domingo, 22 de abril de 2018

A importância de guardar o Coração

Guardar o coração significa amar com pureza e paixão aqueles a quem devemos amor, e excluir ao mesmo tempo os ciúmes, as invejas e inquietações, que são causas certas de desordem no amor. 

A guarda do coração significa sempre a ordem no amor. A guarda do coração ensina o cristão a penetrar na profundidade de alma, para descobrir os seus movimentos e tendências. 

Salvatore Canals in 'Ascética Meditada'


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sexta-feira, 20 de abril de 2018

A doutrina perene da Igreja sobre a Liberdade Religiosa

Sobre a liberdade religiosa, podemos resumir em três itens o ensino oficial do Magistério eclesiástico: a) ninguém pode ser coagido, pela força, a abraçar a Fé Católica; b) o erro não tem direito nem à existência, nem à propaganda, nem à acção; c) este princípio não impede que o culto público de religiões falsas possa ser, eventualmente, tolerado pelos poderes civis, em vista de um bem maior a obter-se, ou de um mal maior a evitar-se (Cfr. AL. Pio XII, 6.XII.1953).

Com o princípio de bom senso, que tolera a eventual existência de religiões falsas, a doutrina da Igreja atende mesmo às condições de facto de uma sociedade religiosamente pluralista. Não admite, porém, nem poderia admitir, no homem, um direito natural de seguir a religião do seu agrado, prescindindo de seu carácter de verdadeira ou falsa. 

Aceitar semelhante direito em nome, por exemplo, da dignidade humana, envolve uma profunda inversão da ordem das coisas. Pois a dignidade do homem, que toda ela procede de Deus, passaria a sobrepor-se à obrigação fundamental que tem esse mesmo homem com relação a Deus: a de cultuá-Lo na verdadeira religião.

Outra posição lesiva dos direitos divinos está implícita naquele princípio: o Estado deveria ser necessariamente neutro em matéria de religião. Deveria sempre dar plena liberdade de profissão e propaganda a qualquer culto. 

Atitude esta que contradiz o ensino católico tradicional, uma vez que, criatura de Deus, também a sociedade, como tal, tem o dever de prestar-Lhe culto na religião verdadeira, e de não permitir que cultos falsos possam blasfemar o Santíssimo Nome do Senhor (Cfr. Leão XIII, Enc. 'Immortale Dei' e 'Libertas'). Não é difícil verificar-se que este princípio falsíssimo de liberalismo corre em meios católicos como doutrina oficial.

D. António de Castro Mayer in 'Circular sobre a pureza e integridade da Fé' (1 de Junho de 1981)


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As necessárias virtudes de Diáconos, Sacerdotes e Bispos

Os diáconos devem ser castos e púdicos, sóbrios, desinteressados, discretos, leais; devem saber governar a sua casa com prudência e dignidade. 

Mais perfeitos ainda devem ser os presbíteros e os bispos (Tit. I, 7-9): a sua vida deve ser de tal modo pura que sejam irrepreensíveis; devem, pois, combater com cuidado o orgulho, a ira, a intemperança, a cobiça, e cultivar as virtudes morais e teologais, a humildade, a sobriedade, a continência, a santidade, a bondade, a hospitalidade, a paciência, a doçura e sobretudo a piedade, que é útil a tudo, a fé e a caridade (I Tim. VI, 11). 

É necessário até dar exemplo destas virtudes, e por consequência praticá-las em grau elevado: 'In omnibus teipsum praebe exemplum bonorum operum' (Tit. II, 7). Todas estas virtudes supõem não somente um certo grau de perfeição já adquirida, mas além disso um esforço generoso e constante para a perfeição.

Pe. Adolphe Tanquerey in 'Compêndio de Teologia Ascética e Mística' (Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 4ª Edição, 1948, p. 228)


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quinta-feira, 19 de abril de 2018

13 anos da eleição do Papa Bento XVI



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6 respostas do Papa Bento a perguntas de reclusos

Há 13 anos o Cardeal Ratzinger foi eleito Papa. Para ter presente o seu pontificado, vale a pena recordar este diálogo entre o Papa Bento XVI e alguns reclusos de uma prisão romana.

Pergunta #1: Pergunto a Sua Santidade se este gesto vai ser entendido na sua simplicidade também pelos nossos políticos e governantes para que se restitua a todos os últimos - nós incluídos, os detidos - a dignidade e a esperança que é preciso reconhecer a todos os seres.

Resposta Papa Bento: Vim sobretudo para mostrar-vos a minha proximidade pessoal e íntima na comunhão com Cristo que vos ama. Mas, certamente esta visita que para vós é pessoal, é também um gesto público que recorda aos nossos cidadãos, ao nosso governo, o facto de que há grandes problemas e dificuldades nas prisões italianas. E, efectivamente, o objectivo destas prisões é o de ajudar a justiça, e a justiça implica como primeiro dado a dignidade humana. Da parte que depende de mim, quero assinalar sempre que é importante que as prisões respondam ao seu objectivo de renovar a dignidade humana e melhorar a sua condição e não de a comprometer. Esperemos que o governo tenha a possibilidade de responder a esta vocação.

Pergunta #2: Mais do que uma pergunta, prefiro pedir-lhe que no deixe agarrar-nos a si com os nossos sofrimentos e os dos nossos familiares, como a um cabo eléctrico que nos comunica com o nosso Senhor. Gosto muito de si.

Resposta Papa Bento: Eu também gosto muito de si. A identificação do Senhor com os presos interpela-nos profundamente. E eu também tenho de me perguntar: "Cumpri o imperativo do Senhor?" Vim aqui porque sei que em vós me espera o Senhor, que necessitais que se vos reconheça humanamente e que necessitais da presença do Senhor que no Juízo Final nos pedirá contas disso, por isso espero que estes centros cumpram cada vez mais com o objectivo de ajudar os detidos a reencontrar-se, a reconciliar-se com os outros, com Deus, para incorporar-se de novo à sociedade e ajudar ao progresso da humanidade.

Pergunta #3: Parece-lhe justo que agora que sou um homem novo e pai de uma menina de poucos meses não me dêem a possibilidade voltar a casa, apesar de ter pago amplamente a minha dívida para com a sociedade?

