terça-feira, 29 de novembro de 2011

Frase do dia

"Para impregnar de rectas normas e princípios cristãos uma civilização, não basta gozar da luz da fé e arder no desejo do bem. É necessário para tanto inserir-se nas suas instituições e trabalhá-las eficientemente por dentro." Beato João XXIII

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Orar sempre, sem desfalecer - Isaac, o Sírio

Feliz o homem que conhece a própria fraqueza. Porque esse conhecimento é nele o fundamento, a raiz, o princípio de toda a bondade. [...] Quando um homem se sente desprovido de socorro divino, reza muito. E, quanto mais reza, mais o seu coração se torna humilde. [...] Tendo compreendido realmente isto, guarda a oração na sua alma como um tesouro. E, sendo a sua alegria tão grande, faz da oração uma acção de graças. [...] Assim, guiado por este conhecimento e admirando a graça de Deus, eleva a voz e louva-O e glorifica-O, exprime a sua gratidão, nos píncaros do seu maravilhamento.

Aquele que conseguiu, verdadeiramente e não em imaginação, alcançar tais sinais e conhecer tal experiência, sabe do que estou a falar e que nada pode impedir isso. Mas que ele cesse de então em diante de desejar coisas vãs. Persevere em Deus, através da oração contínua, no temor de ser privado da abundância do socorro divino.

Todos estes bens são dados ao homem quando este reconhece a sua fraqueza. No seu grande anseio pelo socorro divino, aproxima-se de Deus, permanecendo em oração. E, quanto mais se aproxima de Deus com esta determinação, mais Deus o aproxima dos Seus dons e não lhe retira a Sua graça, devido à sua grande humildade. Pois tal homem é como a viúva que não cessa de pedir ao juiz que lhe faça justiça contra o seu adversário. Deus compassivo retém a Suas graças para que essa reserva incite o homem, que tanta precisão tem d'Ele, a aproximar-se d'Ele e a e a permanecer junto d'Aquele que é a fonte do seu bem. in Discursos Ascéticos


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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Rebeldes católicos desafiam bispos austríacos

Dissidentes católicos austríacos anunciaram que leigos começarão a celebrar missas quando um sacerdote não estiver disponível, um claro apelo à desobediência num momento em que os bispos do país realizam sua conferência de outono.

Um manifesto adotado por dezenas de ativistas no fim de semana disse que os leigos vão pregar, consagrar e distribuir a comunhão nas paróquias sem padre, disse Hans Peter Hurka, chefe do grupo "Nós Somos a Igreja".

"A lei da Igreja proíbe isso. A pergunta é, pode a lei da Igreja se sobrepor à Bíblia? Somos da opinião, com base nos achados do Concílio Vaticano 2o, que esta (proibição) não é possível", disse ele na segunda-feira.

A Igreja Católica só permite que padres ordenados presidam missas.

Hurka disse que dissidentes tinham planejado há muito tempo a reunião, mas estavam felizes que ela aconteça pouco antes de uma sessão de quatro dias da conferência dos bispos católicos, a partir de segunda-feira.

Ele disse que queria bispos, liderados pelo cardeal de Viena Christoph Schoenborn, para responder ao documento, o mais recente em uma série de desafios feitos por reformadores de base católica na Áustria.

"Nós basicamente esperamos isso, porque as exigências de reforma não são especialmente novas", disse ele. Os bispos receberam uma cópia do manifesto, no sábado, acrescentou.

Bispos planejam discutir iniciativas e reformas propostas que foram apresentadas, de acordo com seu site, embora o tema principal da sessão foi a preparação para as eleições do conselho paroquial, em março.

Schoenborn, um ex-aluno e colaborador próximo do papa Bento 16, descartou a possibilidade de mudanças radicais exigidas pelos sacerdotes dissidentes liderado por seu ex-vice, Helmut Schueller.

Apontado como um possível futuro papa, o cardeal disse que não levaria sua diocese a romper com o Vaticano, deixando o clero desrespeitar regras da Igreja Católica depois que um grupo de sacerdotes divulgou um "Chamado à Desobediência" para tentar pressionar pela reforma.

O grupo, que afirma representar cerca de 10 por cento do clero austríaco, tem desafiado o ensinamento da Igreja sobre temas tabu, como o celibato sacerdotal e ordenação de mulheres.

Os sacerdotes dissidentes, que têm o apoio público em geral nas pesquisas de opinião, também dizem que vão quebrar as regras da Igreja dando a comunhão a protestantes e católicos divorciados novamente casados.

Reformistas católicos austríacos há décadas desafiam as políticas conservadoras de Bento 16 e de seu predecessor João Paulo 2o.

Grupos de reforma católica na Alemanha, Irlanda e Estados Unidos têm feito exigências semelhantes.
in terra.com.br


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A questão de Deus é a "questão de todas as questões" - Bento XVI

Nunca nos deveríamos cansar-nos de voltar a propor a "questão de Deus", de "recomeçar a partir de Deus", para devolver ao homem a totalidade das suas dimensões, a sua plena dignidade. De facto, a mentalidade que se foi difundindo no nosso tempo, que renuncia a toda a referência ao transcendente, demonstrou-se incapaz de compreender e preservar o homano.

A difusão desta mentalidade gerou a crise que hoje vivemos, que é crise de sentido e de valores, antes de ser uma crise económica e social. O homem que procura existir apenas positivisticamente, dentro do que é calculável do que é mensurável, no fim fica sufocado. Neste contexto, a questão de Deus é, em certo sentido, «a questão de todas as questões».

Refere-se à pergunta de fundo do homem, aos desejos de verdade, de felicidade e de liberdade que há no seu coração, e que procuram tornar-se realidade. O homem que desperta dentro de si a pergunta sobre Deus abre-se à esperança, a esperança confiável, pela qual vale a pena enfrentar o cansaço do caminho no presente.


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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O ser humano é redimido pela cruz - Joseph Ratzinger

O ser humano é redimido pela cruz; o crucificado é, em sua abertura total, a verdadeira salvação do ser humano. Em outro contexto já tentamos explicar para mentalidade atual essa afirmação central da fé cristã. Analisando-a agora não pelo lado do conteúdo e sim a partir da estrutura, percebemos que ela exprime uma preferência pelo receber em detrimento do fazer e do realizar próprios quando está em jogo a razão última do ser humano.

Talvez se localize aí a diferença mais profunda entre o princípio cristão da esperança e o seu homônimo marxista. É verdade que o princípio marxista também baseia uma idéia de passividade, pois afirma que o proletariado sofredor será a salvação do mundo. Mas esse padecimento do proletariado que deverá desencadear a reviravolta de uma sociedade sem classes precisa realizar-se concretamente pela forma ativa da luta de classes. Essa é a única maneira de o padecimento se tornar "salvífico", destituindo do poder a classe dominante e introduzindo a igualdade de todos os homens.

Se a cruz de Cristo é um sofrer "em prol de", a paixão do proletariado é, na visão marxista, uma luta contra; se a cruz é essencialmente a obra do indivíduo em prol do todo, a outra paixão é essencialmente a tarefa que uma massa organizada em forma de partido realiza em proveito próprio. Vê-se, portanto, que os dois caminhos correm em direções opostas, apesar de estar próximos em seu ponto de partida.

