sexta-feira, 31 de julho de 2015

Santo Inácio de Loyola e as perseguições

Foi com Santo Inácio que fiz uma das mais importantes descobertas que mudou radicalmente a minha vida, e que sintetizo desta forma: “A doutrina da Igreja não é um pesado jugo que temos de carregar sobre os nossos ombros: é um dos dons mais preciosos que Jesus nos deixou para acertarmos caminho”.

Estou profundamente grato a Santo Inácio por esta descoberta que me abriu o caminho da verdadeira felicidade (o caminho da conversão e da santidade). Naturalmente, neste caminho, que segundo as palavras de Jesus, não é uma “estrada larga” mas uma “estrada estreita”, não nos devemos surpreender se aparecem dificuldades e mesmo perseguições, tal como o próprio Cristo previu.

Sobre isto escrevia São Cláudio La Colombière, SJ, meditando na sua própria experiência de vida: “É estranho a quantidade de inimigos que temos que combater desde o momento que tomamos a resolução de nos tornarmos santos. Parece que tudo se desencadeia: o Demónio com as suas astúcias, o mundo com os seus atractivos, a natureza com sua resistência que se opõe aos nossos bons desejos; os louvores dos bons, a crítica dos maus, as pressões dos tíbios”...

Mas, na verdade, se queremos seguir Jesus não há outro caminho. Como disse Jesus: “O servo não é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram a mim, também vos hão-de perseguir a vós” (Jo 15, 20). Resta-nos seguir Jesus, imitá-lo e confiar: “Para imitar e parecer-me mais actualmente com Cristo nosso Senhor, eu quero e escolho antes pobreza com Cristo pobre que riqueza; desprezos com Cristo cheio deles que honras; e desejo mais ser tido por insensato e louco por Cristo que primeiro foi tido por tal, que por sábio ou prudente neste mundo” (Santo Inácio de Loyola, Exercícios Espirituais 167).

Como não há nada de mais belo neste mundo do que ser discípulo de Jesus e "acertar o caminho", eu sou o homem mais feliz e agradecido do mundo! Obrigado Santo Inácio. Guia-me sempre no caminho da vontade de Deus.

Tomai, Senhor, e recebei toda a minha liberdade, a minha memória, o meu entendimento e toda a minha vontade, tudo o que tenho e possuo; Vós mo destes; a Vós, Senhor, o restituo. Tudo é vosso, disponde de tudo, à vossa inteira vontade. Dai-me o vosso amor e graça, que esta me basta.

(Santo Inácio de Loyola, Exercícios Espirituais 234)

Pe. Fernando António, SJ


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quinta-feira, 30 de julho de 2015

Juramento de Ourique - Dom Afonso, Rei de Portugal

Eu Dom Afonso, Rei de Portugal, Filho do ilustre Conde Dom Henrique, Neto do Grande Rei Dom Afonso: sendo presentes Vós o Bispo de Braga, e Bispo de Coimbra, e Teotónio, e os mais Magnates, Oficiais, e Vassalos do meu Reino: juro por esta cruz de metal, e por este Livro dos Santíssimos Evangelhos, em que ponho a mão: que eu mísero pecador, com estes meus olhos indignos, vi a Deus Nosso Senhor Jesus Cristo, posto em uma Cruz nesta forma:

Eu estava com meu Exército nas Terras de Além Tejo, no Campo de Ourique, para pelejar com Ismael, e outros quatro Reis dos mouros, que tinham consigo infinitos milhares de homens.

E a minha gente atemorizada com esta multidão, estava enfadada, e muito triste, em tanto que muitos diziam ser temeridade começar a guerra.

E eu triste por aquilo que ouvia, comecei a cuidar comigo que faria; e tinha um livro na minha Tenda, no qual estava escrito o Testamento Velho, e o Testamento de Jesus Cristo: abri-o, e li nele a vitória de Gedeão, e disse antre mim: Vós sabeis Senhor Jesus Cristo, que por vosso amor faço esta guerra contra vossos inimigos; e que na vossa mão está dar-me a mim e aos meus fortaleza para que vençamos aqueles blasfemadores de Vosso Nome.

E dizendo isto adormeci sobre o Livro, e logo vi um Velho, que se vinha para mim, e me dizia: Afonso, confia, porque viverás e desbaratarás estes Reis, e quebrantarás os seus poderes e o Senhor se te há-de mostrar.

Estando eu vendo isto, chegou-se a mim João Fernandes de Sousa, vassalo de minha Câmara, e disse-me: Senhor, levantai-vos, está aqui um homem velho, que vos quer falar: entre, disse eu, se é fiel.

E entrado ele onde eu estava, conheci ser aquele mesmo, que eu tinha visto na visão. O qual me disse: Senhor, está de bom ânimo: vencerás, vencerás e não serás vencido. És amado do Senhor, porque sobre ti, e sobre teus descendentes depois de ti, tem posto os olhos de sua misericórdia até à décima sexta geração, na qual se diminuirá a descendência, mas na mesma assim diminuída, o mesmo Senhor tornará a pôr os olhos e verá. Ele me manda dizer-te, que tanto que ouvires esta noite que vem, tanto a campainha da minha Ermida, na qual vivi sessenta e seis anos, entre os infiéis, guardado com o favor do Altíssimo, sairás do teu arraial, só e sem companheiros, e mostrar-te-á sua muita piedade.

Obedeci e com reverência posto em terra, venerei o embaixador, e a Quem o mandava. E estando em Oração, esperando pelo som da campainha, já na segunda vigília da noite, a ouvi.

Então armado com a espada, e escudo, saí do arraial, e vi subitamente para a parte direita contra o Oriente um Raio resplandecente, e o resplandecer crescia pouco e pouco em mais, e quando naquela parte pus os olhos com eficácia, logo no mesmo raio mais claro que o Sol, vejo o sinal da Cruz e Jesus Cristo nela crucificado, e de uma outra parte multidão de mancebos alvíssimos, que eu creio eram os Santos Anjos.

A qual visão, tanto que eu vi, posta à parte a espada, e escudo, e deixados os vestidos, e calçado, humilhado me lancei em terra, e aí derramando muita cópia de lágrimas, comecei a rogar pelo esforço dos meus Vassalos.

E nada turbado disse: Vós a mim Senhor? Porque a quem já crê em Vós, quereis acrescentar a Fé? Melhor será que vos vejam os Infiéis e creiam, e não eu que com a água do baptismo vos conheci e conheço pelo verdadeiro filho da Virgem, e do Padre Eterno.

A Cruz era de admirável grandeza, e levantada de terra quase dez côvados.

O Senhor, com suave órgão de voz, que meus indignos ouvidos receberam, me disse:

Não te apareci desta maneira para te acrescentar a Fé, mas fortalecer o teu coração neste conflito, e para estabelecer e confirmar sobre firme pedra os princípios do teu Reino. Confia, Afonso, porque não somente vencerás esta batalha, mas todas as outras, em que pelejares contra os inimigos da Cruz. Tua gente acharás alegre para a guerra, e forte, pedindo-te que com nome de Rei entres nesta batalha com título de Rei. Não duvides, mas concede-lhe liberalmente o que te pedirem. Porque Eu sou o que faço e desfaço Reinos e Impérios. E minha vontade é edificar sobre ti e sobre tua geração depois de ti, um Império, para que o meu Nome seja levado a gentes estranhas. E porque os teus sucessores conheçam quem te deu o Reino, fabricarás o teu Escudo de armas com a divisa do preço, com que Eu comprei o género humano, e com o que eu fui comprado dos Judeus. E ser-me-á um Reino santificado, puro na Fé e pela piedade amado.

