terça-feira, 31 de maio de 2016

Verdadeira festa no Céu: Nossa Senhora coroada Rainha

"Por fim, a Assunção chega ao seu auge: a coroação de Nossa Senhora como Rainha dos Anjos e dos Santos, do Céu e da Terra, pela Santíssima Trindade. Houve então uma verdadeira festa no Céu. Ela foi coroada por ser Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, Filha do Padre Eterno e Esposa do Divino Espírito Santo!"[1]

Afirma S. Luís Maria Grignion de Montfort que, "no Céu, Maria dá ordens aos Anjos e aos bem-aventurados. Para recompensar a sua profunda humildade, Deus Lhe deu o poder e a missão de povoar de Santos os tronos vazios, que os anjos apóstatas abandonaram e perderam por orgulho. E a vontade do Altíssimo, que exalta os humildes (Lc. I, 52), é que o Céu, a Terra e o Inferno se curvem, de bom ou mau grado, às ordens da humilde Maria".

Quando o Filho de Deus entreabriu o Céu para descer até nós, foi Maria que Lhe serviu de porta. Maria é a porta do Céu, porque todos os que nele entram, fazem-no seguindo a Jesus, por meio de Maria. A Terra, que o pecado de Adão havia separado do Céu, reconciliou-se com este pela intercessão de Maria, que nos deu Jesus. É por essa porta que todas as nossas orações chegam até Deus, e é por meio d'Ela que obtemos as graças necessárias para a nossa salvação. Maria humilde: escrava de Deus e serva dos homens.

Diz-nos hoje o Papa Francisco sobre Nossa Senhora: "Mulher corajosa! As mulheres corajosas que estão na Igreja são como a Virgem. Estas mulheres que levam para a frente a família, estas mulheres que levam a cabo a educação das crianças, que enfrentam muitas dificuldades, tantas dores, que curam os doentes... Corajosas: levantar-se e servir, servir. O serviço é sinal dos cristãos."[2]

Toda a devoção a Maria termina em Jesus, tal como o rio que se lança ao mar. Nossa Senhora é aquela que do Céu reina sobre as almas cristãs, a fim de que haja a salvação: “É impossível que se perca quem se dirige com confiança a Maria e a quem Ela acolher” ( diz-nos Santo Anselmo).

"Maria é a rainha do Céu e da terra, por graça, como Cristo é Rei por natureza e por conquista" (diz S. Luís Maria Grignion de Montfort). O reinado de Maria semelhante e em perfeita coincidência com o Reino de Jesus Cristo não é temporal nem terreno, mas é um reino eterno e universal. "[E]sta realeza da Mãe de Deus se faz concreta no amor e no serviço a seus filhos, em seu constante velar pelas pessoas e suas necessidades." - diz o Papa Bento XVI.

"(...) Maria é rainha, por ter dado a vida a um Filho, que no próprio instante da sua concepção, mesmo como homem, era rei e senhor de todas as coisas, pela união hipostática da natureza humana com o Verbo. Por isso muito bem escreveu S. João Damasceno: "Tornou-se verdadeiramente senhora de toda a criação, no momento em que se tornou Mãe do Criador"."[3]

"Dessas premissas se pode argumentar: Se Maria, na obra da salvação espiritual, foi associada por vontade de Deus a Jesus Cristo, princípio de salvação, e o foi quase como Eva foi associada a Adão, princípio de morte, podendo-se afirmar que a nossa redenção se realizou segundo uma certa "recapitulação", pela qual o género humano, sujeito à morte por causa duma virgem, salva-se também por meio duma virgem; se, além disso, pode-se dizer igualmente que esta gloriosíssima Senhora foi escolhida para Mãe de Cristo "para lhe ser associada na redenção do género humano", e se realmente "foi ela que – isenta de qualquer culpa pessoal ou hereditária, e sempre estreitamente unida a seu Filho – o ofereceu no Gólgota ao eterno Pai, sacrificando juntamente, qual nova Eva, os direitos e o amor de mãe em benefício de toda a posteridade de Adão, manchada pela sua desventurada queda" poder-se-á legitimamente concluir que, assim como Cristo, o novo Adão, deve-se chamar rei não só porque é Filho de Deus mas também porque é nosso redentor, assim, segundo certa analogia, pode-se afirmar também que a bem-aventurada virgem Maria é rainha, não só porque é Mãe de Deus mas ainda porque, como nova Eva, foi associada ao novo Adão."[4]

"Procurem pois todos, e agora com mais confiança, aproximar-se do trono da misericórdia e da graça, para pedir à nossa Rainha e Mãe socorro na adversidade, luz nas trevas, conforto na dor e no pranto; e, o que é mais, esforcem-se por se libertar da escravidão do pecado, e prestem ao ceptro régio de tão poderosa Mãe a homenagem duradoura da devoção filial. Frequentem as multidões de fiéis os seus templos e celebrem-lhe as festas; ande nas mãos de todos a piedosa coroa do terço; e reúna a recitação dele – nas igrejas, nas casas, nos hospitais e nas prisões – ora pequenos grupos, ora grandes assembleias, para cantarem as glórias de Maria."[5] (No entanto,) "[n]em presuma alguém ser filho de Maria, digno de se acolher à sua poderosíssima protecção, se a exemplo dela não é justo, manso e casto, e não mostra verdadeira fraternidade, evitando ferir e prejudicar, e procurando socorrer e dar ânimo."[6]

"Em algumas regiões da terra, não falta quem seja injustamente perseguido por causa do nome cristão e se veja privado dos direitos divinos e humanos da liberdade. Para afastar tais males, nada conseguiram até hoje justificados pedidos e reiterados protestos. A esses filhos inocentes e atormentados volva os seus olhos de misericórdia, cuja luz dissipa nuvens e serena tempestades, a poderosa Senhora dos acontecimentos e dos tempos, que sabe vencer a maldade com o seu pé virginal. Conceda-lhes poderem em breve gozar a devida liberdade e cumprir publicamente os deveres religiosos. E, servindo a causa do Evangelho – com o seu esforço concorde e egrégias virtudes, de que no meio de tantas dificuldades dão exemplo – concorram para o fortalecimento e progresso das sociedades terrestres."[7]

"Foi pela Santíssima Virgem Maria que Jesus veio ao mundo e por ela também deverá Jesus reinar no mundo."[8] "Se, como é certo, o conhecimento e o Reino de Cristo chegarem ao mundo, isto será necessária consequência do conhecimento e do reino da Santíssima Virgem Maria".[9] "Por fim, o meu Imaculado Coração Triunfará".[10] Que venha o Reino de Maria, para que assim venha o Reino de Jesus Cristo!
  
Ad Iesum Per Mariam!

PF

Notas:
 

[1] Meditações dos Primeiros Sábados - Pe. António de Almeida Fazenda, SJ
 

[2] Papa Francisco, 31-05-2016, Homília na Casa de Santa Marta
 

[3] Pio XII, Carta enc. Ad Caeli Reginam, p. 33
 

[4] Pio XII, Carta enc. Ad Caeli Reginam, p. 36
 

[5] Pio XII, Carta enc. Ad Caeli Reginam, p. 46
 

[6] Pio XII, Carta enc. Ad Caeli Reginam, p. 47
 

[7] Pio XII, Carta enc. Ad Caeli Reginam, p. 48
 

[8] S. Luís Maria Grignion de Montfort, Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria, p. 1
 

[9] S. Luís Maria Grignion de Montfort, Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria, p.13
 

[10] Irmã Lúcia dos Santos, Terceira Parte do Segredo de Fátima, Tuy, 3-1-1944


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A fidelidade dos casais - um sinal para o mundo

"Testemunhar o valor inestimável da indissolubilidade e da fidelidade matrimonial é uma das tarefas mais preciosas e mais urgentes dos casais cristãos do nosso tempo. (…)

Louvo e encorajo os numerosos casais que, embora encontrando não pequenas dificuldades, conservam e desenvolvem o dom da indissolubilidade: cumprem desta maneira, de um modo humilde e corajoso, o dever que lhes foi confiado de ser no mundo um “sinal” – pequeno e precioso sinal, submetido também às vezes à tentação, mas sempre renovado – da fidelidade infatigável com que Deus e Jesus Cristo amam todos os homens e cada homem.

Mas é também imperioso reconhecer o valor do testemunho daqueles cônjuges que, embora tendo sido abandonados pelo consorte, com a força da fé e da esperança cristãs, não contraíram uma nova união. Estes cônjuges dão também um autêntico testemunho de fidelidade, de que tanto necessita o mundo de hoje."

S. João Paulo II, Familiaris Consortio, 50.


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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Até os animais reconhecem a vida intra-uterina

Infelizmente muitos seres humanos não a reconhecem e permitem que essa vida seja exterminada de forma legal e gratuita, com o eufemismo "Interrupção voluntária da gravidez". Resta saber quem são os verdadeiros animais.


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Santa Joana d'Arc, padroeira de França

Nasceu em Domremy, Champagen (França) em 1412. Morreu em Rouen a 31 de Maio de 1431. O pai de Joana, Jaques D’Arc era um fazendeiro e Joana nunca aprendeu a ler ou a escrever. 

