sábado, 24 de fevereiro de 2018

Cardeal Sarah diz que a comunhão na mão é um ataque de Satanás à Eucaristia

O responsável máximo do dicastério vaticano que trata da liturgia convoca os fiéis católicos a voltarem a receber a Sagrada Comunhão na boca e de joelhos.

No prefácio parade um novo livro sobre o assunto o Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino, escreve: “O mais insidioso ataque diabólico consiste em tentar extinguir a fé na Eucaristia, semeando erros e encorajando um modo inapropriado de recebê-la. A guerra entre São Miguel e os seus anjos, de um lado, e Lúcifer, de outro, continua nos corações dos fiéis."  

“O objectivo de Satanás é o sacrifício da Missa e a presença real de Jesus na Hóstia consagrada”, ele disse.

O novo livro, escrito por Pe. Federico Bortoli, foi lançado em italiano com o título: “A distribuição da Comunhão na mão: considerações históricas, jurídicas e pastorais” (La distribuzione della comunione sulla mano. Profili storici, giuridici e pastorali).

Recordando o centenário das aparições de Fátima, Sarah escreve que o Anjo da Paz, que apareceu aos três pastorinhos antes da visita da bem-aventurada Virgem Maria, “mostra-nos como devemos receber o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo”. Sua Eminência descreve, então, os ultrajes com que Jesus é ofendido hoje na Santa Eucaristia, incluindo “a chamada ‘intercomunhão’”(prática de cristãos de diferentes confissões participarem da mesma mesa eucarística).

O Cardeal continua, destacando como a fé na Presença Real “influencia o modo como recebemos a Comunhão, e vice-versa”, e propõe o Papa João Paulo II e Madre Teresa como dois santos modernos que Deus nos deu para imitarmos a sua reverência na recepção da Santa Eucaristia.

“Por que nos obstinamos em comungar de pé e na mão?”, pergunta o Prefeito da Congregação para o Culto Divino. A maneira como a Santa Eucaristia é distribuída e recebida “é uma importante questão sobre a qual a Igreja de hoje deve reflectir.”

Abaixo, com a autorização de La Nuova Bussola Quotidiana, onde o prefácio primeiramente foi publicado, oferecemos aos nossos leitores uma tradução [n.d.t.: feita directamente do original em italiano] de vários pontos chave do texto do Cardeal Sarah.

A Providência, que dispõe sábia e suavemente de todas as coisas, oferece-nos a leitura do livro 'A distribuição da Comunhão na mão', de Federico Bortoli, justamente depois de havermos celebrado o centenário das aparições de Fátima. Antes da aparição da Virgem Maria, na Primavera de 1916, o Anjo da Paz apareceu a Lúcia, Jacinta e Francisco, e disse-lhes: “Não temais. Sou o Anjo da Paz. Orai comigo.” […] Na Primavera de 1916, na terceira aparição do Anjo, as crianças notaram que o Anjo, que era sempre o mesmo, segurava na sua mão esquerda um cálice acima do qual se estendia uma Hóstia. […] Ele deu a Hóstia consagrada a Lúcia e o Sangue do cálice a Jacinta e Francisco, que permaneceram de joelhos, enquanto lhes dizia: “Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus.” O Anjo prostrou-se novamente por terra, repetindo com Lúcia, Jacinta e Francisco por três vezes a mesma oração.

O Anjo da Paz mostra-nos como devemos receber o Corpo e Sangue de Jesus Cristo. A oração de reparação ditada pelo Anjo, infelizmente, é tida como obsoleta. Mas quais são os ultrajes que Jesus recebe na Hóstia consagrada, e dos quais precisamos fazer reparação? Em primeiro lugar, existem os ultrajes contra o próprio Sacramento: as horríveis profanações, das quais alguns convertidos do satanismo já deram testemunho e ofereceram descrições repugnantes; são ultrajes ainda as Comunhões sacrílegas, quando não se recebe a Eucaristia em estado de graça, ou quando não se professa a fé católica (refiro-me a certas formas da chamada “intercomunhão”). Em segundo lugar, constitui um ultraje a Nosso Senhor tudo o que pode impedir o fruto do Sacramento, especialmente os erros semeados nas mentes dos fiéis a fim de que eles não mais acreditem na Eucaristia. As terríveis profanações que acontecem nas chamadas “missas negras” não atingem directamente Aquele que é ultrajado na Hóstia, encerrando-se tão somente nos acidentes do pão e do vinho.

É claro que Jesus sofre pelas almas dos profanadores, almas pelas quais Ele derramou o Sangue que elas tão cruel e miseravelmente desprezam. Mas Jesus sofre ainda mais quando o dom extraordinário da Sua presença divino-humana na Eucaristia não pode levar o seu potencial efeito às almas dos fiéis. E aí nós entendemos que o mais insidioso ataque diabólico consiste em tentar extinguir a fé na Eucaristia, ao semear erros e encorajando um modo inapropriado de recebê-la. A guerra entre São Miguel e os seus anjos, de um lado, e Lúcifer, de outro, continua nos corações dos fiéis: o alvo de Satanás é o sacrifício da Missa e a Presença Real de Jesus na Hóstia consagrada. Essa tentativa de rapina segue, por sua vez, dois caminhos: o primeiro é a redução do conceito de “presença real”. Muitos teólogos não cessam de ridicularizar ou de desprezar — não obstante as contínuas advertências do Magistério — o termo “transubstanciação”. […]

Vejamos agora como a fé na Presença Real pode influenciar o modo de receber a Comunhão, e vice-versa. Receber a Comunhão na mão comporta sem dúvida uma grande dispersão de fragmentos. Ao contrário, a atenção às mais pequeninas partículas, o cuidado na purificação dos vasos sagrados, o não tocar a Hóstia com as mãos sujas de suor, tornam-se profissões de fé na presença real de Jesus, ainda que seja nas menores partes das espécies consagradas. Se Jesus é a substância do Pão Eucarístico, e se as dimensões dos fragmentos são acidentes apenas do pão, pouco importa que o pedaço da Hóstia seja grande ou pequeno! A substância é a mesma! É Ele! Ao contrário, a desatenção aos fragmentos faz perder de vista o dogma: pouco a pouco poderia começar a prevalecer o pensamento: “Se até o pároco não dá atenção aos fragmentos, se administra a Comunhão de um modo que os fragmentos se podem dispersar, então quer dizer que Jesus não está presente neles, ou está ‘até um certo ponto’.”

