sábado, 30 de novembro de 2013

PREC no Vaticano


Os Meios de Comunicação Social estão a acompanhar um PREC (Processo Revolucionário em Curso) no Vaticano. Quase todos afirmam que o Papa Francisco está a ganhar a revolução, embora a situação ainda seja confusa. Neste momento, é absolutamente certo que muita gente, fora e dentro da Igreja, está profundamente abalada com os primeiros meses de pontificado.

Há dias, o Papa Francisco dizia ao Conselho Pontifício para a Nova Evangelização que, para fazer chegar este anúncio «a tantas pessoas que se afastaram da Igreja, é um erro culpar uns ou outros; sobretudo, não é altura de falar em culpas. (...) A nova evangelização, ao mesmo tempo que chama à coragem de avançar contra-corrente (...), só pode usar a linguagem da misericórdia». Francisco repete isto continuamente — para pavor de uns e surpresa de quase todos.

Alguns pró-vida norte-americanos irritam-se, porque o Papa não desmascara os abortistas ou propagandistas homossexuais que começaram a mostrar simpatia pela Igreja. Os apoiantes de Mons. Marcel Lefebvre protestam contra as recentes canonizações de mártires, porque o Papa não achou necessário referir que os assassinos eram muçulmanos...

Ao mesmo tempo, chegam elogios das origens mais improváveis. Até entre nós. O colunista Daniel Oliveira, habitualmente hostil, reconhece que se sentiu tocado pelo que ele chama «a reenvangelização benigna de Francisco» (5 de Novembro, no «site» do «Expresso»). Até se desculpa: «dirão que, sendo eu ateu, nada que diga respeito à Igreja Católica e ao Vaticano me deveria interessar grandemente. Mas interessa-me muito». Daniel Oliveira não tem ilusões acerca da doutrina, «o que é novo neste Papa não são as suas posições», mas percebe que algo se passa: «a postura deste Papa pode vir a ser um terramoto» e, de argumento em argumento, deixa-nos sem palavras: «Por mais estranho que vos pareça, não considero, por isso, negativo que a Igreja Católica (...) recupere, na Europa e na América do Norte, um pouco do poder que perdeu». Como a doutrina da Igreja não muda, ele não acredita que a Igreja se transforme «no que ela não pode, por natureza, ser»

Mas [o Papa] cria pontes mais sólidas entre ela e as sociedades democráticas. E são essas pontes que poderão contrariar a sua decadência no Ocidente». Um ateu a dizer ao mundo que preste atenção à voz da Igreja?! Desejoso de contrariar a sua decadência no Ocidente?! Quando Daniel Oliveira vê aspectos positivos na Igreja católica, já não sei se concordo com ele ou não. Ele próprio não sabe bem se concorda com o Papa ou não. Mas claramente algo mudou e estamos a assistir àquela reevangelização pacífica, benigna, como lhe chama Daniel Oliveira.

Para o Papa Francisco, o centro desta pastoral da misericórdia é o sacramento da confissão. Aí é que se trava a suprema batalha entre a inércia do mal e o abraço de Deus.

Nalguns países, a descoberta da confissão foi uma coisa tão súbita e tão profunda que teve honras de jornais e lançou em campo os especialistas das sondagens. Já se fizeram duas: uma nos primeiros meses de pontificado e outra mais recente, para ver se o fenómeno estava a abrandar. Só em Itália, registaram-se «centenas de milhar de conversões directamente relacionadas com os apelos do Papa Francisco». E na segunda sondagem o ritmo não diminuiu. «Um efeito maciço e até mesmo espectacular», segundo Massimo Introvigne, director da equipa de sondagem.

Este Papa não gosta de fugas: «Alguns dizem: “Ah, confesso-me com Deus”! É fácil, é como confessar-se por email, não é? Deus lá longe, eu digo as coisas e não há um face-a-face, não há um olhos-nos-olhos».

Vergonha? — «Envergonharmo-nos perante Deus é uma graça». «O cristão deve lidar com o seu pecado de uma forma concreta, honesta, e ter a capacidade de se envergonhar perante Deus, de pedir perdão e se reconciliar confessando os seus pecados».

Há dias, a Santa Sé enviou aos bispos um exame de consciência, acerca da pastoral familiar, pedindo-lhes para responderem se são corajosos a propor a doutrina da Igreja, se o fazem com todo o respeito e simpatia para com as pessoas, se as famílias cristãs rezam suficientemente, se têm uma mentalidade saudavelmente aberta à natalidade... Não está fácil ser bispo.

Segundo o Papa, a conversão é já. A revolução é para ontem. E o Papa não quer ninguém de fora. 

José Maria André in «Correio dos Açores», 17-XI-2013


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Novena à Imaculada Conceição - 30 de Novembro

Oração de todos os dias: Virgem Puríssima, concebida sem pecado...(clicar aqui)

Segundo dia - 30 de Novembro

Ó Maria, lírio imaculado de pureza, eu congratulo-me convosco, porque desde o primeiro instante da Vossa Conceição fostes cheia de graça e além disto Vos foi conferido o perfeito uso da razão.

Dou graças e adoro a Santíssima Trindade, que Vos concedeu tão sublimes dons; e me confundo totalmente na Vossa presença ao ver-me tão pobre de graça; Vós que de graça celeste fostes tão copiosamente enriquecida, reparti-a com a minha alma e fazei-me participante dos tesouros que começastes a possuir na Vossa Imaculada Conceição. Amén.

Avé Maria...

Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós!

(Cântico a Nossa Senhora) 


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Um fantástico grupo de oradores, a não perder hoje à noite!




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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Novena à Imaculada Conceição - 29 de Novembro

Para todos os dias:

Virgem Puríssima, concebida sem pecado, e desde aquele primeiro instante toda bela e sem mancha. Gloriosa Maria, cheia de graça, Mãe de Deus, Rainha dos Anjos e dos homens. Saúdo-Vos humildemente como Mãe do meu Salvador que, com aquela estima, respeito e submissão com que Vos tratava, me ensinou quais sejam as honras e a veneração que devo prestar-Vos; dignai-Vos, eu vo-lo rogo, de receber as que nesta novena Vos consagro.

Vós sois o seguro asilo dos pecadores penitentes, e assim temos razão para recorrer a Vós. Sois Mãe de Misericórdia, e por este título não podeis deixar de enternecer-Vos à vista das nossas misérias. Sois, depois de Jesus Cristo, toda a nossa esperança, e por esta razão não podeis deixar de reconhecer a terna confiança que temos em Vós. Fazei-nos dignos de nos chamar Vossos filhos, para que possamos confiadamente dizer-Vos: Mostrai que sois nossa Mãe! Amén.

Primeiro dia - 29 de Novembro

Eis-me aqui, aos Vossos pés, ó Santíssima Virgem Imaculada! Convosco me alegro sumamente, porque desde a eternidade fostes eleita Mãe do Verbo Divino e preservada da culpa original.