Quando tinha ela 13 ou 14 anos teve a sua primeira experiência mística. Ouviu uma voz chamando-a, acompanhada de uma luz. Ela teve as visões quando cuidava das ovelhas do seu pai. Visões posteriores eram compostas de mais vozes e ela foi capaz de identificar as vozes como sendo de São Miguel Arcanjo, Santa Catarina de Siena e Santa Margarida Maria Alacoque, entre outras. As suas mensagens tinham um fim especifico: apresentar-se a Robert Bauricourt, que comandava o exército do Rei. Joana convenceu um tio a levá-la, mas Bauricourt riu-se dela e recomendou que o seu pai a disciplinasse. 

Mas as visões continuaram e Joana, secretamente, deixou a sua casa e retornou a Vancoulers. Baudricourt duvidou dela, mas modificou a sua posição quando chegaram as noticias de sérias derrotas nas batalhas de Herrings do lado de fora de Orleães, em Fevereiro de 1429, exactamente conforme Joana havia predito. Ele enviou Joana com uma escolta para o falar com o Rei e ela escolheu viajar disfarçada com roupas de homem para a sua própria protecção. Em Chinon, o Rei Carlos estava disfarçado, mas ela identificou-o e por sinais secretos comunicaram e ela convenceu-o a acreditar na origem divina das sua visões e da sua missão.

Santa Joana pediu uma tropa de soldados para ir a Orleães. O seu pedido foi muito polémico na corte e ela foi enviada para ser examinada por um painel de teólogos em Poitiers. Após um exame de três semanas, o painel aconselhou que o Rei fizesse uso dos seus serviços. Diz a tradição que um dos membros do painel era um cardeal que conhecia a verdadeira aparência de São Miguel Arcanjo, secretamente guardado nos arquivos de Roma, e quando perguntou a Joana como era São Miguel, a santa descreveu-o exactamente como estava descrito no arquivo secreto em Roma. 

Foi-lhe dada a tropa e um estandarte especial feito para ela com a inscrição "Jesus:Maria" e o símbolo da Santíssima Trindade na qual dois anjos lhe presenteavam uma flor-de-lis e Joana vestia um armadura branca. A sua tropa entrou em Orleães no dia 29 de Abril e a Sua presença revigorou a cidade. No dia 8 de maio as forças inglesas que cercavam a cidade foram capturadas. Ela foi ferida no peito por uma flecha, o que reforçou a sua reputação de guerreira. 

Começou uma campanha em Loire com o Duque d’ Alençon, e tornaram-se grandes amigos. A campanha teve grande sucesso em parte graças ao elevado moral das tropas, com a presença de Joana e as tropas britânicas retiraram para Paty e de lá para Troyes. Joana tentava agora fazer com que o Rei aceitasse a sua própria responsabilidade e lutou pela sua coroação em 17 de Julho de 1429. E a missão de Joana, conforme as suas visões, estava completa. 

Daí em diante, como o Rei Carlos não forneceu suporte nem a sua presença, conforme prometido, Joana sofreu varias derrotas. O ataque a Paris falhou e ela foi ferida na coxa. Durante a trégua de Inverno, Joana ficou na corte onde continuava sendo vista com cepticismo. Quando as hostilidades recomeçaram ela foi para Compiegne onde os franceses resistiam ao cerco dos Burbundians. A ponte movediças foi fechada demasiado cedo e Joana e suas tropas ficaram do lado de fora. Foi capturada e levada ao Duque de Burgundy a 24 de Maio. Ficou prisioneira até o fim do Outono. 

O Rei não fez nenhum esforço em libertá-la. Ela havia previsto que o castelo seria entregue ao ingleses e assim aconteceu. Foi vendida aos lideres ingleses na negociação. Os ingleses estavam determinados a ficarem livres do poder de Joana sobre os soldados franceses. Como os ingleses não podiam executá-la encontraram uma maneira de julgá-la como herege. 

No dia 21 de Fevereiro de 1431 ela apareceu a um tribunal liderado por Peter Cauchon, bispo de Beauvais, que esperava que os ingleses o fizessem Arcebispo de Rouen. Ela foi interrogada sobre as vozes, a sua fé e a sua vestimenta masculina. Um sumário falso e injusto foi feito e as suas visões foram consideradas impuras na sua natureza, uma opinião suportada pela Universidade de Paris. O tribunal declarou que, se ela se recusasse a retratar, entregue aos seculares como herege . 

Teve a coragem de declarar que tudo que havia dito antes era verdade, que havia recuperado a sua força e que Deus a havia enviado para salvar a França dos ingleses. 

Assim, no dia 30 de Março de 1431, ela foi levada a praça pública do mercado em Rouen e queimada viva. Joana não tinha ainda 20 anos. As suas cinzas foram atiradas ao rio Sena. Em 1456 a sua mãe e dois irmãos apelaram para a reabertura do caso, e o Papa Calisto III assim fez. O julgamento e o veredicto foram anulados e ela considerada como uma santa virgem e mártir. Foi chamada La Pucelle, "a Virgem de Orleães". 

Na arte litúrgica da Igreja, Santa Joana é aparece como uma jovem numa armadura, com uma espada, ou uma lança e às vezes com uma bandeira, com as palavras "Jesus:Maria", e por vezes com um capacete. Nas pinturas mais antigas, ela tem longos cabelos que caem nas suas costas, para mostrar que era virgem. Certas vezes aparece incentivando o Rei, ou seguida de uma tropa, ou em roupas femininas com um espada. 

Santa Joana d'Arc venerada durante séculos, e foi finalmente beatificada em 1909 e canonizada em 1920. Foi declarada oficialmente padroeira da França em 1922. 

adaptado de catolicismoromano.com.br


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domingo, 29 de maio de 2016

O Santíssimo Sacramento nas ruas de Roma

Santissima Trinità dei Pellegrini (Roma) - Corpus Christi 2016















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sexta-feira, 27 de maio de 2016

Carta de uma ex-actriz do mundo da pornografia

Caro utilizador de pornografia,

Quero que saibas que não escrevo isto com qualquer hostilidade em relação a ti. Talvez vejas pornografia sem que o queiras fazer. Talvez a vejas e não queres parar de o fazer. De qualquer maneira, obrigado por leres.

Fui uma “porn star” durante apenas seis meses, mas participei em mais de vinte filmes. Estive lá, fi-lo e vi a realidade da industria pornográfica. Penso que muita gente acredita em falsidades acerca da pornografia. Falsidades que, se soubessem que o eram, os levariam provavelmente a esforçar-se mais (ou esforçar-se de todo) para parar de ver pornografia!

Nesta carta, quero partilhar contigo cinco desses mitos e a verdade por detrás deles:

Mito #1 – As actrizes gostam de fazer os vídeos

Nada poderia estar mais longe da verdade. O que as pessoas que se agarram a esta mentira não entendem é que estas miúdas estão a representar, ponto. Nada daquilo é real. Em toda a minha experiência, nunca conheci uma única que gostasse daquilo que fazia!

Tendo estado na indústria da pornografia, posso dizer-te que não é uma experiência agradável. O sexo em si é doloroso, e as raparigas estão expostas a todos os tipos de abusos, quer por parte dos restantes actores, quer de toda a gente no estúdio. É uma experiência degradante e, para muitas de nós, a única maneira que tínhamos para aguentar as filmagens era enchendo-nos de drogas ou álcool, enquanto repetíamos para nós mesmas que daí a umas horas tudo teria passado, e apagando-nos completamente, como se nos desligássemos de tudo aquilo que estava a acontecer à nossa volta.

A maioria das miúdas que entra na indústria pornográfica faz um ou dois vídeos e depois sai. Se as actrizes gostam tanto de fazer pornografia, porque é que há uma taxa de desistência tão elevada? Luke Ford disse, numa entrevista ao 60 Minutos: A maioria das raparigas que entra nesta indústria faz um vídeo e sai. A experiência é tão dolorosa, tão horrenda, tão incómoda e humilhante para elas que nunca mais querem voltar a fazê-lo.

Mito #2 – As raparigas que fazem filmes pornográficos devem gostar imenso de sexo

Bem, são várias as motivações que podem levar as miúdas a entrar nesta indústria, mas o desejo sexual não é uma delas. Eu sei, porque era o que eu costumava dizer às pessoas nas entrevistas. Contava sempre aos meus fãs acerca do meu apetite sexual voraz, de quão insaciável era. Dizia-lhes que era tudo aquilo em que pensava!


A triste verdade, no entanto, é que eu detestava sexo! Não significava nada para mim, tal como não significa nada para qualquer pessoa envolvida em pornografia. É apenas algo que tu suportas para receberes o teu dinheiro. Não estou a dizer que é assim com todas as raparigas nesta indústria, mas estou a dizer que é a regra e não a excepção. Com todas as que conheci e com quem falei, a história é a mesma!

