domingo, 29 de abril de 2012

O celibato dos padres - Pe. Paulo Ricardo




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Frase do dia

"Pratique a simplicidade e a humildade e não se preocupe com as críticas deste mundo." 

S. Pio de Pietrelcina


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sábado, 28 de abril de 2012

Papa Bento XVI visto pelos vaticanistas

Giovanna Chirri, Vaticanista da agência italiana ANSA: "Este Papa é um teólogo que, embora tenha se tornado um reformador, nunca perdeu de vista a sua finalidade: anunciar Cristo ao mundo. Encontrou-se com um monte de problemas, basta pensar nos casos de pederastia e da reforma financeira. Interveio com decisão. Além do vazamento de notícias, que aqui interveio no que poderia ser feito. Em sua pregação nos últimos dias e na semana santa, parece-me claro que o principal objetivo foi difundir a fé e que o mundo seja capaz de anunciar a Cristo". 

Frederic Mounier, enviado permanente do diário francês La Croix, em Roma: "Encontrei aqui em Roma, uma realidade diversa sobre Bento do que é a sua imagem na França. Este papa não é o panzer cardinal, mas um intelectual humilde, muito atento a ouvir as pessoas, mas temo que a sua posição não seja devidamente ouvida hoje porque está fora das regras usuais da comunicação mediática. Porque ele fala em profundidade, porque é um intelectual. Usa o tempo que for preciso para pensar, não se baseia nas emoções. Portanto, seu pensamento é muito interessante mas distante da capacidade das pessoas. Acho que esse seja o grande desafio do seu pontificado. 

Juan Lara, da agência EFE: "Pessoalmente, sempre tive mais ou menos a mesma percepção de Bento XVI, porque sempre segui o Vaticano, mas houve certamente uma mudança. Ou seja, no início do seu pontificado ele era visto como uma pessoa muito séria, ortodoxa, conservadora. Mas, com os fatos demonstrou que é uma pessoa amável com um pensamento social bastante avançado. Um evento significativo emergiu durante o seu pontificado: os casos de abuso sexual e a pederastia. O papa enfrentou o caso, até mesmo criando muitos inimigos, mas não se importou com a condição de fazer limpeza, e isso é significativo. Ele enfrentou o escândalo na linha de frente". 

Patricia K. Thomas APTN. Associate Press Television News: Como jornalista vejo-o muito de perto, e acho que mudou desde o início do pontificado, porque é um homem humilde e disposto a escutar. Se me perguntam como o vêm nos EUA, nestes dias, com o caso do grupo de freiras americanas, houve uma raiva que se sentiu pela Internet contra Ele e contra o Vaticano. Quem não frequenta a Missa pensa que ele queira levar a Igreja para trás, que escute mais aos lefebvristas que as freiras americanas. Quando foi para os EUA, ao contrário, a sua imagem tinha subido, falou contra a pederastia, etc. Mas agora está crescendo um pouco a hostilidade”. 

Salvatore Izzo, o Vaticano a agência italiana AGI: "Bento XVI está adquirindo uma figura paterna que antes não tinha. É como quando uma pessoa não tem filhos e mora em um condomínio: todos os barulhos a incomodam. Depois, com o tempo, chegam os filhos e as coisas mudam. Ele está fazendo um grande esforço para aproximar todos da Igreja, não somente os tradicionalistas, mas também outros movimentos mais inovadores. Poderia não parecer assim, mas é isso ". 

Maarten van Aalderen correspondente jornal holandês De Telegraaf: "A percepção que as pessoas tinham de Bento XVI no início do seu pontificado não mudou para nada. Do pondo de vista mediático era um papa professor, esta era a idéia e esta permaneceu. Um Papa que ainda encontra dificuldade para comunicar com as pessoas. Não resolveu ainda este problema”. 

Elisabetta Piqué, correspondente em Itália do jornal argentino La Nacion: "Bento XVI sem ter o carisma de João Paulo II, conseguiu soltar-se um pouco em público, antes não se atrevia a tocar ninguém, agora abraça os bebés e os acaricia. Acredito que ele tenha aprendido a lidar com as massas. Ele aprendeu a fazer-se querer em qualquer lugar que vá, por exemplo, penso na sua última viagem a Cuba, onde ninguém entra numa igreja, foi muito admirado ali, sem falar no México. Quando ele subiu ao papado havia esta imagem da mídia de um rottweiler, de um inquisidor. Cada vez que houve erros de comunicação ele o reconheceu e demonstrou ser um Papa com uma personalidade muito amável, um intelectual, mas muito humilde. 

Andres Beltramo, do Vaticano, em Itália, a agência Notimex mexicana: "Mudou a percepção que as pessoas tinham sobre ele, e as suas viagens a vários países aceleraram isso. Na última viagem ao México, por exemplo, no início as pessoas não o conheciam, especialmente porque – por assim dizer – ficava sob a sombra de João Paulo II e tinha um grande interrogante sobre a sua pessoa. No entanto, quando o conheceram pessoalmente houve uma mudança de atitude. Aqui os meios falaram sobre ele, às vezes o criticam ou refletem sobre o entusiasmo popular, mas é um fato temporal que passa. Ele entra quando as pessoas o puderam ver e, portanto, ficam com uma percepção diversa do que contam os meios”. 

Alessandro Speciale, correspondente vaticano de UCA News, Religion News e Vatican Insider: "Bento XVI encontrou-se diante de um desafio, uma crise, não com certeza, sobre a qual ele tinha imaginado construir o seu pontificado. Falo da pederastia e dos abusos sexuais. E ele, ante essa crise, soube dar a resposta à altura das circunstâncias, o que talvez muitos homens dentro da Igreja não teriam sabido dar, mas teriam dado uma resposta instintiva: “o mundo ataca a Igreja”. Em vez disso, este Papa percebeu que era um mal que estava dentro e por tanto devia ser removido. Isso marcou o seu pontificado. Um desafio que ele não esperava mas, ao qual, respondeu estando à altura das circunstâncias". in Zenit


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Exame de consciência para Sacerdotes (II)

11. « Imediatamente, saiu sangue e água » (Jo. 19, 34) Tenho a convicção de que, ao agir « na pessoa de Cristo », sou diretamente envolvido no próprio Corpo de Cristo, a Igreja? Posso dizer sinceramente que amo a Igreja e que sirvo com alegria ao seu crescimento, as suas causas, cada um de seus membros e toda a humanidade?

12. « Tu és Pedro » (Mt. 16,18) Nihil sine episcopo – nada sem o bispo – dizia Santo Inácio de Antioquia: estas palavras são a base do meu ministério sacerdotal? Recebi docilmente as indicações, conselhos ou correções do meu Ordinário? Rezo especialmente pelo Santo Padre, em plena união com os seus ensinamentos e intenções?

13. « Amai-vos uns aos outros » (Jo. 13,34) Tenho vivido com diligência a caridade ao tratar com os meus irmãos sacerdotes ou, ao contrário, desinteresso-me deles por egoísmo, apatia ou frieza? Tenho criticado os meus irmãos no sacerdócio? Tenho estado junto daqueles que sofrem pela enfermidade física ou pelas dores morais? Vivo a fraternidade afim de que ninguém esteja só? Trato todos os meus irm ãos sacerdotes e também aos fiéis leigos com a mesma caridade e paciência de Cristo?

14. « Eu sou o caminho, a verdade e a vida » (Jo. 14,6) Conheço profundamente os ensinamentos da Igreja? Os assimilo e transmito fielmente? Sou consciente de que ensinar o que não corresponde ao Magistério, solene ou ordinário, é um grave abuso, que causa dano às almas?

15. « Vai e não tornes a pecar » (Jo. 8,11) O anúncio da Palavra de Deus leva os fiéis aos sacramentos. Confesso -me com regularidade e com freqüência, de acordo com o meu estado e com as coisas santas que trato? Celebro generosamente o sacramento da reconciliação? Sou amplamente disponível à direção espiritual dos fiéis, dedicando a isto um tempo específico? Preparo com desvelo a minha pregação e a minha ca tequese? Prego com zelo e com amor de Deus?

16. « Chamou os que ele quis. E foram a ele » (Mc. 3,13) Estou atento a descobrir os sinais das vocações ao sacerdócio e à vida consagrada? Preocupo -me em difundir entre todos os fiéis uma maior consciência da c hamada universal à santidade? Peço aos fiéis para que rezem pelas vocações e pela santificação do clero?

