quarta-feira, 31 de agosto de 2016

A cabeça de João Baptista

«Dá-me agora mesmo num prato a cabeça de João Batista.» E Deus permitiu que tal acontecesse, não lançou um raio do alto dos Céus para devorar aquele rosto insolente; não ordenou à Terra que se abrisse e engolisse os convivas daquele horroroso banquete. 

Deus dava assim a mais bela coroa ao justo e deixava uma consolação magnífica aos que, no futuro, viessem a ser vítimas de injustiças semelhantes. Escutemo-lo, pois, todos nós que, apesar da nossa vida honesta, temos de suportar os malvados: o maior dos filhos nascidos de mulher (cf Lc 7,28) foi levado à morte a pedido de uma jovem impudica, de uma mulher perdida; e foi-o por ter defendido a lei divina. Que estas considerações nos façam suportar corajosamente os nossos próprios sofrimentos. 



Mas repara no tom moderado do evangelista, que procura até circunstâncias atenuantes para este crime. A propósito de Herodes, nota que agiu «por causa do juramento e dos convidados» e que «ficou consternado»; e a propósito da jovem, observa que tinha sido «instigada pela mãe». 


Aprendamos, também nós, a não odiar os malvados, a não criticar as faltas do próximo, ocultando-as tão discretamente quanto possível, a acolher a caridade na nossa alma. Porque, acerca desta mulher impudica e sanguinária, o evangelista falou com toda a moderação possível; tu, porém, não hesitas em tratar o teu próximo com malvadez. 

Não é assim que se comportam os santos; pelo contrário, eles choram pelos pecadores, em vez de os amaldiçoarem. Façamos como eles; choremos por Herodíades e pelos que a imitam. Porque vemos hoje muitos banquetes do género do de Herodes, nos quais não se condena à morte o precursor, mas se destroem os membros de Cristo.



S. João Crisóstomo in Homilias sobre S. Mateus, n.º 48 


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terça-feira, 30 de agosto de 2016

Quando Santa Inês sobreviveu à bomba atómica... na ONU

Recentemente visitei os escritórios principais da ONU em Manhattan, Nova Iorque. Numa visita guiada aprendemos sobre a história da ONU e as suas várias missões no mundo e visitámos algumas das salas principais de conferências, com lugares específicos para cada país membro. É impressionante visitar uma instituição tão famosa e com um factor tão grande de decisão no mundo de hoje como esta.

Infelizmente, muitas das missões que a ONU tem não correspondem àquilo que as pessoas esperam dela. Muitas incluem a promoção da ideologia de género ou propaganda de planeamento familiar com imposição dos métodos contraceptivos em países subdesenvolvidos. Claro que isto não anula o bem que a ONU traz às relações diplomáticas entre os países, mas não deixa de ser assustador.

Nos largos corredores das salas de assembleia, onde poucos visitantes costumam ir, há obras de arte relacionadas com as missões da ONU. Há obras sobre a paz e a união dos povos, mas também sobre as várias religiões. Há até uma réplica de um grande templo budista com relíquias do próprio Buda lá dentro. Surpreendentemente, quase não há símbolos cristãos nestes corredores. O que encontrámos foi uma imagem de uma grande mulher Cristã, mas não estava lá pelas razões que esperávamos.

Uma das partes estava dedicada à explosão das bombas atómicas no final da II Guerra Mundial e pretendia mostrar o efeito destruidor das armas de destruição masissa. Era precisamente neste sítio que se encontrava uma imagem de pedra de Santa Inês, uma das mártires mais importantes na história do Cristianismo. Mas a estátua não estava lá por ser uma imagem de uma Santa, mas por ser um exemplar que sobreviveu à explosão de Nagasaki.

As imagens de Nagasaki depois da explosão mostram que a explosão foi total - nenhuma parede ficou de pé. No entanto, a imagem de Sta. Inês permaneceu intacta, ficando apenas com as costas danificadas.

A placa da estátua diz que "esta estátua de pedra de Santa Inês foi encontrada virada para baixo nas ruínas de Urakami Tenshudo, uma Catedral Católica que foi totalmente destruída quando a bomba atómica explodiu em Nagasaki, no Japão. A carbonização e manchas na parte de trás da estátua foram causadas pelo intenso calor e radiação. A catedral localizava-se a meio quilómetro do epicentro da explosão a 9 de Agosto de 1945."

Quando perguntei ao guia porque é que a estátua estava ali em exposição ele disse que era para mostrar os efeitos da explosão. Eu disse que era impressionante a estátua ter-se mantido incólume quando tudo se tinha destruído. Mas ele respondeu que não era assim tão impressionante, dado que a catedral tinha sido toda destruída. E continuámos a visita.

Nuno CB






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Horror e salvação no Uganda

A minha primeira visita no Uganda foi a Namugongo, palco de cenas indescritíveis de horror e, ao mesmo tempo, ponto culminante da história do país. A data central foi o dia 3 de Junho de 1886 e por isso o 3 de Junho é a festa nacional.

Poucos anos antes, tinham chegado os exploradores ingleses, depois os missionários protestantes e logo a seguir os missionários católicos. Encontraram uma sociedade organizada e com um certo desenvolvimento económico, aprenderam rapidamente a língua e muita gente se converteu.

A religião tradicional incluía Katonda (o Deus criador e misericordioso) e várias dezenas de Lubaale (espíritos), como o espírito do lago, cujos oráculos chegavam a exigir sacrifícios humanos. Um ditado dizia «Katonda tatta» (Katonda não mata), mas os espíritos fartavam-se de matar e o rei também. Por exemplo, o Kabaka (rei) Mutesa, o mesmo que acolheu os exploradores e os missionários, matou os 60 irmãos logo que subiu ao trono. Existia mesmo um local próprio para as execuções dos membros da corte, com um corpo específico de carrascos.

Cinco anos depois de os missionários católicos chegarem, o Kabaka Mutesa morreu e sucedeu-lhe o Kabaka Mwanga II, com 16 anos. E começaram a morrer cristãos.