Eu bendigo e dou graças à Santíssima Trindade, que Vos enriqueceu com este privilégio na Vossa Conceição, e humildemente Vos suplico que me alcanceis a graça de vencer os tristes efeitos que em mim produziu o pecado. Ah! Senhora, fazei que eu os vença e nunca deixe de amar o nosso Deus!

Avé Maria...

Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós!

(Cântico a Nossa Senhora) 


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Papa Francisco ataca fortemente o aborto na primeira Exortação Apostólica


213. Entre estes seres frágeis, de que a Igreja quer cuidar com predilecção, estão também os nascituros, os mais inermes e inocentes de todos, a quem hoje se quer negar a dignidade humana para poder fazer deles o que apetece, tirando-lhes a vida e promovendo legislações para que ninguém o possa impedir. Muitas vezes, para ridiculizar jocosamente a defesa que a Igreja faz da vida dos nascituros, procura-se apresentar a sua posição como ideológica, obscurantista e conservadora; e no entanto esta defesa da vida nascente está intimamente ligada à defesa de qualquer direito humano. 

Supõe a convicção de que um ser humano é sempre sagrado e inviolável, em qualquer situação e em cada etapa do seu desenvolvimento. É fim em si mesmo, e nunca um meio para resolver outras dificuldades. Se cai esta convicção, não restam fundamentos sólidos e permanentes para a defesa dos direitos humanos, que ficariam sempre sujeitos às conveniências contingentes dos poderosos de turno. Por si só a razão é suficiente para se reconhecer o valor inviolável de qualquer vida humana, mas, se a olhamos também a partir da fé, «toda a violação da dignidade pessoal do ser humano clama por vingança junto de Deus e torna-se ofensa ao Criador do homem».

214. E precisamente porque é uma questão que mexe com a coerência interna da nossa mensagem sobre o valor da pessoa humana, não se deve esperar que a Igreja altere a sua posição sobre esta questão. A propósito, quero ser completamente honesto. Este não é um assunto sujeito a supostas reformas ou «modernizações». Não é opção progressista pretender resolver os problemas, eliminando uma vida humana. 

Mas é verdade também que temos feito pouco para acompanhar adequadamente as mulheres que estão em situações muito duras, nas quais o aborto lhes aparece como uma solução rápida para as suas profundas angústias, particularmente quando a vida que cresce nelas surgiu como resultado duma violência ou num contexto de extrema pobreza. Quem pode deixar de compreender estas situações de tamanho sofrimento?" 

in Evangelii Gaudium


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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Obscurantismos da Idade Média




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Frase do dia

"Pensemos na nossa vida com valentia. Por que é que às vezes não conseguimos os minutos de que precisamos para terminar amorosamente o trabalho que nos diz respeito e que é o meio da nossa santificação? Por que descuidamos as obrigações familiares? Por que é que se nos mete a precipitação no momento de rezar ou de assistir ao Santo Sacrifício da Missa? 

Por que nos faltará a serenidade e a calma para cumprir os deveres do nosso estado e nos entretemos sem qualquer pressa nos caprichos pessoais? Podeis responder-me: são coisas pequenas. Sim, com efeito, mas essas coisas pequenas são o azeite, o nosso azeite, que mantém viva a chama e acesa a luz." 

S. Josemaria Escrivá


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80% dos jovens Católicos deixam a Igreja (e como mudar)

Porque é que os jovens deixam a Igreja? 80% dos Católicos deixam de o ser quando chegam aos 23 anos. É uma estatística americana. Não conheço os números na Europa. Imagino que não estejam melhores. Os jovens estão a deixar a Igreja Católica.
College_graduate_students
Estive a ler a crítica do Kevin Cotter à Forming Intentional Disciples por Sherry Weddell no blog Focus. Ele enumera estatísticas alarmantes. Eis quatro estatísticas notáveis:
  1. Apenas 30% de americanos que foram criados Católicos ainda praticam (p. 24).
  2. 1o% de todos os adultos na América são ex-Católicos (p. 25).
  3. Quase 80% dos Católicos de berço deixam de ser Católicos até aos 23 anos (p. 33).
  4. No início do século XXI, entre os Americanos educados como Católicos, tornar-se protestante é a melhor garantia de uma prática estável na igreja como adulto (p. 35).
Se eu vos dissesse que "apenas 20% dos estudantes que se licenciam na Universidade XYZ arranjam emprego" iam pensar que esta era uma universidade mesmo má. De facto, a sua acreditação devia mesmo ser revista.
Bem, é precisamente isto que está a acontecer com a Igreja Católica nos Estados Unidos. Apenas 20% dos Católicos que passam pelo nosso sistema é que aplicam a fé às suas vidas quando chegam aos 23 anos. Os outros 80%  saem.

Porque é que os jovens deixam a Igreja?

Os jovens deixam a Igreja porque não encontraram Cristo e o Seu amor. Ponto. Esta é a resposta. Ser cristão implica ter um desejo apaixonado por estar com Deus para sempre. É isto que o Cristão deseja acima de tudo: Deus. Estar com Aquele que nos ama mais que qualquer outro.
“Assim como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois Meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.” (João 13, 34-35)
A vossa Igreja parece uma comunidade de amor? Se não, temos que começar por aí. Os jovens estão à procura de ser amados. Procuram experiências sexuais, movimentos políticos, drogas e grupos ideológicos.
Como é que os podemos convidar a rever Jesus como Deus de amor?
Jesus não disse: "Ide a todo o mundo. Sejam amargos. Queixem-se sobre política. Mantenham uma tabela pública com os enganos dos bispos. Falem sobre quão difícil é ter muitos filhos e obedecer aos preceitos divinos. Assim, atrairão todos a mim."
São Paulo lembra-nos: "não sabeis que a bondade de Deus serve para vos levar ao arrependimento?"
Sejam simpáticos. Mostrem amor. Tragam outras pessoas para Deus. (experimentem trazer sete durante a vossa vida e convertam o mundo!). Taylor Marshall


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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Dia de Nossa Senhora das Graças e da Medalha Milagrosa

A aparição de Nossa Senhora das Graças ocorreu no dia 27 de Novembro de 1830 a Santa Catarina Labouré, irmã de caridade (religiosa de S.Vicente Paulo). A santa encontrava-se em oração na capela do convento, em Paris (rua du Bac), quando a Virgem Santíssima lhe apareceu.

Tratava-se de uma "Senhora de mediana estatura, o seu rosto tão belo e formoso... Estava de pé, com um vestido de seda, cor de branco-aurora. Cobria-lhe a cabeça um véu azul, que descia até os pés... As mãos estenderam-se para a terra, enchendo-se de anéis cobertos de pedras preciosas ..." A Santíssima Virgem disse: "Eis o símbolo das graças que derramo sobre todas as pessoas que mas pedem...".

Formou-se então em volta de Nossa Senhora um quadro oval, em que se liam em letras de ouro estas palavras: "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós". Nisto voltou-se o quadro e eu vi no reverso a letra M encimada por uma cruz, com um traço na base. Por baixo, os Sagrados Corações de Jesus e Maria - o de Jesus cercado por uma coroa de espinhos e a arder em chamas, e o de Maria também em chamas e atravessado por uma espada, cercado de doze estrelas. 

