quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Cardeal Burke: A Missa Antiga não é uma ‘excepção’, quem o diz é o Summorum Pontificum

As palavras sempre claras do Cardeal Burke fazem dele um verdadeiro defensor da Igreja em todos os seus aspectos, desde a defesa da vida à teologia, passando pela liturgia. O Cardeal explicou que a Missa Antiga não é uma excepção. Na verdade, o Papa Bento XVI não pretendia que “extraordinário” fosse entendido como “excepção”.  

Nesta curta entrevista concedida, há poucos dias atrás, a Bruno Volpe, do "La Fede Quotidana", o Patrono da Soberana Ordem Militar de Malta abordou especialmente a vitória de Donald Trump nas eleições e o que esperar do novo Presidente dos Estados Unidos: 

Eminência, recentemente defendeu que não é plausível ter medo de Trump. Porquê?

C. B. - É preciso perceber o que significou verdadeiramente esta eleição, mas para isso precisamos ainda de tempo. A ideia que tenho é que os americanos quiseram uma mudança, quer na política quer na economia e é com esta chave de leitura que interpreto o seu voto.

Porquê uma mudança na economia?

C. B. - Trump soube interpolar o descontentamento de tantos cidadãos em dificuldade, empobrecidos e sem voz, negligenciados. Este grupo de pessoas sentia Clinton como uma pessoa muito distante, por talvez estar ligada a grupos financeiros. Creio e tenho confiança que Trump cuidará dos mais desfavorecidos. Mas só depois devemos julga-lo, em relação ao que efectivamente fizer. O tom forte da campanha eleitoral deve agora ser adocicado, há sempre diferença entre aquilo que se diz antes e depois das eleições.

Trump disse ser contrário ao aborto…

C. B. - Espero que mantenha a sua promessa. Olhando por este prisma e ligando-o com a atenção dada aos mais pobres, Trump parece-me ser mais próximo aos valores católicos que Clinton e não é preciso ter medo dele. Temos de o deixar trabalhar, pessoalmente não estou preocupado e além disso deve-se respeitar o voto livre. Nem creio que Trump seja um homem de guerras, aliás a sua sintonia com Putin parece ir precisamente em sentido oposto.

Qual é a posição da Igreja americana?

C. B. - Pelo que sei, mas posso estar enganado, muitíssimos católicos apoiaram Trump.

Um dos cavalos de batalha do novo presidente está no acolhimento dos imigrantes. Que pensa das suas posições?

C. B. - A caridade é sempre um dever, em particular para os cristãos. No que respeita os imigrantes, é preciso que esta seja feita com prudência e inteligência. Os desesperados merecem ajuda, mas é preciso avaliar quem realmente tem necessidade e escapa a guerras ou perseguições. Além do mais,o problema dos imigrantes não é só americano. Por toda a parte existem refugiados verdadeiros e também aqueles que não o são. Nos EUA encontramos também aqueles que chegam com intenções pouco sérias e honestas, que vêm para especular e sobretudo para entrar em actividades ilícitas. Portanto, precisamos de dar acolhimento, mas com critério, sabedoria e respeito pelas regras.

No novo livro do Padre Spadaro “Nos teus olhos a minha palavra”, o Papa Francisco define o Rito Romano Antigo como uma “excepção”. O que pensa sobre isto?

C. B. - Que não é uma excepção. É a Missa de sempre da Igreja e portanto não pode ser ignorada, tem igual dignidade. Além disso, basta ler o Motu Proprio do Papa Bento XVI sobre esse assunto, que é claro.[1]



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O terror em Alepo descrito pela Irmã Guadalupe, missionária na Síria



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terça-feira, 29 de novembro de 2016

Cardeal do Bangladesh faz gesto de humildade por reverência a Bento XVI

O beija-pé foi a saudação normal que a etiqueta e protocolo papal prescrevia para os fiéis apresentados ao Papa em audiência privada. Os fiéis deviam ficar ajoelhados e beijar a cruz de ouro bordada em seu sapato (o múleo). O costume iniciou-se em meados do século VI como demonstração de veneração ao Papa como Vigário de Pedro. Durante a maior parte da história, o beija-pé foi um símbolo de respeito e submissão ao papa.

Na imagem vemos recém-criado Cardeal do Bangladesh, Msgr. Patrick D'Rozario, Arcebispo de Dhaka a tocar com a mão que beijou, no pé do Papa Bento XVI.


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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

As aparições das almas do Purgatório

Não ouvimos falar com muita frequência sobre o Purgatório, hoje em dia, o que é uma pena.