Houve muitas razões de conflito com os recém-convertidos da corte. Os feiticeiros insistiam em atribuir aos cristãos os contratempos da pesca, ou da agricultura. Os muçulmanos queriam controlar o país. O primeiro-ministro queria afastar as pessoas que lhe pudessem fazer sombra. Sobretudo, Mwanga era homossexual e estava habituado a abusar de quem encontrava pela frente. Mwanga até apreciava o cristianismo, o que não suportava era que os cristãos não aceitassem promoções que envolviam encargos imorais nem condescendessem como os seus desejos sexuais.

O chefe da casa real, Joseph Mukasa, protegia os pajens dos avanços do Kabaka e pagou por isso. Em geral, os pajens eram os filhos dos principais chefes e jovens escolhidos, de grande valor. Muitos converteram-se e Joseph Mukasa era o catequista do grupo.

Em 1885, com o falso pretexto de impedir uma invasão, Mwanga chacinou um grupo de missionários anglicanos que entraram no Uganda. Os protestos de Joseph Mukasa foram a gota de água: foi mandado decapitar e queimar.

Para substituir Mukasa, foi nomeado o jovem Charles Lwanga, o chefe dos pajens. Nesse mesmo dia, Lwanga recebeu o Baptismo. O rei continuou a queixar-se de que nunca encontrava os pagens quando queria e a vingança foi ainda mais terrível. O Kabaka torturou alguns e convocou toda a corte para mandar os cristãos irem para um lado e os outros ficarem. Todos sabiam perfeitamente o que isso implicava. Lwanga colocou-se imediatamente do lado dos cristãos, seguido por todos os pajens do rei, excepto 5. Os que ainda estavam a receber catequese, foram baptizados à pressa. 

O martírio prolongou-se ao longo de bastantes dias, com uma crueldade difícil de compreender. Foram esquartejados vivos e queimados de forma a prolongar ao máximo o tempo de vida e o sofrimento, tentando desviá-los da fé. Felizmente, ficaram registos e conservam-se muitos testemunhos sobre cada um deles. Até há fotografias deles, dos missionários, do Kabaka e dos outros personagens desta história.

Charles Lwanga foi o primeiro. Os outros, foram arrastados pelos pés durante alguns quilómetros, até perderem a pele e ficarem com as costelas à vista. Por isso o local se chama hoje Namugongo, porque na língua Luganda se diz «abassajja baabatutte namugongo» (homens arrastados de costas).
Jamais alguém tinha morrido assim. O comandante da força de execução deparou-se com uma alegria inexplicável e uma calma que nunca tinha visto. Foi perguntar ao Kabaka se aqueles rapazes eram mesmo para matar. Obedeceu, mas mais tarde converteu-se.

O Kabaka Mwanga tinha 18 anos quando os seus 45 pajens morreram, 22 católicos e 23 anglicanos. Vários tinham menos de 20 anos, os mais novos tinham 14 anos.

Os mártires não deixaram uma mensagem de ódio mas de uma fidelidade extraordinária a Deus e ao Kabaka. Embora os missionários tenham sido expulsos, o número de cristãos multiplicou-se.

O cristianismo do Uganda ficou marcado pelo exemplo dos mártires de Namugongo. Sincero respeito pelas convicções de todos (nomeadamente, ecumenismo entre católicos e protestantes e generosidade com os muçulmanos), fidelidade à fé, fidelidade à moral (nomeadamente em matéria de homossexualidade) e delicadeza e amizade para com todos, sem qualquer exclusão. O chefe dos carrascos e o Kabaka Mwanga acabaram cristãos. 

Hoje, a população do Uganda é quase toda cristã e a maioria católica. Os protestantes que encontrei têm devoção a Nossa Senhora e aos santos, em particular aos mártires de Namugongo, e reconhecem ao Papa um papel singular.

José Maria André

Fotografia de vários mártires católicos com o Bispo, um ano antes de morrerem:
1. Kiriwawanvu 2. Kaggwa 3. Josef Mukasa 4. Kiriggwajjo 5. Tuzinde 6. Ngondwe 7. Buuzabalyawo 8. Ssebuggwawo 9. Bazzekuketta 10. Ludigo 11. Gonza
12. Kibuuka 13 Charles Lwanga 14. Kiwanuka 15. Sserunkuma 16. Mulumba 17. Baanabakintu 18. Kizito 19. Mugagga 20. Gyaviira


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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O martírio de S. João Baptista e a perseguição dos justos

Herodes errou, julgando-se obrigado a cumprir o juramento. Se jurar é tomar a Deus por testemunha da verdade do que se diz ou do que se promete, claro está que, um juramento falso é um grande pecado, como pecado é também prometer, sob juramento, praticar uma acção má. O juramento, em si é bom e santo, por ser um acto de religião. Pelo juramento apela-se a Deus, que é a Verdade suprema. 

São três as condições que justificam o juramento: A verdade, a justiça e o motivo justo. Afirmar, com juramento, uma inverdade, é um gravíssimo pecado chamado perjúrio. "Não abusarás do nome do Senhor teu Deus; o Senhor não deixará impune a profanação de seu nome. Não farás juramento falso em meu nome e não profanarás o nome do teu Deus, pois eu sou o Senhor", prescrevem as Escrituras. 

A vida seria insuportável se não tivéssemos certeza absoluta da justiça de Deus, que põe tudo nos devidos termos, isto é, que dá à virtude a recompensa que merece e, ao pecado o justo castigo. Se assim não fosse, o martírio de São João Baptista e tantas e tantas injustiças e atrocidades clamorosas, não teriam solução. 

O que se observou sempre e até hoje se observa é que os justos sofrem, enquanto os maus gozam. Os justos são perseguidos e desprezados, enquanto os maus são estimados e festejados. Vemos nessa circunstância, aparentemente monstruosa, a actuação da justiça divina. Não há homem que não seja pecador e pelos pecados não provoque a justiça divina, como também não existe alguma criatura humana que não tenha boas qualidades, merecimentos naturais. 