O segundo caminho em que acontece o ataque contra a Eucaristia é a tentativa de retirar, dos corações dos fiéis, o sentido do sagrado. […] Enquanto o termo “transubstanciação” nos indica a realidade da presença, o sentido do sagrado permite-nos entrever a absoluta peculiaridade e santidade do Sacramento. Que desgraça seria perder o sentido do sagrado precisamente naquilo que é mais sagrado! E como é possível? Recebendo o alimento especial do mesmo modo como se recebe um alimento ordinário. […]

A liturgia é feita de muitos pequenos ritos e gestos — cada um dos quais é capaz de exprimir essas atitudes carregadas de amor, de respeito filial e de adoração a Deus. Justamente por isso é oportuno promover a beleza, a conveniência e o valor pastoral desta prática que se desenvolveu ao longo da vida e da tradição da Igreja, a saber, receber a Sagrada Comunhão na boca e de joelhos. A grandeza e a nobreza do homem, assim como a mais alta expressão do seu amor para com o Criador, consiste em colocar-se de joelhos diante de Deus. O próprio Jesus rezava de joelhos na presença do Pai. […]

Nesse sentido, gostaria de propor o exemplo de dois grandes santos dos nossos tempos: São João Paulo II e Santa Teresa de Calcutá. Toda a vida de Karol Wojtyla esteve marcada por um profundo respeito à Santa Eucaristia. […] Malgrado estivesse extenuado e sem forças […], estava sempre disposto a ajoelhar-se diante do Santíssimo. Ele era incapaz de ajoelhar-se e levantar-se sozinho. Precisava que outros lhe dobrassem os joelhos e depois o levantassem. 

Até os seus últimos dias, ele quis dar-nos um grande testemunho de reverência ao Santíssimo Sacramento. Por que somos assim tão orgulhosos e insensíveis aos sinais que o próprio Deus oferece para o nosso crescimento espiritual e para o nosso relacionamento íntimo com Ele? Por que não nos ajoelhamos para receber a Sagrada Comunhão, a exemplo dos santos? É assim tão humilhante prostrar-se e estar de joelhos diante de Nosso Senhor Jesus Cristo — Ele, que, “sendo de condição divina, […] humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl 2, 6–8)?

Santa Madre Teresa de Calcutá, uma religiosa excepcional a que ninguém ousaria chamar de tradicionalista, fundamentalista ou extremista, e cuja fé, santidade e dom total de si a Deus e aos pobres são conhecidos de todos, possuía um respeito e um culto absoluto ao Corpo divino de Jesus Cristo. Certamente, ela tocava quotidianamente a “carne” de Cristo nos corpos deteriorados e sofridos dos mais pobres dos pobres. No entanto, cheia de estupor e respeitosa veneração, Madre Teresa abstinha-se de tocar o Corpo transubstanciado do Cristo; ao invés disso, ela adorava-O e contemplava silenciosamente, permanecia durante longos períodos de joelhos e prostrada diante de Jesus Eucaristia. Além disso, ela recebia a Sagrada Comunhão directamente na boca, como uma pequena criança que se deixava humildemente nutrir pelo seu Deus.

A santa entristecia-se e lamentava sempre que via os cristãos receberem a Sagrada Comunhão nas próprias mãos. Ela afirmou inclusive que, segundo o que era do seu conhecimento, todas as suas irmãs recebiam a Comunhão apenas na boca. Não é esta a exortação que Deus mesmo faz a nós: “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fez sair do Egipto; abre a boca e eu te sacio” (Sl 81, 11)?

Por que nos obstinamos em comungar de pé e na mão? Por quê essa atitude de falta de submissão aos sinais de Deus? Que nenhum sacerdote ouse impor a própria autoridade sobre essa questão recusando ou maltratando aqueles que desejam receber a Comunhão de joelhos e na boca: venhamos como as crianças e recebamos humildemente, de joelhos e na boca, o Corpo de Cristo. Os santos dão-nos o exemplo. São eles o modelo a imitar que Deus nos oferece!

Mas como pode ter-se tornado tão comum a prática de receber a Eucaristia sobre a mão? A resposta nos é dada pelo Padre Bortoli, e confirmada por uma documentação até o momento inédita, e extraordinária por sua qualidade e dimensão. Tratou-se de um processo nem um pouco límpido, uma transição do que era concedido pela instrução Memoriale Domini ao modo que se difundiu hoje. […] 

Infelizmente, assim como aconteceu à língua latina e à reforma litúrgica, que deveria ter sido homogénea com os ritos precedentes, uma concessão particular tornou-se uma chave para forçar e esvaziar o cofre dos tesouros litúrgicos da Igreja. O Senhor conduz o justo por “caminhos rectos” (Sb 10, 10), não por subterfúgios; assim, além das motivações teológicas demonstradas acima, até o modo como se difundiu a prática da Comunhão na mão parece ter-se imposto não segundo os caminhos de Deus.

Possa este livro encorajar aqueles sacerdotes e aqueles fiéis que, movidos também pelo exemplo do Papa Bento XVI — que nos últimos anos do seu Pontificado quis distribuir a Eucaristia na boca e de joelhos — , desejam administrar ou receber a Eucaristia deste modo, muito mais apropriado ao próprio Sacramento. A minha esperança é de que haja uma redescoberta e uma promoção da beleza e do valor pastoral dessa forma de comungar. 

Segundo o meu juízo e opinião, essa é uma questão importante sobre a qual a Igreja de hoje deve reflectir. Trata-se de um acto de adoração e de amor que todos nós podemos oferecer a Jesus Cristo. Muito me agrada ver tantos jovens que escolhem receber Nosso Senhor com essa reverência, de joelhos e na boca. Possa o trabalho do Pe. Bortoli favorecer um repensar geral sobre o modo de distribuir a Sagrada Comunhão. Tendo acabado de celebrar, como disse no início deste prefácio, o centenário de Fátima, encoraje-nos a firme esperança no triunfo do Imaculado Coração de Maria: no fim, também a verdade sobre a liturgia triunfará.

Texto: Life Site News
Tradução adaptada da tradução de João Pedro de Oliveira (in Medium)


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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Ladainha da Humildade

Esta oração foi escrita pelo Cardeal Rafael Merry del Val, secretário de São Pio X. Por ser tão profunda foi rapidamente acolhida na Igreja e é uma oração muito útil para rezar todos os dias nesta Quaresma. 

Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Jesus manso e humilde de coração: ouvi-nos
Jesus manso e humilde de coração: atendei-nos.
Jesus manso e humilde de coração: fazei o nosso coração semelhante ao Vosso.

