sábado, 31 de dezembro de 2016

Resoluções de Ano Novo: Recuperar o tempo perdido

I. Um dia de balanço. O nosso tempo é breve. É parte muito importante da herança recebida de Deus.

II. Acto de contrição pelos erros e pecados que cometemos neste ano que termina. Acção de graças pelos muitos benefícios recebidos.

III. Propósitos para o ano que começa.

I. HOJE É UMA BOA OCASIÃO para fazermos um balanço do ano que passou e fixarmos propósitos para o ano que começa. É uma boa oportunidade para pedirmos perdão pelo que não fizemos, pelo amor que nos faltou; um bom momento para agradecermos a Deus todos os benefícios que nos concedeu.

A Igreja recorda-nos que somos peregrinos. Ela mesma está “presente no mundo e é peregrina”(1). Dirige-se ao seu Senhor “peregrinando, entre as perseguições do mundo e os consolos de Deus”(2).

A nossa vida também é um caminho cheio de tribulações e de “consolos de Deus”. Temos uma vida no tempo, na qual nos encontramos agora, e outra para além do tempo, na eternidade, para a qual nos encaminha a nossa peregrinação. O tempo de cada um é uma parte importante da herança recebida de Deus; é a distância que nos separa do momento em que nos apresentaremos diante de Nosso Senhor com as mãos cheias ou vazias.

Só agora, aqui nesta vida, podemos adquirir méritos para a outra. Na realidade, cada um dos nossos dias é um tempo que Deus nos presenteia para enchê-lo de amor por Ele, de caridade para com aqueles que nos rodeiam, de trabalho bem feito, de virtudes e de obras agradáveis aos olhos do Senhor. Este é o momento de amealhar o “tesouro que não envelhece”. Este é, para cada um, o tempo propício, este é o dia da salvação(3). Passado este tempo, já não haverá outro.

O tempo de que cada um de nós dispõe é curto, mas suficiente para dizer a Deus que o amamos e para concluir a obra de que o Senhor nos encarregou a cada um. Por isso São Paulo nos adverte: Vivei com prudência, não como néscios, mas como sábios, aproveitando bem o tempo(4), pois em breve vem a noite, quando já ninguém pode trabalhar(5). “Verdadeiramente, é curto o nosso tempo para amar, para dar, para desagravar. Não é justo, portanto, que o malbaratemos nem que atiremos irresponsavelmente este tesouro pela janela fora. Não podemos desperdiçar esta etapa do mundo que Deus confia a cada um de nós”(6).

A brevidade do tempo é um contínuo convite para que tiremos dele o máximo rendimento aos olhos de Deus. Hoje, na nossa oração, podemos perguntar-nos se Deus está contente com a forma como vivemos o ano que passou: se foi bem aproveitado ou, pelo contrário, foi um ano de ocasiões perdidas no trabalho, na acção apostólica, na vida familiar; se fugimos com frequência da Cruz, porque nos queixávamos facilmente ao depararmos com a contrariedade e com o inesperado.

Cada ano que passa é um apelo para que santifiquemos a nossa vida diária e um aviso de que estamos um pouco mais perto do encontro definitivo com Deus. Não nos cansemos de fazer o bem, pois a seu tempo colheremos, se não desfalecermos. Por conseguinte, enquanto dispomos de tempo, façamos o bem a todos(7).

II. AO EXAMINAR-NOS, é fácil que verifiquemos ter havido, neste ano que termina, omissões na caridade, pouca laboriosidade no trabalho profissional, mediocridade espiritual consentida, pouca esmola, egoísmo, vaidade, faltas de mortificação na comida, graças do Espírito Santo não correspondidas, intemperança, mau humor, mau génio, distracções mais ou menos voluntárias nas nossas práticas de piedade... São inumeráveis os motivos para terminarmos o ano pedindo perdão a Deus, fazendo actos de contrição e de desagravo. Olhamos para o tempo que passou e “devemos pedir perdão por cada dia, porque cada dia ofendemos”(8). Nem um só dia escapou a essa realidade: foram muitas as nossas falhas e os nossos erros.

No entanto, são incomparavelmente maiores os motivos de agradecimento, tanto no campo humano como no espiritual. Foram incontáveis as moções do Espírito Santo, as graças recebidas no sacramento da Penitência e na Comunhão eucarística, as intervenções do nosso Anjo da Guarda, os méritos alcançados ao oferecermos o nosso trabalho ou a nossa dor pelos outros, as ajudas que nos prestaram. Pouco importa que agora só percebamos uma pequena parte dessa realidade. Agradeçamos a Deus todos os benefícios recebidos ao longo deste ano.

“É essencial conseguirmos novas forças para servir, e que procuremos não ser ingratos, porque o Senhor nos dá essas forças com essa condição; e se não usarmos bem do tesouro e do grande estado em que Ele nos coloca, voltará a tomá-los e ficaremos muito mais pobres, e Sua Majestade dará as jóias a quem as faça brilhar e as aproveite para si e para outros. Pois como poderia aproveitá-las e gastá-las generosamente quem não percebe que está rico? No meu modo de ver, é impossível, de acordo com a nossa natureza, que tenha ânimo para coisas grandes quem não pense estar favorecido por Deus; porque somos tão miseráveis e tão inclinados às coisas da terra, que, na verdade, mal poderá rejeitar todas as coisas daqui de baixo, com grande desprendimento, quem não perceba que tem algum penhor do além”(9).

Temos de encerrar o ano pedindo perdão por tantas faltas de correspondência à graça, pelas inúmeras vezes em que Jesus se pôs ao nosso lado e não fizemos nada para vê-lo e o deixamos passar; e, ao mesmo tempo, encerrá-lo agradecendo a Deus a grande misericórdia que teve connosco e os inumeráveis benefícios, muitos deles desconhecidos por nós mesmos, que Ele nos proporcionou.

III. NESTES ÚLTIMOS DIAS do ano que termina e nos primeiros do que se inicia, desejaremos uns aos outros que tenham um bom ano. Ao porteiro, ao farmacêutico, aos vizinhos..., dir-lhes-emos 'Feliz Ano Novo!' ou coisa parecida. Ouviremos outras tantas pessoas desejar-nos o mesmo e lhes agradeceremos.