Tanto que eu ouvi estas coisas, prostrado em terra, o adorei, dizendo: Senhor, por que merecimentos me anunciais tanta piedade? Farei o que mandais e vós ponde os olhos de misericórdia em os meus descendentes, como me prometeis; e a gente de Portugal guardai e salvai, e se contra eles algum mal tiverdes determinado, antes o convertei todo em mim; e a meus sucessores e o meu povo, que amo tanto como único filho, absolvei.

Consentindo, o Senhor disse:

Não se apartará deles, nem de ti alguma hora minha misericórdia, porque por eles tenho aparelhado para mim grande sementeira, porque os escolhi por meus semeadores para terras mui apartadas e remotas.

E dizendo isto desapareceu, e eu, cheio de confiança e suavidade, tornei ao exército.

E que tudo passou assim eu el Rei Dom Afonso o juro pelos Santíssimos Evangelhos de Jesus Cristo, em que ponho a mão. Pelo que mando a meus sucessores, que tragam por divisa e insígnia, cinco escudos patidos em cruz, por amor da Cruz e das cinco Chagas de Jesus Cristo, e em cada um trinta dinheiros de prata, e em cima a serpente de Moisés, por ser figura de Cristo. E esta será a divisa da nossa nobreza em toda nossa geração.

E se algum outra coisa intentar, seja maldito do Senhor e com Judas traidor atormentado no Inferno.

Feita em Coimbra a vinte e oito de Outubro, da Era de Cristo mil cento e cinquenta e dois.

Eu Dom Afonso, Rei de Portugal.
Dom João, Bispo de Coimbra.
Dom João, Metropolitano de Braga.
Dom Teotónio, Prior.


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Confessionário na Sé Velha de Coimbra





Antigo confessionário à entrada da Sé Velha de Coimbra.

Hoje usado como armazém de folhetos.

Fiat misericordia tua, Domine, super nos.     Faça-se em nós, Senhor, a tua misericórdia.

Quorum remiseritis peccata remituntur eis. Aqueles a quem perdoardes os pecados serão perdoados.


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quarta-feira, 29 de julho de 2015

Marta e Maria vistas por Santa Teresinha do Menino Jesus

Uma alma abrasada de amor não pode ficar inactiva. Sem dúvida que, como Santa Maria Madalena, ela permanece aos pés de Jesus, e escuta a sua palavra doce e inflamada. Parecendo não dar nada, dá muito mais do que Marta, que se aflige com muitas coisas e que quereria que sua irmã a imitasse. Não são, de modo nenhum, os trabalhos de Marta que Jesus censura; a esses trabalhos se submeteu humildemente sua Mãe durante a vida, pois tinha de preparar as refeições da Sagrada Família. Era apenas a inquietação da sua ardente anfitriã que Ele queria corrigir. 

Todos os santos o compreenderam, e mais particularmente talvez aqueles que encheram o universo com a iluminação da doutrina evangélica. Não foi acaso na oração que os santos Paulo, Agostinho, João da Cruz, Tomás de Aquino, Francisco, Domingos e tantos outros ilustres amigos de Deus beberam esta ciência divina que arrebata os maiores génios? 

Houve um sábio que disse: «Dai-me uma alavanca, um ponto de apoio, e levantarei o mundo.» O que Arquimedes não pôde obter, porque o seu pedido não se dirigia a Deus, e por não ser feito senão sob o ponto de vista material, obtiveram-no os santos em toda a plenitude: o Todo-Poderosos deu-lhes como ponto de apoio Ele mesmo e Ele só; e como alavanca a oração, que abrasa com fogo de amor. E foi assim que levantaram o mundo; é assim que os santos que ainda militam na terra o levantam e que, até ao fim do mundo, os futuros santos o levantarão também.

in Manuscrito autobiográfico C, 36 r° - v°


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Por que é que os Católicos dissidentes fazem da justiça social o seu maior objectivo?

Uma pessoa falou-me uma vez sobre o seu irmão que se tinha tornado um padre Católico. Este irmão, antes de ser ordenado, admitiu que tinha deixado de acreditar nas doutrinas do Credo dos Apóstolos - que já não acreditava na Fé Católica - que era uma colecção de mitos. Ainda assim, o irmão foi em frente e ordenou-se padre Católico.

Porquê? Ele disse que sendo um padre Católico o ajudaria a ter uma plataforma melhor para a justiça social do que se simplesmente continuasse um membro normal da comunidade local. Vejam, ele não acreditava na Fé Católica. Em vez disso, confiava na justiça social como o bem último para a humanidade.

De todos os padres, religiosos e leigos Católicos que eu conheci, aqueles que divergiram das doutrinas reveladas por Cristo e pelos Apóstolos, dadas à Igreja, também falavam como se a justiça social ou o trabalho social fosse o maior bem do Cristão e que devia ser o objectivo principal da Igreja Católica.

Por exemplo, uma pessoa podia ter negado a transubstanciação, a existência do Inferno, as condições para pecado mortal e/ou a salvação unicamente através de Cristo, mas estava sempre convencida da vocação da Igreja à justiça social. De facto, se ouvirem com cuidado, eles subscrevem uma espécie de comunismo religioso - aquilo que é conhecido como teologia da libertação. Porque é que isto acontece?

São Tomás de Aquino dá-nos a resposta. Os bens espirituais podem ser partilhados igualmente por todos porque Deus é tudo em todos. A visão beatífica não é reduzida por outra pessoa a partilhar. Da mesma forma, a graça santificante não se reduz quando outro pecador recebe graça. Pelo contrário, a graça aumenta quando é partilhada. Este é um princípio fundamental da teologia Católica.

No entanto, os bens materiais NÃO funcionam assim. Se muitas pessoas partilharem a pizza significa que cada pessoa recebe menos pizza. O mesmo acontece para a propriedade, água, dinheiro, carvão ou qualquer outro recurso natural. Deus é infinito. A matéria é finita.

Aqueles que negam o nosso fim e bem sobrenatural, que é a visão beatífica, têm então que pegar no princípio sobrenatural (que a visão beatífica de Deus não é divisível) e aplicá-lo aos bens terrestres. Sobrenaturalizam os bens materiais como o bem último do homem. Sim, devemos providenciar justiça social e sofrer dificuldades pelo bem estar dos outros. A riqueza deve ser espalhada pelos outros. No entanto, Nosso Senhor disse, "Buscai, pois, em PRIMEIRO LUGAR, o Reino de Deus e a Sua justiça, e todas estas coisas (materiais) vos serão dadas por acréscimo."

Não devemos nunca esquecer que a salvação das almas através da pregação apropriada, da direcção espiritual e da santificação é a uma prioridade superior que a justiça social.

Dito isto, a justiça social é a vontade de Deus. Mas não é um fim em si mesma. É um meio para dar às nossas almas e às almas de outros a graça santificante de Deus e finalmente a visão beatífica de Deus. Deus ama a justiça e ouve as orações dos pobres, dos viúvos, dos orfãos. Como Católicos devemos ter um amor pelos pobre e pela pobreza em si mesma, visto que este foi o estado de Cristo, de Sua Mãe, de S. José e dos Seus Santos Apóstolos. A justiça social é parte integrante da identidade Cristã e da ortodoxia Cristã - simplesmente não é o maior bem de todos.

Concluindo, está visto que os que são dedicados à ortodoxia Católica, a uma vida de penitência e à aquisição de graça são os que servem os pobres e proclamam a justiça.