Resposta Papa Bento: Antes de mais, parabéns! Fico contente de que se considere um homem novo. Sabe que para a doutrina da Igreja a família é fundamental e é importante que um pai tenha nos braços a sua filha. Por isso rezo e espero que quanto antes possa recebê-la realmente no seus braços e estar com a sua mulher para construir uma bonita família e contribuir para o futuro de Itália.

Pergunta #4: Que podem pedir os presos doentes e seropositivos ao Papa? Fala-se muito pouco de nós, e por vezes de uma forma tão feroz que parece que nos querem eliminar da sociedade. Fazem que nos sintamos infrahumanos.

Resposta Papa Bento: Temos que suportar que alguns falem mal de nós. Também falam mal do Papa e, no entanto, vamos para a frente. Creio que é importante alentar todos para que pensem bem, para que entendam que vocês sofrem, para que compreendam que têm de vos ajudar a levantar-vos. Eu farei todo o possível para convidar a pensar de forma justa - não com desprezo mas com humanidade - que todos podemos cair, mas Deus quer que todos cheguemos a ele, e que podemos cooperar, com espírito de fraternidade e reconhecendo a nossa fragilidade, neste processo para que os que caíram se levantem e prossigam a sua vida com dignidade.

Pergunta #5: Santidade, ensinaram-me que Nosso Senhor vê e lê dentro dos corações; por isso pergunto: porque é que a absolvição se delega nos sacerdotes? Se eu, sozinho, pedisse de joelhos a absolvição dirigindo-me ao Senhor, seria absolvido?

Resposta Papa Bento: É preciso dizer 2 coisas. A primeira, naturalmente, se se ajoelha e com verdadeiro amor de Deus lhe pedir perdão, Deus perdoá-lo-á. Mas há outro elemento: o pecado não é só algo pessoal, individual, entre Deus e eu, o pecado tem sempre uma dimensão horizontal. Por isto esta dimensão social, horizontal, do pecado exige que se absolva também no âmbito da comunidade humana, da comunidade da Igreja, exige o Sacramento. A absolvição do sacerdote, a absolvição sacramental é necessária para absolver-me deste laço com o mal e reintegrar-me na vontade de Deus, dando-me a certeza de que me perdoa e me recebe na comunidade dos seus filhos.

Pergunta #6: Santo Padre, no mês passado esteve em visita pastoral em África, no pequeno país do Benin, uma das nações mais pobres do mundo. Aí têm esperança e fé em Deus, e morrem no meio da pobreza e da violência. Porque é que Deus não os escuta? Será que ouve só os ricos e os poderosos que, aliás, não têm fé?

Resposta Papa Bento: A medida de Deus e os seus critérios são diferentes dos nossos. Deus dá a estas pessoas a alegria da sua presença, faz que sintam que está próximo deles, mesmo no sofrimento e na dificuldade e, naturalmente, chama-nos para que façamos o que estiver nas nossas mãos para que saiam das trevas das doenças e da pobreza. Temos de rezar a Deus para que haja justiça, para que todos possam viver na alegria de ser seus filhos.



Visita do Papa Bento XVI à prisão romana de Rebibbia (18/12/2011)


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quarta-feira, 18 de abril de 2018

A riqueza da ordenação sacerdotal em Rito Bizantino

O Bispo Manuel Nin, exarca apostólico para os católicos de Rito Bizantino na Grécia, ordenou o Diácono David Grunda.


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Se Deus não existe tudo é permitido




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terça-feira, 17 de abril de 2018

O Segredo para um Casamento Feliz segundo o autor do 'Senhor dos Anéis'

J.R.R Tolkien era um romântico. Quando com 16 anos conheceu a sua futura mulher, Edith, ficou desde o primeiro momento encantado e começou imediatamente a cortejá-la informalmente, levando-a regularmente às casas de chá da zona onde moravam. Ao aperceber-se deste romance, o Padre responsável pela educação de Tolkien, preocupado com a sua distracção dos estudos, proibiu-o de ter qualquer contacto com Edith até completar 21 anos de idade. Tolkien obedeceu relutantemente. Durante cinco longos anos esperou pacientemente por aquela que sabia ser a sua alma gémea. Na tarde em que celebrou 21 anos, escreveu uma carta a Edith em que declarou o seu amor e pediu a sua mão em casamento. Uma semana mais tarde estavam noivos.

Durante a sua vida, Tolkien escreveu vários poemas de amor à sua mulher e em cartas para amigos escreve apaixonadamente sobre ela. No entanto o seu mais famoso tributo à sua amada esposa, e aquele perdura no tempo, foi a transposição do seu romance para a mitologia da Terra Média, mais concretamente na história de Beren e Luthien. Dificilmente se encontra maior e mais comovente tributo. Tolkien escreve assim ao seu filho Cristopher:

«Nunca chamei à Edith Luthien, mas ela foi a inspiração da história que, com o tempo, se tornou central no Silmarilion. Concebi a ideia pela primeira vez na floresta de Roos, Yorkshire (onde estive a comandar um posto avançado da guarnição de Humber por um curto período de tempo em 1917, e tive a possibilidade de a ter a viver comigo) numa pequena clareira repleta de flores. Naqueles dias os seus cabelos eram negros, a sua pele clara, os seus olhos mais brilhantes do que possas imaginar, e ela cantava e dançava.»

Mesmo após a morte Tolkien não quis estar longe da sua Edith. Encontra-se enterrado junto a ela, debaixo de mesma lápide inscrita com os nomes “Beren e Luthien”. Pode dizer-se, utilizando a expressão popular, que Tolkien estava muito “apaixonado” pela sua mulher. 

O Verdadeiro Amor Dói

J.R.R. Tolkien teve um casamento feliz durante 55 anos. Em contraste nos dias de hoje a taxa de divórcio é absurdamente elevada, com algumas pessoas a defender que o casamento e as relações monógamas simplesmente não são possíveis ou sequer saudáveis, e consequentemente, a desistir completamente destas. Afinal o que é que o Tolkien tinha que parece faltar a muitos casamentos e relações? Como é que ele fez o seu funcionar? A resposta é simples, o amor verdadeiro envolve sacrifício.