Que presente (assustador, mas maravilhoso) receberíamos se, durante a noite, fôssemos despertados pela presença de um falecido parente ou amigo pedindo-nos orações, sacrifícios e Missas para se libertar do purgatório! E seria especialmente bom se essa alma sofredora nos deixasse algum sinal perceptível e duradouro, para que, à luz do dia, tivéssemos a certeza de que aquela visita não foi apenas um pesadelo ocasionado por algum excesso ao jantar…

Na parábola do pobre Lázaro e do rico epulão (Lc 16, 19-31), este último, após morrer e ir para o inferno, implora para que Abraão envie "alguém dentre os mortos" a fim de alertar os seus irmãos ainda vivos e fazê-los se arrepender enquanto há tempo. Abraão responde: "Se eles não ouvem Moisés e os profetas, não se deixarão persuadir nem sequer se alguém ressuscitar dos mortos". A referência, é claro, era à própria ressurreição de Jesus, mas, na Sua grande misericórdia, Nosso Senhor também enviou aos vivos, em várias ocasiões, alguns emissários dentre os mortos. E eles deixaram provas da sua visita.

Por "provas" não me refiro aos muitos testemunhos escritos que tantos santos nos legaram sobre o purgatório e sobre o inferno: Santa Margarida Maria de Alacoque, Santa Gertrudes, Santa Brígida da Suécia, São João Maria Vianney, Santa Maria Faustina, Santa Catarina de Sena, Santa Catarina de Gênova… 

Falo de provas materiais tangíveis, como as que são custodiadas numa pequena sala ao lado da sacristia de uma igreja de Roma, a do Sagrado Coração de Jesus em Prati. Também chamada de “Sacro Cuore del Suffragio” ou Sagrado Coração do Sufrágio, essa igreja neo-gótica, cuja construção foi finalizada em 1917, está situada às margens do rio Tibre, a meros dez minutos da Praça de São Pedro. Ela é bastante peculiar porque abriga o “Piccolo Museo del Purgatorio”, ou seja, o Pequeno Museu do Purgatório.

A missão da Ordem do Sagrado Coração, fundada em 1854 na França, era a de orar e oferecer missas em sufrágio das almas do purgatório. A capela da ordem em Roma, dedicada a Nossa Senhora do Rosário, ficou severamente destruída pelas chamas a 15 de Setembro de 1897. Após o incêndio, o sacerdote designado para a capela, o padre Victor Jouet, ficou atónito ao ver a imagem de um rosto sofrido que parecia ser de uma alma do purgatório em uma das paredes atingidas pelo fogo. Ele pediu e obteve, depois desse episódio, a permissão do Papa Pio X para viajar por toda a Europa a fim de recolher relíquias que servissem como indícios de outras visitas feitas por almas do purgatório ao nosso “mundo dos vivos”.

Uma das relíquias expostas hoje no museu mostra um pedaço de madeira da mesa que tinha pertencido à venerável Madre Isabella Fornari, abadessa do mosteiro das clarissas de São Francisco, em Todi. A Madre Isabella tinha sido visitada pelo falecido Padre Panzini no dia 1º de novembro de 1731. Para lhe mostrar que estava sofrendo no purgatório, ele colocou a sua mão esquerda "em chamas" sobre a mesa de trabalho da religiosa, deixando ali impressa a sua mão queimada, além de gravar na madeira da mesa uma cruz com o dedo indicador, igualmente ardente. Para completar, ele colocou a mão também na manga da túnica da abadessa, queimando o braço da religiosa a ponto de fazê-lo sangrar. Depois de relatar o fatco ao confessor, Padre Isidoro Gazata, este pediu que a religiosa cortasse aquelas partes da túnica e as entregasse à sua custódia juntamente com a pequena mesa.

Em 1815, Margherite Demmerlé, que viveu na diocese de Metz, foi visitada por uma alma que se identificou como a sua sogra falecida trinta anos antes, ao dar à luz. Ela pediu que Margherite fosse em peregrinação até o Santuário de Nossa Senhora de Mariental e pedisse a celebração de duas Missas por ela. Margherite pediu um sinal e a alma pôs a mão sobre o livro que ela lia: "A Imitação de Cristo". A mão ficou impressa na página aberta. A sogra retornou após a peregrinação, quando as Missas solicitadas já tinham sido rezadas, para agradecer e contar que tinha sido liberada do purgatório.

Em 1875, Luisa Le Sénèchal, morta havia dois anos, apareceu para o marido Luigi na sua casa de Ducey, em França. Pedindo-lhe orações, ela deixou a marca incandescente dos seus cinco dedos nas suas vestes, além de solicitar que a filha do casal encomendasse Missas em intenção do repouso eterno da sua alma.

Cerca de uma dúzia de outras relíquias marcadas por similares eventos sobrenaturais podem ser vistas no Pequeno Museu do Purgatório.

Estes exemplos não pretendem chocar nem assustar. Muitíssimos outros podem ser encontrados, por exemplo, em livros de autoria do renomado padre jesuíta francês do século XIX: François Xavier Schouppe, como "O purgatório explicado". Ele escreveu: “Ao dar-nos esse tipo de aviso, Deus mostra-nos a sua grande misericórdia. Ele exorta-nos, da maneira mais eficaz, a ajudar as pobres almas que sofrem e a permanecermos vigilantes no tocante à nossa própria”.