Mas o que é que muita gente entende por 'Feliz Ano Novo'? “É, certamente, que vocês não sofram no novo ano nenhuma doença, nenhuma pena, nenhuma contrariedade, nenhuma preocupação, antes pelo contrário, que tudo lhes sorria e lhes seja favorável, que ganhem muito dinheiro e não tenham que pagar muitos impostos, que os salários aumentem e o preço dos artigos diminua, que o rádio lhes dê boas notícias todas as manhãs. Em poucas palavras, que não experimentem nenhum contratempo”(10).

É bom desejar estes bens humanos para nós mesmos e para os outros, se não nos separam do nosso fim último. O novo ano nos trará, em proporções desconhecidas, alegrias e contrariedades. Um ano bom, para o cristão, terá sido aquele em que tanto umas como outras lhe serviram para amar um pouco mais a Deus. Ano bom para o cristão não terá sido aquele que veio carregado – na hipótese de que isso fosse possível – de uma felicidade natural à margem de Deus. Ano bom terá sido aquele em que servimos melhor a Deus e aos outros, ainda que do ponto de vista humano tenha sido um completo desastre. Pode ter sido, por exemplo, um ano bom aquele em que apareceu a grave doença tantos anos latente e desconhecida, se soubemos santificar-nos com ela e com ela santificar aqueles que estavam à nossa volta.

Qualquer ano pode ser “o melhor ano” se aproveitarmos as graças que Deus nos reserva e que podem converter em bem a maior das desgraças. Para este ano que começa, Deus preparou-nos todas as ajudas de que necessitamos para que seja “um ano bom”. Não desperdicemos nem um só dos seus dias. E quando chegar a queda, o erro ou o desânimo, recomecemos imediatamente. Em muitos casos, através do sacramento da Penitência.

Que todos tenhamos “um bom ano novo”! Oxalá possamos apresentar-nos diante do Senhor, no fim deste ano que começa, com as mãos cheias de horas de trabalho oferecidas a Deus, de empenho apostólico junto dos nossos amigos, de incontáveis pormenores de caridade para com aqueles que nos rodeiam, de muitas pequenas vitórias, de encontros irrepetíveis na Comunhão...

Façamos o propósito de converter as derrotas em vitórias, recorrendo a Deus e começando de novo. E peçamos à Virgem Maria, nossa Mãe, a graça de viver este ano que se inicia lutando como se fosse o último que o Senhor nos concede.

Francisco Fernandez Carvajal

(1) Concílio Vaticano II, Constituição Sacrosanctum concilium, 2; (2) Concílio Vaticano II, Constituição Lumen gentium, 8; (3) 2 Cor 6, 2; (4) Ef 5, 15-16; (5) Jo 9, 4; (6) Bem-aventurado Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 39; (7) Gál 6, 9-10; (8) Santo Agostinho, Sermão 256; (9) Santa Teresa, Vida, 10, 3; (10) Georges Chevrot, O Evangelho ao ar livre.


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Se pudesse escolher uma pessoa para jantar quem seria?



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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Cristo nasceu há 2016 anos! A cronologia de Josefo estava errada

Como sabem, a.C. refere-se a "antes de Cristo" e portanto é confuso ouvir os académicos dizer que Cristo nasceu a 4 a.C. Isto significaria que Cristo nascera quatro anos antes de Cristo. No entanto, estudos cronológicos recentes e mais precisos validaram a data tradicional do nascimento de Cristo a 25 Dezembro do ano 1 a.C. [i]

Revendo os fundamentos, a datação de a.C. (antes de Cristo) e d.C. (depois de Cristo) vem dos cálculos de Dionísio 'Exiguus'. 'Exiguus' significa pequeno, por isso ele é muitas vezes chamado de Dionísio o pequeno. Dionísio era um monge que vivia em Roma. Morreu por volta de 544 d.C. 

Em Roma, Dionísio trabalhava com os melhores registos romanos e documentos da Igreja para calcular o nascimento de Cristo. Este novo cálculo dividia o tempo em antes e depois de Cristo. Dionísio não incluía um ano zero. 31 de Dezembro do ano 1 a.C. devia passar para 1 Janeiro do ano 1 d.C. 

Dionísio identificou a Anunciação de Gabriel à Virgem e a Encarnação de Cristo no ventre da Santíssima Virgem Maria a 25 de Março do mesmo ano 1 a.C. Ele reconheceu o nascimento de Cristo a 25 de Dezembro do ano 1 a.C. A circuncisão de Cristo, oito dias depois do Seu nascimento, foi a 1 de Janeiro de 1 d.C. A Sua crucifixão foi no ano 33 d.C. 

Beda, o Venerável, pegou no esquema de datas de Dionísio, o pequeno, na sua Ecclesiastical History of the English People, e o resto é história. Continuamos a usar o seu sistema de datação até hoje: a.C. e d.C.

Dúvidas sobre o ano de nascimento de Cristo surgiram nos anos 1600. Os académicos souberam da cronologia feita pelo historiador judeu Josefo. Josefo coloca a data do Rei Herodes, o Grande, onde Dionísio chamou 4 a.C. Visto que Herodes tentou matar Cristo menino, seria necessário que Cristo já tivesse nascido antes da morte de Herodes. Se Herodes morreu em 4 a.C., então Cristo teria que ter nascido antes de 4 a.C. Assim, desde o século XVII, as pessoas têm dito que Dionísio se enganou e que Cristo nasceu quatro anos antes de Cristo.

O que é que podemos dizer disto? Bem, ou Josefo está certo ou Dionísio está certo. Não podem estar ambos. Até recentemente a maior parte dos académicos concordava com Josefo porque: A) Josefo viveu no século de Cristo, B) Josefo era judeu, e C) Josefo era um historiador profissional. Dionísio era apenas um monge que vivia em Roma mais de quinhentos anos mais tarde.

No entanto, existem agora boas razões para acreditar que Josefo se enganou. Vários estudos sobre Josefo revelam que ele de certeza que não era consistente ou preciso a datar variados acontecimentos chave na história judaica e romana. De facto, Josefo contradiz história confirmada, a Bíblia, e mesmo a sua própria cronologia cerca de uma centena de vezes. As suas datas não são muito precisas. O arqueólogo, jurista e historiador francês Theodore Reinarch foi um dos primeiros a documentar os muitos erros factuais e cronológicos de Josefo. A tradução de Reinarch de Josefo é constantemente interrompida por comentários tais como "isto é um erro" ou "noutro livro as suas personagens são diferentes." [ii]

De seguida está um exemplo da má cronologia de Josefo. Josefo regista na sua Guerra judaica que Hyrcanus reinou durante trinta e três anos. No entanto, na sua Antiguidades dos judeus, que Hyrcanus reinou trinta e dois anos. [iii] Ainda assim noutro local da sua Antiguidades, Josefo diz que Hyrcanus reinou apenas trinta anos. Isto são três alegações contraditórias - duas no mesmo livro!