A definição moderna reduz o Amor a puro sentimento, centrado principalmente na própria pessoa. Se alguém nos entusiasma, se a sua proximidade nos acelera a pulsação, nos provoca borboletas na barriga, se essa pessoa nos satisfaz e aos nossos desejos, então estamos apaixonados e segundo a definição moderna, podemos dizer que amamos.

Apesar de profundamente ligado à sua mulher, Tolkien rejeitava esta ideia superficial do que é o Amor. Pelo contrário, abraçava antes o conceito Católico de Amor verdadeiro que, por ser centrado no outro, exige um sacrifício dos instintos naturais e consequentemente um acto determinado de vontade.

Um excerto de uma carta de Tolkien ao seu filho Michael ilustra a profundidade da sua visão do amor matrimonial. Nela, o escritor revela um lado diferente, com o qual muitos não estão familiarizados. As suas palavras podem parecer chocantes, ou mesmo ofensivas para todos aqueles com uma visão excessivamente sentimentalista do amor, no entanto, se verdadeiramente compreendidas e vividas resultam numa verdadeira e duradora felicidade no casamento.

«Os Homens não são monógamos. Não vale a pena fingir. Os homens na sua natureza animal, simplesmente não o são. A monogamia, embora há muito tempo fundamental para as nossas ideias herdadas, é para nós homens uma ética “revelada” de acordo com a fé, e não da carne. A essência do mundo decaído é que aquilo que tem de melhor não consegue ser alcançado pelo gozo desregrado dos prazeres imediatos, ou por aquilo que chamam “auto-realização” (normalmente subterfugio para uma autoindulgência, completamente desligada da realização do outro); mas pela negação de si mesmo, pelo sofrimento. Fidelidade num casamento cristão implica isso mesmo: uma grande mortificação.

Para um homem Cristão não há como escapar. O casamento ajuda a santificar e a direcionar os desejos sexuais para o seu verdadeiro objectivo; a sua graça ajuda o homem no seu esforço, mas o desafio mantem-se. Da mesma forma que a fome pode ser combatida com refeições regulares, estas não serão suficiente para a sua satisfação permanente. O estado de pureza exigido pelo casamento em si apresenta tantos desafios como o alivio que oferece. 

Nenhum homem, independentemente de quão apaixonado pela sua noiva no dia do casamento, se manteve fiel de corpo e alma à sua mulher sem o exercício consciente da vontade, sem espirito de sacrifício. Infelizmente este é um assunto pouco falado, mesmo entre os jovens educados na Fé e especialmente para todos aqueles mais distantes da Igreja.

Quando a novidade se esgota, a magia acaba, ou simplesmente desvanece ligeiramente, as pessoas assumem que se enganaram, que a sua verdadeira “alma gémea” é afinal outra. A sua “verdadeira alma gémea” acaba muitas vezes por ser a próxima pessoa sexualmente atraente que aparece, alguém com quem podiam ter casado e ser realmente felizes… aqui entra o divórcio como a única solução possível.

Claro que regra geral até estão certos: de facto cometeram um erro. Apenas alguém muito sábio, no fim da sua vida, poderia com alguma certeza avaliar com quem, de entre todas as hipóteses possíveis, teria tido um melhor casamento. Quase todos os casamentos, mesmo os mais felizes, são erros no sentido em que na maioria dos casos (num mundo mais perfeito ou mesmo com mais cuidado neste mundo imperfeito) ambos os esposos poderiam ter encontrado alguém mais adequado um para o outro. No entanto a verdadeira “alma gémea” é a pessoa com quem são casadas. Neste mundo decaído temos como únicos guias a prudência, a sabedoria (rara na juventude e demasiado tarde na velhice), um coração puro e a fidelidade da vontade.»

(Carta de J.R.R. Tolkien, p 51 – 52)

O Amor é uma Batalha

Muita gente fica ofendida com a maneira franca como o escritor fala sobre o casamento. “Se realmente amas alguém, não deveria ser difícil amar! Não deveria ser um esforço! Viver o casamento como uma mortificação? Que ofensivo! Não deves amar verdadeiramente a tua mulher”.

Esta linha de pensamento ignora completamente o ponto mais importante, o verdadeiro amor é uma luta contra o amor próprio. É um esforço contra a nossa natureza decaída e egoísta. É uma morte que gera vida. Um homem que seja honesto consigo mesmo tem que admitir que Tolkien tem razão. A luta pela castidade e fidelidade não acaba, não importa quanto amas a tua mulher.

A essência do amor é um acto de vontade. Os sentimentos no casamento vão e voltam. Aqueles que têm casamentos longos e felizes são os que fazem uma escolha, a escolha de amar as suas mulheres mais do que a si mesmos, que escolhem sacrificar os seus desejos imediatos por uma felicidade duradoura, que escolhem doar-se em vez de possuir.

E sabes que mais? Quando se escolhe ser fiel, inevitavelmente a felicidade é o resultado. Tanta gente desiste quando as coisas ficam difíceis, no exacto momento em que se simplesmente escolhessem a fidelidade e persistissem na luta encontrariam a felicidade no fim do esforço. Outro católico com um casamento feliz, G.K. Chesterton, escreveu: “Já conheci muitos casamentos felizes, mas nunca um compatível. O grande objectivo do casamento é lutar e sobreviver ao momento em que a incompatibilidade se torna inquestionável. Porque o homem e a mulher, são essencialmente incompatíveis.”

A verdadeira alegria e a felicidade duradoura no casamento são possíveis. Um número incontável de casamentos, incluindo o de Tolkien, provam isso mesmo. Mas nunca iremos encontrar esta alegria se estivermos centrados em nós mesmos. O paradoxo é que é imprescindível esquecermo-nos de nós próprios para encontrarmos a felicidade que procuramos.

Homens, se querem um casamento feliz têm que morrer para vocês próprios. Têm que colocar a vossa mulher em primeiro lugar. Tem que amá-la sacrificando-se por ela como Cristo pela sua esposa, a Igreja. Este é o segredo tão simples que infelizmente escapa a muitos. 