Quem pensa nos quatro “novíssimos” ou “quatro últimas coisas” (morte, juízo, inferno e paraíso) pode ficar curioso quanto ao Purgatório. Embora a Igreja não afirme conhecer pormenorizadamente a natureza do sofrimento que aflige as almas no purgatório, os comentários do Papa emérito Bento XVI e os escritos de Santa Catarina de Génova (1447-1510), especialmente o seu "Tratado sobre o purgatório", são ilucidantes. A santa descreveu o purgatório não como um lugar envolto em chamas, e sim como um estado em que as almas experimentam o tormento das chamas interiores por reconhecerem a sua profunda pecaminosidade diante da perfeição da santidade e do amor de Deus para com elas.

Rezemos pelas almas do Purgatório, para que, purificadas, possam interceder por nós no Céu.

adaptado de Aleteia


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A profecia de S. António Maria Claret sobre a ditadura em Cuba

Santo António María Claret nasceu em 1807, na Cataluña. Em 1851, partiu rumo a Cuba com o encargo de ser Arcebispo de Santiago. Chegou em 18 de Fevereiro desse ano, e consagrou a sua actividade pastoral à protecção da Virgem da Caridade do Cobre, padroeira de todos os cubanos, de quem também foi um entusiasta devoto.

O santo espanhol foi Arcebispo de Cuba entre 1851 e 1857. De acordo com uma forte tradição oral e a escritos que conserva a congregação que fundou, a Virgem da Caridade do Cobre revelou a Santo António, enquanto este percorria as montanhas de Santiago de Cuba, que a ilha sofreria uma ditadura de mais de 40 anos, que terminaria com a morte do líder na sua cama e o “derramamento de sangue”.

Segundo a tradição, o Padre Claret percorria as zonas montanhosas de Santiago quando lhe apareceu a Virgem da Caridade para lhe predizer o futuro de Cuba, profecia que logo o sacerdote transmitiu aos seus paroquianos e membros da sua congregação.

A revelação da Virgem “falava de um jovem muito ousado que subiria por essas mesmas montanhas com as armas na mão, e depois de uns anos desceria triunfante com uma espessa barba, acompanhado de outros homens também barbudos e com cabelos compridos”.

“Esses jovens trariam penduradas nos seus pescoços medalhas da Caridade do Cobre e crucifixos que em pouco tempo deixariam de usar, para logo negar com vergonha as suas crenças”.

A profecia adiciona que o jovem líder “seria aclamado por todos por causa de numerosas reformas de benefício popular, iria dando procuração pouco a pouco de todo o poder, sumindo ao povo cubano sob uma férrea ditadura que duraria 40 anos, nos quais Cuba sofreria numerosas calamidades e penúrias. Finalmente, esse homem morreria na cama”.

Depois do seu falecimento, continua a profecia, “produzir-se-ia um curto período de instabilidade e conflitos nos que chegariam a produzir-se alguns derramamentos de sangue, embora logo a nação cubana voltaria a levantar-se aos poucos até chegar a ocupar um destacado lugar no âmbito internacional”.

adaptado de aci digital


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domingo, 27 de novembro de 2016

Começou o tempo para os sacerdotes celebrarem Missa 'ad orientem' respondendo ao pedido do Cardeal Sarah

No Congresso sobre a Sacra Liturgia (em Londres), o Cardeal Robert Sarah recomendou que os sacerdotes começassem a celebrar a Missa 'ad orientem' nas suas paróquias, a partir do primeiro Domingo de Advento. Aqui ficam as palavras do Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos:

E assim, queridos Padres, peço-vos para implementar esta prática (culto ad orientem), sempre que possível, com prudência e com a catequese necessária, certamente, mas também com a confiança de um pastor, que isso é algo bom para a Igreja, algo de bom para nosso povo. 

O vosso próprio julgamento pastoral vai determinar como e quando a prática deste culto é possível, mas talvez o início desta prática a partir do primeiro Domingo do Advento deste ano, quando estivermos a assistir “ao Senhor que virá"e "o qual (o Senhor) não tardará" (ver: Intróito da Missa de Quarta-Feira da primeira semana do Advento) poderá ser um bom momento para fazer isso. 

Queridos Padres, devemos ouvir novamente o lamento de Deus proclamado pelo profeta Jeremias: "eles viraram as costas para mim" (2, 27). Voltemo-nos novamente para o Senhor!
Papa Francisco celebra Missa 'ad orientem' no altar de S. João Paulo II



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1º Domingo do Advento: Feliz ano novo!




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sábado, 26 de novembro de 2016

'Querida Mãe': o vídeo censurado em França por "perturbar consciências"

Vale a pena relembrar que 90% dos bebés com Síndrome de Down são abortados. Perturbar as consciências é prioritário!


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"Sejam cristãos o dia todo" - Irmã Guadalupe testemunha em Lisboa

A Irmã Maria de Guadalupe Rodrigo, religiosa argentina da Congregação do Verbo Encarnado, esteve na igreja da Encarnação no dia 23 de Novembro a dar um testemunho sobre os anos em que viveu na Síria. Começa por agradecer a presença de todos porque diz que uma das grandes dores da Síria, para além da guerra, é o silêncio e o abandono que sentem.