Ao mesmo tempo ouvi distintamente a voz da Senhora a dizer-me: "Manda, manda cunhar uma medalha por este modelo. As pessoas que a trouxeram por devoção hão de receber grandes graças.

O Arcebispo de Paris Dom Jacinto Luís de Quélen (1778-1839) aprovou, dois anos depois, em 1832, a medalha pedida por Nossa Senhora; em 1836 exortou todos os fiéis a usarem a medalha e a repetir a oração gravada em torno da Santíssima Virgem: "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós."

Esta piedosa medalha - segundo as palavras do Papa Pio XII - "foi, desde o primeiro momento, instrumento de tão numerosos favores, tanto espirituais como temporais, de tantas curas, protecções e sobretudo conversões, que a voz unânime do povo lhe chamou desde logo Medalha Milagrosa". in EAQ


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O frio de Roma hoje de manhã na Audiência do Papa




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terça-feira, 26 de novembro de 2013

Porquê trazer uma criança ao mundo?



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“Acima do dinheiro e do meu sonho está o meu pudor”


María Luce Gamboni é uma cantora italiana de dezoito anos que teve a sorte de ser eleita para o papel de Julieta na obra musical “Romeu e Julieta. Ama e muda o mundo”, produzida por David Zard (talvez o maior produtor de musicais italiano). A estreia seria na Arena de Verona e depois nos maiores teatros.

À parte do Factor X, uma carreira garantida, um grande destaque, dinheiro, talvez o festival de San Remo e quem sabe o que mais. No entanto, poucos dias depois da sua estreia, a jovem despediu-se de todos e está de volta a sua casa em Pesaro, onde fez o último ano da escola secundária e o conservatório. Como foi que aconteceu esta grande rejeição no ultimo momento?

Entrevistada por Solidea Vitali Rosati para “Resto del Carlino” no dia 23 de Outubro, explicou que o canto é uma coisa, tirar a roupa, é outra. De facto, na cena de amor com Romeu teria que usar apenas uma camisa de noite transparente. A protagonista principal nem pediu ao director para poder usar pelo menos alguma roupa interior, preferiu dizer: telefonem a outra, “porque por cima do dinheiro e do meu sonho eu prefiro o meu pudor”.

Maria Luce é voluntária no hospital de Pesaro e frequenta a paróquia. Declarou abertamente que “aceitar usar apenas essa roupa seria negar os princípios em que acredito, firmemente enraizados na minha consciência de católica e de mulher. Não concordo com a ideia comum de que a mulher é apenas um corpo nú."

Esta é a grande lição que aos dezoito anos de idade, María Luce dá ás suas companheiras: “Acredito que é importante ter provado que não aceitar compromissos destes é possível e que nos dá uma grande satisfação. Não tenhamos medo de defender os nossos próprios ideais, pensar sempre com a nossa própria cabeça e não se deixar levar. Em resumo, ser capaz de saber renunciar à oportunidade que surge, se se percebe que a experiência não é adequada, que não é justa em si mesma”.

A verdade é que a recusa de María Luz não é de pouca importância. Faz pensar no que há de grotesco no mundo espectáculo: Contratam-te para cantar e encontras-te sem roupa à frente de uma plateia.

«Deu-nos um desgosto grande perdâ-la – diz agora Giulia Riccardi, que é a responsavel da promoção do musical, porque Maria Luce tem uma voz preciosa e é uma excelente pessoa, mas percebemos a sua escolha. Deixou uma produção que a poderia conduzie à fama e quem sabe teria demonstrado mais coragem assim do que a que precisava para sair numa cena de “transparências”».

De volta às aulas do Liceu, Maria Luce comunicou-se com os seus colegas através de uma carta. «Queria dirigir-me aos meus pares e às mulheres porque me senti um objecto nas mãos de quem me queria usar, a mim e à minha feminilidade para o seu próprio êxito. Perdi porque não consegui o que pedia mas ganhei comigo mesma porque em relação ao dinheiro e aos meus sonhos preferi o meu pudor»

O testemunho de María Luz Gamboni é um testemunho bonito, mas também triste, porque é isolado. Pense: falou de pudor. Alguma vez ouviu falar sobre desse tema em alguma homilia? in infovaticana


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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Papa Francisco reafirma a autoridade do Concílio de Trento

O Vaticano publicou hoje a carta, em latim, enviada pelo Papa Francisco ao Cardeal Brandmueller a propósito das celebrações dos 450 anos do encerramento do Concílio de Trento.

A carta afirma a contínua importância da doutrina do Concílio de Trento. Apesar de alguns poderem desdenhosamente encarar este facto como mera rotina, a carta tem a grande importância de ser a primeira ocasião em que Francisco invoca directa e explicitamente, no que toca à interpretação da doutrina, a autoridade do histórico (apesar de "fracturante") discurso de 22 de Dezembro de 2005 sobre a "'hermenêutica da reforma', de renovação na continuidade do sujeito-Igreja" (um assunto muitas vezes referido simplesmente como 'hermenêutica da reforma em continuidade ou, com ainda menor rigor, 'hermenêutica da continuidade'").

No que toca ao tratamento que a carta de Francisco dá ao Concílio de Trento, seja qual for o "grau" de autoridade do mesmo (que, pelo menos, não será de um mero resumo ou entrevista a um jornal secular...), e sem qualquer necessidade de se assumir o que quer que seja sobre futuras questões relativas a este pontificado, que se vai revelando, temos finalmente algo "citável" deste Papa acerca da importância de Trento - não apenas como evento histórico, mas também no que toca ao seu património doutrinal.

Ao venerável irmão
Walter Cardeal Brandmueller
Decano de São Julião dos Flemings

Com a aproximação do dia em que celebramos os 450 anos do encerramento do fortunado Concílio de Trento, será conveniente que a Igreja recorde diligentemente e com entusiasmo a tão frutuosa doutrina que saiu desse Concílio, reunido na região tirolesa. Certamente com causa justa, a Igreja tem, desde há muito tempo, dedicado tanto cuidado e atenção aos Decretos e Normas desse Concílio que devem ser relembrados e observados, já que os Pais do Concílio reuniram com toda a diligência para que a Fé Católica se tornasse mais clara e mais bem compreendida (algo plenamente justificado pelo surgimento de tão relevantes assuntos e questões levantados na época). Indiscutivelmente, e com a inspiração e orientação do Espírito Santo, preocuparam-se especialmente os Pais do Concílio não apenas com a protecção do sagrado depósito da doutrina Cristã, mas também que se iluminasse mais claramente a humanidade, para que a obra de salvação do Senhor pudesse jorrar sobre o mundo inteiro e o Evangelho espalhado por todo o planeta.