Sam Guzman in 'The Catholic Gentleman'

(Tradução: Teresinha Ferin da Cunha)


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"A pior mentira é aquela que é meia verdade" - G. K. Chesterton

Um comentário pode ser falacioso; uma notícia pode ser falsa. Mesmo que não seja falsa, pode ser escolhida para dar uma imagem completamente falsa do assunto em questão.

Seleccionar é a arte fina da falsidade. A pior mentira é aquela que é meia verdade.

Os jornalistas são os novos sacerdotes. Mas contrariamente aos antigos, não os norteia a contrição nem a fé na verdade. Nem tão pouco o sentido de pertença ao povo que deveriam servir.

G.K. Chesterton in 'Distortions of the Press' (1909) 


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segunda-feira, 16 de abril de 2018

Imagens da última peregrinação do Papa Bento XVI a Fátima



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Os 91 anos do Papa Bento

O Papa Bento faz hoje 91 anos de idade. Para comemorar mais este aniversário deixamos aqui algumas palavras dirigidas pelo Papa Bento XVI aos jovens.

Não são os nossos esforços humanos nem o progresso técnico do nosso tempo que trazem a luz a este mundo. Experimentamos sempre de novo que o nosso esforço por uma ordem melhor e mais justa tem os seus limites. O sofrimento dos inocentes e, enfim, a morte de cada homem constituem uma escuridão impenetrável que pode talvez ser momentaneamente iluminada por novas experiências, como a noite o é por um relâmpago; mas, no fim, permanece uma escuridão acabrunhadora.

Ao nosso redor pode haver a escuridão e as trevas, e todavia vemos uma luz: uma chama pequena, minúscula, que é mais forte do que a escuridão, aparentemente tão poderosa e insuperável. Cristo, que ressuscitou dos mortos, brilha neste mundo, e fá-lo de modo mais claro precisamente onde tudo, segundo o juízo humano, parece lúgubre e sem esperança. 

Ele venceu a morte – Ele vive – e a fé n’Ele penetra, como uma pequena luz, tudo o que é escuro e ameaçador. Certamente quem acredita em Jesus não é que vê sempre só o sol na vida, como se fosse possível poupar-lhe sofrimentos e dificuldades, mas há sempre uma luz clara que lhe indica um caminho, o caminho que conduz à vida em abundância (cf. Jo 10, 10). Os olhos de quem acredita em Cristo vislumbram, mesmo na noite mais escura, uma luz e vêem já o fulgor dum novo dia.

Papa Bento XVI in Vigília de oração com os jovens em Friburgo (24/09/2011)


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domingo, 15 de abril de 2018

A Missa de Paulo VI: uma hemorragia do sagrado

Depois de termos analisado o novo missal sob um prisma cerimonial (ler aqui), consagraremos agora a presente carta e ainda a seguinte ao próprio conteúdo do missal promulgado a 3 de Abril de 1969 bem como às suas deficiências do ponto de vista doutrinal e espiritual. Deficiências que, desde há 50 anos, vêm conduzindo a uma autêntica hemorragia do sagrado.

I – Um pano de fundo ecuménico, mas tão-só na direcção do protestantismo

O ecumenismo, que foi a palavra-chave do Vaticano II, em matéria litúrgica tão teve em vista senão o protestantismo. O Consilium para a aplicação da reforma litúrgica, de que Mons. Annibale Bugnini era secretário, afastou desde logo a veleidade, que havia sido anunciada, de convidar observadores ortodoxos. Em vez disso, logo desde a sessão de Outubro de 1966, cinco observadores protestantes assistiam às assembleias daquele órgão: dois designados pela Comunhão Anglicana, um pelo Conselho Ecuménico das Igrejas, um pela Federação Luterana Mundial, e um pela Comunidade de Taizé (Max Thurian), que assistiram depois a todas as reuniões. Colocar a revisão global da liturgia romana sob a observação de representantes das comunidades mais críticas do culto “papista” era então uma revolução.


De facto, eles foram consultados em diversas ocasiões. Assim, por exemplo, na instrução Eucharisticum mysterium, de 25 de Maio de 1967, tudo o que diz respeito à eucaristia numa perspectiva ecuménica foi redigido «tendo em conta as observações dos irmãos não católicos» (Jean-Marie Roger TILLARDLa Maison-Dieu, 3º trimestre/1967, p. 55). Mais em geral, a sua influência, pela preocupação de se «ir ao seu encontro», manifestou-se ainda na redacção das novas colectas do santoral, em que se curou de «suprimir tanto quanto possível toda a alusão à intercessão dos santos» (Pierre JOUNELLa Maison-Dieu, 1º trimestre/1971, p. 182).

Mas o principal ponto de colaboração ecuménica foi a composição de um novo leccionário dominical. Os observadores protestantes explicaram, por exemplo, que estavam chocados por a liturgia tradicional fazer uso de passagens do Livro da Sabedoria para as festas marianas (Pierre JOUNEL, "Le Culte de la Vierge Marie dans l'année liturgique", Paroisse et Liturgie, 87, pp. 13-14), e fez-se-lhes a vontade. A questão era: o que se mostrava necessário era enriquecer o leccionário tradicional ou criar um completamente novo? Um enriquecimento na linha da tradição, mediante um sistema de leituras complementares, tal como era usado em tempos antigos em certos lugares, chegou a ser considerado, mas o Pe. Cipriano Vagaggini conseguiu convencer os seus confrades de que era necessário proceder a uma reformulação total.

Eis como foi organizado, na sua globalidade, o novo leccionário:

1) O leccionário dos domingos e dias de festa introduz o princípio das três leituras, com uma leitura semicontínua das epístolas e dos evangelhos em ciclos independentes.
2) O leccionário ferial, com duas leituras diárias, a primeira extraída de um de dois ciclos anuais que se alternam, e o evangelho de um ciclo anual único.
3) O leccionário dos santos, com duas leituras. Apenas os textos que se referem estritamente a um certo santo são, de facto, obrigatórios. Quanto às leituras que acompanham os sacramentos, baptismos, casamentos e funerais, impera a liberdade.

Definitivamente, tratou-se de subverter uma tradição mais do que milenar, com a desqualificação de toda uma série de comentários antigos (São Boaventura) e mais recentes (Dom Guéranger), que versavam sobre o antigo leccionário romano.