Na perspectiva cristã é esta a situação de fato: o ser humano não chega verdadeiramente a si próprio por meio do que ele faz e sim por meio do que ele recebe. Ele precisa aguardar o dom do amor, pois o amor só pode ser recebido como dom. Não se pode "produzi-lo" sem a participação do outro; é necessário esperar até que o outro nos dê amor. E só existe uma única maneira de se tornar totalmente ser humano: ser amado, permitir que sejamos amados.

O facto do amor ser a maior possibilidade e a mais profunda necessidade do ser humano, e o fato de essa condição mais necessária ser ao mesmo tempo a mais livre e incoercível, significa que o ser humano necessita de um recebimento para ser "salvo". Quando ele se recusa a receber esse dom, ele destrói a si próprio. Uma atividade que se coloca a si mesma como absoluta e que pretende realizar a condição humana exclusivamente por suas próprias forças está em contradição com a sua natureza. Louis Evely conseguiu expressar essa verdade de uma forma esplêndida:

"Toda a história da humanidade foi desvirtuada e sofreu uma ruptura por causa da idéia falsa que Adão tinha de Deus. Ele queria ser igual a Deus. Espero que vocês nunca tenha identificado o pecado de Adão nessa pretensão... Não fora o próprio Deus que o convidara a pensar assim? Adão apenas se enganou no modelo. Ele pensou que Deus fosse um ser independente, autônomo, auto-suficiente; e foi para ser como ele que ele se revoltou e desobedeceu. Mas quando Deus se revelou, quando Deus quis mostrar quem ele era, ele se manifestou como amor, carinho, como derramamento de si próprio, como agrado infinito num outro. Afeto, dependência. Deus se mostra obediente, obediente até a morte. Pensando em tornar-se Deus, Adão se desvirtuou completamente dele. Ele se isolou na solidão, enquanto Deus era comunhão." in Introdução ao Cristianismo


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Porquê usar batina?



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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Frase do dia

"A caridade que não tem por base a verdade é diabólica." 

S. Pio de Pietrelcina


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Permaneçamos vigilantes - Rui Corrêa d’ Oliveira

Jesus chamava os Seus discípulos a vigiar e a estar atentos,
pois conhecia bem a fraqueza humana
tão atreita à distracção.

Só vigia quem espera
e quanto mais certa é a espera mais atenta é a vigília.
Quando a minha espera é feita apenas de desejos,
depressa me assaltam o cansaço e o desalento.

Mas quando ela se centra na certeza
não há cansaço que a vença, nem desespero que a esmoreça.

A minha certeza é Cristo. E Cristo não é uma ideia minha.
Esta certeza recebia-a dos meus pais como testemunho certo,
passado de geração em geração desde aqueles primeiros
que viram, ouviram e tocaram esse Homem
a quem reconheceram como o Filho de Deus.

Mas se Cristo já veio, porque espero eu?
Espero exactamente por aquilo que ainda não tenho:
a pureza de alma, o olhar limpo e a liberdade de coração
que só o Perdão e a Graça me podem conseguir.

E para quê?
Para que cada instante meu seja já hoje tempo de Deus
até àquele último que será o primeiro
do tempo sem tempo da plenitude do Seu abraço.


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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Nós somos católicos



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Começou o ciclo de cinema




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Constituição Dogmática Dei Verbum, sobre A Revelação Divina

§19 A Santa Madre Igreja defendeu e defende, firme e constantemente, que estes quatro Evangelhos, cuja historicidade afirma sem hesitação, transmitem fielmente as coisas que Jesus, Filho de Deus, durante a Sua vida terrena, realmente operou e ensinou para salvação eterna dos homens, até ao dia em que subiu ao céu.


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Frase do dia

"Sê paciente com todos, mas sobretudo contigo mesmo." 

São Francisco de Sales


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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Parabéns Domingueira!!

Irmãs Dominicanas a jogar futebol



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Cristo Redentor - Rio de Janeiro




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O sacerdote católico - Cardeal Piacenza

Grupo ACI: Um conjunto de factos e sobreexposição mediática criou uma “crise”, por assim dizer, da imagem do sacerdote católico. Como recuperar esta imagem, para bem da Igreja?

Cardeal Piacenza: Na teologia católica, imagem e realidade nunca se separam. A imagem é curada quando curamos a interioridade. Devemos curar sobre tudo “por dentro”. Não devemos preocupar-nos
muito por “parecer por fora”, mas por “ser realmente”.

Grupo ACI: Alguns defendem que esta “crise” é mais uma razão para as “reformas exigidas” sobre o modo de viver o sacerdócio. Fala-se, por exemplo, de sacerdotes casados como uma solução tanto para
a solidão dos sacerdotes como para a falta de vocações sacerdotais. O que significa verdadeiramente a “reforma do clero” no pensamento e magistério do Santo Padre Bento XVI?

Cardeal Piacenza: Se seguíssemos esse tipo de argumentos, criaríamos uma ruptura inaudita. Os remédios sugeridos agravariam terrivelmente os males e seguiriam a lógica inversa do Evangelho.

Fala-se de solidão? Mas por quê? Acaso Cristo é um fantasma? A Igreja, é um cadáver ou está viva? Os Santos sacerdotes dos séculos passados foram homens anormais? A santidade é uma utopia, um assunto para poucos predestinados, ou uma vocação universal, como nos recordou o Concílio Vaticano II?

Não se deve baixar e sim elevar o tom: esse é o caminho. Se a subida for árdua devemos tomar vitaminas, devemos reforçar-nos e, fortemente motivados, sobe-se com muita alegria no coração.

Para ser fiéis é necessário estar apaixonados. Obediência, castidade no celibato, dedicação total no serviço pastoral sem limite de calendário ou de horário, se estamos realmente apaixonados, não são percebidos como limitações, mas como exigências do amor que por nós não poderíamos conseguir. Não são um molho de “nãos” mas um grande “sim” como o de Nossa Senhora na Anunciação.

A reforma do clero? É o que eu reclamo desde que era seminarista e depois jovem padre (falo dos anos 1968 -1969) e encho-me de alegria ao ouvir o Santo Padre invocar continuamente essa reforma como uma das reformas urgentes mais necessária na Igreja. Mas a reforma de que estamos a falar tem de ser católica e não “mundana”!

Sendo muito breve, pode-se dizer que o Papa considera muito importante um clero seguro e humildemente orgulhoso da própria identidade, completamente identificado com o dom de graça recebido, de tal maneira
que distinga claramente entre o “Reino de Deus” e o mundo. Um clero não secularizado, que não sucumba às modas passageiras nem aos costumes do mundo. Um clero que reconheça, viva e proponha a primazia de Deus, e que tire todas as consequências dessa primazia.

Em duas palavras, a reforma consiste em ser o que devemos ser e procurar cada dia chegar a ser o que somos. Trata-se portanto de não confiar tanto nas estruturas, nas programações humanas, mas sim
e sobre tudo na força do Espírito.


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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Ordenação Episcopal de D. Nuno Brás, novo Bispo Auxiliar de Lisboa




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Frase do dia

"A melhor profissão de fé é a que, no relampejar da tormenta, te levanta e te conduz a Deus."  
S. Pio de Pietrelcina


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domingo, 20 de novembro de 2011

A hipocrisia dos Benetton - Andrea Tornielli

Parabéns à Benetton pela lata, diria mesmo pela hipocrisia.