Atenciosamente ouvindo o mesmo Espírito Santo, a Santa Igreja da nossa era, mesmo neste preciso momento, continua a restaurar e meditar sobre a abundante doutrina de Trento. Na verdade, a "hermenêutica de renovação" (interpretatio renovationis), que o Nosso Antecessor Bento XVI explicou em 2005 perante a Cúria Romana, refere-se não apenas ao Concílio Tridentino mas também ao Concílio Vaticano. Certamente que o modo de interpretação coloca uma justa característica da Igreja numa perspectiva mais luminosa, transmitida pelo Mesmo Deus: "Ela é um sujeito que cresce no tempo e se desenvolve, permanecendo porém sempre o mesmo, único sujeito do Povo de Deus a caminho" (Bento XVI, no discurso de Natal à Cúria Romana de 2005).

Por isso, Nós nos regozijamos e expressamos a nossa satisfação, iluminada com o grande esplendor da Igreja, com o facto de este evento ser celebrado da forma mais solene na Cidade de Trento. Por essa razão, o Venerável Irmão Luigi Bressani, arcebispo de Trento, pediu-nos que nomeássemos um ilustre Prelado que, no dia 3 de Dezembro próximo, possa proferir as exortativas palavras dirigidas a todos os que assistam a tão feliz comemoração. Acreditando ser este um justo pedido, e desejando designar-vos a vós, Venerável Irmão, que indiscutivelmente vos dedicastes a uma tão perita investigação sobre o Concílio e sabiamente pusestes em prática os seus decretos, Nós nomeamo-vos, através destas palavras, Nosso Enviado Extraordinário para as celebrações do 450o. aniversário do encerramento do Concílio de Trento. Na verdade, Vós exortareis todos aqueles que participarem neste evento para que, com as suas almas unidas ao do Santíssimo Redemptor, tenham sempre consciência de todos os frutos dados por este Concílio, e que todos se unam para que se propaguem. Saudareis em Nosso nome o arcebispo de Trento e todos os santos bispos, padres e religiosos e religiosas presentes, bem como todos os leigos em Cristo, e a eles manifestareis a Nossa benevolência.

Dado em Roma, em São Pedro, no dia 19 de Novembro do ano de 2013, primeiro do nosso Pontificado. 
in Rorate Caeli


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O que é a Fé? - Catecismo de S.Pio X

§ 2º - Da Fé  

860)  Que é a Fé?  
A  Fé e uma virtude sobrenatural, infundida por Deus em nossa alma, pela qual nós, apoiados na autoridade do mesmo Deus, acreditamos que é verdade tudo o que Ele revelou e por meio da Santa Igreja nos propõe para crer.  

861)  Como conhecemos as verdades reveladas por Deus?  
Conhecemos as verdades reveladas por Deus, por meio da Santa Igreja que é infalível, isto é, por meio do Papa, sucessor de São Pedro, e por meio dos Bispos que, em união com o Papa, são sucessores dos Apóstolos, os quais foram instruídos pelo próprio Jesus Cristo.  

862)  Temos nós a certeza de que são verdadeiras as doutrinas que a Santa Igreja nos ensina?  
Sim, temos a certeza absoluta de que são verdadeiras as doutrinas que a Santa Igreja nos ensina, porque Jesus Cristo empenhou a sua palavra, que a Igreja nunca se enganaria.  

863)  Com que pecado se perde a Fé?  
A  Fé perde-se negando ou duvidando voluntariamente, ainda que seja de um só artigo que nos é proposto para crer.  

864)  Como recuperamos a Fé?  
Recuperamos a Fé perdida, arrependendo-nos do pecado cometido e crendo de novo tudo o que crê a Santa Igreja.    

§ 3º - Dos mistérios  

865)  Podemos compreender todas as verdades da Fé?  
Não; não podemos compreender  todas as verdades da Fé, porque algumas destas verdades são mistérios. 

866)  Que são os mistérios?  
Os mistérios são verdades superiores à razão, as quais devemos crer, ainda que não as possamos compreender.  

867)  Por que devemos crer os mistérios?  
Devemos crer os mistérios, porque os revelou Deus, que, sendo Verdade e Bondade infinitas, não pode enganar-Se, nem enganar-nos.  

868)  São porventura os mistérios contrários à razão?  
Os mistérios são superiores, porém não contrários à razão; e até a própria razão nos persuade a admiti-los.  

869)  Por que os mistérios não podem ser contrários à razão?  
Os mistérios não podem ser contrários à razão, porque é o mesmo Deus quem nos deu  a luz  da razão, e quem  revelou  OS mistérios, e Ele não pode contradizer-Se a Si mesmo.    


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domingo, 24 de novembro de 2013

Ano da Fé - João César das Neves

Não há felicidade maior do que saber que Deus, o Deus supremo, sublime, transcendente, que fez o céu e a terra, se entregou à morte para me salvar. A mim pessoalmente. Nas nossas cidades e aldeias, nas casas e capelas de Portugal, em especial neste Ano da Fé que agora termina, tudo lembra este facto radical. Apesar disso, ele é esquecido a cada passo. Por isso as nossas vidas não são felizes. Ele está pendurado por minha causa. Nas paredes das salas, nas frontarias das igrejas, nos quadros dos museus, até no meu peito, em todo o lado a imagem da cruz lembra que Aquele ali, coberto de sangue, foi condenado à morte por minha causa. Eu vivo a minha vida, em cada momento, sob o olhar do que está num patíbulo em vez de mim.

As razões da condenação acumulo-as a cada momento. Pequenas e grandes traições, mentiras e violências, egoísmo e mesquinhez; sobretudo a terrível tibieza e mediocridade em que mergulham os meus dias. De fora não se vê a podridão que tenho dentro. Nem os meus inimigos, que têm tanta razão nos insultos, nem eles sabem do mal a metade. Sou todos os dias muito justamente condenado à morte.

Todos estamos condenados à morte e um dia, cedo ou tarde, a sentença será executada. Aliás, a morte não é só um justo castigo dos nossos males, mas também um alívio terapêutico dos mesmos males. Que seria viver para sempre em tanta maldade? "Deus não institui a morte ao princípio, mas deu-a como remédio. Condenada pelo pecado a um trabalho contínuo e a lamentações insuportáveis, a vida dos homens começou a ser miserável. Deus teve de pôr fim a estes males, para que a morte restituísse o que a vida tinha perdido. Com efeito, a imortalidade seria mais penosa que benéfica, se não fosse promovida pela graça" (S. Ambrósio Na Morte do Irmão Sátiro, II, 47).

Isto posso compreendê-lo bem olhando com honestidade para a minha vida. Se tirar a máscara de respeitabilidade e elegância, se esquecer as justificações retóricas e os enganos convenientes, se for ao fundo das minhas razões, vejo com clareza que um juiz justo e imparcial teria de me condenar. Exalto o pouco bem que vou fazendo, mas essa ilusão de óptica não impede a sentença inevitável.

Mas não sou eu que estou ali pendurado. É Ele. Ele, a única pessoa a poder dizer com verdade não merecer a morte, é Ele que está ali. "Jesus estará em agonia até ao fim do mundo" (Pascal , 1670, Pensées, ed. Brunschvicg n.º 553, ed.Lafuma n.º 919). Ele está em agonia, e a culpa é minha. E graças à morte d"Ele a minha tem remédio. A morte, em si mesma, é definitiva. Quem morre fica morto. Mas porque Ele quis morrer por mim, a minha morte tem saída. A minha morte pode ir para a vida. Se me agarrar a Ele, o único que voltou da morte.