Mito #3 – Elas estão lá por vontade própria
Isto não é inteiramente verdade. Muitas vezes, as raparigas são ameaçadas ou manipuladas pelos produtores. Aconteceu-me e vi acontecer também com outras miúdas! É lhes dito que irão fazer uma determinada coisa mas, quando chegam ao estúdio, dizem-lhes que afinal farão outra totalmente diferente e que, se recusarem, é-lhes retirado o pagamento.

Muitas raparigas são novas e inexperientes e sentem que são obrigadas a participar nessa cena... uma cena com a qual não concordaram, e a qual não querem fazer. Muitas vezes têm medo dos produtores, muitas medo de nunca mais voltar a trabalhar. Sentem-se encurraladas. Mesmo se não forem manipuladas, a verdade é que nenhuma rapariga quer estar ali!

Ainda que possam ter concordado em fazê-lo, não significa que gostam de o fazer e qualquer uma que te diga o contrário está ou a mentir descaradamente, ou a contar apenas parte da história.

Mito #4 – Se estão a ser pagas pelo que estão a fazer, qual é o mal?

Embora seja verdade que os actores recebem muito - geralmente centenas de dólares por cena – a ironia é que, quando acabam por abandonar a indústria, saem falidos e sem nada de que se orgulhar. Há diversos motivos para isto. Um deles é a droga. As drogas estão por todo o lado na indústria pornográfica. É raro encontrar uma filmagem que não tenha drogas ou álcool, ou em que grande parte das pessoas não seja viciada.

As drogas são algo que usas para aguentar a humilhação e a dureza do sexo e, em muitos casos, o que usas para entrar num estado de dormência. O dinheiro que recebes da pornografia, gastas a tentar desligar-te do estilo de vida que levas.

Outra razão é que grande parte do dinheiro volta de imediato para a indústria pornográfica, com maquilhagem, roupas e todos os custos de manutenção. Elas gastam o que for necessário para manterem a sua aparência impecável. Assim, mesmo com as centenas de dólares que ganham por filmagem, no fim, não lhes resta nada... estão emocionalmente, espiritualmente e financeiramente falidas. 


Mito #5 – Não há (ou são, pelo menos, mínimos) riscos de saúde na pornografia

Isto é absolutamente errado! Somos testados em relação ao HIV, mas não em relação a todas as doenças sexualmente transmissíveis. A maioria dos actores pornográficos tem uma ou mais DST, e muitas raparigas contaram ter contraído cancro cervical e VPH após o seu tempo na indústria pornográfica.

As raparigas que chegam à pornografia não estão conscientes destes ricos. Este ano, o Departamento de Saúde de L.A. proibiu a produção de mainstream porn após serem reportados diversos casos de SIDA. A indústria pornográfica tinha conhecimento do problema, mas nunca o reportou, porque não queria abandonar a produção.

A maioria das raparigas que se vêm em filmes pornográficos são mulheres prostituídas, o que significa que muitas são infectadas pelos seus clientes com SIDA ou qualquer outra doença, passando-a posteriormente para os actores com quem trabalham. Os produtores dirão que os actores usam sempre preservativo, mas isso é mentira! É muito fácil apanhar DST’s na indústria pornográfica, ainda que produtores e actores te digam que é completamente seguro.

Espero que guardes algum tempo para pensar no que te disse, e que saibas que te amo e rezo por todos vocês,


April.


in The Porn Effect

(Tradução por: Gonçalo Ludovice) 

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As Mãos de Deus: Casamento, família e S. Josemaria

Lançamento amanhã (Sábado, 28 de Maio) às 17h00m
no Auditório da Feira do Livro de Lisboa



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quinta-feira, 26 de maio de 2016

São Filipe Néri levitava durante a Missa

São Filipe Néri ficou conhecido como "o santo da alegria" pelo seu constante bom-humor e por pregar 'partidas' aos jovens que o seguiam pelas ruas de Roma e nos seus oratórios.

Ao mesmo tempo era um homem de oração profundíssima, de tal maneira que muitas vezes entrava em êxtase e levitava, a dois palmos do chão, enquanto celebrava a Missa. De tal forma isto era frequente que as pessoas se habituaram a abandonar a Missa depois do "Cordeiro de Deus". 

O acólito, que servia à Missa, apagava as velas, acendia uma lamparina, deixava na porta um letreiro no qual se dizia que Filipe estava celebrando Missa e ia também embora. Voltava cerca de duas horas depois, acendia as velas e a Missa continuava.

Livro sobre a vida deste grande santo: "São Filipe Néri, o sorriso de Deus" (clicar no título do livro)
Joan Llimona, 1902


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Testemunho sobre as Hóstias roubadas em Pamplona

Em Agosto de 2015, em Pamplona, foram expostas Hóstias Consagradas ao público numa exposição.

As hóstias foram roubadas em paróquias de Espanha e, só isso, já surpreende. Como é possível as autoridades compactuarem com expor ao público algo que foi previamente roubado?

Mas o problema maior não é esse, Hóstias Consagradas são o próprio Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor, do próprio Deus. De todos os pecados que se pode cometer, este é certamente dos mais graves possíveis.

Felizmente os Católicos em Pamplona reagiram para desagravar este abuso, tanto na própria exposição, prestando a devida reverência (de joelhos) ao Corpo de Deus, mas também noutros contextos.

Deixamos aqui um testemunho de alguém que viveu todos estes momentos. O texto é partilhado por uma professora  do colégio La Vall, ligado ao Opus Dei, na Catalunha:

"Uma ex-aluna de La Vall, que estuda na Universidade de Navarra, escreve assim:
Ontem cheguei a casa a seguir ao Terço diante da sala exposições, onde estão as fotos das espécies consagradas postas no chão. Havia centenas de pessoas a rezar o Terço de joelhos. 
Hoje estive na Missa que o Bispo de Pamplona convocou para pedir perdão a Jesus pela profanação do Seu Corpo. Foi incrível. 
Havia mais de 100 sacerdotes a concelebrar a Missa. O Bispo falou de caridade e de misericórdia. Pediu aos jovens que sentem a chamada de Deus no seu coração, que abram as portas a Cristo e se entreguem a Ele, os rapazes ao sacerdócio e as raparigas no cuidado dos mais pobres e necessitados. 
Deu graças pela presença de tanta gente na Missa. Depois da homilia pediu que fizéssemos uns momentos de silêncio. Víamo-lo tão tão magoado. Fiquei impressionada porque as pessoas estavam magoadas de verdade, realmente doía-lhes que se tivesse feito isto a Jesus. E impressionou-me porque isso significa que muitíssimas pessoas dão muito valor à Eucaristia e amam-na. 
Fiquei louca. Não têm noção do ambiente que havia: de recolhimento, de oração, de arrependimento, de desculpa, de silêncio, de carinho. Todos super concentrados, cantando as músicas com o coração. A algumas pessoas saltavam lágrimas e outras não conseguiam acabar de cantar porque falhava-lhes a voz. Eu tinha pele de galinha.
Padres, freiras, meninos, universitários, monges, gente do Opus Deis, pais e mães de família...
O Bispo pediu que comungássemos com a boca para evitar que acontecessem coisas más como as que se passaram. Leu-se o Evangelho, penso, de S. Lucas: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue habita em Mim e Eu nele." Falou-se muito da Eucaristia. 
Ao terminar a Comunhão disse-se ao microfone que se tinham preparado 4000 particulas consagradas para que todos comungassem e mesmo assim houve pessoas que ficaram sem comungar. Houve pessoas que esperaram mais de 20 minutos na fila para comungar e mesmo assim não havia partículas para todos.
Estava à pinha. As pessoas ajoelhavam-se, embora não coubessem muito bem. Foi impressionante: a fé das pessoas e a dor que sentiam por se ter ofendido tão gravemente a Jesus. 
Ao terminar a Missa houve uma procissão de Jesus Sacramentado pela Catedral. E quando saíam os sacerdotes e o Bispo, todos começaram a aplaudir de tão bonito que tinha sido."
Inédito Senza Pagare




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quarta-feira, 25 de maio de 2016

"Ninguém vai ao Pai senão por Mim."

"Eu sou o caminho, a verdade e a vida." Cristo parece dizer-nos: "Por onde queres passar? Eu sou o caminho. Onde queres chegar? Eu sou a verdade. Onde queres ficar? Eu sou a vida." Caminhemos pois em plena segurança por este caminho; e, fora do caminho, tenhamos cuidado com as armadilhas. Porque dentro do caminho o inimigo não ousa atacar - o caminho é Cristo -, mas fora do caminho monta os seus ardis. [...]

O nosso caminho é Cristo na sua humildade; Cristo verdade e vida é Cristo na sua grandeza, na sua divindade. Se seguires o caminho da humildade, chegarás ao Altíssimo; se, na tua fraqueza, não desprezares a humildade, permanecerás cheio de força no Altíssimo. Porque foi que Cristo tomou o caminho da humildade? Foi por causa da tua fraqueza, que era um obstáculo intransponível; foi para te libertar dela que tão grande médico veio a ti. Tu não podias ir até ele; por isso, veio Ele até ti. Veio ensinar-te a humildade, que é um caminho de regresso, porque era o orgulho que nos impedia de retornar à vida que o mesmo orgulho nos tinha feito perder. [...]