Como já é sabido, dia 16/11 rebentou a polémica sobre a nova campanha publicitária, que pretendeu reviver os dias de glória das campanhas de Oliviero Toscani. Assim, de repente, na ponte do Castelo de Sant'Angelo [perto do Vaticano], afixaram uma gigante foto-montagem onde aparece Bento XVI e o imã de Al Ahzar, Ahmed al-Tayyeb, que se beijam na boca. A descabida campanha publicitária, que apenas pretende provocar, prevê outros beijos (entre Obama e o presidente chinês, entre Merkel e Sarkozy) e está inspirada na foto famosa do beijo entre Leonid Brejnev, então presidente da URSS e Erich Honecker, presidente da Alemanha Oriental.

O autor da fotomontagem, entre outras coisas, quis tornar o beijo entre os dois líderes religiosos mais «passional» que o beijo dos líderes políticos. A apresentação da nova campanha Benetton realizou-se em Paris, cidade onde Gilberto Benetton recebeu a Legião de Honra, a máxima condecoração honorífica do Estado francês, directamente das mãos do presidente Sarkozy, durante uma cerimónia no Eliseu. «O objectivo da campanha é combater a cultura do ódio, promovendo a proximidade entre povos, crenças, culturas e compreensão pacífica das razões dos outros - explicou Alessandro Benetton, vice-presidente executivo da Benetton Group-. Os ódios nunca irão cessar por força do ódio, hão-de cessar graças ao não-ódio». Esta campanha, concluiu Benetton, «gera um estado de espírito de reconciliação, mas não é uma campanha suave: o amor seria irrealista, mas o não-ódio é, pelo contrário, uma coisa que podemos fazer».

Como era de esperar, o uso e o abuso da imagem do Papa e do imã egípcio afixada a poucos passos da Praça de S. Pedro provocaram indignação e a justa resposta da Santa Sé. 

O P. Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, expressou «um protesto firme pelo uso totalmente inaceitável da imagem do Papa, manipulada e instrumentalizada no contexto de uma campanha publicitária com fins comercias». «Trata-se - acrescentou - de uma grave falta de respeito para com o Papa, de uma ofensa aos sentimentos dos fiéis, de uma demonstração evidente de como no âmbito da publicidade se podem violar as regras elementares do respeito pelas pessoas com o fim de atrair atenções».

O aspecto mais surreal e nalguns pontos ridículo destes tristes acontecimentos está representado pela (falsíssima) resposta do grupo Benetton, que à reacção vaticana respondeu: «Repetimos que o sentido desta campanha é exclusivamente combater a cultura do ódio em todas as suas formas. Estamos, portanto, tristes por saber que o uso da imagem do Papa e do imã tenha de alguma maneira ferido a sensibilidade dos fiéis. Como confirmação dos nossos sentimentos, decidimos, com efeito imediato, retirar esta imagem de todos os lugares onde foi publicitada».
Coitadinhos, ficaram tristes.
Coitadinhos, não podiam imaginar.
Coitadinhos, não fizeram de propósito.
Coitadinhos, tão empenhados em promover a sua camisola colorida que nem se lembraram de quem é o Papa.
Coitadinhos, não imaginaram que para um fiel católico, como para um fiel muçulmano, e até simplesmente para uma pessoa de bom senso, aquela fotomontagem teria de ofender, ferir, indignar.
Coitadinhos, os Benetton não chegaram lá.
Eles não queriam provocar, nãããããããããão... Nunca!
Eles só queriam dizer que não querem o ódio.
 Por isso, «com efeito imediato», assim que conseguiram a visibilidade mundial que procuravam, retiraram - oh a bondade deles, que sensibilidade! - a foto do Papa Ratzinger e do imã do Cairo. Isto é, sim, um exemplo de responsabilidade e de compreensão das razões do outro: será já um primeiro efeito positivo do novo governo Monti?

Espero vivamente que o Vaticano desta vez avance em iniciar um processo judicial contra o grupo Benetton, em vez de deixar passar. Eventualmente anunciando desde já o projecto social a que serádestinado o valor da indemnização. E aos irmãos Benetton, exemplo da Itália perspicaz, daquela Itália que trabalha não só para ganhar dinheiro, mas que quer ainda ajudar a todos a serem melhores, assim tão atentos à sensibilidade de cada qual, permito-me fazer uma sugestão: vão pessoalmente - talvez com a Legião de Honra de monsieur Sarkozy cravada no peito - colar o mesmo mega cartaz diante da sede de Al Azhar, no Cairo. Então veremos se o prezado gesto surtirá o efeito esperado de combater a cultura do ódio.


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sábado, 19 de novembro de 2011

O essencial - Aura Miguel

"O que se passa convosco, europeus? Porque é que estão em crise?”

A pergunta genuína de uma colega jornalista do Benim obrigou-me a responder-lhe de forma demasiado sintética: “Andámos durante anos a viver na ilusão de que éramos ricos e, agora, é o que vê!”.

A minha colega, de capulana e turbante coloridos (também ela jornalista de rádio) olhou para mim, com aquele ar complacente de quem nada pode fazer, e, sorrindo, afirmou: “Connosco, os problemas são outros”.

Com efeito, a pobreza do Benim está à vista de todos e não a escondem. Mas, talvez por isso mesmo, há quem esteja mais atento ao essencial, como confidenciou ontem um missionário comboniano português, há três anos no Benim. Disse ele: “Aqui, sou livre, muito mais livre do que na Europa, cheia de bem-estar e democracia. Aqui, pode faltar muita coisa material, mas as pessoas são mais humanas, têm respeito por Deus e são alegres. Numa palavra, fazem-nos sentir em casa!”.


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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Sermão sobre a consagração duma igreja - Lansperge, o cartuxo

A consagração que comemoramos hoje diz respeito, na realidade, a três casas. A primeira é o santuário material. [...] É certo que podemos rezar em qualquer lado e que não há nenhum sítio onde não possamos rezar. No entanto, é muito conveniente termos consagrado a Deus um local especial onde todos nós, os cristãos que formamos esta comunidade, nos possamos reunir para louvar e rezar a Deus juntos, e assim obter mais facilmente aquilo que pedimos, graças a esta oração comum, segundo a palavra: «Se dois de entre vós se unirem, na terra, para pedirem qualquer coisa, obtê-la-ão de Meu Pai que está nos céus» (Mt 18,19).

A segunda casa de Deus é o povo, a comunidade santa que encontra a sua unidade nesta igreja, isto é, vós, que sois guiados, instruídos e alimentados por um só pastor ou bispo. É a casa espiritual de Deus, da qual a nossa igreja, esta casa material de Deus, é o sinal. Cristo construiu este templo espiritual para Si mesmo. [...] Esta morada é formada pelos eleitos de Deus passados, presentes e futuros, reunidos pela unidade da fé e da caridade nesta Igreja una, filha da Igreja universal, e que aliás é una com a Igreja universal. Considerada à parte das outras Igrejas particulares, ela não é senão uma parte da Igreja, como o são todas as outras Igrejas. Porém, estas igrejas formam em conjunto a única Igreja universal, mãe de todas as Igrejas. [...] Ao celebrar a consagração da nossa igreja, não fazemos mais do que recordar-nos, no meio das acções de graças, dos hinos e dos louvores, da bondade que Deus manifestou ao chamar este pequeno povo a conhecê-Lo.