O pecado deve ser punido onde quer que seja encontrado – também o pecado do justo reclama castigo. Eis por que os justos já sofrem aqui na Terra para não lhes ser comprometida a felicidade no Céu. A virtude, as boas obras, devem ser recompensadas, onde quer que se apresentem – também a boa obra do pecador reclama galardão. Não podendo ser compensada no Céu, recebe a paga na Terra, o que é de inteira justiça. Não é mau sinal, pois, se a vida parece uma corrente contínua de sofrimentos. 

"A quem Deus ama, castiga" – é observação feita em todos os tempos. Louvemos, pois, a justiça de Deus e não nos deixemos arrastar para a crítica, murmuração e desespero. A verdade está na palavra de Nosso Senhor, que na parábola do mau rico faz Abraão dizer-lhe: "Meu filho, lembra-te que recebeste o teu quinhão de bens durante a vida, ao passo que Lázaro só teve males; agora ele está aqui e tu sofres". 

in farfalline.blogspot.pt


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S. João Bosco a ouvir confissão de Paolo Albera, seu sucessor



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domingo, 28 de agosto de 2016

Governar o Universo é mais difícil do que multiplicar pães

Governar todo o universo é na verdade um milagre maior do que saciar cinco mil homens com cinco pães. E contudo, isso não espanta ninguém, mas as pessoas espantam-se diante de um milagre de menor importância, porque sai do habitual. Com efeito, quem sustenta ainda hoje o universo inteiro, senão Aquele que, apenas com algumas sementes, cria as searas? Cristo fez o mesmo que Deus faz. Usando do seu poder de multiplicar as searas a partir de uns quantos grãos, Ele multiplicou cinco pães; porque tinha poder para tal, e esses cinco pães eram como sementes, que o Criador da terra multiplicou mesmo sem as lançar à terra.

Esta obra foi-nos apresentada aos sentidos para nos elevar o espírito. Tornou-se-nos assim possível admirar «o Deus invisível, através das suas obras visíveis» (Rom 1,20). Depois de termos sido ensinados na fé e purificados por ela, podemos desejar ver sem os olhos do corpo o Ser invisível que conhecemos a partir do visível.

Com efeito, Jesus fez este milagre para que ele fosse visto pelos que ali se encontravam, e eles puseram-no por escrito para que nós tomássemos conhecimento dele. O que os olhos fizeram para eles, fá-lo para nós a fé. De igual modo, reconhecemos na nossa alma o que os nossos olhos não puderam ver e recebemos um belo elogio, pois foi acerca de nós que Ele disse: «Felizes os que acreditam sem terem visto» (Jo 20,29).

Santo Agostinho in Sermões sobre o evangelho de João, nº 24


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sábado, 27 de agosto de 2016

Prior dos beneditinos descreve o terramoto em Núrcia

Dia 24 de Agosto era a festa de São Bartolomeu, o que significava que rezaríamos Matinas às 3:45 da manhã. Cerca das 3:30 - quando já estavam todos em pé, graças a Deus - o terramoto atingiu-nos. Já haviamos experimentado tremores de terra nestes 16 anos que vivemos em Núrcia, mas nada como isto. 

É uma experiência muito assustadora ouvir o ranger da terra e sentir os edifícios balançar para um lado e para o outro. Todos nós tivemos a presença de espírito para sair imediatamente e reunir num lugar aberto - a praça em frente ao mosteiro. Aí juntámo-nos uns aos outros, ao frio, enquanto tremores sucessivos faziam com que o pavimento de pedra ondulasse debaixo dos nossos pés. Os monges e moradores da cidade reuniram-se instintivamente em torno da estátua de São Bento, que está localizada no centro da praça. Os monges rezavam o Terço juntos e muitos dos habitantes da cidade juntaram-se. Agradecemos sinceramente a Deus por as nossas vidas terem sido poupadas.

Do outro lado das montanhas, em Accumoli e Amatrice, o terramoto demoliu as cidades, deixando um rasto de morte e destruição. Lamentamos a trágica morte dessas pessoas, e choramos pelos seus parentes e amigos. Na verdade, como diz a Escritura: "Deus não é o autor da morte

nem se compraz com a destruição dos vivos." (Sabedoria 1, 13). Especialmente grave é a morte súbita, porque não há tempo para se preparar. É por isso que São Bento ordenava aos seus monges para "manter a morte diária diante dos seus olhos". Isto quer dizer que devemos estar sempre preparados, mesmo para uma morte violenta e repentina que vem de forma inesperada no escuro da noite.

A destruição em Núrcia é grave. Não houve apenas um terremoto, mas vários, com tremores de terra contínuos mesmo enquanto escrevo estas linhas (48 horas depois). No mosteiro há uma série de danos superficiais, que são bastante fáceis de reparar, mas tivemos também danos estruturais, o que é muito mais grave. O oficial da Protecção Civil, que veio fazer uma inspecção de emergência na primeira tarde, pediu-nos para sairmos do edifício, porque algumas partes foram consideradas inseguras. Os tremores subsequentes contribuiram ainda mais para os danos. 

A basílica de São Bento foi gravemente atingida. A parede atrás do altar de São Bento cedeu e sairam várias pedras no meio do estuque. Se um monge estivesse a oferecer Missa naquele altar, como acontece muitas vezes no início da manhã, teria morrido. A fachada separou-se do corpo da igreja. Nós ainda não sabemos como ficaram os nossos projectos de restauração, nos quais investimos muito trabalho e tantos recursos! A igreja está fechada, e vai demorar meses, até um ano, para reparar.

Claro, a realidade é que vivemos em uma zona sísmica. Algumas pessoas têm furacões, tornados, tufões - nós temos terramotos. Há duas possíveis atitudes diante deste facto. Um deles é uma espécie de resignação monótona. O outro é confiar tudo à providência de Deus.

Os monges fazem um voto de estabilidade. Um dos frutos desse voto é o que chamamos "amor ao lugar". Nós amamos este lugar. E vamos reconstruí-lo.