Muitos dos maiores santos da Igreja e mesmo doutores são bem conhecidos pelo seu amor aos pobres e pela sua vontade de aliviar o sofrimento do próximo. Alguns até se tornaram escravos devido a outros. E, ainda assim, estes mesmos homens e mulheres foram pilares de ortodoxia, amantes dos sacramentos, fiéis à Igreja e bem avançados na vida mística.

"O homem, ao substituir o ideal superior que abandonou, pode, por exemplo, colocar a sua religião na ciência ou no culto da justiça social ou nalgum ideal humano, que ele acaba por ver de um modo religioso ou mesmo místico. Assim, ele afasta-se da realidade suprema e começa a surgir um grande número de problemas que só serão resolvidos se ele regressar ao problema fundamental das relações íntimas da alma com Deus." Pe. Reginald Garrigou-Lagrange

Taylor Marshall


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terça-feira, 28 de julho de 2015

Meditar é ver a alma ao espelho

"Aquele que não medita na Palavra de Deus é como a pessoa que sai de casa sem antes se olhar ao espelho." 

S. Pio de Pietrelcina


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O que fazer com o barulho das crianças na Missa?

A criança no banco da frente

Havia uma criança no banco da frente, e a pequena não parava quieta um instante sequer! Era Missa; e a frutuosa participação no Sacrifício de Cristo exige algumas disposições interiores de ordinário avessas à distração inevitavelmente provocada por uma criança irrequieta. Em poucas palavras, a gente precisa se concentrar pra rezar direito, e é difícil concentrar-se com uma criança chamando a sua atenção o tempo todo…

Lembrei-me de que “o problema” das crianças na Missa já fora abordado de um sem-número de maneiras. Há quem defenda que elas sejam simplesmente deixadas em casa. Há quem pugne pelo oferecimento de uma estrutura paroquial – uma salinha separada, a “acolhida das crianças” – para “tomar conta” dos pequenos enquanto os seus pais assistem à Missa. Há quem diga que os pais devem se impôr mesmo e fazer as crianças ficarem quietas, retirando-as do recinto sagrado se necessário for. Domingo, havia uma criança no banco da frente, e eu me peguei a pensar no assunto. E, curiosamente, a solução a que cheguei foi esta: é preciso deixar as crianças serem crianças. E deixar os pais serem pais.

A menina – era já um pouco grandinha, não sei, três anos… – olhava para tudo ao redor, com aquela curiosidade própria de quem tem um mundo inteiro a desbravar. Subia no banco. Descia do banco. Abraçava o pai. Segurava a mãe. Tinha uma voz estridente, de cujo volume as convenções sociais ainda não tivera tempo de aprender. Pegava o papel. Derrubava o papel. Ia de um lado para outro, para o braço de um e de outro. Olhava, sorria. Desinteressava-se. Falava. Ensaiava um choro. Um momento houve até em que, em pé no banco, começou a pisar forte e ritmadamente – com o insofismável fito de fazer barulho. (Neste instante, aliás, o pai a pegou no braço. E ela não fez escândalo. Em momento algum ela fez escândalo.)

Pela descrição, parece até que a igreja estava a ponto de vir abaixo; dir-se-ia um verdadeiro pandemônio instaurado no templo santo de Deus. Houve até um momento em que eu próprio olhei para a criança e me perguntei se não haveria algum fenômeno preternatural a explicar aquele incansável empenho infantil em roubar do Altar a atenção dos fiéis. Mas, na verdade, a impressão agora é ilusória, como o fora no decorrer da Missa. A criança não atrapalhava a celebração mais do que outras coisas com as quais a Igreja sempre conviveu – e é bom que conviva.

Li, há anos, em não me lembro agora qual historiador, uma descrição de uma provável Missa celebrada em um típico vilarejo medieval. Não havia os bancos que hoje nos acostumamos a encontrar, a fim de organizar os fiéis que se reúnem para a assistência do Santo Sacrifício; o espaço aberto da nave ocupava-se de maneira natural, orgânica, à medida que os católicos fossem chegando e na proporção do seu fervor religioso na ocasião. O povo também não se pejava de adentrar o templo do modo como se encontrasse; às vezes carregando um saco de frutas a vender na feira, ou dois patos adquiridos no caminho e que iriam servir de alimento à família. O ápice da Missa era – como ainda é – a Consagração; assim, no instante em que o sacerdote elevava a Hóstia Consagrada por cima de sua cabeça, todos se acotovelavam para, acima dos ombros uns dos outros, vislumbrar – por um instante fugaz que fosse – o Santíssimo Sacramento. E, imaginando as penas voando, o grasnar dos patos, a melancia espatifando-se no chão e um monte de gente se empurrando para ver melhor (que os outros) o altar… aquela criança no banco da frente da Missa de domingo passado parecia-me transmitir uma quietude elísia.

O quadro, dirão, é “pouco piedoso”. Ora, mas é claro que é pouco piedoso; é um quadro que retrata todas as mazelas e defeitos dos seres humanos de carne e osso para cuja salvação existe a Igreja! Mas não se trata sempre de pouco zelo; às vezes, há circunstâncias pessoais bem razoáveis a justificar certos comportamentos dos fiéis. E para as encontrar não é preciso retroceder a nenhum obscuro vilarejo medieval; basta pensar, por exemplo, nas missas celebradas em campanha. Ou alguém acha que em Iwo Jima não havia soldados fazendo a guarda, olhares apreensivos para todos os lados, tiroteios e ribombos de canhões ao fundo, essas coisas que costumam acontecer nas guerras?

Tampouco é preciso ir à guerra; vá-se a uma festa popular de maior monta. Aqui, em Recife, fui recentemente (como o disse) à de Nossa Senhora no Carmo. E havia crianças comendo, e gente mexendo no celular, e empurra-empurra na nave central (da qual, em talvez involuntária homenagem ao vilarejo medieval que referi acima, haviam retirado os bancos), e guardas-chuvas e capas pingando (sim, chovia lá fora), e pessoas chegando e saindo o tempo inteiro. Perto disso, repita-se mais uma vez, a criança no banco da frente da Missa de domingo passado transparecia a placidez de um mosteiro cartuxo.

O ponto, em suma, é o seguinte: não nos deve surpreender que a assistência à Missa revista-se dos elementos naturais da vida social. Mais até: quanto mais fortes forem esses elementos, mais isso significa que a religião está entranhada no dia-a-dia das pessoas, mais as pessoas a vêem com familiaridade. Atenção, que não se está aqui falando nada de Liturgia! A Liturgia é para ser sempre impecável, é evidente, como convém ser o culto prestado ao Deus Todo-Poderoso. Mas a forma como as pessoas assistem a este culto pode, sim, adquirir os rasgos de espontaneidade não-institucional que sejam socialmente aceitáveis e razoavelmente justificáveis. E é até bonito que assim se faça; chega a ser um testemunho da vitalidade do Evangelho, ao qual se curvam as necessidades sociais. Falo, por exemplo, de pessoas entrando e saindo da igreja durante a Missa, aproveitando o intervalo do horário de trabalho para assistir, se não a celebração inteira, ao menos o pedaço que conseguem. Falo de militares de serviço assistindo à missa de farda camuflada, quepe às costas. Falo de doentes tossindo. E, claro, falo de mães embalando seus filhos, ou retirando-se para lhes trocar as fraldas, e falo de crianças correndo e gritando.