17. « O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir » (Mt. 20,28) Tenho procurado doar-me aos outros na vida de cada dia, servindo evang elicamente? Manifesto a caridade do Senhor através de minhas obras? Na Cruz, vejo a presença de Jesus Cristo e o triunfo do amor? Dou ao meu dia-a-dia a marca do espírito de serviço? Considero o exercício da autoridade ligada ao ofício uma forma imprescindível de serviço?

18. « Tenho sede » (Jo. 19,28) Tenho efetivamente rezado e me sacrificado com generosidade pelas almas que Deus me confiou? Cumpro os meus deveres pastorais? Tenho solicitude pelas almas dos fiéis defuntos?

19. « Eis o teu filho. Eis a tua mãe » (Jo. 19,26-27) Acudo cheio de esperança à Santíssima Virgem Maria, Mãe dos sacerdotes, para amar e fazer com que amem mais ao seu Filho Jesus? Cultivo a piedade mariana? Reservo um espaço a cada dia para o Santo Rosário? Recorro à sua materna inte rcessão na luta contra o demônio, a concupiscência e o mundanismo?

20. « Pai, em vossas mãos entrego o meu espírito » (Lc. 23,44) Sou solícito em assistir e administrar os sacramentos aos moribundos? Considero a doutrina da Igreja sobre os Novíssimos em minha meditação pessoal, na catequese e na pregação ordinária? Peço a graça da perseverança final e convido os fiéis a fazerem o mesmo? Sufrago freqüente e devotamente as almas dos fiéis defuntos?


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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Convite ao heroísmo, na fé e no amor - Tito Brandsma

Muitas vezes ouvimos dizer que vivemos tempos maravilhosos, tempos de grandes homens. [...] É compreensível que haja quem deseje que se erga um chefe forte e capaz. [...] Essa espécie de neo-paganismo [o nazismo] considera toda a natureza como uma emanação do divino [...]; acredita que há raças mais puras e mais nobres que outras. [...] Daí vem o culto da raça e do sangue, o culto dos heróis do próprio povo.

Partindo de uma ideia tão errónea, essa maneira de ver pode conduzir a erros capitais. É triste ver quanto entusiasmo e quantos esforços são postos ao serviço dum tal ideal, falso e sem fundamento! Contudo, podemos aprender com o nosso inimigo. Com a sua filosofia mentirosa, podemos aprender a purificar o nosso próprio ideal e a melhorá-lo; podemos aprender a desenvolver um grande amor por esse ideal, a suscitar um imenso entusiasmo e mesmo a disponibilidade para viver e morrer por ele; a fortalecer a coragem para o incarnar, em nós próprios e nos outros.

Quando falamos da vinda do Reino e quando rezamos para que ele venha, nunca pensamos numa discriminação com base na raça ou no sangue, mas na fraternidade de todos os homens, uma vez que todos os homens são nossos irmãos — sem excluir mesmo aqueles que nos odeiam e nos atacam —, em ligação estreita com Aquele que faz nascer o sol sobre os bons e sobre os maus (cf Mt 5,45).


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A melhor sensação do mundo




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Exame de consciência para sacerdotes (I)

1. « Santifico-me por eles para que também eles sejam santificados pela verdade » (Jo 17,19) Proponho-me seriamente à santidade em meu ministério? Estou convencido de que a fecundidade do meu ministério sacerdotal vem de Deus e que, com a graça do Espírito Santo, devo identificar -me com Cristo e dar a minha vida pela salvação do mundo?

2. « Isto é o meu Corpo » (Mt. 26,26) O Santo Sacrifício da Missa é o centro da minha vida interior? Preparo -me bem, celebro devotamente e, depois, me recolho em ação de graças? A Missa constitui o ponto de referência habitual em minha jornada para louvar a Deus, agradecê -lo pelos seus benefícios, recorrer à sua benevolência e reparar pelos meus pecados e pelos de todos os homens?

3. « O zelo pela tua casa me devora » (Jo. 2,17) Celebro a Missa segundo os ritos e as normas estabelecidas, com autêntica motivação, com os livros litúrgicos aprovados? Estou atento às sagradas e spécies conservadas no Sacrário, renovando -as periodicamente? Conservo os vasos sagrados com atenção? Uso dignamente todas as vestes sagradas previstas pela Igreja, tendo presente que atuo in persona Christi Capitis?

4. « Permanecei em meu amor » (Jo. 15,9) Causa-me alegria permanecer diante de Jesus Cristo presente no Santíssimo Sacramento, em minha meditação e silenciosa adoração? Sou fiel à visita diária ao Santíssimo Sacramento? O meu tesouro é o Sacrário?

5. « Explica-nos a parábola » (Mt. 13,36) Faço diariamente a minha meditação, com atenção e procurando superar qualquer tipo de distração que me separe de Deus, buscando a luz do Senhor, a quem sirvo? Medito assiduamente a Sagrada Escritura? Recito atentamente as minhas orações habituais?

6. É necessário « orar sempre, sem desfalecer » (Lc. 18,1) Celebro quotidianamente a Liturgia das Horas integralmente, dignamente, atentamente e devotamente? Sou fiel ao meu compromisso com Cristo nesta dimensão importante do meu ministério, orando em nome de toda a Igreja?

7. « Vem e segue-me » (Mt. 19,21) Nosso Senhor Jesus Cristo é o verdadeiro amor da minha vida? Observo com alegria meu compromisso de amor a Deus na continência celibatária? Detive -me conscientemente em pensamentos, desejos ou atos impuros; tive conversas inconvenientes? Coloquei -me em ocasião próxima de pecado contra a castidade? Procuro guardar a vista? Fui imprudente ao tratar as diversas categorias de pessoas? A minha vida representa, para os fiéis, um testemunho do fato de que a pureza é poss ível, fecunda e alegre?

8. « Quem tu és? » (Jo. 1,20) Encontro elementos de fraqueza, preguiça e fragilidade em minha conduta habitual? As minhas conversas estão de acordo com o sentido humano e sobrenatural que um sacerdote deve ter? Estou atento para que não se introduzam em minha vida elementos superficiais ou frívolos? Sou coerente, em todas as minhas ações, com a minha condição de sacerdote?

9. « O Filho do homem não há onde repousar a cabeça » (Mt. 8,20) Amo a pobreza cristã? Coloco meu coração em D eus e sou desapegado interiormente de todo o resto? Estou disposto a renunciar, para melhor servir a Deus, às minhas comodidades atuais, aos meus projetos pessoais, aos meus afetos legítimos? Possuo coisas supérfluas, fiz gastos desnecessários ou me deixo levar pela ânsia do comodismo? Faço o possível para viver os momentos de repouso e de férias na presença de Deus, recordando que sou sacerdote sempre e em todo lugar, também nestes momentos?

10. « Escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revel aste aos pequenos » (Mt. 11,25) Existem em minha vida pecados de soberba: dificuldades interiores, suscetibilidade, irritação, resistência a perdoar, tendência ao desencorajamento, etc.? Peço a Deus a virtude da humildade? 


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Profissão de Fé - Concílio de Trento

994. Eu N. creio firmemente e confesso tudo o que contém o Símbolo da fé usado pela Santa Igreja Romana, a saber: Creio em um só Deus, Pai Onipotente, [etc. como no n° 782].

995. Aceito e abraço firmemente as tradições apostólicas e eclesiásticas, bem como as demais observâncias e constituições da mesma Igreja. Admito também a Sagrada Escritura naquele sentido em que é interpretada pela Santa Madre Igreja, a quem pertence julgar sobre o verdadeiro sentido e interpretação das Sagradas Escrituras. E jamais aceitá-la-ei e interpretá-la-ei senão conforme o consenso unânime dos Padres.

996. Confesso também que são sete os verdadeiros e próprios sacramentos da Nova Lei, instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo, embora nem todos para cada um necessários, porém para a salvação do género humano. São eles: Baptismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Extrema-Unção, Ordem e Matrimónio, os quais conferem a graça; mas não sem sacrilégio se fará a reiteração do Baptismo, da Confirmação e da Ordem. Da mesma forma aceito e admito os ritos da Igreja Católica recebidos e aprovados para a administração solene de todos os supracitados sacramentos. Abraço e recebo tudo o que foi definido e declarado no Concílio Tridentino sobre o pecado original e a justificação.

997. Confesso outrossim que na Missa se oferece a Deus um sacrifício verdadeiro, próprio e propiciatório pelos vivos e defuntos, e que no santo sacramento da Eucaristia estão verdadeira, real e substancialmente o Corpo e o Sangue com a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, operando-se a conversão de toda a substância do pão no corpo, e de toda a substância do vinho no sangue; conversão esta chamada pela Igreja de transubstanciação. Confesso também que sob uma só espécie se recebe o Cristo todo inteiro e como verdadeiro sacramento.