A terceira casa de Deus é qualquer alma santa devotada a Deus, a Ele dedicada pelo baptismo, tornada templo do Espírito Santo e morada de Deus. [...] Quando celebras a consagração desta terceira casa, recordas simplesmente o favor que recebeste de Deus quando Ele te escolheu para vir habitar em ti pela Sua graça.


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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Entrevista a D.José Cordeiro, bispo de Bragança

- Acha que o casamento dos padres poderá fazer aumentar as vocações?

- Penso que não. Parece-me que estão mais perto os católicos do Oriente de optarem pelo celibato do que os do Ocidente optarem por casar. Esta é a Igreja que abraçamos.

- O que pensa da ordenação das mulheres?

- O Papa João Paulo II colocou um ponto final sobre a matéria. Enquanto um Papa não a reabrir, não me parece que devamos discutir o assunto.

- As nossas igrejas devem voltar a ter confessionários?

- Acho que as igrejas devem ter um lugar próprio para o sacramento da penitência, devidamente assinalado, e com horários para confissões, como tem horários das missas.

- Tem página no Facebook. Tenciona utilizar estas novas ferramentas como meio de evangelização?

- Claro que sim. Quero aliás ser um bispo da internet e das novas linguagens, mas fazê-lo com qualidade. Estamos a pensar em, até Janeiro, preparar um novo esquema de comunicações, que não prescinda do contacto directo, que é o mais importante. in Correio da Manhã


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O custo da facilidade - João César das Neves

Um dos problemas mais interessantes e influentes do nosso tempo é saber se a redução do custo degrada o valor. Graças à tecnologia cada vez temos mais coisas e mais baratas, mas isso não significa que vivamos melhor. Pode ser que, aumentando as disponibilidades, desça a satisfação. Esta é a questão mais decisiva do progresso: será que avanço significa melhoria?

A primeira coisa a reduzir o custo, logo nos inícios da industrialização, foi naturalmente a mais indispensável: a alimentação. Graças a isso foi praticamente eliminado o drama da fome endémica nas sociedades desenvolvidas. Mas não se pode dizer que comamos hoje melhor que antes, multiplicando-se problemas como obesidade, colesterol, bulimia e anorexia. Vestuário e habitação, igualmente básicos, vieram a seguir, mas basta ver a indumentária de um jovem actual ou visitar o seu quarto para perguntar se a abundância significou qualidade.

Outro campo com ganhos notáveis é a arte. Em todos os modos de expressão, da música à literatura e artes plásticas, qualquer um pode hoje facilmente dar largas à sua manifestação estética de forma impensável há poucas décadas. A técnica até gerou novas formas de criação, da fotografia ao cinema, até às curtíssimas dos telemóveis. A dúvida é saber se este tempo deixará obras de qualidade comparáveis aos anteriores, ou se a descida de custos fez brotar o grotesco, boçal, mesquinho. Onde estão os novos Mozart, Rembrandt ou Dante? Muitos diziam que a antiga sociedade elitista e limitada afogava a expressividade de múltiplos génios em potência. As últimas décadas dificilmente provam a tese de que o aumento da acessibilidade melhora o talento. O menor custo gerou pouca excelência.

Este fenómeno tem dimensões compreensíveis e naturais devido a uma característica humana básica. As pessoas tendem a desprezar aquilo que abunda, mesmo óptimo, enquanto admiram a raridade, até detestável. A água indispensável é mais barata que o ácido sulfúrico tóxico e há mais gente a contemplar a telenovela que o pôr-do-sol. Mas existe outra dimensão: o alargamento do leque de escolhas leva as pessoas frequentemente a optarem pelo mal. Errar é, não só humano, mas necessidade básica.

Talvez o aspecto onde este elemento é mais visível seja aquele onde a redução de custos tem sido maior: a comunicação. Internet, telemóveis e afins ampliaram espantosamente o grau de conectividade dos seres humanos. Mas terá aumentado a proximidade, solidariedade e elevação das conversas? Será o Facebook mesmo uma rede social, ou antes uma promoção de vacuidade, ilusão, embuste e solidão?

Durante milénios a forma de contacto à distância era a carta, em tempos onde papiro e pergaminho eram caríssimos. Por isso cada um pensava muito bem naquilo que ia escrever. O resultado é que ainda hoje guardamos colectâneas de epístolas de figuras marcantes como tesouros do pensamento. Seria natural e saudável que a abissal descida no custo da comunicação multiplicasse as mensagens inúteis e banais, como os que usam chamadas grátis para dizer "estou a chegar". O verdadeiro problema, porém, é se esta enorme explosão de ligações não eliminou as tais mensagens profundas, ponderadas e elaboradas, aquelas que valeria a pena guardar em colectâneas de correspondência. O mal seria se a redução de custo do contacto tivesse degradado o valor das mensagens. Não apenas da mensagem marginal, que é compreensível, mas de todas.

O progresso sempre assustou. Malthus previu fome e miséria, Marx anunciou exploração e conflitos, os ecologistas prometem catástrofes planetárias. Na verdade a enorme descida de custos no acesso aos bens, em todos os campos, tem criado ganhos espantosos, que nem sempre sabemos apreciar. Apesar de tudo, a maravilhosa comunicação na Internet é inestimável. No entanto, temos de dizer também que o esforço, sofrimento e sacrifício são condições necessárias da qualidade. A facilidade do progresso gera banalização e mata a excelência. Por isso, talvez as crises sejam indispensáveis para nos sentirmos humanos.


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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Papa reflete sobre a Parábola dos Talentos

A Palavra de Deus deste domingo - o penúltimo do ano litúrgico - nos adverte sobre a transitoriedade da existência terrena e convida-nos a vivê-la como uma peregrinação, mantendo os olhos fixos na meta, o Deus que nos criou, e porque nos fez para si (cf. Santo Agostinho, Conf 1.1), é o nosso destino último e o sentido do nosso viver. Passo necessário para alcançar tal realidade definitiva é a morte, seguida pelo Juízo Final. O apóstolo Paulo nos lembra que "o dia do Senhor virá como um ladrão de noite" (1 Ts 5,2), ou seja, sem aviso prévio. A consciência do retorno glorioso do Senhor Jesus nos encoraja a viver em uma atitude de vigilância, à espera da sua manifestação na constante memória da sua primeira vinda.

Na famosa parábola dos talentos - registrada pelo evangelista Mateus (cf. 25, 14-30) - Jesus conta a história de três servos que o patrão, ao sair para uma longa viagem, confia seus próprios bens. Dois deles se comportam bem, porque trazem o dobro dos bens recebidos. O terceiro, ao contrário, esconde o dinheiro recebido num buraco. Retornado à casa, o patrão pede contas aos servidores de quanto tinha confiado a eles e, enquanto se congratula com os dois primeiros, fica decepcionado com o terceiro. O servo, de fato, que tinha mantido escondido o talento sem valorizá-lo, calculou mal: agiu como se seu patrão não voltasse mais, como se não houvesse um dia em que iria pedir-lhe contas do seu trabalho. Com esta parábola, Jesus quer ensinar os discípulos a fazer bom uso de seus dons: Deus chama cada homem à vida e lhe dá certos talentos, dando-lhes ao mesmo tempo uma missão para realizar. Seria tolice pensar que estes dons nos são devidos, bem como abster-se de usá-los seria uma negligência com relação ao objetivo da própria existência.