Há uma interpretação espiritual que podemos dar ao 'terramoto São Bartolomeu de 2016'. Vem-me à mente uma antífona da Páscoa: "Ecce terraemotus magnus factus est ..." (Eis que houve um grande tremor de terra). A antífona refere-se à reacção da Criação perante a Ressurreição de Cristo. Nós também iremos ressuscitar no final dos tempos, quando o Senhor vier para julgar os vivos e os mortos. Costumava ser comum meditar-se sobre as últimas coisas (novíssimos): morte, juízo, Céu, inferno. seria bom para meditar sobre eles novamente.

Há dois símbolos desta história que nos podem ajudar. Primeiro de tudo, a Basílica de São Bento e o altar do santo foram gravemente danificados. A cultura Católica da civilização ocidental está em colapso. Podemos vê-lo diante dos nossos olhos. O segundo símbolo é a reunião das pessoas ao redor da estátua de São Bento na praça, para rezar. Essa é a única maneira de reconstruir.

O Padre Cassian Folsom é o prior do Mosteiro de S. Bento, em Núrcia, e fundador da comunidade de monges beneditinos que aí vive desde o ano 2000. Usam o rito monástico antigo, com Missa Tradicional. São talvez a comunidade mais jovem do mundo, com uma média de idades de 34 anos, e até à data não param de aparecer vocações.

Para ajudar monetariamente os monges beneditinos de Núrcia: https://en.nursia.org/earthquake-relief/


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Marta, a adolescente que não abortou



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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

5 santos que lutaram contra os demónios

O mundo espiritual é real e nele ocorrem verdadeiros combates. Em certas partes da Bíblia são mencionadas as lutas que existem contra o demónio e a carne, porque quanto mais próxima a pessoa está de Deus mais será tentada.

1) São Padre Pio: “Estes demónios nunca deixam de me golpear”

Foi um sacerdote italiano que nasceu no final do século XIX e morreu em 1968. Embora realizasse muitos milagres e recebesse os estigmas, o Padre Pio também sofreu ataques frequentes do demónio.

Segundo o Pe. Gabriele Amorth, famoso exorcista da diocese de Roma, “a grande e constante luta na vida do santo foi contra os inimigos de Deus e as almas, pois tratou de capturar a sua alma”. Desde a sua juventude o Padre Pio teve visões celestes, mas também sofreu ataques infernais. O Pe. Amorth explica:

“O demónio aparecia algumas vezes em forma de um gato negro e selvagem, ou de animais repugnantes: era clara a intenção de incutir o terror. Outras vezes aparecia na forma de jovens raparigas nuas e provocativas, que dançavam de modo obsceno; era clara a intenção de tentar o jovem sacerdote na sua castidade. Entretanto, o pior perigo era quando Satanás tentava enganar Padre Pio aparecendo como se fosse o seu director espiritual ou aparecendo em forma de Jesus, da Virgem ou de São Francisco”.

Esta última estratégia, quando o diabo aparecia em forma de alguém bom e santo, era um problema. Isso aconteceu quando o Padre Pio percebeu que as visões eram falsas: notou certa timidez quando a Virgem e o Senhor lhe apareceram, seguida de uma sensação de paz quando a visão terminou. Além disso, disfarçado de uma forma sagrada, o diabo provocou-lhe um sentimento de alegria e atracção, mas quando ia embora, ele ficava triste e arrependido.

Satanás também buscava feri-lo fisicamente. O sacerdote descreveu estas dores numa carta a um irmão, que era seu confidente:

“Estes demónios nunca deixam de me atacar, inclusive fazem com que eu caia da cama. Também rasgam as minhas roupas para açoitar-me! Mas já não me assustam porque Jesus me ama e sempre me levanta e me coloca novamente na cama”.

Padre Pio é testemunho de que se uma pessoa estiver perto de Deus não terá que temer a presença do demónio.

2) Santo Antão ‘o Grande’: “O leão rugia, desejando atacar”

Este santo viveu durante os séculos III e IV. Foi um dos primeiros monges a retirar-se para o deserto, de modo a viver entregue ao jejum e à oração. A Igreja conhece a sua história graças ao seu biógrafo: S. Atanásio.

“Quando visitávamos Santo Antão nas ruínas onde vivia, escutávamos tumultos, muitas vozes e o choque de armas. Também víamos que durante a noite apareciam bestas selvagens e o santo combatia contra elas através da oração”, conta Atanásio.

Numa certa ocasião, nos seus 35 anos, Santo Antão decidiu passar a noite sozinho numa tumba abandonada. Então apareceu ali um grupo de demónios que o feriram. Os arranhões do demónio impediram-no de levantar-se do chão. O ermita comentava que a dor causada por essa tortura demoníaca não podia ser comparada com nenhuma ferida causada pelo homem.

No dia seguinte, um amigo seu encontrou-o e levou-o ao povoado mais próximo para o curar. Entretanto, quando o santo recuperou os sentidos pediu ao seu amigo que o levasse de volta à tumba. Ao deixá-lo, Santo Antão gritou: “Sou Antão e aqui estou. Não fugirei das tuas chicotadas e de nenhuma dor ou tortura me separará do amor de Cristo”. S. Atanásio relata que os demónios voltaram e ocorreu o seguinte:

Escutou-se uma trovoada, parecia o barulho de um terremoto, que sacudiu o lugar inteiro e os demónios saíram das quatro paredes em formas monstruosas de animais e répteis. O lugar desta maneira ficou cheio de leões, ursos, leopardos, touros, serpentes, víboras, escorpiões e lobos. O leão rugia, querendo atacar; o touro se preparava para atacar com os seus chifres; a serpente arrastava-se procurando um lugar de ataque e o lobo rosnava ao redor dele. Todos estes sons eram assustadores.

Embora Santo Antão arquejasse de dor, enfrentou os demónios dizendo: “se vocês tivessem algum poder, bastava que apenas um de vocês viesse, mas como Deus vos criou fracos, querem-me assustar com a quantidade de demónios. E o que comprova a vossa debilidade é que adpotaram a forma de animais irracionais”.

“Se forem capazes, e se tiverem recebido um poder de ir contra mim, ataquem-me de uma vez. Mas se não são capazes, porque me perturbam em vão? Porque a minha fé em Deus é o meu refúgio e a muralha que me salva de vocês”.

