quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Akathistos - Cantado de pé para a Nossa Mãe do Céu

O hino Akathistos (ou seja, “cantado de pé”) é a mais bela composição mariana do Rito Bizantino. Canta o mistério da encarnação salvífica do Verbo de Deus, desde a anunciação até à parusia, contemplando a Virgem Mãe indissoluvelmente unida a Cristo e à Igreja. Composto pouco depois do Concílio de Calcedónia (451), apresenta em forma de síntese orante, tudo o que a Igreja dos primeiros séculos acreditou e exprimiu sobre Maria em declarações do magistério e no consenso universal da fé - e que a Igreja continua a acreditar.

Maria é "ícone da Igreja, símbolo e antecipação da humanidade transfigurada pela graça, modelo e esperança segura para todos aqueles que dirigem os seus passos para a Jerusalém do Céu" (Orientale Lumen, 6)

Este dia estamos todos repletos de profunda alegria: a alegria de louvar Maria com o Hino "Akathistos", tão querido à tradição oriental. É um cântico todo centrado em Cristo, contemplado à luz da sua Virgem Mãe. Por 144 vezes ele convida-nos a renovar a Maria a saudação do Arcanjo Gabriel: Ave Maria! Repercorremos as etapas da sua existência e louvamos os prodígios realizados nela pelo Omnipotente: desde a concepção virginal, início e princípio da nova criação, até à sua maternidade divina, à partilha da missão do seu Filho, sobretudo nos momentos da sua paixão, morte e ressurreição. Mãe do Senhor ressuscitado e Mãe da Igreja, Maria precede-nos e guia-nos ao conhecimento autêntico de Deus e ao encontro com o Redentor. Ela indica-nos o caminho e mostra-nos o seu Filho. Ao celebrá-la com alegria e gratidão, honramos a santidade de Deus, cuja misericórdia fez maravilhas na sua humilde serva. Saudámo-la com o título de Cheia de graça e imploramos a sua intercessão por todos os filhos da Igreja que, com este Hino Akathistos, celebra a sua glória.
Que ela nos guie à contemplação, no próximo Natal, do mistério de Deus feito homem para nossa salvação! (S. João Paulo II - 8 de Dezembro de 2000)
Mãe de Deus Soberana Virgem!
Erguemos para Ti nossos louvores,
O nosso cântico de acção de graças!
Teu poderoso braço nos envolva qual sólida muralha!
Salva-nos do perigo! Salva-nos do perigo!
Não tarde o Teu socorro aos fiéis que Te cantam:

Salve, Esposa Imaculada!
Enviado do Céu veio sublime Arcanjo Para saudar a Mãe de Deus: – Ave Maria! E ao ver que, à sua voz, Deus Se fazia homem Junto dela cantou o seu deslumbramento:

Ave Maria! Tu és o resplendor da nossa Salvação! Ave Maria! Por Ti a maldição enfim desaparece! Ave Maria! És Tu quem levanta Adão da sua queda! Ave Maria! Enxugas finalmente as lágrimas de Eva! Ave Maria! Montanha inacessível ao pensamento humano! Ave Maria! Oceano impenetrável ao próprio olhar dos Anjos! Ave Maria! És o trono e o palácio do divino Rei! Ave Maria! Sustentas em Ti Aquele que sustenta o Universo! Ave Maria! Estrela que anuncias o Sol que vai nascer! Ave Maria! És o fecundo seio da incarnação divina! Ave Maria! Todas as criaturas em Ti são recriadas! Ave Maria! Em Ti o Criador tornou-Se uma criança!

Salve, Esposa Imaculada!
Maria, conhecendo a Sua Virgindade, Respondeu firmemente ao Anjo Gabriel: “Não entende a minha alma tão rara Palavra: Um filho gerarei sem deixar de ser Virgem?”

Alleluia! Alleluia! Alleluia!
Tão profundo mistério buscando entender, Pergunta ao Anjo a Virgem: – “No meu casto seio Como será possível ser gerado um filho?” E em grande reverência o Anjo assim cantava:

Ave Maria! Inefáveis desígnios Te foram revelados! Ave Maria! És guardiã dum secretíssimo Mistério! Ave Maria! Ó sagrado começo dos prodígios de Cristo! Ave Maria! Sumário de todas as Suas divinas verdades! Ave Maria! Escada celeste por onde desce o Senhor! Ave Maria! Ponte que nos levas da terra para o Céu! Ave Maria! Inesgotável prodígio cantado pelos Anjos! Ave Maria! Fonte de lamentos para demónios! Ave Maria! Que dás à luz inefavelmente a Luz! Ave Maria! Que não revelaste a ninguém um tal mistério! Ave Maria! Cujo saber ultrapassa toda a ciência dos sábios! Ave Maria! És a iluminação do espírito dos crentes!