Porque essa morte, que Ele sofreu por minha causa, durou apenas três dias. Porque Ele, o único a poder dizer que não merece a morte, destruiu a morte com a morte que sofreu por minha causa. Assim não há mais morte, não há mais culpa. Tudo foi levado na enxurrada da ressurreição de Cristo.

Eu, no medíocre quotidiano, continuo a mesma mesquinha criatura que sempre fui. Os meus pecados não desapareceram por Ele ter morrido e ressuscitado. Aliás, todos os meus pecados foram já cometidos depois de Ele ter morrido e ressuscitado por mim. Mas, porque Ele morreu e ressuscitou, eu sei que existe algo que cobre a multidão dos meus erros, misérias, podridões. Existe a Sua eterna misericórdia. E essa, por ser infinita, ganha ao meu mal. Se eu a procurar.

Agora posso viver a minha vida debaixo do olhar que Ele me lança da cruz. Daquela cruz que vejo a cada passo nas cidades e aldeias. Daquela cruz onde Ele está pendurado por minha causa. E isso muda a minha vida. Até muda a desgraça, a tacanhez, a maldade da minha vida. Assim, até ela fica quase boa. Por me lembrar do facto de Ele estar ali pendurado por minha causa. E não se ir embora, por grandes que sejam os meus crimes. Por ficar ali pendurado, esperando sempre que eu O veja. Que caia em mim. Que volta para Ele. Que tenha fé. E isso é a vida eterna. in DN


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Fim do Ano da Fé: Papa rezou o Credo com as relíquias de São Pedro na mão






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sábado, 23 de novembro de 2013

A good question




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Vale a pena ler o que o Papa Francisco disse recentemente sobre o perdão


No sacramento do Baptismo são perdoados os pecados, o pecado original e todos os nossos pecados pessoais, assim como todas as penas do pecado. Mediante o Baptismo abre-se a porta a uma novidade de vida concreta, que não é oprimida pelo peso de um passado negativo, mas já pressente a beleza e a bondade do Reino dos céus. Trata-se de uma intervenção poderosa da misericórdia de Deus na nossa vida, para nos salvar. Esta intervenção salvífica não priva a nossa natureza humana da sua debilidade — todos nós somos frágeis, todos somos pecadores — e também não nos priva da responsabilidade de pedir perdão cada vez que erramos!

Não me posso baptizar várias vezes, mas posso confessar-me e deste modo renovar a graça do Baptismo. É como se eu fizesse um segundo Baptismo. O Senhor Jesus é deveras bondoso e nunca se cansa de nos perdoar. Inclusive quando a porta que o Baptismo nos abriu para entrar na Igreja se fecha um pouco, por causa das nossas fraquezas e dos nossos pecados, a Confissão volta a abri-la precisamente porque é como um segundo Baptismo que nos perdoa tudo e nos ilumina para irmos em frente com a luz do Senhor. Vamos em frente assim, cheios de alegria, porque a vida deve ser vivida com o júbilo de Jesus Cristo; e esta é uma graça do Senhor!


Jesus concede aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados. É um pouco difícil compreender como um homem pode perdoar os pecados, mas Jesus confere este poder. A Igreja é depositária do poder das chaves, de abrir ou fechar ao perdão. Na sua misericórdia soberana, Deus perdoa cada homem, mas Ele mesmo quis que quantos pertencem a Cristo e à Igreja recebam o perdão mediante os ministros da Comunidade. Através do ministério apostólico, a misericórdia de Deus alcança-me, as minhas culpas são-me perdoadas e é-me conferida a alegria. Deste modo, Jesus chama a viver a reconciliação também na dimensão eclesial, comunitária. E isto é muito bom! A Igreja, que é santa e ao mesmo tempo carente de penitência, acompanha o nosso caminho de conversão durante a vida inteira. A Igreja não é senhora do poder das chaves, mas é serva do ministério da misericórdia e rejubila todas as vezes que pode oferecer este dom divino.

Muitas pessoas talvez não compreendam a dimensão eclesial do perdão, porque predominam sempre o individualismo e o subjectivismo, e até nós cristãos sentimos isto. Sem dúvida, Deus perdoa cada pecador arrependido, pessoalmente, mas o cristão está unido a Cristo, e Cristo à Igreja. Para nós cristãos há um dom a mais, há sempre um compromisso a mais: passar humildemente através do ministério eclesial. Devemos valorizá-lo; é uma dádiva, uma atenção, uma salvaguarda e também a certeza de que Deus me perdoou. Vou ter com o irmão sacerdote e digo: «Padre, cometi isto...». E ele responde: «Mas eu perdoo-te; Deus perdoa-te!». Naquele momento, estou convicto de que Deus me perdoou! E isto é bom, é ter a segurança que Deus nos perdoa sempre, nunca se cansa de perdoar. E não devemos cansar-nos de ir pedir perdão. Podemos ter vergonha de confessar os nossos pecados, mas as nossas mães e avós já diziam que é melhor corar uma vez do que empalidecer mil vezes. Coramos uma vez, mas os pecados são-nos perdoados e vamos em frente.

Enfim, um último ponto: o sacerdote, instrumento para o perdão dos pecados. O perdão de Deus, que nos é concedido na Igreja, é-nos transmitido mediante o ministério do nosso irmão, o sacerdote; também ele, um homem que como nós precisa de misericórdia, se torna verdadeiramente instrumento de misericórdia, comunicando-nos o amor ilimitado de Deus Pai. Inclusive os presbíteros e os Bispos devem confessar-se: todos nós somos pecadores. Também o Papa se confessa a cada quinze dias, porque inclusive o Papa é pecador. O confessor ouve os pecados que lhe confesso, aconselha-me e perdoa-me, porque todos nós precisamos deste perdão. Às vezes ouvimos certas pessoas afirmar que se confessam directamente com Deus... Sim, como eu dizia antes, Deus ouve sempre, mas no sacramento da Reconciliação envia um irmão a trazer-nos o perdão, a segurança do perdão em nome da Igreja.

O serviço que o sacerdote presta como ministro, por parte de Deus, para perdoar os pecados é muito delicado e exige que o seu coração esteja em paz, que o presbítero tenha o coração em paz; que não maltrate os fiéis, mas que seja manso, benévolo e misericordioso; que saiba semear esperança nos corações e sobretudo que esteja consciente de que o irmão ou a irmã que se aproxima do sacramento da Reconciliação procura o perdão, e fá-lo como as numerosas pessoas que se aproximavam de Jesus para serem curadas. O sacerdote que não tiver esta disposição de espírito é melhor que, enquanto não se corrigir, não administre este Sacramento. Os fiéis penitentes têm o direito, todos os fiéis têm o direito de encontrar nos sacerdotes servidores do perdão de Deus.