998. Sustento sempre que há um purgatório, e que as almas aí retidas podem ser socorridas pelos sufrágios dos fiéis; que os Santos, que reinam com Cristo, também devem ser invocados; que eles oferecem suas orações por nós, e que suas relíquias devem ser veneradas. Firmemente declaro que se devem ter e conservar as imagens de Cristo, da sempre Virgem Mãe de Deus, como também as dos outros Santos, e a eles se deve honra e veneração. Sustento que o poder de conceder indulgências foi deixado por Cristo à Igreja, e que o seu uso é muito salutar para os fiéis cristãos.

999. Reconheço a Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana, como Mestra e Mãe de todas as Igrejas. Prometo e Juro prestar verdadeira obediência ao Romano Pontífice, Sucessor de S. Pedro, príncipe dos Apóstolos e Vigário de Jesus Cristo.

1000. Da mesma forma aceito e confesso indubitavelmente tudo o mais que foi determinado, definido e declarado pelos sagrados cânones, pelos Concílios Ecuménicos, especialmente pelo santo Concílio Tridentino (e pelo Concílio Ecuménico do Vaticano, principalmente no que se refere ao Primado do Romano Pontífice e ao Magistério infalível). Condeno ao mesmo tempo, rejeito e anatematizo as doutrinas contrárias e todas as heresias condenadas, rejeitadas e anatematizadas pela Igreja. Eu mesmo, N., prometo e juro com o auxílio de Deus conservar e professar íntegra e imaculada até ao fim de minha vida esta verdadeira fé católica, fora da qual não pode haver salvação, e que agora livremente professo. E quanto em mim estiver, cuidarei que seja mantida, ensinada e pregada a meus súditos ou àqueles, cujo cuidado por ofício me foi confiado. Que para isto me ajudem Deus e estes santos Evangelhos!


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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Sou peregrino



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Sobre a santa virgindade - Santo Agostinho

As que se consagram inteiramente ao Senhor não devem afligir-se pelo facto de, guardando a sua virgindade como Maria, não se poderem tornar mães segundo a carne. [...] Aquele que é o fruto de uma única Virgem santa é a glória e a honra de todas as outras santas virgens, pois, tal como Maria, elas são mães de Cristo, se fizerem a vontade de Seu Pai. A glória e a felicidade de Maria como Mãe de Cristo brilha sobretudo nas palavras do Senhor: «Aquele que fizer a vontade de Deus, esse é que é Meu irmão, Minha irmã e Minha mãe.» Ele indica assim a paternidade espiritual que O liga ao povo que resgatou. Os Seus irmãos e irmãs são os santos homens e as santas mulheres que são co-herdeiros com Ele da Sua herança celeste (cf Rm 8,17).

Sua mãe é a totalidade da Igreja, pois é ela que, pela graça de Deus, dá à luz os membros de Cristo, isto é, àqueles que Lhe são fiéis. Sua mãe é ainda toda a alma santa que faz a vontade de Seu Pai e onde a caridade fecunda se manifesta naqueles que dá à luz por Ele, «até que Cristo Se forme entre vós» (Gl 4,19). 

Entre todas as mulheres, Maria é a única que é ao mesmo tempo virgem e mãe, não apenas pelo espírito, mas também com o corpo. Ela é Mãe segundo o espírito [...] dos membros de Cristo, isto é, de nós próprios, porque cooperou com a sua caridade para dar à luz, na Igreja, os fiéis, que são os membros desse Chefe divino, nossa cabeça (cf Ef 4,15-16), de Quem Ela é verdadeiramente Mãe segundo a carne. Era preciso, com efeito, que o nosso Chefe nascesse segundo a carne duma virgem, para nos ensinar que os Seus membros deveriam nascer, segundo o espírito, doutra virgem, que é a Igreja. Maria é, assim, a única que é Mãe e Virgem ao mesmo tempo, tanto no corpo como no espírito. Mas também a totalidade da Igreja, nos seus santos que deverão possuir o Reino de Deus, é, segundo o espírito, mãe de Cristo e virgem de Cristo.


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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Sereno no meio das preocupações - S. Josemaria Escrivá

Se, por teres o olhar fixo em Deus, souberes manter-te sereno no meio das preocupações; se aprenderes a esquecer as ninharias, os rancores e as invejas; pouparás muitas energias, que te fazem falta para trabalhar com eficácia, em serviço dos homens. (Sulco, 856). 

Luta contra as asperezas do teu carácter, contra os teus egoísmos, contra o teu comodismo, contra as tuas antipatias... Além de que temos de ser corredentores, o prémio que receberás (pensa bem nisso!) estará em relação directíssima com a sementeira que tiveres feito. (Sulco, 863). 

Tarefa do cristão: afogar o mal em abundância de bem. Nada de fazer campanhas negativas, nem de ser anti-nada. Pelo contrário: viver de afirmação, cheios de optimismo, com juventude, alegria e paz; olhar para todos com compreensão: os que seguem Cristo e os que O abandonam ou não O conhecem. Compreensão, porém, não significa abstencionismo, nem indiferença, mas actividade. (Sulco, 864)


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Hoje é dia do evangelista São Marcos




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Há Famílias em Lisboa que passam fome

A Associação Emergência Social fica no Lumiar, e presta auxílio in loco. Têm tido pedidos de básicos de cerca de 23 Famílias. É na Rua do Lumiar, nº78. Há crianças que não tomam o pequeno almoço nem jantam, simplesmente porque NÃO HÁ COMIDA. Coisas simples, como o açúcar ou o leite e que todos temos em casa, e essenciais por serem, por vezes, a única fonte de nutrientes destas famílias. Aqui está a lista de alimentos necessários: 

Leite, Arroz, Massas, Azeite, Atum, Salsichas, Grão, Bolachas, Açucar, Farinha, Detergente para a roupa, Gel de bahno, Champô, Bolachas maria, Papas, Carne (faz muita falta)


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terça-feira, 24 de abril de 2012

Sétimo aniversário da primeira Missa do Papa



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Há 7 anos os Senzas estiveram na primeira Missa do Papa Bento XVI




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Uma campanha de bullying homossexual? - Pe.Gonçalo Portocarrero

«Ela é lésbica e estamos bem com isso» – lê-se num cartaz profusamente difundido nas escolas oficiais, a par de outro análogo, a favor dos «gays». Em ambos, consta também uma séria advertência contra o «bullying homofóbico», expressão que peca, entre outros males de maior monta, pelo uso de uma palavra estrangeira que podia e devia ter sido traduzida, se a tanto chegasse o engenho e a arte dos actuais educadores oficiais da mocidade portuguesa.
Os adolescentes exibidos nos dois cartazes, três em cada, mostram-se sorridentes e bem-dispostos, com a maior naturalidade. Não em vão: deste jeito, insinua-se que a lésbica ou o «gay» do trio não se diferenciam dos seus colegas. Mas, se são como os outros, porquê chamar a atenção para a diferença? E, se não são iguais, porquê aparentar que o são?

Uma coisa é um louvável projecto de inclusão de todas as minorias étnicas, religiosas, culturais, etc. Mas outra, muito diferente, é a apologia de certos comportamentos. Ou seja, é bom que todas as pessoas da escola sejam acolhidas com respeito pela sua diversidade e comum dignidade, mas legitimar as suas opções morais já não decorre da obrigação ética do respeito mútuo.

Esta campanha, de facto, visa a homossexualidade e não as pessoas que têm essa tendência ou que fizeram essa opção e que, como é óbvio, são dignas de todo o respeito. Se fosse este o caso, dir-se-ia: «ela é lésbica», ou «ele é gay», e nós «estamos bem com ela», ou «com ele». Mas os seus colegas não estão bem com ele ou com ela, mas com «isso» que os distingue e que, por esta via, se pretende legitimar.

Se se dissesse, por absurda hipótese, «ele é toxicodependente e estamos bem com isso», é evidente que a mensagem seria de aprovação do consumo de drogas, e não de consideração pelas pessoas que usam estupefacientes. É óbvio, portanto, que as entidades que promovem esta campanha publicitária perseguem um claro propósito: incentivar, entre os adolescentes, a homossexualidade, sob a aparência de uma normalidade que, aliás, a ciência não confirma.