Salve, Esposa Imaculada!
Cobriu de Sua sombra o Omnipotente Deus A imaculada Esposa e fê-la conceber. O seu fecundo ventre é como um campo fértil, Seara redentora dos que assim exultam:

Alleluia! Alleluia! Alleluia!
Levando o Senhor Deus no seu materno seio Entrou a Virgem-Mãe na casa de Isabel: No ventre de Isabel, em saltos de alegria, Louvou João a Mãe do Cristo Salvador:

Ave Maria! Haste de onde brota a incorruptível flor! Ave Maria! Ramo de onde nasce o saboroso fruto! Ave Maria! Jardim onde germina o Senhor nosso Amigo! Ave Maria! Canteiro semeado de Quem semeia a nossa vida! Ave Maria! Campo que produz a abundância do perdão! Ave Maria! Sagrada Mesa do banquete propiciatório! Ave Maria! Para nós cultivas um jardim delicioso! Ave Maria! Às nossas almas preparas um abrigo de paz! Ave Maria! Tu és um incenso de agradável odor! Ave Maria! És o dom propício para o universo! Ave Maria! Benevolência de Deus para a criatura humana! Ave Maria! Advogada nossa na presença do Senhor!

Salve, Esposa Imaculada!

Sentindo o coração de dúvidas cercado Sofre o casto José a dor da suspeição: Conhecendo-Te Virgem mas Te vendo Mãe, Ouve o Espírito Santo e exclama de alegria:


Alleluia! Alleluia! Alleluia!
Ouviram os pastores o louvor dos Anjos À vinda do Senhor que se tornara humano; Ao seu Pastor correndo, viram-n’O Cordeiro Nos braços de Maria a quem assim cantaram:

Ave Maria! Mãe do Cordeiro e Mãe do Bom Pastor! Ave Maria! Redil que recebes as espirituais ovelhas! Ave Maria! Tu as proteges dos lobos devoradores! Ave Maria! És tu quem nos abre as portas do Paraíso! Ave Maria! Por ti o Céu exulta de harmonia com a terra! Ave Maria! Por ti os Anjos rejubilem convivendo com os homens! Ave Maria! Boca dos Apóstolos que jamais conheces o silêncio! Ave Maria! Incomparável Coragem dos vitoriosos Mártires! Ave Maria! Firmíssima coluna em que se apoia a nossa fé! Ave Maria! Radiosa manifestação da graça de Senhor! Ave Maria! Por ti o negro inferno é despojado das suas vítimas! Ave Maria! Por ti vestimos de novo a gloriosa claridade!

Salve, Esposa Imaculada!
Quando viram a Estrela por Deus dirigida, Os Magos a seguiram – rútila bandeira! A Luz os conduziu ao Rei omnipotente E aos pés do Inacessível cantaram em júbilo:

Alleluia! Alleluia! Alleluia!
Vendo o seu Criador, os Magos da Caldeia No regaço da Virgem o Senhor adoram! Em seu aspecto humano Lhe oferecem prendas E cantam de alegria à Bem-Aventurada:

Ave Maria! Mãe da Estrela que não tem ocaso! Ave Maria! Aurora do Dia de espiritual claridade! Ave Maria! Por quem foi extinto o clarão infernal! Ave Maria! Luz que nos revelas o mistério da Trindade! Ave Maria! Expulsaste do seu reino o Tirano dos homens! Ave Maria! Ostensório de Cristo Senhor, o Amigo dos homens! Ave Maria! Tu nos libertaste dos cultos do paganismo! Ave Maria! Tu nos libertaste das nossas vãs acções! Ave Maria! Tu fizeste desaparecer a adoração do fogo! Ave Maria! Tu em nós apaziguaste o fogo das paixões! Ave Maria! Guia que nos orienta para a sabedoria de Deus! Ave Maria! Exultante alegria de toda a humanidade!

Salve, Esposa Imaculada!
Arautos do Senhor, cumprindo as profecias, Regressaram os Magos para Babilónia: Anunciaram Cristo a todas as nações, Apenas não cantando Herodes-o-Tirano:

Alleluia! Alleluia! Alleluia!
E no Egipto, Senhor, brilhou Vossa Verdade E as trevas da mentira Vós as expulsastes: Seus ídolos tombaram frente à vossa Luz E o povo libertado a Virgem aclamou:

Ave Maria! Esperança dos homens e seu ressurgimento! Ave Maria! Desespero dos demónios e sua derrocada! Ave Maria! Os teus pés esmagaram a serpente enganadora! Ave Maria! Tu lançaste por terra a máscara dos ídolos! Ave Maria! Mar onde foi engolido o Faraó diabólico! Ave Maria! Rochedo que dais água aos que têm sede da vida! Ave Maria! Coluna de fogo que nos orientas nas trevas! Ave Maria! Muralha abrigo do mundo, mais vasta que o firmamento! Ave Maria! Vaso contendo o maná, nosso pão celestial! Ave Maria! Serva que nos preparas as sacrossantas delícias! Ave Maria! Inefável paraíso da Terra Prometida! Ave Maria! Ó Terra da Promessa onde correm o leite e o mel!


Salve, Esposa Imaculada!

