sábado, 30 de julho de 2016

Confissão: a Misericórdia em acção




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O jejum e a alegria - S. Pedro Crisólogo


«Porque é que nós jejuamos e os Teus discípulos não jejuam?» Porquê? Porque para vós o jejum é uma questão de lei. Não é um dom espontâneo. Em si mesmo, o jejum não tem valor; o que conta é o desejo daquele que jejua. Que proveito pensais tirar do vosso jejum, se jejuais constrangidos e forçados por uma lei? O jejum é um arado maravilhoso para lavrar o campo da santidade. Mas os discípulos de Cristo foram enviados a trabalhar no campo já maduro da santidade; eles comem o pão da colheita nova. Como poderiam eles ser obrigados a praticar jejuns agora caducos? «Poderão os convidados para a boda jejuar enquanto o Esposo está com eles?»

Aquele que se casa entrega-se inteiramente à alegria e toma parte do banquete; mostra-se muito afável e alegre para com os convidados; faz tudo o que lhe inspira o seu afecto pela esposa. Cristo celebra as Suas bodas com a Igreja enquanto vive na terra. É por isso que aceita tomar parte nas refeições para as quais é convidado. Cheio de benevolência e amor, mostra-Se humano, acessível e amável. Não veio Ele para unir o homem a Deus e fazer dos Seus companheiros membros da família de Deus?     

Do mesmo modo, diz Jesus: «Ninguém deita remendo de pano novo em roupa velha». Esse pano novo é o tecido do Evangelho, que está em vias de ser entretecido com a lã do Cordeiro de Deus: uma veste real que o sangue da Paixão irá em breve tingir de vermelho. Como aceitaria Cristo unir esse pano novo com a vetustez do legalismo de Israel? 

Assim como «ninguém deita vinho novo em odres velhos; se o fizer, o vinho romperá os odres e perde-se o vinho, tal como os odres. Mas vinho novo, em odres novos.» Esses odres novos são os cristãos. O jejum de Cristo é que purificará esses odres de toda a sujidade, para que fique intacto o sabor do vinho novo. O cristão torna-se assim o odre novo, pronto a receber o vinho novo, o vinho das bodas do Filho, pisado na prensa da cruz.


in Sermão sobre Marcos 2; PL 52, 287


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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Marta e Maria - Santo Ambrósio

A virtude não tem apenas um rosto. O exemplo de Marta e de Maria mostram-nos a devoção activa nas obras de uma, e a atenção religiosa do coração à palavra de Deus na outra. Se a tal atenção estiver unida uma fé profunda, ela é preferível às obras: «Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada». Esforcemo-nos portanto, também nós, por possuir aquilo que ninguém nos poderá tirar, escutando com ouvido atento e não distraído; porque por vezes acontece que o grão da palavra vinda do céu é tirado, se for semeado à beira do caminho (Lc 8, 5.12).

Anima-te pois pelo desejo de sabedoria, como Maria: essa é uma obra maior, mais perfeita. Que as preocupações com o serviço não te impeçam de acolher a palavra vinda do céu. Não critiques nem tenhas por ociosos os que vires ocupados em adquirir a sabedoria, pois Salomão, esse homem de paz, convidou-a para sua casa para que ficasse com ele (Sb 9,10). Não se trata, porém, de reprovar a Marta os seus bons serviços: Maria tem preferência porque escolheu uma parte melhor. Jesus tem múltiplas riquezas, e distribui-as com prodigalidade; a mulher mais sábia reconheceu e escolheu o que é mais importante. 


Também os apóstolos entenderam que era preferível não abandonar a palavra de Deus para servir às mesas (Act 6,2). Mas ambas as coisas são obras de sabedoria: Estêvão foi escolhido como servo, como diácono, e estava cheio de sabedoria (Act 6,5.8). Com efeito, o corpo da Igreja é um, e se os seus membros são diversos, têm necessidade uns dos outros: «Não pode o olho dizer à mão: «não tenho necessidade de ti», nem tão-pouco a cabeça dizer aos pés: «não tenho necessidade de vós» (1Cor 12,21). Se alguns membros são mais importantes, os outros são todavia necessários. A sabedoria reside na cabeça; a actividade, nas mãos.


in Comentário ao Evangelho de São Lucas, 7, 85-86; SC 52


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Homilia do Papa nos 1050 anos do baptismo da Polónia



Das leituras desta Liturgia emerge um fio divino, que passa para a história humana e tece a história da salvação.

O apóstolo Paulo fala-nos do grande desígnio de Deus: «Quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher» (Gal 4, 4). A história, porém, diz-nos que, quando chegou esta «plenitude do tempo», isto é, quando Deus Se fez homem, a humanidade não estava particularmente preparada, nem era um período de estabilidade e de paz: não havia uma «idade de ouro». A cena deste mundo não era merecedora da vinda de Deus; antes pelo contrário, já que «os seus não O receberam» (Jo 1, 11). Assim a plenitude do tempo foi um dom de graça: Deus encheu o nosso tempo com a abundância da sua misericórdia; por puro amor – por puro amor –, inaugurou a plenitude do tempo.

Impressiona, sobretudo, o modo como se realiza a entrada de Deus na história: «nascido de uma mulher». Não há qualquer entrada triunfal, qualquer manifestação imponente do Todo-Poderoso. Não Se manifesta como um sol ofuscante, mas entra no mundo da forma mais simples, chega como uma criança através da mãe, com aquele estilo de que nos fala a Sagrada Escritura: como a chuva sobre a terra (cf. Is 55, 10), como a menor das sementes que germina e cresce (cf. Mc4, 31-32). Assim – ao contrário do que esperaríamos e talvez quiséssemos – o Reino de Deus, hoje como então, «não vem de maneira ostensiva» (Lc 17, 20), mas na pequenez, na humildade.

O Evangelho de hoje retoma este fio divino que atravessa delicadamente a história: da plenitude do tempo passamos ao «terceiro dia» do ministério de Jesus (cf. Jo 2, 1) e ao anúncio da «hora» da salvação (cf. v. 4). O tempo restringe-se, e a manifestação de Deus acontece sempre na pequenez. Assim «Jesus realizou o primeiro dos seus sinais miraculosos» (v. 11), em Caná da Galileia. Não há um gesto estrondoso realizado diante da multidão, nem uma intervenção que resolva um problema político flagrante, como a subjugação do povo à dominação romana. Pelo contrário, numa pequena aldeia, tem lugar um milagre simples, que alegra o casamento duma jovem família, completamente anónima. E contudo a água transformada em vinho na festa de núpcias é um grande sinal, porque revela o rosto esponsal de Deus, de um Deus que Se põe à mesa connosco, que sonha e realiza a comunhão connosco. Diz-nos que o Senhor não Se mantém à distância, mas é vizinho e concreto, está no nosso meio e cuida de nós, sem decidir em nosso lugar nem Se ocupar de questões de poder. De facto prefere encerrar-Se no que é pequeno, ao contrário do homem que tende a querer possuir algo sempre maior. Deixar-se atrair pelo poder, a grandeza e a visibilidade é tragicamente humano, resultando uma grande tentação que procura insinuar-se por todo o lado. Ao passo que é requintadamente divino dar-se aos outros, eliminando as distâncias, permanecendo na pequenez e habitando concretamente a quotidianidade.