Esteve na Síria durante cinco anos, cinco anos de guerra. Conta ela que antes de ir para a Síria esteve doze anos em missão no Egipto, no fim dos quais já estava doente. Tendo em conta o estado de saúde em que se encontrava pediu aos seus superiores, em 2010, para ir para a Síria descansar. Queria ir para um sítio calmo e a Síria era um paraíso de convivência entre muçulmanos e cristãos, o lugar ideal para ir buscar forças depois de doze anos num sítio em que havia uma grande perseguição aos cristãos que eram uma minoria.

Passados uns meses de ter chegado a Alepo começaram a aparecer as chamadas manifestações pacíficas, por todo o mundo a comunicação social reportou-as como uma guerra civil em que o povo afirmava querer depor o seu governo ditatorial para poderem ter um democrático. Diz a Irmã, com toda a certeza, que eram ataques terroristas, que o povo estava contente com o governo que tinha há tanto tempo porque sabiam que era o único que conseguia dar estabilidade ao País.

Conta que, no primeiro ano, saíram milhares de pessoas às ruas a suplicar que fosse explicado que não era nada daquilo que eles queriam, que queriam continuar como antes. Mas o Ocidente desejava impor a sua forma de governo ao Médio Oriente e tudo o que o povo clamava era traduzido para todos de uma maneira completamente diferente; só quem lá estava percebia o que se passava na realidade, só quem testemunhava o dia-a-dia daqueles cidadãos compreendia o desespero que viviam. Afirma, convicta, que “temos de respeitar a soberania destes povos!

Diz ainda, desolada, que sabe que esta guerra foi decidida num escritório, por pessoas sedentas de poder, por aqueles que querem decidir o destino de todos os povos, por “pessoas de fora”. Os Bispos, desde o princípio, suplicavam pelo fim do financiamento de armamento, que, continuando, seria financiar um genocídio.

No primeiro ano de guerra, Alepo esteve cercada pelos terroristas que deixaram a população sem água, gás e comida. Estavam cinco milhões de pessoas encurraladas, pessoas estas que estavam habituadas a ter todos os confortos, que eram ricas e que, de um dia para o outro, ficaram sem nada. “Foi muito confuso, ninguém sabia por onde começar, ninguém sabia agir, mães que sempre tiveram quem lhes cuidasse dos trabalhos domésticos estavam na rua a tentar dar alguma coisa para comer aos seus filhos, foi muito triste”. De seguida começaram os ataques à cidade e ao país, os bairros católicos foram os mais castigados e 12 milhões de pessoas tiveram de fugir tornando-se refugiados. Reitera: “a única solução possível é o fim da «fábrica de refugiados» que é a guerra, é acabar com a perseguição aos cristãos”.

Salienta que até os muçulmanos que vivem na cidade estão preocupados com o desaparecimento dos cristãos porque sabem que são eles que mantêm o bom nível de ensino e os valores pessoais e culturais que lá não têm.

Apesar de todo o sofrimento vivido no país, diz que, para as Irmãs que lá estão, é um privilégio poder servir a Igreja sendo mártires, que é um presente de Deus. Agradece poder estar junto dos mártires nos dias antes das suas mortes, poder estar com eles todos os dias, “são os mártires dos nossos tempos, os santos dos dias de hoje; é um presente poder servi-los”. "Para nós é um privilégio estar na Síria e no Iraque todos os dias. Pensem no vosso santo mártir mais querido. Agora pensem que no século XXI existem santos mártires todos os dias. E nós estivemos ao lado deles, a acompanha-los. Há coisa melhor?" Há cinco anos que aquele povo vive com explosões diárias tendo que se habituar a conviver com a morte e a preparar-se, todos os dias, para morrer. Sempre que saem de casa para ir para a escola, para o trabalho ou simplesmente para ir à mercearia, despedem-se dos seus familiares como se não os fossem voltar a ver. Mas, apesar de tudo, continuam perseverantes na sua fé. A Irmã conta que na Páscoa e no Natal os ataques são mais fortes e que, mesmo sabendo disto, as igrejas estão sempre cheias porque estas pessoas “sofrem muito e por isso rezam muito e quando sofrem mais, rezam mais, rezam continuamente!” "Casamentos são a céu aberto porque as igrejas não têm tecto! A luz que entra é a do sol! Para casar são precisos os noivos e um padre. Tudo o resto é secundário."

Dá o exemplo de uma rapariga que lhe disse, com tristeza, que no Ocidente as pessoas andam preocupadas à procura de pokemons enquanto eles tinham que se preocupar a procurar familiares debaixo de escombros.

"As pessoas despedem-se todos os dias umas das outras. O pai que vai trabalhar despede-se. A mãe que vai ao pão despede-se. O filho que vai a escola despede-se. Porque podem não voltar."

Confirma que todos os dias se vêem coisas horrorosas mas que Deus vence sempre, há sempre milagres a acontecer à volta deles. Conta a história de um padre que ia ser morto enquanto o filmavam e que, no último instante, o assassino não o conseguiu fazer porque “sentiu uma força sobrenatural a puxá-lo para o sentido oposto”. 