Dir-me-ão que essas coisas são muito diferentes, e que nada tem a ver uma guerra com um feirante, ou com um pedreiro sujo de cimento, ou com uma criança mal-comportada. Eu digo que todas essas coisas têm muito mais em comum entre si do que parece à primeira vista: são, todas elas, exemplos de seres humanos tentando conciliar os seus deveres de estado com a prática religiosa. Assim como o soldado deve combater, e isso talvez lhe exija prestar atenção nos arredores do acampamento mesmo durante a celebração da Missa, assim o trabalhador deve prover ao sustento da sua família – e isso talvez lhe exija levar à igreja os seus instrumentos de trabalho. Isto é um sinal de que a sociedade anda sadia e está ordenada; é um indício de que, apesar de tudo, as coisas estão indo bem.

Mas um soldado não é a sua patente e, um feirante ou pedreiro, não é o seu comércio ou sua construção civil.Uma mãe, contudo, é indissociável da sua maternidade. O soldado tem o seu dia de folga, onde ele não exerce o serviço de militar; um pai, contudo, não dispõe de um instante sequer onde esteja dispensado de seus serviços paternos. Nem aos domingos. Nem na igreja.

Uma família com crianças é uma campanha militar permanente. E se deixamos sem maiores olhares de censura os soldados (ou os policiais, ou os médicos, ou os bombeiros) assistirem às nossas missas, mesmo que estejam fardados, mesmo que o rádio que levam à cintura possa eventualmente tocar, mesmo que precisem sair às pressas da celebração; se os deixamos e, ainda, sentimo-nos gratos porque eles protegem as pessoas, salvam vidas, cuidam de nós, e é bom tê-los por perto; se, até mesmo!, olhamos com admiração para essas pessoas que, no meio do serviço, fazem malabarismos para conciliar os seus deveres com algum tempo de oração e de agradecimento a Deus; por qual razão censuraríamos as famílias que vão à missa fardadas com bolsas e fraudas, e carrinhos de bebê, e mamadeiras?, e por qual motivo não agradeceríamos àqueles que, mesmo durante a Missa, não descuidam do cuidado dos seus filhos, que outra coisa não é que o cuidado com o nosso futuro?, e por quê, em suma, não olhamos com admiração e reconhecimento para estas pessoas que, sem descuidar de seus deveres, mesmo a serviço, desdobram-se para dedicar um pouco de tempo à vida de oração e aos seus deveres públicos para com Deus?

A menina no banco da frente da Igreja era uma criança. E isso significava três coisas: primeiro, que ainda há crianças no mundo, graças a Deus; segundo, que os seus pais não as deixam de lado para estar na Igreja; e, terceiro, que eles tampouco deixavam a Igreja para cuidar de suas crianças. Foi o que eu percebi no domingo passado; e, perto disso, qualquer distração que a sua presença pudesse provocar era de pouca monta. Que Deus nos conceda igrejas repletas de crianças! Conviver com elas, afinal de contas, é um excelente sinal de que as coisas – graças a Deus! – ainda andam bem no mundo.

in Deus lo vult!


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segunda-feira, 27 de julho de 2015

Inside Out - As emoções contadas de uma forma Cristã

Fui ver há uns dias com uns amigos o novo filme da Pixar, Inside Out.

É um filme de desenhos animados em que a história está cheia de pormenores incríveis sobre a vida que encantam qualquer adulto, como é típico nos filmes da Pixar.

O interessante neste filme é que o plano de acção é a mente de uma rapariga, a Riley, desde que ela nasce até aos seus 12 anos. O filme é muito divertido, mas também ensina muito sobre o funcionamento da mente humana. Na verdade, muitas cenas do filme batem certo com o que a ciência sabe hoje sobre o cérebro.

Os protagonistas do filme são cinco emoções com personalidade - a alegria, a tristeza, o medo, a ira e a repulsa (Joy, Sadness, Fear, Anger e Disgust). Durante o filme, notou-se que a forma de agir destas personagens entusiasmou bastante quem o estava a ver.

Um dos pontos do filme que melhor mostra isto é a forma como Joy (alegria) quer estar sempre a controlar a mente de Riley, dando-lhe alegria. Para o fazer, Joy está constantemente a esforçar-se para descobrir um ponto positivo diante das situações em que Riley se encontra, mesmo que sejam as piores possíveis, como mudar para uma casa a cair de podre aos 12 anos. E o ponto é que ela, de facto, vai conseguindo animar a nossa menina.

Eram estas as cenas que mais faziam o público rir porque são as que melhor reflectem aquilo que é próprio do ser humano. No fundo do nosso coração todos sabemos que o homem tem condições para estar sempre alegre, mesmo que muitas vezes a nossa vida não seja assim vivida. Mais ainda, ao ver estas cenas lembramo-nos que podíamos ser mais assim, mais optimistas.

E, se há alguém que viveu a vida com alegria, foram e são os Cristãos. A certeza que os Cristãos têm da vida eterna e do amor infinito que Deus tem por cada um permite-lhes estarem sempre alegres. A vida dos Santos é o melhor exemplo disso. Como é possível que S. Josemaria conseguisse serenar e alegrar todos os que o rodeavam em Madrid durante a sangrenta Guerra Civil espanhola? Ou como conseguiu S. Maximiliano Kolbe ajudar tantos naquele campo de concentração em Auschwitz? Tinham a funcionar dentro de si a Alegria que Riley também tem no filme.

Mas estas cenas têm outro segredo que também contribuiu para entusiasmar quem viu o filme. Conseguir estar alegre independentemente da situação em que nos encontremos mostra que o ser humano está acima de qualquer tipo de factor externo. Os nossos estados de ânimo, por muito fugazes que possam parecer, estão sob o nosso controlo. Isto é, quem escolhe estar alegre somos nós. Ou estar triste. Ou zangado. O que quer que seja. Nós somos donos das nossas emoções. Mas como é possível?

O truque para isto ser possível é a razão. Hoje em dia muitos acham que o avanço da neurociência representa um retrocesso da alma, que é a própria essência do que nós somos. O homem não seria mais do que um conjunto de neurónios que respondem a muitos estímulos - acabavam assim todos os conceitos de liberdade, consciência, amor, etc. No fundo o homem tornava-se igual aos animais.

Mas não é assim, porque o homem está dotado de razão, que é a chave para estar acima das emoções. Mas onde é que no filme está a razão na cabeça de Riley? Como me disse um amigo no final do filme, a razão estava em cada uma das emoções. Na verdade, os criadores do filme, ao personificarem cada emoção estavam a dar-lhes o dom da razão. E é assim que, ao longo de todo o filme, a Joy consegue ser tão alegre e descobrir o ponto positivo de cada situação. No filme nós até a vemos a pensar, a fazer um esforço para ser alegre.

A este esforço para estar alegre nós chamamos vontade. O ser humano pode ser descrito através de três coisas: a sua vontade, inteligência e paixões/emoções. É a inteligência aliada à vontade que faz com que consigamos controlar as nossas emoções, tal como acontece ao longo de Inside Out. Que isto é possível não devia ser novidade nenhuma, pois o Cristianismo desde sempre que o ensina.

Chama-se temperança a este domínio das emoções. Ensina o Catecismo da Igreja Católica que:
a temperança é a virtude moral que modera a atracção dos prazeres (...). Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos nos limites da honestidade. A pessoa temperada orienta para o bem os apetites sensíveis, guarda uma sã discrição e não se deixa arrastar pelas paixões do coração. (CIC, 1809.)

Ou seja, uma pessoa que tenha a virtude da temperança sabe sempre comportar-se, estando quase sempre alegre, mas também muitas vezes triste ou zangada. A temperança faz com que sejamos pessoas equilibradas, não demasiado alegres nem demasiado tristes. Sem querer saltar o filme inteiro, é precisamente assim que acaba o filme. Para haver alegria é preciso haver tristeza. É preciso sabermos zangar-nos quando é preciso (vejam Jesus a expulsar os vendilhões do templo).