Caros irmãos, como membros da Igreja estamos conscientes da beleza desta dádiva que o próprio Deus nos concede? Sentimos a alegria deste esmero, desta atenção materna que a Igreja tem por nós? Sabemos valorizá-la com simplicidade e assiduidade? Não esqueçamos que Deus nunca se cansa de nos perdoar; mediante o ministério do sacerdote, Ele aperta-nos num novo abraço que nos regenera e nos permite erguer-se de novo e retomar o caminho. Porque esta é a nossa vida: devemos erguer-nos sempre de novo e retomar o caminho!


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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Dia de Santa Cecília


Hoje é dia Santa Cecília, padroeira dos músicos. Foi martirizada em Roma, por volta do ano 180, e o seu corpo foi encontrado no ano 1599, ainda incorrupto. O corpo, juntamente com esta escultura de Stefano Maderno, encontram-se na Basílica de Santa Cecília, em Roma.


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Matar cristãos já é desporto olímpico - Henrique Raposo

As tais prisões-fábrica da China tem muitos prisioneiros religiosos. Sim, pessoas presas devido à sua fé, e muitos são cristãos. Aliás, prender cristãos já é desporto olímpico em Pequim. É a resposta da liderança comunista ao crescimento exponencial do cristianismo na China. Em Regresso de Deus, Micklethwait e Wooldridge falam em cerca de 60 milhões de protestantes e 12 milhões de católicos, mas o número real deve ser mais alto, porque grande parte da acção religiosa é feita na clandestinidade. Existe, por exemplo, uma Igreja Católica clandestina. São estas células clandestinas que, volta meia, acabam na prisão ou no gulag fabril .

Prender e matar cristãos não é desporto apenas na China. Um sujeito olha à volta e só vê cristãos a cair como tordos. Ele é cristãos estilhaçados no Paquistão. Ele é cristãos estorricados na Nigéria. Ele é cristãos atacados no Egipto e na Síria. Ele é igrejas destruídas na Índia. Como podem ver, partir o focinho teológico do cristão é um desporto em alta. Na Arábia, o governo chega ao ponto de pagar um salário a quem denunciar uma reunião cristã, mesmo que seja numa garagem. "Salva Alá, sê um bufo", podia ser o slogan.

Curiosamente, este fenómeno marcado pela violência está a passar ao lado das percepções dos média europeus. O que faz sentido. Estamos na presença de dois factos que não encaixam nas narrativas do costume. Em primeiro lugar, o crescimento exponencial do cristianismo no resto do mundo não combina com a - suposta - morte de Deus. Em segundo lugar, as vítimas desta violência são cristãos e não muçulmanos, budistas ou focas, o que complica um pouco o ângulo narrativo da coisa.  
in Expresso


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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Gato por lebre? - Pe.Gonçalo Portocarrero de Almada

Muitos estranharam o grande destaque - página inteira e foto - do PÚBLICO, de 16-7-2013, a um estudo, que "indica que casais gay são menos stressados a cuidar dos filhos".

A bem dizer, não é propriamente um estudo científico porque, como se afirma logo na primeira linha, "ainda não está concluído". Ora, de uma análise que não está terminada, não se podem retirar, como é lógico, ilações, porque, como diria La Palice, só um estudo concluído é, efectivamente, conclusivo. Contudo, o seu autor já chegou a uma conclusão. Talvez com receio do previsível desfecho da sua investigação, antecipa um resultado apriorístico: a excelência da co-adopção. É o que se chama, em termos científicos, gato escondido com o rabo de fora, ou seja, política mascarada de psicologia, mas não tanto que não se lhe veja a cauda ideológica.

Não se trata, portanto, de um parecer científico, mas de uma mera opinião, certamente legítima, mas cientificamente infundada. Mas um cientista não tem direito a manifestar as suas opções políticas? Sim, claro, excepto quando intervém como investigador. Ora a entrevista era ao psicólogo e não ao militante partidário e, por isso, as afirmações políticas sobram. Ou talvez não, porque evidenciam a sua parcialidade, a qual compromete a idoneidade científica da análise e contraria o artigo 8.º, n.º 1, do respectivo código deontológico: "Quando fazem declarações públicas, (...) os/as psicólogos/as devem observar o princípio do rigor e da independência, abstendo-se de fazer declarações falsas ou sem fundamentação científica".

Apenas quarenta pessoas, casadas ou em união de facto, foram interrogadas para esta investigação. A insuficiência da amostragem é também significativa da insignificância do "estudo". Imagine-se um inquérito aos lendários quarenta companheiros de Ali Babá: a conclusão "científica" seria a de que todos os homens são ladrões!

É estranho que se diga que a família deve ser estável, mas depois não se compare a estabilidade nos dois tipos de uniões. Porquê? Será porque, como consta, as uniões naturais, ao contrário das estabelecidas entre pessoas do mesmo sexo, são mais duradouras e pacíficas e, portanto, mais aptas para a saudável educação dos filhos?

Muito embora este seu "estudo" seja inconclusivo, o não foi, contudo, o que o mesmo investigador realizou em 2010. A grande maioria dos então inquiridos - 1288 universitários finalistas portugueses - manifestou o seu "receio de que uma criança, adoptada por um casal do mesmo sexo, venha a apresentar um desenvolvimento psicossexual não-normativo" e, por isso, entende que se deve atribuir, "com maior probabilidade, a custódia de uma criança a uma família heteroparental do que a uma família homoparental". Tal qual, sem tirar nem pôr.

Se esta é, de facto, a opinião da maioria da população, como expressamente reconhece um psicólogo adepto da tese contrária, e não há nenhuma evidência científica no sentido oposto, só a decisão parlamentar que inviabiliza a co-adopção é legítima, por ser a única que serve o superior interesse da criança, e democrática, por reflectir a vontade esclarecida da maioria dos cidadãos. Outra coisa seria, sem dúvida, dar ao país gato por lebre. in Publico


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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Papa telefona a um jornalista que tinha sido despedido por o ter criticado

Dois jornalistas católicos foram despedidos de um jornal italiano, depois de terem escrito um artigo com algumas críticas ao Papa Francisco. Sabendo da condição de saúde debilitada de um deles, Mario Palmario, o Papa ligou-lhe, preocupado com o período de sofrimento que atravessa. Conta o jornalista:

“Fiquei surpreso, espantado e acima de tudo comovido. Para mim, como católico, tinha acabado de ter uma das mais belas experiências da minha vida. Eu senti o dever de recordar ao Papa que, juntamente com Gnocchi, tinha expressado críticas específicas a respeito do seu trabalho, mas sublinhei a minha total fidelidade (para com ele) como filho da Igreja. O Papa não me deixou terminar a frase , e disse que tinha entendido que essas críticas tinham sido feitas com amor, e quão importante tinha sido para ele recebê-las. Estas palavras confortaram-me muito.”

Estas coisas fazem-nos pensar.