II – Uma menor expressão da presença real

Este contexto ecuménico orientado na direcção do protestantismo tem por efeito o sublinhar de uma fraca reverência em face da presença real na eucaristia, como resultado de um conjunto de transformações.


É assim que notamos a redução das genuflexões do sacerdote após a consagração (doze no missal tridentino contra apenas três no novo missal).

Foi suprimida a junção obrigatória dos dedos polegar e indicador de cada mão após a consagração e até à purificação que se segue à comunhão. Esta prática permitia evitar que as partículas da hóstia que se houvessem colado aos dedos pudessem cair e dispersar-se. O esfregar destes dois dedos sobre o cálice, por precaução, após cada contacto com a hóstia consagrada também deixou de existir. Como também se deixou de proceder à recolha com a patena das partículas que pudessem ter ficado sobre o corporal, para depois as deixar cair dentro do cálice, antes que o sacerdote comungasse o Preciosíssimo Sangue. Por fim, suprimiu-se ainda a purificação dos dedos usando vinho e água, após a distribuição da sagrada comunhão.

Já não é obrigatório que a copa do cálice e do cibório sejam dourados na parte interna, bem como a superfície da patena, como modo de honrar as santas espécies. Uma só toalha passou a ser necessária sobre o altar, e já não três toalhas, o que era mais adequado para, sendo três, poderem absorver o vinho consagrado acaso este viesse a ser entornado. A pala que cobria o cálice para evitar que poeiras ou insectos aí entrassem, tornou-se facultativa.

A descrição da Instituição, no novo missal, aparece mais como narração de um acontecimento passado do que como uma intimação feita sobre o pão e o vinho presentes sobre o altar, na medida em que os caracteres tipográficos usados para as palavras da consagração são agora idênticos tanto aos que os precedem como àqueles que vêm depois, ao passo que, no missal tradicional, essas mesmas palavras aparecem impressas em caracteres nitidamente maiores. Além do que, enquanto no missal tradicional, o Hoc est enim Corpus … e o Hic est enim calix… se encontram separados do texto que os antecede por um ponto final parágrafo, no novo missal, eles são introduzidos por dois pontos, como a anunciar uma citação narrativa.

A oração Perceptio Corporis tui, a mais reverencial de todas as orações de preparação para a comunhão – «Que a comunhão do vosso Corpo e do vosso Sangue, Senhor Jesus Cristo, que eu, apesar de indigno, ouso receber, não traga para mim juízo ou condenação [...]» – foi omitida no novo missal.

A modificação mais importante do ponto de vista das consequências relativas à reverência e fé dos fiéis, é a introdução da comunhão na mão dos fiéis. Foi a partir de 1965/1966 que, sem qualquer autorização, a comunhão começou a ser dada na mão, abuso que foi coberto pelas conferências episcopais. A Santa Sé organizou então uma estranha inquirição dirigida aos bispos de todo o mundo, a fim de apurar se esta prática “selvagem” era ou não legítima. As respostas transmitidas pelos bispos foram na sua maioria negativas, e uma maioria evidente: a comunhão na mão não era legítima. 

Apesar disso, a instrução Memoriale Domini, de 29 de Maio de 1969, elevou-a ao estatuto de “excepção”: a comunhão tradicional de joelhos e na boca permanecia a regra, mas a Santa Sé remetia para o juízo das conferências episcopais a fim de se decidir se permitir ou não a comunhão na mão. E o antes “abuso”, entretanto tornado “excepção”, rapidamente se transformou em “regra”: a quase totalidade das conferências adoptaram este novo modo de recepção da comunhão. Em termos concretos, sendo praticada no seio da modernidade, esta recepção da hóstia consagrada na mão rompia uma longa tradição de respeito religioso e conduzia à banalização de um dos momentos litúrgicos mais importantes e mais marcantes para os fiéis que participavam nos santos mistérios.

III – O sacerdote hierarca torna-se sacerdote presidente

Paradoxalemente, na liturgia reformada, a distinção entre o presidente e os fiéis foi acentuada. Com efeito, as formas de culto tradicionais faziam com que todos os intervenientes se radicassem num mesmo conjunto ritualizado. O fraco ritualismo das cerimónias novas, juntamente com a parte importante ocupada por intervenções livres do celebrante, deixam um espaço considerável para o seu “jogo” pessoal. A sua presença, num acto de culto inteiramente em língua vernácula e incluindo uma parte de improvisação, torna-se muito mais marcada do que o acontecia na forma tradicional.


Na missa nova, o celebrante é mais presidente do que um hierarca que intercede pelo povo. A distinção sacramental entre sacerdote, de um lado, e ministros e fiéis, do outro, é menos marcada, como resulta de um conjunto de pormenores: o Confiteor do início da missa é comum a todos, e uma vez terminado o sacerdote já não dá a absolvição, ao passo que, no missal antigo, há um Confiteor reservado ao sacerdote, seguido daquele dos ministros e da absolvição dada pelo sacerdote. Este pedido de purificação da alma do ministro era redobrado ainda por duas orações pronunciadas pelo sacerdote , uma enquanto subia ao altar, extraída do Sacramentário Leoniano («Pedimo-Vos Senhor, afastai de nós as nossa iniquidades»), e a outra quando se inclinava diante dele («Nós vos suplicamos, Senhor, pelos méritos de vossos santos, cujas relíquias aqui se encontram, e de todos os demais santos, vos digneis perdoar todos os nossos pecados»). 


A antiga distinção entre a comunhão do sacerdote e a dos fiéis (o sacerdote proferia três vezes para si mesmo o Domine non sum dignus …, comungava o Corpo e o Sangue e, depois, voltava-se então para os fiéis, que recitavam também eles três vezes o Domine non sum dignus...) é abolida: o sacerdote diz com o povo, uma só vez, «Senhor não sou digno que entreis em minha morada ...», comunga, e inicia logo de seguida a comunhão dos fiéis.