Na sua Guerra judaica, Josefo regista que Aristobulus colocou o diadema na sua cabeça 471 anos depois do exílio. No entanto na sua Antiguidades, ele diz que foi 481 anos, uma diferença de dez anos. Já agora, os historiadores modernos agora sabem que foram 490 anos. Josefo está errado em todas as contas.

Podiam ser dados mais exemplos. O facto é que Josefo era desleixado com as datas, especialmente no que tocava a reis. Por isso vejamos as datas que ele dá para o Rei Herodes. Descobrimos que Josefo na verdade dá duas datas contraditórias para a morte de Herodes - 4 a.C. e 7 ou 8 d.C.

Josefo escreve que Herodes capturou Jerusalém e começou a reinar naquilo que Dionísio chama 37 a.C., e que Herodes viveu mais 34 anos depois disto. Se fizerem as contas, isto significa que Herodes morreu no ano 4 ou 3 a.C. Os académicos citam isto como a prova de autoridade de que Jesus nasceu antes de 4-3 a.C.

Ainda assim, Josefo regista uma datação diferente para a morte de Herodes noutro lado. Na sua Antiguidades, Josefo escreve que Herodes tinha quinze anos naquilo que chamaríamos 47 a.C., quando César escolheu Hyrcanus como etnarca.[iv] Mas, duas vezes noutros sítios, Josefo diz que Herodes tinha setenta anos quando morreu. Portanto se Herodes tinha 15 em 47 a.C., isso significa que morreu aos 70 de idade em 7 ou 8 d.C.

Temos uma discrepância séria nas datas de Josefo - um janela de mais de dez anos. Mais ainda, quem é que sabe realmente se ambos os números são precisos dados os seus erros noutras datas históricas?

Porque é que isto é tão importante? Revela que não devíamos deixar Josefo ter a última palavra na cronologia de Cristo. A datação de Josefo da morte de Herodes a 4 a.C. é verdadeiramente só uma versão dos seus cálculos. Porque não usar a sua data de 7 ou 8 d.C.? É um pouco arbitrário os historiadores modernos defenderem a data de 4 a.C.

A melhor maneira de datar a morte de Herodes é concentrando-nos no testemunho de que Herodes morreu poucos meses depois de um eclipse da lua bem observado. Com modelos astronómicos modernos, sabemos que um eclipse da lua como este ocorreu em Jerusalém antes do pôr do Sol de 29 de Dezembro de 1 a.C. Isto significaria que Herodes morreu pouco tempo depois de 1 d.C. Isto alinha-se perfeitamente com a cronologia de Dionísio, o pequeno. Isto significa que Cristo nasceu a 25 de Dezembro de 1 a.C. e que foi circuncidado a 1 de Janeiro de 1 d.C. 

O nosso calendário é perfeitamente preciso! 

Taylor Marshall

[i] Hugues de Nanteuil, Sur les dates de naissance et de mort de Jésus, Paris: Téqui editions, 1988. Translated by J.S. Daly and F. Egregyi. Paris, 2008.
[ii] de Nanteuil, 2008.
[iii] Josephus, Antiquities, 12.
[iv] Josephus, Antiquities, 14.


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D. Gina, uma vida ao serviço da Capela da Universidade Católica

Foi das primeiras pessoas que conheci quando entrei para a Universidade Católica e estará para sempre ligada às vidas de dezenas e dezenas de professores, funcionários e alunos. Conhecia-a na mesma capela onde vi pela primeira vez o meu marido, e acompanhou a nossa história de perto.

Sempre presente, bem vestida, perfumada, as mãos cuidadas e delicadas, reflexo pálido da delicadeza e amor que punha em tudo quanto fazia, e que bem escondiam muitos trabalhos pesados que fez ao longo de muitos anos de serviço àquela instituição. Sempre de coração aberto, verdadeiramente boa, foi com a D. Gina que aprendi a rezar o terço da misericórdia, que sempre rezava às três da tarde. 

Cuidava de todos nós como se de um filho se tratasse -incluindo o capelão. Hoje, o sacerdote na Missa referia os “enxovais” que preparava para os seminaristas, por quem tinha especial carinho – também nós, quando nos casámos, recebemos um enxoval da D. Gina, cheio do seu amor. A sua presença maternal, a sua voz sempre amável, as suas palavras bondosas - tudo isto deu, de tudo teremos saudades.

Morreu na capela que era “sua”, a fazer o que fez tão bem, toda a vida, a tratar de Jesus. Estava por perto quando soube da notícia e não resisti a ir lá para rezar naquele local que tanto nos diz. Estava lá o presépio, tão bonito, que todos os anos fazia, as flores arranjadas, as alfaias litúrgicas polidas e engomadas, a casa do Senhor que brilha como aquela alma. 

Ajoelhada, rezei e agradeci profundamente o dom da sua Vida, e procurando algum consolo, dirigi-me a um pequeno cesto na entrada, com frases de Santos para o Advento. Calhou-me esta, de S. Adalberto:

“Não estejais tristes. Sabeis que sofremos pelo nome do Senhor, cujo poder esta acima de todo o poder, cuja beleza supera toda a formosura, que tem autoridade inexprimível e bondade inefável. Na verdade, que há de mais belo e mais delicioso que dar a vida pelo dulcíssimo Jesus?”

A D. Gina sabia isto melhor do que ninguém.

Catarina Nicolau Campos


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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

O regresso à reverência pelo Santíssimo Sacramento




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A Igreja Católica condenou o "desumano mercado dos negros"

Elevados à suprema dignidade do apostolado e representando, ainda que sem nenhum mérito, a pessoa de Jesus Cristo Filho de Deus, que por sua desmedida caridade se fez homem e se dignou morrer pela redenção do mundo, sentimos que pertence à nossa solicitude pastoral esforçar-nos para dissuadir completamente os fiéis do desumano mercado dos negros e de quaisquer outros homens. 