Durante todo o filme vemos Joy (alegria) a tentar que Sadness (tristeza) não tome controlo das emoções de Riley - queria evitar que Riley ficasse triste a todo o custo. Mas, como se vê com o desenrolar do filme, esta demonstra-se uma tarefa bastante difícil, senão mesmo impossível. O clímax do filme é quando Joy percebe que só vai conseguir alegrar Riley com a ajuda de Sadness. Ou seja, a mensagem do filme é descobrir que alguns momentos de tristeza levarão a uma alegria ainda maior. E não é este o cerne do Cristianismo? O maior horror alguma vez cometido, o Filho de Deus torturado e morto na Cruz é a fonte de toda a Graça, o culminar da nossa Redenção.

No fundo a tristeza complementa a alegria. A virtude da temperança vai-se desenvolvendo e as nossas emoções ficam temperadas.

Ver isto num filme de Hollywood é muito reconfortante. É um bom filme para qualquer idade: um adulto estará atento a estes pormenores e uma criança estará a aprender que crescer significa ter um maior domínio sobre as suas emoções.

Na produção do filme, os produtores e realizadores estiveram sempre em contacto com neurocientistas de topo e por isso o filme é uma boa introdução ao que se sabe hoje sobre o funcionamento do cérebro. Nota-se que o avanço da ciência nestas áreas vai cada vez mais iluminando aquilo que é próprio da moral e tradição cristãs.

Nuno CB



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domingo, 26 de julho de 2015

Túmulo do Beato Miguel Pro, SJ

Um poderoso intercessor.

Um santo para os nossos tempos -- sacerdote e mártir.

Morreu na Cidade do México. A cidade capital de um país Católico. Por ordem do governo. Pode acontecer.

Isto é o seu túmulo na igreja Jesuíta na Cidade do México, Sagrada Familia.

Definitivamente digna de uma visita.

https://en.wikipedia.org/wiki/Miguel_Pro

in orbiscatholicussecundus.blogspot.com

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sábado, 25 de julho de 2015

Deus não vai de férias - D. Nuno Brás

A tecnologia, fruto do progresso científico que o mundo ocidental colocou ao nosso dispor, dá-nos, não raras vezes, a sensação de que somos omnipotentes, invencíveis e dominadores de tudo. Projetamos a nossa vida e queremos a todo o custo que tudo se cumpra de acordo com as nossas previsões. E que os outros sigam a nossa norma – que tenham os mesmos gostos, que sejam do mesmo clube desportivo, que estejam ao nosso dispor quando deles precisamos.

Mas essa ilusão de omnipotência de que tanto gostamos tem diariamente vários sinais de que não passa de uma simples ilusão por cada um construída.

Um desses sinais é a necessidade de repouso diário. Não existe ninguém que não tenha que descansar, que dormir. Podemos, na força da vida, “fazer uma direta”, como gostam de dizer os estudantes em tempos de exames, passando uma noite sem dormir e continuar, dia adiante, no trabalho que temos pela frente. Mas logo depois o sono tem que ser minimamente compensado. Nessas horas em que dormimos ficamos vulneráveis, sem consciência, à mercê do mundo exterior.

A necessidade de repousar recorda-nos em cada dia que passa que não passamos de seres humanos, que não somos pequenos deuses.

E isso mesmo nos deveriam recordar também as férias – oua, pelo menos, aquele período do ano em que aligeiramos as nossas tarefas do quotidiano e procuramos fazer aquilo de que mais gostamos, sem horários rígidos para cumprir.

Muitas vezes, com as férias vem, ao contrário, o esquecimento de Deus. Com a desculpa de que não conhecemos os horários das Missas, salta a Eucaristia dominical; e esquecemos o tempo de oração; e esquecemos que somos cristãos, “discípulos missionários”.

Graças a Deus, Ele não vai de férias. Continua a querer-nos, a amar-nos, a procurar um momento de encontro connosco.

D. Nuno Brás in Voz da Verdade


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sexta-feira, 24 de julho de 2015

O inverno liberal

A imprensa parece inebriada com a homossexualidade. Este fascínio ressurgiu agora nas discussões sobre adopção por casais do mesmo sexo: a generalidade dos jornalistas assumiu implicitamente apenas uma possibilidade válida, desprezando as alternativas como obscurantismo, numa promoção aberta da sodomia. O totalitarismo opinativo é tão esmagador que afirmar isto fica perigoso, mas o clima pontual de exaltação da liberdade de expressão talvez permita considerar o tema.

Independentemente da posição sobre o polémico assunto, este unanimismo surpreende. Primeiro por se tratar de questão insignificante. Os homossexuais são minoria minúscula, e casados, só poucas centenas. O problema é, pois, simplesmente irrelevante. Porquê tanto ruído e paixão, no meio dos graves dramas nacionais?

Depois, o deslumbramento gera contradições evidentes. Quem defende, de forma tão absoluta, estas mudanças fá-lo sempre a partir de uma posição liberal face à família. Ora a generalidade desses activistas e jornalistas têm atitude radicalmente oposta nos outros assuntos sociais, usando o adjectivo «neoliberal» só como insulto. Por outro lado, embora a posição se justifique a partir da justiça e direitos humanos, fica sempre omisso o elemento que deveria ser a prioridade: as crianças. Não existe um direito a adoptar, mas o benefício infantil em ser adoptado. Centrar a questão no casal, não na criança, é perverter a discussão.

O debate é vasto e complexo, cheio de detalhes e implicações mas, precisamente por isso, é importante descobrir as causas deste surpreendente e compulsivo enamoramento mediático com os homossexuais. Por que motivo pessoas razoáveis e inteligentes, membros de uma imprensa livre, caem aqui na doutrinação?

As explicações simplistas não colhem. Não existem conspirações surdas e maléficas, nem se vê uma opção unívoca pela perversão sexual, permanecendo abominadas outras formas, como a pedofilia. Mas deve ter-se em conta que a catequização mediática se estende a mais elementos: união de facto, divórcio, aborto, entre outros.

O mistério fica desvendado através do paralelo com as discussões políticas de gerações anteriores, aliás perfeitamente reproduzidas agora nestes assuntos. Basta avançar no debate para notar que a questão básica é, não a defesa de um tipo particular de sexualidade, mas o desafio aberto e hostil à chamada «família tradicional», em nome da total autonomia lasciva. Fica evidente que a homossexualidade é aqui usada como mero instrumento para um propósito ideológico de fundo. Como o fenómeno segue de perto as características tradicionais de antigas campanhas jornalísticas, o processo é fácil de identificar. No fundo os activistas revivem romanticamente velhas glórias da agitação mediática.

No século XVIII a humanidade achou que iria finalmente destruir os inimigos atávicos da servidão, desigualdade e pobreza. Armadas com as novidades tecnológicas da revolução industrial, as forças progressistas – que se apelidavam de «liberais» – proclamaram a revolução das estruturas sociais e económicas, em nome da igualdade e liberdade. Os resultados foram excelentes mas, ao mesmo tempo, o liberalismo criou abusos, hoje tão repudiados.

Em meados do século XX, em termos equivalentes aos antigos movimentos liberais, alguns grupos também anunciaram o fim de um velho inimigo: a monogamia. As forças do progressismo erótico proclamaram a «revolução sexual», armadas da pílula como novidade tecnológica. Igualdade e liberdade permaneciam os temas base, mas agora nas práticas venéreas, em nome do prazer e libertinagem. Cada um faz o que quer, ninguém tem nada com isso, e a lei tem de declarar tudo equivalente.