Do desejo de ser estimado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser amado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser procurado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser louvado, livrai-me, Jesus!

Do desejo de ser honrado, livrai-me, Jesus
Do desejo de ser preferido, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser consultado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser aprovado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser adulado, livrai-me, Jesus!

Do temor de ser humilhado, livrai-me, Jesus
Do temor de ser desprezado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser rejeitado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser caluniado, livrai-me, Jesus!

Do temor de ser esquecido, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser ridicularizado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser escarnecido, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser injuriado, livrai-me, Jesus!

Que os outros sejam mais amados do que eu – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que os outros sejam mais estimados do que eu – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que os outros possam crescer na opinião do mundo e que eu possa diminuir – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!

Que aos outros seja concedida mais confiança no seu trabalho e que eu seja deixado de lado - Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que os outros sejam louvados e eu esquecido – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo
Que os outros possam ser preferidos a mim em tudo – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que os outros possam ser mais santos do que eu, contanto que eu pelo menos me torne santo como puder - Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!

Ó Maria, Mãe dos humildes, rogai por nós!
São José, protector das almas humildes, rogai por nós!
São Miguel, que fostes o primeiro a lutar contra o orgulho e o primeiro a abatê-lo, rogai por nós!
Ó justos todos, santificados a partir do espírito de humildade, rogai por nós!

Oremos: Ó Deus, que, por meio do ensinamento e do exemplo do Vosso Filho Jesus, apresentastes a humildade como chave que abre os tesouros da graça (cf. Tg 4,6) e como início de todas as outras virtudes – caminho certo para o Céu – concedei-nos, por intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, a mais humilde e mais santa de todas as criaturas, aceitar agradecendo todas as humilhações que a Vossa Divina Providência nos oferecer. Por Nosso Senhor Jesus Cristo que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, pelos séculos dos séculos. Ámen.


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Algumas dicas sobre o jejum

O Papa Francisco convocou para hoje, sexta-feira de Quaresma, um dia de jejum e oração pela paz
Em primeiro lugar, importa recordar que na actual disciplina canónica da Igreja o preceito de jejum só obriga na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa e somente às pessoas entre os 18 e os 59 anos. Normalmente considera-se que cumpre este exercício quem ao pequeno-almoço come um simples papo-seco, toma um almoço completo, ingere duas bolachas ao lanche, para enganar o estômago, e janta uma sopa com uma fruta ou meia carcaça. Porém, é de notar algumas coisas:

a) O facto de o jejum só ser obrigatório naqueles dois dias não significa que só se pode fazer naqueles dias. Por isso, há um número significativo de cristãos, de todas as vocações, que jejuam o ano inteiro – por exemplo, todas as sextas-feiras, ou todas as quartas e sextas, ou ainda às segundas, quartas e sextas; ou então ao sábados em honra de nossa Senhora, e nas suas festas.

b) Há pessoas que não se contentam com aquelas condições mínimas que referimos acima e, por isso, jejuam a pão e água, admitindo muitas delas o café, chá ou algum refresco açucarado. Há ainda o caso mais radical de algumas pessoas que não ingerem alimento algum, mas somente água, chá ou café, durante 24h ou mesmo 48h ou 72h.

c) Não se pode ainda esquecer o caso das pessoas que por questões de saúde poderão estar impedidas de jejuar de qualquer maneira ou pelo menos nas formas mais exigentes. Conheço, por exemplo, uma pessoa que na sua juventude fez grandes jejuns e que agora em virtude de uns medicamentos que tem de tomar, que lhe abrem de tal modo o apetite vê-se em grandes dificuldades de o fazer.

d) É ainda de grande importância atender ao estado e condição concreta de cada um. Por exemplo, não se pode pedir a um pai de família que jejue com o mesmo rigor de uma Carmelita Descalça. Por outro lado, seria também absurdo pedir o mesmo jejum a um estivador ou a uma dactilógrafa.

e) Acresce que como o jejum é um meio e não um fim (o fim é sempre o maior amor a Deus e ao próximo) importa muito discernir se no modo como está a ser feito ajuda ou se pelo contrário estorva o caminho de santidade. Se, por exemplo, o jejum está tornando a pessoa soberba em vez de humilde, brutal em vez de mansa é sinal de que não é agradável a Deus. Por todas estas razões acima enumeradas cada um deverá estudar-se bem para saber como comportar-se. E uma vez que, como diz a sentença, ninguém é bom juiz de si próprio é de toda a conveniência que se consulte com o seu confessor habitual, com o seu assistente espiritual e, se for caso disso, com o seu médico.

f) De qualquer modo, uma pessoa que não possa prescindir do alimento em quantidade normal poderá sempre renunciar a comer coisas de que mais gosta: bolos, doces, chocolates, vinho, bebidas brancas, etc., o que também é uma forma de jejum.

g) Para além do jejum de comida pode a pessoa treinar-se com outro tipo de jejuns, renunciando a coisas legítimas para se fortalecer na capacidade de repudiar as ilícitas ou pecaminosas. Deste modo pode fazer jejum da boca, guardando silêncio - pode assim aprender a não contar os defeitos e pecados do seu semelhante; pode jejuar dos ouvidos, abstendo-se de participar em conversas ociosas ou de ouvir música – e assim aprender a não dar ouvidos a boatos e intrigas, e a dar maior atenção aos sentidos espirituais interiores em detrimento das melodias exteriores; pode jejuar dos olhos, renunciando ao cinema ou a programas televisivos para se dedicar à leitura e meditação da Palavra de Deus.

Salvo erro, era o Pe. Américo que dizia que “cada um é como cada qual e deve ser tratado consoante”. Por isso sugiro de novo que se aconselhe cada um com o seu confessor habitual, se é que se confessa habitualmente. Se não o fizer, está sempre a tempo de começar.

Padre Nuno Serras Pereira


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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

A Cátedra de São Pedro

Aqui está a estátua de S. Pedro, na Basílica Vaticana, devidamente preparada - com pluvial (a capa), tiara papal e o anel de pescador - neste dia da Cátedra de S. Pedro. Esta festa começou a ser celebrada no séc. III e tem como propósito relembrar o local de onde S. Pedro ensinava os cristãos de Roma e o que isso implicava. 

A cátedra (cadeira, em latim) simboliza a autoridade de um Bispo para ensinar onde tem jurisdição, ou seja onde é ele a mandar. No caso de um Bispo diocesano é a sua diocese. O Papa tem jurisdição universal, por isso quando fala a partir da cátedra não se dirige apenas à diocese de Roma mas ao mundo inteiro. 