Por isso, é inquietante a conclusão autoritária que, depois, se impõe: «o bullying homofóbico não é aceitável na nossa escola». Primeiro, pelo tom intimidatório da afirmação, sem qualquer respeito por quem pensa e age de outro modo. Depois, porque contradiz o permissivismo de que se faz gala, a não ser que se entenda que ser publicamente homossexual é virtuoso, mas ser contra, mesmo respeitando as pessoas em causa, é ser homofóbico e, portanto, punível com a irradiação escolar. Mas um tal procedimento não é, afinal, «bullying» homossexual?!

A campanha em curso pretende ser uma iniciativa da «nossa escola». Mas, se a escola é nossa, porque razão os pais, os professores e os alunos não foram ouvidos? Se a escola é nossa, porque financiada pelo erário público, porque motivo aposta em interesses ideológicos claramente minoritários?

De facto, este esbanjamento dos dinheiros do Estado, este relativismo moral, esta rejeição liminar dos princípios éticos naturais e de todas as religiões que, como a cristã, os afirmam, não são nossos, mas apenas dos responsáveis por esta campanha, a qual, por tudo isto e o que fica por dizer, «não é aceitável na nossa escola».


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segunda-feira, 23 de abril de 2012

A civilização da imagem - Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Num certo país, existia um quartel militar perto de uma aldeia. No meio do pátio desse quartel estava um banco de madeira. Era um banco simples, branco e sem nada de especial. E junto desse banco estava um soldado de guarda. Fazia guarda de dia e de noite. Ninguém no quartel sabia porque se fazia guarda junto a esse banco. Mas fazia-se. Os oficiais transmitiam a ordem e os soldados obedeciam. Ninguém duvidava. Ninguém perguntava. Era assim.

Até que um dia foi trabalhar para aquele quartel um oficial que era diferente. Tinha o mau costume de perguntar o que ninguém perguntava. Perguntou porque se fazia guarda junto a esse banco. Responderam-lhe que era algo que sempre se tinha feito assim. Era uma ordem que se cumpria há muito tempo e funcionava. Logo, não podia estar errada. O oficial pediu então para ver a ordem escrita. Foi necessária uma pesquisa profunda nos arquivos do quartel, que já estavam cheios de pó. Por fim, alguém conseguiu encontrá-la. Dezoito anos, três meses e cinco dias atrás, um coronel tinha mandado que ficasse um soldado de guarda junto a esse banco. Aí estava a ordem. O motivo, escrito em baixo com letra pequena, era que o banco estava recém-pintado e havia o perigo de alguém se sentar.

Esta história pode ajudar-nos a reflectir sobre a importância da actividade de pensar. A importância de não actuarmos com o argumento de que sempre se fez assim. Porque pensar é útil. Pensar é necessário. E pensar com calma revela-se, com frequência, algo profundamente eficaz. Algo que evita a perda de muito tempo. Quantas vezes temos a sensação de que uma coisa correu mal porque não pensámos bem antes de actuar? Porque não actuámos com ponderação? Porque nos deixámos levar pelo imediato?

Este frenesi está muito relacionado com a civilização da imagem na qual vivemos. É um facto que muitas pessoas vêem muitas imagens e lêem pouco ou quase nada. Não porque sejam analfabetas, mas porque parece mais fácil adquirir conhecimentos assim. Assusta conhecer pessoas que passam horas diante da televisão e nem consideram a possibilidade de abrir um livro. «Se uma imagem vale por mil palavras, qual é a utilidade da leitura? Se já vi o filme, para que é que vou ler o livro?».

E esta importância excessiva dada à imagem em detrimento da palavra explica em parte o pensamento débil de muitos. Porque a actividade de pensar articula-se com palavras. Palavras que chegam ao fundo do espírito, que convidam à reflexão e despertam a inteligência. Uma das características mais habituais daqueles que lêem pouco é a pobreza de vocabulário. E isso produz uma pobreza de pensamento. Uma facilidade para actuar como todos. Uma propensão para deixar-se manipular por slogans simplistas. Uma dificuldade para transmitir o próprio pensamento com palavras adequadas. E quem não sabe transmitir aquilo que pensa, o mais provável é que não pense bem.


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Há 100 anos S.Josemaria fazia a primeira comunhão



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Frase do dia

"Deveremos prestar contas detalhadas a Deus de todos os nossos minutos." 

S. Pio de Pietrelcina


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domingo, 22 de abril de 2012

Começa hoje a semana de oração pelas vocações





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Documentário sobre o Papa Bento XVI (ainda cardeal) no Vaticano



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Frase do dia

"É preciso convencermo-nos de que Deus está junto de nós continuamente. – Vivemos como se o Senhor estivesse lá longe, onde brilham as estrelas, e não consideramos que também está sempre ao nosso lado. E está como um pai amoroso – quer mais a cada um de nós do que todas as mães do mundo podem querer a seus filhos – ajudando-nos, inspirando-nos, abençoando... e perdoando." 

S. Josemaria Escrivá


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sábado, 21 de abril de 2012

Catecismo da Igreja Católica §§ 160-165

Para ser humana, «a resposta da fé, dada pelo homem a Deus, deve ser voluntária. Por conseguinte, ninguém deve ser constrangido a abraçar a fé contra vontade. Efectivamente, o acto de fé é voluntário por sua própria natureza. Isto foi evidente, no mais alto grau, em Jesus Cristo» (II Concílio do Vaticano, Dignitatis Humanae). De facto, Cristo convidou à fé e à conversão, mas de modo nenhum constrangeu alguém. Para obter a salvação é necessário acreditar em Jesus Cristo e n'Aquele que O enviou para nos salvar (Mc 16,16; Jo 3,36; 6,40).

A fé é um dom gratuito de Deus ao homem. Mas nós podemos perder este dom inestimável. Para viver, crescer e perseverar até ao fim na fé, temos de a alimentar com a Palavra de Deus; temos de pedir ao Senhor que no-la aumente (Mc 9,24; Lc 17,5; 22,32); ela deve «agir pela caridade» (Gl 5,6; Tg 2,14-26), ser sustentada pela esperança (Rm 15,13) e permanecer enraizada na fé da Igreja.

A fé faz com que saboreemos, como que de antemão, a alegria e a luz da visão beatífica, termo da nossa caminhada nesta Terra. Então veremos Deus «face a face» (1Cor 13,12), «tal como Ele é» (1Jo 3,2). A fé, portanto, é já o princípio da vida eterna. Por enquanto, porém, «caminhamos pela fé e não vemos claramente» (2Cor 5,7). Luminosa por parte d'Aquele em quem ela crê, a fé é muitas vezes vivida na obscuridade, e pode ser posta à prova. O mundo em que vivemos parece muitas vezes bem afastado daquilo que a fé nos diz: as experiências do mal e do sofrimento, das injustiças e da morte parecem contradizer a Boa-Nova. É então que nos devemos voltar para as testemunhas da fé: Abraão, que acreditou, «esperando contra toda a esperança» (Rm 4,18); a Virgem Maria, na «peregrinação da fé» (II Concílio do Vaticano, Lumen Gentium); e tantas outras testemunhas da fé: «envoltos em tamanha nuvem de testemunhas, devemos desembaraçar-nos de todo o fardo e do pecado que nos cerca e correr com constância o risco que nos é proposto, fixando os olhos no guia da nossa fé, Jesus, O qual a leva à perfeição» (Hb 12,1-2).


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Idosos fogem da Holanda com medo da eutanásia

Asilo na Alemanha converte-se em abrigo para idosos que fogem da Holanda com medo de serem vítimas de eutanásia a pedido da família. São quatro mil casos de eutanásia por ano, sendo um quarto sem aprovação do paciente.

O novo asilo na cidade alemã de Bocholt, perto da fronteira com a Holanda, foi ao encontro do desejo de muitos holandeses temerosos de que a própria família autorize a antecipação de sua morte. Eles se sentem seguros na Alemanha, onde a eutanásia tornou-se tabu depois que os nazistas a praticaram em larga escala, na Segunda Guerra Mundial, contra deficientes físicos e mentais e outras pessoas que consideravam indignas de viver.

A Holanda, que foi ocupada pelas tropas nazistas, ao contrário, é pioneira em medidas liberais inimagináveis na maior parte do mundo, como a legalização de drogas, prostituição, aborto e eutanásia. O povo holandês foi o primeiro a ter o direito a morte abreviada e assistida por médicos. Mas o medo da eutanásia é grande entre muitos holandeses idosos.