Pede para que os cristãos perseguidos sejam um exemplo para nós: eles são cristãos 24 horas, em qualquer sítio, com quem quer que seja; sabem que são mártires; sofrem mas não se deixam ir abaixo porque sabem que lhes podem tirar tudo, mas que o céu ninguém lhos tira. Pede “que os cristãos perseguidos nos dêem um mote: ser cristãos o dia todo. Que se note que somos diferentes mesmo que por isso possamos ser perseguidos. Que estejamos apaixonados por Cristo. Apóstolos sem medo, manifestando-nós sem medo”. "No Egipto tatuam uma cruz para se distinguirem como cristãos. É incrível andar no autocarro e ver mais gente com esta cruz e pensar 'somos 4 neste autocarro. Somos imensos!' No Ocidente não falamos sobre isso. O que pensariam as pessoas? Vão dar conta que somos católicos? Parecemos uma Igreja clandestina... Parece que somos perseguidos."

Mostrando várias fotografias de jovens que convivem muito com as irmãs diz que eles têm uma alegria verdadeira e contagiante, que antes da guerra só se preocupavam com coisas materiais e fúteis e que hoje em dia só pensam no Céu, “eles têm a alegria do Céu”. Lembra-nos que eles convivem com a morte todos os dias e que, consequentemente vivem com a intensidade de quem sabe que vai morrer, eles fazem o que têm de fazer, sempre, para irem para junto de Nosso Senhor. "Estudam com velas porque só há 2 horas de luz por noite, formam-se e são felizes. Já há médicos que se estão a formar agora e que estudaram 5 anos com guerra, a luz das velas." Houve um ataque ao bairro da Irma Guadalupe e toda a gente pegou na mochila que têm sempre para as emergências: os estudantes levaram apontamentos para se sobreviverem poderem continuar os estudos. Cada dia é um dia.

Suplica-nos que aprendamos a sofrer e a oferecer o nosso sofrimento. Reitera que a saúde da alma é a única que verdadeiramente interessa e que temos de cuidar dela: "Claro que me preocupo que vás para a guerra. Mas o que me preocuparia mais seria se um filho meu morresse na alma" (mãe da Irmã Guadalupe sobre o facto de ela voltar para a Siria depois das férias na Argentina). Dizendo que para isso é preciso renúncia, sacrifício e abnegação. "Antes da guerra só nos preocupávamos com coisas ligeiras. E agora com a guerra demos importância ao que realmente interessa. Conviver com a morte tira-nos o medo de morrer. Mas estou feliz." "O que são 10 anos comparado com a eternidade?"

O que aquelas pessoas vivem não é algo de extraordinário, elas vivem o Evangelho. A perseguição faz parte da vida dos cristãos. O comportamento de um cristão choca com o Mundo e com os critérios mundanos e isso assusta os outros. Nosso Senhor disse: "vocês não são do mundo" mas eu escolhi-os tirando-os do mundo; por isso o mundo odeia-vos. O Mundo e o Evangelho não andam juntos e em todo o Mundo a Igreja e os seus valores são perseguidos. "Mesmo no Ocidente todos os dias a Igreja e os seus valores são perseguidos. Leis, notícias, opressão social..." Afirma que nós temos que analisar a nossa vida e ver o que estamos a fazer porque se estivermos conformados com o mundo não estamos bem.

Por fim pede-nos que não paremos de rezar: "No credo rezamos que acreditamos nas Comunhão dos Santos. Quer dizer que todos estamos ligados. Aproveitemos o sangue dos mártires."As vossas orações são a origem das graças que recebemos todos os dias. Nunca deixem de rezar. Obrigado!" E termina o testemunho cantando a mais antiga oração a Nossa Senhora em Siríaco:
"Sub tuum praesidium confugimus, Sancta Dei Genetrix. Nostras deprecationes ne despicias in necessitatibus nostris, sed a periculis cunctis libera nos semper, Virgo gloriosa et benedicta."

“À Vossa proteção nos acolhemos Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas nas nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita.”

Resumo por: Clara Goes


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80 mil pessoas rezaram um 'Terço vivo'

80 mil pessoas rezaram um 'Terço vivo' em Melbourne, na Austrália. O 'Melbourne Cricket Ground' ficou repleto mas dessa vez não havia qualquer evento desportivo, mas sim a oração que Nossa Senhora pediu insistentemente que se rezasse. Foi há 65 anos atrás, em Novembro de 1951.


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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

D. Athanasius Schneider em defesa dos 4 Cardeais

Sua Excelência Reverendíssima, Msgr. Athanasius Schneider escreveu o seguinte texto para apoiar os 4 Cardeais que pediram ao Papa Francisco que lhes esclarecesse 5 dúvidas (dubia) sobre a aplicação pastoral da Exortação Apostólica 'Amoris Laetitia':
“Nada podemos fazer contra a verdade, mas somente a favor desta” (2 Cor 13, 8).