Segundo o dogma da Infalibilidade Papal, quando o Papa ensina "ex cathedra" (a partir da cadeira) uma verdade de Fé ou de moral não pode errar, pela especial assistência que lhe é dada nesse momento pelo Espírito Santo. Infelizmente este dogma tem sido muito mal compreendido e as pessoas acham que tudo o que o Papa diz é infalível. Isso não é verdade, um Papa pode errar nas coisas que diz e faz no dia-a-dia. Aconteceu com todos os Papas, ao longo da História, basta olhar para S. Pedro, que traiu Jesus. 

"E o Senhor disse: «Simão, Simão, olha que Satanás pediu para vos joeirar como trigo. Mas Eu roguei por ti, para que a tua fé não desapareça. E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos.» Ele respondeu-lhe: «Senhor, estou pronto a ir contigo até para a prisão e para a morte.» Jesus disse-lhe: «Eu te digo, Pedro: o galo não cantará hoje sem que, por três vezes, tenhas negado conhecer-me»." Lc 22, 31-33

João Silveira


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A primeira Missa em Cabília (Argélia)

O padre Dom François Régis, abade de Notre-Dame de Staouëli, celebra a Santa Missa em Cabília, a sudeste de Argel, no dia 14 de Junho de 1853.


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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Educar os nossos filhos para a Santidade

Santa Jacinta e Santo Francisco Marto, duas crianças santas!

As Famílias de Caná vivem da convicção profunda de que as nossas crianças são chamadas à santidade, da mesma maneira que nós o somos. Na leitura do Levítico que ontem escutámos, Deus dizia-nos:

"Sede santos porque Eu, o Senhor, sou Santo." (Lv 19, 2)

E no Evangelho Jesus revela um carinho muito especial pelos mais pequeninos:

"Deixai vir a Mim as criancinhas, não as impeçais, porque dos que são como elas é o Reino de Deus." (Lc 18, 16)

Precisamos urgentemente de crianças santas. Precisamos urgentemente de pais que queiram educar os seus filhos para a santidade e para nada menos do que isso. Precisamos urgentemente de pais que não tenham receio de trabalhar as virtudes, todas as virtudes com os seus filhos, colocando limites onde é preciso colocar limites e desafiando sem limites onde é preciso desafiar sem limites.

Francisco e Jacinta foram santos porque Nossa Senhora, a Mãe, os desafiou até ao infinito. Não baixou nunca a fasquia. Não arranjou desculpas para a Jacinta, de sete anos, não precisar de rezar o Terço ou de fazer sacrifícios, muitos sacrifícios. Explicou que o Francisco A conseguiria ver logo que também ele rezasse o Terço. Disse-lhes que Deus estava contente com eles, mas triste com o mundo, e desafiou-os a oferecer-se ao Senhor em expiação pelo mundo.

Hoje, muitos intelectuais católicos ficam escandalizados com este pedido de Maria. Como pode Deus pedir a inocentes que se sacrifiquem pelos maus? Eu fico escandalizada, não com o pedido de Maria, mas com esta dúvida: não foi assim que Deus fez para salvar o mundo? Entregando Jesus, o único verdadeiramente inocente, para nos salvar a nós, os maus? Deus não Se contradiz. Hoje, como ontem, os inocentes têm aos ombros o jugo suave da salvação dos seus irmãos. E não nos surpreendamos muito se forem os nossos filhos os que mais trabalham pela nossa salvação…

Precisamos urgentemente de crianças santas, porque o nosso mundo não se cura sem uma grande dose de inocência. Como o fazer? Francisco e Jacinta são testemunho eloquente de que não há escola de santidade mais rápida e eficaz que a escola de Maria… Assim falou S. João Paulo II quando veio beatificar os pastorinhos:

"Queridos meninos e meninas, vejo muitos de vós vestidos como Francisco e Jacinta. Fica-vos muito bem! Mas, logo ou amanhã, já deixais essa roupa e… acabam-se os pastorinhos. Não haviam de acabar, pois não?! É que Nossa Senhora precisa muito de vós todos, para consolar Jesus, triste com as asneiras que se fazem; precisa das vossas orações e sacrifícios pelos pecadores.Pedi aos vossos pais e educadores que vos metam na «escola» de Nossa Senhora, para que Ela vos ensine a ser como os pastorinhos, que procuravam fazer tudo o que lhes pedia. Digo-vos que «se avança mais em pouco tempo de submissão e dependência de Maria, que durante anos inteiros de iniciativas pessoais, apoiados apenas em si mesmos» (S. Luís de Montfort, Tratado da verdadeira devoção à SS.ma Virgem, nº 155). 

Foi assim que os pastorinhos se tornaram santos depressa. Uma mulher que acolhera a Jacinta em Lisboa, ao ouvir conselhos tão bons e acertados que a pequenita dava, perguntou quem lhos ensinava. «Foi Nossa Senhora» – respondeu. Entregando-se com total generosidade à direcção de tão boa Mestra, Jacinta e Francisco subiram em pouco tempo aos cumes da perfeição." (Homilia de S. João Paulo II a 13 de Maio de 2000)

A Escola de Maria… Não era assim também que S. João Paulo II falava da oração do Rosário?

Santa Jacinta e Santo Francisco de Fátima, rogai por nós e pelos nossos filhos!

Teresa Power in 'Famílias de Caná'


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Declaro-me publicamente Incompetente

Não há muito tempo estive com um grupo de Sacerdotes para trocarmos opiniões sobre as situações em que hipoteticamente, diferentemente da Doutrina Disciplinar da Igreja, desde há dois mil anos, se poderia absolver e dar a Sagrada Comunhão a baptizados cujo casamento validamente contraído tinha, por motivos muito diversos, acabado em separação e seguidamente em divórcio civil e ‘casamento’ civil, fornicando sem arrependimento nem propósito de conversão, porque a continência sexual era tida como não factível.

