleluia!
V. Ressuscitou como disse, Aleluia!
R. Rogai por nós a Deus, Aleluia!
V. Alegrai-vos e exultai, ó Virgem Maria, Aleluia!
R. Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, Aleluia!

Oremos. Ó Deus, que Vos dignastes alegrar o mundo com a Ressurreição do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, concedei-nos, Vos suplicamos, a graça de alcançarmos pela protecção da Virgem Maria, Sua Mãe, a glória da vida eterna. Pelo mesmo Cristo Nosso Senhor. Ámen.

Latim:

V. Regina caeli, laetare, alleluia.
R. Quia quem meruisti portare, alleluia.
V. Resurrexit, sicut dixit, alleluia.
R. Ora pro nobis Deum, alleluia.
V. Gaude et laetare, Virgo Maria, alleluia.
R. Quia surrexit Dominus vere, alleluia.

Oremus. Deus, qui per resurrectionem Filii tui, Domini nostri Iesu Christi, mundum laetificare dignatus es: praesta, quaesumus; ut per eius Genetricem Virginem Mariam, perpetuae capiamus gaudia vitae. Per eundem Christum Dominum nostrum. Amen.



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terça-feira, 18 de abril de 2017

12 anos da eleição do Papa Bento XVI



Legendas: 'Católico com muito orgulho'


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15 razões lógicas para acreditar na Ressurreição

1. HAVIA UM TÚMULO VAZIO
Os fundadores de outras “fés” estão ainda enterrados ou foram cremados e as suas cinzas foram espalhadas por países estrangeiros. Jesus não. Os académicos modernos podem afirmar o que quiserem nos seus programas televisivos...a verdade é que o túmulo estava vazio.

2. O TÚMULO TINHA UM SELO ROMANO
Um pedaço de barro estava preso a uma corda (esticada à volta de uma pedra) e ao próprio túmulo. O selo romano estava estampado no barro. Quem quebra o selo, quebra a lei; e quem quebra a lei, morre.

3. O TÚMULO TINHA GUARDA ROMANA DE SERVIÇO
A guarda era constituída de pelo menos quatro homens (possivelmente mais), soldados altamente treinados. Estes soldados eram especialistas em tortura e combate, não se assustariam facilmente  por um bando de pescadores ou cobradores de impostos. Caso adormecessem ou abandonassem o seu posto, violariam a lei, o que resultaria na sua morte.

4. O TÚMULO TINHA UMA PEDRA À SUA FRENTE
A maior parte dos académicos afirma que a pedra pesaria pelo menos duas toneladas, com provavelmente dois metros e meio de altura. Seria claramente necessário uma equipa para a levantar ou arrastar, não seria trabalho para um ou dois homens.

5. HOUVE VÁRIAS APARIÇÕES PÓS-RESSURREIÇÃO, A CENTENAS DE PESSOAS
Durante seis semanas, Ele apareceu a diversos grupos de variados tamanhos em locais diferentes. Uma vez, apareceu a mais de quinhentas pessoas – um número grande demais para ser uma fraude. Já para não falar que as pessoas a quem Ele aparecia não o viam simplesmente, mas comiam com Ele, andavam com Ele, tocavam-Lhe…Jesus até um pequeno-almoço preparou (Jo 21, 9).

6. O MARTÍRIO DAS TESTEMUNHAS É PROVA
Deixariam as pessoas para trás o seu trabalho, família e vida, iriam até ao fim do mundo, seriam horrível e brutalmente mortas e abandonariam as suas crenças religiosas anteriores, acerca da salvação, só para espalhar uma mentira? Ninguém, enquanto era decapitado, entregue aos leões, queimado em óleo, ou na fogueira, ou até crucificado ao contrário, mudou a sua história. Pelo contrário, cantaram hinos de louvor e confiança, sabendo que o Senhor que derrotou a morte os elevaria também.

7. A IGREJA PERDURA
Se a Ressurreição fosse mentira, ter-se-ia apagado há anos. A Igreja é a maior e mais velha instituição de qualquer tipo, na história da humanidade. A Igreja surgiu com os Apóstolos, após o dia de Pentecostes, no ano em que Cristo ascendeu ao Céu. Ela conquistou impérios, defendeu-se de ataques (quer vindos de dentro quer de fora) e cresceu, apesar dos seus membros pecadores, porque foi fundada por Cristo, e é guiada e protegida pelo Espírito Santo. A Igreja, tal como Cristo, é tanto divina como humana.