Estudo justifica temores – Uma análise feita pela Universidade de Göttingen de sete mil casos de eutanásia praticados na Holanda justifica o medo de idosos de terem a sua vida abreviada a pedido de familiares. Em 41% destes casos, o desejo de antecipar a morte do paciente foi da sua família. 14% das vítimas eram totalmente conscientes e capacitados até para responder por eventuais crimes na Justiça.

Os médicos justificaram como motivo principal de 60% dos casos de morte antecipada a falta de perspectiva de melhora dos pacientes, vindo em segundo lugar a incapacidade dos familiares de lidar com a situação (32%). A eutanásia ativa é a causa da morte de quatro mil pessoas por ano na Holanda.

Margem para interpretação fatal – A liberalidade da lei holandesa deixa os médicos de mãos livres para praticar a eutanásia de acordo com a sua própria interpretação do texto legal, na opinião de Eugen Brysch, presidente do Movimento Alemão Hospice, que é voltado para assistência a pacientes em fase terminal, sem possibilidades terapêuticas. Para Brysch soa clara a regra pela qual um paciente só pode ser morto com ajuda médica se o seu sofrimento for insuportável e não existir tratamento para o seu caso. Mas na realidade, segundo ele, esta cláusula dá margem a uma interpretação mais liberal da lei.

Uma conseqüência imediata das interpretações permitidas foi uma grande perda de confiança de idosos da Holanda na medicina nacional. Por isso, eles procuram com maior freqüência médicos alemães, segundo Inge Kunz, da associação alemã Omega, que também é voltada para assistência a pacientes terminais e suas respectivas famílias.

A lei determina que a eutanásia só pode ser permitida por uma comissão constituída por um jurista, um especialista em ética e um médico. Na falta de um tratamento para melhorar a situação do paciente, o médico é obrigado a pedir a opinião de um colega. Mas na prática a realidade é outra, segundo os críticos da eutanásia e o resultado da análise que a Universidade de Göttingen fez de sete mil casos de morte assistida na Holanda.
in http://www.dw.de/dw/article/0,,1050812_page_0,00.html


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Frase do dia

"Faça sempre o bem. Assim dirão: 'Este é um cristão!' " 

S. Pio de Pietrelcina


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sexta-feira, 20 de abril de 2012

A inveja: uma blasfémia contra o Espírito - Santo Isaac da Estrela

"É pelo chefe dos demónios que expulsa os demónios" [...]. O que é próprio das pessoas maldizentes e animadas pela inveja é fechar, tanto quanto possível, os olhos aos méritos de outrem; e quando, vencidos pelas evidências, já não o conseguem fazer, depreciá-los e desvirtuá-los. Assim, quando a multidão exulta de devoção e se maravilha com as obras de Cristo, os escribas e os fariseus, ou fecham os olhos ao que sabem ser verdade, ou rebaixam o que é grande, ou desvirtuam o que é bom. Uma vez, por exemplo, fingindo-se ignorantes, disseram Àquele que tinha feito tantos sinais maravilhosos: "Que sinal realizas Tu, pois, para nós vermos e crermos em ti?" (Jo 6,30). Aqui, não podendo negar os factos com cinismo, depreciam-nos maldosamente [...] e desvalorizam-nos dizendo: "Ele tem Belzebu! [...] É pelo chefe dos demónios que expulsa os demónios".

Eis, queridos irmãos, a blasfémia contra o Espírito, que prende aqueles que envolveu nas cadeias dum pecado eterno. Não é que seja de todo impossível ao penitente receber o perdão de tudo, se produzir "frutos de sincero arrependimento" (Lc 3,8). Só que, esmagado por um tal peso de malícia, ele não tem força para aspirar a essa honrosa penitência merecedora de perdão. [...] Aquele que, vendo à evidência no seu irmão a graça e a obra do Espírito Santo [...], não teme desvirtuar e caluniar, e atribuir insolentemente aos maus espíritos o que sabe pertinentemente ser do Espírito Santo, esse está de tal modo abandonado por esse Espírito de graça, que já não quer a penitência que lhe traria o perdão. Está completamente obscurecido, cego pela sua própria malícia. Com efeito, que poderá haver de mais grave do que ousar, por inveja para com um irmão a quem tínhamos recebido ordem de amar como a nós próprios (cf. Mt 19,19), blasfemar contra a bondade de Deus [...] e insultar a Sua majestade, querendo desacreditar um homem?


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"Penso muito na morte. Tenho medo" - Odete Santos

CM – Está reformada. No entanto, foi-se abaixo...
Odete Santos - Sim, tive uma série de doenças que, para mim, tiveram origem nervosa. Eu que não queria ir-me abaixo e dizia que não ia… Agora é que já estou a superar isso tudo. E penso muito na morte. Tenho um medo da morte…

- Desde sempre?
- Sim. Eu tenho muito medo da morte.

- Se fosse católica, era mais fácil?
- Era. Eu tive uma educação católica, mas não sou. Não acredito, sinceramente, na existência de outra vida. Daí o medo que eu tenho, porque, para as pessoas que são católicas, pensar que vão para junto de Nosso Senhor é diferente. Mas eu não acredito em nada disso. Não fiz funeral religioso ao meu filho, apenas à minha mãe, porque ela, sim, era católica.

- Foi o seu pai que a ajudou a superar a morte do seu filho?
- Ele é que me dizia para sair, passear… O meu pai tinha uma resistência de beirão muito grande. E foi ele que me ajudou a superar isso tudo.

- A Odete teve dois filhos, o Rui José e o Mário Miguel.
- O Mário Miguel foi o que morreu num acidente de moto. Tinha 15 anos. Uma vez pediu-me a chorar para eu lhe comprar uma moto mas eu não cedi. E ele construiu uma com peças usadas e guardava-a em casa de um amigo. Foi uma tragédia. A dor fica cá dentro, assim num cantinho. E hoje já consigo falar do assunto com alguma naturalidade.

- E a morte do seu pai deixou-a órfã em todos os sentidos?
- A morte dele foi terrível. Ele era o meu amparo.

- Era o seu companheiro?
- Era. Mas é assim, "tudo o que começa acaba", diz o Engels na ‘Dialéctica da Natureza’.

- É esse fim que a assusta?
- É. E depois comecei a pensar na morte… Agora já não penso. Deito-me e durmo bem. Já nem me lembro de sonhar, e eu tinha sonhos terríveis, que caía num poço...


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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Frase do dia

"Amados irmãos e irmãs, depois do grande Papa João Paulo II, os Senhores Cardeais elegeram-me, simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor. Consola-me saber que o Senhor sabe trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes. E, sobretudo, recomendo-me às vossas orações. Na alegria do Senhor Ressuscitado, confiantes na sua ajuda permanente, vamos em frente. O Senhor ajudar-nos-á. Maria, sua Mãe Santíssima, está connosco. Obrigado!" 

Papa Bento XVI, primeiras palavras depois de ter sido eleito (19/04/2005)


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Faz hoje 7 anos que o Papa foi eleito e eu estava lá!




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terça-feira, 17 de abril de 2012

Nenhuma Colaboração com o Mal - Randall Smith

Há um ensinamento da Igreja Católica que tem sido mal citado recentemente. Trata-se da distinção entre cooperação “formal” e “material” com o mal. Alguns comentadores têm insistido vivamente em tentar convencer os católicos de que o decreto da Health and Human Services [que obriga todas as organizações, incluindo as religiosas, a fornecer aos seus funcionários seguros de saúde que cobrem serviços contraceptivos e abortivos] não levanta problemas morais porque financiar serviços contraceptivos é apenas uma cooperação “material” num mal e, segundo eles, a cooperação material não é problemática.

Nessa linha David Gibson, da Religion News Service, escreveu no USA Today a criticar os bispos pela sua continuada oposição ao decreto da HHS. “Isto é teologia moral básica”, afirma um teólogo, e “acho que os bispos e os seus consultores não pensaram muito bem os valores todos que estão em jogo”, diz outro.

Ambos falaram “sob condição de anonimato”, explica Gibson, “com medo de enfurecer a hierarquia num tema tão sensível”, porque como sabemos os teólogos morais dissidentes são pessoas muito acanhadas. O artigo chama-se “Objecção à contracepção chumba no raciocínio moral católico”.

Será verdade?