Como era de esperar a barafunda foi mais que muita. Ninguém se entendia. Uns declaravam isto, outros, aquilo, os demais, aqueloutro, etc. Tudo em nome do “discernimento”. Falou-se também da consciência – caso um Padre decidisse que, após discernimento com a pessoa ou as pessoas em questão autorizar a absolvição e a Comunhão e um outro consultado pelos mesmos “penitentes”, chegasse a uma conclusão oposta que deviam fazer os impropriamente chamados recasados? Seria um Padre obrigado, embora repulsasse à sua consciência, admitir aos Sacramentos somente porque um outro presbítero o fez? O primeiro consideraria um auxílio à santificação, o segundo, pelo contrário, entenderia que era um empurrão para o sacrilégio, ou condenação…

Eu creio que fundamentalmente se trata de uma questão de verdade, humildade e obediência. A Igreja, desde sempre, já fez o discernimento definitivo, em obediência e comunhão com o Seu Senhor (para quem ainda não o tenha percebido, o Papa não é a Igreja, nem o depósito da Fé, nem o Revelador da mesma). O discernimento agora invocado para admitir o inadmissível, não é o da Tradição da Igreja nem o de St. Inácio nem o de nenhum outro Santo. Poderá ser o de Lutero e o de tantos outros inimigos da Verdade e da Igreja ao longo da história. E é certamente, como advertiu o Cardeal Pell, um cavalo de Tróia ou, digo eu, uma caixa de Pandora.

Claro que a Igreja sempre soube e ensinou que se podiam dar circunstâncias em que a responsabilidade pessoal poderá estar atenuada e até anulada, mas o que nunca fez foi substituir-se a Deus no julgamento dos corações. Por isso, sempre afirmou que Ela não tem autoridade nem capacidade para julgar o interior das pessoas:  “A Igreja não julga do interior, e só pode decidir-se pelos actos externos”. (O que sempre fez foi ensinar e ajudar as pessoas a recorrerem a Deus, às obras caritativas e penitenciais para superarem o estado espiritualmente calamitoso em que se encontravam.)

Exemplifiquemos mais claramente. Entra na Igreja em horário de Missa uma pessoa embriagada, oscilante, aos trambolhões, gritando impropérios, provocando nos fiéis um grande alvoroço. Chegado o momento da Comunhão põe-se na fila, entoando, intervalado de soluços, o Grândola vila morena. Dou-lhe a Sagrada Comunhão ou não? Estará ele na Graça de Deus ou não? Terá sido embriagado inadvertidamente por outros? Foi, desde bebé, ‘alimentado a sopas de cavalo cansado’ tornando-se inconscientemente um alcoólico inveterado? Pode estar na Graça de Deus? Poder poderá. Mas é evidente que tem de se lhe negar a Sagrada Comunhão. Ou não?!!!

À porta da Igreja está um ecologista fanático, influenciado pela propaganda de controladores demográficos, que opinam, como alguns famosos, hoje consultores de altas hierarquias eclesiásticas, que é necessário diminuir a população, pelo menos em 300 milhões de pessoas por ano. Cada vez que vê uma grávida, munido de um rijo cajado dá-lhe umas pauladas valentes na barriga para acabar com essa peste venenosa e predadora que é o bebé a nascer. Depois assiste à Missa e vai à Comunhão. Posso ter a certeza de ele não estar na Graça de Deus? Não!? Talvez esteja possesso do Demónio… Posso dar-lhe a Comunhão? Nem pensar!!!

Não, não estou a dizer que os adúlteros são, em virtude desse facto alcoólicos nem que são abortadores e infanticidas.

A segurança de estar ou não na Graça de Deus não se adquire através de um discernimento cuja sentença final seja dada pelo Padre ou/e pelo Bispo. (Os bispos de Buenos Aires, no espaço de um mês, discerniram que cerca de 30 falsos “casais” fossem admitidos aos Sacramentos.) Quem Me ama, diz o Senhor, cumprirá os Meus Mandamentos (conformar-se-á com os Meus dons de Amor); e o Pai e Eu, viremos a ele e nele faremos a Nossa morada (Cf Jo, 14-15). Esta é a melhor segurança, acompanhada da oração pedindo ao Senhor conhecimento, arrependimento, perdão e conversão dos pecados que nos são ocultos e implorando a Graça da perseverança final.

Se algum par que vive em adultério quer temerariamente arriscar a sua salvação eterna poderá racionalizar o recurso aos Sacramentos recorrendo ao cânone 916: “Quem está consciente de pecado grave não celebre a missa nem comungue o Corpo Senhor, sem fazer antes a confissão sacramental, a não ser que exista causa grave e não haja oportunidade para se confessar; nesse caso, porém, lembre-se que é obrigado a fazer um acto de contrição perfeita, que inclui o propósito de se confessar quanto antes.” 

Mas não metam os Bispos nem os Padres ao barulho – Assumam a responsabilidade perante Deus e com Ele se entendam aquando do Juízo imediato após a morte. Não aconselho de modo nenhum, mas se as autoridades eclesiásticas querem levar estes escandalosos destemperos espirituais avante, então que recomendem aos pseudorecasados que se confessem ocultando aos Padres o adultério permanente em que vivem e revelem somente, por exemplo, uma resposta torta ao companheiro ou ter, v. g., ingerido um croquete de vitela numa Sexta-feira; e vão comungar das mãos de um Padre que não os conheça.

Bons e santos amigos, não consegui escrever exactamente o que queria nem como o queria. Infelizmente as minhas capacidades, entre outras as de escrita, são limitadas. Mas parece-me não haver dúvidas de que estamos a viver, por coincidência ou não, nos tempos deste pontificado uma revolução, ou tentativa de ela na Igreja. Muita gente ficou espantada e incrédula quando há 3 (ou 4?) anos escrevi que aquilo que estava a suceder iria prejudicar a Igreja por várias décadas ou mesmo por alguns séculos (o que de resto não seria a primeira vez que isso aconteceria na história da mesma). Alguns que defendiam com unhas e dentes o ensinamento de Papas anteriores, agora advogam exactamente o contrário em nome da fidelidade ao papado e à Igreja. Que acontecerá, se o próximo Papa vier retomar os ensinamentos anteriores?

Outros dizem que não é de estranhar que este Papa seja criticado porque o mesmo aconteceu com os outros mais recentes. Haverá, no entanto, segundo muitos, uma diferença essencial. O actual, com ou sem razão, é contestado por contradizer e entrar em ruptura com a Doutrina de sempre, enquanto os anteriores eram atacados exactamente pelo contrário.

Queridos e santos amigos, nunca pensei vir a dizer uma coisa destas, mas apesar da minha incultura, pouquidão, limitações de todo o género e feitio, caso acontecesse o impossível, a saber, que o Senhor Patriarca ou quem quer que ele designasse, ou mesmo a Santa Sé, aceitasse um debate público, onde quer que fosse, sobre estas questões eu, somente confiado na Graça de Deus, estaria pronto para o/os confrontar. Não quero pôr-me em bicos dos pés, mas não tenho medo. 