Estando Simeão no termo dos seus dias, Em forma de criança viram-Te os seus olhos: Em ti reconheceu a perfeição divina E Te aclamou – ó Sapiência Inacessível:

Alleluia! Alleluia! Alleluia!
O Eterno Criador fez nova a Criação Mostrando-se criança às suas criaturas: Imaculado ventre O gera sem o sémen E por tal maravilha, Mãe-Virgem, Te cantamos:

Ave Maria! Botão do qual floresce a vida que não tem fim! Ave Maria! Preciosa coroa da excelsa castidade! Ave Maria! Imagem fulgurante da Ressurreição! Ave Maria! Só Tu és igual à condição dos Anjos! Ave Maria! Árvore de luminosos frutos, alimento dos fiéis! Ave Maria! Árvore de frondosa frescura, abrigo de multidões! Ave Maria! Do Teu seio foi nascido o Salvador dos errantes! Ave Maria! Tu deste aos pobres cativos um libertador! Ave Maria! Advogada que nos defende diante do Juiz equitativo! Ave Maria! És a reconciliação de tantos pecadores! Ave Maria! Manto que revestes os despidos pela desgraça! Ave Maria! Ternura que ultrapassas todos os gestos de amor!

Salve, Esposa Imaculada!
Perante a maravilha deste nascimento Levantemos ao Céu os nossos corações: Homem humilde, o excelso Deus à terra veio Chamar para as alturas quantos O louvarem:

Alleluia! Alleluia! Alleluia!
Sem ter deixado os Céus, o transcendente Verbo Por divina vontade em corpo humano incarna, Deixando inviolado o corpo virginal Da Mãe por Si eleita, Aquela que aclamamos:

Ave Maria! Tabernáculo d’Aquele que os espaços não encerram! Ave Maria! Pórtico de entrada para o insondável mistério! Ave Maria! Estranha notícia que os descrentes não entendem! Ave Maria! Ó evidente glória para aqueles que acreditam! Ave Maria! Carro triunfal de Deus transportado pelos Querubins! Ave Maria! Trono glorioso de Deus transportado pelos Serafins! Ave Maria! Tu levas à unidade o que se encontra disperso! Ave Maria! Em Ti a virgindade tornou-se maternal! Ave Maria! Tu desprendes os laços que nos ligam à morte! Ave Maria! Por Ti o paraíso é de novo aberto! Ave Maria! És a porta do Céu, a chave do Reino de Cristo! Ave Maria! És o penhor de esperança da felicidade eterna!

Salve, Esposa Imaculada!
Assombraram-se os Anjos face à Incarnação Ao ver o Inacessível tão ao pé dos homens! Com os mortais humanos conversava Deus E deles recebia a sua aclamação:

Alleluia! Alleluia! Alleluia!
Os grandes oradores, como peixes mudos, Ao falarem de Ti – ó Mãe de Deus – ignoram Como é que foste Mãe guardando a virgindade, Admirável mistério por que Te louvamos:

Ave Maria! Vaso da admirável sabedoria de Deus! Ave Maria! Tu guardas o tesouro da providência divina! Ave Maria! Diante de Ti os sábios são simples ignorantes! Ave Maria! Diante de Ti os Mestres revelam-se insensatos! Ave Maria! Diante de Ti os inventores do mal sentem-se confundidos! Ave Maria! Diante de Ti desaparecem os contadores de mitos! Ave Maria! Tu rasgas as armadilhas dos pensadores de Atenas! Ave Maria! És Tu quem enche as redes aos pescadores de homens! Ave Maria! És Tu quem nos afasta dos abismos da ignorância! Ave Maria! És Tu quem nos dá a luz da verdadeira ciência! Ave Maria! Navio que nos salva das furiosas ondas! Ave Maria! Porto de paz para os navegantes!

Salve, Esposa Imaculada!
Para salvar o mundo, por vontade Sua, O Criador Se faz dos homens o Pastor! Homem igual a nós, de Deus faz-Se Cordeiro; A Si igual nos faz – por isso Lhe cantamos:

Alleluia! Alleluia! Alleluia!
Ó Virgem Mãe de Deus, das virgens fortaleza, Muralha que proteges os que em Ti se abrigam: Vestiu-Te o Criador da máxima beleza Para habitar teu seio e para Te cantarmos:

Ave Maria! Coluna de inocência e de virgindade! Ave Maria! Porta da Salvação e da redenção dos homens! Ave Maria! A nova criação em Ti foi começada! Ave Maria! Mensageira que trazes a divina caridade! Ave Maria! Trouxestes a liberdade aos nascidos no pecado! Ave Maria! Acendestes a luz nos corações perdidos! Ave Maria! Aos Teus pés esmagaste a serpente da corrupção! Ave Maria! Destes à luz o Cordeiro da imaculada pureza! Ave Maria! O Teu leito de núpcias é leito de castidade! Ave Maria! És a íntima união dos fiéis com o Senhor! Ave Maria! És o sustente das virgens, o alimento dos castos! Ave Maria! Vestes as nossas almas para as núpcias do Cordeiro!

Salve, Esposa Imaculada!
Não chegam nossos hinos para Vos louvarem – Senhor – os vossos actos de misericórdia! Como a areia do mar fossem tão incontáveis, Não seriam bastantes para Vos cantar:

Alleluia! Alleluia! Alleluia!
Fogo resplandecente em mais escura noite, Um místico farol a Virgem nos acende: Guia que nos conduz à celestial Ciência, Louvamos seu fulgor num cântico de júbilo:

Ave Maria! Claridade que anuncia o Sol do Povo de Deus! Ave Maria! Fulgurante clarão da Luz que não tem ocaso! Ave Maria! Deslumbrante fulgor que acende os nossos corações! Ave Maria! Tempestade cujos raios atingem o cruel Inimigo! Ave Maria! Mensageira que és portadora do sacrossanto Fogo! Ave Maria! Estuário que recebes um rio de águas abundantes! Ave Maria! Imagem viva e santa da nascente do Baptismo! Ave Maria! Tu lavas as nossas almas das manchas do pecado! Ave Maria! Vaso em que se purifica a nossa consciência! Ave Maria! Cálice que derramas a alegria e a vida! Ave Maria! Perfume que nos envolve de espiritual suavidade! Ave Maria! Luz viva que foste acesa no celestial banquete!