De repente, o tecto do lugar foi aberto e uma luz brilhante iluminou a tumba. Os demónios desapareceram e as dores pararam. Quando percebeu que Deus o salvou, rezou: “Onde estavas? Por que não apareceste desde o começo e me libertaste das dores? ”

Deus respondeu-lhe: “Antão, eu estava ali, mas esperei para ver-te lutar. Vi como perseveraste na luta, e não caíste, estarei sempre disposto socorrer-te e o teu nome será conhecido em todas partes”.

Depois de escutar as palavras do Senhor, o monge levantou-se e orou. Então recebeu tanta força que sentiu que no seu corpo tinha mais poder do que antes.

3) Santa Gema Galgani: “As suas garras brutais”

Esta Santa italiana foi uma mística que teve experiências espirituais maravilhosas.

Numa carta dirigida a um sacerdote escreveu: “Durante dois dias, depois de receber a Santa Comunhão, Jesus disse-me: “Minha filha, brevemente o diabo começará uma guerra contra ti”. 

Ela percebeu que a oração era a melhor maneira de defender-se contra os ataques do demónio. Por vingança, Satanás atacava-a com fortes dores de cabeça para impedir que dormisse. Entretanto, apesar das fadigas Gema perseverou na oração:

“Quantos esforços este miserável faz para que eu não reze. Ontem tentou-me matar, e quase conseguiu, mas Jesus veio e salvou-me. Estava assustada e mantive a imagem de Cristo na minha cabeça.”

Uma vez, enquanto a Santa escrevia uma carta, o diabo agarrou a caneta das suas mãos, rasgou o papel e tirou a santa da cadeira onde estava sentada, agarrando-a pelos cabelos com a violência das suas “garras ferozes”.

Ela descreve outro ataque num dos seus escritos: “O demónio apresentou-se diante de mim como um gigante e dizia: ‘Para ti já não existe esperança de salvação. Estás nas minhas mãos! ’ Eu respondi-lhe que Deus é misericordioso e, portanto, nada temo. Então bateu-me na cabeça e disse: ‘Maldita sejas! ’, e logo desapareceu.”

“Quando voltei ao meu quarto para descansar, encontrei novamente o demónio e começou a golpear-me com uma corda com vários nós, e queria que eu gritasse que era fraca. Disse-lhe que não, e bateu-me com tanta força que caí de cabeça no chão. Naquele momento pensei: Pai eterno, em nome do preciosíssimo sangue de Jesus, livrai-me! ”

“Não me lembro bem do que aconteceu. A besta arrastou-me da minha cama e bateu na minha cabeça com tanta força que ainda estou dorida. Perdi os sentidos e caí no chão, mas depois despertei. Graças a Deus! ”

Apesar dos ataques, Santa Gemma teve sempre fé em Jesus. Chegava a usar o humor contra Satanás. Uma vez escreveu a um sacerdote: “Tinha que ver, quando satanás fugia fazendo caretas, morreria de rir! É tão feio! Mas Jesus disse-me que eu não o deveria temer”.

4) S. João Maria Vianney: “Faz porque eu converto muitas almas para o bom Deus”

O Santo Padre de Ars nasceu na França no ano 1786. Foi um grande pregador, fazia muitas mortificações, foi um homem de oração e caridade. Tinha um dom especial para a confissão. Por isso, vinham pessoas de diferentes lugares para confessar-se com ele e escutar seus santos conselhos. Devido a seu frutífero trabalho pastoral foi nomeado padroeiro dos sacerdotes. Também combateu contra o maligno em várias ocasiões.

Uma vez, a sua irmã passou a noite em sua casa, localizada ao lado da igreja. Durante a noite ela escutou raspões na parede. Foi ver o seu irmão João Maria, que estava confessando, e lhe explicou:

“Minha filha, não temas: é o resmungão. Ele não pode magoar-te. Ele procura-me da maneira mais atormentadora possível. Às vezes agarra os meus pés e arrasta-me pelo quarto. Ele faz isto porque eu converto muitas almas para o bom Deus”.

O demónio fazia ruídos durante horas, parecidos aos cristais, assobios e relinchos. Ficava também sob a janela do santo de Ars e gritava. O seu propósito era não deixar que o sacerdote dormisse, para ficar cansado e não ficar durante horas no confessionário, onde salvava muitas almas das garras do maligno.

Noutra ocasião, enquanto o sacerdote de Ars se preparava para celebrar a Missa, um homem disse-lhe que o seu dormitório estava a arder. Qual foi a sua resposta? “O resmungão está furioso. Quando não consegue apanhar o pássaro, ele queima a sua gaiola”. Entregou a chave para aqueles que iam ajudar a apagar o fogo. Sabia que Satanás queria impedir a Missa e não o permitiu.

Deus premiou sua perseverança diante das provações com um poder extraordinário que lhe permitia expulsar demónios das pessoas possuídas.

5) Santa Teresa de Jesus: “Os seus chifres estavam ao redor do pescoço do sacerdote enquanto celebrava Missa”

Esta reconhecida doutora da Igreja e mística teve muitas visões espirituais. Durante as suas orações e meditações, o demónio aparecia-lhe.

“Uma forma abominável”, escrevia, “a sua boca era horrorosa”. “Não tinha sombra, mas estava coberto pelas chamas de fogo”.

O demónio causava-lhe também fortes dores corporais. Numa ocasião atormentou-a durante cinco horas enquanto estava em oração com as suas irmãs. A Santa permaneceu firme para não as assustar.

Um dia “viu com os olhos da alma dois diabos que tinham os seus chifres ao redor do pescoço do sacerdote enquanto celebrava Missa”.

Mesmo para ela, estas visões eram estranhas. “Poucas vezes vi o demónio em forma corporal, frequentemente não vejo a sua aparência física, mas sei que está presente.

Quais eram as suas armas contra as forças do mal?

A oração, a humildade e a água benta. Santa Teresa dizia que esta última era uma arma eficaz.