Ademais tenho pelo Senhor D. Manuel Clemente uma enorme admiração e uma imensa gratidão. Sei que nunca poderei “pagar-lhe” a dívida de amizade, fraternidade e paternidade que reconheço com o maior agradecimento. Invejo-lhe, santa inveja, uma multidão de qualidades e saberes que não possuo. Mas nada disso me faz recuar. Poderei levar uma sova pública, uma tareia monumental, mas estaria disposto a tudo. É que, apesar de ainda não ter lido na totalidade a sua nota, ou texto, dirigido aos vigários, li com muita mágoa a sua entrevista de ontem ao semanário expresso. Tive pena, muita pena.

Se estou enganado pelo Maligno, que Deus me perdoe, e que os meus santos amigos rezem por mim com todas as veras.

Mas quando a Igreja se declara incompetente para julgar do interior, quem sou eu para arrogantemente presumir pernóstica e perliquitetemente  uma capacidade que, porque não me foi concedida, não possuo?

À honra de Cristo. Ámen.

Padre Nuno Serras Pereira


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Oração contra o pecado

Senhor, Pai soberano da minha vida,
não me abandones ao conselho dos meus lábios,
nem permitas que eles me façam sucumbir.


Quem aplicará o açoite aos meus pensamentos,
e ao meu coração uma sábia correcção,
para que sejam severos com os meus erros,
e eu não tolere as suas faltas?


Para que não se multipliquem os meus erros,
e não aumentem os meus delitos,
e eu não caia diante dos meus adversários,
e se ria de mim o meu inimigo,
pois dele está longe a esperança da tua misericórdia.


Senhor, Pai e Deus da minha vida,
não me dês olhos altivos,

e afasta de mim a concupiscência.

Não se apodere de mim o apetite sensual e a luxúria,
e não me entregues à mercê do desejo impúdico.


Ouvi, filhos, as instruções que vos dou:

aquele que as guardar não cairá no erro.
O pecador será colhido pelos seus lábios,
o maldizente e o orgulhoso tropeçarão por causa deles.


Ben Sira 23, 1-7


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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Como eram os Pastorinhos de Fátima antes das Aparições?

Na Primavera de 1916, a Jacinta tinha seis anos e o Francisco estava quase a fazer oito. Eram assim, cada um à sua maneira, com muitas qualidades e alguns defeitos. Não se distinguiam das outras crianças de Aljustrel, nada tinham de especial. E mesmo as histórias mais tocantes da paixão da Jacinta por Jesus teriam caído no esquecimento de todos, se não viesse o que veio.

Eram normais, muito normais, tão normais como nós. Até se escapavam da oração do terço, para poderem ir brincar mais depressa: "como todo o tempo nos parecia pouco para a brincadeira, arranjámos uma boa maneira de acabar depressa: passávamos as contas dizendo só 'Ave Maria'. Quando chegávamos ao fim do mistério, dizíamos com muita pausas as palavras 'Padre Nosso'. E, assim, num abrir e fechar de olhos, como se costuma dizer, tínhamos o nosso terço rezado".

E é por serem tão crianças e tão normais, que é mais grandioso ainda o que vai operar-se neles. É por isso que, mesmo santos, não deixam de ser tão próximos de nós.

O Céu não escolheu duas crianças iluminadas, excepcionais ou particularmente místicas. Escolheu aqueles pastorinhos de Aljustrel. A massa de que se fez a sua santidade é a mesma de que somos feitos nós, cada um na sua limitação, na sua miséria, na sua normalidade.

Seria tão fácil distanciar-nos de tudo o que eles foram e viveram, se já fossem perfeitos à partida. Mas não eram.

O que veio depois começa agora. O que veio depois aconteceu, mas podia não ter acontecido. O que veio depois mudou tudo.

Mas, para começar, só havia aqueles pastorinhos de Aljustrel, iguais a todos, iguais a nós.

Madalena Fontoura in 'Bem-Aventurados'


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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Cristã arménia canta 'Kyrie eleison' numa igreja destruída

Nelly Gasparyan é uma cristã arménia que foi filmada na Igreja da Santa Cruz, na ilha de Akdamar (Turquia), enquanto cantava o Kyrie eleison em arménio.


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Amor meus pondus meum - O meu amor é o meu peso

O corpo, devido ao peso, tende para o lugar que lhe é próprio, porque o peso não só tende para baixo, mas também para o lugar que lhe é próprio. Assim o fogo encaminha-se para cima, e a pedra para baixo. O azeite derramado sobre a água aflora à superfície; a água vertida sobre o azeite submerge-se debaixo deste: movem-se segundo o seu peso e dirigem-se para o lugar que lhes compete. As coisas que não estão no próprio lugar agitam-se, mas quando o encontram, ordenam-se e repousam.


O meu amor é o meu peso. Para qualquer parte que vá, é ele quem me leva. O vosso Dom inflama-nos e arrebata-nos para o alto. Ardemos e partimos. Fazemos canções no coração e cantamos o "cântico dos degraus". É o vosso fogo, o vosso fogo benfazejo que nos consome enquanto vamos e subimos para a paz da Jerusalém celeste. "Regozijei-me com aquilo que me disseram: Iremos para a casa do Senhor". Lá nos colocará a "boa vontade", para que nada mais desejemos se não permanecer ali eternamente." 



Santo Agostinho in Confissões


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domingo, 18 de fevereiro de 2018

Alerta: Papa Francisco celebrou Missa "de costas" para as pessoas

O Papa Francisco escandalizou os católicos "modernos" ao celebrar Missa 'ad orientem'. Estes católicos - juntamente com tantos não católicos que gostam de opinar em questões da Igreja - sentiram-se ultrajados com este "retrocesso". 

Dizem que longe vão os tempos (felizmente!) em que os sacerdotes celebravam a Missa "de costas" para as pessoas; e estas não "participavam" na Missa, limitando-se a estar ali impávidas e serenas, quem sabe ajoelhadas, enquanto faziam coisas desprovidas de sentido, como por exemplo rezar.

"Estamos no século XXI, os tempos evoluíram"; "Não podemos voltar atrás"; "Jesus veio pedir a simplicidade, não estas pompas"; "Jesus era pobre, nada tem a ver com estes faustos"; "Jesus veio falar olhos nos olhos com as pessoas, nunca lhes virou as costas" - desabafam, num misto de revolta, desilusão e desânimo.

A Santa Missa foi celebrada na Capela Sistina, no altar que se encontra sob o Juízo Final, pintado por Michelangelo. 