Comentando esta página evangélica, São Gregório Magno nota que o Senhor não deixou ninguém sem o dom da sua caridade, do amor. Ele escreve: "É necessário, portanto, meus irmãos, que vocês coloquem todos os esforços na custodia da caridade, em toda ação que devam cumprir " (Homilias sobre os Evangelhos 9.6). E depois de afirmar que a verdadeira caridade consiste em amar tanto amigos, quanto inimigos, acrescenta: "Se alguém não tem essa virtude, perde tudo de bom que tenha, fica privado do talento recebido e é jogado fora, nas trevas" (ibid. ).

Queridos irmãos, acolhamos o convite à vigilância, à qual repetidamente nos lembra a Sagrada Escritura! Esssa é a atitude de quem sabe que o Senhor vai voltar e vai querer ver em nós os frutos do seu amor. O amor é o bem fundamental que ninguém pode deixar de fazer frutificar e sem o qual todo outro dom é vão (cf. 1 Cor 13,3). Se Jesus nos amou até o ponto de dar sua vida por nós (cf. 1 Jo 3,16), como podemos não amar a Deus com todo o nosso ser e amar-nos com verdadeiro coração uns aos outros? (Cf. 1 Jo 4,11) Somente praticando a caridade, também nós poderemos participar da alegria de nosso Senhor. A Virgem Maria nos seja a mestra de operosa e gozosa vigilância no caminho para o encontro com Deus.


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Actas do Martírio de São Justino e dos seus companheiros

Aqueles homens santos foram presos e levados ao prefeito de Roma, chamado Rústico. Estando eles diante do tribunal, o prefeito Rústico disse a Justino [...]: «Que doutrina professas?» Justino disse: «Procurei conhecer todas as doutrinas, mas acabei por abraçar a doutrina verdadeira dos cristãos». [...] O prefeito Rústico inquiriu: «Que verdade é essa?» Justino explicou: «Adoramos o Deus dos cristãos, a quem consideramos como o único Criador, desde o princípio, e autor de toda a Criação, das coisas visíveis e invisíveis, e o Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, de Quem foi anunciado pelos profetas que viria ao género humano como mensageiro da Salvação e Mestre da boa doutrina. E eu, porque sou homem e nada mais, considero insignificante tudo o que digo para exprimir a Sua divindade infinita, mas reconheço o valor das profecias [...] e sei que eram inspirados por Deus os profetas que vaticinaram a Sua vinda ao meio dos homens». Rústico perguntou: «Onde vos reunis? [...] Diz-me [...] em que lugar juntas os teus discípulos». 

Justino respondeu: «Eu vivo em casa de um certo Martinho, nos banhos de Timiotino. [...] Ali, se alguém queria ir ver-me, comunicava as palavras da verdade». Rústico perguntou: «Portanto, tu és cristão?» Justino confirmou: «Sim, sou cristão». O prefeito Rústico perguntou a Caritão: «Diz-me tu agora, Caritão, também és cristão?» Caritão respondeu: «Sou cristão por graça de Deus». [...] Rústico perguntou a Evelpisto: «E tu, de quem és, Evelpisto?» Evelpisto, escravo de César, respondeu: «Também sou cristão, libertado por Cristo, e por graça de Cristo participo da mesma esperança que estes». [...] O prefeito Rústico perguntou: «Foi Justino que vos fez cristãos?» Hierax respondeu: «Eu sou cristão há muito tempo e cristão continuarei a ser». E Peão, pondo-se de pé, disse: «Também eu sou cristão». [...] Evelpisto disse: «Eu gostava de ouvir os discursos de Justino, mas a ser cristão aprendi-o de meus pais». [...] O prefeito Rústico disse a Liberiano: «E tu, que dizes? Também és cristão? Também tu não tens religião?» 

Liberiano respondeu: «Também eu sou cristão e, quanto à minha religião, só adoro o Deus verdadeiro». O prefeito disse a Justino: «Ouve, tu que és tido por sábio e julgas conhecer a verdadeira doutrina: se fores flagelado e decapitado, estás convencido de que subirás ao Céu?» Justino respondeu: «Espero entrar naquela morada, se tiver de sofrer o que dizes, pois sei que a todos os que viverem santamente lhes está reservada a recompensa de Deus até ao fim dos séculos». O prefeito Rústico perguntou: «Então tu supões que hás-de subir ao Céu para receber algum prémio em retribuição?» Justino disse: «Não suponho, sei-o com toda a certeza».


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domingo, 13 de novembro de 2011

Em noite de tempestade é bom relembrar




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Discurso aos Leigos (Lisboa, 12/05/1982) - Papa João Paulo II

[ "Leigo"? - que é isso? ]

E qual é a vossa vocação, responsabilidade e missão de leigos? Vós bem o sabeis: o leigo está integrado no Povo de Deus, que caminha neste mundo rumo à Pátria celeste. (...)

E fostes chamados à santidade, tendo por modelo o próprio Cristo, na sua doação integral ao Pai e aos irmãos: “como Aquele que vos chamou à santidade, sede também vós
santos em todas as vossas acções”.

Mas olhai que a santidade, mais que uma conquista, é dom que vos é concedido: o amor de Deus foi derramado em vossos corações pelo Espírito Santo que vos foi dado. Assim, ser cristão não é, primariamente, assumir uma infinidade de compromissos e obrigações, mas é deixar-se amar por Deus

[ Que faz um leigo? ]

Perguntareis: o que é que nos compete fazer, na qualidade de leigos? O cristão nunca pode limitar-se a uma atitude meramente passiva, de puro receber. A vossa missão de leigos, portanto, fundamentalmente é a santificação do mundo, pela vossa santificação pessoal, ao serviço da restauração do mundo.

O Concílio Vaticano II, que tanto se debruçou sobre os leigos e o seu papel na Igreja, acentuou bem a sua índole secular. É o cristão que vive no mundo, responsável pela edificação cristã da ordem temporal, nos seus diversos campos: na política, na cultura, nas artes, na indústria, no comércio, na agricultura...

A Igreja há-de estar presente em todos os sectores da actividade humana e nada do que é humano lhe pode
permanecer alheio. E sois vós, principalmente, prezados leigos, que a deveis tornar presente. Quando se acusasse a Igreja de estar ausente de algum sector, ou de despreocupar-se de algum problema humano,
equivaleria lastimar a ausência de leigos esclarecidos ou a não actuação de cristãos naquele determinado sector da vida humana.

Por isso dirijo-vos um apelo caloroso: não deixeis a Igreja ficar ausente de nenhum ambiente da vida da vossa querida Nação. Tudo deve ser permeado pelo fermento do Evangelho de Cristo e iluminado pela sua luz. É vossa tarefa fazê-lo. Este é o caminho:

cristãos no aconchego da intimidade pessoal;
cristãos no interior do lar – como esposos, pais e mães e filhos de família, em “igreja doméstica”;
cristãos na rua, como homens e mulheres situados;
cristãos na vida em comunidade,
no trabalho,
nos encontros profissionais e empresariais,
no grupo,
no sindicato,
no divertimento,
no lazer, etc.;
cristãos na sociedade, ocupando cargos elevados ou prestando serviços humildes;
cristãos na partilha da sorte de irmãos menos favorecidos;
cristãos na participação social e política;
enfim, cristãos sempre, na presença e glorificação de Deus, Senhor da vida e da história.