Por conseguinte, Deus salva-nos fazendo-Se pequeno, vizinho e concreto. Antes de mais nada, Deus faz-Se pequeno. O Senhor, «manso e humilde de coração» (Mt11, 29), prefere os pequeninos, a quem é revelado o Reino de Deus (cf. Mt 11, 25); são grandes a seus olhos e, sobre eles, pousa o seu olhar (cf. Is 66, 2). Prefere-os, porque se opõem àquele «estilo de vida orgulhoso» que vem do mundo (cf. 1 Jo 2, 16). Os pequenos falam a mesma língua d’Ele: o amor humilde que os torna livres. Por isso, Jesus chama pessoas simples e disponíveis para serem seus porta-vozes, e confia-lhes a revelação do seu nome e os segredos do seu Coração. Pensemos em tantos filhos e filhas do vosso povo: nos mártires, que fizeram resplandecer a força desarmada do Evangelho; nas pessoas simples, e todavia extraordinárias, que souberam testemunhar o amor do Senhor no meio de grandes provações; nos arautos mansos e fortes da Misericórdia, como São João Paulo II e Santa Faustina. Através destes «canais» do seu amor, o Senhor fez chegar dons inestimáveis a toda a Igreja e à humanidade inteira. E é significativo que este aniversário do Batismo do vosso povo tenha coincidido precisamente com o Jubileu da Misericórdia.

Além disso, Deus é vizinho, o seu Reino está próximo (cf. Mc 1, 15): o Senhor não quer ser temido como um soberano poderoso e distante, não quer permanecer num trono celeste ou nos livros da história, mas gosta de mergulhar nas nossas vicissitudes de cada dia, para caminhar connosco. Ao pensarmos no dom dum milénio abundante de fé, é bom antes de tudo dar graças a Deus, que caminhou com o vosso povo, tomando-o pela mão – como faz um papá com o seu menino –, e acompanhando-o em tantas situações. Isto mesmo é o que nós, também enquanto Igreja, sempre somos chamados a fazer: ouvir, envolver-se e tornar-se vizinho, partilhando as alegrias e as canseiras das pessoas, de modo que o Evangelho se comunique da forma mais coerente e frutuosa, ou seja, por irradiação positiva, através da transparência da vida.

Por fim, Deus é concreto. Das leituras de hoje sobressai que tudo, na ação de Deus, é concreto: a Sabedoria divina age «como arquiteto» e «brinca» (cf. Prv 8, 30), o Verbo faz-Se carne, nasce duma mãe, nasce sob o domínio da Lei (cf. Gal 4, 4), tem amigos e participa numa festa: o Eterno comunica-Se transcorrendo o tempo com pessoas e em situações concretas. Também a vossa história, permeada de Evangelho, Cruz e fidelidade à Igreja, regista o contágio positivo duma fé genuína, transmitida de família para família, de pai para filho e, sobretudo, pelas mães e as avós, a quem muito devemos agradecer. De modo particular, pudestes palpar a ternura concreta e providente da Mãe de todos, que vim aqui venerar como peregrino e que saudamos, no Salmo, como «a honra do nosso povo» (Jdt 15, 9).

É precisamente para Ela que nós, aqui reunidos, levantamos o olhar. Em Maria, encontramos a plena correspondência ao Senhor: e assim, na história, entrelaça-se com o fio divino um «fio mariano». Se existe qualquer glória humana, qualquer mérito nosso na plenitude do tempo, é Ela: é Ela aquele espaço, preservado liberto do mal, onde Deus Se espelhou; é Ela a escada que Deus percorreu para descer até nós e fazer-Se vizinho e concreto; é Ela o sinal mais claro da plenitude do tempo.

Na vida de Maria, admiramos esta pequenez amada por Deus, que «pôs os olhos na humildade da sua serva» e «exaltou os humildes» (Lc 1, 48.52). E nisso tanto Se deleitou, que d’Ela Se deixou tecer a carne, de modo que a Virgem Se tornou Progenitora de Deus, como proclama um hino muito antigo que há séculos vós Lhe cantais. A vós que ininterruptamente vindes ter com Ela, acorrendo a esta capital espiritual do país, continue a Virgem Mãe a mostrar o caminho e vos ajude a tecer na vida a teia humilde e simples do Evangelho.

Em Caná, como aqui em Jasna Góra, Maria oferece-nos a sua proximidade e ajuda-nos a descobrir o que falta à plenitude da vida. Hoje, como então, fá-lo com solicitude de Mãe, com a presença e o bom conselho, ensinando-nos a evitar arbítrios e murmurações nas nossas comunidades. Como Mãe de família, quer-nos guardar juntos, todos juntos. O caminho do vosso povo superou, na unidade, tantos momentos duros; que a Mãe, forte ao pé da cruz e perseverante na oração com os discípulos à espera do Espírito Santo, infunda o desejo de ultrapassar as injustiças e as feridas do passado e criar comunhão com todos, sem nunca ceder à tentação de se isolar e impor.

Nossa Senhora, em Caná, mostrou-Se muito concreta: é uma Mãe que tem a peito os problemas e intervém, que sabe individuar os momentos difíceis e dar-lhes remédio com discrição, eficácia e determinação. Não é patroa nem protagonista, mas Mãe e serva. Peçamos a graça de assumir a sua sensibilidade, a sua imaginação ao servir quem passa necessidade, a beleza de gastar a vida pelos outros, sem preferências nem distinções. Que Ela, causa da nossa alegria e portadora da paz por entre a abundância do pecado e as turbulências da história, nos obtenha a superabundância do Espírito para sermos servos bons e fiéis.

Pela sua intercessão, que se renove, também para nós, a plenitude do tempo. De pouco serve a passagem do antes ao depois de Cristo, se permanece uma data nos anais da história. Possa realizar-se, para todos e cada um, uma passagem interior, uma Páscoa do coração para o estilo divino encarnado por Maria: agir na pequenez e acompanhar de perto, com coração simples e aberto.