Uma voz profética de quarto Cardeais da Santa Igreja Católica Romana

Movidos por uma “profunda preocupação pastoral”, quatro Cardeais da Santa Igreja Católica Apostólica Romana – Sua Eminência Joachim Meisner, Arcebispo Emérito de Colónia (Alemanha), Sua Eminência Carlo Caffarra, Arcebispo Emérito de Bolonha (Itália), Sua Eminência Raymond Leo Burke, Patrono da Soberana Ordem Militar de Malta, e Sua Eminência Walter Brandmüller, Presidente Emérito do Pontifício Comité para as Ciências Históricas – publicaram, a 14 de Novembro de 2016, um texto com cinco questões – chamadas dubia (em latim, “dúvidas”) – que, a 19 de Setembro de 2016, juntamente com uma carta, tinham enviado ao Santo Padre e ao Cardeal Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

No texto os Cardeais pedem ao Papa Francisco para esclarecer a “grave desorientação e grande confusão” acerca da interpretação e aplicação prática, particularmente do capítulo VIII, da Exortação Apostólica Amoris Laetitia, e as suas passagens relacionadas com a admissão de divorciados recasados aos sacramentos e ao ensino moral da Igreja.

Na sua declaração intitulada “Procurando clareza: alguns nós por resolver em Amoris Laetitia“, os Cardeais afirmam que para “muitos – bispos, párocos, fiéis –, estes parágrafos fazem alusão, ou ensinam explicitamente, uma mudança da disciplina da Igreja a respeito dos divorciados que vivem numa nova união”.
Ao dizê-lo, os Cardeais meramente afirmaram factos reais na vida da Igreja. Esses factos são demonstrados pelas orientações pastorais a cargo de diversas Dioceses e por declarações públicas de alguns Bispos e Cardeais, que afirmam que, em alguns casos, católicos divorciados recasados podem ser admitidos à Sagrada Comunhão, embora continuem a gozar dos direitos reservados pela Lei Divina a esposos validamente casados.

Ao publicar um apelo por clareza numa matéria que toca a verdade e a santidade simultaneamente de três sacramentos – Matrimónio, Confissão e Eucaristia – os quatro Cardeais apenas cumpriram o seu dever básico enquanto Bispos e Cardeais, que consiste em contribuir activamente a fim de que a revelação transmitida pelos Apóstolos possa ser sagradamente guardada e fielmente interpretada.

Foi, especialmente, o Concílio Vaticano II que recordou todos os membros do colégio dos bispos, enquanto sucessores dos apóstolos, da sua obrigação, “por instituição e preceito de Cristo, à solicitude sobre toda a Igreja, a qual, embora não se exerça por um acto de jurisdição, concorre, contudo, grandemente para o bem da Igreja universal. Todos os Bispos devem, com efeito, promover e defender a unidade da fé e disciplina comum a toda a Igreja” (Lumen gentium, 23; cf. também Christus Dominus, 5-6).

Ao fazer um apelo público ao Papa, Bispos e Cardeais deveriam ser movidos por uma genuína afeição colegial pelo Sucessor de Pedro e Vigário de Cristo na terra, na esteira do ensinamento do Concílio Vaticano II (cf. Lumen gentium, 22); ao fazê-lo, devem render “serviço ao ministério primacial” do Papa (cf. Diretório para o Ministério Pastoral dos Bispos, 13).

Toda a Igreja, nos nossos dias, deve reflectir sobre o facto de que o Espírito Santo não inspirou em vão São Paulo a escrever na carta aos Gálatas sobre o incidente da sua correção pública a Pedro. Deve-se confiar que o Papa Francisco aceitará esse apelo público de quatro Cardeais no espírito do Apóstolo Pedro, quando São Paulo o corrigiu fraternalmente, para o bem de toda a Igreja.

Possam as palavras do grande doutor da Igreja, São Tomás de Aquino, iluminar e confortar-nos a todos: “Correndo iminente perigo a fé, os súbditos devem advertir os prelados, mesmo publicamente. Por isso, São Paulo, súbdito de São Pedro, repreendeu-o em público, por causa de perigo iminente de escândalo para a fé. E, assim, diz a Glosa de Santo Agostinho: ‘O próprio Pedro deu aos maiores o exemplo de se porventura desviarem do caminho reto, não se dignem ser repreendidos mesmo pelos inferiores’” (Suma Teológica, II-II, q. 33, ad 2).

O Papa Francisco, frequentemente, clama por um franco e destemido diálogo entre todos os membros da Igreja em matérias relacionadas ao bem espiritual das almas. Na Exortação Apostólica Amoris Laetitia, o Papa fala da “necessidade de continuar a aprofundar, com liberdade, algumas questões doutrinais, morais, espirituais e pastorais. A reflexão dos pastores e teólogos, se for fiel à Igreja, honesta, realista e criativa, ajudar-nos-á a alcançar uma maior clareza” (n. 2). Ademais, o relacionamento em todos os níveis na Igreja deve ser livre de um clima de medo e intimidação, como pediu o Papa Francisco em vários de seus pronunciamentos.