Por essa razão nós, querendo fazer desaparecer o mencionado crime de todos os territórios cristãos, após madura consideração, recorrendo também ao conselho de nossos veneráveis irmãos cardeais da santa Igreja de Roma, seguindo as pegadas de nossos predecessores, com a nossa apostólica autoridade, admoestamos e esconjuramos energicamente no Senhor todos os fiéis cristãos de qualquer condição que, doravante, ninguém ouse fazer violência, desapropriar de seus bens ou reduzir seja quem for à condição de escravo, ou prestar ajuda ou favorecer àqueles que cometem tal delito ou querem exercitar o indigno comércio por meio do qual os negros são reduzidos a escravos – como se não fossem seres humanos, mas pura e simplesmente animais, sem nenhuma distinção, contra todos os direitos de justiça e humanidade -, são comprados, vendidos e constrangidos a trabalhos duríssimos. 

Nós, julgando as mencionadas acções indignas do nome cristão, condenamo-las com nossa apostólica autoridade. Proibimos e vetamos com a mesma autoridade a qualquer eclesiástico ou leigo defender como lícito o tráfico dos negros, qualquer seja o escopo ou pretexto, e de presumir ensinar de outro modo, pública e privadamente, contra aquilo que com a presente carta apostólica expressamos.

Papa Gregório XVI in Carta Apostólica 'In Supremo Apostolatus' (03.XII.1839)


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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Padre Nicola Bux: “O rito romano antigo não é uma excepção”

Entrevista conduzida por Bruno Volpe ao Padre Nicola Bux, professor de teologia sacramentária, especialista em liturgia e um colaborador próximo do Papa Bento XVI.

Padre Nicola, o rito romano antigo é uma excepção?

Não é isso que diz o Motu Próprio do Papa Bento XVI, Summorum Pontificum. Aliás, no texto lê-se explicitamente que os dois ritos têm igual dignidade. Quem o diz é o Papa, não eu. Portanto, considerando o documento, não podemos dizer que seja uma excepção, a não ser que queiramos chegar a uma conclusão que seja contrária ao documento do Papa.

Então de onde surge este dito carácter de “excepção”?

Não sei. Provavelmente estamos ao nível das interpretações, mas que no entanto não encontram confirmação, como dizia, no documento do Papa Bento XVI, que é a base textual.

Sobre o rito romano antigo: muitos jovens nos últimos anos estão a aproximar-se com interesse. Porquê?

Posso confirmar que existe um renovado interesse, especialmente entre os jovens. Creio que isto dependa do facto de ser precisa mística, que é uma qualidade que o rito antigo tutela e encoraja, pela própria maneira como é estruturado. Claro, é preciso dizer que este rito não tem nem o monopólio da mística e que também no rito antigo é possível celebrar desleixadamente.

Quanto à homilia, podemos dizer que se trate de um discurso “político”, como disse o Papa Francisco?

Esta definição parece-me ambígua e é preciso dar-lhe mais precisão. Se nos estamos a referir a, depois de comentar as leituras do dia, evocar factos da actualidade e da vida concreta, é lícito falar de política. Isto é, se colocarmos as leituras na vivência dos nossos dias. No entanto, a homilia não deve entrar agressivamente na vida política no sentido da luta dos partidos. Isso não. 

Enquanto Teólogo: Existem castigos divinos, isto depois da polémica desenrolada pelo Padre Cavalcoli?[1]

Nas Sagradas Escrituras, tanto no Antigo como no Novo Testamento, encontramos vários momentos onde falamos abertamente de castigos de Deus. No Evangelho, por exemplo, temos o episódio da Torre de Siloé e os massacres de Pilatos. A síntese que temos é esta: “se não vos converterdes perecereis todos da mesma maneira”. 

Uma calamidade natural ou um acto violento feito por homens não é visto necessariamente como um castigo pelo pecado, também porque se pode abater sobre pessoas inocentes, mas antes como uma advertência para nos convertermos. Como dissera Jesus, o Pai faz chover sobre os bons e sobre os maus. A questão é que muitos hoje pensam que Deus, se existe, não tem nada a ver com a vida, mesmo se depois estão prontos a lamentar-se quando vem uma catástrofe, perguntando-se onde estava Deus.

in lafedequotidiana.it


[1] Nota do editor: Depois dos terramotos de Itália deste ano, o Padre Cavalcoli foi duramente criticado por interpretar os acontecimentos enquanto castigo divino pelas políticas contrárias à lei natural adoptadas pelo país.


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Quem são os Santos Inocentes?

Hoje é dia dos Santos Inocentes, as crianças recém-nascidas que foram mandadas matar pelo rei Herodes na tentativa de matar o menino Jesus. 


Não podemos deixar passar este dia sem nos lembrarmos dos bebés inocentes que são abortados em todo o mundo. Desde 1980 foram mais de mil e trezentos milhões (1.300.000.000).

Rezemos pelos que os mataram e pelo fim do aborto no mundo inteiro.

Nota: Se no holocausto nazi foram mortas 6 milhões de pessoas, o número de abortos nos últimos 30 anos é o equivalente a 217 holocaustos nazis.

João Silveira


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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Pai desabafa emocionado: "O Síndrome de Down foi a melhor coisa que me aconteceu"

Perante a crueldade dos números: 90% de bebés com Síndrome de Down abortados, um Pai explica que ter um filho com Síndrome de Down mudou a sua vida.


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A obra prima de São João

São João evangelista começou o seu evangelho com um texto que encantou todas as gerações. O prólogo é duma beleza e profundidade tais que é lido no final de todas as Missas em Rito Romano Antigo. Vale a pena ler e rezar.



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O que é o 'Boxing Day' e como surgiu?

Em Inglaterra todos os anos acontece um feriado especial, no dia seguinte ao feriado de Natal. É o chamado Boxing Day, que acontece dia de Santo Estevão, morto pela fé cristã e cujo martírio se encontra descrito nos Actos dos Apóstolos.


A origem do Boxing Day remonta há, pelo menos, 800 anos. Nessa época, no dia seguinte ao do aniversário de Jesus, algumas Igrejas promoviam a abertura de uma caixa (“box”, em inglês), na qual acumulavam dinheiro doado pelos fiéis e o distribuíam aos necessitados. Assim, aqueles que tinham poucos bens podiam aproveitar o dia seguinte ao Natal para celebrar com a família, com uma refeição mais farta. 

Com esse carácter caritativo, o dia de abertura das caixas de donativos e a sua distribuição aos menos favorecidos tornou-se o feriado Boxing Day no Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, já que estar com a família é (ou era) algo inestimável em qualquer nação.

Com o passar do tempo, o comércio resolveu transformar o Boxing Day num grande dia de descontos, com ofertas irrecusáveis aos consumidores. As filas dos “menos favorecidos” deixaram de ser uma possibilidade de reunir a família com mais e melhor comida, para se tornarem numa ajuda ao escoamento dos "stocks" das lojas, depois das compras de Natal.