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quinta-feira, 28 de julho de 2016

Jornalista do Wall Street Journal converte-se ao Catolicismo

No dia 26 de Julho, todos nos comovemos com a notícia do assassinato do padre Jacques Hamel, um sacerdote de 84 anos, numa paróquia em Rouen, França, pelas mãos de dois membros do Estado Islâmico.

Diante deste triste contexto, Sohrab Ahmarí, escritor do editorial do Wall Street Journal com sede em Londres, acaba de anunciar no Twitter a sua conversão ao catolicismo.



No seu Twitter lê-se “#IAmJacquesHamel: De facto, este é o momento certo para anunciar a minha conversão ao Catolicismo Romano.”

A hashtag “IAmJacquesHamel” está a ser utilizada por muitos para mostrar o seu protesto diante deste brutal assassinato.

Ahmari nasceu em Teerão, no Irão, e mudou-se para os EUA quando tinha 13 anos de idade. Apesar de ter obtido o título de advogado na Universidade Northeastern, em Boston, começou a trabalhar como jornalista depois das disputadas eleiçõess iranianas e os protestos de 2009. No seu cargo actual, Ahmari escreve editoriais e artigos de opinião para a edição europeia do Wall Street Journal.

in pt.churchpop




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quarta-feira, 27 de julho de 2016

Missa Pontifical celebrada por D. Athanasius Schneider em Cracóvia


No dia da abertura das JMJ 2016: Missa Pontifical na Igreja da Conversão de S. Paulo, em Cracóvia.

Na sacristia, preparam-se os paramentos do bispo. Na fotografia vemos as cruzes peitorais e o solideu.

Vemos na procissão de entrada o Bispo ainda com a Mitra, o Báculo, as Cáligas e as Luvas Pontificais. Ao vestir as luvas, o bispo reza a seguinte oração: "Circundai, Senhor, as minhas mãos do novo homem que desceu do céu, para que, do mesmo modo que Jacó, o Vosso eleito coberto de pele de carneiro obteve a bênção paterna, a oferta do alimento ao pai lhe foi gratíssima, recebei da mesma forma pelas nossas mãos a oferta da Vítima salvadora e mereçamos receber as graças da Vossa bênção."

Chegando ao altar, genuflectem, excepto o Bispo, e iniciam as orações aos pés do altar.

Reza depois a colecta no Faldistório, virado para o altar.

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Consequentemente o sub-diácono canta a Epístola, neste caso do Livro da Sabedoria.

O bispo vira-se em direcção ao diácono, que depois canta o Santo Evangelho.

Prega a homilia sentado no Faldistório, com a Mitra imposta e segurando o Báculo, demonstrando toda a sua autoridade de ensino.

De seguida, os dons são trazidos para o altar, para o Bispo os oferecer a Deus.

O Bispo incensa-os, pedindo a intercessão de S. Miguel Arcanjo.

Consequentemente o Diácono incensa o Bispo.

Durante a consagração a igreja está pela única vez durante a Missa, em silêncio sepulcral.

"Corpus Christi enim Dominus est."
Jesus desceu dos Céus para Se fazer presente, pobre e indefeso.
O bispo comunga o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor.
Depois, apresenta o Salvador do mundo aos fiéis, que de seguida vão receber a Sagrada Comunhão.

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Após as abluções e terminada a Missa, segue a procissão de saída, na qual o Bispo abençoa o povo.

Finda a Missa e já na sacristia, os acólitos pedem a bênção e ajudam o Bispo a desparamentar-se.

Continuem a acompanhar a Juventutem nas JMJ no blog Senza Pagare.

Oremus pro antistite Athanasio.
Deo gratias!

Créditos fotográficos para a Juventutem (Daniel Blackman)




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terça-feira, 26 de julho de 2016

Dia dos Avós: Santa Ana e São Joaquim


Ana e seu marido Joaquim já estavam com idade avançada e ainda não tinham filhos. O que, para os judeus de sua época, era quase um desgosto e uma vergonha também. Os motivos são óbvios, pois os judeus esperavam a chegada do Messias, como previam as sagradas profecias.

Assim, toda esposa judia esperava que dela nascesse o Salvador e, para tanto, ela tinha de dispor das condições para servir de veículo aos desígnios de Deus, se assim ele o desejasse. Por isso a esterilidade causava sofrimento e vergonha e é nessa situação constrangedora que vamos encontrar o casal.

Mas Ana e Joaquim não desistiram. Rezaram por muito e muito tempo até que, quando já estavam quase perdendo a esperança, Ana engravidou. Não se sabe muito sobre a vida deles, pois passaram a ser citados a partir do século II, mas pelos escritos apócrifos, que não são citados na Bíblia, porque se entende que não foram inspirados por Deus. E eles apenas revelam o nome dos pais da Virgem Maria, que seria a Mãe do Messias.

No Evangelho, Jesus disse: "Dos frutos conhecereis a planta". Assim, não foram precisos outros elementos para descrever-lhes a santidade, senão pelo exemplo de santidade da filha Maria. Afinal, Deus não escolheria filhos sem princípios ou dignidade para fazer deles o instrumento de sua acção.

Maria, ao nascer no dia 8 de Setembro de um ano desconhecido, não só tirou dos ombros dos pais o peso de uma vida estéril, mas ainda recompensou-os pela fé, ao ser escolhida para, no futuro, ser a Mãe do Filho de Deus.

A princípio, apenas santa Ana era comemorada e, mesmo assim, em dias diferentes no Ocidente e no Oriente. Em 25 de Julho pelos gregos e no dia seguinte pelos latinos. A partir de 1584, também são Joaquim passou a ser cultuado, no dia 20 de março. Só em 1913 a Igreja determinou que os avós de Jesus Cristo deviam ser celebrados juntos, no dia 26 de Julho.

in paulinas.org


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Missa Solene nas JMJ2016 - Cracóvia

Hoje, dia 26, é o primeiro dia das Jornadas Mundiais da Juventude em Cracóvia, Polónia. Durante estes dias acontecerão vários eventos em simultâneo.
O programa tradicional começou já ontem, com uma Missa Solene na Igreja da Conversão de S. Paulo. O blog Senza Pagare acompanhará de perto estes acontecimentos.

Procissão de entrada

Orações aos pés do altar.
Ao sacerdote respondem o diácono, o sub-diácono e os acólitos, enquanto a Schola canta o Introito do dia.
O sub-diácono canta a epístola, pregando aos convertidos.
Do púlpito, o sacerdote prega a homilia em inglês.
Após o ofertório dá-se a incensação das oblatas. "Suba até Vós Senhor, a minha oração, como incenso..."



Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.


O sacerdote reza uma última oração, antes de dar a benção final: "Placeat tibi Sancta Trinitas..."





























A Santa Missa foi celebrada pelo Pe. Wojciech Grygiel, da FSSP.
Créditos fotográficos para a Juventutem (Daniel Blackman).

Mais informações:








































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segunda-feira, 25 de julho de 2016

Nova entrevista ao secretário do Papa Bento, Mons. Gänswein

Como está o Papa Bento?

Já não é mais Papa, mas Emérito. Fez em Abril 89 anos e celebrou há pouco tempo os seus 65 anos de jubileu sacerdotal. Por isso houve aqui uma pequena festa com o Papa Francisco, alguns cardeais e convidados. A cabeça está clara, lúcida, em ordem. As pernas tornaram-se mais cansadas. Acima de tudo custa-lhe andar a pé. Com o andarilho consegue, porque lhe dá estabilidade e segurança. A parte psicológica é tão importante como a fisiológica. Mas as forças simplesmente vão-se esbatendo. Um Papa emérito é também uma pessoa, que sucumbe às leis da natureza.

Como é o seu dia-a-dia?

O horário é simples. Começa com a Santa Missa cedo. Eu concelebro, de quando em vez há outros concelebrantes e convidados a assistir. Depois reza o Breviário e de seguida toma o pequeno-almoço. A manhã tem o seguinte ritmo: oração, leitura, correspondência, visitas. Depois vem o almoço, no qual também estou. A seguir damos duas ou três voltas no terraço do telhado. Segue-se o descanso do meio-dia. De tarde ele toma bastante tempo para ler e para responder a cartas; ainda recebe correio de todo o mundo. Às 19:00 vamos aos jardins do Vaticano e rezamos o Rosário, depois jantamos e vemos o noticiário italiano. Em regra ele recolhe-se de seguida e eu faço o mesmo. Os Domingos têm um correr “domingueiro”, não trabalhamos e por isso há música e actividades culturais.

O Senhor é o intermediário entre o Papa em funções, Francisco, e Bento. Disse pouco depois da eleição do novo Papa que entre as visões teológicas de Bento e Francisco não cabe uma folha de papel. Quer confirmar essa declaração passados estes anos?

Já me recoloquei a mim próprio essa questão; e digo que sim tendo em conta tudo o que vejo, ouço e me apercebo. A respeito das linhas fundamentais das suas crenças teológicas existe uma continuidade. Naturalmente que eu sei que pelas formas diferentes de exposição e formulação, pode haver diferentes resultados. Por isso quando um Papa quer alterar algo na Doutrina, deve dizê-lo claramente, para que isso se torne vinculativo. Importantes interpretações doutrinárias não se alteram mediante meias-frases ou notas de rodapé formuladas em aberto. A metodologia da Teologia tem os seus critérios claros. Uma regra que à primeira vista não é clara não pode ser vinculativa. O mesmo vale para a Teologia. As afirmações doutrinais devem ser claras para que sejam vinculativas. Declarações que permitem diferentes interpretações são uma coisa arriscada.

Não é também uma questão de mentalidade? O Papa vem de Buenos Aires. Os Argentinos têm um humor particular.

Naturalmente que a mentalidade desempenha um papel. O Papa Francisco é marcado pela experiência como provincial dos Jesuítas e como Arcebispo de Buenos Aires num tempo em que o desenvolvimento económico da sua terra ia mal. Esta Metrópole tornou-se o lugar de dissabores e alegrias. E nessa grande cidade e mega-diocese compreende-se que Ele se tenha convencido de que havia que levar as coisas até ao fim. Isso mantém-se como bispo de Roma, como Papa. Deve aceitar-se que, em comparação com os seus antecessores, o seu discurso seja por vezes impreciso, ou até coloquial (NT: a tradução literal pode ser “pateta”, “incauto” ou “coloquial”). Cada Papa tem o seu estilo pessoal. É a sua forma de falar que representa um perigo de causar mal-entendidos, e por vezes há interpretações aventurosas. Para o futuro era melhor que Ele não misturasse os assuntos.

Há uma ruptura entre os cardeais dos diferentes continentes, que vêem e entendem o Papa de maneria diferente?

Antes do Sínodo dos Bispos, em Outubro passado, havia um discurso de uma atmosfera pró e contra o Papa Francisco. Não sei se este cenário se traduziu pelo mundo. Gostaria de me resguardar de falar de uma divisão geográfica dos que são pró e contra. A verdade é que em determinadas questões o episcopado africano falou muito claramente. O episcopado, e também conferências episcopais, e não apenas bispos individuais. Não foi o que aconteceu quanto à Europa e à Ásia. Contudo não penso muito nesta Teoria da Ruptura. Por causa da verdade é preciso acrescentar que alguns bispos estavam verdadeiramente preocupados que o edifício da Doutrina sofresse estragos por falta de um discurso claro.

Tem-se por vezes a impressão de que os católicos conservadores, que no pontificado do Papa Bento XVI exigiram fidelidade ao Papa da parte dos seus irmãos e irmãs progressistas, têm agora um problema em serem fieis a Francisco. Isto é assim?

A crença de que o Papa é sólido como uma rocha e vale como última âncora tem de facto diminuído. Se esta percepção corresponde à realidade e dá a verdadeira imagem do Papa Francisco, ou se é uma representação dos media, não o posso julgar. Incertezas, confusões ocasionais e uma desordem certamente cresceram. O Papa Bento XVI, pouco antes da sua resignação, falou, em vista do Concílio Vaticano, de um autêntico “Concílio dos Padres” e de um virtual “Concílio dos Media”. Talvez o mesmo se possa dizer sobre o Papa Francisco. Há uma divisão entre a realidade dos media e a realidade de facto.

Por outro lado, o Papa Francisco é bem-sucedido em trazer as pessoas para a Igreja Católica.

O Papa Francisco pode ter de facto a atenção do público sobre si. E isso cresce, cresce para além da Igreja. Talvez mais fora da Igreja Católica do que dentro. A atenção que o mundo não-católico, também na Alemanha, dá ao Papa, é consideravelmente superior à que era dada aos seus antecessores. Naturalmente isso relaciona-se com o seu estilo pouco convencional, e também porque cativa os media com a sua simpatia e gestos inesperados. Uma comunicação positiva desempenha um papel importante para a percepção das pessoas.

Há uma viragem no tempo para a Igreja por causa de Francisco? Ruma-se numa direcção diferente?