Esta atitude também teve resultados excelentes, eliminando velhas discriminações e bloqueios, mas os abusos estão à vista. Colapso de casamentos e natalidade, solidão nas famílias desfeitas, abandono de jovens e idosos e tantos outros dramas, têm terríveis impactos nacionais, não só evidentes, mas muito mais devastadores que os que ocupam os jornais. Mas poucos se atrevem a referir esses efeitos, parecendo existir um medo supersticioso de desafiar o consenso libertino.

Este mito da emancipação sexual está tão entranhado que é difícil de abdicar, mesmo diante do desastre. Portugal, mais uma vez, chegou atrasado, mas cheio de fervor, a soluções em vias de abandono. É por isso que a nossa imprensa, em nome da sociedade ideal, insiste em sonhos e tabus, dogmas da revolução obsoleta, repetindo na família o inverno ideológico do liberalismo.

João César das Neves in Diário de Notícias


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quinta-feira, 23 de julho de 2015

Como eram as férias do Pe. Wojtyla (S. João Paulo II) em Julho?

A propósito do mês que estamos a viver e de muitas pessoas estarem já de férias, aqui fica um excerto de umas férias de Julho de S. João Paulo II, ainda sacerdote, em que ele teve que sair a meio para receber a notícia de que... o Papa Pio XII o tinha nomeado Bispo.

[negritos feito pelo Senza]
"Era o ano de 1958. Encontrava-me com um grupo de entusiastas da canoagem num comboio para Olsztyn. Íamos começar as nossas férias segundo o programa que vinha sendo praticado desde 1953: passávamos uma parte das férias na montanha, mais frequentemente em Bieszczady, e outra parte nos lagos da Masuria. (...) 
Era o mês de Julho. Dirigindo-me àquele que fazia as vezes de ‹‹almirante›› - se bem me lembro na altura era Zdzislaw Heydel - disse: "Zdzislaw, daqui a pouco terei de deixar a canoa, porque o primaz [(...) o primaz era o cardeal Stefan Wyszynski] me chamou e devo encontrar-me com ele." 
O ‹‹almirante›› respondeu-me: "Está bem, eu penso nisso." 
E assim, quando chegou o dia combinado, deixei o grupo e fui para a estação ferroviária mais próxima, Olsztynek. 
Sabendo que tinha de me apresentar ao cardeal primaz durante a travessia do rio Lyna, havia previamente deixado a batina melhor em Varsóvia na casa de alguns conhecidos. Não poderia, na verdade, apresentar-me ao primaz com aquela batina que eu levava comigo durante as expedições de canoa (nos passeios tinha sempre comigo uma batina e os paramentos para celebrar a Santa Missa)."
in S. João Paulo II, Levantai-vos! Vamos! - Autobiografia, Publicações Dom Quixote, Junho 2004.



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quarta-feira, 22 de julho de 2015

Breve exame de consciência

Deveres para com Deus: Lembrei-me de Deus durante o dia, oferecendo-Lhe o meu trabalho, dando-Lhe graças, recorrendo a Ele com confiança de filho? Fiz bem todas as minhas orações?

Deveres para o próximo: Tratei mal os outros? Tive a preocupação de ajudar e rezar pelos que me rodeiam? Fiz algum apostolado? Caí na murmuração? Disse alguma mentira? Soube perdoar?

Deveres para comigo: Deixei-me levar por sentimentos de orgulho, vaidade, sensualidade? Esforcei-me por arrancar os meus defeitos? Fui preguiçoso ao levantar, ou no trabalho?

Que bem fiz hoje?
Que mal fiz hoje?
Que farei melhor amanhã?

Acto de contrição: Meu Senhor Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, Criador, Pai e Redentor meu, Por ser vós quem sois e porque vos amo sobre todas as coisas, pesa-me de todo o meu coração de vos ter ofendido, proponho firmemente a emenda de minha vida para nunca mais pecar, apartar-me de todas ocasiões de ofender-vos, confessar-me e cumprir a penitência que me foi imposta.

Ofereço-vos, Senhor, a minha vida, obras, e trabalhos em satisfação de todos os meus pecados e assim como vos suplico, assim confio em vossa bondade e misericórdia infinitas que mos perdoareis pelos méritos de vosso preciosíssimo sangue, paixão e morte e me dareis graça para emendar-me e perseverar em vosso santo serviço até o fim de minha vida. Amém.


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Deputados portugueses pedem a libertação de Asia Bibi

Deputados portugueses enviaram hoje um “apelo urgente” ao presidente da República do Paquistão para que a apreciação do último recurso sobre a acusação a Asia Bibi decida “no sentido da libertação”.

O apelo foi enviado pelo Grupo Parlamentar de Solidariedade com os Cristãos Perseguidos no Mundo através de uma carta dirigida à embaixadora da República Islâmica do Paquistão em Lisboa, enviada hoje à Agência ECCLESIA.

“Sabemos que o caso de Asia Bibi tem, amanhã, um dia decisivo. E é por esse motivo que escrevemos a V. Ex.a, pedindo que transmita com urgência o nosso apelo e a nossa extrema preocupação ao Presidente da República Islâmica do Paquistão, Sua Excelência Mamnoon Hussein, e demais autoridades relevantes do país”, pode ler-se na carta.

O Grupo do Parlamento português recorda que esta quarta-feira, 22 de Julho, em Lahore, o Supremo Tribunal paquistanês “apreciará o último recurso sobre a acusação absurda e a injusta condenação que pende sobre Asia Bibi, decidindo ou no sentido da libertação, ou pela confirmação da condenação à morte”.

“O nosso apelo é para que Asia Bibi seja finalmente libertada e restituída, em segurança, a seus filhos e família, pondo-se termo à perseguição de que, como cristã, tem sido objeto por parte de grupos e correntes extremistas, estando presa há mais de 2.200 dias sob a acusação de blasfémia. Importa pôr termo a este caso de violação de direitos humanos fundamentais que, repetidas vezes, vem chocando a opinião pública internacional”, escrevem os deputados.

Na carta assinada por José Ribeiro e Castro, os deputados manifestam confiança na “Justiça e no sentido humanitário das autoridades paquistanesas”.

O Grupo Parlamentar de Solidariedade com os Cristãos Perseguidos no Mundo é constituído pelos deputados José Ribeiro e Castro, presidente, Carina Oliveira e António Cardoso, vice-presidentes, e por António Braga, António Cardoso, António Proa, Artur Rego, Conceição Ruão, Graça Mota; Inês Teotónio Pereira; Isabel Galriça Neto; João Figueiredo; João Lobo; João Portugal, Maria Ester Vargas, Paula Gonçalves, Raúl de Almeida, Rosa Arezes, e Teresa Anjinho.

in Agência Ecclesia


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segunda-feira, 20 de julho de 2015

A oração não é um ioga cristão

Para perseverar na vida da oração, é preciso evitar que, logo à partida, se entre por falsas pistas. Por isso, é indispensável compreender o que é específico da prece cristã e distingui-la de outras buscas e outros caminhos espirituais. Isto é tanto mais necessário quanto o materialismo da nossa cultura suscita, como reacção, uma sede - que é boa - de absoluto, de mística, de comunicação com o Invisível, mas que, frequentemente, acaba por se perder em experiências decepcionantes ou, até, destruidoras.