Assim, tornando-Se nosso caminho, Jesus grita-nos: "Entrai pela porta estreita!" (Mt 7,13). O homem esforça-se por entrar, mas o inchaço do orgulho impede-o de tal. Aceitemos o remédio da humildade, bebamos esse medicamento amargo, mas salutar. [...] O homem inchado de orgulho pergunta: "Como poderei entrar?" Cristo responde-lhe: "Eu sou o caminho, entra por Mim. Eu sou a porta (Jo 10,7), porque procuras noutro sítio?" Para que não te percas, Ele fez-Se tudo por ti e diz-te: "Sê humilde, sê manso" (Mt 11,29).   

Santo Agostinho in Sermão 142


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O Santo que começou a contar os anos 'antes e depois de Cristo'

Quando S. Beda escreveu a Historia Ecclesiastica, havia duas maneiras frequentes de referir as datas. Uma era usar indicções, que eram ciclos de 15 anos, contados a partir de 312 d.C. (o ano em que Constantino se tornou imperador de Roma). Havia três tipos diferentes de indicções, cada um começando num dia diferente do ano. A outra maneira era usar anos de reinado - o reinado do imperador romano, por exemplo, ou do governante do reino em questão. Isto significa que ao discutir conflictos entre reinos, a data teria que ser dada em anos de reinado de todos os reis envolvidos. S. Beda usou ambas as maneiras, mas adoptou uma terceira como o seu método principal: o anno domini (AD) inventado por Dionísio Exíguo [NT: em português "depois de Cristo"] [1]. Apesar de S. Beda não ter inventado este método, o facto de o ter adopptado e de o ter recomendado em De Temporum Ratione, a sua obra sobre cronologia, é a razão principal pela qual é hoje muito usado [1,2].

[1] Colgrave, Bertram; Mynors, R. A. B. (1969). "Introduction". Bede's Ecclesiastical History of the English People. Oxford: Clarendon Press.
[2] Stenton, F. M. (1971). Anglo-Saxon England (Third ed.). Oxford: Oxford University Press.

adaptado de en.wikipedia.org


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terça-feira, 24 de maio de 2016

Um longo aplauso para o Papa Bento XVI



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Dom Bosco e Nossa Senhora, Auxílio dos Cristãos

24 de Maio
Nossa Senhora Auxiliadora


No ano de 1862, as aparições de Maria Auxiliadora na cidade de Spoleto a uma criança de cinco anos marcam um despertar mariano na piedade popular italiana. Nesse mesmo ano, Dom Bosco iniciou a construção, em Turim, de uma grande Basílica, que foi dedicada a Nossa Senhora, Auxílio dos Cristãos. Até então não se percebia em Dom Bosco uma atenção especial por esse título.

A partir dessa data, Dom Bosco, que desde pequeno aprendeu com Margarida, sua mãe, a ter grande confiança em Nossa Senhora, ao falar da Mãe de Deus, lhe unirá sempre o título Auxiliadora dos Cristãos. Para perpetuar o seu amor e a sua gratidão para com Nossa Senhora e para que ficasse conhecido por todos e para sempre que foi “Ela (Maria) quem tudo fez”, Dom Bosco quis que as Filhas de Maria Auxiliadora, congregação por ele fundada juntamente com Santa Maria Domingas Mazzarello, fossem um monumento vivo dessa sua gratidão.

“Nossa Senhora deseja que a veneremos com o título de Auxiliadora: vivemos em tempos difíceis e necessitamos que a Santíssima Virgem nos ajude a conservar e defender a fé cristã”, disse Dom Bosco ao padre Cagliero.

A devoção a Nossa Senhora Auxiliadora foi crescendo cada vez mais e mais. (...)

No dia 17 de maio de 1903, por decreto do Papa Leão XIII, foi solenemente coroada a imagem de Maria Auxiliadora, que se venera no Santuário de Turim.

Grande devoção a Nossa Senhora: a construção do Santuário de Maria Auxiliadora em Turim

Dom Bosco confiou aos Salesianos a propagação dessa devoção, que é, ao mesmo tempo, devoção à Mãe de Deus, à Igreja e ao Papa.

Foi uma obra marcada por acontecimentos extraordinários e dificuldades enormes. Dom Bosco não se cansava de dizer que era Nossa Senhora que queria a igreja e que Ela mesma, depois de lhe ter indicado o local onde devia ser feita, lhe teria feito encontrar os meios necessários.

Mas ouçamos do próprio Dom Bosco o relato de um "sonho", tido em 1844, quando andava ainda à procura de uma sede estável para o seu oratório.

A Senhora que lhe apareceu, diz-lhe:

" 'Observa'. - E eu vi uma igreja pequena e baixa, um pequeno pátio e jovens em grande número. Recomecei o meu trabalho.

Mas tendo-se esta igreja tornado pequena, recorri a Ela outra vez e Ela fez-me ver uma outra igreja bastante maior com uma casa ao lado.

Depois, conduzindo-me a um lado, a um pedaço de terreno cultivado, quase em frente da fachada da segunda igreja, acrescentou:

'Neste lugar onde os gloriosos Mártires de Turim Aventor, Solutor e Octávio ofereceram o seu martírio, construirás a minha igreja.'"


in aveluz.com it.donbosco-torino.org


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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Oração com o rabo?

Haverá dias em que a tua oração será com a cabeça... Com todos os projectos que tenhas na cabeça. Perguntá-los ao Senhor, contá-los, explicá-los...
Outros dias, a tua oração será com o coração... Todas as tuas inquietudes, as tuas duvidas, as tuas tristezas e alegrias, as tristezas e alegrias dos teus...
E noutros dias, a tua oração não será nem com a cabeça nem com o coração, mas farás a tua oração com o rabo. Sentas-te no banco e dizes o que queres e precisas... E já está!

Irmã Maria de Jesus Crucificado


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90% dos bebés com Síndrome de Down são abortados

"Eu não sou perfeito, mas sou feliz. Sou feito por Deus, à Sua imagem, e sou abençoado. 
Faço parte das 10% de crianças com Síndrome de Down que sobrevivem ao aborto livre."


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domingo, 22 de maio de 2016

Um católico deve saber bem o Símbolo Atanasiano

Quem quiser salvar-se deve antes de tudo professar a fé católica. Porque aquele que não a professar, integral e inviolavelmente, perecerá sem dúvida por toda a eternidade.

A fé católica consiste em adorar um só Deus em três Pessoas e três Pessoas em um só Deus. Sem confundir as Pessoas nem separar a substância.

Porque uma só é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo. Mas uma só é a divindade do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, igual a glória, coeterna a majestade. Tal como é o Pai, tal é o Filho, tal é o Espírito Santo.

O Pai é incriado, o Filho é incriado, o Espírito Santo é incriado. O Pai é imenso, o Filho é imenso, o Espírito Santo é imenso. O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno. E contudo não são três eternos, mas um só eterno.

Assim como não são três incriados, nem três imensos, mas um só incriado e um só imenso.
Da mesma maneira, o Pai é omnipotente, o Filho é omnipotente, o Espírito Santo é omnipotente. E contudo não são três omnipotentes, mas um só omnipotente.

Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus. E contudo não são três deuses, mas um só Deus. Do mesmo modo, o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor. E contudo não são três senhores, mas um só Senhor.

Porque, assim como a verdade crista nos manda confessar que cada uma das Pessoas é Deus e Senhor, do mesmo modo a religião católica nos proíbe dizer que são três deuses ou senhores.

O Pai não foi feito, nem gerado, nem criado por ninguém. O Filho procede do Pai; não foi feito, nem criado, mas gerado. O Espírito Santo não foi feito, nem criado, nem gerado, mas procede do Pai e do Filho.

Não há, pois, senão um só Pai, e não três Pais; um só Filho, e não três Filhos; um só Espírito Santo, e não três Espíritos Santos. E nesta Trindade não há nem mais antigo nem menos antigo, nem maior nem menor, mas as três Pessoas são coeternas e iguais entre si.

Em tudo se deve adorar a unidade na Trindade e a Trindade na unidade. Quem, pois, quiser salvar-se, deve pensar assim a respeito da Trindade.

Mas, para alcançar a salvação, é necessário ainda crer firmemente na Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo. A pureza da nossa fé consiste, pois, em crer ainda e confessar que Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem.

É Deus, gerado na substancia do Pai desde toda a eternidade; é homem porque nasceu, no tempo, da substância da sua Mãe. Deus perfeito e homem perfeito, com alma racional e carne humana.

Igual ao Pai segundo a divindade; menor que o Pai segundo a humanidade. E embora seja Deus e homem, contudo não são dois, mas um só Cristo. É um, não porque a divindade se tenha convertido em humanidade, mas porque Deus assumiu a humanidade. Um, finalmente, não por confusão de substâncias, mas pela unidade da Pessoa.

Porque, assim como a alma racional e o corpo formam um só homem, assim também a divindade e a humanidade formam um só Cristo. Ele sofreu a morte por nossa salvação, desceu aos infernos e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos. Subiu aos Céus e está sentado a direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. E quando vier, todos os homens ressuscitarão com os seus corpos, para prestar conta dos seus actos.

