quarta-feira, 22 de março de 2017

Rezemos pelas vítimas e pelo fim do terrorismo




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O “Leão de Münster”: a luta de um bispo contra o nazismo

21 de Fevereiro de 1946, Basílica de São Pedro. No seu trono, S.S. o Papa Pio XII, cercado de altos prelados. Atmosfera de grande gala, presentes o corpo diplomático e personalidades vindas do mundo inteiro. O longo cortejo de 32 novos Cardeais estende-se ao longo da nave central. Dentre eles, um sobressai pela sua estatura muito elevada e arrebata o entusiasmo dos fiéis, que começam a aplaudir e a bradar: "Viva o Conde de Galen!"(1)

O Papa havia elevado, em 23 de Dezembro de 1945, ao cardinalato o Bispo de Münster (Alemanha), merecidamente célebre por verberar, já nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, os crimes nazis, especialmente a perseguição à Igreja e a prática abominável da eutanásia contra doentes e idosos.(2)

Quem foi essa personalidade arrebatadora, entusiasticamente aplaudida pelos fiéis romanos? Por que foi tão importante a sua oposição ao nazismo? Alguns breves dados biográficos esclarecerão essas questões.(3)

Tradição católica, ilustre passado, nobre origem

Clemens August conde von Galen (1878-1946) nasceu em 16 de Março no Castelo de Dinklage em Oldenburg, Alemanha, como décimo-primeiro de 12 irmãos. Os seus pais foram o Conde Ferdinand Heribert e Elisabeth, nascida Condessa von Spee. A família, de antiga cepa católica, deu à Igreja almas de escol como arcebispos, bispos, clérigos e numerosas freiras.(4) E também ardorosos defensores dos seus direitos no campo temporal. O Conde Heribert foi um destacado deputado católico do Zentrumspartei (Partido do Centro) no Reichstag (Parlamento alemão).

No seu lar túmido de virtudes cristãs, recebeu o jovem Clemens August uma esmerada educação. Frequentou de 1890 a 1894 a escola jesuítica Stella Matutina em Feldkirch.

Altas virtudes sacerdotais e humanas

Nos dois anos seguintes estudou em Vechta, onde concluiu a escola. Em 1897, acompanhado pelo seu irmão Franz, frequentou a Faculdade de Fribourg, na Suíça. Foi ali que resolveu tornar-se sacerdote. Em 1899 ingressou no seminário jesuíta de Innsbruck. Ordenado em 28 de Maio de 1904 na Catedral de Münster, foi nomeado no mês seguinte vigário capitular e capelão do seu tio, bispo-auxiliar de Münster, Mons. Maximilian von Galen. Em 1906 foi transferido para Berlim, onde se tornou capelão da paróquia de São Matias. Além dos seus cuidados pastorais, dava aulas de Religião.

No dia 5 de Setembro de 1933, Pio XI(5) elevou-o ao episcopado, designando-lhe a sede ocupada anteriormente pelo seu tio. No dia da sua sagração episcopal, 28-10-1933, escreveu dele o Cardeal Schulte: “Aussi Clement, qu´Auguste” (Igualmente Clemente e Augusto). O novo bispo de Münster adoptou como lema do seu brasão as palavras “Nec laudibus nec timore” (Não me movo nem por louvores nem por temor), indicando destarte a firmeza de seu carácter. A seu respeito escrevia o “Münstersche Anzeiger” de 12-9-1933: “Assinalam o novo bispo altas virtudes sacerdotais e humanas. Como cura de almas em Berlim, [...] levantou continuamente a sua voz contra a crescente secularização da vida, exigindo um retorno aos claros princípios da Igreja Católica.”(6)

Oito meses antes havia o Partido Nacional Socialista (nazista) galgado o poder. Com sua doutrina pagã da raça ariana pura, o nazismo iria entrar necessariamente em choque com a Igreja, a qual começou a perseguir, de início discreta, mais tarde aberta e ferozmente.

Bispo heróico, apelidado “Leão de Münster”

Mons. von Galen logo percebeu os erros contidos na obra 'Mito do Século XX', de Rosenberg, o ideólogo do partido nazis. E combateu-os rijamente na sua Carta Pastoral de 19 de Março de 1935, denunciando o “mito do sangue” de Rosenberg como uma nova religião pagã.

Empolgados com a coragem do seu bispo, os católicos deram-lhe a alcunha de “Leão de Münster”. Isso se deve não apenas às suas críticas constantes aos erros nazis, mas sobretudo por três famosos sermões(7) que proferiu nos dias 13 e 20 de Julho e 3 de Agosto de 1941 na igreja de São Lamberto, de cujas torres se podem ver ainda hoje penduradas as gaiolas nas quais apodreceram os restos mortais dos chefes anabatistas.

Desafiando os nazis, condena a eutanásia

A “vitória final” não houve. Com a capitulação da Alemanha em Maio de 1945 e o processo de Nuremberga, que julgou os crimes dos principais chefes nacional-socialistas, o nazismo desapareceu ingloriamente do cenário mundial, deixando atrás de si, a exemplo do comunismo: morte, escombros e miséria.

No sermão do dia 13 de Julho, criticou o confisco de mosteiros e conventos, apontando para um “ódio profundo contra o Cristianismo, o qual querem exterminar”. Dia 20 de Julho, empregou a figura da bigorna e do martelo: “Actualmente não somos martelo, mas bigorna. A bigorna não pode e nem precisa rebater. Ela precisa apenas ser firme e dura“. No dia 3 de Agosto, denunciou o crime da eutanásia, praticado em pessoas idosas, paralíticas e com doenças incuráveis. 

A reacção suscitada por este sermão foi imensa. Altos funcionários do partido nazi exigiam que se movesse um processo contra o bispo e o enforcassem numa praça pública de Münster. Goebbels, o ladino ministro da propaganda, percebeu que tal medida alienaria do esforço de guerra os católicos de toda a Alemanha. E recomendou a Hitler que deixasse o “acerto de contas” para depois da “vitória final”. Ele teve de viver com essa espada de Dâmocles sobre a sua cabeça e a aceitou heroicamente, sem recuar.