E o significado pelo qual morreu Santo Estevão, de defender os ensinamentos de Jesus de amor à Humanidade, desprendimento e generosidade foi-se perdendo nos meandros da sociedade de consumo.

adaptado de portalvilamariana 


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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Por que razão o Natal é no dia 25 de Dezembro?

Já no século I a Igreja celebrava a Anunciação do Anjo a Zacarias, pai de S. João Baptista, a 23 de Setembro, e o nascimento deste a 24 de Junho. A descoberta dos manuscritos do Mar Morto e as investigações subsequentes nas grutas circundantes que levaram ao achamento de rolos manuscritos em muito bom estado veio confirmar, com o livro dos jubileus, esta antiga tradição da Igreja. 

De facto, por este manuscrito ficamos a saber que a semana em que entravam de serviço, no Templo, os Sacerdotes da classe de Abias, à qual pertencia Zacarias, tinha o seu início a 23 de Setembro e terminava a 30 do mesmo mês. Acrescentando 9 meses temos o 24 de Junho. Ora, pelos Evangelhos, nós sabemos, que logo após a Anunciação do Anjo à sempre Virgem Maria, portanto da Encarnação do Verbo no seu seio, ela se dirigiu “à pressa” para auxiliar sua prima Santa Isabel, grávida de seis meses (“ … já está no sexto mês aquela que é tida por estéril” – Lc 1, 37), que vivia a três dias de jornada. 

Seis meses depois da última semana de Setembro é a última semana de Março. A Igreja celebra a Encarnação de Jesus, Deus filho, acontecida aquando da Anunciação do Anjo, por virtude do Espírito Santo, a 25 de Março. Ora 25 de Dezembro é 9 meses depois de 25 de Março. 

Pe. Nuno Serras Pereira


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domingo, 25 de dezembro de 2016

A noite de Natal descrita pelo venerável Fulton Sheen

Uma noite sobressaiu na quietude da brisa da noite, por cima daqueles montes calcários de Belém, o choro de um bebé recém-nascido. O Verbo Se fez carne e habitou entre nós. A Terra não ouviu o choro, porque a Terra dormia; os homens não ouviram o choro, pois não sabiam que um Menino podia ser maior do que um homem; os reis não ouviram o choro, pois não sabiam que um Rei poderia nascer num estábulo; os impérios não ouviram o choro, pois os impérios não sabiam que um Infante poderia segurar as rédeas que dirigem sóis e mundos nos seus percursos. 

Mas os pastores e os filósofos ouviram o choro, pois só os muito simples e os muito instruídos sabem que o coração de um Deus pode gritar no choro de uma Criança. E eles vieram com presentes - e adoraram, e tão grande era a majestade sentada na testa do Menino, tão grande era a dignidade do bebé, tão poderosa era a luz daqueles olhos que brilhavam como sóis celestiais, que eles não podiam deixar de  gritar: Emanuel, Deus está connosco.

Arcebispo Fulton Sheen in 'The Life of All Living'


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sábado, 24 de dezembro de 2016

Paz na noite de Natal durante a Primeira Guerra Mundial

Na noite de Natal de 1914, nas trincheiras da I Guerra Mundial, aconteceu o impensável. Os soldados alemães entoaram o cântico natalíco: 'Stille Nacht, Heilige Nacht' ('Noite Feliz', em português). Os ingleses, reconhecendo a melodia, responderam com a versão na sua língua: 'Silent Night'.


Depois da cantoria, um soldado alemão arriscou sair da trincheira para cumprimentar o inimigo. Um inglês fez a mesma coisa. Estabelecidas as tréguas, deu-se um convívio natalício entre os homens que poucas horas antes se tentavam matar uns aos outros.

Conversaram, ultrapassando as barreiras linguísticas. Prepararam um autêntico banquete, comeram e beberam juntos. Trocaram lembranças. Um sacerdote inglês celebrou a Missa de Natal. Fizeram um jogo de futebol que os alemães venceram por 3 a 2.

Aqueles soldados perceberam que do outro lado estavam homens iguais a eles, criados por Deus, com família e mais vontade de amar do que matar.

Infelizmente a Guerra não acabou ali. Mas, de algum modo, aquelas tréguas no dia de Natal mostraram que o nascimento do Menino Jesus continua a conseguir trazer ao de cima o melhor de nós.

João Silveira


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Natal, empresários e astronautas que não andam na lua

Há uns anos, um pai, com um diagnóstico fatal a curto prazo, quis prevenir os filhos e explicar-lhes que Jesus estava à espera, para o receber em breve. Um dos pequenos perguntou como é que o pai sabia que Jesus o ia receber no Céu: «Meu filho, há tantos anos que eu O recebo na Eucaristia e Ele, agora, não me ia receber?».

Preparar o Natal é caminhar intensamente para o encontro com Cristo. O passo em que o Papa tem insistido mais é a Confissão sacramental; outra etapa é participar na Eucaristia em que, de uma forma imediata, recebemos o próprio Cristo.

Recordo que, nos anos 80, o CEO de uma marca muito conhecida de «blue jeans» veio a Lisboa em negócio. No meio da agenda apertada de reuniões, já sabia onde ia assistir à Missa cada dia, porque tinha encarregado a secretária de telefonar antecipadamente a informar-se dos horários de várias paróquias. Para um lisboeta da época aquilo era surpreendente. Em primeiro lugar, pela capacidade de ultrapassar obstáculos, porque aquele empresário não falava português e provavelmente a secretária teve dificuldade em se fazer entender e obter a informação. Depois, pelos recursos, porque naqueles anos as chamadas internacionais a partir de Portugal eram caríssimas, embora fosse barato telefonar de outros países. Recordo que alguns engenheiros da EDP, que souberam da lista, resolveram ampliar a ideia: assim nasceu uma listagem completa, para toda a cidade de Lisboa, que circulou por muitas mãos, em fotocópias. Anos mais tarde, com o aparecimento da internet, a lista ficou «online», cada vez mais exaustiva e actualizada, e, em época mais recente, o «site» do Patriarcado encarregou-se de disponibilizar a informação.

A caminho do encontro do Natal, pergunto-me como se comportaria, nas minhas circunstâncias, o CEO de uma multinacional de «blue jeans».