Quando se olha para a sua vida de clérigo, o que Ele prega, exige e anuncia, reconhece-se nele um Jesuíta clássico da velha escola inaciana, e isso no melhor sentido das palavras. Se este homem provocou uma mudança foi em fazer afirmações claras sem consideração pelo politicamente correcto. Isso é libertador, é bom e necessário. Esta postura corajosa é bem recebida; as pessoas recompensam-no com simpatia e até entusiasmo. Talvez por causa disso se possa falar factualmente de uma partida, de uma viragem no tempo. Um bispo falava do “Efeito-Francisco” poucos meses depois da sua eleição e ainda acrescentava de peito cheio que ainda era belo ser católico. O público percebe que há uma rajada de vento nas crenças e na Igreja. Será verdade? Não deveria a vivência católica ser viva, assistir-se a uma melhor participação na Missa, a um aumento das vocações sacerdotais e à vida religiosa, e ao regresso das pessoas que abandonaram a Igreja? O que significa em concreto o “Efeito-Francisco” para a vida da fé da nossa pátria [NT: Alemanha]? De fora não reconheço qualquer mudança.

A minha opinião é a de que o Papa Francisco, enquanto pessoa, goza de grande simpatia, mais do que qualquer outro líder mundial. Quanto à vida da fé, e à própria identidade religiosa, não tem quase nenhuma influência. Os dados estatísticos não mentem e mostram que a minha opinião é certa.

(...) [salto discussão sobre o imposto pago à Igreja na Alemanha]

Temos a frase do Papa Bento, de que a Igreja deve abdicar dos seus bens, para prosseguir o bem.

Quando os bens se opõem ao bem, que é a fé, então só há uma possibilidade: devemos livrar-nos deles. Com os cofres cheios e as igrejas vazias, as coisas não podem correr bem. Com os cofres a encher e as igrejas a esvaziar cada vez mais, chegará o dia em que tudo implodirá. Uma igreja vazia não pode ser completa. Quem beneficia quando uma diocese é muito rica mas a fé se abunda cada vez mais? Estamos assim tão secularizados que a fé quase não tenha nenhum papel a não ser o de se tornar um peso morto? Os pesos mortos deitam-se fora quando não se precisa mais deles. Não estamos mais numa posição de anunciar a fé de forma a que as pessoas a encarem como algo magnífico, belo, que enriquece e aprofunda a nossa vida?

(...)

[NT: a respeito de uma possível escolha como bispo para uma diocese alemã] O senhor tem uma imagem muito positiva entre os leigos alemães. É popular. Livrou-se da etiqueta de “George Clooney do Vaticano” nos media.

Isso não me beneficiou, acima de tudo; pelo contrário, o “establishment” eclesiástico tem uma imagem negativa de mim. Não pertenço aos preferidos.

Ainda tem tempo para hobbies?

Reservo sempre algum tempo para as montanhas. Tenho de sair uma vez por mês. Vou com alguns colegas para os Abruzos. Há três anos que me obrigo a pegar na raquete de ténis. Até agora sem sucesso. Leio demasiado pouco, ouço muito pouca música. Quando é possível vou a pé para o trabalho. As montanhas são uma purificação externa e interna.


(Tradução: Senza Pagare)


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domingo, 24 de julho de 2016

Casamento: O dia em que tudo muda

Quando este artigo chegar aos leitores, na manhã de Domingo, eu estarei a assistir ao casamento de dois noivos, muito amigos. Desde que me deram a notícia, comecei a rezar. E, depois, com aquela dose de impertinência que se concede às pessoas muito íntimas, perguntei-lhes se estavam a rezar muito. «Sim! Muito!» Recusei-me a ficar descansado: só quatro ou cinco vezes por dia?, ou mais?


Redobrei, por minha conta, a oração pelo novo casal.

Quem os veja talvez não compreenda a preocupação. Sorriso feliz, sereno, responsável; algum sinal discreto de ternura; e garantem que rezam muito. Que se pode pedir mais?

Neste Domingo de manhã, na Missa, ele vai jogar a vida inteira, para sempre, num projecto comum. E ela vai entregar-se completamente, para sempre, nessa aventura.

Tanto quanto sei, só há uma vida nesta terra. Eles são novos e, se Deus lhes der saúde, têm dezenas de anos pela frente, os únicos anos de que dispõem. Tudo isso, com todas as possibilidades ainda em aberto, vai ficar decidido, de uma vez para sempre, numa aposta sem retorno, na manhã de Domingo.

– Meus queridos, vocês rezam mesmo? Sim (muito forte!), querido Tio!

Eu sei, mas percebo que tenho de rezar mais. Quando Deus passa pela vida, precisamos de Lhe responder. Mais tarde ou mais cedo, há um momento em que nos convida a decidir o futuro. Podemos aceitar o desafio, ou adiar, ou preferir uma alternativa, mas a voz de Deus soa clara, para cada um. Não responder, também é resposta, porque o convite existe e não se consegue anular. A voz de Deus é tão clara como o sussurro da consciência: pedimos à consciência que não nos lembre qualquer coisa, mas a voz íntima não se cala. É preciso muito barulho interior para abafar a consciência e, também – quando é o caso –, para calar a vocação. Mal nos descuidamos, as palavras nítidas ressurgem em primeiro plano.

Alguns, rejeitam os mergulhos radicais de Deus. A um «vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres...», a outro «vem e segue-Me...», a outro «vai para tua casa, para os teus, e conta-lhes tudo o que o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti...». As vocações são tão diferentes como as impressões digitais de cada alma. Deus não Se repete. Mas chama, «radicalmente», e toca cada vida com um desafio divino.

Na sua primeira Encíclica, «Lumen Fidei», o Papa Francisco descreve a vocação ao casamento, ao compromisso para sempre, como resposta ao amor de Deus. Essa «união estável no casamento nasce do amor, é sinal e presença do amor de Deus». Deus olha de forma pessoalíssima aquelas duas almas. Num vislumbre, situa-as entre um caminho sem retorno e todas as estradas largas que brilham nas outras direcções. Naturalmente, aquelas duas almas sentem uma sacudidela fortíssima, na oração, como se a oração ficasse interrompida, à espera de uma resposta.

Alguns, já não continuam. Adiam, perdem-se na conjectura, não dão o passo. Outros, percebem o passo imenso que Deus lhes pede e lançam-se nos seus braços.

Fora deste contexto, o casamento tem pouco sentido. Nenhuns braços, senão os de Deus, têm força para segurar uma vida inteira que se entrega num ímpeto de generosidade.