No que respeita aos que ajudam à missa, houve também uma inversão. Na missa tradicional, eles podem ser leigos, mas são assimilados aos clérigos durante o tempo da celebração. Na missa nova, os ministros do altar permanecem claramente leigos, o que tem por efeito laicizar a celebração. E isto vai até muito longe: o motu proprio Ministeriam quaedam de Paulo VI, de 15 de Agosto de 1972, que suprimiu as ordens menores e o subdiaconado, apenas deixou que subsistissem dois ministérios, o de leitor e o de acólito, reservados a homens, mas que permanecem leigos. Em todo o caso, os diversos serviços durante a missa, leituras, intenções da oração universal, direcção dos cânticos da assembleia, admonições e comentários, distribuição da comunhão por ministros extraordinários, são prestados por fiéis enquanto leigos. Isto mesmo é confirmado pelo facto de que o são tanto por homens como por mulheres, que, até à data pelo menos, não podem aceder ao estado clerical.

Já no que respeita ao serviço imediato do altar, as instruções Liturgicae instaurationes, de 5 de Setembro de 1970, e Inaestimabile donum, de 3 de Abril de 1980, recordaram a interdição do serviço do altar para as mulheres. Apesar de tudo isso, a prática de permitir a presença de moças como acólitas difundiu-se cada vez mais. Aconteceu então que, segundo o processo habitual, se passou da interdição à permissão excepcional daquilo que, na realidade, era já prática comum: uma resposta da Congregação para o Culto Divino de 15 de Março de 1994 precisava que o princípio permanecia inalterado («Será sempre oportuno seguir a nobre tradição do serviço do altar confiado a rapazes jovens»), mas que competia a cada bispo, se entendesse ser conveniente, autorizar esse serviço a título de «deputação temporária». Uma vez mais o “abuso” foi requalificado como “excepção”, para enfim se tornar praticamente a “regra”.

IV – Menos transcendência, mais «inserção na vida»


O tema da participação activa de todos os baptizados ia de par em par com o da adaptação dos textos, gestos, símbolos para uma melhor compreensão da mensagem: a liturgia devia ser mais pedagógica para os homens dos nossos dias (Sacrosanctum Concilium, n. 34). Isto, porém, revela um estranho desconhecimento dos sinais dos tempos: os nossos contemporâneos, privados daquele património simbólico pela reforma, foram em busca dele nas liturgias orientais, e depois nada menos do que na própria liturgia tradicional, à medida que esta se foi tornando acessível.


A passagem de uma língua sagrada para uma língua de uso profano (e puramente profano, sem ter sequer a distância que permite o uso de uma versão antiga da mesma, como acontece por exemplo com os anglicanos, o Book of Common Prayer ou a Bíblia do Rei James, ou com o eslavo eclesiástico, entre os ortodoxos e alguns uniatas russos) contribuiu também para isso em grande medida. De um discurso proferido numa língua propriamente litúrgica passou-se a um discurso transmitido num registo inferior, que, no melhor dos casos, se reveste de um pouco de sacralidade pelo “tom cuidado” do celebrante, mas a maior parte das vezes é totalmente banalizado.

A qualidade das expressões das novas orações, tornadas voluntariamente acessíveis aos públicos visados, acentua também essa impressão, chegando por vezes ao ponto de desvalorizar a mensagem. Assim, na versão francesa da oração eucarística destinada a circunstâncias particulares: «[Jesus] que está no meio de nós, quando estamos reunidos em seu nome, como outrora com os seus discípulos, abre-nos as Escrituras e partilha conosco o pão»; na versão portuguesa (segunda oração eucarística V): «o vosso Filho, que está presente no meio de nós quando nos reunimos no seu amor e, como outrora aos discípulos de Emaús, Ele nos explica o sentido da Escritura e nos reparte o pão da vida». 

Na primeira oração eucarística para as assembleias de crianças: «Na noite antes da sua morte, quando Jesus comia com os discípulos, tomou o pão que estava na mesa e fez uma oração para Vos dar graças. Depois partiu o pão e deu-o aos seus discípulos, dizendo [...]»; na versão francesa: «Uma noite, na verdade, mesmo antes da sua morte, quando Jesus comia com os seus Apóstolos, tomou o pão que estava na mesa. Na sua oração, bendisse-Vos. Depois, partilhou o pão dizendo aos seus amigos». Na segunda oração eucarística para as crianças: «Deus, nosso Pai, que sois tão bom, sentimo-nos contentes por estarmos reunidos junto de Vós. Queremos agradecer-Vos»; que, na versão francesa aparece assim: «Sim, Pai bom, é uma festa para nós; o nosso coração está pleno de reconhecimento». Ou ainda: «Ele veio para tirar do coração dos homens todo o pecado e maldade que não nos deixam ser amigos, nem nos deixam ser felizes». E na terceira: «Graças a Vós, podemos compreender-nos e viver juntos as nossas dificuldades e as nossas alegrias.»; de novo, não exactamente idêntica em todas as línguas; assim na versão francesa, por exemplo: «podemos encontrar-nos e falar juntos. Graças a Vós, podemos partilhar as nossas dificuldades e alegrias.»


Além disso, e contrariamente de facto àquela que é a prática da liturgia romana tradicional, agora quase tudo é proferido em alta voz, nomeadamente a oração eucarística. Ora, o silêncio do cânone romano, já atestado no século XI, servia na liturgia latina de iconóstase moral. O “segredo” da acção sagrada era uma das grandes características romanas, imagem da oração silenciosa de Cristo que caminha para o sacrifício. Agora, já não existe esta barreira misteriosa, a dicção em alta voz acabando por sublinhar ainda mais, além de outras coisas, a forma assaz comum do discurso empregue. A impressão que nos fica é a de uma “conversa sem fim”, enjeitando toda a hipótese de um silêncio de recolhimento. Tanto mais, que o celebrante, querendo ou não, se atribui a si mesmo a cerimónia como um longo discurso pessoal.


Nota-se outrossim uma acentuação disso mesmo pelo facto de que a teologia dos anos cinquenta e sessenta ter sido marcada por uma descoberta deslumbrada das ciências humanas, às quais votava uma ingénua admiração. Na liturgia, esse fenómeno foi traduzido pelo desejo de mostrar que se estava ligado às realidades terrestres. Assim, o aperto de mão trocado entre quantos participam na eucaristia, antes da comunhão, veio sublinhar a solidariedade que os une, e os “eucológios” que substituíram o ofertório vieram valorizar o significado do pão e do vinho enquanto «frutos da terra e do trabalho dos homem».