E os que tiverem praticado o bem irão para a vida eterna, e os maus para o fogo eterno. Esta é a fé católica, e quem não a professar fiel e firmemente não se poderá salvar.


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sábado, 21 de maio de 2016

As várias igrejas 'sui iuris' dentro da Igreja Católica

Tradição Litúrgica Latina

- Igreja Latina (Romana)

Tradição Litúrgica Bizantina

- Igreja Greco-Católica Ucraniana (1595)
- Igreja Greco-Católica Melquita (1726)
- Igreja Católica Bizantina Grega (1829)
- Igreja Católica Bizantina Rutena (1646)
- Igreja Católica Bizantina Eslovaca (1646)
- Igreja Católica Búlgara (1861)
- Igreja Greco-Católica Croata (1611)
- Igreja Greco-Católica Macedónica (1918)
- Igreja Católica Bizantina Húngara (1646)
- Igreja Greco-Católica Romena unida com Roma (1697)
- Igreja Católica Ítalo-Albanesa (esteve sempre em comunhão)
- Igreja Católica Bizantina Russa (1905)
- Igreja Católica Bizantina Albanesa (1628)
- Igreja Católica Bizantina Bielorrussa (1596)

Tradição Litúrgica de Alexandria

- Igreja Católica Copta (1741)
- Igreja Católica Etíope (1846)

Tradição Litúrgica de Antioquia

*Rito litúrgico maronita
- Igreja Maronita (esteve sempre em comunhão)
*Rito litúrgico siríaco
- Igreja Católica Siro-Malancar (1930)
- Igreja Católica Siríaca (1781)

Tradição Litúrgica Arménia

-Igreja Católica Arm
énia (1742)

Tradição Litúrgica Caldeia

- Igreja Católica Caldeia (1692)
- Igreja Católica Siro-Malabar (1599)


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Será que a Igreja tem que evoluir?

Tenho ouvido dizer que a Igreja tem de mudar se quer continuar a ter relevância para os homens e as mulheres do nosso tempo. Claro que o que isso quer dizer é que as pessoas querem um “vale tudo” ao nível da sexualidade. É a única coisa que lhes preocupa. O que é que lhes interessa que a Igreja mude ou não mude os seus ensinamentos, mesmo que o pudesse fazer? Não os seguem de qualquer maneira.

Mas talvez estejam a ser demasiado cautelosos. Porquê mudar a esposa quando se pode ir atrás do próprio Cristo? Porquê travestir a noiva com lingerie Astarte’s Secret, quando podemos simplesmente colocar novas palavras na boca do noivo, suscitar nele um novo interesse?

O Senhor diz que não vem para abolir a lei e os profetas, mas para os cumprir. Ele é o verdadeiro e único agente da evolução moral. Ele revela a verdade que estava escondida nas sombras, ou encrustada nos costumes locais ou tribais. Ele é o fogo que refina, transformando o minério em ouro. Os seus ensinamentos transformam o nosso pó em infinito.

A lei permite-nos, por causa da dureza dos nossos corações, amaldiçoar os nossos inimigos. Jesus diz: “Façam o bem a quem vos persegue, porque assim serão como o vosso Pai Celeste, que envia as chuvas sobre os justos e os injustos”.

A lei permite-nos, por causa da dureza dos nossos corações, orgulharmo-nos pelas esmolas que damos, como os mais banais dos pagãos. Jesus diz: “Não deixeis que a vossa mão esquerda saiba o que faz a mão direita”.

A lei permite-nos, por causa da dureza dos nossos corações, livrar-nos das nossas mulheres em certas situações: por serem chatas, queimarem a sopa, e por aí fora. Jesus diz, “Não separe o homem o que Deus uniu”.

Isto é desenvolvimento, evolução, consumação. É como a diferença entre a fragilidade de uma árvore muito nova e a solidez do tronco de um carvalho. É como a diferença entre o vocabulário hesitante de uma criança e a eloquência de Cícero. Mais: é como as fracas e esporádicas visões do bem que temos nesta vida, abrindo caminho para visões serenas do paraíso.

Contudo, nós não queremos este desenvolvimento, queremos cobri-lo, vezes sem conta. Não queremos ser transformados do nada ao infinito, queremos esconder-nos nos nossos casulos. Não queremos a casa do Pai, que tem muitas moradas, queremos a barraca do mundo, com calendários bolorentos na parede. Não queremos a Palavra, queremos a gaguez.

Queremos um Jesus que encaixe nisto tudo, um deus que possamos arrumar definitivamente na caverna e, por isso, decidi fazer uma tradução mais adequada das suas palavras:

“Ouvistes-me dizer, que o vosso ‘sim seja sim e o não seja não’. Para quê? Olhem os torrões de terra, como se desfazem. As vossas palavras não valem menos que eles? Contentem-se com talvez. Digam o que quiserem, para tornar os vossos dias confortáveis, porque são poucos, e passarão.”

“Ouvistes-me dizer, quem não pegar na sua cruz e seguir-me não é digno de mim. Mas para quê? A cruz de nada me valeu. Não tenho baptismo de fogo com que purificar a terra. Não se preocupem. Tentem não fazer sofrer os outros, mas ao mesmo tempo tentem não se expor demasiado ao sofrimento.”

“Bem-aventurados os que têm recursos financeiros, pois deles serão as boas escolas e os subúrbios.”
“Bem-aventurados os que se riem, pois não precisam de se preocupar.”
“Bem-aventurados os que acreditam neles mesmos, pois povoarão a terra.”
“Bem-aventurados os que zombam dos justos, pois serão menos que os hipócritas”.
“Bem-aventurados os indiferentes, pois serão deixados em paz.”
“Bem-aventurados os manhosos de coração, pois verão pornografia.”
“Bem-aventurados os que fazem cedências, pois ganharão eleições.”
“Bem-aventurados os que perseguem os justos, pois serão chamados filhos de Deus.”
“Bem-aventurados os que usam o meu nome para fazer como entenderem, para conquistar os aplausos dos homens enquanto oprimem os ignorantes e os fiéis, pois deles serão as boas escolas e os subúrbios.”

“Vós sois o sal da terra. O sal nunca perde o sabor, por isso não stressem.”
“Vós sois a luz do mundo. Se esconderem uma candeia debaixo do alqueire, que diferença é que faz? Não se preocupem com isso.”

“Ouvistes-me dizer, não separe o homem, e essas coisas todas. Esqueçam. Divorciem-se à vontade, mas tentem ser simpáticos e ajudem os vossos filhos a aguentar.”
“Ouvistes-me dizer que não é o que entra no homem que o torna impuro, mas o que sai do seu coração. Coisas como fornicação, adultério, decepção, cobiça, homicídio e por aí fora. Mas não nos apressemos. Um homem pode ser um fornicador e ainda assim ser um tipo porreiro. Um homem pode trair a sua mulher, roubar o negócio do seu sócio, apunhalar o vizinho, expor crianças a ordinarices, mentir sob juramento, mas isso não quer dizer que não seja um gajo porreiro.”

“Sejam porreiros, como o vosso deus imaginário é porreiro.”

“Quando rezardes, não sejais como os hipócritas, que vão à missa para celebrar como eu ordenei. Retiro o que disse. Eis como deveis rezar:
Nosso amigo que estais nos céus, dai-nos o que queremos e o que não queremos, arruma para o lado. Ámen."

"Pois o reino dos céus pode ser comparado a um homem que fez uma festa para o seu filho e obrigou toda a gente a juntar-se a ele, quer quisessem quer não. Agora desandem e deixem-me em paz.”

Anthony Esolen in Actualidade Reliigiosa


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sexta-feira, 20 de maio de 2016

Há 70 anos: Missa Solene numa igreja em ruínas




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10 dicas para quando visitarem Roma

Acabei de passar as últimas três semanas em Roma, a ensinar seminaristas Católicos na Rome Experience e aqui ficam 10 dicas para aproveitar ao máximo a vossa visita a Roma:



1. Deviam visitar as 4 Basílilicas Maiores de Roma: S. Pedro (Vaticano), S. Paulo fora dos Muros, Sta. Maria Maior e S. João de Latrão. Estas são as quatro maiores igrejas em Roma e cada uma delas vai cortar-vos a respiração. As minhas preferidas são S. Pedro e Sta. Maria Maior.

2. A melhor parte de Roma são as igrejas mais escondidas. A Basílica de S. Pedro é incrível, mas às vezes dou por mim a gostar e a falar com Deus de uma forma especial em igrejas como Sta. Inês em Agonia na Piazza Navona ou na Missa de Domingo em Sta. Maria de Trastevere.

Santa Maria de Trastevere - fora dos percursos normais, mas digna de uma visita!

3. Se estiverem com saúde, vão a pé para todo o lado. Tentem não usar táxis ou o metro. Andar a pé numa cidade é a melhor maneira de a conhecer. Se não conseguirem andar, vão com alguém que conheça bem Roma.