A primeira verdade fundamental que precisamos de entender e sem a qual não poderemos ir muito longe é que a vida de oração - ou, por outras palavras, a prece contemplativa - não é fruto de uma técnica, mas um dom que devemos acolher. (...) Não há método de oração, quer diz, não há um conjunto receitas ou de procedimentos cuja aplicação seja suficiente para orar bem. A verdadeira prece contemplativa é um dom que Deus faz gratuitamente, mas é preciso saber como acolhê-lo.

É necessário insistir neste ponto. Sobretudo hoje, por causa da ampla difusão no nosso mundo dos métodos de meditação orientais, como o ioga e o zen, etc., por causa da mentalidade moderna que quer reduzir tudo a técnicas e, finalmente, por causa de uma tentação permanente do espírito humano de fazer da vida - mesmo da vida espiritual - algo que se possa manipular à vontade, temos frequentemente e de modo mais ou menos consciente uma imagem falsa da vida de oração, como se fosse uma espécie de ioga cristão: progredir-se-ia na oração mediante processos de concentração mental e de recolhimento, de técnicas apropriadas de respiração, de atitudes corporais, de repetição de certas fórmulas, etc. Depois de, pelo hábito, se ter adquirido a prática destes elementos, eles permitiriam que o indivíduo acedesse a um estado de consciência superior. Esta visão das coisas, que está subjacente às técnicas orientais, influencia por vezes a concepção que se tem da oração e da vida mística no cristianismo e dá delas uma visão completamente errada.

Errada porque a pessoa se agarra a métodos em que, afinal, é o esforço do homem que é determinante, quando no cristianismo tudo é graça, tudo é dom gratuito de Deus.

Jacques Philippe in Tempo para Deus: Guia para a vida de Oração


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domingo, 19 de julho de 2015

Ecologia: da «fumata bianca» ao fumo preto

A mais recente Encíclica do Papa Francisco começa com uma frase de S. Francisco de Assis, num antigo dialecto italiano, hoje desaparecido: «Laudato si’ mi’ Signore, per sora nostra matre Terra» (louvado sejas meu Senhor, pela nossa irmã a mãe Terra). Esta oração, muito conhecida, é o mote poético que condensa a mensagem da Encíclica.

O documento tem um estilo muito próprio e, talvez por isso mesmo, para não dar a impressão de que há uma doutrina nova neste pontificado, contém muito mais citações que o habitual. As frases mais rotundas aparecem geralmente sob a forma de citações da Escritura, de autoridades antigas, do Concílio Vaticano II, de João XXIII, de Paulo VI, de João Paulo II, de Bento XVI, do Catecismo da Igreja Católica ou de outros documentos da Santa Sé e ainda de declarações de numerosas Conferências Episcopais de todo o mundo, incluindo a Conferência Episcopal Portuguesa. Paulo VI é citado directamente 5 vezes, João Paulo II 39 vezes e Bento XVI 27 vezes (ou uma dúzia mais de vezes, se incluirmos escritos de Bento XVI que foram publicados já pelo seu sucessor). Há ainda outras 103 referências bibliográficas, sem contar com as frases da Bíblia, que são muito numerosas.

Esta opção de se fundamentar exaustivamente no Magistério anterior significa que o Papa não quis inventar uma doutrina nova, mas expor a doutrina de sempre. Este ponto é bastante importante e, com tantas citações, percebe-se que o Papa Francisco quis que ficasse claro.

Embora os principais ensinamentos da Encíclica já sejam conhecidos, o Papa organizou o material de forma bastante original, muito interessante mesmo para os leitores não católicos.

A mensagem central, apresentada sob vários pontos de vista, é que a natureza é um presente de Deus à humanidade, um livro repassado da bondade e beleza de Deus. Aliás, nós próprios somos fruto do seu amor. Por isso, temos de cuidar da natureza (e de nós próprios) com o empenho e a criatividade de quem cuida de um tesouro que nos foi confiado por quem depositou em nós uma expectativa tão grande.

O Papa nota que a falta de estima pelo mundo material está associada à desconsideração por Deus e pelos outros. Na minha opinião, Portugal continental está cheio de exemplos de menosprezo do património natural e humano e até nos Açores há algum caso. Lembro-me de arranha-céus implantados no meio de cidades que tinham muita personalidade, ou no meio de belas paisagens: do cimo desses edifícios, o panorama é realmente bom, mas aqueles caixotes vêem-se de todo o lado...

Outras vezes, as pessoas fazem um piquenique e deixam o lixo para trás, esquecendo quem vem a seguir. A Encíclica fala bastante do lixo, do «descarte», porque inutilizar é também degradar, tirar valor às coisas. Podemos utilizar os recursos da natureza, para a alimentação e para tudo o que precisamos, mas não podemos pensar só na produção, temos de prever a reinserção ambiental do que sobra. Se não, aos poucos, estamos a «deitar fora» o mundo, a transformá-lo em lixo, sem pensar no que deixamos às próximas gerações.

Com uma expressão que remonta ao Papa João Paulo II, esta Encíclica trata também da «ecologia humana», do respeito por todas as pessoas. O Papa Francisco insiste que ninguém está a mais, independentemente do que pode produzir. Todos pertencem igualmente à família humana e todos somos responsáveis por todos. No que toca às pessoas, o Papa rejeita completamente o «descarte»: nem aborto, nem eutanásia, nem exclusão dos pobres.

Em tantas referências bibliográficas, não há uma única de carácter científico. É que (como era de esperar) o Papa não se pronuncia acerca de aspectos técnicos, conforme ele próprio repete três vezes ao longo da Encíclica. Aqui ou ali, mencionam-se algumas consequências do «descarte», a título de exemplo, mas parece-me errado ler este texto como se fosse um relatório de impactos ambientais, ou um manual de climatologia. O tema é a doutrina da Igreja acerca do correcto uso dos bens materiais e da atenção aos mais desfavorecidos; é só nesse sentido que a Encíclica aborda a ecologia, em particular aquilo que o Papa chama a «ecologia humana».

Em resumo. Leitura obrigatória para quem quiser ter uma opinião mais fundamentada sobre a responsabilidade cívica, individual e comunitária, e sobre a relação da sociedade e da economia com Deus.


José Maria C.S. André in Correio dos Açores, 19-VII-2015


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sábado, 18 de julho de 2015

Beato Bartolomeu dos Mártires

Bartolomeu Fernandes dos Mártires nasceu em Lisboa em maio de 1514. "Mártires" recorda a igreja de Santa Maria dos Mártires, onde foi baptizado e substituiu o apelido Vale que usara em memória do avô.

Recebe o hábito dominicano a 11 de Novembro de 1528, faz o noviciado no mosteiro de Lisboa e conclui os estudos filosóficos e teológicos em 1538.

Ensina nos conventos de Lisboa, “da Batalha” e Évora (1538-1557), passando a prior de Benfica, em Lisboa (1557-1558).

É apresentado pela rainha Catarina para suceder a D. Frei Baltesar Limpo, O. Carm., arcebispo de Braga, e o papa Paulo IV confirma-o, com a Bula Gratiae divinae praemium, datada de 27 de janeiro de 1559. É ordenado bispo a 3 de setembro, em S. Domingos de Lisboa.

Aceitou essa dignidade por obediência ao seu prior provincial, o célebre escritor frei Luis de Granada, o qual, tendo sido primeiramente designado pela rainha, a aconselhou a apresentar antes este seu confrade.

Inicia a sua atividade na vastíssima arquidiocese no dia 4 de outubro de 1559. A sua atividade apostólica é multifacetada.