No que toca a “Teologia Moral Básica”, sobretudo no campo de cuidados de saúde, não há melhor fonte que o texto padrão “The Ethics of Health Care” (3ª Edição), pelos padres Benedict Ashley e Kevin O’Rourke, O.P. Eis o que eles dizem, para que fique claro:

Às vezes as pessoas cooperam com alguém que pratica um acto mau, aprovando o que ela faz ou, voluntariamente e com conhecimento participam do acto... Isto é cooperação formal num acto antiético e é sempre errado. Por outro lado, posso cooperar com alguém não porque aprovo ou coopero livremente, mas porque sou obrigado a isso... quando há coacção em jogo a cooperação é conhecida como material e pode ser de dois graus. Se o acto de cooperação for essencial para desempenhar o acto mau, então é cooperação material imediata. Se for uma cooperação acidental ou não essencial para o acto em si, então é cooperação material mediata.

Por exemplo, se uma pessoa trabalha numa clínica de aborto unicamente porque precisa de um emprego para sustentar a família, isso é cooperação material. Mas o grau de cooperação material depende da forma como se coopera com a pessoa responsável pelo mau acto. Se for o operador do aspirador que aborta os fetos, então é algo essencial para o acto mau que é o aborto, logo é cooperação material imediata. Este tipo de cooperação com o mal não é ético, mesmo que haja coacção.

Contudo, se o trabalho consistir em cuidar das mulheres depois de terem abortado, ou cortar a relva da clínica, então não se está a contribuir de forma essencial para o acto do aborto em si e isso seria um acto de cooperação material mediata. Por fim, a possibilidade de causar escândalo pode proibir mesmo actos de cooperação material mediata, uma vez que mesmo que o objecto moral do acto seja bom, pode conduzir outros a pecar.

Percebem a ideia? Mesmo a cooperação material mediata é de se evitar. Não há aqui nenhuma safa para uma consciência verdadeira.

Perguntei uma vez ao vice-presidente de uma grande farmacêutica, um bom católico e chefe de família, se alguma vez tinha enfrentado dilemas morais graves no seu trabalho. “Bom, havia uma bomba”, respondeu, “que podia ser usada para muitas coisas, mas toda a gente sabia que era principalmente usada para fazer abortos. Era uma coisa que me preocupava muito”.

“E então o que é que fizeste?”, perguntei. “Uma colega minha organizou um grupo de oração”, que se encontrava com regularidade para, como ele me disse, “rezar para que a bomba desaparecesse”. E a verdade é que o FDA [Federal Drug Administration] acabou por alterar as especificações da bomba e a empresa decidiu que era demasiado caro alterar as máquinas e por isso deixaram de a fabricar. Por vezes a solução mais prática é mesmo rezar.

Mas há outra história sobre essa bomba. Acontece que sempre que a linha de produção se avariava, levava muito mais tempo do que era habitual para arranjar. Por isso o patrão do meu amigo pediu-lhe para ir até à fábrica descobrir porquê. Quando ele perguntou ao gerente da fábrica este respondeu, um bocado envergonhado: “Ah, pois. Essa bomba! O meu chefe de manutenção é católico. Ele sabe para que é que a bomba é usada e recusa-se a trabalhar nela.” E não o fazia.

Reparem que o chefe de manutenção poderia ter escolhido considerar que o seu trabalho de reparação era meramente uma “cooperação material com o mal”, e assim passar ao lado da responsabilidade. Mas não o fez. Ele estava disposto a ser despedido mas, estranhamente, não foi. O gerente da fábrica não o despediu – podemos assumir que ele já tinha uma boa dose de credibilidade em termos de honestidade, decência e trabalho bem feito. O vice-presidente católico que me contou a história não insistiu no assunto e o presidente a quem reportou deve ter reclamado mas, por alguma razão, também deixou passar. Eventualmente Deus interveio e fez com que a bomba desaparecesse.

As coisas poderiam ter sido diferentes, claro. O homem da manutenção estava a colocar muita coisa em risco: o seu rendimento, dinheiro para a sua família, a sua reputação. Sempre considerei a sua coragem uma fonte de humildade.

Mas lembremo-nos que, durante o holocausto, um homem operava os comboios, outro abria as portas e outro mandava entrar os prisioneiros, de modo que nenhum deles se tinha de responsabilizar pelo mal que estava a ser feito. Aqueles que quiserem violar a sua consciência procurarão primeiro desinformá-la e depois calar a sua voz.

É bom que comecemos a pensar no tipo de sacrifícios que vamos ter de fazer nos próximos anos. Depois talvez devêssemos duplicar essa estimativa e rezar pela graça de nos mantermos fiéis quando chegar a hora.


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Usar bem a liberdade – Pe. Rodrigo Lynce de Faria

«Não sei se isto está bem ou está mal. Sinceramente, quero lá saber! O que eu sei é que gosto disto. E também sei que sou livre. Ninguém — nem Deus — me pode impedir de fazer aquilo que me apetece. Ninguém me pode impedir de ser feliz. Aqueles que insistem na existência do bem e do mal, lá no fundo, pretendem impedir-nos de sermos felizes. Porquê? Porque são uns infelizes. São uns frustrados. Nunca fizeram o que lhes apetecia na sua vida. Sempre cumpriram — religiosamente — o seu dever. E esse seu dever asfixiou-os, murchou-os e impediu-os de aproveitarem a existência».

Todos já ouvimos algum raciocínio deste tipo. É um modo de pensar que se encontra em muitas pessoas ao nosso redor — sobretudo, nos jovens. No entanto, não é um modo de pensar exclusivo dos nossos dias. Sempre esteve presente, na História da Humanidade, o equívoco de confundir a liberdade com fazer aquilo que nos apetece. É um equívoco relativamente comum, mas isso não significa que não seja, ao mesmo tempo, um erro crasso com funestas consequências para a vida de uma pessoa. Consequências que — muitas vezes — só se descobrem tarde demais.

Não é à toa que alguém disse — e com razão — que a educação consiste sobretudo em ensinar a usar bem a liberdade. É que nós, quer queiramos quer não, estamos obrigados a ser livres. Estamos obrigados a escolher um caminho concreto a percorrer nesta vida, entre as variadas bifurcações que se nos apresentam todos os dias. No entanto, temos de ter atenção a um “pequeno” detalhe da liberdade que nos pode passar despercebido: estamos obrigados a escolher mas não estamos obrigados a acertar.

Com o mesmo dom da liberdade podemos construir a nossa vida ou destruí-la. Podemos desenvolver-nos ou degradar-nos. Podemos realizar o bem ou deixar-nos arrastar pelo mal. Podemos chegar à felicidade eterna ou perdê-la para sempre. Sermos livres não é — sem dúvida nenhuma — uma brincadeira com consequências inócuas. A liberdade não nos foi concedida para fazermos o que nos apetece, mas para fazermos aquilo que nos convém. A isso chamamos “bem”. Ao que não nos convém, chamamos “mal”.

E se — com esperteza saloia — chamarmos ao “mal” “bem” porque nos apetece fazê-lo? Nesse caso, deformamos a nossa visão da realidade. No entanto, a realidade — a verdade das coisas — não se deforma. O tempo acabará por dar razão à realidade — não à nossa deformação mental. Não é por fecharmos os olhos à realidade que ela desaparece ou deixa de ser aquilo que é.

Pois bem: para fazer o bem com constância — e não só quando nos apetece — temos de possuir uma autêntica força de vontade. A força de vontade liberta-nos das cadeias da nossa própria debilidade — das cadeias dos nossos apetites sensíveis. Torna-nos mais livres porque a liberdade exige um senhorio sobre nós mesmos. Quem não consegue dominar-se a si mesmo nunca poderá ser verdadeiramente livre. Será sempre escravo dos seus gostos e dos seus caprichos.


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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Frase do dia

"Estou na parte final do caminho da minha vida e não sei o que vem adiante. Eu sei, no entanto, que a luz de Deus está la e que a Sua luz é mais forte do que qualquer escuridão." 

Papa Bento XVI, no dia em que faz 85 anos


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Papa Bento XVI faz hoje 85 anos




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domingo, 15 de abril de 2012

O Senhor quer-nos contentes! - S. Josemaria Escrivá

Habitua-te a falar cordialmente de tudo e de todos; em especial dos que trabalham ao serviço de Deus. E, quando isso não for possível, cala-te! Os simples comentários bruscos ou descuidados também podem raiar a murmuração ou a difamação. (Sulco, 902)

Torna a olhar de novo para a tua vida e pede perdão por esse pormenor e aquele outro que saltam imediatamente aos olhos da tua consciência; pelo mau uso que fazes da língua; por esses pensamentos que giram continuamente à volta de ti mesmo; por esse juízo crítico consentido que te preocupa tontamente, causando-te uma contínua inquietação e pesadelo... Podeis ser muito felizes! O Senhor quer-nos contentes, ébrios de alegria, andando pelos mesmos caminhos de felicidade que Ele percorreu! Só nos sentimos desgraçados quando nos empenhamos em sair do caminho e em meter por esse atalho do egoísmo e da sensualidade; e muito pior ainda se entramos no dos hipócritas.