Estes abatimentos do sagrado são ainda o resultado dos numerosos elementos profanos introduzidos na celebração: a intervenção de homens e mulheres vestidos com roupa comum para fazer as leituras ou para dar a comunhão como ministros extraordinários; o aperto de mão ou o beijo na face usados como sinal da paz; os votos de bom domingo aos paroquianos na despedida, como o faria o padeiro ou o pasteleiro aos seus clientes na vida quotidiana.

Cumpre ainda insistir sobre o facto de que a generalização da celebração feita intencionalmente de frente para o povo concorre grandemente para um enfraquecimento ritual. Esta forma de celebração tinha-se difundido muito ao início dos anos 60, e tornara-se quase generalizada por volta de 1964-1965, de modo que a reforma conciliar nem sequer precisou de legislar sobre este ponto. De resto, poderia até sustentar-se que os textos, teoricamente, a consideravam como excepção (1), conquanto se tivesse quase tornado a regra. A celebração nova, com o altar-mesa aproximado dos fiéis, sobre o qual se realizam à vista de todos gestos bastante comuns, na prática, é uma só coisa com o modo de celebrar de frente para o povo, como o mostram as reacções violentas que se verificam sempre que surge o convite para a abandonar (2).

As liturgias tradicionais, tanto latinas como gregas, fazem tocar o sobrenatural, e, paradoxalmente, é precisamente ao sublinharem nos seus gestos e palavras o carácter transcendente do mistério que elas, velando-o, o desvelam, através de uma espécie de jogo contínuo de afastamento/aproximação (3), ao passo que, com a reforma, de todas as “inserções na vida” por ela praticadas, resulta claramente uma impressão de rebaixamento da transcendência da mensagem.

in Paix Liturgique (Carta 87)
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(1) Ver Cyrille DOUNOT, “Plaidoyer pour la célébration ad orientem”, in L'Homme nouveau, 3 de Dezembro de 2016, p. 11.

(2) Por exemplo, as provocadas pelo discurso pronunciado a 5 de Julho de 2016 pelo Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino, aquando da abertura em Londres do colóquio “Sacra Liturgia”.

(3) Ver Martin MOSEBACH, La liturgie et son ennemi, Hora Decima, 2005.


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Cardeal Pacelli, futuro Papa Pio XII, de Cappa Magna

"Nada se perde com a paz. Tudo pode ser perdido com a guerra." 

Papa Pio XII in Radiomensagem "un'ora grave" (24/08/1939)






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sábado, 14 de abril de 2018

Os lobos são mais perigosos mas as moscas são mais chatas

Ainda que tenhamos que combater contra as grandes tentações com ânimo inquebrantável e a vitória nos seja de suma utilidade, é todavia ainda mais útil combater as pequenas, cuja vitória por causa de seu número pode trazer tanta vantagem como a daqueles que venceram felizmente grandes tentações. 

Os lobos e os ursos são certamente mais para temer do que as moscas; as moscas, porém, são mais importunas e experimentam mais a nossa paciência. É fácil não cometer um homicídio; mas é difícil repelir continuamente os pequenos ímpetos da cólera, que se oferecem em todas as ocasiões. 

É fácil a um homem ou a uma mulher não cometer adultério; mas não há igual facilidade em assim conservar a pureza dos olhos, não dizer ou ouvir com prazer nada daquilo que se chama adulações, galanteios, não dar nem receber amor ou pequeninas provas de amizade. É bem fácil não dar rival ao marido, nem rival à mulher, quanto ao corpo. Mas não é assim fácil não o dar quanto ao coração. É bem fácil não manchar o tálamo nupcial, mas bem difícil manter ileso o amor conjugal. 

É fácil não furtar os bens do próximo; mas dificultoso é não os desejar e cobiçar. É fácil não levantar falsos testemunhos em juízo; mas difícil não mentir em conversa; fácil é não embriagar-se, difícil ser sempre sóbrio; é bem fácil não desejar a morte ao próximo, difícil contudo não desejar a sua incomodidade; fácil é não difamar alguém, mas é difícil não desprezar.

Enfim, essas pequenas tentações de cólera, de suspeitas, de ciúmes, de invejas, de amizades tolas e vãs, de duplicidades, de vaidade, de afectação, de artifícios, de pensamentos maus, tudo isso, digo, forma o exercício cotidiano, mesmo das almas mais devotas e resolvidas a viver santamente. 

Por isso, Filoteia, ao passo que nos devemos mostrar generosos em combater as grandes tentações, quando aparecem, é muito necessário que nos preparemos cuidadosamente para as pequenas tentações, convictos de que as vitórias que obtivermos assim de nossos inimigos ajuntarão outras tantas pedras preciosas à coroa que Deus nos prepara no paraíso.

São Francisco de Sales in 'Filoteia ou Introdução à Vida Devota'


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A trágica história da primeira vítima da ideologia de género

A trágica história da primeira vítima do Dr. Money, o guru do "gender"

Publicada em Itália, 20 anos depois, a  terrível verdade sobre o caso que desacreditou para sempre o inventor da teoria de género

Incidente que aconteceu com o pequeno Bruce (nascido em 1965): por erro, numa circuncisão terapêutica o seu pénis foi queimado.

Os pais Ron e Janet, desesperados, após uma série de consultas médicas, recorreram ao Dr. John Money, um médico que tinham ouvido falar na TV sobre os milagres da "mudança de sexo".

Money era o ideólogo da identidade de género, baseada na ideia de que a identidade de uma pessoa não se apoia nos dados biológicos de nascimento, mas nas influências culturais e no ambiente em que cresce.

Money ficou eufórico por cuidar do pequeno.

O médico explicou aos pais que precisava deles para garantir que Bruce se tornasse feminina: que o vestissem como uma menina (agora com o nome de Brenda), deixassem crescer o seu cabelo, o fizessem sentir como uma ela e não um ele. Dessa maneira, viria a ter uma vida feliz.