À falta de informação sobre a estrela do Natal, vale a pena navegar nas páginas pessoais de alguns astronautas, por exemplo https://twitter.com/astroillini, para ver fotografias de cometas deslumbrantes no céu estrelado, planetas vibrantes, a Terra muito ao longe e a Lua muito ao perto... Além das imagens, no meio dos «tweets», encontram-se testemunhos mais pessoais. Dennis Sadowski, reuniu no «Catholic News Service» de Abril deste ano declarações de bastantes astronautas. A beleza do céu é tão impressionante que é comum eles sentirem o impulso de se referir a Deus. Muitos rezam o terço dentro da «cúpula» da nave, uma sala forrada de janelas, por onde se vê o Universo a 360º. Outros vão ler a Bíblia para a cúpula. Está no «Youtube» a célebre mensagem dos astronautas da Apollo 8, na noite de Natal de 1968, que consistiu em lerem em voz alta a parte do Génesis que descreve a Criação.

A propósito do Natal, chamou-me a atenção o empenho de alguns astronautas para não perderem a Eucaristia. Por exemplo, em 2013, Mike Scott Hopkins, que se convertera uns anos antes, conseguiu autorização para levar a Eucaristia para o espaço, para poder comungar durante os longos meses da sua missão na ISS (International Space Station). Na cúpula, rodeado de estrelas, sentia-se verdadeiramente numa catedral. «Quando se contempla a Terra deste observatório único e se admira toda a beleza natural que existe, é difícil não se sentar ali e perceber que tem de haver um poder maior que fez isto». Pelos vistos, não é pouco comum os astronautas terem acesso à Comunhão durante as missões espaciais.

Uma das mordomias que a NASA oferece aos astronautas durante o voo é a possibilidade de terem uma vídeo-conferência com a personalidade que escolherem. Recentemente, o astronauta Mark Vande Hei pediu para conversar com o Papa Francisco. Vamos ver o que a NASA consegue. Pode ter sorte, porque a NASA já conseguiu que em 2011 o Papa Bento XVI falasse durante 20 minutos com a tripulação da ISS (a vídeo-conferência pode ver-se aqui ).

José Maria C.S. André in Correio dos Açores, 4-XII-2016


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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Educação sexual nas escolas? Sou contra! Absolutamente contra!

Uma hora depois, entro na redação e apanho a correspondência. Ao abrir o primeiro envelope, apanho um susto. Era um leitor irritadíssimo. Lera algumas "Confissões" e vira em mim um brutal reacionário. Não queria, porém, ser injusto. Por isso, pedia ou exigia que eu me definisse sobre a Educação Sexual. Sou contra ou a favor? 

Bem. Vou ser o mais taxativo possível: - Sou contra. E, para evitar qualquer dúvida, ou sofisma, direi com a maior ênfase: - "Absolutamente contra". Não sei se me entendem. A Educação Sexual devia ser dada por um veterinário a bezerros, cabritos, bodes, cães e gatos vadios. 

No ser humano, sexo é amor. Portanto, os meninos, as meninas deviam ser preparados, educados no amor. Se o meu leitor progressista ainda não está satisfeito, direi algo mais. O homem está triste porque, um dia, separou o Sexo do Amor. Nada mais vil do que o desejo sem amor. A partir do momento da separação, começou o processo de aviltamento que ainda não chegou ao fim. E, assim, o homem tornou-se um impotente do sentimento e, portanto, o anti-homem, a anti-pessoa.

Nelson Rodrigues in 'O Reacionário'


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A melhor coisa que se pode oferecer a Jesus neste Natal é a confissão




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Candla

É uma nova App Portuguesa que permite acender uma vela real na sua Igreja ou Santuário à distância quando não o pode fazer fisicamente.

O Papa Bento XVI foi o grande dinamizador do uso das redes sociais na Igreja, classificando-as mesmo como portais de verdade e de fé, e o nosso querido Papa Francisco seguiu essa tendência, ou, se quisermos, essa onda jovem e popular que aproxima cada vez mais Católicos por todo o mundo.  

Foi em 2002, que o Papa João Paulo II publicou pela primeira vez uma mensagem oficial sobre o impacto da internet na Igreja Católica. Passados quase 15 anos deste primeiro passo, e após o lançamento em 2014 do « Click to Pray » Portugal volta em 2016 a estar na vanguarda da inovação com a CANDLA (www.candla.org) que é uma App que permite acender uma vela real numa Igreja ou Santuário à distância, através do seu telemóvel.

Num mundo em que as fronteiras estão cada vez mais abertas e os intercâmbios culturais são facilitados pelas plataformas digitais, com este conceito inovador, a APP Candla quer acrescentar uma nova dimensão aos gestos da fé e à expressão popular.

A inovadora APP Candla, permite assim às comunidades emigrantes, e a todos os que por motivos de saúde ou profissionais não podem estar presentes na sua Igreja ou Santuário, ou que num momento especifico da sua vida querem estar mais perto do Santo da sua devoção e não o consigam fazer presencialmente, consigam esbater essas barreiras pela relação entre a APP Candla e o velário ou lampadário implementado na Igreja ou Santuário.

No entanto, este gesto não se esgota no acender de uma vela. A APP Candla, remete aos utilizadores em tempo real uma pagela com a oração do Santo ao qual acendemos a nossa vela, permitindo assim a oração ao Santo da nossa devoção.    

Já aderiram a este Projeto, muitas das Igrejas de Lisboa, como o Mosteiro dos Jerónimos ou a Igreja de Santo António ou Nossa Senhora de Fátima e agora está à distância de um toque acender uma vela nestas Igrejas. Para isso, basta apenas selecionar qual a igreja em que quer acender a vela, o Santo, a data e quantas velas quer e clicar em “acender vela”.

Para este conceito inovador, o acender de uma simples vela não é apenas uma simples prática de devoção popular com carácter sentimental, é uma expressão da essência da experiência cristã, e mesmo que tenha uma dimensão virtual, apontamos sempre para o mundo real e uma vela real irá acender-se. 


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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

A árdua tarefa de iluminar a Basílica de S. Pedro para o Natal

Nestas imagens dos anos 30, percebemos a dificuldade, e os perigos, que os "sanpietrini" corriam para acender as 900 tochas e 5000 lanternas no exterior da Basílica de S. Pedro, no Vaticano. Faziam-no por devoção.


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A Ordem dos Pregadores (Dominicanos) faz hoje 800 anos

No dia 22 de Dezembro de 1216, com a bula 'Religiosam Vitam', o Papa Honório III, aprovou a Ordem dos Pregadores. Esta é uma ordem mendicante fundada por S. Domingos de Gusmão, daí que os seus membros sejam conhecidos como 'Dominicanos'.