João Silveira

Nota interpretativa: Este texto contém ironia a fim que se perceba mais facilmente a irracionalidade de muitos "argumentos" que ouvimos em relação a este tema.


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Se não vamos ao confessionário o confessionário vem até nós



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sábado, 17 de fevereiro de 2018

Administrador diocesano acusa clero 'homossexual' de assassinar o seu Bispo

Parte do clero de uma diocese dos Camarões foi acusada publicamente de planear o assassinato do seu Bispo. O actual administrador da diocese disse, durante a homilia da Missa de exéquias, que o Bispo não se suicidou mas foi morto porque se levantou contra a homossexualidade na Igreja e no sacerdócio.

"É uma vergonha para todas aquelas pessoas em trajes pretos e óculos escuros sentados nas primeiras filas da Igreja", disse Mons. Joseph Akonga Essomba durante a Missa para o falecido Bispo Jean Marie Benoit Bala da diocese de Bafia, Camarões.

"É uma vergonha para todos os sacerdotes que vieram aqui fingindo simpatizar. Estas são as pessoas que mataram o nosso Bispo, porque ele disse "não" à homossexualidade perpetrada por esses sacerdotes ", disse Akonga, conforme relatado pelo site 'Crux Now'.

Mons. Essomba disse que, enquanto aqueles que realmente executaram o Bispo eram pessoas em posições de poder, apontou o dedo para sacerdotes 'homossexuais' ali presentes, que disse terem traído o seu líder espiritual.

O Bispo Bala, de 58 anos, desapareceu da sua residência na noite de 31 de Maio. O seu carro foi encontrado estacionado numa ponte que atravessa o rio Sanaga. Uma nota manuscrita foi encontrada no seu carro, dizendo: "Estou na água". O corpo do Bispo foi encontrado dois dias depois por pescadores, a cerca de 15 quilómetros da ponte.

Enquanto o governo dos Camarões sustenta que "o afogamento é a causa mais provável da morte do Bispo", os bispos do país dizem que Bala "não cometeu suicídio; ele foi brutalmente assassinado ".

Mons. Essomba disse ainda que o Bispo Bala não poderia ter-se afogado porque era um nadador muito bom. Os Bispos do país disseram num comunicado que têm a "certeza moral" de que o seu irmão Bispo foi assassinado.

"A certeza moral dos Bispos baseia-se, entre outras coisas, em que o corpo que viram, e reconhecido como os restos do Bispo Jean Marie Beniot Bala, nas margens do rio Sanaga e no armazém do hospital geral de Yaoundé, trazia marcas de violência física", declararam num comunicado de imprensa.

Mons. Essomba afirmou que a Igreja Católica nos Camarões "foi atacada". Ele observou que, entre as dezenas de casos de assassinatos envolvendo prelados dos Camarões nos últimos anos, pelo menos 14 deles nunca foram resolvidos. Os bispos exigem que o governo encontre e processe os assassinos do Bispo Bala.

in 'Life Site News'


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Os textos que faltam no documento do Patriarcado de Lisboa sobre a comunhão dos "recasados"

O Patriarcado de Lisboa emitiu uma nota explicativa para a interpretação do capítulo VIII da exortação apostólica 'Amoris laetitia', que tanta polémica tem gerado. A questão referida é a possibilidade do acesso aos sacramentos por parte dos chamados "divorciados recasados", isto é uma pessoa que é casada com outra mas vive como marido e mulher com uma terceira.

O apêndice do documento apresenta citações de vários documentos de Papas anteriores que trataram dessa questão. O problema é que as citações não apresentam todo o ponto a que cada uma se refere mas apenas uma parte. Ficou de fora o texto onde a Autoridade, neste caso o Papa, explica claramente que a Igreja não pode permitir o acesso aos sacramentos a quem vive objectivamente em contradição com a Lei Divina.

Na citação do ponto 84 da exortação apostólica 'Familiaris consortio' (do Papa João Paulo II), não se encontra esta parte importantíssima do texto, que viria de seguida ao que foi citado no documento do Patriarcado:

«A Igreja, contudo, reafirma a sua práxis, fundada na Sagrada Escritura, de não admitir à comunhão eucarística os divorciados que contraíram nova união. Não podem ser admitidos, do momento em que o seu estado e condições de vida contradizem objectivamente aquela união de amor entre Cristo e a Igreja, significada e actuada na Eucaristia. Há, além disso, um outro peculiar motivo pastoral: se se admitissem estas pessoas à Eucaristia, os fiéis seriam induzidos em erro e confusão acerca da doutrina da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimónio.»

O mesmo acontece em relação ao ponto 29 da exortação apostólica 'Sacramentum caritatis' - do Papa Bento XVI - mas desta vez onde se encontram as reticências no texto do Patriarcado poderia ler-se:

«O Sínodo dos Bispos confirmou a prática da Igreja, fundada na Sagrada Escritura (Mc 10, 2-12), de não admitir aos sacramentos os divorciados re-casados, porque o seu estado e condição de vida contradizem objectivamente aquela união de amor entre Cristo e a Igreja que é significada e realizada na Eucaristia.»

Nenhuma destas duas passagens deixam qualquer margem para dúvidas sobre a impossibilidade que os católicos naquela situação recebam os sacramentos. Isto ajudaria a esclarecer muita da confusão que tem sido levantada à volta desta questão, que, por ser de Direito Divino e não Direito Eclesiástico, a Igreja não tem o poder de mudar.

Não houve qualquer referência ao Código de Direito Canónico vigente, que trata esta questão nestes termos:

Cân. 915 — Não sejam admitidos à sagrada comunhão os excomungados e os interditos, depois da aplicação ou declaração da pena, e outros que obstinadamente perseverem em pecado grave manifesto.

Citar o Catecismo da Igreja Católica também poderia ter ajudado a esclarecer:

1650. Hoje em dia e em muitos países, são numerosos os católicos que recorrem ao divórcio,em conformidade com as leis civis, e que contraem civilmente uma nova união. A Igreja mantém, por fidelidade à palavra de Jesus Cristo («quem repudia a sua mulher e casa com outra comete adultério em relação à primeira; e se uma mulher repudia o seu marido e casa com outro, comete adultério»: Mc 10, 11-12), que não pode reconhecer como válida uma nova união, se o primeiro Matrimónio foi válido. Se os divorciados se casam civilmente, ficam numa situação objectivamente contrária à lei de Deus. Por isso, não podem aproximar-se da comunhão eucarística, enquanto persistir tal situação. Pelo mesmo motivo, ficam impedidos de exercer certas responsabilidades eclesiais. A reconciliação, por meio do sacramento da Penitência, só pode ser dada àqueles que se arrependerem de ter violado o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo e se comprometerem a viver em continência completa.