8. JESUS PROFETIZOU QUE IA ACONTECER
Jesus anunciou às pessoas que ia acontecer. Para Ele não foi uma surpresa. E não disse apenas: “Eu serei morto” (que outros também poderiam ter previsto) mas também que “Ao fim de três dias se levantaria dos mortos.” Estes detalhes não são ironias, coincidências ou adivinhações — são profecias, e as verdadeiras profecias vêm de Deus.

9. ESTAVA PROFETIZADO NO ANTIGO TESTAMENTO
Já era anunciado séculos antes do próprio Cristo ter nascido ou ressuscitado. Centenas de profecias acerca do Messias, o que Ele diria, faria, como viveria e como morreria… foram anunciadas por pessoas escolhidas por Deus (a maioria sem nunca se ter conhecido, já agora). Isaías, Jeremias, Zacarias, Oseias, Miqueias, ou Elias (só para nomear alguns) todos apontavam para a morte e Ressurreição de Cristo, séculos antes de acontecer.

10. O DIA DO SENHOR MUDOU
Após a Ressurreição, milhares de judeus (quase de um dia para o outro) abandonaram os séculos de tradição de celebrar o Sábado (dia do Senhor) no último dia da semana e passaram a santificar o primeiro dia da semana, o dia em que o Senhor, Jesus Cristo, venceu a morte e selou a nova e eterna aliança com Deus.

11. AS PRÁTICAS DOS SACRIFÍCIOS MUDARAM
Os Judeus sempre foram ensinados (e ensinavam assim os seus filhos) que era necessário oferecer um sacrifício de carne (animal) uma vez por ano, para remissão dos seus pecados. Após a Ressurreição, os judeus convertidos na altura, grande parte deles, pararam estes sacrifícios.

12. É ÚNICA ENTRE TODAS AS RELIGIÕES
Nenhum outro líder religioso, em qualquer altura, afirmou ser Deus, excepto Cristo. Nenhum outro líder religioso alguma vez fez as coisas que Jesus fez. Nenhum outro líder religioso se provou com a Ressurreição. Confúcio morreu. Lao-zi morreu. Maomé morreu. Joseph Smith morreu. Sidarta Gautama (Buda) morreu. Cristo ressuscitou dos mortos.

13. A MENSAGEM VALIDA-SE POR SI MESMA
Um coração humilde é muito mais esclarecido e iluminado do que a lógica ou razão. Um verdadeiro crente não precisa de todos os factos para crer na Ressurreição, porque o Espírito Santo revela-nos Cristo, intima e poderosamente. S. Paulo fala disto. Corações duros e cegos nunca verão Deus, até aceitarem que não são Deus.

14. O MILAGROSO FIM ENCAIXA COM A VIDA MILAGROSA
Não se percebe a lógica? Jesus curou os cegos, os surdos e dos mudos. Alimentou as multidões, curou os leprosos e curou os pecadores. Fez com que os coxos andassem e trouxe outros de volta à vida. Multiplicou comida, andou sobre as águas e acalmou tempestades apenas com a Sua voz. O milagre da Sexta-Feira Santa é que Ele não fez nenhum milagre. Ele morreu. O milagre do Domingo de Páscoa é que Ele ressuscitou dos mortos – um fim miraculoso para uma vida miraculosa. O que mais poderíamos esperar?

15. (E A ÚNICA RESPOSTA QUE REALMENTE PRECISAMOS) . . .  JESUS CONTINUA A SER RESPOSTA
O mundo não pode oferecer nenhuma cura para o sofrimento. O mundo pode ignorá-lo, insultá-lo, debatê-lo, bombardeá-lo, medicá-lo…mas não existe nenhuma cura ou sentido para o sofrimento sem olhar para Jesus Cristo. N’Ele, o nosso sofrimento faz sentido e vale a pena. Longe d’Ele, o sofrimento não tem qualquer sentido e é estéril. A fonte da eterna juventude não existe. Não existe uma droga miraculosa. Não existe cura para a morte, excepto Jesus Cristo. O que é ilógico é pensar que o Deus da Vida não deseja que vivamos eternamente.

“Como é que alguns de entre vós dizem que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. Mas se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã é também a vossa fé. E resulta até que acabamos por ser falsas testemunhas de Deus, porque daríamos testemunho contra Deus, afirmando que Ele ressuscitou a Cristo, quando não o teria ressuscitado, se é que, na verdade, os mortos não ressuscitam. Pois, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé e permaneceis ainda nos vossos pecados.” (1Cor 15, 12-18)

Irmãos e Irmãs, porque sabemos o que aconteceu na Última Ceia, na cruz e no sepulcro há 2000 anos, conhecemos Deus-Pai intimamente, caminhamos com o Filho diariamente e somos guiados pelo Espírito Santo eternamente. Esta é a verdade, e que bela verdade é.

Mark Hart in lifeteen.com


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