João Silveira


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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Fé individual? - D.Nuno Brás

Ser cristão nunca foi questão de "fé individual". Logo desde o início, quando Jesus começou o Anúncio do Reino de Deus e o mostrou presente na sua pessoa, não o fez sozinho mas sempre rodeado pelo grupo que tinha chamado para partilhar com Ele o quotidiano e para os enviar a pregar, com Pedro à cabeça (Mc 3,13-19). Foram estes que, depois, enviados ao mundo inteiro pelo Ressuscitado, constituíram à sua volta comunidades que partilharam a fé apostólica. 

E, quando os Apóstolos partiam para anunciar o Evangelho em novas paragens, deixavam os seus sucessores nas primeiras comunidades, com a função de reunir e de confirmar na fé os cristãos, de modo que estes tivessem a garantia de que não corriam sozinhos nem inventavam a fé, antes permaneciam na fé Apostólica. E sempre foi assim, não por moda cultural, por ignorância da maioria ou para que o peso da fé fosse maior: ser cristão foi e é, antes de mais, viver o encontro com Jesus no seio da Igreja que é o Seu Corpo.

De vez em quando, aparecem cristãos que querem correr sozinhos. Até posso aceitar que, a princípio, pensem que, desse modo, ajudam os outros na sua caminhada. E se muitos, quando percebem que já andam fora da fé da Igreja, logo arrepiam caminho, infelizmente muitos outros - alguns hoje seduzidos pela exposição mediática, que sempre acarinhou as "originalidades" - permanecem nos seus erros e não hesitam em procurar seguidores. À partida, até parecem ser "progressistas" e cultivadores da "modernidade". Mas, no fundo, são corredores que gostam de se ver ao espelho.

Teresa Forcades, que anunciou a sua vinda a Portugal, a serem verdadeiras as entrevistas que deu e as notícias que a mostraram a andar por várias partes do mundo à procura de seguidores, quase sempre denunciada pelos Bispos desses lugares, é uma dessas.

Como qualquer escritor e como qualquer cidadão, tem todo o direito às suas opiniões - basta ver a quantidade de livros com mais ou menos pretensões de conhecimento científico, de conteúdo teológico ou de simples romance inventado que enchem uma parte considerável das nossas livrarias. Mas não tem o direito de afirmar que as suas opiniões individuais fazem parte da fé que recebemos dos Apóstolos e que hoje vivemos como cristãos, unidos ao Papa e à Igreja do mundo inteiro.

E eu, como sucessor dos Apóstolos, tenho o dever de o dizer claramente. Mesmo com o risco de lhe fazer publicidade. 
iVoz da Verdade


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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Nova investigação neurológica revela que a pornografia pode ser tão viciante como heroína ou cocaína

No outro dia ouvi um tipo dizer que o Starbucks era "o maior dealer de droga nos Estados Unidos." Sendo culpado desse tipo de "dealing de drogas," dispenso-me de discutir os méritos de tal culpa. Mas e se eu vos dissesse que a internet "é o maior dealer de droga nos Estados Unidos?"

Um grupo de investigação em crescimento apoia esta opinião na medida em que ela se relaciona com o novo "narcótico": a pornografia na internet. O Inquérito Nacional sobre o uso das Drogas e a Saúde estimou que em 2008 havia 1,9 milhões de utilizadores de cocaína. De acordo com a Central Intelligence Agency (CIA), existe uma estimativa de 2 milhões de utilizadores de heroína nos Estados Unidos, com números entre os 600,000 e os 800,000 considerados viciados de alto nível. Comparem estes números com os 40 milhões de utilizadores frequentes de pornografia online na América.
Uma investigação neurológica revelou que o efeito da pornografia online no cérebro humano é tão potente como as substâncias químicas aditivas tais como a cocaína ou a heroína - se é que não é mais. Num anúncio antes do Congresso, a Dra. Jeffrey Satinover, uma psiquiatra, psicoanalista, física e ex-Fellow de Psiquiatria de Yale, avisou:

Com o aparecimento do computador, o sistema de entrega deste estímulo viciante ficou quase sem resistência. É como se tivéssemos inventado um tipo de heroína 100 vezes mais poderoso que antes, usado na privacidade da própria casa e injectado directamente no cérebro através dos olhos. E está agora disponível num stock sem limites através de uma rede de distribuição que se auto-multiplica e que é glorificada como arte e protegida pela Constituição.

Apesar de a pornografia, de uma forma ou de outra, ter existido ao longo de toda a história humana, o seu conteúdo e a forma como as pessoas lhe têm acesso e a consomem mudou drasticamente nas últimas décadas com o aparecimento da internet e as tecnologias com ela relacionada.

Existem três razões principais pelas quais a pornografia da internet é radicalmente diferente das suas formas antigas: (1) o seu preço (K. Doran, Professor Auxiliar da Economia na Universidade de Notre Dame, estima que 80 a 90% dos utilizadores de pornografia vêem conteúdos grátis online), (2) o acesso (acesso 24/7 em qualquer lugar com ligação à internet), e - o mais importante - (3) o anonimato. Estes três factores combinados com as imagens de pessoas reais a realizar actos sexuais reais enquanto o utilizador observa online, criaram um narcótico potente - no sentido mais literal do termo.

Ainda assim, muitos argumentam que a pornografia é apenas "discurso", uma forma de "expressão" sexual que devia ser protegida como um direito constitucional na Primeira Emenda. A questão dos direitos da Primeira Emenda é inegavelmente o último obstáculo para abrir caminho a uma posição legal - e pegarei nesta questão no ensaio de amanhã do Public Discourse. Hoje começa a minha análise de uma perspectiva científica, porque recentes descobertas neurológicas mostraram a pornografia da internet como sendo algo mais, muito mais, que um mero "discurso".

Pornografia da Internet: O Novo Narcótico
Enquanto que o termo "toxicodepedência" tem estado reservado para substâncias química ingeridas fisicamente (inaladas ou injectadas) no corpo, a pornografia online - tomada através dos olhos - afecta o cérebro química e fisicamente de uma maneira semelhante à das substância químicas ilegais. William M. Struhers, Professor de Psicologia no Wheaton College, explica no seu livro Wired for Intimacy: How Pornography Hijacks the Male Brain que a pornografia trabalha "através do mesmo circuito neuronal, tem os mesmos efeitos relativos à tolerância e afastamento e tem todas as outras marcas de uma dependência."

Isto acontece porque estas partes do cérebro reagem tanto às substâncias ilegais como à excitação sexual. A dopamina, o químico activado pela excitação sexual e o orgasmo, é também o químico que activa os caminhos de dependência no cérebro. Tal como observa o Dr. Donald L. Hilton Jr., um neurocirurgião experiente e professor clínico associado de neurocirurgia na Universidade do Texas:

A pornografia é uma feromona visual, uma droga poderosa de 100 mil milhões de dólares por ano que está a mudar a sexualidade ainda mais rápido através da ciber-aceleração da Internet. Está a "inibir a orientação" a "distorcer a comunicação pré-matrimonial entre os sexos ao permear a atmosfera."