O alemão ideal, orgulho da Alemanha

Depois de receber o chapéu cardinalício, Mons. von Galen ficou ainda alguns dias em Itália, visitando soldados alemães em diversos campos de concentração. Em meados de Março esperava-o em Münster uma acolhida triunfal. Deus, porém, tinha outros planos para o seu “Leão”. Acometido por uma apendicite aguda, faleceu na tarde do dia 22 de Março de 1946.

No sermão fúnebre, o Cardeal Frings salientou que, enquanto houvesse uma diocese em Münster, Mons. von Galen seria o seu adorno. E acrescentou: “Enquanto houver uma história do povo alemão, ele será apontado como o alemão ideal, o orgulho da Alemanha”.

A 9 de Outubro de 2005, o Cardeal von Galen foi beatificado pelo Papa Bento XVI, que na ocasião enalteceu a luta do novo bem-aventurado contra a eutanásia.

Após 60 anos da queda do nazi, muitos se perguntarão talvez que importância tem, para os nossos dias, a resistência do bispo de Münster ao nazismo. Na Praça de São Pedro, milhares de fiéis — só da diocese de Münster compareceram cerca de cinco mil — acompanharam nos ecrãs a cerimónia que se desenrolava no interior da Basílica, também ela repleta de convidados especiais, entre os quais se encontrava a Condessa Johanna von Westfalen, sobrinha do novo Beato e destacada líder anti-abortista na Alemanha.

O desassombro de Mons. von Galen ao condenar o crime da eutanásia é mais actual do que nunca. Numa época como a nossa, em que mundialmente dezenas de milhões de nascituros são abortados, em que a eutanásia vai entrando na legislação de muitos países, é preciso ter coragem para defender a vida inocente. Mesmo com perigo de morte, o “Leão de Münster” não se acovardou. Magnífico exemplo a ser seguido.

Renato Murta de Vasconcelos in Revista 'Catolicismo'

Notas:

1. Um “applauso trionfale”, escreveram os jornais italianos. O secretário de Mons. von Galen, P. Heinrich Portmann, fala de “um verdadeiro furacão”. O Pe. Portmann é autor da excelente biografia Kardinal von Galen – Ein Gottesmann seiner Zeit (Cardeal von Galen – Um homem de Deus de seu tempo). São também de sua lavra: Bischof von Galen spricht (Sermões do Bispo von Galen) e Dokumente um den Bischof von Galen (Documentos relativos ao Bispo von Galen)
2. Integravam igualmente o conjunto de novos cardeais dois heróis da resistência anticomunista: Mons. Mindszenty, Arcebispo de Eztergom e Primaz da Hungria, que se tornaria mais tarde famoso por sua inflexibilidade diante dos títeres comunistas húngaros; o prelado croata Mons. Stepinac, também ele intrépido opositor do regime vermelho, falecido em 1960 em conseqüência dos maus tratos sofridos nas enxovias comunistas. Mons. Stepinac foi beatificado em 1998 e seus restos mortais repousam incorruptos num escrínio de cristal diante do altar-mor da catedral de Zagreb.
3. Catolicismo publicou, em sua edição de fevereiro de 1984, matéria a respeito, sob o título Cardeal von Galen, indômito adversário do nazismo.
4. Entre essas destaca-se a figura ímpar da Condessa Maria Droste zu Vischering, prima-irmã do Cardeal von Galen e Superiora do Convento do Bom Pastor na cidade do Porto. Falecida em 1899, foi beatificada por Paulo VI em 1975.
5. Pio XI nutria especial simpatia pelo Bispo de Münster. Certo dia, após recebê-lo em audiência, comentou com Mons. Ruffini: “Gigas est corpore, sed non tantum corpore” (Ele é gigante de corpo, mas não só de corpo).
6. Citado por Lothar Groppe SJ, Zur Seligssprechung von Kardinal Graf von Galen, Katholische Bildung, Oktober 2005, p. 7
7. A respeito dos sermões de fogo de Mons. von Galen, escreveu o protestante e antigo Ministro do Reich, Conde Schwerin v. Krosigk, em seu livro Es geschah in Deutschland: “Os sermões do Conde Galen, bispo católico de Münster, vão entrar para todo o sempre na história da resistência interna (ao nazismo). Os sermões e comunicados do Bispo eram difíceis de ser incriminados, porque se abstinham de entrar na política; não atacavam ninguém pessoalmente; [...] apenas apontavam o pecado, aquilo que segundo a concepção cristã é pecado”.


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terça-feira, 21 de março de 2017

Fala 4 idiomas, toca violino, dá conferências...tem Trissomia 21

Tem 20 anos. Fala inglês e espanhol na perfeição e domina o francês e o latim com fluência. Sendo ainda um adolescente, a sua destreza com o violino é memorável, tendo já protagonizado concertos com orquestras sinfónicas. Chegou a dar também conferências nos EUA e outros países.

O seu nome é Emmanuel Joseph Bishop e, atentando na sua história, é possível dizer que está por certo num patamar elevado quando comparado com a maioria dos jovens da sua idade. Este jovem talento tem síndroma de Down. Em vários países, a lei permite abortar casos como este, eliminando-os antes do seu nascimento: abortável por Down.

A sua história causa um impacto tal, que tem dado a volta ao mundo através das redes sociais.

Um talento em perigo de extinção

Na actualidade será bastante complicado encontrar um talento como o de Emmanuel, uma vez que não o iriam deixar nascer por ter síndroma de Down. Simplesmente por não cumprir os requisitos que, alegadamente, são necessários para ser digno desta vida. Tudo isto é suportado pela lei.

No entanto, a história de Emmanuel aparece como um vendaval que destrói todas estas falácias que justificam o aborto de milhares e milhares de bebés que não são considerados aptos. Este adolescente americano veio demonstrar todas as suas potencialidades, provando ao mundo do que era capaz.