O cristão tem de manifestar-se autêntico, veraz, sincero em todas as suas obras. Na sua conduta deve transparecer um espírito: o de Cristo. Se alguém tem neste mundo a obrigação de mostrar-se consequente, é o cristão, porque recebeu em depósito, para fazer frutificar esse dom, a verdade que liberta e salva. Padre, perguntar-me-eis, e como conseguirei essa sinceridade de vida? Jesus Cristo entregou à sua Igreja todos os meios necessários: ensinou-nos a rezar, a conviver com o Seu Pai Celestial; enviou-nos o Seu Espírito, o Grande Desconhecido, que actua na nossa alma; deixou-nos esses sinais visíveis da graça que são os sacramentos. Usa-os. Intensifica a tua vida de piedade. Faz oração todos os dias. E não afastes nunca os teus ombros do peso gostoso da Cruz do Senhor.

Foi Jesus quem te convidou a segui-lo como bom discípulo, com o fim de realizares a tua passagem pela terra semeando a paz e a alegria que o mundo não pode dar. Para isso – insisto – tens de andar sem medo à vida e sem medo à morte, sem fugir a todo o custo da dor que, para o cristão, é sempre um meio de purificação e ocasião de amar verdadeiramente os seus irmãos, aproveitando as mil circunstâncias da vida ordinária. (Amigos de Deus, 141)


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sábado, 14 de abril de 2012

Visite os lugares mais marcantes do catolicismo sem sair de casa



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Frase do dia

"Jesus ressuscita do sepulcro. A vida é mais forte que a morte. O bem é mais forte que o mal. O amor é mais forte que o ódio. A verdade é mais forte que a mentira. A escuridão dos dias anteriores dissipou-se no momento em que Jesus ressuscita do sepulcro e Se torna, Ele mesmo, pura luz de Deus. Isto, porém, não se refere somente a Ele, nem se refere apenas à escuridão daqueles dias. Com a ressurreição de Jesus, a própria luz é novamente criada. Ele atrai-nos a todos, levando-nos atrás de Si para a nova vida da ressurreição e vence toda a forma de escuridão. Ele é o novo dia de Deus, que vale para todos nós." 

Papa Bento XVI


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sexta-feira, 13 de abril de 2012

É só querer mudar




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As características da fé - Catecismo da Igreja Católica, §§ 156-159

A fé e a inteligência: O motivo de crer não é o facto de as verdades reveladas aparecerem como verdadeiras e inteligíveis à luz da nossa razão natural. Nós cremos «por causa da autoridade do próprio Deus revelador, que não pode enganar-se nem enganar-nos». «Contudo, para que a homenagem da nossa fé fosse conforme à razão, Deus quis que os auxílios interiores do Espírito Santo fossem acompanhados de provas exteriores da Sua Revelação» (Vaticano I). Assim, os milagres de Cristo e dos santos, as profecias, a propagação e a santidade da Igreja, a sua fecundidade e estabilidade «são sinais certos da Revelação, adaptados à inteligência de todos», «motivos de credibilidade», mostrando que o assentimento da fé não é, «de modo algum, um movimento cego do espírito» (Vaticano I).

A fé é certa, mais certa que qualquer conhecimento humano, porque se funda na própria Palavra de Deus, que não pode mentir. Sem dúvida que as verdades reveladas podem parecer obscuras à razão e à experiência humanas; mas «a certeza dada pela luz divina é maior do que a dada pela luz da razão natural» (S. Tomás de Aquino) «Dez mil dificuldades não fazem uma só dúvida» (Bem-aventurado J.H. Newman). «A fé procura compreender» (Santo Anselmo): é inerente à fé o desejo do crente de conhecer melhor Aquele em quem acreditou, e de compreender melhor o que Ele revelou. [...]

Fé e ciência: «Muito embora a fé esteja acima da razão, nunca pode haver verdadeiro desacordo entre ambas: o mesmo Deus, que revela os mistérios e comunica a fé, também acendeu no espírito humano a luz da razão. E Deus não pode negar-Se a Si próprio, nem a verdade pode jamais contradizer a verdade» (Vaticano I) «É por isso que a busca metódica, em todos os domínios do saber, se for conduzida de modo verdadeiramente científico e segundo as normas da moral, jamais estará em oposição à fé: as realidades profanas e as da fé encontram a sua origem num só e mesmo Deus. Mais ainda: aquele que se esforça, com perseverança e humildade, por penetrar no segredo das coisas, é como que conduzido pela mão de Deus, que sustenta todos os seres e faz que eles sejam o que são, mesmo que não tenha consciência disso» (Vaticano II).


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quinta-feira, 12 de abril de 2012

A nona bem-aventurança - João César das Neves

Um dos fenómenos mais espantosos da história da humanidade é o ataque à Igreja. Esse processo, tão aceso estes dias, é sempre muito curioso.

Primeiro pela duração e persistência. Há 2000 anos que os discípulos de Cristo são perseguidos, como o próprio Jesus profetizou. E cada ataque, uma vez começado, permanece. A Igreja é a única instituição a que se assacam responsabilidades pelo acontecido há 100, 500 ou 1500 anos. Os cristãos actuais são criticados pela Inquisição do século XVII, missionação ultramarina desde o século XV, cruzadas dos séculos XI-XIII, até pela política do século V (no recente filme Ágora, de Alejandro Amenábar, 2009).

Depois, como notou G. K. Chesterton em 1908, o cristianismo foi atacado "por todos os lados e com todos os argumentos , por mais que esses argumentos se opusessem entre si" (Orthodoxy, c. VI). Vemos criticar a Igreja por ser tímida e sanguinária, pessimista e ingénua, laxista e fanática, ascética e luxuosa, contra o sexo e a favor da procriação, etc. Mas o mais espantoso é que os ataques conseguem convencer-nos daquilo que é o oposto da evidência mais esmagadora.

Os iluministas provaram-nos que a religião cristã é a principal inimiga da ciência; supersticiosa, obscurantista, persecutória do estudo e investigação rigorosos. A evidência histórica mostra o inverso. A dívida intelectual da humanidade à Igreja é enorme. Devemos a multidões de monges copistas a preservação da sabedoria clássica. Quase tudo o que sabemos da Antiguidade pagã veio dos mosteiros. Foi a Igreja que criou as primeiras universidades e o debate académico moderno. Eram cristãos devotos os grandes pioneiros da ciência, como Kepler, Pascal, Newton, Leibniz, Bayes, Euler, Cauchy, Mendel, Pasteur, etc. Até o caso de Galileu, sempre citado e distorcido, mostra o oposto do que dizem.

Depois, os jacobinos asseguraram-nos que a Igreja é culpada de terríveis perseguições religiosas, étnicas e sociais, destruição cultural de múltiplos povos, amiga de fogueiras e câmaras de tortura, chacinas, saques e genocídios. No entanto, a evidência de 2000 anos de história real de cristãos concretos é de caridade, mediação, pacifismo. Tudo o que o nosso tempo sabe de direitos humanos, diplomacia, cooperação e tolerância foi bebê-lo a autores cristãos.

A seguir, os marxistas vieram atacar a Igreja por ser contra os proletários e a favor dos ricos. Quando é evidente o cuidado permanente, multissecular e pluricultural dos cristãos pelos pobres e infelizes, e as maravilhas sociais da solidariedade católica no apoio aos desfavorecidos.

Vivemos hoje talvez o caso mais aberrante: a Igreja é condenada por... pedofilia. A queixa é de desregramento sexual, deboche, perversão. Mas a evidência histórica mostra que nenhuma outra entidade fez mais pelo equilíbrio da sexualidade e a moralização da vida pessoal da humanidade. Mais uma vez, o ataque nasce do oposto da verdade.

Serão as acusações contra a Igreja falsas? Elas partem sempre de um núcleo verdadeiro. Houve cristãos obscurantistas, persecutórios, cruéis, injustos, luxuosos, como hoje há padres pedófilos. Aliás, em 2000 anos de história, e agora com mais de mil milhões de fiéis, tem de haver de tudo. A distorção está na generalização ao todo de casos particulares aberrantes. Não sendo tão má quanto o mito, a Inquisição foi péssima. Mas a Inquisição não representa a Igreja e a própria Igreja da época a condenou. Os críticos nunca combatem os erros, sempre a instituição. Hoje não se ataca a pedofilia na Igreja, mas a Igreja pedófila.