4. Bus tour. Por falar em conhecer Roma, por mais piroso que pareça, sugiro andarem num daqueles autocarros turísticos de dois andares e dar uma volta à cidade, pelo menos uma vez. Vai dar-vos uma "vista" global da cidade.

5. Leiam um bom livro sobre a Roma Cristã antes de chegarem. Eu recomendo o meu livro The Eternal City: Rome and The Origins of Catholicism aos peregrinos Católicos que procuram informações sobre a história e a teologia de Roma.

6. Tomem as refeições nos restaurantes italianos com as melhores vistas. Vai ser mais caro na Piazza do Panteão ou na Piazza Navona? Claro! Mas vela a pena. Vejam as pessoas. Oiçam os músicos. Vejam os artistas. Uma noite eu estava a comer sozinho na Piazza Navona e dois casais britânicos, numa viagem de aniversário a Roma, convidaram-me para a sua mesa e até me ofereceram champagne. Tivemos uma óptima noite a falar sobre latim. Foi uma noite divertida e mágica que eu nunca vou esquecer - e nunca teria acontecido se eu fosse jantar numa loja barata de kebabs ao pé do Tibre.

7. A massa é óptima, mas não é tudo em Roma. A comida italiana não é só massa. Raramente como massa em Roma. Aproveito as minhas refeições para comer carne de porco curada, carne de vitela, queijo e vegetais. Se preferem as massas, algumas das melhores massas são as que têm um pouco de molho ou azeite por cima. A qualidade é melhor que a quantidade.

8. Todas as pessoas elogiam os gelados romanos. Mas depois de viver lá quase um mês, aprendi que há gelado... e depois há gelato real.


Assim como há vinho numa grande variedade de preços, assim também o gelado. Através dos sacerdotes que conheci, fui introduzido a sabores muito interessantes que nunca teria provado. Há uma quantidade de sabores de avelã que eu recomendo imenso. Pistachio, claro, mas tentem também o Baccio (chocolate com avelã - como Nutella!!!), Mandorla (amêndoa) e Castagna. E claro, misturem com o chocolate preto e sabores de frutos. Percebi que os gelados vendidos nos centros turísticos e nas roulotes são os piores da cidade.

9. Rezem nos lugares santos. Roma é um cidade cheia de mártires, relíquias, santos, tradição e glória. Mas é possível ficar distraído a ver tudo isso que nem se fala com Deus. Não se limitem a ficar especados para a Pietá de Miguel Ângelo e a tirar fotos para o Instagram. Não, ajoelhem-se diante dela e rezem. Não corram de igreja em igreja. Procurem o sacrário e falem com Jesus sobre a vossa peregrinação.

Capela Sistina nos Museus do Vaticano, em Roma. Deixem esse iPhone no bolso. Estejam sossegados e rezem.

10. Vivam o momento e sintam Roma. Deixo aqui alguns exemplos da minha experiência: observem um gato italiano a enrolar-se por baixo de uma estátua antiga. Sorriam para um casal de noivos a abraçar-se perto de uma fonte. Sentem-se numa igreja romana antiga e vejam o casamento de duas pessoas que nunca conheceram. Conheçam seminaristas ao acaso na rua e convidem-nos para almoçar. Dêem o abraço da paz em italiano numa missa local.

Podia dizer muito mais, mas aqui ficam as 10 maiores dicas, com a 1, 2, 9 e 10 como as mais importantes.

Taylor Marshall


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quinta-feira, 19 de maio de 2016

Reiki é invocar demónios, explica um ex-praticante


via 'É o Carteiro'


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Pentecostes: Festa restaurada ou cortada?

O Missal promulgado pelo Papa Paulo VI, a 3 de Abril de 1969, eliminou praticamente as antigas vigílias e oitavas para as principais festas.

As oitavas são agora limitadas à Páscoa e ao Natal. Quanto às vigílias, permanecem, para algumas festas, uma "Missa na noite anterior", que muitas vezes passa despercebida nas paróquias. É uma antecipação da festa e já não um dia de jejum e preparação para a festa.

A Missa da Vigília de Pentecostes é um caso especial. Ela oferece a opção de quatro textos para a primeira leitura. São textos do Antigo Testamento que preparam para o dom do Espírito Santo. Isso é tudo o que resta da antiga e rica liturgia da vigília de Pentecostes. 

A "desmontagem" da liturgia de Pentecostes foi feita em duas etapas. A vigília caiu durante a reforma dos anos 50, e a oitava foi abolida durante a promulgação do novo missal.

A antiga Vigília de Pentecostes e o seu carácter baptismal

Monsenhor Gromier, numa palestra famosa em ambientes tradicionais sobre a liturgia, dita, 'restaurada' da Semana [Santa] por  Pio XII em 1955 [1], afirma:
"A vigília de Pentecostes não possui mais nada de baptismal, transformou-se  num dia como qualquer outro, fazendo mentir o missal no cânone. Esta vigília era um vizinho chato, um rival formidável! A posteridade educada será provavelmente mais severa do que a visão actual em relação à pastoral." [2]
Ele refere-se aqui à recuperação próxima da vigília baptismal de Páscoa pelos cristãos, praticada desde os tempos antigos na véspera de Pentecostes.

Os cristãos primitivos celebravam primeiramente todo o Mistério Pascal: morte, ressurreição, ascensão e o dom do Espírito Santo durante a grande noite da Páscoa. No entanto, muito rapidamente, o ensinamento da Igreja destacou os diferentes aspectos dela, dividindo as celebrações de acordo com a cronologia dos evangelhos.

Por outro lado, sabemos que os sacramentos da iniciação cristã: baptismo, confirmação e Eucaristia, eram anteriormente administrados aos candidatos durante a mesma celebração, uma prática mantida pelas igrejas orientais. Cito o cardeal Schuster sobre a ligação intrínseca e ao mesmo tempo distinta entre Baptismo e Confirmação:

"Embora o sacramento do Baptismo seja distinto do da Confirmação, recebe esse nome porque a descida do Espírito Santo na alma do fiel completa a obra de sua regeneração sobrenatural. Através do carácter sacramental, é conferido ao neófito uma mais perfeita semelhança com Jesus Cristo, que imprime o último selo ou confirmação à sua união com o divino Redentor. A palavra confirmação era também utilizada em Espanha para indicar a oração invocatória do Espirito Santo durante a missa: Confirmatio sacramenti; também a analogia existente entre a epíclese (que na missa, pede ao Paráclito a plenitude de seus dons sobre aqueles que se aproximam da Santa Comunhão) e a Confirmação, que os antigos administravam imediatamente após o baptismo, esclarece o profundo significado teológico que está escondido sob o vocábulo “Confirmação” atribuído ao segundo sacramento." [3]
Tertuliano já fala da celebração dos baptismos, não só na grande vigília de Páscoa, mas também para o Pentecostes:
"Outro dia solene do baptismo é o Pentecostes, quando acontece um longo intervalo de tempo para dispor e educar aqueles que devem ser baptizados."
A escolha não é inocente, porque no baptismo, o bispo coloca a sua mão direita sobre a cabeça do neófito, chamando o Espírito Santo por meio de uma bênção. [4]

Temos também uma carta do Papa Sirício (384-399) [5] ao bispo de Tarragona, Himera, atestando essa prática. Além disso, numa carta aos bispos da Sicília, o Papa S. Leão Magno (440-461) exorta-os a imitar São Pedro, que baptizou três mil pessoas no dia do primeiro Pentecostes. [6]

Os livros litúrgicos posteriores dão-nos um diagrama de uma celebração do mesmo tipo da Vigília Pascal, que encontramos em todos os missais que precederam a reforma de Trento e no Missal de São Pio V até a reforma da década de 1950.

Vamos deixar a Dom Guéranger o cuidado de descrever essa prática:
"Nos tempos antigos, esse dia se assemelhava a véspera da Páscoa. À noite os fiéis iam à igreja participar nas solenidades da administração do baptismo. Na noite que se seguia, o sacramento da regeneração era conferido aos catecúmenos cuja ausência ou alguma doença os tinha impedido de se juntarem aos outros na noite de Páscoa. Aqueles que ainda não tinham sido considerados suficientemente aprovados, ou cuja educação não parecia completa, tendo satisfeito as justas exigências da Igreja, também ajudavam a formar o grupo de aspirantes ao novo nascimento que se recebe a partir da fonte sagrada. Em vez das doze profecias que se liam na noite de Páscoa, enquanto os sacerdotes executavam os ritos preparatórios aos catecúmenos para o baptismo, costumavam ler seis; Isto leva à conclusão de que o número de baptizados na noite de Pentecostes era menos considerável." [7] 
"O círio pascal reaparecia durante esta noite de graça, para educar o novo recruta o que fazia a Igreja, respeito e amor pelo Filho de Deus que se fez homem para ser "a luz do mundo”. Todos os rituais que temos descrito e explicado no Sábado Santo realizavam-se nesta nova oportunidade, onde aparecia a fecundidade da Igreja, e o Divino Sacrifício do qual tomaram parte os felizes neófitos começava ainda antes do amanhecer." [8]
Nos tempos antigos, como relata Schuster, a celebração, juntamente com a Vigília Pascal, fazia-se e, Latrão durante a noite de sábado para domingo. No século XII foi antecipada para o início da tarde. Pelo fim do dia, o Papa então ia para São Pedro, para o canto das Vésperas e Matinas solenes. A extensão da celebração do baptismo a outros dias e a prática do baptismo infantil quam primum removeram a exclusividade destas celebrações na véspera de Pentecostes, reduzindo esse dia ao grau de preparação para a festa, mesmo grau das demais vigílias, mas mantendo na celebração um caráter claramente baptismal.