Um católico devoto

Emmanuel é ainda um católico muito devoto, segundo o próprio afirma orgulhoso. Para além disso, realiza as suas orações em latim. Dirigiu o Terço em várias ocasiões, assim como orações comunitárias.

Neste sentido, o jovem pretende utilizar o dom com que Deus o brindou para um fim maior. Os seus esforços estão destinados a mostrar àqueles com diferenças nas capacidades que são igualmente dotadas de habilidades para mostrar ao mundo. Definitivamente, convence-los que são igualmente úteis, contrariamente ao que o mundo os tenta convencer.

Um talento precoce

Emmanuel nasceu a 16 de Dezembro de 1996 na cidade norte americana de Grafton. Cedo começou a surpreender todos em seu redor. Aos dois anos já lia e aos três já era capaz de ler cartões em francês num colégio do Ilinóis.

Com seis anos apenas leu o discurso de boas vindas da conferência anual da Sociedade Nacional do Síndroma de Down. Fê-lo em três idiomas perante um auditório de mais de 600 pessoas. Já com essa idade aprendia a tocar violino, uma das suas grandes paixões.

A vida de Emmanuel evoluía a um ritmo vertiginoso. Aos 8 anos andava de bicicleta e já era medalhista nas Olimpíadas Especiais do seu Estado tanto em Golf como em Natação, onde ganhou os 200 e 400m livres. Dois anos mais tarde marcava vários recordes na categoria de juniores em diferentes provas de natação.

O violino: a sua arma e o seu escudo

Aos 12 anos deu um recital em violino no décimo congresso mundial de síndroma de Down celebrado na Irlanda em 2009. Para além disso, no mesmo evento, realizou uma apresentação numa das sessões de trabalho.

Um ano de pois passou a ser auxiliar na sua paróquia e aos 14 anos recebia o sacramento da Confirmação. Em 2010 cumpria um dos seus sonhos quando no dia mundial do síndroma de Down foi convidado a tocar na Turquia com uma orquestra sinfónica.

O seu objectivo de ajudar outras crianças

Emmanuel foi educado em casa com os seus pais, que nunca duvidaram das suas capacidades. Com esforço e perseverança, este rapaz viria a sobrepor-se às limitações da sua condição. Assim, a principal função de Emmanuel era que o seu exemplo de superação movesse mais rapazes e raparigas.

Nas suas apresentações fala, no fundo, da sua vida, um adolescente com síndroma de Down e com interesses, que gosta de desporto, de música, que vai frequentemente  nadar e andar de bicicleta.

Os seus objectivos dividem-se me quatro pontos:

1. Destacar as habilidades, talentos e potencial das crianças na mesma condição
2. Quebrar o mito das baixas expectativas atribuídas aos jovens com síndroma de Down
3. Demonstrar que a alegria de viver não se opõe a estas pessoas
4. Alertar para a incidência de que tudo o que está dito e escrito acerca do síndroma de Down tem origem em pessoas que não possuem esta condição.

Um exemplo para todos

O resultado de toda esta dinâmica foi efectivado na reunião anual sobre Trissomia 21 em Houston (Texas). Ali, Emmanuel iluminou todos com os testemunhos das aventuras das suas viagens pelo mundo, bem como dos seus estudos e do seu violino. Falou inclusivamente em francês, comentando as obras de arte que havia admirado na sua passagem por Paris. De seguida respondeu a perguntas que lhe foram feitas acerca da sua vida e esclareceu outras dúvidas que o público lhe colocou.

A educação que recebeu em casa deixou muitos perplexos, bem como a sua alfabetização precoce. Exemplos concretos ajudam visivelmente a luta contra a corrente. O seu testemunho, mais pela sua capacidade de superação que pelas suas habilidades adquiridas, é um estímulo, uma força tanto para crianças com síndroma de Down como para as suas famílias. Nenhum deles está só. Todos são úteis em sociedade, por vezes mais até do que podem imaginar. 

in religionenlibertad


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5 coisas que um filho precisa ouvir do Pai

Por graça de Deus, eu sou o pai de quatro filhos fantásticos: três meninas e um menino. Assim como é maravilhoso ser o pai de filhas, é maravilhoso ser pai de um filho.

Em minha casa, Daniel Jr (4 anos de idade) e eu estamos a perder 4-2 com as raparigas, e por isso fizemos uma espécie de aliança para garantir que nem tudo fica pintado de cor-de- rosa, que vemos futebol com alguma regularidade, e que se vêem tantos filmes de super-heróis como filmes da Barbie. 

Falando a sério, o trabalho de criar um filho é uma tarefa nobre e importante. Infelizmente, é um trabalho que muitos homens desleixam, abrindo caminho ao que agora se vê como uma crise de grandes proporções no nosso país: a crise da paternidade. 

Quando tiver vagar veja as estatísticas e ficar a saber que uma percentagem muito elevada dos jovens que estão na prisão tiveram pouca ou nenhuma experiência de envolvimento com o pai. Na minha função pastoral, eu vi os efeitos devastadores da ausência do pai ou da sua falta de liderança na vida do filho. 

Homens, ser pai para os filhos é um trabalho sério. Por isso, gostaria de apontar 5 coisas que todo filho precisa ouvir do pai: 

1. Gosto de ti 

Qualquer rapaz precisa de ouvir e saber que o pai o ama. Sem essa afirmação, um homem carrega feridas profundas que afectam os seus relacionamentos mais importantes.

Encontrei homens de todas idades que sonham ouvir essas palavras mágicas que significam bem mais quando vêm do pai: gosto de ti. Nesta altura o meu filho tem só 4 anos, por isso é mais fácil dizer essas coisas. Suspeito que, à medida que crescer, vai ser um pouco mais complicado. Mas continuo a pensar dizer.

Porque por detrás de uma aparência às vezes áspera de um rapaz jovem há um coração que deseja sentir o amor do pai. O que você pode não perceber é que a primeira imagem que o miúdo vai ter do seu Pai celestial é a imagem do pai terreno quando olha para ele. Ou seja, toca a dizer ao seu rapaz que gosta dele.