À luz destes pronunciamentos do Papa Francisco, e do princípio do diálogo e aceitação da legítima pluralidade de opiniões promovido pelos documentos do Concílio Vaticano II, as reações incomumente violentas e intolerantes provenientes de alguns Bispos e Cardeais, contra o calmo e circunspecto apelo de quatro Cardeais, causa enorme perplexidade. De entre esses reações intolerantes podem-se ler afirmações como: os quatro Cardeais são tolos, ingénuos, cismáticos, heréticos, e mesmo comparáveis aos hereges arianos.

Esses julgamentos, claramente sem misericórdia, revelam não só intolerância, recusa ao diálogo e ira irracional, mas demonstram também uma capitulação à impossibilidade de dizer a verdade, uma capitulação ao relativismo doutrinal e prático, na fé e na vida. As reações clericais mencionadas contra a voz profética de quatro Cardeais ostentam, em última análise, impotência diante da verdade, que inquieta e importuna a aparentemente pacífica ambiguidade desses críticos do clero.

As reações negativas à declaração pública dos quatro Cardeais assemelha-se à confusão generalizada da crise Ariana no século IV. É útil citar, na situação de confusão doutrinal dos nossos dias, algumas afirmações de Santo Hilário de Poitiers, o “Atanásio do Ocidente”.

“Vós [os bispos da Gália], que ainda permaneceis juntos de mim fiéis a Cristo, não cedais quando ameaçados com a investida da heresia; e agora, ao encontrar essa investida, rompeis toda a sua violência. Sim, irmãos, vós conquistastes, para a abundante alegria daqueles que compartilham vossa fé: e a vossa inalterada constância conquistou a dupla glória de manter uma consciência pura e dar um exemplo de autoridade” (Hil. De Syn., 3).

“A vossa fé invencível mantém a honrosa distinção de cioso valor e, contentada por repudiar a ação astuta, vaga ou hesitante, seguramente obedece em Cristo, preservando a profissão da sua liberdade. Pois, desde que sofremos todos profunda e penosa dor pelas ações dos iníquos contra Deus, apenas dentro das nossas fronteiras pode ser encontrada a comunhão em Cristo, a partir do momento em que a Igreja passou a ser atribulada por perturbações, como o exílio dos bispos, a deposição dos padres, a intimidação do povo, a ameaça à fé, e a definição do significado da doutrina de Cristo por força e vontade humana. Vossa resoluta fé não pretende ignorar esses factos ou professar que se possa tolerá-los, notando que, por um assentimento enganoso, ela se veria diante das grades da consciência” (Hil. De Syn., 4).

“Hei dito o que eu mesmo creio, consciente de que era meu dever como soldado ao serviço da Igreja, segundo o ensinamento do Evangelho, o enviar-lhes por estas cartas a voz do ofício que sustento em Jesus Cristo. Corresponde a vós discutir, prover e actuar, e que possais guardar com corações zelosos a fidelidade inviolável que mantendes, e que continueis sustentando o que sustentais” (Hil De Syn., 92).

As seguintes palavras de São Basílio Magno, dirigidas aos bispos latinos, podem ser aplicadas em certos aspectos à situação daqueles que em nossos dias solicitam clareza doutrinal, incluindo os quatro cardeais: “Um único delito que hoje em dia será severamente castigado é o de manter cuidadosamente as tradições de nossos pais na fé. Não estamos sendo atacados por riquezas, glória ou benefícios temporais. Descemos ao campo de batalha para lutar por nossa herança comum, pelo grande tesouro da fé recebido de nossos pais. Aflijam-se connosco todos que amam a seus irmãos, pelo silêncio dos homens da verdadeira religião, pela abertura dos lábios ousados e blasfemos de todos os que pronunciam injustiças contra Deus, e pelos pilares da fé sendo destruídos. Nós, cuja insignificância há permitido que passemos ignorados, e estamos privados de nosso direito de falar livremente” (Ep. 243, 2.4).

Hoje, estes bispos e cardeais que solicitam clareza e que intentam cumprir seu dever guardando santa e fielmente a Revelação Divina transmitida em relação aos sacramentos do Matrimónio e da Eucaristia, já não estão exilados como o estavam os bispos da Niceia durante a crise ariana. Ao contrário do tempo da crise ariana, tal como escreveu em 1973 Rudolf Graber, bispo de Ratisbona, hoje o exílio de bispos é substituído por estratégias para silenciá-los e por campanhas de difamação (Cf. Athanasius und die Kirche unserer Zeit, Abensberg 1973, p. 23).