Notabiliza-se pela realização de visitas pastorais; empenha-se na evangelização do povo, tendo para o efeito, preparado um catecismo ou doutrina cristã e práticas espirituais (com 15 edições).

A solicitude pela cultura e santificação do clero leva-o a instituir aulas de Teologia moral em vários locais da diocese e a escrever. Merece particular relevo o Stimulus Pastorum, distribuído aos padres dos Concílios Vaticano I e II, que já conhece a 22.ª edição.

A concretização do empenho de reforma encontra-se, também, em espaços estruturais a que deu vida.

Em 1560 confia aos jesuítas os Estudos Públicos, que se transformaram no Colégio de S. Paulo.

De 1561-1563 participa no Concílio de Trento, onde apresenta 268 petições como síntese das interpelações de reforma para a Igreja.

Para concretizar as reformas tridentinas efetua um sínodo diocesano, em 1564, e outro provincial, em 1566.

Em 1571 ou 1572 dá início à construção do seminário conciliar no Campo da Vinha.

Em 23 de fevereiro de 1582 renuncia ao arcebispado e recolhe-se ao convento dominicano da Santa Cruz, na cidade de Viana do Castelo, nascido por seu empenho (1561) para favorecer os estudos eclesiásticos e a pregação.

Morre nesse convento a 16 de julho de 1590, reconhecido e aclamado pelo povo como o "Arcebispo Santo", pai dos pobres e dos enfermos. O seu túmulo é venerado na antiga igreja dominicana em Viana do Castelo.

Foi declarado venerável por Gregório XVI em 23 de março de 1845. O papa João Paulo II reconheceu em 7 de Julho de 2001 o milagre proposto para a beatificação, celebrada a 4 de Novembro desse ano: dia litúrgico de S. Carlos Borromeu, com quem trabalhou arduamente na prossecução dos objectivos do Concilio de Trento. A Igreja evoca-o a 18 de Julho.

O Pai-nosso por Frei Bartolomeu dos Mártires

Pai. Por natureza e graça, nos comunicastes o ser, os sentidos e os movimentos naturais, bem como a essência da graça, isto é, o seu movimento, que nos faz viver.

Nosso. Porque, com a concessão liberal da vossa bondade, gerais em cada dia muitos filhos segundo o ser espiritual da graça e do amor.

Que estais nos Céus. Quer dizer, que habitais admiravelmente naqueles que são chamados a viver no Céu, isto é, que estão firmes no vosso amor, sempre movidos pela assiduidade dos desejos sublimes, como se estivessem ornados de estrelas, o mesmo é dizer, de virtudes.

Santificado seja o vosso Nome. Realize-se em mim, sem nada de terreno, o vosso nome, com a purificação de todos os afetos mundanos.

Venha a nós o vosso Reino. Reina inteiramente e sempre em mim, não só para que não haja nenhum movimento ou ato contra os vossos preceitos, mas para que todas as minhas ações sejam feitas com a aprovação da vossa providência. São Bernardo, no comentário septuagésimo terceiro ao Cântico dos Cânticos, expõe esta matéria do segundo advento, dizendo: «Oh se acabasse já este mundo e se manifestasse o vosso reino! Isto é o que ardentemente deseja a esposa, ou seja, a Igreja».

Seja feita a vossa Vontade. Nos homens da terra como nos habitantes do Céu, isto é, nos firmes, nos que sempre estão em crescimento, ornados de estrelas, como acima dissemos.

O pão nosso de cada dia. Ó Pai, se não mandardes, lá do alto, o pão do fervor e da consolação espiritual, todos os dias e a todas as horas, depressa desfaleceremos e iremos procurar pão vilíssimo de consolações exteriores. Enviai-nos, Pai benigníssimo, as migalhas daquela mesa opulentíssima, pois se com elas (quer dizer, com os atos de amor unitivo) não for alimentado todos os dias, perderei por certo, o vigor da fortaleza.

Perdoai-nos as nossas dívidas. Perdoai o castigo devido até pelos mais leves pecados. Detesto-os, odeio-os, porque fazem obscurecer o raio da vossa luz e tornam tíbio o fervor do meu amor.

Não nos deixeis cair em tentação. Quanto mais Vos amo, benigníssimo Senhor, mais temo separar-me de Vós, considerando a fragilidade da minha carne e a astúcia das investidas do inimigo. Não permitais, que alguma vez eu ceda às suas carícias ou ciladas, mas livrai-me das muitas inclinações para o mal, bem como das penas do Purgatório, na medida em que podem adiar a vossa dulcíssima visão.

in snpcultura.org


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sexta-feira, 17 de julho de 2015

A história dos Beatos Inácio de Azevedo SJ e Companheiros mártires

[A Igreja celebra hoje, 17 de Julho, o martírio destes 40 santos missionários]

Português de nobre linhagem, Inácio de Azevedo entrou na Companhia de Jesus, na qual ocupou cargos importantes. As suas insignes virtudes atraíram-lhe as atenções do Provincial S. Francisco de Broja, que o mandou ao Brasil como visitador geral. Dois anos depois voltava à Pátria, para daí a pouco voltar como superior duma leva de missionários.

Atacados no alto mar por corsários franceses, foram imediatamente condenados à morte. O primeiro foi o superior, que se tinha ido colocar diante dos hereges ostentando uma imagem da Ssma. Virgem que recebera das mãos do Papa S. Pio V. A sua mansidão era uma exprobração para a impiedade dos hereges. Trespassado por uma lança e degolado, entregou a alma a Deus.

Do mesmo modo 39 dos seus companheiros foram atormentados com atrozes suplícios, e os seus corpos lançados ao mar. Apenas foi poupado um irmão cozinheiro, de cujos serviços os piratas contavam servir-se. Mas o seu lugar foi logo tomado por um generoso adolescente, sobrinho do capitão do navio, que tinha solicitado a sua admissão na Companhia.

As suas almas foram vistas subir ao Céu por Santa Teresa de Ávila.


in Missal Quotidiano e Vesperal, Desclée de Brouwer & CIE, Bruges (Bélgica), 1957


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quinta-feira, 16 de julho de 2015

A promessa de Nossa Senhora do Carmo

A ordem dos Carmelitas tem como modelo o profeta Elias e caracteriza-se por uma profunda devoção a Maria. A Sagrada Escritura fala da beleza do Monte Carmelo, onde o profeta Elias defendeu a fé do povo de Israel no Deus vivo e verdadeiro. Carmelo em hebraico significa "vinha do Senhor".

Ali Elias enfrentou os profetas de Baal. Segundo o Livro dos Reis, Elias teve uma visão em que a Virgem lhe apareceu sob a figura de uma pequena nuvem que saía da terra e se dirigia ao Carmelo.

Em 93, os monges construíram sobre o Monte Carmelo uma capela em honra à Virgem Maria. As gerações de monges sucederam-se através dos tempos. Em 1205, o patriarca de Jerusalém deu-lhe uma Regra baseada no trabalho, na meditação das Escrituras, na devoção a Nossa Senhora, na vida contemplativa e mística.

Entretanto, ainda no séc. XIII, os muçulmanos invadiram a Terra Santa. Os eremitas do Monte Carmelo fugiram para a Europa. Nesta época,tinham como superior geral São Simão Stock. Enquanto rezava, pedindo a Nossa Senhora que fosse a protectora da Ordem dos Carmelitas, recebeu das mãos de Nossa Senhora do Carmo o escapulário: «Eis o privilégio que te dou a ti e a todos os filhos do Carmelo: "todo o que for revestido desse hábito será salvo".

in Evangelho Quotidiano


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