BRENDA. Ron e Janet, pelo menos nos primeiros anos, entregaram-se de alma e corpo à sua missão. Mas qualquer coisa não estava a correr bem.

A pequena Brenda ignorava as bonecas que lhe davam de presente, gostava de andar à luta com os seus amigos, construía fortificações em vez de se pentear em frente ao espelho.

Os primeiros anos de escola agravaram consideravelmente a situação. Brenda começou a tornar-se particularmente violenta e foi rejeitada. Brenda continuou a comportar-se "como um rapazola", defendia o irmão nas brigas, e penava quando estava com as amigas. Tudo isso levou os pais à exaustão: Janet tentou o suicídio, Ron começou a beber.

Em 1980, o pai contou à filha a sua história. Brenda "sentiu-se aliviada" porque finalmente entendeu que "não era louca." A primeira pergunta que ele fez ao pai foi: "Qual é o meu nome?"'.

DAVID. Brenda/Bruce decidiu regressar ao seu sexo biológico. Escolheu o nome de David.

No Verão de 1988 David fez "uma coisa que eu nunca tinha feito antes. Acabei por rezar". Disse: "Tu sabes que eu tive uma vida terrível. Não tenho intenção de me lamentar conTigo, porque deves ter uma qualquer ideia do porquê de me estares a fazer passar por todas estas coisas. Mas eu poderia ser um bom marido, se me fosse dada a oportunidade."

OS REIMER. Os demónios não pararam de assolar a família Reimer.
Só Ron, o pai, após um período de dificuldade com o álcool, conseguiu retomar as rédeas da sua vida. A mãe Janet continuou a sofrer de crises profundas de depressão.
O irmão gémeo passou por rupturas conjugais, drogas, álcool. Suicidou-se em 2002.

David, após a morte do irmão, nunca mais foi o mesmo. A empresa onde trabalhava fechou, incompatibilizou-se com a mulher com quem entretanto tinha casado.

No dia 4 de Maio de 2004 foi até um estacionamento isolado e apontou a arma à cabeça. Tinha 38 anos.

Documentário:


Via É o Carteiro! (artigo original por Emanuele Boffi in tempi.it)


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sexta-feira, 13 de abril de 2018

Paulo - Apóstolo de Jesus Cristo - o filme





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Santo Hermenegildo, rei e mártir

Hermenegildo era filho de Leovigildo, rei dos Visigodos em Espanha, e de Teodósia, a primeira esposa daquele rei. Depois da morte da esposa, o rei visigodo casou-se com Goswinda, viúva do seu irmão Atanagildo e mãe de Brunehaut, mulher de Sigeberto, rei da Austrásia. Foi com uma filha de Sigeberto e de Brunehaut que Hermenegildo se casou.

A esposa do futuro Mártir chamava-se Ingonda e era Católica. Ora, Goswinda, ariana, nutria grande ódio pelos Católicos, e começou a perseguir a nora. No princípio usou de carinhos, doces palavras, procurando induzir Ingonda a receber o baptismo no Arianismo. Ingonda, corajosa e determinadamente, recusou-se, e passou a receber da sogra os piores tratamentos.

Leovigildo, um dia, para pôr termo às discussões entre a mulher e a nora, resolveu enviar Hermenegildo e a jovem esposa para Sevilha. Ingonda, desde então, procurou, por todos os meios, encaminhar o marido para a Fé Católica. Pôs-se a catequizá-lo, e Hermenegildo, assim que se inteirou das Verdades que a boa esposa lhe expunha, a tudo vendo com muita clareza, deixou os erros que abraçara desde que nascera e se fez Católico.

Leovigildo, quando soube da conversão do filho, procurou, enraivecido, matá-lo. E o príncipe, para se defender, aliou-se ao imperador de Bizâncio, que ia atacar a Espanha.  

Um dia, Hermenegildo recebeu mensageiros do pai, que lhe disseram:

- Ide procurar o vosso pai, que vós ambos tendes coisas em comum a discutir.

Hermenegildo respondeu-lhes:

- Não irei. Meu pai é meu inimigo, porque sou Católico.

Leovigildo, diante daquela resposta, marchou contra o filho, que, chamando os gregos em seu auxílio, avançou contra o pai. Quando, porém, as forças do Santo deram com o Exército do rei visigodo, debandaram, abandonando-o, e Hermenegildo, sem nenhuma esperança, refugiou-se numa igreja das vizinhanças. E ali, orando a Deus, disse:

- Que meu pai não me venha atacar, porque é um ímpio crime que um pai seja morto por um filho e um filho pelo pai.

Leovigildo, acampado a pouca distância, tratou de lhe enviar um deputado. E assim, logo mais, Recaredo, irmão do jovem príncipe, discorria sobre a boa acolhida que o pai lhe desejava fazer. E acrescentou:

- Vamos, ajoelhe-se aos pés do nosso pai, e ele tudo perdoará.

Diante disto, Hermenegildo foi ao encontro do velho rei, que, ao recebê-lo, abraçou-o com fingido carinho. Pouco depois, era preso. O Santo, conduzido a Sevilha, foi posto numa estreita prisão. E ali, desejoso do Céu, rogava a Deus que lhe desse forças para perseverar até ao fim. E as cadeias que carregava, levava-as com grande resignação, com imensa doçura, como se fora um cilício.

Hermenegildo, firme na Fé, foi morto na própria prisão, a mandado do perverso pai, na noite de 13 de Abril de 586. E os milagres não faltaram para manifestar a glória do rei Mártir.

O pai, herético e parricida, reconheceu, arrependido, a Verdade da Fé Católica, mas, temeroso da Nação, não teve coragem de abraçá-la [o fim dos tíbios é conhecido: serão vomitados por Deus]. E Recaredo, morto Leovigildo, não seguiu o exemplo do pai, mas sim o do irmão Mártir: converteu-se, tornando-se um bom Católico.

Sob as instâncias do rei Filipe II, o Papa Sisto V autorizou-lhe o culto em toda a Espanha, e Urbano VIII estendeu o culto a toda a Igreja.

Santo Hermenegildo é o padroeiro de Sevilha.

Padre Rohrbacher in 'Livro Vida dos Santos' (Volume VI, p. 325-327)


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