Como ordem mendicante, além da pobreza, adoptou desde o início um estilo de vida itinerante, de modo a melhor evangelizar, pregar e administrar os sacramentos. Além disso, os dominicanos sempre tiveram como características um carácter combativo e a prioridade dada ao estudo e à intelectualidade.

A prova disso é que o maior teólogo de sempre foi dominicano: S. Tomás de Aquino. S. Tomás é chamado o "Doutor Comum" porque não se pode fazer teologia sem fugir ao seu pensamento, de tal maneira foi profunda, e verdadeira, a sua doutrina.

Ao longo destes oito séculos, a Ordem dos Pregadores deu ao mundo muitos santos, como: S. Alberto Magno, Santa Catarina de Sena, S. Vicente Ferrer, S. Pio V (Papa), S. Martinho de Porres ou Santa Rosa de Lima.

Que todos estes santos, e especialmente o fundador S. Domingos, possam interceder para que a Ordem dos Pregadores volte a defender integralmente a doutrina e a tradição católica, tal como aconteceu ao longo dos séculos.

Aqui ficam algumas imagens do Rito Dominicano, que vem directamente de S. Domingos, e que é bastante parecido com o Rito Romano (Antigo):




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Profissão de fé de S. Pedro Canísio, SJ

S. Pedro Canísio foi um sacerdote jesuíta holandês, nascido no ano 1521. Foi um forte combatente contra a revolução protestante, especialmente na Alemanha, Áustria e Suiça. O seu trabalho foi especialmente importante na Alemanha, onde se diz que a Fé católica permaneceu graças a este santo. Foi declarado Doutor da Igreja em 1925, pelo Papa Pio XI.
A partir de 1571 passou a incluir esta profissão de fé em todos os seus livros:

Professo diante de Vós a minha fé, Pai e Senhor do Céu e da terra, meu Criador e Redentor, minha força e minha salvação, que desde os meus mais tenros anos não cessastes de nutrir-me com o pão sagrado da vossa Palavra e de confortar o meu coração.

A fim de que eu não vagasse, errando como as ovelhas transviadas que não têm pastor, Vós me congregastes no seio de vossa Igreja; colhido, me educastes; educado, continuastes a me ensinar com a voz daqueles Pastores nos quais Vós quereis ser ouvido e obedecido como em pessoa pelos vossos fiéis.

Confesso em alta voz, para a minha salvação, tudo aquilo que os católicos sempre acreditaram de bom direito nos seus corações.; não quero ter nada em comum com eles, porque não falam nem ouvem rectamente, nem possuem a única regra da verdadeira Fé proposta pela Igreja Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana.

Uno-me, em vez disso, na comunhão, abraço a fé, sigo a religião e aprovo a doutrina daqueles que ouvem e seguem a Cristo, não apenas quando ensinada nas Escrituras, mas também quando julgada pela boca dos Concílios Ecuménicos e definida pela boca da Cátedra de Pedro, testemunhando-a com a autoridade dos Padres.

Professo-me também filho daquela Igreja Romana que os ímpios blasfemos desprezam, perseguem e abominam como se fosse anticristã; não me afasto de nenhum ponto da sua autoridade, nem me recuso a dar a vida e derramar o meu sangue em sua defesa, e creio que os méritos de Cristo podem obter a minha salvação e a de outros somente na unidade desta mesma Igreja.

Confesso essa Fé e doutrina que aprendi ainda criança, confirmei na juventude, ensinei como adulto, e que agora, com a minha débil força, defendo. Professo francamente, com São Jerónimo, ser uno com quem é uno à Cátedra de Pedro, e protesto, com Santo Ambrósio, seguir em todas as coisas a Igreja Romana que reconheço respeitosamente, com São Cipriano, como raiz e mãe da Igreja universal.

Ao fazer esta profissão, não me move outro motivo senão a glória e honra de Deus, a consciência da verdade, a autoridade das Sagradas Escrituras, o sentimento e o consenso dos Padres da Igreja, o testemunho de fé que devo dar aos meus irmãos e, finalmente, a salvação eterna que espero no Céu e a felicidade prometida aos verdadeiros fiéis.

Se acontecer de eu vir a ser desprezado, maltratado e perseguido por causa desta minha profissão, considerá-lo-ei uma graça e um favor extraordinários, porque isso significará que Vós, meu Deus, me destes a ocasião de sofrer pela justiça e não quereis que me sejam benevolentes aqueles que, como inimigos declarados da Igreja e da verdade católica, não podem ser vossos amigos.

No entanto, perdoai-os, Senhor, porque, instigados pelo diabo e cegados pelo brilho de uma falsa doutrina, não sabem o que fazem, ou não querem saber.

Concedei-me, contudo, esta graça: de que na vida e na morte eu renda sempre um testemunho autêntico da sinceridade e fidelidade que devo a Vós, à Igreja e à verdade, que não me afaste jamais do vosso santo amor, e que esteja em comunhão com aqueles que Vos temem e guardam os vossos preceitos na Santa Igreja Romana, a cujo juízo, com ânimo pronto e respeitoso, eu me submeto e toda a minha obra.

Todos os santos, triunfantes no Céu ou militantes na terra, que estais indissoluvelmente unidos no vínculo da paz na Igreja Católica, mostrai a vossa imensa bondade e rezai por mim.

Vós sois o princípio e o fim de todos os meus bens; a Vós sejam dados, em tudo e por tudo, louvor, honra e glória sempiterna. Ámen.

Senza Pagare

PF


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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

A noiva e as carmelitas

Enquanto crescia, Maria Teresa sempre foi com a sua família à Missa ao Carmelo de Barquisimeto (Venezuela). Por isso considera as irmãs carmelitas como parte da sua família. Quando ficou noiva pediu às irmãs que lhe fizessem o ‘bouquet’ para o seu casamento. As irmãs incluíram no ‘bouquet’ dois escapulários: um para cada um dos noivos.

Maria Teresa quis partilhar a alegria pelo seu matrimónio visitando o Carmelo e as suas queridas carmelitas.