[ Que "preparação" deve ter um leigo? ]

A vivência generosa e testemunho corajoso da vossa identidade, sabemo-lo, transcende meras qualificacões sociológicas; exige algo profundamente pessoal, que insere na comunidade “ontológica” dos discípulos de Cristo. Já se deixam entrever, como imperativos indeclináveis:

o cultivo da fé e da vida divina,
a frequência dos sacramentos e o dever da oração constante;
a necessidade, mais do que a simples vantagem,
da fidelidade à Cátedra de Pedro,
da comunhão profunda com a Hierarquia bem inseridos nas perspectivas da Igreja local,
em aderência aos vossos Bispos e
em sintonia com as Comissões episcopais nacionais,
em união com o clero e com os religiosos;
a exigência de associações realisticamente organizadas e informadas pelo amor: “Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros, como eu vos amei”.


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sábado, 12 de novembro de 2011

Igreja lança site de perguntas e respostas sobre a fé: Aleteia



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Convida os pobres - São Vicente de Paulo

Honrar Nosso Senhor é ir de encontro aos Seus sentimentos, guardá-los, fazer o que Ele fez e levar a cabo o que mandou. Ora, os Seus maiores sentimentos foram pelos pobres: tratar deles, curá-los, consolá-los, socorrê-los e protegê-los, em tudo isso pôs o Senhor o Seu enlevo. Ele próprio quis nascer pobre, acolheu os pobres na Sua companhia, serviu-os e pôs-Se no lugar deles, ao ponto de dizer que o bem e o mal que lhes fizermos é a Ele que o fazemos (Mt 25,40). Que amor tão terno era Ele capaz de mostrar pelos pobres! E que amor, pergunto eu, podemos nós ter por Ele, senão o de amarmos a quem o Senhor amou? Mais, amar os pobres é amar da melhor maneira, porque é servi-Lo e amá-Lo como devemos.

Ora, se podemos honrar um Salvador assim complacente, imitando-O desse modo, muito maior honra Lhe será feita, nessa imitação, ao identificarmo-nos com Ele! Não vedes aí um motivo suplementar para renovardes o vosso fervor? Por mim, estou convencido de que devemos desse modo oferecer-nos à Sua divina Majestade [...], de tal sorte que se possa desde agora dizer que «a caridade de Cristo nos impele» (2Cor 5,14).


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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Além dos comes e bebes... - Aura Miguel

Hoje em dia, todos associam o Dia de S. Martinho a feiras e festas, castanhas e vinho novo. Afinal, acontece também o mesmo no mês de Junho, com os chamados santos populares.

Com tantos excessos praticados nestas ocasiões, não me parece que António de Lisboa, João Baptista, o próprio apóstolo Pedro e, no dia de hoje, Martinho fiquem satisfeitos que o seu nome surja apenas associado aos comes e bebes.

Por isso, é de justiça recordar que S. Martinho morreu no ano de 397. Foi militar, mas renunciou à sua carreira para se tornar monge. Mais tarde, veio a ser bispo de Tours, cidade francesa onde está sepultado. A sua generosidade e humildade fizeram dele um dos santos mais populares e famosos de toda a Europa Ocidental.

Frequentemente representado em cima de um cavalo a entregar metade do seu manto a um pobre que tiritava de frio, a sua fama levou mesmo o Conselho da Europa a declará-lo em 2005 “modelo europeu da partilha”.

Nem de propósito: nestes tempos tão necessitados de entre ajuda, que São Martinho nos inspire a todos!


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JMJ - Papa rejeitou três vezes deixar o aeródromo de Quatro Vientos

Uma jovem hondurenha que esteve muito perto de Bento XVI na vigília de oração no aeródromo de Quatro Ventos durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em Madrid, revelou que em três ocasiões, cada uma mais firme do que a anterior, o Santo Padre recusou-se a deixar o lugar durante a tormenta dessa noite.

Desde Roma, onde foi para participar de numa ordenação diaconal no Pontifício Colégio Norte-americano, a jovem jornalista e anfitriã em vários eventos da JMJ, Erika Rivera, explicou que na noite de Sábado dia 20 de Agosto "os mestres de cerimónia perguntavam (ao Papa) se queria retirar-se, porque chovia muito muito e havia um vento forte. Ele dizia-lhes que não iria embora de lá. De facto por duas vezes moveu o dedo indicando ‘não, não, não’".

À terceira vez os colaboradores mais próximos a Bento XVI perguntaram-lhe se queria retirar-se. Desta vez a resposta do Papa foi mais firme ainda, acenando ao milhão de jovens empapados depois de um fortíssimo dia de sol que superou os 40 graus: "se eles ficarem, eu ficarei também".

"E quando disse isso, nós que estávamos perto dele, ficamos muito contentes do ter como Santo Padre. Assim foi fantástico, uma experiência única", disse a jovem Erika. No meio das cadeiras plásticas voando, sob os trovões e relâmpagos, empapados, a cantar em coro "Esta é a juventude do Papa!" e "Be-ne-dic-to!", os jovens esperavam que o Pontífice reiniciasse o seu discurso. "Não tínhamos medo de nada porque podíamos ver que ele era o que mais sereno estava", disse Rivera. "Transmitia muita serenidade, muita calma e por isso, sabe, perguntamo-nos confidencialmente: que mais poderia suceder-nos?", acrescentou.

Quando a chuva parou, depois de 15 minutos, o Papa agradeceu aos jovens reunidos e disse: "obrigado, obrigado por essa alegria. Obrigado por essa alegria e resistência. A nossa força é maior que a chuva, obrigado. O Senhor com a chuva manda-nos muitas bênçãos. Vocês são um exemplo".

Depois de ler as saudações que tinha preparado em distintos idiomas veio a adoração eucarística. O Santíssimo Sacramento foi colocado numa jóia de ourivesaria de Toledo, uma custódia do ano 1600 de um metro e oitenta de altura.

"Foi fantástico, surpreendente. Como uma obra de arte. A Eucaristia estava ali, o Santo Padre também e o futuro da Igreja, os jovens, também faziam parte de tudo. Foi maravilhoso", recorda Rivera.

Passados dois meses da JMJ Madrid 2011, a jovem hondurenha acredita que este inesquecível episódio deixa uma cara lição do Papa para o mundo: "a sociedade moderna toma o caminho fácil. Ver o Papa Bento disposto a ficar ali, a sacrificar-se como Cristo que morreu na cruz por nós, foi algo verdadeiramente inspirador".  
in ACI digital


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Momento cultural




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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Frase do dia

"A Sagrada Escritura não é algo que pertence ao passado. O Senhor não fala no passado, mas no presente; Ele fala connosco hoje, dá-nos a Luz, mostra-nos o caminho da Vida, concede-nos a comunhão, e, assim, prepara-nos e abre-nos para a Paz." 

Papa Bento XVI, 29.03.2006


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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Não sei quando me irão enforcar, mas irei sem medo - Asia Bibi

Carta de Asia Bibi, da prísão:

Meu querido Ashiq, meus queridos filhos, é uma grande provação, esta que tereis de enfrentar. Esta manhã, fui condenada à morte. Confesso-vos que, quando ouvi o veredicto, chorei, mas no fundo não fiquei surpreendida. Não estava à espera de clemência nem de coragem por parte dos juizes, que se submeteram às pressões dos mulás e do fanatismo religioso.

Desde que voltei à minha cela e sei que vou morrer, todos os meus pensamentos vão para ti, meu Ashiq, e para vós, meus filhos adorados. Censuro-me por vos deixar sozinhos em pleno turbilhão.