Salve, Esposa Imaculada!
A nós, seus devedores, o perdão concede E ao nosso encontro vem o Deus de quem fugimos! Perdoa a culpa humana e as dívidas esquece! Da humanidade inteira escute a aclamação:

Alleluia! Alleluia! Alleluia!
O Teu parto exaltamos em louvor eterno, Ó Santa Mãe de Deus, seu verdadeiro Templo! O Altíssimo Senhor Te fez Sua Morada: Nós Te glorificamos, nós Te bendizemos:

Ave Maria! Sagrada Tenda onde vive o Verbo Filho de Deus! Ave Maria! És mais que o Santo dos Santos, no Templo de Jerusalém! Ave Maria! Arca revestida a ouro pelo Espírito de Deus! Ave Maria! Tesouro inesgotável do qual a Vida emana! Ave Maria! Precioso diadema dos príncipes cristãos! Ave Maria! Ó venerável glória dos santos sacerdotes! Ave Maria! Ó inexpugnável torre da Santa Igreja de Deus! Ave Maria! Ó inabalável defesa de todo o povo cristão! Ave Maria! Por Ti nós exultamos erguendo estandartes! Ave Maria! Por Ti foi derrotado o Inimigo da humanidade! Ave Maria! Remédio para os corpos e salvação das almas!

Salve, Esposa Imaculada!
Virgem e Mãe, digníssima de ser louvada, O Verbo deste à luz, dos santos o Santíssimo! Protege de futuras penas e desgraças O Povo que Te exalta em cântico de júbilo:

Alleluia! Alleluia! Alleluia!
Neste dia da Imaculada Conceição da Virgem Maria, rezemos à Santíssima Virgem, Rainha de Portugal, pelo nosso país, pela conversão dos pecadores e pela exaltação da Santa Igreja:
O Maria sine labe originali concepta, ora pro nobis qui confugimus ad te!

PF


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A Imaculada Conceição e a História de Portugal

As Nações sobrevivem à erosão do tempo e permanecem vivas na história dos povos se prosseguirem na fecundidade que lhes vem da sua espiritualidade e da sua cultura. A diluição espiritual e cultural de um povo significará inevitavelmente a perca da sua identidade e a sua fusão num hoje sem futuro.

A História de Portugal regista dois momentos altos na recuperação da sua independência: a Revolução 1383-1385 e a Restauração de 1640.

Na Revolução de 1383-1385 salienta-se o cerco de Lisboa, que durou cerca de cinco meses e terminou em princípios de setembro de 1384, acentuando-se durante o assédio, o significado da vitória alcançada por D. Nuno Alvares Pereira em Atoleiros a 6 de abril de 1384 e a eleição do Mestre de Aviz para Rei de Portugal, curiosamente a 6 de abril de 1385. Em 15 de agosto travou-se a Batalha de Aljubarrota, sob a chefia de D. Nuno Alvares Pereira, símbolo da vitória e da consolidação do processo revolucionário de 1383-1385.

No movimento da restauração destaca-se a coroação de D. João IV como Rei de Portugal, a 15 de dezembro de 1640, no Terreiro do Paço em Lisboa.

A Solenidade da Imaculada Conceição liga estes dois acontecimentos decisivos na História da independência de Portugal e no contexto das Nações Europeias. Segundo secular tradição foi o condestável D. Nuno Alvares Pereira quem fundou a Igreja de Nossa Senhora do Castelo em Vila Viçosa e quem ofereceu a imagem da Virgem Padroeira, adquirida na Inglaterra. Este gesto do Contestável reconhece que a mística que levou Portugal à vitória veio da devoção de um povo a Nossa Senhora da Conceição.

Aliás, já desde o berço, já aquando da conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques, havia sido celebrado um pontifical de ação de graças, em Lisboa, em honra da Imaculada Conceição.

A espiritualidade que brotava da devoção a Nossa Senhora da Conceição foi novamente sublinhada no gesto que D. João IV assumiu ao coroar a Imagem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa como Rainha de Portugal nas cortes de 1646.

Esta espiritualidade imaculista foi igualmente assumida por todos os intelectuais, que na prestigiada Universidade de Coimbra defenderam o dogma da Imaculada Conceição sob a forma de um juramento solene.

De tal modo a Imaculada Conceição caracteriza a espiritualidade dos portugueses, que durante séculos o dia 8 de dezembro foi celebrado como "Dia da Mãe" e João Paulo II incluiu no seu inesquecível roteiro da Visita Pastoral de 1982 dois Santuários que unem o Norte e o Sul de Portugal: Vila Viçosa no Alentejo e o Sameiro no Minho.