2. Estou orgulhoso de ti 

Nem sei dizer quantos homens conheço que ainda hoje vivem à espera de ter a aprovação do pai. No fundo do coração perguntam, porto-me minimamente bem? Estou a fazer o que é certo? O meu pai estará contente comigo? 

Ando a aprender que é importante para nós, pais, sermos firmes com os filhos de muitas maneiras (ver abaixo), mas nunca devemos negar a nossa aprovação. Eles precisam de saber, nos momentos certos das suas vidas, que não é preciso que façam mais para conquistar o nosso favor. 

Claro, às vezes eles vão decepcionar e temos de lho fazer saber e sentir. E, no entanto, é importante não sermos como senhores que, ao tentar motivar os nossos filhos para a grandeza, omitimos o maior condimento que pode facilitar o êxito: a confiança. 

Lembro-me da aprovação que Deus faz ao seu Filho quando estava a ser baptizado por João Baptista. "Este é o meu Filho amado, em ponho a minha complacência" (Mateus 3,17 e Marcos 19,35). Sim, há implicações teológicas importantes nesta frase para além da aprovação, mas não posso deixar de ver a aprovação de Deus a Jesus como um modelo para a relação que temos com os nossos filhos. 

Se o seu filho não subir à 1ª divisão, se ele entrar numa universidade que não é Harvard, se ele se tornar camionista e não um gestor de empresas, nunca lhe dê a impressão de que gosta menos dele. 

3. Tu não és um choninhas, és um soldado 

Hoje a cultura apresenta uma imagem confusa da masculinidade.

O que é um homem? A cultura dominante diz que ele é uma espécie de inútil e que o melhor que ele consegue é desperdiçar a adolescência satisfazendo os impulsos sexuais, brincando às guerras na playstation, e sem qualquer tipo de ambição nobre. Mas Deus não fez o seu filho, ou o meu filho, para ser um indolente, mas para ser um soldado.

Por favor, não se ponham nervosos com a palavra "soldado". É bom para encorajar os filhos a serem masculinos. Isto não tem a ver com ser caçador de leões, condutor de camiões TIR. Muitos homens verdadeiros bebem leite, conduzem utilitários pequenos, e detestam camuflados (como eu). 

Há uma visão de masculinidade na Bíblia, de nobreza e força, de coragem e sacrifício. Um homem de verdade luta por aquilo que ama. Um homem de verdade valoriza a mulher que Deus lhe dá. Não se serve dela. 

Um verdadeiro homem procura seguir o chamamento que Deus estampou na sua alma, e que é descoberto através da intimidade com Deus, da identificação com os dons e talentos recebidos, e da satisfação das necessidades profundas do mundo (para parafrasear Buechner).

Ninguém consegue ajudar melhor os nossos filhos a orientar-se para a sua missão que nós, os pais. Não deixemos o futuro dos nossos filhos ao acaso. Vamos estar ao lado deles, modelando para eles um modo de viver que tenha sentido.

4. O trabalho duro é um dom, não uma maldição 

Ócio, preguiça e indecisão são as melhores ferramentas do diabo para arruinar as vidas dos homens jovens. Pessoal, os nossos filhos precisam de nos trabalhar no duro e ser incentivados e preparados para trabalhar no duro.

Eles precisam de perceber que o trabalho é mais duro por causa da queda original, mas em última análise foi dado por Deus para saborear o seu beneplácito. Ficar com as mãos sujas no esforço, na luta, no cansaço – tudo isto é bom, não é mau. 

Infelizmente muitos jovens nunca viram como é importante para um homem poder trabalhar. Vamos mostrar-lhes que o trabalho traz alegria. O trabalho honra a Deus. O trabalho bem feito dá glória ao Criador. 

Seja feito com os dedos num teclado, cortando árvores à machadada, ou manobrando uma empilhadora. Seja feito num escritório com ar-condicionado, em pântanos lamacentos, ou debaixo de um carro. Mas não se enganem: o trabalho importa e o que fizermos com as nossas mãos, se for bem feito, é um sinal do Criador. 

5. Tens talento, mas não és Deus 

Vamos embeber os nossos filhos num sentimento de confiança, de aprovação, de dignidade. Mas vamos lembrar-lhes que, embora agraciados pelo Criador, eles não são Deus. Temos de lhes ensinar que a masculinidade genuína não se envaidece. Inclina-se. Pega numa toalha e lava os pés dos outros. 

Um homem de verdade sente-se confortável tanto quando reza como quando fala. Ele sabe que a sua força não está nas suas façanhas ou naquilo que ele acha que as pessoas pensam dele. A força vem de Deus. 

Esta humildade alimenta a compaixão e vai permitir-lhes perdoar àqueles que os hão-de ferir duramente. Vamos ajudar os nossos filhos a saber que as suas vidas realmente começam, não quando eles tiverem 18 anos ou quando tiverem o primeiro trabalho ou quando se apaixonarem por uma mulher. 

As suas vidas começaram numa colina poeirenta há 2000 anos, aos pés de uma cruz romana, onde a justiça e o perdão se reuniram no sacrifício sangrento do seu salvador. Vamos ensiná-los que viver a vida sem Jesus é como dar um concerto no convés do Titanic. É bom enquanto dura, mas, por fim, acaba na tristeza.

Daniel Darling


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segunda-feira, 20 de março de 2017

Oração para a Quaresma

Senhor,
nesta Quaresma,
tempo de mergulhar no meu interior,
de revisão e de conversão,
ensina-me a descer sempre mais
até onde Tu te encontras: o meu coração.

Como “descer” até aí?
Pelo silêncio, encontrando tempo para rezar,
pela leitura da Tua Palavra que tanto me quer dizer,
pelos Sacramentos,
especialmente a Confissão e a Santa Missa.

Também pela aceitação das contrariedades,
o peso das circunstâncias e da monotonia da vida…
com os olhos postos em Ti.

Senhor, Tu que estás no meu íntimo,
ajuda-me nesta Quaresma,
a fazer uma viagem ao meu interior,
para aí me encontrar conTigo!