Uma vez estava num oratório e o demónio apareceu ao meu lado esquerdo. Ele disse-me que agora me livrei das suas mãos, mas que ele me apanharia novamente. Ela assustou-se e benzeu-se. Entretanto, Satanás continuou perturbando-a e Teresa tomou um frasco de água benta e derramou a água sobre ele. Daí em diante nunca mais voltou.

in acidigital


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Itália: Estátua de Nossa Senhora entre os escombros do terramoto


Foi encontrada uma estátua de Nossa Senhora com o Menino Jesus ao colo, no meio dos escombros do terramoto que atingiu o centro de Itália. A imagem foi encontrada em Pescara del Tronto, uma das zonas mais devastadas pelo sismo, e está a servir como um sinal de esperança no meio de tanta destruição.

Que Nossa Senhora interceda pelas almas dos que morreram, ajude a consolar as famílias que estão de luto e motive os envolvidos nos difíceis trabalhos de reconstrução.


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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

O espantoso milagre de Lanciano

Era uma manhã de Domingo comum, na cidade italiana de Lanciano, no mosteiro de São Legoziano, onde viviam os Monges de São Basílio. O mais incrédulo deles proferia as palavras da Oração Eucarística, quando, de repente, ocorreu o inesperado. Os olhos assustados do religioso denunciavam o evento. Deus havia condecorado a sua suspeita quanto à transubstanciação com o mais prodigioso dos milagres eucarísticos de que se ouviu falar.

A hóstia convertera-se em Carne viva e o vinho em Sangue Vivo. O pequeno monge que outrora duvidara da presença real de Cristo na Eucaristia agora era obrigado a reconhecer a sua tolice, pedindo perdão a Deus - e à comunidade presente - pela sua falta de fé: "Ó bem-aventuradas testemunhas diante de quem, para confundir a minha incredulidade, o Santo Deus quis desvendar-se neste Santíssimo Sacramento e tornar-se visível aos vossos olhos. Vinde, irmãos, e admirai o nosso Deus que se aproximou de nós. Eis aqui a Carne e o Sangue do nosso Cristo muito amado!" (1)

Comoção geral. A pequena assembleia reunida lançou-se sobre o altar, chorando e clamando a misericórdia de Deus. Havia nascido um novo São Tomé. O monge ganhara a fama do céptico apóstolo de Jesus pelas multidões que se dirigiram à cidade de Lanciano, ano após ano, em longas peregrinações.

A princípio, os fiéis guardaram as relíquias num tabernáculo de marfim, mas, em 1713, foram transferidas para uma custódia de prata e um cálice de cristal, onde se encontram até hoje, na igreja de São Francisco. Enquanto o Sangue se dividia em cinco fragmentos, coagulados em diferentes dimensões, a Hóstia-Carne aparentava um tecido fibroso, de coloração escura, e rósea quando iluminado pelo lado oposto.

A Igreja reconheceu o milagre de Lanciano em 1574. Mas foi somente em Novembro de 1970 que os Frades Menores Conventuais, responsáveis pela guarda das relíquias, tiveram a autorização para submetê-las ao exame de dois médicos. Concluída a pesquisa, em Arezzo, os renomados doutores Linoli e Bertelli publicaram um relatório, dizendo:

"A Carne é verdadeira carne, o Sangue é verdadeiro sangue. A Carne é do tecido muscular do coração (miocárdio, endocárdio e nervo vago). A Carne e o Sangue são do mesmo tipo sanguíneo (AB) e pertencem à espécie humana. No sangue foram encontrados, além das proteínas normais, os seguintes materiais: cloretos, fósforos, magnésio, potássio, sódio e cálcio. A conservação da Carne e do Sangue, deixados em estado natural por 12 séculos e expostos à acção de agentes atmosféricos e biológicos, permanece um fenómeno extraordinário."

Os resultados foram tão incríveis que antes mesmo do fim da análise, os médicos enviaram um telegrama aos Frades, confessando-lhes o espanto: "E o Verbo se fez Carne!" É assim que o Milagre de Lanciano, desafiando a acção do tempo e toda a lógica da ciência humana, se apresenta aos nossos olhos como a prova mais viva e palpável de que "Comei e bebei todos vós, isto é o meu Corpo que é dado por vós."

Curiosamente, o tipo sanguíneo das relíquias é o mesmo encontrado no Santo Sudário.

in Christo Nihil Praeponere


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A multidão que vive em pecado mortal

"São uma legião, por desgraça, os homens que vivem habitualmente em pecado mortal. Absorvidos quase completamente pelas preocupações da vida, envolvidos nos negócios profissionais, devorados por uma sede insaciável de prazeres e diversões e submersos numa ignorância religiosa que chega muitas vezes a extremos incríveis, não se colocam o problema do mais além."

Antonio Royo Marín O.P. in Teología Perfección Cristiana




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Os monges beneditinos de Núrcia

No Jubileu do ano 2000, os monges de Núrcia levaram uma vida nova para o local de nascimento de São Bento. Armados apenas com a sua fé e o seu zelo, fundaram uma comunidade monástica que vem atraindo os homens de todo o mundo a seguir antiga regra de São Bento. Este documentário foi produzido depois de muitos pedidos dos seus amigos para terem uma visão sobre o funcionamento interno da vida no mosteiro.



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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

São Bartolomeu, apóstolo

São Bartolomeu foi um dos doze discípulos de Jesus Cristo. O seu nome vem da língua aramaica e faz uma referência ao nome do seu pai: Bartolomeu vem de “Bar Talmay” e significa “filho de Talmay”.

São Bartolomeu é Natanael

As narrações bíblicas não dão um enfoque especial a Bartolomeu. A não ser numa passagem do Evangelho de João, as passagens bíblicas limitam-se a citar o seu nome entre os doze escolhidos por Jesus. Sabe-se, porém, através dos Evangelhos, que Bartolomeu é a mesma pessoa que o apóstolo Natanael, citado noutros trechos evangélicos. 