O dia 8 de dezembro transcende o "Dia Santo" dos Católicos e engloba indubitavelmente a comemoração da Independência de Portugal, que o dia 1 de dezembro retoma. O feriado do dia 8 de dezembro é religioso, mas é também celebrativo da cultura, da tradição e da espiritualidade da alma e da identidade do povo português.

Não menos importante, e em âmbito religioso e litúrgico, o tema da Imaculada Conceição da Virgem Maria é já abundantemente abordado pelos Padres da Igreja. Será o Oriente cristão o primeiro a celebrá-la. Festividade que chega à Europa Ocidental e ao continente europeu pelas mãos das cruzadas Inglesas nos séc. XI e XII. Vivamente celebrada pelos franciscanos a partir de 1263, será o também franciscano Sixto IV, Papa, que a inscreverá no calendário litúrgico romano em 1477.

De facto, o debate e a celebração desta festividade em toda a Europa é acompanhada pela história do próprio Portugal. Coimbra, como já vimos, tem um importante papel em todo este processo.

Em 8 de dezembro de 1854, viverá a Igreja o auge de toda esta riqueza teológica e celebrativa. Através da bula "Ineffabilis Deus", Pio IX, após consultar os bispos do mundo, definirá solenemente o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria.

Não estamos diante de uma simples festa cristã ou de capricho religioso. O dogma resulta de tudo quanto a Igreja viveu até aqui e vive hoje em toda a sua plenitude. Faz parte da identidade da Igreja. Isso mesmo o prova o texto proclamado por Pio IX que apoia a sua argumentação nos Padres e Doutores da Igreja e na sua forma de interpretar a Sagrada Escritura. Ele, de facto, reconhece que este dogma faz parte, depois de muitos séculos, do ensinamento ordinário da Igreja.

Portugal, segundo Nuno Alvares Pereira, ou melhor, São Nuno de Santa Maria, e D. João IV isso mesmo o demonstram, não só como resultado da sua própria fé mas como expressão de um povo deveras agradecido pela sua Independência e Liberdade.

A Conceição Imaculada da Virgem é um dogma de fé segundo o qual Maria é considerada a primeira redimida pela Páscoa de Cristo.

Pe. Francisco Couto,
Reitor do Santuário de Vila Viçosa, professor do Instituto Superior de Teologia de Évora
Pe. Senra Coelho, professor do Instituto Superior de Teologia de Évora, Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa. (O Pe. Senra Coelho é actualmente Bispo Auxiliar em Braga.)
in Agência Ecclesia (6/12/2015)



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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Cheia de Graça é o nome mais bonito de Maria




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Quando uma mulher árabe beijou os pés de Bento XVI

A visita apostólica ao Líbano, em Setembro de 2012 foi uma das últimas viagens do Papa Bento XVI. Durante o ofertório da Missa em Beirute, a católica libanesa que cantava aproximou-se do Papa, emocionada, ajoelhou-se e beijou-lhe os pés. O Santo Padre não se perturbou com o gesto, entendendo a grande humildade daquela mulher e o amor que ela demonstrava à santidade do seu ministério e não à sua pessoa.
Vídeo: 'Direto da Sacristia'


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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

S. Josemaria e S. Nicolau - Uma amizade sem fim?

Depois de fundar o Opus Dei em 1928, uma das primeiras iniciativas de S. Josemaria foi abrir uma residência de estudantes em Madrid.

Muitos dos primeiros membros da Obra conheceram S. Josemaria através desta residência. Além de residência, a casa era também uma academia onde muitos estudantes iam estudar e ter algumas explicações. Chamava-se Academia DYA, que significava oficialmente Derecho y Arquitectura, mas para S. Josemaria significava Dios y Audacia, um lema que veio a marcar o apostolado da Obra pelo mundo fora.

Uma das audácias de S. Josemaria tinha sido comprar o espaço da residência, vários andares de um prédio no centro de Madrid, sem ter praticamente dinheiro. Mês a mês arranjava dinheiro para pagar as prestações que devia. Em Dezembro de 1934 a situação complicou-se e S. Josemaria não via como arranjar dinheiro para pagar esse mês.

No dia 6 de Dezembro, festa de S. Nicolau, conseguiu resolver o problema. Quando ia celebrar Missa, a subir os degraus para o altar, rezou para dentro e pediu a S. Nicolau para interceder pela situação económica da Academia DYA. Disse que se S. Nicolau ajudasse, o faria intercessor da Obra. Logo a seguir reconsiderou e imediatamente disse que faria de S. Nicolau intercessor da Obra de qualquer maneira, mesmo que não obtivesse a graça que queria. Mas o favor foi obtido e a residência pagou-se a tempo.

Desde então S. Nicolau tornou-se o intercessor oficial da Obra para as questões financeiras. 

in qualquer biografia de S. Josemaria


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O mais santo acto de religião

"Sabe, cristão, que a Missa é o mais santo acto de religião. Tu não consegues fazer nada que glorifique mais a Deus, não há nada pelo qual a tua alma lucre mais do que pela tua devoção a assistir à Missa e assistir à mesma o maior numero de vezes possível."
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São Pedro Julião Eymard (1868) é conhecido hoje como o Apóstolo da Eucaristia devido ao seu grande amor por Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento. Como fundador de um instituto religioso na sua terra natal, França, e um proponente da Comunhão e da adoração Eucarística frequentes, devemos refletir nas suas palavras sobre a Santa Missa.