Beato Francisco Palau, carmelita


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5 verdades grandiosas sobre São José

1. A figura de São José no Evangelho
Sabemos que não era uma pessoa rica; era um trabalhador como milhões de homens no mundo. Exercia o ofício fatigante e humilde que Deus escolheu também para Si quando tomou a nossa carne e viveu trinta anos como uma pessoa mais entre nós. A Sagrada Escritura diz que José era artesão.

2. Uma forte personalidade
Das narrações evangélicas depreende-se a grande personalidade humana de S. José: em nenhum momento nos aparece como um homem diminuído ou assustado perante a vida; pelo contrário, sabe enfrentar-se com os problemas, superar as situações difíceis, assumir com responsabilidade e iniciativa os trabalhos que lhe são encomendados.

Não estou de acordo com a forma clássica de representar S. José como um homem velho, apesar da boa intenção de se destacar a perpétua virgindade de Maria. Eu imagino-o jovem, forte, talvez com alguns anos mais do que a Virgem, mas na pujança da vida e das forças humanas.

3. A pureza nasce do amor
Para viver a virtude da castidade não é preciso ser-se velho ou carecer de vigor. A castidade nasce do amor; a força e a alegria da juventude não constituem obstáculo para um amor limpo. Jovem era o coração e o corpo de S. José quando contraiu matrimónio com Maria, quando conheceu o mistério da sua Maternidade Divina, quando vivei junto d'Ela respeitando a integridade que Deus lhe queria oferecer ao mundo como mais um sinal da sua vinda às criaturas. Quem não for capaz de compreender um amor assim conhece muito mal o verdadeiro amor e desconhece por completo o sentido cristão da castidade.

4. Todos os dias, trabalho
José era artesão da Galileia, um homem como tantos outros. E que pode esperar da vida um habitante de uma aldeia perdida, como era Nazaré? Apenas trabalho, todos os dias, sempre com o mesmo esforço. E, no fim da jornada, uma casa pobre e pequena, para recuperar as forças e recomeçar o trabalho no dia seguinte.

Mas o nome de José significa em hebreu Deus acrescentará. Deus dá à vida santa dos que cumprem a sua vontade dimensões insuspeitadas, o que a torna importante, o que dá valor a todas as coisas, o que a torna divina. À vida humilde e santa de S. José, Deus acrescentou - se me é permitido falar assim - a vida da Virgem Maria e a de Jesus Nosso Senhor. Deus nunca se deixa vencer em generosidade. José podia fazer suas as palavras que pronunciou Santa Maria, sua Esposa: Quia fecit mihi magna qui potens est, fez em mim grandes coisas Aquele que é todo poderoso quia respexit humilitatem, porque pôs o seu olhar na minha pequenez.

5. Um homem em quem Deus confiou
José era efectivamente um homem corrente, em quem Deus confiou para realizar coisas grandes. Soube viver exactamente como o Senhor queria todos e cada um dos acontecimentos que compuseram a sua vida. Por isso, a Sagrada Escritura louva José, afirmando que era justo. E, na língua hebreia, justo quer dizer piedoso, servidor irrepreensível de Deus, cumpridor da vontade divina; outras vezes significa bom e caritativo para com o próximo. Numa palavra, o justo é o que ama a Deus e demonstra esse amor, cumprindo os seus mandamentos e orientando toda a sua vida para o serviço dos seus irmãos, os homens. 

S. Josemaria in Cristo que passa, 40


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domingo, 19 de março de 2017

Um filho vê o que faz o seu Pai e segue o seu exemplo



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Papa Francisco apela a que se recorra aos exorcistas

Quem se aproxima do confessionário pode encontrar-se em variadas situações: Pode ser que sofra de distúrbios espirituais, cuja natureza deve ser submetido a um cuidadoso discernimento, tendo em conta todas as circunstâncias existenciais, eclesiais, naturais e sobrenaturais. 

Quando o confessor estiver se aperceber da presença de verdadeiros distúrbios espirituais - embora possam ser também psicológicos, o que deve ser verificado por meio de uma colaboração saudável com as ciências humanas - não deverá hesitar em referir-se àqueles que, na diocese, são responsáveis por este ministério tão delicado e tão necessário: os exorcistas. Estes devem ser escolhidos com muito cuidado e muita prudência.

Papa Francisco in Discurso aos participantes no XXVIII curso sobre o foro interno organizado pela Penitenciaria Apostólica (17/III/2017)


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Oração do Cardeal Newman pelas almas do purgatório

O beato John Henry Newman compôs uma bela oração pelas almas do purgatório que seria bom que rezássemos muitas vezes, pelo descanso eterno dos nossos mortos:

Ó Deus dos espíritos de toda a carne, ó Jesus, amante das almas, recomendamos a vós as almas de todos os vossos servos, que partiram com o sinal da fé e dormem o sono da paz. Nós vos suplicamos, ó Senhor e Salvador, que, assim como em Vossa misericórdia para com eles vos tornastes homem, assim também apresseis o tempo e os admitais em vossa presença.

Lembrai-vos, Senhor, de que eles são criaturas vossas, feitas não por deuses estranhos, mas por Vós, o único Deus vivo e verdadeiro; pois não há outro Deus senão Vós e não há ninguém que possa igualar as vossas obras. Deixai que as suas almas se regozijem na vossa luz e não imputeis a elas as suas antigas iniquidades, que cometeram por causa da violência da paixão ou dos hábitos corruptos da sua natureza caída. Apesar de terem pecado, eles sempre acreditaram firmemente no Pai, Filho e Espírito Santo; e, antes de morrerem, reconciliaram-se convosco pela verdadeira contrição e pelos sacramentos da vossa Igreja.

Ó Senhor da graça, nós vos suplicamos: não vos lembreis, contra eles, dos pecados da sua juventude e das suas ignorâncias, mas, conforme a vossa grande misericórdia, estai-lhes atento em vossa glória celestial.