Desdenha Nazaré

Natanael é um nome que quer dizer "Deus deu". Este nome ganha um novo sentido se observarmos que Natanael veio de Caná da Galileia. Lá, ele presenciou o primeiro milagre de Jesus, nas famosas “Bodas de Caná” (Jo 2, 1-11). Como São João evangelista nos conta, o discípulo Filipe contou a Natanael (ou Bartolomeu) que tinha acabado de encontrar o Messias. E disse-lhe ainda que o salvador vinha de Nazaré. Natanael imediatamente respondeu conforme o conhecimento da época: "Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?" (Jo 1, 46). 
Esta pergunta de São Bartolomeu mostra claramente que o Messias, ou o Salvador, era esperado como um grande general, vindo de lugares importantes de Israel, e não de um vilarejo perdido na Galileia chamado Nazaré.

O Encontro pessoal com Jesus

Quando São Bartolomeu se encontrou com Jesus, aquele “Messias vindo de Nazaré”, recebeu do Mestre um elogio inesperado. Jesus disse a ele "Aqui está um verdadeiro Israelita, em quem não há fingimento" (Jo 1, 47). São Bartolomeu, surpreso, respondeu: "De onde me conheces?" Jesus respondeu revelando-lhe a sua messianidade: "Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas sob a figueira".
Jesus mencionou um momento importante na vida de Bartolomeu. Sentindo o olhar do Mestre, Bartolomeu percebe que aquele Mestre realmente o conhecia. Depois desse momento, Bartolomeu decide seguir o Mestre e faz a sua profissão de fé em Jesus: "Rabi, tu és o filho de Deus, tu és o Rei de Israel".

São Bartolomeu, discípulo e apóstolo

São Bartolomeu seguiu a Jesus nos três anos da Sua vida pública. Testemunhou os ensinamentos, as acções, os milagres, a morte e a ressurreição de Jesus. Esteve no Pentecostes, quando o Espírito Santo veio sobre todos e todos se tornaram missionários corajosos da Boa Nova pelo mundo.
Bartolomeu conheceu pessoalmente Nossa Senhora, e dela certamente aprendeu mais sobre os ensinamentos do Mestre. Assim, cheio do Espírito de Deus, depois de ter sido discípulo de Jesus, ele passou a ser Apóstolo, palavra grega que quer dizer “Enviado”. Ele foi enviado, Apóstolo, em nome de Jesus. E fez maravilhas pelo Reino de Deus em terras longínquas.

Missão de São Bartolomeu

A Tradição da Igreja e fontes históricas dizem que São Bartolomeu foi anunciar Reino de Deus até ao distante país da Índia. Há outra tradição que afirma que São Bartolomeu foi pregar o Evangelho onde é hoje a Europa Oriental. Lá, terá realizado uma maravilhosa missão acompanhada de conversões sinceras que confirmavam a pregação da Palavra de Deus.

Martírio

Depois dessa frutuosa missão em que muitos se converteram a Jesus Cristo e onde várias comunidades cristãs foram criadas, São Bartolomeu foi martirizado, vítima de esfolamento de toda a sua pele. Foi na cidade de Albanópolis, hoje Derbent, na região russa do Daguestão, às margens do mar Cáucaso. Foi morto por ordem do governador local, que não aceitou a pregação do cristianismo nas suas terras.

Iconografia (representação artística)

Essa tradição é tão forte que São Bartolomeu foi pintado na Capela Sistina segurando a pele de seu corpo na sua mão esquerda e, na mão direita, uma adaga, tipo de uma espada afiada, instrumento do martírio que ele sofreu. Séculos depois, as relíquias de São Bartolomeu foram transportadas para Roma e estão hoje na igreja a ele dedicada.

Devoção a São Bartolomeu

A festa litúrgica de São Bartolomeu é celebrada no dia 24 de Agosto, provável dia da sua morte. As igrejas da Europa oriental devem a sua fé, em última instância, à pregação corajosa de São Bartolomeu, cujos frutos permanecem até hoje.
in cruzterrasanta.com.br


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O maior no Reino dos Céus

"Se não voltardes a ser como as criancinhas, não podereis entrar no Reino do Céus. 
Quem, pois, se fizer humilde como este menino será o maior no Reino do Céus." Mt 18, 3-4


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terça-feira, 23 de agosto de 2016

Santa Rosa de Lima, padroeira da América Latina

Rosa viveu uma infância serena e economicamente privilegiada. Mas, de repente, a família sofreu um revés financeiro. Arregaçou, então, as mangas, ajudando a família em todo género de actividades, desde trabalhos domésticos ao cultivo de uma horta e ao bordado, como forma de ganhar a vida. 

Desde pequena aspirou a consagrar-se a Deus na vida do claustro, mas o Senhor fez-lhe conhecer a Sua vontade, de que permanecesse virgem no mundo. Leu a vida de Santa Catarina de Sena, que se tornou o seu modelo de vida, aprendendo dela o amor por Cristo, pela Sua Igreja e pelo próximo, sobretudo os irmãos índios. Como a Santa de Sena, vestiu o hábito da Ordem Terceira Regular dos Pregadores. Tinha vinte anos de idade. 

Com a permissão da família, organizou numa sala da casa materna um tipo de abrigo para os necessitados, onde dava assistência a crianças e anciãos abandonados, em particular aos de origem índia. Ainda como Santa Catarina, foi tornada digna de sofrer a Paixão do Seu divino Esposo, mas também provou o sofrimento da "noite escura", que durou uns bons 15 anos. Recebeu também o extraordinário dom das núpcias místicas. Foi enriquecida também com outros carismas, como o de fazer milagres, da profecia e da bi-locação. 

A partir de 1609, encerrou-se em uma cela de apenas dois metros quadrados, construída no jardim da casa materna, fria no Inverno e quente e cheia de mosquitos no Verão para melhor rezar em união com o Senhor. Da cela saia apenas para a função religiosa, onde passava grande parte do seus dias de joelhos, a rezar e em estreita união com o Senhor e das suas visões místicas, que começaram a ocorrer com uma impressionante regularidade, todas as semanas, de Quinta-feira ao Sábado. À oração, Rosa juntava a autoflagelação, vigílias e jejuns, e a sua vida ascética era cheia de visões, mas também de assédios demoníacos. 