Em todas as missas nós somos participantes no mesmo acto da nossa própria redenção. Pensemos sobre isto por um momento. O Bispo Fulton Sheen relembrou-nos que a Missa é o “acto de coroação do culto cristão” e que, no altar, é reencontrada a memória da Sua Paixão. Nós estamos lá, no Calvário, sempre que vamos à Missa. Quando o sacerdote oferece o Santo Sacrifício do Filho ao Pai, nós participamos unindo as nossas orações com as dele, oferecendo-as também a Deus. 

É óbvio pelo declínio geral visto nas presenças na Missa durante as últimas quatro décadas que poucos compreendem esta dimensão sobrenatural da sagrada liturgia. Demasiados católicos simplesmente não percebem o que está a acontecer na Missa. Aqueles de nós que escrevem sobre o assunto com regularidade fazem-no com esta verdade infeliz em mente. 

Restaurar a ideia do sagrado, instigando uma compreensão do sentido sobrenatural da Missa e reconhecendo que a Missa é, de facto, a “coroação do culto cristão” e “o mais santo acto de religião” não é somente um problema intelectual. A catequese é mais do que transmitir uma ideia; é também experienciar conhecimento. A ignorância sobre a Missa é uma falha litúrgica e de catequese. Lex orandi, lex credendi.


Como podemos imaginar, outros famosos santos da Santa Madre Igreja, escreveram sobre a verdade e o poder da Missa. São Francisco de Assis disse uma vez: "Os Homens deviam tremer, o mundo devia abanar, todo o Céu devia ser profundamente movido quando o Filho de Deus aparece no altar nas mãos do padre."

Mas há uma pergunta que nos devemos fazer: Nós trememos? Vemos com o olhar da fé que o Filho de Deus está mesmo ali nas mãos do padre? Ou a verdade sobrenatural da Santa Missa está muitas vezes escondida dos nossos olhos, obstruída por inovações profanas e minimalismos puritanos?

A aversão pós-conciliar à beleza, ao tiro, à música sagrada, ao espaço sagrado e até à reverência formou uma geração de Católicos. Infelizmente a lição aprendida por muitos destas liturgias banais e antropocêntricas, foi a de que a Missa, longe d
e ser o mais santo acto de religião, era algo que fazemos mais por nós do que por Deus. 

Isto leva-nos ao ressurgimento da Missa tradicional durante os últimos anos, a qual é muitas vezes chamada Missa em latim ou Forma Extraordinária do Rito Romano. Ela permanece na modernidade, trazendo beleza e tradição quando tantos dentro e fora da Igreja não a têm. Muito dos fiéis têm descoberto uma maneira de adorar a Deus que transcende uma era específica, uma cultura ou preconceitos culturais. Beleza, silencio, consistência, confiança, universalidade… Tudo o que tantas vezes está ausente da sociedade é exatamente aquilo que encontramos na Missa antiga. 

É importante relembrar que o Sacrifício da Missa é oferecido para quatro fins: adoração, reparação, acção de graças e súplica. Quando assistimos devotamente à sagrada liturgia nós estamos a preencher cada um destes quatro fins. Redescobrir este entendimento mais profundo da nossa participação na Missa, a ideia de assistir verdadeiramente à Missa, deve ser levada em consideração. 

“Tu não consegues fazer nada que glorifique mais a Deus, não há nada pelo qual a tua alma lucre mais do que pela tua devoção a assistir à Missa e assistir à mesma o maior numero de vezes possível.” 

É importante perceber o que São Pedro Julião Eymard, um padre do século XIX, poderia querer dizer quando se referiu a assistir à Missa de forma devota. Não se trata de participar como hoje se entende o sentido da palavra. Nem é o movimento e a ocupação tão frequentemente encontrados na liturgia pós-conciliar. Mais do que isso, o santo está a falar da acção interior por parte dos fiéis; uma coisa muito mais fácil de discernir quando mais reverente e tradicional for a Missa. É a diferença entre estar e fazer.

Abordando este mesmo assunto em 2008, o Cardeal Malcom Ranjith da Congregação Para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos disse: “Este tipo de participação na cação de Cristo, o Sumo Sacerdote, requere de nós nada menos do que uma atitude de total absorção n’Ele… Participação ativa, portanto, não é dar lugar a qualquer activismo mas a uma assimilação integral e total na pessoa de Cristo, que é verdadeiramente o Sumo Sacerdote daquela eterna e ininterrupta celebração da liturgia celestial.” 

Para entrarmos verdadeiramente na Missa devemos reconhecer a profundidade sobrenatural da sagrada liturgia. Para assistir devotamente não podemos ter medo das implicações. Isto não é uma questão de ver quais as funções litúrgicas que podem ser ampliadas para envolver os leigos; temos de transcender essa compreensão correctiva da participação. Em vez disso, a discussão deve ser sobre a melhor maneira de glorificar a Deus e lucrar almas. 

Esta conversa está a desenvolver-se. Que continue a dar frutos!