Que os Céus se lhes abram e os anjos com eles se alegrem. Que possa o arcanjo São Miguel conduzi-los a Vós. Que possam os vossos santos anjos ir ao seu encontro e levá-los à cidade da Jerusalém celeste. Que possa São Pedro, a quem destes as chaves do reino dos Céus, recebê-los. Que possa São Paulo, o vaso de eleição, lhes dar apoio. Que possa São João, o discípulo amado a quem foi dada a revelação dos segredos do Céu, interceder por eles. Que todos os Santos Apóstolos, que receberam de Vós o poder de ligar e desligar, rezem por eles. 

Que todos os santos e eleitos de Deus, que neste mundo sofreram tormentos por vosso nome, lhes sejam amigos. Que, libertos da prisão inferior, sejam eles admitidos na glória do reino em que, com o Pai e o Espírito Santo, viveis e reinais como único Deus pelos séculos dos séculos.

Vinde em seu auxílio, vós todos, ó santos de Deus; ganhai-lhes a libertação do seu lugar de punição; ide ao seu encontro, todos vós, ó anjos; recebei essas almas santas e apresentai-as perante o Senhor.

Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno e a luz perpétua brilhe sobre eles. Que descansem em paz. Ámen


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sábado, 18 de março de 2017

Cada fase da vida humana é diferente mas todas têm a mesma dignidade




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Papa Francisco confessou e confessou-se

No decorrer da 'Liturgia Penitencial' o Papa Francisco confessou-se e depois confessou vários fiéis, num dos muitos confessionários que se encontram na Basílica de São Pedro. Esta cerimónia acontece todos os anos durante a Quaresma. Desta feita, a homilia do Papa foi substituída por um longo silêncio que ecoou por toda a Basílica Vaticana.

Foi posto à disposição dos fiéis um exame de consciência que fazia perguntas como: 

- Esqueci-me ou, propositadamente, não confessei pecados graves na confissão anterior ou em confissões passadas? Tenho reparado os erros que fiz?

- O meu coração está verdadeiramente orientado para Deus; posso dizer que realmente O amo acima de todas as coisas e, com amor de filho, na fiel observância dos Seus mandamentos? Deixei-me absorver demasiado por coisas materiais? É sempre recta a minha intenção no agir?

- Aderi totalmente à doutrina da Igreja? Preocupei-me com a minha formação cristã, ouvindo a palavra de Deus, participando em catequeses, evitando qualquer coisa que pudesse minar a minha fé. Professei sempre com coragem e sem medo a minha fé em Deus e na Igreja? Mostrei na vida pública e privada que sou cristão ?

- Rezei de manhã e à noite? E a minha oração é um verdadeiro colóquio coração-a-coração com Deus, ou é apenas uma prática externa vazia? Soube oferecer a Deus as minhas ocupações, alegrias e tristezas? Recoro a Ele com confiança, mesmo nas tentações?

- Santifiquei o Domingo e as festas da Igreja, participando atenta e piedosamente nas celebrações litúrgicas, especialmente a Santa Missa? Observei o preceito da confissão, pelo menos anualmente, e comunhão pascal?

- Existem para mim outros "deuses", isto é expressões ou coisas que me interessam mais do que confiar em Deus, por exemplo: riqueza, superstição, espiritismo e outras formas de magia?

- Para os pais: Preocupei-me com a educação cristã dos meus filhos? Dei-lhes um bom exemplo? 

- Para os cônjuges: Fui fiel tanto nas afeições como nas acções? Fui compreensivo nos momentos de maior ansiedade (entre o casal)? 

- Respeitei a verdade e fidelidade, ou causei danos nos outros com mentiras, calúnias, deduções, juízos temerários, violação de segredos?

- Fiz ou aconselhei o aborto? Na vida matrimonial segui e respeitei o ensinamento da Igreja sobre a abertura à vida? Agi contra a minha integridade física (por exemplo: esterilização)? Fui sempre fiel, mesmo em pensamentos?

- Vivo com a esperança na vida eterna? Tentei vitalizar a minha vida espiritual com a oração, leitura e meditação da palavra de Deus, a participação nos sacramentos? Mortifiquei-me? Mostrei-me pronto e determinado a acabar com os vícios, a subjugar as paixões e inclinações perversas? Reagi por causa da inveja? Dominei a gula? Fui convencido e soberbo? 

- Que uso fiz do tempo, das forças, dos dons recebidos de Deus como o "talento do evangelho"? Uso todos esses meios para crescer cada vez mais na perfeição da vida espiritual e no serviço dos outros? Fui inerte e preguiçoso? Como usei a Internet e outros meios de comunicação?

- Suportei com paciência, num espírito de fé, as dores e provações da vida? Como procurei praticar a mortificação, para cumprir o que falta à Paixão de Cristo? Obedeci ao preceito do jejum e da abstinência?

- Guardei puro e casto o meu corpo, no meu estado de vida, pensando que é o templo do Espírito Santo, destinado à ressurreição e glória? Mantive os meus sentidos protegidos e evitei ficar sujo no espírito e no corpo com maus pensamentos e desejos, palavras e acções indignas? Permiti-me leituras, palestras, performances, entretenimento em contraste com a honestidade humana e cristã?


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quinta-feira, 16 de março de 2017

O Príncipe e o milagre de S. Filipe Néri

Todos os anos, no dia 16 de Março os príncipes Massimo, uma das famílias mais antigas de Roma, abre as portas do “Palazzo Massimo alle Colonne”, situado no centro de Roma, a quem o queira visitar.

É o dia em que se comemora o milagre que ali aconteceu. Tudo começou com a doença do príncipe Paolo Máximo, que tinha 14 anos. O jovem corria perigo de vida, e S. Filipe Néri, amigo da família, visitava-o diariamente. Mas no dia 16 de Março de 1583, Filipe estava a celebrar Missa algures, e no fim foi avisado que o príncipe estava prestes a morrer. 

Apressou-se para o Palácio, encontrando o jovem já sem vida, e sem que tivesse podido receber os últimos sacramentos. Comovido, S. Filipe encostou-se ao seu peito, meteu-lhe a mão na testa e rezou intensamente durante 7 a 8 minutos; ao aspergi-lo com água benta e encostando-se novamente ao seu peito, chamou o seu nome. 