Pensem no cérebro como uma floresta onde os caminhos estão cheios de assaltantes que andam pelos mesmos sítios vezes sem conta, dia após dia. A exposição a imagens pornográficas cria caminhos neurais semelhantes que, com o tempo, se tornam cada vez mais "bem trilhados" quando são repetidamente usados com cada exposição à pornografia. Estes caminhos neurológicos, acabam por se tornar o caminho na floresta cerebral pelo qual as interacções sexuais são conduzidas. Assim, um utilizador de pornografia "criou sem saber um circuito neuronal" que torna a sua maneira normal de ver os assuntos sexuais como se fossem geridos pelas normas e expectativas da pornografia.

Estes "caminhos cerebrais" podem ser iniciados e "trilhados" devido à plasticidade do tecido cerebral. O Dr. Norman Doidge - um psiquiatra, psicoanalista e autor do bestseller internacional do New York TimesThe Brain That Changes Itself - explora o impacto da neuroplasticidade na atracção sexual num ensaio em The Social Costs of Pornography.  O Dr. Doidge diz que o tecido cerebral envolvido nas preferências sexuais (i.e., o "o que o liga") é especialmente maleável. Assim, estímulos externos - tais como as imagens pornográficas - que ligam coisas que antes não estavam ligadas (ex: a tortura física ou a excitação sexual) podem causar neurónios que não estavam relacionados no cérebro a "disparar" em conjunto, de forma que da próxima vez a tortura física causa mesmo desejo sexual no cérebro. Estes disparos de neurónios em conjunto criam "ligações" ou associações que resultam em novos caminhos cerebrais poderosos que permanecem mesmo depois de os estímulos externos terem desaparecido.
Pensando na nova ciência do cérebro, a comunidade científica relacionada com o tema (a American Society of Addiction Medicine), que costumava definir que a dependência era em primeiro lugar um comportamento, recentemente redefiniu "dependência" em primeiro lugar como uma doença cerebral relacionada com o sistema neuronal de recompensas [N.T.: reward system]. A força poderosa da pornografia online no sistema neuronal de recompensas claramente que a coloca nesta nova definição de "dependência."

Alguns podem argumentar que muitas substâncias e actividades - tais como a TV, a comida, ir às compras, etc. - pode causar a formação de químicos aditivos no cérebro, no entanto é um facto que não queremos o governo a controlar a quantidade de TV que vemos, quantas vezes vamos às compras ou quanto é que comemos. Enquanto que há uma quantidade enorme de pessoas dependentes da TV, da comida e de ir às compras, o Dr. Hilton explica que as imagens sexuais são "únicas no que toca às recompensas naturais" porque as recompensas sexuais, ao contrário da comida e de outras recompensas naturais, causam "uma mudança persistente na plasticidade sináptica." Por outras palavras, a pornografia online faz mais do que apenas criar picos nos níveis de dopamina no cérebro para uma sensação de prazer. Literalmente muda a matéria física dentro do cérebro, de modo a que os caminhos neurológicos necessitem do material pornográfico para iniciar a sensação de recompensa desejada.

Portanto, como é que a pornografia da internet se compara com substância químicas de dependência como a cocaína ou heroína? A cocaína é considerada um estimulante que aumenta os níveis de dopamina no cérebro. A dopamina é o principal neurotransmissor que a maior parte das substâncias aditivas libertam, visto que causam uma "moca" e uma contínua fome de repetição dessa "moca", em vez de um contínuo sentimento de satisfação por via de endorfinas. A heroína, por outro lado, é um narcótico, que tem um efeito relaxante. Ambas as drogas aumentam a tolerância química, o que obriga o consumo de altas quantidades de droga a serem usadas de cada vez que se quiser atingir a mesma intensidade no efeito.

A pornografia, tanto ao excitar (o efeito da "moca" via dopamina) como ao causar um orgasmo (o efeito de "libertação"via narcóticos), é um tipo de multidroga que liberta ambos os tipos de químicos de dependência no cérebro de uma só vez, assim como o seu poder dá início a um padrão de aumento de tolerância. No caso da pornografia, a tolerância não requer necessariamente mais quantidade de pornografia mas novos conteúdos pornográficos, como actos sexuais "proibidos", pornografia infantil ou pornografia sadomasoquista.

A excitação sexual é resultado dos picos de testosterona, dopamina e norepinefrina, enquanto que a euforia e transcendência experimentada durante o orgasmo estão relacionados com a libertação de narcóticos interiores. Ao mesmo tempo que a pornografia activa o sistema de apetites devido à dopamina, o orgasmo causado pela pornografia não liberta endorfinas, que são os químicos que nos fazem sentir satisfeitos. Pelo contrário, as endorfinas são libertadas depois de um orgasmo causado por se ter tido sexo com um ser humano real. Esta falta de satisfação, combinada com a plasticidade competitiva do cérebro, faz com que o cérebro necessite cada vez mais de imagens novas e chocantes para obter o mesmo resultado químico de antes.

Enquanto que os efeitos de dependência da pornografia online são semelhantes à combinação dos efeitos de dependência das substâncias químicas, os primeiros vão para além dos das substâncias químicas.

Por exemplo, os "neurónios-espelho" no cérebro permitem-nos aprender ao olhar para um comportamento e a copiá-lo. O professor Struthers diz que, devido aos neurónios-espelho, "ver pornografia cria uma experiência neurológica onde a pessoa participa como se estivesse naquilo que está a ver." Esta dependência interactiva única é permitida pela combinação de estímulos sob o cérebro e o corpo; nas palavras de Struthers, a pornografia "envolve o sistema visual (olhar para a pornografia), o sistema motor (masturbação), o sistema sensorial (estimulação genital) e os efeitos neurológicos da excitação e do orgasmo.

Outro aspecto da dependência pornográfica que ultrapassa as caracterísiticas nocivas e aditivas do abuso das substâncias químicas é a sua permanência. Enquanto que as substâncias podem ser metabolizadas para fora do corpo, as imagens pornográficas não podem ser metabolizadas para fora do cérebro porque as imagens pornográficas são guardadas na memória do cérebro. Enquanto que quem abusa das substâncias químicas pode causar um dano aos seus corpos e cérebros devido ao uso de drogas, a substância em si mesma não continua no corpo depois de ter sido metabolizada para fora do corpo. Mas com a pornografia não há nenhum intervalo de tempo de abstinência que possa apagar os "discos rígidos" de imagens no cérebro, que podem continuar a aumentar o ciclo vicioso.

Para resumir, a investigação cerebral confirma o facto crítico de que a pornografia é um sistema de distribuição de droga que tem um efeito distinto e poderoso sobre o cérebro humano e sistema nervoso. Mais parecido à cocaína do que com livros ou discursos públicos, a pornografia online não é o tipo de "discurso" para o qual a Primeira Emenda foi feita para proteger da censura do governo - tal como vou argumentar amanhã. As pessoas que lêem livros ou ouvem ideias podem usar as suas mentes conscientemente para pensar sobre as asserções e informação. Mas, tal como diz o Dr. Doidge,  “Os que a usam não têm noção até onde os seus cérebros são alterados por ela." De facto, não têm ideia de que a pornografia está a desenvolver "novos mapas nos seus cérebros."  
Morgan Bennet in thepublicdiscourse.com


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