Brian Williams, in Liturgy Guy

Traducção por: Clara Goes


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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Os religiosos e o seu hábito – palavras da Irmã Lúcia


Comentário da Irmã Lúcia à aparição de Nossa Senhora do Carmo aos Pastorinhos, no momento do milagre do Sol:

A aparição de Nossa Senhora do Carmo tem, a meu ver, o significado de uma plena consagração a Deus. Mostrando-Se revestida de um hábito religioso, Ela quis representar todos os outros hábitos pelos quais se distinguem as pessoas inteiramente consagradas a Deus, dos simples cristãos seculares.

Os hábitos são o distintivo de uma consagração, um resguardo do decoro e da modéstia cristã, uma defesa da pessoa consagrada. São para as pessoas consagradas o mesmo que a farda é para os soldados, e os galões para um graduado: distingue-os e mostra o que são e o lugar que ocupam, obrigando-os também a um comportamento digno da respectiva condição. Por isso, deixar o hábito religioso é retroceder; é confundir-se com aqueles que não foram chamados nem escolhidos para mais; é despojar-se de uma insígnia que os distingue e eleva; é descer a um nível inferior, para poder viver como aqueles que não são tanto. 

In Irmã Lúcia, Apelos da Mensagem de Fátima.


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domingo, 4 de dezembro de 2016

Cardeal Sarah preocupado com a confusão que existe na Igreja

Durante uma entrevista ao semanário francês 'Homme Nouveau', o Cardeal Robert Sarah mostrou a sua preocupação com a confusão que reina no mundo católico, mesmo entre os Bispos, sobre a doutrina da Igreja.

O Cardeal sente-se chamado a intervir como prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, porque a desorientação actual envolve três sacramentos: o Casamento, Penitência e a Eucaristia. Segundo o Cardeal, a confusão em que vivemos advém da falta de formação que, infelizmente, afecta os seus próprios irmãos no episcopado.

Sarah fez questão de frisar que cada Bispo, in primis, está vinculado à doutrina do casamento monogâmico indissolúvel, Cristo restaurou à sua forma original e no qual se encontra o bem do homem, da mulher, e dos filhos.

Esta verdade não pode deixar de ter consequências sobre a possibilidade de receber a Sagrada Comunhão: "Toda a Igreja manteve-se sempre firme na doutrina de que não se pode receber a comunhão quando se está consciente de ter cometido um pecado grave, um princípio que foi definitivamente confirmado pela encíclica 'Ecclesia de Eucharistia', do Papa João Paulo II". E o Cardeal Prefeito acrescentou: "Nem mesmo um Papa pode renunciar a esta lei divina."

in infocatolica


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A importância educativa de não receber a gratificação imediata

Sabiam que há uma ligação entre a vossa criança esperar pela oração de benção antes das refeições e a sua capacidade para evitar sexo antes do casamento?

Sim, tem tudo a ver com a satisfação em atraso. Quando nos sentamos à mesa, é justo e correcto que primeiro agradeçamos a Deus e peçamos a Sua benção sobre a comida que estamos prestes a desfrutar. Depois, e só depois, pegamos nos nossos garfos e comemos.

Os meninos pequenos são normalmente tentados a roubar um bocado de comida dos seus pratos enquanto a mãe está voltada para trazer o último prato para a mesa. É dever dos pais parar isto. As crianças têm que aprender a esperar. Porquê?

Bem, um dia os apetites deles não vão só incluir a comida para a preservação do corpo humano, mas vão ter um apetite intenso para a preservação da raça humana. Ser-lhes-à permitido mordiscar um bocado aqui e ali antes da benção? Para o caso de não estarem a seguir a analogia:

criança com fome -> benção do jantar -> satisfação do apetite da fome

pessoa jovem -> bênção matrimonial -> satisfação do apetite sexual

Vejam, se o Timmy aprender que pode comer antes da família estar reunida e o pai [father] presidir à benção religiosa, então depois o Timmy provavelmente não vai esperar para ter sexo antes da família estar reunida na igreja e o Padre [Father] ter pronunciado a benção religiosa à noiva do Timmy e ao Timmy no altar.

E isto não é só sobre as refeições de família. É sobre tudo. Escola, trabalho, Advento, Quaresma, jejum Eucarístico, abstinência às Sextas, penitência, preparação sacramental, gravidez, preparação dos filhos, doença, morte natural e assim por diante. O Catolicismo é a religião da satisfação atrasada. Se vivermos apenas para ter prazer no agora, não vamos ter felicidade no futuro. Cristo instituiu a Sua Igreja Católica para nos providenciar com mini-desafios todos os dias. O jejum Eucarístico é um exemplo óbvio. Humilhar-se a si mesmo no confessionário antes de receber a Sagrada Eucaristia é outro. É aprender a fazer algo difícil ou inconveniente por algum bem maior.

Regressemos ao Timmy. Se o Timmy aprender a quebrar o jejum eucarístico ou a fazer batota nos seus propósitos durante a Quaresma, o que irá fazer noutras áreas da vida?  Irá até aos limites, mas no final vai falhar porque não percebe que todo o sucesso deriva da satisfação em atraso - tanto temporal como eterno.