Outro campeão da fé católica durante a crise ariana foi São Gregório Nazianzeno. Ele escreveu a seguinte descrição do comportamento da maioria dos pastores da Igreja daquele tempo. Essas palavras do grande doutor da Igreja deveriam ser uma advertência salutar para os bispos de todos os tempos: “Certamente os pastores agiram como insensatos, porque, salvo um número muito reduzido – que resistiu por sua virtude, mas que foi desprezado por sua insignificância, e que havia de restar como uma semente ou raiz de onde renascesse o novo Israel sob o influxo do Espírito Santo –, todos os outros cederam às circunstâncias, com a única diferença de que uns sucumbiram de imediato e outros mais tarde, uns estiveram na linha de frente dos campeões e chefes da impiedade, e outros se uniram às filas de seus soldados em batalha, vencidos pelo medo, pelo interesse, pela adulação ou, o que é mais inexcusável, por sua própria ignorância” (Orat. 21, 24).

Quando no ano de 357, o Papa Libério assinou uma das denominadas fórmulas de Sirmium, na qual descartava deliberadamente a expressão dogmaticamente definida de “homoousios”, e excomungou a Santo Atanásio para ficar em paz e harmonia com os bispos arianos e semi-arianos do leste, alguns fiéis católicos e bispos, especialmente Santo Hilário de Poitiers, escandalizaram-se profundamente.

Santo Hilário transmitiu a carta que o Papa Libério escreveu aos bispos orientais, anunciando a aceitação da fórmula de Sirmium e a excomunhão de Santo Atanásio. Com grande dor e consternação, Santo Hilário agregou à carta, numa espécie de desesperação, a frase: “Anathema tibi a me dictum, praevaricator Liberi” (“Eu te digo ‘anátema’, prevaricador Libério”), (cf. Denzinger-Schönmetzer, n. 141). O Papa Libério queria paz e harmonia a todo custo, incluso às expensas da verdade divina. Na sua carta aos bispos heterodoxos latinos Ursácio, Valente e Germínio, anunciando-lhes as decisões acima mencionadas, escreveu que preferia antes paz e harmonia do que o próprio martírio (cf. Denzinger-Schönmetzer, n. 142).

Em que contraste dramático jazia o comportamento do Papa Libério frente à seguinte convicção de Santo Hilário de Poitiers: “Não conseguimos paz às custas da verdade, fazendo concessões para adquirir a fama de tolerantes. Conseguimos paz lutando legitimamente segundo as regras do Espírito Santo. Há um perigo em aliar-se secretamente com a impiedade que se adorna com o formoso nome da paz” (Hil. Ad Const., 2, 6, 2).

O beato John Henry Newman falou sobre esses lamentáveis e inusuais feitos com a seguinte afirmação sábia e equilibrada: “Se bem seja historicamente certo, não é de nenhuma maneira doutrinalmente falso que um papa, como doutor privado, e muito mais os bispos, quando não ensinam formalmente, possam errar, tal como vemos que erraram no século quarto. O papa Libério podia assinar a fórmula Eusebiana em Sirmium, e a massa dos bispos em Rimini ou outro lugar, e apesar desses erros continuar sendo infalível em suas decisões ex cathedra.” (The Arians of the Fourth Century, London, 1876, p. 465).

Os quatro cardeais, com a sua voz profética, pedindo clareza doutrinária e pastoral, têm um grande mérito diante das suas próprias consciências, diante da história, e diante dos inumeráveis simples fiéis católicos dos nossos dias, empurrados para a periferia eclesial pela sua fidelidade aos ensinamentos de Jesus Cristo sobre a indissolubilidade do Matrimónio. Mas, sobretudo, os quatro cardeais têm um grande mérito aos olhos de Jesus Cristo. Devido à coragem das suas palavras, seus nomes brilharão resplandecentes no dia do Juízo Final. Eles obedeceram à voz de suas consciências, recordando o que dissera São Paulo: “Nada podemos fazer contra a verdade, mas somente a favor desta” (2 Cor 13, 8). Seguramente, no Juízo Final, os já mencionados críticos dos quatro cardeais – na sua maioria clérigos – não terão uma resposta fácil a dar pelo seu ataque violento ao justo, valioso e meritório acto destes quatro membros do Sagrado Colégio Cardinalício.

As seguintes palavras inspiradas pelo Espírito Santo retêm seu valor profético, especialmente diante da crescente confusão doutrinal e prática a respeito do sacramento do Matrimónio em nossos dias: “Porque virá um tempo em que os homens não suportarão mais a sã doutrina, mas sim, com ânsias de ouvir novidades, se darão mestres que agradem sua concupiscência. Apartarão o ouvido da verdade, para voltá-lo às fábulas. Por tua parte, sê sóbrio em tudo, suporta o adverso, faz obra de evangelista, cumpre bem teu ministério” (2 Tim 4, 3-5).

Que todos aqueles que, nos nossos dias, levam ainda a sério seus votos baptismais e suas promessas sacerdotais e episcopais, recebam a fortaleza e a graça de Deus para reiterar com Santo Hilário as palavras: “Que fique eu para sempre no exílio, desde que a verdade comece a pregar-se outra vez!” (De Syn., 78). Desejamos de todo o coração essa fortaleza e graça aos quatro cardeais, assim como aos que os criticam.

+ Athanasius Schneider,
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Santa Maria em Astana
(Tradução: Senza Pagare)


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