O jovem príncipe abriu os olhos, falou durante alguns minutos com S. Filipe, e recebeu os sacramentos. Depois disto, o santo perguntou-lhe se queria ir já para o Céu. Ele respondeu que sim, porque estaria com a mãe e a irmã. S. Filipe disse-lhe “Vai em paz…”, e Paolo voltou a morrer.

O quarto do príncipe foi transformado numa capela lindíssima, onde neste dia são celebradas Missas ininterruptamente, desde as 7 da manhã. Às 11 horas celebrou o Arcebispo Guido Pozzo, secretário da Pontifícia Comissão "Ecclesia Dei", para todo o povo.

João Silveira


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Ajoelhar: uma coisa do passado?

“É notório que ajoelhar-se é um acto estranho para a cultura moderna – enquanto cultura que se afastou da Fé, e já não conhece Aquele diante do qual o estar de joelhos é a postura devida e necessária.
 
Quem aprende a crer aprende também a ajoelhar-se. Uma Fé ou uma Liturgia que já não conhece o ajoelhar-se tem o seu núcleo (o seu coração) doente. Nos lugares onde se perdeu, o acto de ajoelhar deve ser recuperado.”

Cardeal Ratzinger (Papa Bento XVI), in Introdução ao Espírito da Liturgia


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quarta-feira, 15 de março de 2017

O grande segredo de D. Bosco

No ano 1855, S. João Bosco tinha pregado durante três dias os Exercícios Espirituais aos jovens da "Generala", de Turim, um instituto correcional para os indisciplinados. Tendo-os confessado todos, pediu e obteve depois de muita insistência, do próprio ministro Urbano
Rattazzi, a licença para os levar, ao todo 350 rapazes, a um passeio até o parque real de Stupidini, nos arredores de Turim. 

A mais espontânea alegria durou até ao fim da tarde e, na hora de voltar para casa,   ninguém   deixou   de   responder   à   chamada.   É impossível descrever a surpresa de todos, que não podiam explicar como é que um pobre Padre sozinho, sem guardas nem soldados, tinha podido manter em ordem e submissos tão grande número de internados. Não sabiam que o grande segredo de D. Bosco era a confissão.

Pe. Luiz Chiavarino in 'Confessai-vos bem'


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O burro de Balaão e a mortificação corporal