Depois, vem a felicidade que ultrapassa o deleite humano. Uma alegria que não se conhece nesta terra, porque é antecipação do Céu. Unem-se os cônjuges numa só carne e – diz o Papa nessa Encíclica – desce sobre eles a bênção do Amor: «geram uma nova vida, manifestação da bondade do Criador, da sua sabedoria e do seu desígnio de amor».

– Rezam mesmo? – insisto com ternura. Eu sei que sim, mas não quero que eles se sintam satisfeitos, como se fosse suficiente.

Olhos nos olhos, contemplo um brilho sereno, feliz, responsável, que me faz tanto bem à alma. Um brilho responsável de quem reza (mas não é suficiente, meninos!). As mãos dadas reflectem já a bênção que vão receber no Domingo de manhã. A confiança que têm um no outro chama-se «amor incondicional» e é um dom altíssimo do Criador. Aquele «sim», vai ecoar sem prazo como um carrilhão na glória. E a bêncão de Deus, cheia de fecundidade...

E minha insistência, cheia de afecto e de intimidade, que eles compreendem e agradecem: meus queridos, rezam?

– Sim, muito! Quer dizer, ...agora vamos rezar ainda mais.

José Maria C.S. André in Correio dos Açores


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sábado, 23 de julho de 2016

Palavras de Jesus a Santa Brígida

O castelo de que te falei é a Santa Igreja, construída com o Meu sangue e o dos meus Santos, cimentado com o cimento da Minha Caridade; nela coloquei os meus eleitos e amigos. O seu fundamento é a Fé, isto é crer que Eu sou um Juiz Justo e Misericordioso. Mas agora está minado o fundamento, porque todos crêem e pregam que sou Misericordioso, mas quase ninguém prega nem crê que Eu seja Justo Juiz. Esses acham-me quase um Juiz iníquo.

De facto, seria iníquo o Juiz, que por misericórdia despedisse sem castigo algum os iníquos, os quais por conseguinte oprimiriam ainda mais os justos. Mas eu Sou um Juiz Justo e Misericordioso, de modo que não deixarei sem castigo nem sequer o mínimo pecado, nem sem recompensa o mínimo bem. 

Esses pregadores malvados que pecam sem temor, que negam a Minha Justiça, atormentam os meus amigos. dando-lhes “opróbrio e toda a espécie de dor … como se fossem demónios experimentarão a Minha Justiça, serão como ladrões confundidos publicamente diante dos Anjos e dos homens. De facto, como os enforcados são devorados pelos corvos, assim estes serão devorados dos demónios e não consumidos. 

Não escondas nenhum pecado, não deixes nenhum por punir, nem consideres nenhum ligeiro. Tudo aquilo que tiveres descuidado, Eu recordá-lo-ei e julgar-te-ei. E mais adiante não há homem algum que seja tão pecador que o seu pecado não seja perdoado, se o pedir com o propósito de se emendar e com contrição.

in As Profecias e Revelações de Santa Brígida da Suécia


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3 citações do Papa João Paulo II sobre Moral

1 - “Os preceitos negativos da lei natural são universalmente válidos: obrigam a todos e cada um, sempre e em qualquer circunstância. Trata-se, com efeito, de proibições que vetam uma determinada acção semper et pro semper, sem excepções, porque a escolha de um tal comportamento nunca é compatível com a bondade da vontade da pessoa que age, com a sua vocação para a vida com Deus e para a comunhão com o próximo. É proibido a cada um e sempre infringir preceitos que vinculam, todos e a qualquer preço, a não ofender em ninguém e, antes de mais, em si próprio, a dignidade pessoal e comum a todos.” 
Veritatis Splendor, 52

2 - “A Igreja sempre ensinou que nunca se devem escolher comportamentos proibidos pelos mandamentos morais, expressos de forma negativa no Antigo e no Novo Testamento. Como vimos, Jesus mesmo reitera a irrevogabilidade destas proibições: «Se queres entrar na vida, cumpre os mandamentos (...): não matarás; não cometerás adultério; não roubarás, não levantarás falso testemunho» (Mt 19, 17-18).” 
Veritatis Splendor, 52

3 - “ … abre-se o justo espaço à misericórdia de Deus pelo pecado do homem que se converte, e à compreensão pela fraqueza humana. Esta compreensão não significa nunca comprometer e falsificar a medida do bem e do mal, para adaptá-la às circunstâncias. Se é humano que a pessoa, tendo pecado, reconheça a sua fraqueza e peça misericórdia pela própria culpa, é inaceitável, pelo contrário, o comportamento de quem faz da própria fraqueza o critério da verdade do bem, de modo a poder-se sentir justificado por si só, mesmo sem necessidade de recorrer a Deus e à Sua misericórdia. Semelhante atitude corrompe a moralidade da sociedade inteira, porque ensina a duvidar da objectividade da lei moral em geral e a rejeitar o carácter absoluto das proibições morais acerca de determinados actos humanos, acabando por confundir todos os juízos de valor.” 
Veritatis Splendor, 54



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sexta-feira, 22 de julho de 2016

Santa Maria Madalena

Padroeira dos pecadores arrependidos, dos convertidos, das mulheres, das pessoas ridicularizadas por sua piedade, dos boticários, dos cabeleireiros, dos fabricantes de perfumes, dos farmacêuticos, dos fabricantes de luvas, da vida contemplativa e contra a tentação sexual.
Origens

“Madalena”, significa na verdade “aquela que veio de Magdala”, cidade que ficava às margens do Lago de Genesaré, perto de Cafarnaum, na Terra Santa. Sabemos assim que esta Maria veio de Magdala. No tempo de Jesus, Magdala era uma cidade importante. Para se ter uma ideia, tintureiros e pescadores tinham bairros específicos na cidade. Ali havia indústrias de barcos e de peixes de conserva. Além disso, sabe-se que um excelente tipo de lã era vendida ali em mais de oitenta lojas. A palavra “Magdala” significa “torre”. Achados recentes indicam a presença duma torre nas ruínas de Magdala. Os arqueólogos acreditam que se tratava de um farol.

Santa Maria Madalena, uma mulher de posses

Sabemos que Maria Madalena foi uma pecadora convertida. Além disso, sabemos que ela era uma mulher de posses, contada entre as mulheres que ajudavam o grupo de Jesus e os doze com as suas posses, juntamente com a mulher de um procurador de Herodes, entre outras (Lc 8, 2-3). Além disso, antes da ressurreição do Senhor, “Maria Madalena e outras duas mulheres compraram aromas para ungir Jesus". (Mc 16,1). Estes aromas usados na preparação dos defuntos eram artigos caros e poucos tinham dinheiro para comprá-los.