Como apresentou Pio Parsch:
“Hoje é uma vigília solene e, portanto, de penitência completa, com jejum e abstinência (em algumas dioceses, no entanto, esta obrigação não se impõe mais com a pena do pecado; isso não é mais do que um simples conselho). A vigília é sempre um dia de preparação. A casa da alma deve ser limpa e preparada para a grande festa. Dois pensamentos ocupam o cristão que vive com a Igreja: a) lembra-se do seu baptismo; b) prepara-se para o Pentecostes.” [9]

Tempo e Estrutura da Vigília

Depois das nonas, lemos as profecias sem título, com as velas apagadas, assim como no Sábado Santo.

Esta é a rubrica que antecede a celebração da Vigília de Pentecostes nos missais. O seu tempo é o mesmo que o da vigília pascal. Anteriormente celebrada na noite de Sábado para Domingo, em seguida, no início da tarde, ele caiu dentro do âmbito do decreto de São Pio V, que impôs a antecipação dos ofícios ao amanhecer. A Vigília de Pentecostes, portanto, é celebrada na manhã de sábado.

A sua estrutura é semelhante ao do Sábado Santo, com a excepção da bênção do fogo e do Círio Pascal. Pius Parsch chama-lhe uma imitação abreviada do Sábado Santo. Ela começa pelas leituras das profecias, cada qual seguida de uma resposta e uma oração pelo celebrante, que é precedido por um convite do diácono: Oremus. Flectamus genua.

Depois, partimos em procissão até o baptistério com a bênção da água, cantando versos do Salmo 41 (Sicut Cervus ad fontes aquarum). Depois de uma oração, o celebrante diz a oração de bênção da água, como na Vigília Pascal. Em seguida, retornamos para o altar em procissão cantando a Ladainha dos Santos, enquanto os celebrantes vão para a sacristia, a fim de revestir os paramentos para a Missa. [10]

A cor da vigília é o roxo. É especificado que o sacerdote utilize a capa de asperges para a procissão para o fonte baptismal. O diácono e subdiácono levam a casula plicada (dobrada). A missa é em vermelho, a cor de Pentecostes.

No final das ladainhas, acendem-se as velas, os ministros vão para o altar enquanto o coro canta o Kyrie, eles recitam as orações ao pé do altar e o sacerdote incensa e entoa o Glória, durante o qual se tocam os sinos. [11]

Plano Da Vigília de Pentecostes:

Proclamação das seis profecias:
Leitura + resposta + Flectamus genua + Oração
Procissão a pia baptismal
Salmo 41
Bênção da Água
Procissão até o altar
Ladainha dos Santos
Missa

As Profecias

No rito primitivo havia doze leituras, como na Páscoa. Este número foi reduzido para seis por S. Gregório Magno, e foi assim mantida até o século VIII, quando, sob a influência do Sacramentário Gelasiano, devolvemos à Vigília Pascal as suas leituras originais.

As leituras de Pentecostes são tiradas da Páscoa, mas numa ordem diferente.

Leitura
Pentecostes
Páscoa
1
Gn. 22 - Sacrifício de Abraão
3
2
Ex 14 e 15 - A passagem do Mar Vermelho
4
3
Dt 31 - O Testamento de Moisés, o cumprimento da Lei
11
4
Is 4 - A libertação de Jerusalém
8
5
Bar 3 - O retorno à Terra Prometida
6
6
Ez 37 - Ossos secos
 7

A cada leitura se segue um responso.  Três desses são os mesmos que na Vigília pascal. As orações que se seguem, no entanto, são diferentes, retiradas do Sacramentário Gregoriano [12].

Elas reforçam, à sua própria maneira, a continuidade entre os dois Testamentos, e entre a passagem do Israel do Antigo Testamento, liberto da escravidão, ao novo Israel, de pessoas baptizadas, libertas do pecado. Citamos aqui apenas aqueles que seguem a segunda e a quarta leitura, que são admiráveis:

“Deus, Vós revelastes pela luz da Nova Aliança o significado dos milagres realizados nos primeiros tempos: o Mar Vermelho tornou-se a figura da fonte sagrada do baptismo, e as pessoas libertados da escravidão no Egipto expressam os mistérios do povo cristão: fazei com que todas as nações que receberam pelo mérito da fé o privilégio de Israel sejam regeneradas através da participação no Vosso Espírito”. 
“Deus eterno e Todo-Poderoso, Vós tendes mostrado através de seu Filho unigênito que Vós sois o jardineiro de sua Igreja, misericordiosamente cuidador de todos os ramos frutificados em seu Cristo, que é a videira verdadeira, para que produzam mais frutos: fazei que os espinhos do pecado não sobrepujem vossos fiéis, que libertastes do Egipto como uma vinha pela fonte do baptismo; e que, fortalecidos pela santificação do Vosso Espírito, sejam enriquecidos por uma colheita sem fim”.
A descida para a pia baptismal e a bênção da água, após a oração da sexta profecia, reutiliza todos os textos da Vigília Pascal, com excepção da colecta que precede a bênção da água, a qual fala da festa do dia:
“Concedei, nós vos rogamos, Deus Todo-Poderoso: nós, que celebramos a solenidade dos dons do Espírito Santo, que inflamados dos desejos celestes, tenhamos sede da fonte da vida.”
Vemos claramente, através destes textos, a íntima conexão entre o baptismo, o dom do Espírito Santo e vida cristã.

Missa

Como vimos, a missa segue imediatamente a Ladainha. Como na Páscoa, não há Introito.  Só mais tarde, quando se espalhou o uso de missas privadas, se acrescentou o Intróito "Cum sanctificatus”, emprestado da Quarta-Feira da quarta semana da Quaresma.

É o ápice da Vigília e reitera de uma maneira muito concisa a conexão entre o baptismo e o dom do Espírito Santo na sua colecta:
"Fazei, nós vos rogamos Deus Todo-Poderoso, que o esplendor de Vossa luz brilhe sobre nós; e o brilho de Vossa luz confirme, pela iluminação do Espírito Santo, os corações daqueles que Vossa graça tem revivido. Por Nosso Senhor..."
Esta ligação é enfatizada ainda mais na carta dos Actos dos Apóstolos [13]. Trata-se do encontro de Paulo com os discípulos de João Baptista.  Eles nem sequer tinham ouvido dizer que existe um Espírito Santo, depois do que Paulo baptiza-os em nome de Jesus Cristo.

O resto da Missa é inteiramente centrada em Pentecostes, com o Evangelho [14] em que Jesus prometeu a seus discípulos que não os deixaria órfãos, mas que deviam orar ao Pai para que Ele enviasse o Consolador.

A Secreta e a Pós-comunhão pedem a purificação dos corações por meio do derramamento do Espírito Santo.

A oração do Canon contém duas partes próprias.  No Communicantes menciona-se a festa do dia:
“Unidos numa comunhão e celebrando o santo dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo apareceu aos Apóstolos sob a forma de múltiplas línguas de fogo, e venerando primeiro a memória da gloriosa Virgem Maria, Mãe de Jesus Cristo nosso Deus e Senhor (...)”
Enquanto o Hanc igitur, como na Páscoa, reza pelos baptizados da noite:
“Então, Senhor, este sacrifício que nós oferecemos, e com todos os Vossos filhos, hoje especialmente para aqueles que vós vos dignastes a regenerar pela água e pelo Espírito Santo, concedendo-lhes a remissão de todos os seus pecados...”

A reforma de 1955

Nos missais após 1955, a Vigília de Pentecostes é agora reduzida a missa, como descrito acima, com o seu Intróito "Cum sanctificatus”. As profecias, a procissão e a bênção da água foram simplesmente abolidos.

O caráter baptismal da vigília foi apagado e a liturgia é inteiramente direcionada para a vinda do Espírito Santo.

Mantivemos a letra, que faz a conexão entre os dois sacramentos. Mas pode-se perguntar por que mantivemos o Hanc igitur que intercede pelos baptizados da noite. E isto para a Vigília, dia e Oitava de Pentecostes, como era feito na Páscoa.

Esta oração já era simbólica antes da reforma, já que quase nunca havia baptismos durante a celebração. No entanto, ela alargava o caráter baptismal da vigília e [por isso] manteve o seu lugar. A sua conservação aqui [após 1955], isola-a do resto da celebração e redu-la, mais do que antes, a um simples vestígio.

O missal de 1969

O Missal de 1969 inclui, como já dissemos acima, uma "Missa da noite." É uma missa de antecipação de Pentecostes que, apesar de uma ou outra oração mantida, está longe de ser a antiga vigília.