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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Os católicos de hoje são tão abertos ao mundo que quase se afogam no secularismo - Cardeal Avery Dulles, SJ

O Cardeal Avery Dulles, SJ, foi criado presbiteriano, mas quando estudava em Harvard já era mais agnóstico que presbiteriano. As suas dúvidas religiosas foram diminuídas durante um momento pessoal profundo em que saiu para um dia chuvoso e notou uma árvore a começar a florescer próxima do Charles River; após esse momento nunca mais "duvidou da existência de um Deus omnipotente e bom". Ele notou como o seu teísmo depressa se tornou numa conversão ao catolicismo: "Quanto mais examinava, mais impressionado ficava com a consistência e sublimidade da doutrina Católica." Converteu-se ao catolicismo no Outono de 1940, tornando-se depois jesuíta e feito em 2001 Cardeal pelo Papa João Paulo II.

«(…) nos anos noventa os problemas mudaram novamente. Os católicos hoje têm menos razões para se sentirem sobrecarregados pela bagagem acumulada dos séculos passados. Deixaram de ser forçados a aderir aos rígidos padrões estabelecidos pelos seus antepassados. Em países como os Estados Unidos, a gente nova não pode sequer imaginar o que teria sido viver na Igreja Católica de há cinquenta anos atrás. Estes celebram normalmente em igrejas ou auditórios despojados, sem altares nem imagens. Não sabem nada sobre as respostas do catecismo que os seus pais e avós memorizavam. Praticamente não sabem orações de cor, e são, talvez, incapazes de rezar o Angelus ou o Terço. Eles são tão abertos ao mundo que quase se afogam no secularismo. Tudo o que lhes é familiar veio à existência ontem e vai provavelmente desaparecer amanhã. Nas suas vidas nada parece estável e seguro. Não surpreende que muitos deles tenham de novo fome da riqueza e estabilidade de uma tradição católica a que eles quase perderam o acesso.

A recuperação da tradição estável não será fácil, mas os sinais dos tempos nos anos noventa são, em alguns aspectos, mais favoráveis às “tradições” do que os dos anos sessenta. Quatro considerações podem ser aqui propostas: 

1. O historicismo do passado recente exagerou a transitoriedade de todas as coisas humanas. As estruturas profundas da natureza, incluindo a natureza humana, são surpreendentemente resistentes à mudança. Quando lemos Homero ou Sófocles, o Êxodo ou os Provérbios, somos surpreendidos pelo pouco que as coisas realmente mudam. As tradições religiosas fornecem símbolos que expressam, de forma viva e concreta, a situação permanente e universal do ser humano diante da alteridade transcendente de Deus. Gestos como curvar-se e ajoelhar-se, o uso de velas e incenso, água e óleo, e a manutenção de espaços sagrados em lugares de culto – estes e mil outros costumes põe os fiéis em contacto com as estruturas profundas da realidade e promovem uma autêntica experiência religiosa. Nada na situação contemporânea convida a que estas ajudas para a celebração da liturgia sejam abandonadas. 

2. As tradições religiosas, precisamente porque não seguem a última moda, prestam um importante serviço, dispondo os crentes à comunhão com o sagrado e com o divino. Não devemos esquecer a importância do canto, dos ícones e das antigas línguas sacrais – como são para os cristãos, o hebraico, o grego e o latim. Mesmo o vernáculo usado no culto, se se quer evocar reverência para com o divino, deve ser distinto do jargão usado habitualmente no mercado. 

3. Nas religiões históricas, tal como o cristianismo, a tradição tem ainda outra função. Esta liga o crente contemporâneo aos eventos fundadores nos quais se alicerça a comunidade. Os dias de festa tradicionais, as leituras e rituais reactualizam de uma forma poderosa as experiências do Êxodo, do Sinai, da conquista da Terra Santa, do retorno do exílio babilónico e, para os cristãos, as acções redentoras de Jesus Cristo. Os actos comuns, tal como a bênção e efusão da água, ou a consagração do pão e do vinho, ultrapassam as próprias potencialidades simbólicas da natureza. Estes permitem-nos participar nos acontecimentos salvíficos que se encontram nas próprias fontes da nossa existência religiosa. 

4. As tradições são necessárias para iniciar e integrar os indivíduos em qualquer comunidade que exija lealdade e compromisso por parte dos seus membros. Para uma nação, a bandeira, feriados nacionais, hinos, e promessas de lealdade, são uma grande ajuda para estabelecer solidariedade entre os cidadãos. A Igreja precisa de tradições semelhantes. Sem o uso de crucifixos, de dias de festa, de hinos e profissões de fé, o Catolicismo dificilmente se poderia manter como uma sociedade mundial duradoura. Muitas dessas tradições foram severamente abaladas nos anos que se seguiram ao Vaticano II. Hoje precisam de ser reconstituídas e reforçadas. Sem uma integração mais efectiva na Igreja, pode acontecer que os fiéis deixem de ter a possibilidade de aceitar ou de interpretar correctamente as Escrituras, os símbolos normativos, e as afirmações de fé que vêm do passado». 

Avery Dulles, The Craft of Theology. From Symbol to System, (1992), 101-103


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O que comiam os portugueses no Natal há 100 anos

Está a ver aquela posta alta e deliciosa de bacalhau cozido com couves, cenouras, batatas e muito azeite por cima? No início do século XX, isso era coisa que só existia no Norte do País. Do Porto para baixo, a véspera de Natal era passada no mais rígido e rigoroso jejum. A partir do início do Advento, as famílias faziam jejum de carne e, na véspera de Natal, no Sul do país, era jejum total até à Missa do Galo.

A tradição é recordada por Maria de Lourdes Modesto num artigo publicado no jornal Público. A maior especialista em comida portuguesa lembra-se que, na década de 30, depois da Missa tinha finalmente direito a comer qualquer coisa – e normalmente os pais serviam um doce para quebrar o jejum. No dia 25, então, era servido um almoço completo e, no Alentejo, onde vivia com a família, era sempre porco – peru nem vê-lo. 

No Funchal, a tradição também era a do jejum na véspera e a do porco no Dia de Natal. De madrugada, depois da Missa do Galo, era servida uma canja e um cálice de vinho. Na verdade, a festa só começava depois da Missa.

Hoje em dia, a ceia da véspera de Natal tem tanta importância como o almoço de dia 25. Mas, há 100 anos, era coisa que existia essencialmente no Norte do País, acima do Porto. Aí, sim, havia uma tradição de jantar em família, com bacalhau – cozido ou em pastéis –, polvo guisado, arroz de polvo ou outros pratos sem carne. Na véspera de Natal, a família reunia-se à mesa para celebrar a festa em conjunto. E a Missa do Galo não existia na região.

in casalmisterio.com


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