Dinheiro a serviço do Reino dos Céus

Se Maria Madalena foi, de facto, uma prostituta, deve ter sido famosa e muito bonita, porque poucas mulheres em Israel tinham posses como ela. O admirável nisso tudo é que, após conhecer Jesus e ter sido salva por Ele, Santa Maria Madalena colocou as suas posses, conseguidas, talvez, com o dinheiro da prostituição, ao serviço do Reino de Deus, mostrando que a conversão chegou a todas as áreas da vida desta grande santa.

Fiel até o fim

Outra característica marcante de Santa Maria Madalena foi a fidelidade a Nosso Senhor Jesus Cristo. Três versículos do Evangelho de S. Mateus que, por vezes, passam despercebidos, revelam-nos esta fidelidade. Primeiro, aos pés da cruz de Jesus, quando todos os discípulos (menos João) tinham fugido, ela estava lá junto com Maria, Mãe de Jesus:

"Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu" ( Mt 27,56). 

Depois, quando Jesus tinha sido sepultado, "Maria Madalena e a outra Maria ficaram lá, sentadas defronte do túmulo" (Mt 27,61). 

E, por fim, "Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o túmulo" (Mt 28,1). Tudo isso revela o amor e a fidelidade de Santa Maria Madalena. Não é por acaso que o seu nome figura entre os primeiros da Ladainha de Todos os Santos.

A primeira a ver Jesus ressuscitado

Outro dado marcante sobre Santa Maria Madalena é o facto de ela ter sido a primeira testemunha ocular de Jesus ressuscitado. Sim, segundo os Evangelhos, ela foi a primeira a ver e a falar com Jesus na madrugada do Domingo, logo após a ressurreição do Mestre, como vemos no Evangelho de S. João 20, 1-18.

A primeira anunciadora da ressurreição de Jesus

Além de ter sido a primeira testemunha de Jesus ressuscitado, ela foi também a primeira a anunciar o milagre da ressurreição de Jesus. Este primeiro anúncio, chamado “Kerigma”, tão prezado pelos Apóstolos, foi, antes de tudo, feito por uma mulher. A Tradição Cristã também atesta que Santa Maria Madalena foi uma grande anunciadora do Evangelho depois do Pentecostes. O seu exemplo é maravilhoso. Ela foi discípula de Jesus e, depois, evangelizadora. Por tudo isso, Santa Maria Madalena é grande e o seu exemplo deve ser seguido por todos nós.

Oração a Santa Maria Madalena

Santa Maria Madalena, fostes chamada por Deus Todo-Poderoso, cujo Filho vos purificou de corpo e alma, para ser testemunha da Sua ressurreição. Misericordiosamente vos foi concedida a graça de serdes purificada de todas as enfermidades físicas e morais. Fazei com que também eu, pobre pecador, conheça o poder da vida infinita. Trazei até mim a bênção do Espírito Santo que vive e reina, o poder do Deus único e do Seu Filho Jesus Cristo. Agora, e para sempre. Ámen.

in cruz terra santa


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“Há muitos pokémons na Síria, vem salvar-me”




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quarta-feira, 20 de julho de 2016

Quando a confissão mudou uma vida e deu um Papa - JMJ'16

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA A JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE 2016

«Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mt 5, 7)

Queridos jovens!

Chegamos à última etapa da nossa peregrinação para Cracóvia, onde juntos, (...), celebraremos a XXXI Jornada Mundial da Juventude. No nosso longo e exigente caminho, temos sido guiados pelas palavras de Jesus tiradas do «Sermão da Montanha». (...) No ano que temos pela frente, queremos deixar-nos inspirar pelas palavras: «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia»(Mt 5, 7).

Com este tema, a JMJ de Cracóvia 2016 insere-se no Ano Santo da Misericórdia, tornando-se um verdadeiro e próprio Jubileu dos Jovens a nível mundial. (...)

A misericórdia de Deus é muito concreta, e todos somos chamados a fazer experiência dela pessoalmente. Quando tinha dezassete anos, num dia em que devia sair com os meus amigos, decidi passar antes pela igreja. Ali encontrei um sacerdote que me inspirou particular confiança e senti o desejo de abrir o meu coração na Confissão. Aquele encontro mudou a minha vida. Descobri que, quando abrimos o coração com humildade e transparência, podemos contemplar de forma muito concreta a misericórdia de Deus. Tive a certeza de que Deus, na pessoa daquele sacerdote, já estava à minha espera, ainda antes que desse o primeiro passo para ir à igreja. Nós procuramo-Lo, mas Ele antecipa-Se-nos sempre, desde sempre nos procura e encontra-nos primeiro. Talvez algum de vós sinta um peso no coração e pense: Fiz isto, fiz aquilo… Não temais! Ele espera-vos. É pai; sempre nos espera. Como é belo encontrar no sacramento da Reconciliação o abraço misericordioso do Pai, descobrir o confessionário como o lugar da Misericórdia, deixar-nos tocar por este amor misericordioso do Senhor que nos perdoa sempre!

E tu, caro jovem, cara jovem, já alguma vez sentiste pousar sobre ti este olhar de amor infinito que, para além de todos os teus pecados, limitações e fracassos, continua a confiar em ti e a olhar com esperança para a tua vida? Estás consciente do valor que tens diante de um Deus que, por amor, te deu tudo? Como nos ensina São Paulo, assim «Deus demonstra o seu amor para connosco: quando ainda éramos pecadores é que Cristo morreu por nós»(Rm 5, 8). Mas compreendemos verdadeiramente a força destas palavras?

Sei como todos vós amais a cruz das JMJ’s – dom de São João Paulo II – que, desde 1984, acompanha todos os vossos Encontros Mundiais. Na vida de inúmeros jovens, quantas mudanças – verdadeiras e próprias conversões – brotaram do encontro com esta cruz singela! Talvez vos tenhais posto a questão: donde vem esta força extraordinária da cruz? Aqui tendes a resposta: a cruz é o sinal mais eloquente da misericórdia de Deus. Atesta-nos que a medida do amor de Deus pela humanidade é amar sem medida. Na cruz, podemos tocar a misericórdia de Deus e deixar-nos tocar pela sua própria misericórdia. Gostaria aqui de lembrar o episódio dos dois malfeitores crucificados ao lado de Jesus: um deles é presunçoso, não se reconhece pecador, insulta o Senhor. O outro, ao contrário, reconhece ter errado, volta-se para o Senhor e diz-Lhe: «Jesus, lembra-Te de mim, quando estiveres no teu Reino». Jesus fixa-o com infinita misericórdia e responde-lhe: «Hoje estarás comigo no Paraíso» (cf. Lc 23, 32.39-43). Com qual dos dois nos identificamos? Com aquele que é presunçoso e não reconhece os próprios erros? Ou com o outro, que se reconhece necessitado da misericórdia divina e implora-a de todo o coração? No Senhor, que deu a sua vida por nós na cruz, encontraremos sempre o amor incondicional que reconhece a nossa vida como um bem e sempre nos dá a possibilidade de recomeçar.