Já em vida era grande a sua fama de santidade. O episódio mais marcante da sua existência terrena no-la apresenta abraçada ao Tabernáculo para defendê-lo dos calvinistas holandeses levados ao assalto da cidade de Lima pela frota do pirata Jorge Spitzberg. A inesperada libertação da cidade, por causa da repentina morte do comandante holandês, foi atribuída à sua intercessão. Em 1615, na “Ciudad de Los Reyes” (Lima), Rosa encabeçou uma "rogativa" (oração pública) numa igreja, diante do possível desembarque de piratas holandeses que já haviam assaltado o vizinho porto de El Callao. Sem prévio aviso, uma grande tormenta impediu que as embarcações se aproximassem à terra e a cidade ficou a salvo. 

Rosa, pressentindo a chegada da morte, confidenciou: "Este é o dia de minhas núpcias eternas". Era o dia 24 de agosto de 1617, festa de São Bartolomeu. Tinha trinta e um anos de idade. 

Foi beatificada em 1668 pelo Papa Clemente IX, e dois anos depois foi proclamada Patrona Principal das Américas, das Filipinas e das Índias Ocidentais, pelo Papa Clemente X. Tratava-se de um reconhecimento singular uma vez que um decreto do Papa Urbano VIII, de 1630, estabelecia que não poderiam ser dados como protetores de reinos e cidades pessoas que não haviam sido canonizadas. De qualquer forma, foi canonizada em 12 de Abril de 1671, pelo Papa Clemente X. Também é a padroeira dos jardineiros e dos floristas. É invocada em caso de feridas, contra as erupções vulcânicas e em caso de lutas na família. 

in farfalline.blogspot.pt

Fontes: 

http://www.santiebeati.it/dettaglio/28950 - Santi e Beati. Autor: Francesco Patruno (em italiano). 
https://it.wikipedia.org/wiki/Rosa_da_Lima - Wikipédia (em italiano). 
http://migre.me/qVDhx - Facebook. Com os relatos da invasão calvinista e um desenho dos navios holandeses (em espanhol).


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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Oração em honra ao Imaculado Coração de Maria

Amabilíssimo Coração de Maria:
Que ardeis continuamente em vivas chamas de amor divino; por Ele vos suplico, Mãe minha amorosíssima, que abraseis o meu tíbio coração nesse divino fogo em que estais toda inflamada.
(Avé-Maria e Glória)


Puríssimo Coração de Maria:
De quem brota a linda açucena de virginal pureza.
Por ela vos peço, Mãe minha imaculada, que purifiqueis o meu impuro coração, infundindo nele a pureza e castidade.
(Avé-Maria e Glória)


Afligidíssimo Coração de Maria:
Trespassado com a espada de dor pela paixão e morte de vosso querido Filho Jesus, e pelas ofensas que continuamente se fazem à sua Divina Majestade;
Dignai-vos, Mãe minha dolorosa, penetrar no meu duro coração com uma viva dor dos meus pecados e com o mais amargo sentimento dos ultrajes e injúrias que está a receber dos pecadores o Divino Coração do meu adorável Redentor.
(Avé-Maria e Glória)

Oh doce Coração de Maria, sede a minha salvação.


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Missa Tradicional no Rio de Janeiro

Todos os Domingos, às 9h da manhã, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, na cidade do Rio de Janeiro, celebra-se a Santa Missa Prelatícia na Forma Extraordinária do Rito Romano. 

Mas, o que é a Forma Extraordinária do Rito Romano? Tem aprovação do Papa? É de difícil compreensão e participação? Para responder a essa questão conversámos com o Pe. José Edilson de Lima, sacerdote da Administração Apostólica S. João Maria Vianney e Juiz auditor do Tribunal arquidiocesano do Rio de Janeiro

Qual é a diferença entra a Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano e na Forma Ordinária? Desde quando existe?

Pe. José:  A Missa na Forma Extraordinária é fruto de uma antiga tradição recolhida por São Gregório Magno (596-604) para uso em Roma, que fixou o cânon romano. Por ser a Liturgia da Igreja de Roma, generalizou-se em todo o Ocidente entre os anos 700 a 1500. Com Carlos Magno passa a ser usada no Império dos Francos e foi enriquecida no contacto com as diversas liturgias galicanas e orientais. 

Com a crise na Igreja e no papado, o Missal, agora franco-germânico, volta para Roma e vai ser a base para a reforma gregoriana no século X. Os ritos foram simplificados para uso interno da Cúria em suas viagens e o Missal Romano passa a ser usado em toda parte. Os franciscanos adoptaram-no e acabaram por divulgá-lo em todo o Ocidente.

O Concílio de Trento, enfrentando a crise da Igreja na época e as investidas protestantes contra os dogmas eucarísticos, especialmente o valor da Santa Missa, da Eucaristia e do Sacerdócio,  ordenou a reforma do Missal e em 1570, com a Bula Quo primum tempore, o Papa São Pio V publicou o Missal Romano, tomando como base o Missal da Cúria e impondo-o como obrigatório em toda a Igreja Latina. Por isso o Missal na forma antiga é chamado erradamente de São Pio V, ou Tridentino. Na realidade é muito mais antigo.

Os Papas posteriores reeditaram o Missale Romanum realizando melhorias na formulação das rubricas, revisão de alguns textos e reformas no calendário. A última reforma das rubricas foi feita pelo Beato João XXIII através do Motu Próprio Rubricarum instructum, no dia 25 de Julho de 1960. A última edição conforme as novas Rubricas é do ano 1962. É a chamada hoje Forma Extraordinária do Rito Romano. 

O grande diferencial está na sua história, pois é fruto de uma evolução litúrgica homogénea, e na sua precisão teológica, principalmente no que diz respeito aos dogmas eucarísticos. Aparece mais o sentido do sagrado numa liturgia mais vertical. Pela precisão nas rubricas, está menos sujeita a alterações, o que dá uma certa garantia contra as inovações que podem acontecer, fruto de pouco conhecimento do verdadeiro sentido litúrgico.

in Zenit


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