Os fiéis têm direito a saber a verdade. A falta de clareza, a dúvida e a confusão não são coisas de Deus mas do inimigo.


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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Universitários fazem vídeo para rezar as estações da Via Sacra

Os estudantes da Universidade de São Tomás de Aquino, em Santa Paula na Califórnia, produziram um vídeo com as estações da Via Sacra. As imagens são do próprio 'campus' da Universidade, enquanto a música sacra foi cantada pelo seu coro: Chrysostomos.


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Normas para o jejum, abstinência e penitência

Determinações relativas ao jejum e à abstinência 

4. O jejum e a abstinência são obrigatórios em Quarta-Feira de Cinzas e em Sexta-Feira Santa. 

5. A abstinência é obrigatória, no decurso do ano, em todas as sextas-feiras que não coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades. Esta forma de penitência reveste-se, no entanto, de significado especial nas sextas-feiras da Quaresma. 

6. O preceito da abstinência obriga os fiéis a partir dos 14 anos completos. O preceito do jejum obriga os fiéis que tenham feito 18 anos até terem completado os 59. Aos que tiverem menos de 14 anos, deverão os pastores de almas e os pais procurar atentamente formá-los no verdadeiro sentido da penitência, sugerindo-lhes outros modos de a exprimirem. 

7. As presentes determinações sobre o jejum e a abstinência apenas se aplicam em condições normais de saúde, estando os doentes, por conseguinte, dispensados da sua observância. 

Determinações relativas a outras penitências

8. Nas sextas-feiras poderão os fiéis cumprir o preceito penitencial, quer fazendo penitência como acima ficou dito, quer escolhendo formas de penitência reconhecidas pela tradição, tais como a oração e a esmola, ou mesmo optar por outras formas, de escolha pessoal, como, por exemplo, privar-se de fumar, de algum espectáculo, etc. 

 9. No que respeita à oração, poderão cumprir o preceito penitencial através de exercícios de oração mais prolongados e generosos, tais como: o exercício da via-sacra, a recitação do rosário, a recitação de Laudes e Vésperas da Liturgia das Horas, a participação na Santa Eucaristia, uma leitura prolongada da Sagrada Escritura. 

10. No que respeita à esmola, poderão cumprir o preceito penitencial através da partilha de bens materiais. Essa partilha deve ser proporcional às posses de cada um e deve significar uma verdadeira renúncia a algo do que se tem ou a gastos dispensáveis ou supérfluos. 

11. Os cristãos que escolherem como forma de cumprimento do preceito da penitência uma participação pecuniária orientarão o seu contributo penitencial para uma finalidade determinada, a indicar pelo Bispo diocesano. 

12. Os cristãos depositarão o seu contributo penitencial em lugar devidamente identificado em cada igreja ou capela, ou através da Cúria diocesana. Na Quaresma, todavia, em vez desta modalidade ou concomitantemente com ela, o contributo poderá ser entregue no ofertório da Missa dominical, em dia para o efeito fixado. 

As formas de penitência não se excluem mas completam-se mutuamente 

13. É aconselhável que, no cumprimento do preceito penitencial, os cristãos não se limitem a uma só forma de penitência, mas antes as pratiquem todas, pois o jejum, a oração e a esmola completam-se mutuamente, em ordem à caridade. 

Normas publicadas pela Conferência Episcopal com data de 28 de Janeiro de 1985


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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Papa Bento XVI não está doente, está velhinho

Nos últimos dias circularam rumores sobre uma grave doença neurológica que estaria a afectar o Papa Bento, colocando a sua vida em risco. A suposta fonte dessa notícia teria sido o irmão do Papa Bento, o Padre Georg Ratzinger. 

Entretanto a notícia já foi desmentida. O Papa Bento sofre as limitações de movimento expectáveis aos 91 anos de idade e não por qualquer doença em especial.

Seja como for rezemos pelo Papa Bento, que continua a ter um papel muito importante na Igreja.  



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Acto de confiança escrito pelo apóstolo do Sagrado Coração

Meu Deus, estou tão convencido que velais sobre aqueles que em Vós confiam, e que nada pode faltar a quem de Vós tudo espera, que resolvi viver para o futuro sem preocupação alguma, e descarregar sobre Vós todas as minhas preocupações. “Em paz me deito e descanso, porque Vós, Senhor, me firmastes na esperança” (Sl 4, 9).

Podem os homens despojar-me dos bens e da honra, pode a doença roubar-me as forças e os meios para Vos servir, posso até perder a graça pelo pecado; mas o que nunca perderei é a esperança; conservá-la-ei até ao último alento da minha vida, embora todas as potências infernais se esforcem em vão por me roubar. “Em paz me deito e descanso”.

Esperem outros a felicidade das suas riquezas e talentos; confiem na inocência da sua vida, no rigor da sua penitência, no número das suas boas obras ou no fervor das suas orações. Vós, Senhor, a mim me constituístes na esperança. Quanto a mim, toda a minha confiança se funda nesta mesma confiança. Ela nunca enganou ninguém. “Nunca ninguém esperou em Deus e ficou confundido” (Sir 2, 11). E assim, estou seguro de que serei eternamente bem-aventurado, porque espero firmemente sê-lo, e é de Vós, ó meu Deus, que o espero. “Confiei em Vós, Senhor, jamais serei iludido” (Sl 30, 2).

Conheço e sei demasiado como sou frágil e volúvel. Não ignoro quanto podem as tentações contra as mais robustas virtudes. Vi cair as estrelas e derrubar as colunas do firmamento; mas nada disso me mete medo. Enquanto esperar, ficarei a coberto de todas as desgraças; e estou seguro de esperar sempre, porque espero até esta invariável esperança.

Finalmente, estou certo que nunca será demasiado tudo o que em Vós espere, e que nunca poderei ter menos do que de Vós souber esperar. Espero, portanto, que tereis mão nas minhas inclinações mais violentas, e me defendereis dos assaltos mais furiosos, e fareis triunfar a minha fraqueza dos meus mais temíveis inimigos.

Espero que me amareis sempre, e que também eu Vos hei-de amar incessantemente. E para levar a minha esperança tão alto quanto ela pode subir, de Vós mesmo Vos espero, ó meu Criador, para o tempo e para a eternidade.

São Cláudio La Colombière, SJ


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