(...)

Depois de vos ter explicado muito resumidamente como o Senhor exerce a sua misericórdia para connosco, quereria sugerir-vos em concreto como podemos ser instrumentos desta mesma misericórdia para com o nosso próximo.

Aqui vem-me ao pensamento o exemplo do bem-aventurado Pier Giorgio Frassati. Dizia ele: «Jesus faz-me visita cada manhã na Comunhão, eu restituo-a no mísero modo que posso, ou seja, visitando os pobres». Piergiorgio era um jovem que compreendera o que significa ter um coração misericordioso, sensível aos mais necessitados. Dava-lhes muito mais do que meras coisas materiais; dava-se a si mesmo, disponibilizava tempo, palavras, capacidade de escuta. Servia os pobres com grande discrição, não se pondo jamais em evidência. Vivia realmente o Evangelho, que diz: «Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua direita, a fim de que a tua esmola permaneça em segredo»(Mt 6, 3-4). Imaginai vós que, no dia anterior ao da sua morte, gravemente doente, ainda se pôs a dar orientações sobre o modo como ajudar os seus amigos necessitados. No seu funeral, os familiares e amigos ficaram estupefactos com a presença de tantos pobres, a eles desconhecidos, que tinham sido acompanhados e ajudados pelo jovem Pier Giorgio.

Sempre me apraz associar as Bem-aventuranças evangélicas com o capítulo 25 de Mateus, quando Jesus nos apresenta as obras de misericórdia e diz que seremos julgados com base nelas. Por isso, convido-vos a redescobrir as obras de misericórdia corporal: dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, vestir os nus, dar pousada aos peregrinos, assistir aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos. E não esqueçamos as obras de misericórdia espiritual: dar bons conselhos, ensinar os ignorantes, corrigir os que erram, consolar os tristes, perdoar as injúrias, suportar com paciência as fraquezas do nosso próximo, rezar a Deus por vivos e defuntos. Como vedes, a misericórdia não é bonomia, nem mero sentimentalismo. Aqui está o critério de autenticidade do nosso ser discípulos de Jesus, da nossa credibilidade como cristãos no mundo de hoje.

(...) a mensagem da Misericórdia Divina [de Sta. Faustina] constitui um programa de vida muito concreto e exigente, porque implica obras. E uma das obras de misericórdia mais evidentes, embora talvez das mais difíceis de praticar, é perdoar a quem nos ofendeu, a quem nos fez mal, àqueles que consideramos como inimigos. «Tantas vezes, como parece difícil perdoar! E, no entanto, o perdão é o instrumento colocado nas nossas frágeis mãos para alcançar a serenidade do coração. Deixar de lado o ressentimento, a raiva, a violência e a vingança são condições necessárias para se viver feliz» (Misericordiae Vultus, 9).

Encontro muitos jovens que se dizem cansados deste mundo tão dividido, no qual se digladiam partidários de diferentes facções, existem muitas guerras e há até quem use a própria religião como justificação da violência. Temos de suplicar ao Senhor que nos dê a graça de ser misericordiosos com quem nos faz mal; como Jesus que, na cruz, assim rezava por aqueles que O crucificaram: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem» (Lc 23, 34). O único caminho para vencer o mal é a misericórdia. A justiça é necessária, e muito! Mas, sozinha, não basta. Justiça e misericórdia devem caminhar juntas. Quanto desejaria que nos uníssemos todos numa oração coral, saída do mais fundo dos nossos corações, implorando que o Senhor tenha misericórdia de nós e do mundo inteiro!

Faltam poucos meses para o nosso encontro na Polónia. Cracóvia, a cidade de São João Paulo II e de Santa Faustina Kowalska, espera-nos com os braços e o coração abertos. Creio que a Providência Divina nos tenha guiado para celebrarmos o Jubileu dos Jovens precisamente no lugar onde viveram estes dois grandes apóstolos da misericórdia dos nossos tempos. João Paulo II intuiu que este era o tempo da misericórdia. No início do seu pontificado, escreveu a encíclica Dives in misericordiaNo Ano Santo de 2000, canonizou a Irmã Faustina, instituindo também a Festa da Misericórdia Divina, no segundo Domingo de Páscoa. E, no ano 2002, inaugurou pessoalmente, em Cracóvia, o Santuário de Jesus Misericordioso, consagrando o mundo à Misericórdia Divina e manifestando o desejo de que esta mensagem chegasse a todos os habitantes da terra e cumulasse os seus corações de esperança: «É preciso acender esta centelha da graça de Deus. É necessário transmitir ao mundo este fogo da misericórdia. Na misericórdia de Deus o mundo encontrará a paz, e o homem a felicidade!» (Homilia na Dedicação do Santuário da Misericórdia Divina em Cracóvia17 de Agosto de 2002).

Queridos jovens, Jesus misericordioso, representado na imagem venerada pelo povo de Deus no santuário de Cracóvia a Ele dedicado, espera-vos. Fia-Se de vós e conta convosco. Tem muitas coisas importantes a dizer a cada um e a cada uma de vós… Não tenhais medo de fixar os seus olhos cheios de amor infinito por vós e deixai-vos alcançar pelo seu olhar misericordioso, pronto a perdoar todos os vossos pecados, um olhar capaz de mudar a vossa vida e curar as feridas da vossa alma, um olhar que sacia a sede profunda que habita nos vossos corações jovens: sede de amor, de paz, de alegria e de verdadeira felicidade. Vinde a Ele e não tenhais medo! Vinde dizer-Lhe do mais fundo dos vossos corações: «Jesus, confio em Vós!» Deixai-vos tocar pela sua misericórdia sem limites, a fim de, por vossa vez, vos tornardes apóstolos da misericórdia, através das obras, das palavras e da oração, neste nosso mundo ferido pelo egoísmo, o ódio e tanto desespero.

Levai a chama do amor misericordioso de Cristo – de que falava São João Paulo II – aos ambientes da vossa vida diária e até aos confins da terra. Nesta missão, acompanho-vos com os meus votos de todo o bem e as minhas orações, entrego-vos todos à Virgem Maria, Mãe da Misericórdia, nesta última etapa do caminho de preparação espiritual para a próxima JMJ de Cracóvia, e de coração a todos vos abençoo.

Vaticano, 15 de Agosto – Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria – de 2015.
FRANCISCO
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