Vejam todos esses hipsters na América. Têm cursos universitários. Votam. São um pouco inteligentes. Até têm um colecção interessante de discos de vinyl. No entanto não têm trabalho. Está agora nas reportagens que os nossos hipsters estão a ficar dependentes dos subsídios do estado. Passam tempo nos cafés a discutir Renoir, Radiohead e Rousseau, mas compram a sua comida com tickets de comida! Parece que caíram na armadilha de hipsters

O que é que se está a passar?

Estes jovens foram educados para rejeitar a satisfação atrasada. São produtos das sociedades que glorificam a satisfação imediata. Querem trabalhos significativos... agora. Querem ser directores de galerias de arte, professores, CEOs, directores de ONGs, realizadores de cinema, criadores de Facebook, autores, actores e poetas. O que eles não percebem é que é preciso mesmo imenso  trabalho forçado para chegar a essas profissões, na verdade para chegar a qualquer profissão.

É por isto que temos que nos aperceber do valor do Catolicismo para a nossa cultura. O Catolicismo, neste ponto de vista, ajuda-nos de duas maneiras. A primeira é sobrenatural e a segunda natural, temporal e social. Primeiro, a teologia Católica de esperar confirma que as honras e os elogios deste mundo são vaidade das vaidades A Fé  foi o que guiou o Sacro-Imperador Romano Carlos V  a resignar ao seu poder e a viver os seus últimos dias num mosteiros recôndito. Os pequenos e naturais prazeres da vida não são dignos de ser trocados por uma felicidade sobrenatural enorme que será ganha na segunda. Esta vida é em si uma espera prolongada por algo melhor e muito para além disto.

Em segundo lugar, a teologia de esperar ou a satisfação em atraso não é de passividades. Vocês estão activos e a esperar. Ao contrário da ideologia dos hipsters a fumar tabaco de enrolar e a queixar-se daqueles tipos de camisa sem expressão que pertencem ao "um por cento", a teologia de esperar pede o sacrifício agora por algo melhor mais tarde. Portanto, se querem um trabalho significativo, levantem-se e produzam algo. Contribuam. Ninguém quer saber das vossas ideias e sentimentos, a não ser que contribuam para alguma coisa. Se são artistas, pode demorar 20 anos até venderem realemente alguma coisa. Se não conseguem aceitar isso então não atirem um ataque de mau humor a queixar-se sobre o mundo. Aprendam um pouco de gratificação atrasada. Escrevam os vossos objectivos e apercebam-se que demora muito tempo a atingir objectivos importantes.

A contracepção é o exemplo perfeito do desejo da nossa sociedade para a satisfação instantânea. A contracepçõa é a ideia de que podem ter montes e montes de prazer imediato sem o compromisso com uma pessoa (um acto de sacrifício), sem o compromisso com uma gravidez (um acto de muito sacrifício) e sem o compromisso de educar uma pessoa humana durante dezoito anos (um acto de imenso sacrifício)

De volta ao Timmy por uma última vez. Desde que o Timmy nasceu, ele vai mantendo o seu "limite de espera". Ele vai observar o "limite de espera" dos seus pais. Será que vivem numa fantasia? Será que entram em dívidas para se divertirem agora? Fazem penitência? São hipócritas religiosos? Depois ele vai começar a ver como o padrão do "limite de espera" se aplica a ele. É-lhe permitido ter ataques de mau humor quando não é imediatamente satisfeito? Vai preserverar nas tarefas da casa? Vai acabar os trabalhos de casa? Vai manter o jejum Eucarístico antes da Missa ou vai roubar uma bolacha antes da Missa? Vai manter os costumes simples tais como não comer antes da benção? Vocês percebem a ideia.

Se o Timmy não aprender este princípio Católico da satisfação em atraso, no que é que se vai tornar? Vai-se tornar num hipster contraceptivo com um bacharelato á espera um trabalho de $60.000 lhe caia no colo. Infelizmente, ele vai ser um nada. Pior de tudo, não vai viver a vida abundante de Cristo prometida àqueles que tomarem a sua cruz e O seguirem.

Claro, não é fácil assumir esta teologia de esperar. É o ensinamento mais difícil do Catolicismo. Tal como a Bem-Aventurada Virgem Maria disse a Santa Bernadette, "Prometo que vou fazer-se feliz, não neste mundo, mas no próximo." Estas palavras assustam-me. No entanto, é uma promessa concreta. Nenhum de nós vai ser perfeitamente feliz nesta vida. Simplesmente não vai acontecer. O C. S. Lewis uma vez especulou que se Deus nos desse a felicidade perfeita nesta vida, seria injusto , dado que pararíamos de procurar o próprio Deus. S. Tomás de Aquino diria que é impossível encontrar felicidade em mais lado nenhum dado que o nosso Summum Bonum não é outroa além do próprio Deus.

Por isso não se calem sobre a satisfação em atraso. A vida não vai ser perfeita. Abracem esta verdade. Há liberdade nela. Há alegria ao realizá-la. Aqui está o versículo que resume tudo muito bem:

"Pelo contrário, alegrai-vos em ser participantes dos sofrimentos de Cristo, para que vos possais alegrar e exultar no dia em que for manifestada a sua glória." (1 Pedro 4:13)

E outra: "Entretanto aquele que perseverar até ao fim será salvo." (Mateus 24, 13)  

Taylor Marshall


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