A ti, Imram, meu filho mais velho de dezoito anos, desejo-te que encontres uma boa esposa e que a faças feliz tal como o teu pai me fez a mim.

Tu, Nasima, minha filha maior de vinte e dois anos, já encontraste um marido, a família dele e uns sogros acolhedores; dá ao teu pai os netos que irás criar na caridade cristã como nós sempre fizemos.

Tu, minha doce Isha, tens quinze anos, mas nasceste com falta de entendimento. O papá e eu sempre te considerámos uma dádiva de Deus, tão boa que és e tão generosa. Não deves perceber porque é que a mamã não está aí, ao pé de ti, mas estás presente no meu coração, tens sempre lá um lugar especialmente reservado, somente para ti.

Sidra, tens apenas treze anos e eu sei que, desde que estou na prisão, és tu que tratas das coisas da casa, és tu que tomas conta de Isha, a tua irmã, que tanto precisa de ser ajudada. Censuro-me por obrigar-te a uma vida de adulta, tu que és tão pequena e que ainda devias brincar com bonecas.

Tu, minha pequena Isham, tens apenas nove anos e já vais perder a tua mamã. Meu Deus, como a vida é injusta! Mas visto que irás continuar a frequentar a escola, estarás mais tarde habilitada a defender-te perante a injustiça dos homens.

Meus filhos não percais a coragem, nem a fé em Jesus Cristo. Há-de haver dias melhores nas vossas vidas, e, lá no alto, quando eu estiver nos braços do Senhor, continuarei a velar por vós. Mas, por favor, peço-vos a todos os cinco que sejais
prudentes, que não façais nada que possa ultrajar os muçulmanos ou as normas deste país. Minhas filhas, gostaria muito que tivésseis a sorte de encontrar um marido como o vosso pai.

Ashiq, amei-te desde o primeiro dia, e os vinte anos que passámos juntos são a prova disso mesmo. Nunca deixei de agradecer aos céus a sorte de te ter encontrado, de ter tido a possibilidade de casar por amor e não um matrimónio combinado, como acontece na nossa região. Os nossos dois feitios sempre combinaram um com o outro, mas o destino estava à nossa espera, implacável... Criaturas infames atravessam-se no nosso caminho. Estás agora sozinho perante o fruto do nosso amor, mas deves manter a coragem e o orgulho da nossa família.

«Meus filhos, desde que estou encerrada nesta prisão, oiço as descrições de outras mulheres para quem a vida também se mostrou muito cruel. Posso dizer-vos que tivestes a sorte de conhecer a vossa mãe, a alegria de viver do nosso amor e da nossa coragem para trabalhar. Sempre tivemos o supremo desejo, o pai e eu, de sermos felizes e de vos fazermos felizes, embora a vida não fosse fácil todos os dias.

Somos cristãos e somos pobres, mas a nossa família é uma grande riqueza. Gostaria tanto de vos ver crescer, educar-vos e fazer de vós pessoas honestas – mas sê-lo-eis certamente! Sabeis a razão por que vou morrer e espero que não me censureis por partir assim tão depressa, porque estou inocente e não fiz nada daquilo que me acusam. Tu sabes que é verdade, Ashiq, tal como sabes que sou incapaz de violência e de crueldade. Às vezes, porém, sou teimosa.

Por aquilo que calculo, não vai demorar muito. Em poucos minutos, fui condenada à morte. Não sei ainda quando me irão enforcar, mas podeis estar tranquilos, meus amores, irei de cabeça levantada, sem medo, porque serei acompanhada por Nosso Senhor e pela Santa Virgem Maria, que vão receber-me nos seus braços. Meu bom marido, continua a educar os nossos filhos como eu gostaria de fazer contigo. Ashiq, meus filhos bem-amados, vou deixar-vos para sempre,mas amar-vos-ei eternamente.


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Santa Missa




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Amor verdadeiro é sair de si mesmo - S. Josemaria Escrivá

A alegria cristã não é fisiológica: o seu fundamento é sobrenatural, e está por cima da doença e da contradição. Alegria não é alvoroço de guizos ou de baile popular. A verdadeira alegria é algo mais íntimo: algo que nos faz estar serenos, transbordantes de gozo, mesmo que, às vezes, o rosto permaneça grave. (Forja, 520)

Há quem viva amargurado todo o dia. Tudo lhe causa desassossego. Dorme com uma obsessão física: a de que essa única evasão possível lhe vai durar pouco. Acorda com a impressão hostil e descorçoada de que já tem outra jornada pela frente...

Muitos esqueceram-se de que o Senhor nos colocou neste mundo de passagem para a felicidade eterna; e não pensam que só podem alcançá-la os que caminharem na Terra com a alegria dos filhos de Deus. (Sulco, 305)

Amor verdadeiro é sair de si mesmo, entregar-se. O amor traz consigo a alegria, mas é uma alegria que tem as suas raízes em forma de cruz. Enquanto estivermos na terra e não tivermos chegado à plenitude da vida futura, não pode haver amor verdadeiro sem a experiência do sacrifício, da dor. Uma dor de que se gosta, amável, fonte de íntimo gozo, mas dor real, porque significa vencer o nosso egoísmo e tomar o amor como regra de todas e cada uma das nossas acções. (Cristo que passa, 43)


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domingo, 6 de novembro de 2011

Especialmente para quem costuma deixar comida no prato



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Incompreensível - Aura Miguel

Há muçulmanos que vieram viver para a Europa com os mesmos direitos dos europeus. No Iraque, é o contrário. Os cristãos não têm direitos, mesmo os que lá nasceram. Não gozam de liberdade religiosa, vivem sob ameaça e são constantemente alvo de violência. A pressão sobre eles é tão grande que, ao recusarem converter-se ao islão, arriscam a própria vida. Ou seja: estão na sua própria terra, são cristãos e morrem por causa disso.

Por cá, ao abrigo da chamada tolerância, os muçulmanos constroem mesquitas e manifestam-se como querem. E é assim que está certo: a defesa dos direitos humanos, nomeadamente, da liberdade religiosa deveria ser o melhor cartão de visita do Ocidente cristão. Então, porque não nos batemos pela reciprocidade? Se respeitamos em nossa casa os direitos dos muçulmanos, bem podiam os muçulmanos fazer o mesmo com os direitos dos cristãos. Nestes dias, o grito dos nossos irmãos iraquianos brada aos nossos ouvidos, pela voz do Arcebispo de Kirkuk. 

Monsenhor Louis Sako está em Portugal para dar testemunho. Desde 2003 até agora, 54 igrejas foram atacadas e 905 cristãos perderam a vida. Os dados são alarmantes e revelam como está em risco o futuro dos cristãos no Iraque. Mas igualmente grave é o desabafo com que Monsenhor Sako terminou a sua intervenção em Lisboa: “Francamente, não percebo como é que os cristãos na Europa são tão indiferentes e têm vergonha da nossa fé”.


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sábado, 5 de novembro de 2011

Primeira regra, § 17 - S.Francisco de Assis

Irmãos, evitemos o orgulho e a vã glória. Evitemos a sabedoria deste mundo e a prudência egoísta. Pois aquele que é escravo das suas tendências egoístas investe muito esforço e aplicação na formulação de discursos, mas muito menos na passagem aos actos: em lugar de procurar a religião e a santidade interiores do espírito, quer e deseja uma religião e uma santidade exteriores e visíveis aos olhos dos homens. É sobre eles que o Senhor diz: «Em verdade vos digo, receberam a sua recompensa» (Mt 6,5). 