A antífona de abertura não é mais o velho Intróito "Cum sanctificatus", mas uma citação de Romanos 5, 5: "O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Seu Espírito que habita em nós, aleluia."

O aspecto baptismal não é mais explicitamente mencionado e a ênfase é sobre a vinda do Espírito Santo e o encerramento do Tempo Pascal.

A antiga colecta foi mantida, mas é uma alternativa a outra, que está listada em primeiro lugar. Isto é, aparentemente, uma nova composição:
“Deus Todo-Poderoso e eterno, Vós quisestes que a celebração do mistério pascal crescesse durante estes 50 dias de alegria; fazei que as nações e os povos espalhados se reúnam apesar da divisão linguística para confessar juntos o teu nome. Jesus ...”
Esta é uma alusão a Babel, à divisão de linguagem, e à leitura do dia seguinte, dos Actos, onde todos entendem na sua própria língua a pregação dos Apóstolos.

A peculiaridade desta Missa, única no missal, é uma escolha entre quatro textos como primeira leitura:
  • Génesis 11, 1-9: A torre de Babel 
  • Êxodo 19, 3-20: Deus manifestou-Se no fogo, no meio do povo 
  • Ezequiel 37, 1-14: Os ossos secos 
  • Joel 3, 1-5: O Espírito vem habitar em todos os homens
À parte do texto de Ezequiel, todos os outros são diferentes das profecias da antiga vigília.
A continuação da Liturgia da Palavra é fixa: 
  • Salmo 104, 1: Senhor enviai o Vosso Espírito e renovai a face da terra! 
  • Romanos 8, 22-27: O Espírito ajuda-nod na nossa fraqueza 
Quanto ao evangelho, manteve-se Jo 7, 37-39: Jesus promete o Espírito aos crentes

O communicantes próprio da Oração Eucarística I é o do antigo missal:
“Na comunhão de toda a Igreja, celebramos o santo dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo se manifestou aos Apóstolos em inúmeras línguas de fogo; e nós queremos mencionar primeiro a bem-aventurada sempre Virgem Maria, Mãe de Deus e nosso Senhor Jesus Cristo ...”
A mesma fórmula, adaptada, também é transferida para as outras orações eucarísticas e, portanto, à Oração III:
“É por isso que estamos aqui reunidos na vossa presença e na comunhão de toda a Igreja, celebramos o santo dia  Pentecostes, quando o Espírito Santo se manifestou aos Apóstolos em inúmeras línguas de fogo. Deus Todo-Poderoso, nós vos imploramos consagrar as ofertas que trazemos ...”
Há logicamente mais menções de baptizados no Hanc igitur ou o seu correspondente nas novas orações.

A Oração sobre as Oferendas e a Oração Após a Comunhão referem-se frequentemente ao Espírito:
“Nós oramos, Senhor, derramai a bênção de Vosso Espírito nas nossas ofertas; que a Vossa igreja receba essa caridade que fará brilhar no mundo a verdade da Vossa salvação.”
e
“Senhor, que esta comunhão nos seja aproveitável, fazendo-nos viver do fervor do Espírito Santo com o qual Vós preenchestes os Vossos apóstolos maravilhosamente.”

Quanto à Antífona da Comunhão, ela é tirada do Evangelho:
“O último dia da festa, Jesus levantou-se e gritou: ‘Se alguém tiver sede, venha a mim e beba’ Aleluia.”
É de se perguntar por que a sequência da frase, " Quem crê em mim", não foi adicionada.

Continuidade ou ruptura?

"A obrigação de rever e enriquecer as fórmulas Missal Romano foi sentida. O primeiro passo dessa reforma foi o trabalho de nosso predecessor Pio XII, com a reforma da Vigília Pascal e do rito da Semana Santa. Esta é a reforma que deu o primeiro passo para a adaptação do Missal Romano à mentalidade contemporânea”. Assim se expressa Paulo VI na Constituição Apostólica Missale Romanum [15].
Sempre voltamos para à pergunta: as alterações desde os anos 50, e então durante a reforma litúrgica, são elas continuidade lógica e histórica do antigo rito romano-franco ou marcam uma ruptura?

Aqui vemos uma prática antiga completamente abolida. Esta eliminação, assim diz Mons. Gromier, remove todo o carácter baptismal deste dia e centra-o na vinda do Espírito Santo. Provavelmente era o objectivo dos membros da Comissão insistir sobre o baptismo na Páscoa e sobre a confirmação em Pentecostes, através do dom do Espírito Santo.

No entanto, a Missa foi conservada, ainda que contenha elementos que lembram a vigília. Isto é, no mínimo, uma inconsistência. A "restauração" dos anos 50, aqui, nada restaurou. Não há necessidade de grande erudição para se perceber que esta reforma foi realizada às pressas e descobrir nela muitas inconsistências.

Quanto à forma de 1969, ela é, como já mencionado, uma nova criação. Actualmente a maioria das dioceses organizam uma "Vigília de Pentecostes”, às vezes com a Missa da Vigília, frequentemente com o sacramento da Confirmação, mas com largo espaço para "criação" e "criatividade" devido à falta de orientações suficientes da parte do Missal.

Longe do “desenvolvimento orgânico” [16] querido pelo Padre Reid, devemos, mais uma vez, ver a falta de lógica e continuidade nos trabalhos das comissões. Neste caso, muita coisa foi removida, deixando um vácuo e criando um amplo espaço para a improvisação. Talvez mais do que em qualquer outro dia do ano litúrgico, as práticas da Vigília de Pentecostes nos diferentes lugares – dioceses e paróquias -, mostram uma diversidade que é uma lembrança de uma das leituras oferecida a escolha dos celebrantes: a de Babel.
Pe. Jean-Pierre Herman in  Salvem a Liturgia

 

Bibliografia

  • SCHUSTER, I., Liber Sacramentorum. Notes historiques et liturgiques sur le Missel romain. Tome IV : Le baptême dans l’Esprit et dans le feu (la Sainte liturgie durant le cycle pascal). Bruxelles, 1939.
  • GUERANGER P., L’année liturgique, Tome ii: Le Temps pascal, Mame & Fils, Paris, 1920,
  • PARSCH, P., The Church’s Year of Grace, Liturgical Press, Collegeville, 1953.
  • REID A., The Organic Development of the Liturgy, St Michael’s Abbey Press, Farnborough 2004

Notas



[3] Schuster, I., Liber Sacramentorum. Notes historiques et liturgiques sur le Missel romain. Tome IV : Le baptême dans l’Esprit et dans le feu (la Sainte liturgie durant le cycle pascal). Bruxelles, 1939.

[4] Tertuliano, De Baptismo 8, 1.

[5] Epist. ad Himerium cap. 2 : Patrologia Latina vol. XIII, col. 1131B-1148A

[6] Epist. XVI ad universos episcopos per Siciliam constitutos : P.L. LIV col. 695B-704A

[7] Durante a leitura das profecias do Sábado Santo, os sacerdotes terminavam os ritos de preparação dos catecúmenos ao Baptismo, o que tomava um certo tempo.  Daí o comentário de Dom Guéranger sobre a relativa brevidade das profecias.

[8] GUERANGER P., L’année liturgique, Tome ii: Le Temps pascal, Mame & Fils, Paris, 1920, p. 260

[9] PARSCH, P., The Church’s Year of Grace, Liturgical Press, Collegeville, 1953.

[10] A rubrica especifica: nos lugares onde não há pia baptismal, depois da sexta profecia com a sua oração, o celebrante tira a casula e se prostra com os ministros diante do altar.  E, estando ajoelhados todos os outros, cantam-se as ladainhas.  São cantadas por dois cantores no meio do santuário, as dois coros respondem juntos. Ao verso Peccatores, te rogamus o padre os ministros levantam-se e vão à sacristia, e vestem paramentos vermelhos.

[11] Citamos novamente a rubrica: Ao fim das ladainhas, canta-se o Kyrie Eleison para a missa, repetindo-o conforme o costume.  Durante esse tempo o celebrante e os ministros vão para o altar e fazem a confissão. Ao fim do Kyrie Eleison se entoa o Gloria in excelsis Deo e tocam-se os sinos.

[12] Este documento, catalogado Codex Regina 337, foi recentemente publicado pela Biblioteca Vaticana. É um manuscrito do século VIII que descreve a liturgia papal em Latrão, depois da organização da liturgia pelo Papa São Gregório Magno e seus sucessores, até o tempo do papa Adriano I (+795), que enviou o manuscrito ao imperador Carlo Magno a fim de estabelecer a liturgia romana em todo o seu império. O Codex Regina 337 foi analisado por H.A. Wilson no livro The Gregorian sacramentary under Charles the Great, publicado pela Henry Bradshaw Society em Londres em 1915.

[13] Actos 19, 1-8.

[14] João, 14, 15-21.

[15] 3 de Abril de 1969.

[16] Alcuin Reid OSB, The Organic Development of the Liturgy, St Michael’s Abbey Press, Farnborough 2004.


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