A razão do paradoxo é clara. Cada época projecta na Igreja os seus próprios fantasmas. Ninguém atropelou mais o rigor científico que os iluministas. Ninguém foi mais sangrento que os jacobinos. Ninguém gerou maior pobreza que os marxistas. Ninguém tem mais desregramento sexual que o nosso tempo.

O ataque à Igreja é uma constante histórica. A História muda. A Igreja permanece. Porque ela é Cristo. Dela é a nona bem-aventurança: "Bem-aventurados sereis quando vos insultarem e perseguirem" (Mt 5, 11).


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Frase do dia

"Devemos rezar. É uma mendicância, não é uma força, mas a extrema fraqueza, a expressão extrema da consciência da fraqueza que existe em nós. A consciência da nossa fraqueza se torna mendicância. A mendicância é a última possibilidade de força adequada ao nosso destino, torna o homem adequado ao destino. Normalmente, isso se chama oração." 

D. Luigi Guissani


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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Franciscanos da Imaculada



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Tudo teria sido mais simples




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O dinheiro e a educação dos filhos - Pe. Rodrigo Lynce de Faria

«Por muito que me esforce, não consigo evitar que a minha casa se encha de coisas inúteis. Quando as vi pela primeira vez — tenho de o reconhecer — não duvidei de que eram necessárias. Com o passar do tempo, pelo contrário, vejo que poderia viver perfeitamente sem ter comprado muitas dessas coisas. O problema é que no momento não me lembro disto. Ou melhor, até me lembro, mas convenço-me de que necessito mesmo daquilo — e compro. Gostaria, sinceramente, de aprender a comprar com mais sensatez. Ainda mais agora que estamos a viver uma séria crise económica. Há tanta gente a passar necessidades! Gostaria de ter um estilo de vida mais simples, mais austero. No fundo, mais cristão. E ensinar esse estilo de vida aos meus filhos. Dou-me conta de que o excesso de bens estragou-lhes um pouco a educação. A minha mulher pensa o mesmo. E também estamos de acordo em que o exemplo é o primeiro modo de educar. Acho que ainda estamos a tempo de mostrar-lhes na prática que é possível viver melhor com menos coisas».

Palavras de um pai de família que nos fazem pensar. A ideia de consumir com mais ponderação parece estar na mó de cima. Sobretudo em virtude da crise que estamos a atravessar. Muita gente tem o desejo real de controlar melhor as suas despesas. Seria uma pena, no entanto, que fosse somente por este motivo. O consumo prudente não é uma simples medida para economizar — é uma condição fundamental para sermos felizes! Oxalá estas circunstâncias sejam um momento ideal para redescobrirmos isso.

Necessitamos do dinheiro para viver. Disso, ninguém tem dúvidas. Mas identificar a capacidade de gastar com a felicidade é um erro funesto. Uma vida feliz está muito mais relacionada com a qualidade das nossas relações com Deus e com os outros do que com as coisas que tenhamos ou que possamos vir a ter. Para um cristão — e também para qualquer pessoa sensata — não se trata somente de reduzir o consumo, mas de aprofundar em como vai a nossa relação com os bens materiais. Descobrir modos de usá-los como aquilo que são: instrumentos, não fins. Pedir a Deus que o nosso coração não se apegue àquilo que por definição é passageiro e caduco.

O dinheiro não garante a qualidade de vida. Nem garante, evidentemente, a qualidade da educação. Quantas vezes, na educação dos filhos, o problema não é a falta de dinheiro mas o excesso dele? Quantos pais enchem os seus filhos de presentes porque não têm tempo para estar com eles? Talvez a motivação para actuar deste modo seja boa — longe de mim pôr isso em causa! No entanto, não é um modo correcto de educar. Na educação, o tempo não se pode substituir pelo dinheiro nem pelos presentes.

O dinheiro mal gasto estraga a educação dos filhos — e estraga a capacidade dos pais para educarem correctamente. Quantos pais dizem que é preciso ter poucos filhos — um, no máximo dois — para poderem gastar mais com eles e dar-lhes assim uma melhor educação! Mais tarde, dão-se conta de que essa atitude complicou — e muito! — a educação dos seus filhos. Começam a pensar que os filhos teriam sido mais bem educados com menos dinheiro e mais irmãos.


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terça-feira, 10 de abril de 2012

Ortodoxia - G. K. Chesterton

Este é o emocionante romance da ortodoxia. Hoje caiu-se no estúpido hábito de pensar que a ortodoxia é algo pesado, insípido e seguro. Mas nunca houve nada tão perigoso ou tão excitante como a ortodoxia.

Ela era a sanidade; e ser são é mais dramático do que ser louco. Ela era o equilíbrio de um homem num carro puxado por cavalos em frenética carreira, parecendo dobrar-se aqui ou vacilar acolá, mas apesar de tudo conservando em cada atitude a graça da estatuária e a precisão da matemática.

A Igreja, nos seus primeiros dias, avançava feroz e rápida num corcel de batalha; mas é absolutamente anti-histórico afirmar que ela seguia loucamente no encalço de uma só ideia, como acontece com qualquer fanatismo vulgar. Desviava-se para a direita ou para a esquerda, com o único fim de evitar com precisão os enormes obstáculos.

Deixou de um lado a imensa mole do arianismo que, escorado por todos os poderes do mundo, pretendia tornar o cristianismo totalmente mundano. No instante seguinte, desviou-se para evitar um orientalismo que o teria feito demasiado espiritual. A Igreja ortodoxia nunca seguiu mais fácil nem respeitou as convenções. A Igreja ortodoxa nunca foi “respeitável”.

Teria sido mais fácil aceitar o poder mundano dos arianos. Teria sido mais fácil, no calvinista século XVII, deixar-se cair no poço sem fundo da predestinação. É fácil ser louco; é fácil ser herege. É sempre fácil baixar a cabeça diante da moda de cada época; o difícil é mantê-la sempre no lugar. É sempre fácil ser modernista, como é fácil ser um snob.

Efectivamente, teria sido mais simples se a Igreja se tivesse deixado prender nas armadilhas abertas pelo erro exagero que, moda após moda e seita após seita, foram estendidas ao longo do seu caminho histórico. É sempre mais fácil cair: há uma infinidade de ângulos que nos podem fazer cair, mas há apenas um que nos permite ficar de pé.

Ser arrastado por qualquer um das manias que lhe saíram ao encontro, desde o gnosticismo até à Christian Science, teria sido razoável e decente. Mas evitá-las todas tem sido até hoje uma arrebatadora aventura. E na minha imaginação, a carruagem celestial voa trovejante através das eras, enquanto as cinzentas heresias fogem rastejando; e a verdade selvagem, ainda que cambaleie, mantém-se erecta.


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segunda-feira, 9 de abril de 2012

A verdade morreu e ressuscitou - José Luís Nunes Martins

Um pai que sofre a morte do seu filho. Um homem que amou até ao fim. A páscoa é o tempo das promessas se cumprirem, o tempo da verdade se sobrepor aos fingimentos.

A missão de cada um de nós é ser feliz escolhendo o bem, lidar com as dúvidas e os absurdos que nos tentam, sofrer as agruras deste percurso sem ceder nunca de forma definitiva, e, mesmo com tropeços e paragens, ir andando.

Pelo caminho, servir os nossos iguais menos fortes, aqueles que a sociedade despreza, aqueles a quem faltam todos os tipos de abrigo nas nossas cidades cheias de gente sozinha, os que morrem de fome e de doenças simples em todo o mundo, e outros, tantos outros... é nesses que Deus disse que ia estar. Num sinal que nos devia fazer entender por onde é o caminho, por onde anda a verdade e o que é, afinal, a vida.

Talvez, hoje mesmo, muitos dos que vivem e morrem sós e abandonados peçam também perdão por aqueles que não sabem o que lhes estão a fazer, ignorando-os.

A morte não é o importante, é a honestidade na missão que define o valor de cada homem.

A ressurreição não é uma resposta à morte, mas à fidelidade. Não há mais vida para quem não tiver sido, de alguma forma, fiel nas suas escolhas e nas suas acções.

Por todos os erros, por todas as escolhas deliberadamente erradas, por todo o desamor de que fui capaz... a ti estendo a minha mão: Jesus, lembra-te de mim quando vieres com o teu Reino.


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