Pelo contrário, aquele que é dócil ao Espírito do Senhor quer mortificar e humilhar esta carne egoísta. [...] Dedica-se à humildade e à paciência, à simplicidade pura e à verdadeira paz de espírito; o que deseja sempre e acima de tudo é o temor de Deus, a sabedoria de Deus e o amor de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo.

Ofereçamos todos os bens ao Senhor, Deus altíssimo e soberano; reconheçamos que todos os bens Lhe pertencem; demos-Lhe graças por tudo, pois é d'Ele que procedem todos os bens. Que Ele, o Deus altíssimo e soberano, o único Deus verdadeiro, obtenha e receba todas as honras e todo o respeito, todos os louvores e bênçãos, todo o reconhecimento e toda a glória; pois todo o bem está n'Ele e só Ele é bom.


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Frase do dia

"Não devemos, para evitar o escândalo dos fariseus, abster-nos de fazer o bem." 

S. Pio de Pietrelcina


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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O Apostolado e as vestes dos Consagrados - General António Martins Rodrigues

O uniforme (fardas,vestes, trajos, hábitos, etc.), tem por função identificar o profissional que o usa. Numa sociedade secularizada e materialista marcada pela pluralidade e por uma progressiva marginalização da Religião da esfera pública,por um relativismo que toca os valores fundamentais, Bento XVI salientou a exigência dum testemunho cristão luminoso, coerente e em todo o lugar e tempo. Durante a sua homilia na celebração da Apresentação do Senhor e do dia mundial da Vida Consagrada, realizada na Basílica Vaticana, o Papa Bento XVI destacou que os Consagrados são chamados a um testemunho profético ligado a uma dupla atitude contemplativa e activa.

O Consagrado deve ser reconhecido, primariamente, pelo seu comportamento, mas também pela veste que traz, como sinal inequívoco da sua dedicação e da sua identidade de detentor dum ministério público. As suas vestes devem reflectir durante a sua presença na cidade dos homens, a sua identidade e pertença a Deus e à Igreja. O hábito eclesiástico é um poderoso sinal externo com influência, em várias vertentes comportamentais dos fiéis, mesmo até naqueles que ainda não crêem em Cristo Jesus.

No sentido de uniformizar comportamentos, e não só, a Conferência Episcopal Portuguesa, em conformidade com o cân. 284, determinou:

“1. Usem os sacerdotes um trajo digno e simples de acordo com a sua missão,

2.Esse trajo deve identificá-los sempre como sacerdotes,permanentemente disponíveis para o serviço do povo de Deus.

3.Esta identificação far-se-à, normalmente, pelo uso:

a) da batina;

b) ou do fato preto, ou de cor discreta, com cabeção”.

A virtude da obediência está fortemente enraizada em todos os Consagrados e por isso não é preciso lembrar que, são tantas as vantagens do uso do hábito por aqueles que desejam ser identificados que é de admitir que a única vantagem de o não usar seria o desejo de não ser identificado. Na urbe, o terreno da Missão por excelência, o Apostolado, feito pela presença dos consagrados em uniforme é cada vez mais urgente e também se chama de Caridade.


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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A praia onde tenho de chegar - Rui Corrêa d'Oliveira

«Deus levará com Jesus os que em Jesus tiverem morrido».
Assim escrevia São Paulo aos cristãos de Tessalónica
para os animar na Esperança da ressurreição.

A condição é uma só e só de mim depende:
viver com Jesus, para morrer em Jesus.

Esta condição não é uma ameaça,
mas antes um convite pessoal feito pelo próprio Jesus
que me chega renovado em cada dia, pela palavra da Igreja.

Deus conhece bem a minha fragilidade e me ama tal como sou,
provoca a minha liberdade, seduz-me, atrai-me a Si,
com a imponência de beleza e de verdade
que emergem da vida de Jesus, em tudo quanto fez e quanto disse.

Para abraçar plenamente este convite, é muito o que tenho por fazer
na educação da vontade,
no acertar dos meus juízos
e na docilidade do coração.

Sei que posso contar com a certeza da Tua Graça e do Teu Perdão,
Senhor.
Só assim poderei um dia alcançar
«a praia onde tenho de chegar»…


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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O saber moral - Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Se observarmos com calma veremos que, nos nossos dias, muitos pais estão preocupados com a educação dos seus filhos. Eles falam inglês — melhor que os pais — navegam pela internet e até ouvem música no MP3 — “geringonça” que os pais nem se atrevem a tentar perceber como é que funciona. No entanto, parece que lhes falta alguma coisa.

Os filhos têm uma visão da vida e um modo de actuar que parecem pôr em risco o seu futuro. Os pais tentam repetidamente chamar-lhes a atenção para isso, mas tudo fica em águas de bacalhau. De onde é que vêm essas atitudes, se nunca lhes faltou nada na vida? Porque é que parecem faltar pontos de referência no seu modo de actuar?

Demasiadamente tarde, muitos pais apercebem-se de que essa ausência de pontos de referência está directamente relacionada com uma defeituosa formação moral dos filhos. Parecia — a muitos que agora são pais — que a formação moral era uma imposição de valores desnecessária e até contraproducente. Parecia a história da carochinha. No entanto, essa “história” parece ter deixado alguns pontos de referência à geração anterior — pontos que agora se lamenta que a geração actual não possua.

Qual é a mentalidade actual mais difundida sobre a formação moral? Diria, sem carregar demasiadamente as tintas, que para muitos jovens a “moral” se reduz aos mandamentos da Igreja — sobretudo em matéria sexual — que mantêm as pessoas “reprimidas” — gente masoquista — à espera de chegar à felicidade na outra vida. Claro que com uma visão tão “maravilhosa” e “motivante” como esta, só os tolos desejam uma formação deste tipo.

É preciso que os primeiros e os principais educadores — se alguém se esqueceu, são os pais! — não tenham nenhum tipo de receios em explicar aos seus rebentos desde a mais tenra idade — primeiro com o exemplo e depois com a palavra — que a moral não é um conjunto de regras que nos reprimem e nos impedem de sermos felizes. Nada mais longe da realidade! A formação moral ajuda-nos a encontrar o caminho para sermos felizes nesta vida — e também na outra.

É muito oportuno explicar que um animal pode viver bem deixando-se arrastar pelos seus instintos — mas o homem não. O homem é um ser especial porque é um ser livre. Precisa de ser educado para viver de acordo com aquilo que é. Nem tudo o que ele pode fazer — roubar, mentir, drogar-se — ele deve fazê-lo. Não porque não seja livre, mas porque não lhe convém. Não se pode confundir — e muitas vezes confunde-se — a liberdade com a espontaneidade. O homem, para agir bem, deve pensar antes de actuar — coisa que os animais não fazem.

Por isso, a educação moral não tira nem diminui a liberdade do homem — muito pelo contrário! Dá-lhe luz para que — se ele quiser — possa viver de acordo com aquilo que é. É verdade que o saber moral é difícil e delicado. Mas também é verdade que vale a pena esforçar-se por obtê-lo. Porquê? Porque é o saber mais valioso para o homem. É o saber que o ensina a usar bem a sua liberdade.


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