A mortificação corporal ou exterior é o tema do vigésimo terceiro capítulo da terceira parte do clássico de espiritualidade Introdução à Vida Devota pelo Doutor da Caridade, S. Francisco de Sales. Um livro que vale a pena ler algumas duzentas ou mais vezes antes de morrer, a Introdução à Vida Devota é particularmente notável pelo seu balanço próprio em todas as coisas, enquanto guia a alma com um zelo verdadeiro para servir Deus com todo o coração, mente e fortaleza.
Ao entrarmos na época da Quaresma - um tempo particularmente dedicado à mortificação corporal e ao jejum - fazemos bem em considerar a sabedoria e conselhos do santo Bispo de Genebra que vai mostrar o verdadeiro caminho da devoção para aqueles de nós que vivem no mundo (e não na clausura de um mosteiro ou convento).
S. Francisco de Sales dá uma indicação importante no que toca à intenção da mortificação exterior através de um comentário espiritual à história do burro de Balaão, que se encontra no Antigo Testamento, em Números 22, 21-35.
Mortificação exterior no mundo
Os monges e as freiras, que são sustentadas pela vida comum do mosteiro ou convento e que são, para além disso, guiados tanto pela regra da sua Ordem como pela sabedoria do seu superior, devem praticar a mortificação exterior de uma maneira ligeiramente diversa daquela dada àquelas pessoas cuja vocação é viver fora no mundo.
Seguindo a Regra de S. Bento, os religiosos de clausura podem fazer jejum numa refeição por dia durante toda a Quaresma, e abster-se de qualquer carne (não durante a Quaresma, mas durante o ano). Muitas comunidades tradicionais adicionam mais austeridade (incluindo  a disciplina ou o cilício). Todas estas práticas são boas e bem ajustadas para a vida monástica, mas são dificilmente concretizáveis por aqueles que vivem no mundo.
Como é que um homem casado, que não só tem os deveres da sua ocupação (que podem envolver trabalho físico) mas também as tarefas da vida da casa, sustentar-se com uma dieta de uma refeição por dia sem carne? Poderá uma mãe que educa os filhos em casa praticar proveitosamente a disciplina a meio do dia de escola?
Seguindo S. Francisco de Sales, eu digo que (para os leigos) o diligente e alegre cumprimento dos deveres diários de cada um vale mais do que fazer jejum e mortificações. De facto, o trabalho de uma pessoa pode valer-lhe muito mais do que qualquer jejum. A tarefa de educar uma criança a ir à casa de banho sozinha é muitas vezes uma maior mortificação para uma mãe de cinco crianças do que qualquer cilício poderia ser.
Ainda assim, S. Francisco e eu não defendemos o pôr de parte todas as formas de jejum e mortificação  - não, nada disso! Antes, recomendamos apenas que a prática da mortificação corporal seja adaptada para servir a vocação do penitente.
Oiçam as palavras do Gentil Doutor, no que toca ao jejum e abstinência:
“Se conseguem aguentar o jejum, farão bem em jejuar em certos dias para além daqueles prescritos pela Igreja. [...] Mesmo que não façamos jejum muitas vezes, o inimigo tem grande medo de nós quando vê que conseguimos jejuar. Quartas, Sextas e Sábados são os dias em que os primeiros Cristãos observavam rigorosamente a abstinência e vós devíeis, portanto, escolher alguns deles para jejuar tanto quanto a vossa devoção e o julgamento do vosso director vos aconselhar.
Ao longo do ano, podem ter um bom proveito fazendo algum pequeno sacrifício em todas as Quartas, Sextas e Sábados - para além de se abster da carne em todas as Sextas do ano, de acordo com um costume antigo. Durante a Quaresma, pode ser bom aumentar a intensidade desta mortificação corporal ao abster-se da carne em cada um destes três dias.
Em vez de privar o corpo do sono, S. Francisco de Sales recomenda uma disciplina mais prudente:
“Devemos usar a noite para dormir, cada um de acordo com a sua disposição, para obter aquilo que é necessário para passar o dia com utilidade. Muitas passagens da Escritura, o exemplo dos santos e a razão natural recomendam-nos fortemente a manhã como a melhor e mais proveitosa parte do dia. [...] Assim, eu penso que é prudente para nós ir descansar cedo à noite para que possamos acordar cedo pela manhã."
Seria especialmente bom focar-nos em retirarmo-nos um pouco mais cedo durante a Quaresma (e não seria esta uma grande mortificação para muitos de nós?!), para nos podermos levantar mais cedo no dia para uma meia hora extra de oração.
Viremo-nos agora para o exemplo que o burro do profeta pagão Balaam nos dá no que toca à razão da mortificação corporal.
A história do burro que fala de Balaão
Lembrar-se-ão da história do burro de Balaão, que é dada em Números 22. O profeta pagão Balaão tinha sido chamado pelo rei pagão Balak para amaldiçõar os Israelitas. Eventualmente Balaão levanta-se e vai cumprir o pedido do rei e, porque o seu coração era mau, o Anjo do Senhor pôs-se no caminho, com uma espada em punho para o cortar para a morte. No entanto, Balaão não conseguia ver o Anjo, mas apenas o seu burro que voltava para trás e de nenhum modo ia para a frente.
Nessa altura, Balaão bateu três vezes no burro (com grande severidade) - e notamos que o burro fez uma ferida ao pé de Balaão no processo. Ainda assim, o burro não ia para a frente, pois temia o Anjo mais do que o profeta.
Depois, por um poder milagroso, a boca do burro abriu-se e falou para Balaão e o Anjo do Senhor revelou-se-lhe. Balaão caiu por terra e percebeu que o pobre burro não tinha feito nada de mal, mas que ele tinha acabado de ficar em falta - o burro não merecia as pancadas, mas ele merecia ser cortado pelo Anjo. Pelo seu arrependimento, o Anjo permitiu a Balaão continuar a sua viagem.
O comentário espiritual de S. Francisco de Sales
Lemos na Introdução à Vida Devota:
“Vês Filoteia, apesar de Balaão ser a causa do mal, ele bate e derrota uma pobre besta que não o podia evitar.
É o que se passa connosco muitas vezes. Uma mulher vê o seu marido ou a sua criança deitados doentes e de repente começa a jejuar, a usar cilício e disciplina, como David fez numa ocasião parecida. Infelizmente, minha amiga, também tu derrotaste a pobre besta, castigaste o corpo, mas isso não pôde remediar o mal, nem foi a razão pela qual a espada de Deus estava apontada a ti. Corrige o teu coração, que tem como ídolo o teu marido e que tolera as muitas falhas da criança, preparando-a para o orgulho, a vaidade e a ambição.
Um homem vê novamente que cai frequentemente bem dentro do pecado da pureza. Remorsos interiores assaltam a sua consciência como uma espada afiada a espetá-lo com um santo medo e, quando o seu coração ganha controlo sobre si mesmo, ele diz 'Ah, carne malvada, corpo traidor, traíste-me!' Imediatamente através do jejum sem moderação, do uso excessivo da disciplina e do cilício difícil de suportar, ele cria grandes golpes no seu corpo.
Oh pobre alma, se a tua carne pudesses falar como o burro de Balaão, dir-te-ia 'Homem infeliz, porque me atacas? É contra ti, oh minha alma, que Deus prepara vingança. És tu que és o criminoso. Porque usas os meus olhos, as minhas mãos e os meus lábios para a devassidão? Porque me incomodas com pensamentos impuros? Alimenta os bons pensamentos e eu não farei maus movimentos. Evita as más companhias e eu não serei estimulado para a luxúria. És tu, ai de mim! que me atiras para as chamas e depois não queres que me queime. Lanças fumo para os meus olhos mas não queres que se inflamem.
Em tais casos Deus dir-vos-à sem dúvida: Batei, quebrai, rasgai e esmaguei o vosso coração em pedaços, pois é especialmente contra ele que a minha ira se levante (cf. Joel 2, 13). Para curar a comichão não há tanta necessidade de limpar e lavar como de purificar o sangue e purificar o fígado. Por isso também, para ser curar dos vícios, é de facto bom mortificar a carne, mas é ainda mais necessário limpar os nossos afectos e purgar os nossos corações.
Mas, acima de tudo e em qualquer lugar, não devemos nunca começar austeridades corporais sem o conselho do nosso director espiritual.
in New Theological Movement


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terça-feira, 14 de março de 2017

Atingimos os 25 mil seguidores na página 'Senza Pagare'




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Família de D. Athanasius Schneider ficou perplexa quando ouviu falar da comunhão na mão

Quando, em 1973, a minha família deixou a União Soviética e nós dissemos adeus ao Pe. Janis Pawlowski, ele deu-nos esta advertência: "Quando forem para a Alemanha, por favor não vão às igrejas onde a Sagrada Comunhão é dada na mão." Quando ouvimos estas palavras, todos nós tivemos um choque profundo. Não poderiamos imaginar que este Sacramento Divino e Santíssimo poderia ser recebido de uma forma tão banal. 

Hoje em dia, uma parte considerável dos que recebem a Santa Comunhão habitualmente na mão, especialmente a geração mais jovem que não conheceu a maneira de receber a Comunhão ajoelhado e na língua, já não tem a fé católica plena na real Presença, porque tratam a Hóstia consagrada quase da mesma forma exterior como tomam alimentação normal. O gesto exterior minimalista tem uma ligação causal com o enfraquecimento, ou mesmo a perda, da fé na Presença Real de Jesus Cristo na Hóstia consagrada.

D. Athanasius Schneider em entrevista a 'Adelante la Fe', 10/08/2015


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segunda-feira, 13 de março de 2017